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És a nossa Fé!

O dia seguinte

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O Sporting conquistou ontem uma vitória mais que merecida no dérbi de Lisboa. Um jogo em que foi superior em todos os domínios, distanciando-se do rival na corrida pelo acesso directo à Champions.

Na antevisão do jogo eu dizia que "de qualquer forma o Sporting vai entrar em campo do jeito habitual. Amorim acredita mais na consistência que vem dos treinos do que dos coelhos que saem das cartolas. Já do outro lado, mesmo com Jesus de cama, deve haver alguma surpresa que se correr bem é porque realmente ele é genial; se correr mal, claro, os jogadores são burros e não percebem."

E foi isso mesmo que aconteceu. O Sporting entrou com Matheus Nunes e João Mário a dominar o meio-campo, Nuno Mendes e Porro bem activos nas alas e Tiago Tomás endiabrado no ataque. O Benfica entrou como uma equipa pequena, com a defesa reforçada por mais um central, intenção de ganhar a bola em zonas recuadas e lançar as cavalgadas de Rafa e Darwin Nunes.

O Sporting tinha a lição bem estudada. Castigava os centrais adversários com sucessivos lançamentos em profundidade, e dum deles surgiu o pique e a lesão de Jardel, que forçou ao recuo de Weigl.

 

A primeira parte foi toda nossa e podíamos bem ter ido para o intervalo em vantagem: o Benfica criou perigo por Pizzi uma única vez depois duma perda de bola de Pedro Gonçalves. Na segunda, o Benfica equilibrou até às substituições quando o Sporting recuperou o domínio do jogo com Palhinha, Jovane e Tabata a entrarem muito bem.

E o golo finalmente surgiu de mais um lançamento em profundidade, este tipo rugby, de Coates, que sobrevoa o povoado meio-campo, Tabata atrapalha o tal Weigl, a bola segue para Jovane, que lhe dá um nó cego (quantos milhões é que custou afinal ?) e centra ao segundo poste, Porro passa tranquilamente pelo Nuno Tavares (era este que o Jesus dizia que ia ser o defesa esquerdo da selecção, ou era algum primo?), Odisseas corta como pode, e Matheus Nunes... marca à Yazalde.

A cereja em cima do bolo para o melhor jogador em campo. Que belo lance de ataque. Que golo fabuloso!

 

Mas o que se passou no campo só foi possível pelo que se passou antes fora dele. Num dia marcado pelo fecho da janela de transferências, com toda a instabilidade que isso provoca no plantel, a que se somou a questão CD/Palhinha, Frederico Varandas, Hugo Viana e Rúben Amorim conseguiram realizar um trabalho notável, resolver da melhor forma casos que poderiam causar dano como os de Plata, Sporar e Borja, recuperar via tribunal Palhinha para o jogo sem comprometer a preparação efectuada, moralizar e focalizar o grupo e levá-lo à vitória.

E assim, em pouco mais de duas semanas, ganhámos no campo, em Alvalade e fora dele, com chuva e sem ela, com Unilabs, CDs e Fábios Veríssimos a torpedearem, e sem "colinhos" arbitrais, a Benfica, Porto e Braga. Francamente, não me recordo que isso alguma vez tenha acontecido no passado: é mesmo dia dos ressabiados meterem a viola no saco e largarem de vez o disco da falta de ambição. O Sporting está com mais ambição do que nunca, mas ambição com trabalho, humildade e sem lugar a bazófia. Porque a bazófia, se por si só não perde campeonatos, contribui muito para isso.

Concluindo, o Sporting ganhou mais que merecidamente ao grande rival.

Palco para os artistas. E os artistas estão na foto.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Boletim meteorológico

Da página do IPMA, na previsão para o dia de hoje:

- Céu limpo em todo o território, com nuvens carregadas na freguesia de São Domingos de Benfica;

- Diminuição da pressão atmosférica, excepto na freguesia referida, onde ela estará imensamente pesada;

- Temperatura amena ao nível do solo, o que permite o passeio (higiénico!) a felinos de modo a arejar a juba, contudo com uma descida drástica a altitudes superiores, impedindo a passarada de sair da gaiola.

