«Num esquema de dois, Matheus e Ugarte são intocáveis. Mas se falha um, ou os dois (Deus nos livre!) quem preenche o lugar? Pote, que não é de intensidade, nem tem capacidade para 90 minutos naquela posição? Essugo, que ainda está nos seus verdes anos? Tabata, fora de posição? Ou o reforço Morita, que parece que veio para suplente? Sem Bragança e Palhinha, o Sporting tem de investir num médio de craveira, intenso, bom de bola e que compreenda bem o jogo. Custa dinheiro? Obviamente que sim. Porque não o Xeka, que está a custo zero?»
Um das excitações da pré-época é abrir os presentes das novas contratações. Um autêntico Natal em Julho cheio de expectativas.
Mas também dá muito gozo ver os arúspices debitarem as suas seriíssimas adivinhações sobre como vai ser ou não ser a época. Jamais chegaram sequer à porta que dá para o corredor onde está da sala de reuniões em que se planeou a época, nunca falaram com algum responsável, mas sabem perfeitamente que jogadores fazem falta ou estão a mais. Não fazem a mais remota ideia das regras do mercado de transferências futebolísticas, nem de telescópio viram uma negociação, mas se fosse com eles é que íamos ver com quantos paus se faz a canoa de uma equipa. Isto será um passatempo tão decisivo como os torneios de sueca disputados à fresca sombra das árvores da Alameda, é tão encrespado como eles e, para quem assiste, tão giro durante 5 minutos e entediante se durar mais tempo.
Pois então fiquem sabendo que ontem abri uma andorinha ao meio e li nas vísceras que tudo está a ponto de se alinhar para Ele vir.
Se acertar, lembrem-se que foi aqui que leram primeiro. Se não, vejam lá que não foi isso que eu disse.
Alguns jogadores gozam de excelente imprensa, façam o que fizerem. Ou mesmo que não façam coisa nenhuma.
Como os jogadores que mais me interessam são de longe os do Sporting, aqui ficam dois exemplos do que referi antes. Ambos colhidos na edição de ontem do Record.
Um apontamento sobre o nosso estreante guarda-redes, Franco Israel: «Não dá para formar opinião, mas causa boa impressão.» Sendo-lhe assim atribuída a "medalha de bronze" na habitual secção diária deste jornal.
O texto é disparatado: como é que se tem «boa impressão» de alguém cujo desempenho não deu sequer para «formar opinião»?
Outro apontamento visa Paulinho, atribuindo-lhe nota positiva (3 em 5) na partida de véspera frente ao Wolverhampton: «Muito trabalhador e empenhado a defender e pressionar os adversários, acabou por ter um trabalho invisível no ataque. (...) Pouco inspirado na área, deu, porém, soluções nos apoios.»
Como é que um avançado-centro é avaliado positivamente com «trabalho invisível no ataque» e se revela «pouco inspirado na área», onde devia fazer a diferença?
E o que significa «dar soluções nos apoios»?
Alguém descodifica esta prosa freitaslobista que enxameia a imprensa desportiva portuguesa, onde se escreve cada vez pior?
De qualquer modo, Paulinho não pode queixar-se do tratamento que recebe nos jornais. Mesmo «invisível», passa no teste.
Helena Ferro de Gouveia: «Há mais príncipes encantados a transformarem-se em sapos do que sapos a transformarem-se em príncipes encantados. Pois é, apesar dos sapos serem verdes e tudo, o que eu queria mesmo, o que eu queria muito, era que Sá Pinto, que não será o mais perfeito dos príncipes encantados porém é um grande treinador, fizesse jus ao seu apelido, Ricardo Coração de Leão, e conquistasse, não Jerusalém, mas o título. Não é pedir demais, right Ricardo?»
«Quanto à ideia de jogar com o Huguinho, o Zezinho e o Luisinho lá na frente, acredito que vai ser excepção e que a regra vai ser Trincão, Paulinho e Pedro Gonçalves. Isto de conseguir marcar três golos com um ataque de baixinhos a uma equipa em que o central mais baixo tem 1,85m e os outros dois mais a dupla de meio-campo têm acima de 1,90m não é tarefa fácil. Num jogo de campeonato ou de Liga dos Campeões contra adversários com este porte físico e preparos não se acredita que vá acontecer. E a questão do avançado idêntico a Paulinho que possa actuar no impedimento ou baixa de forma deste vai pôr-se. É quase fatal como o destino.»