 

Última hora: Uma imensa concentração de galinhas, em São Domingos de Benfica, frente a um edifício pré-fabricado semelhante a um aviário, cacareja de forma histérica exigindo que os 100 milhões gastos em entulho sejam trocados por milho. Um senhor de orelhas enormes veio à varanda, e depois de as mandar para o trabalho (pensamos que pôr ovos, mas mais tarde esclareceremos), disse irado "vocês aqui só mandam quando tiverem dentes!"

Voltaremos logo que haja desenvolvimentos, entretanto aproveitem o ar puro que hoje se respira. Bom dia.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do nosso triunfo em casa frente ao velho rival. Derrotámos o Benfica por 1-0 (ao minuto 92, fatal para Jorge Jesus) num jogo que dominámos quase por inteiro. O SLB, com reforços de 100 milhões, foi levado ao tapete por um Sporting que gastou apenas cerca de 14 milhões para formar o plantel desta temporada. Comprovando-se, uma vez mais, que não basta contratar jogadores caros: é preciso haver também quem saiba orientá-los. No início da época, Jesus prometeu "arrasar": afinal a equipa dele é que está arrasada. 

 

De termos terminado um jejum de nove anos. Desde Abril de 2012 (Godinho Lopes era o presidente e Sá Pinto era o treinador) que não vencíamos o Benfica, em casa, para o campeonato. Tinham Nuno Mendes e Tiago Tomás apenas nove anos. Era mais que tempo de pôr fim a isto. E faço desde já votos para que um tão grande período sem derrotarmos as papoilas em Alvalade nunca mais volte a acontecer.

 

De Matheus Nunes. Há males que vêm por bem: a inacreditável sanção disciplinar a Palhinha no jogo anterior, decidida pelo árbitro Fábio Veríssimo, forçou Rúben Amorim a apostar no jovem luso-brasileiro como titular do nosso meio-campo defensivo. Aposta ganha: ele foi o melhor em campo. Não apenas por ter cumprido de modo exemplar a sua primeira missão, segurando muito bem a bola e transportando-a com qualidade e critério, como foi ele a fazer a diferença num espectacular mergulho em zona frontal a aproveitar um mau alívio do guarda-redes Vlachodimos. Assim surgiu o golo solitário que nos consolida no comando da Liga, com 42 pontos - mais nove do que o Benfica. Desde 1951 não havia uma diferença pontual tão grande entre as duas equipas nesta mesma fase do campeonato.

 

De Nuno Mendes. Outra excelente exibição do nosso ala esquerdo, que entrou em 2021 com o mesmo fulgor que já havia evidenciado no final da temporada anterior ao ser lançado por Amorim na equipa principal. Hoje ganhou sucessivos duelos a Gilberto, causou constantes desequilíbrios no seu corredor e aos 44' esteve a centímetros de marcar um golaço num chapéu que Vlachodimos só travou in extremis, em cima da linha da baliza.

 

De Coates. Revela segurança olímpica, controlo absoluto do sector defensivo e natural capacidade de comando junto dos companheiros que o complementam nessa missão, novamente coroada de sucesso. Excelente leitura de jogo, como se comprovou num corte magnífico feito aos 62'. Os números não enganam: o Sporting é - de longe - a defesa menos batida do campeonato, com apenas nove golos sofridos em 16 jogos. O capitão uruguaio é um dos grandes responsáveis por estes números que as outras equipas tanto nos invejam.

 

De Adán. Seguríssimo entre os postes. Atento aos cruzamentos. Antecipou-se sempre aos adversários, reduzindo (por exemplo) Darwin a uma inutilidade em campo. Confere tranquilidade a toda a equipa, até pela sua linguagem gestual. Um dos pilares deste Sporting que cada vez mais sonha com o título de campeão.

 

De Porro. Imprescindível neste onze titular, voltou a fazer a diferença em diversos lances - incluindo o momento decisivo da partida. Grande passe a isolar Tiago Tomás, aos 23'. Uma quase-assistência para Pedro Gonçalves, aos 31'. Autor de um disparo com selo de golo, aos 35', desviado no limite por Otamendi. Cereja em cima do bolo: é ele quem centra no lance que culmina no golo que nos valeu três pontos. Outra partida em grande nível.

 

De Tiago Tomás. Muito combativo, deu sempre imenso trabalho aos três centrais adversários (sistema agora implantado por Jesus no Benfica, copiando o que Amorim trouxe há quase um ano para o Sporting). Com um desvio de cabeça dentro da área, aos 40', ofereceu um golo que Neto desperdiçou. Atacou a profundidade com inegável competência, quase fazendo esquecer-nos que tem apenas 18 anos. 

 

De Rúben Amorim. Menos de um ano depois, já conseguiu silenciar todos os críticos. Até aqueles que não há muito tempo murmuravam que ele era incapaz de vencer as equipas situadas nos cinco primeiros lugares da tabela. Os factos só destas semanas mais recentes falam por si: derrotámos o FC Porto, derrotámos o Braga (duas vezes), derrotámos agora o Benfica, conquistámos a Taça da Liga. E não vamos parar aqui. Já com os críticos caladinhos.

 

De ver o Sporting ainda invicto. Extraordinário: somamos 16 jogos sem perder no campeonato. Estamos há dez jornadas consecutivas no primeiro posto. E continuamos a marcar em todos os jogos desta Liga 2020/2021, que comandamos com brilho e competência. Mérito do treinador e de toda a equipa de trabalho, que revela uma unidade inquebrantável.

 

 

Não gostei
 

 

Do Benfica. Péssimo a atacar, medíocre a defender, sem consistência, sem fio de jogo, sem uma verdadeira oportunidade de golo, estreando neste clássico o sistema de três centrais em que não está rotinado, numa demonstração evidente de temor reverencial pelo Sporting, esta equipa que agora segue em quarto no campeonato abandonou qualquer hipótese de conquistar o título - que agora vê à distância de 14 pontos (nove do Sporting e cinco do FC Porto). No início da época, Jesus tinha prometido aos adeptos jogar "três vezes mais". Mera publicidade enganosa, algo em que o veterano técnico é exímio, como nós infelizmente bem sabemos.

 

De todo o "folhetim" em torno do cartão a Palhinha. O jogador estava fora da convocatória, mas a meio da tarde soube-se que o Tribunal Administrativo Central do Sul autorizara uma providência cautelar que suspendia o efeito do castigo imposto pelo Conselho de Disciplina. Acabou convocado, entrando aos 60' para render João Mário. É um dos jogadores com mais talento do campeonato português, não merecia todo este injustíssimo desgaste em redor do seu nome. 

 

Da ausência de público. Os números trágicos da pandemia não permitem outro cenário senão o actual, mas voltou a ser profundamente triste ver o nosso Estádio José Alvalade palco do maior clássico do futebol português com todas as bancadas vazias. E nós, adeptos, acabámos por fazer a festa como foi possível, confinados mais que nunca, entre as quatro paredes domésticas. Festejo a sério, agora, só em sonhos.

Bravo rapazes

Então não foram para a cabine ao intervalo a ganhar por 2 ou 3 porquê? Estava já eu entre irritado e conformado com um empate quando 3 rapazes de 22 anos desembrulharam finalmente a encomenda. Na verdade nenhum golo destes vem tarde demais.

Houve casos patuscos, por exemplo o prematuro cartão amarelo a Gilberto. Normalmente isto deveria coibi-lo, mas aqui a mensagem foi clara: doravante podes dar porrada à vontadinha que o peso da camisola obstará ao cartão da cor dela. Outra situação divertida foi aquele circunspecto colóquio junto ao banco visitante; o Conceição pode mandar os árbitros àquela parte que eles fazem orelhas moucas, a troupe da Luz é os sôres desculpem qualquer coisinha, mas faxavor tenham lá calma; Rúben Amorim já se sabe, vai logo para o olho da rua se respirar fundo. 

Acabado o jogo lá vieram as lérias do costume. Haveria de cair uma bigorna na cabeça do próximo palerma que falar de "estrelinha" ou reclamar pela "candidatura ao título." Ambas as perguntas são parvas e já foram mil vezes respondidas, porquê insistir nelas sabendo que não levam a nada? Bem se sabe que na cadeia alimentar das redacções a secção do desporto alberga os mais toscos e alvares, mas caramba não é preciso exagerar.

Acabo de escrever isto enquanto o minúsculo Sabrosa continua na sucursal amarela da BTV a carpir mágoas pelo clube dele. Para esta gente não foi o Sporting que ganhou, foi o clube do coração deles que perdeu. 

Ninguém pense que é fácil

Eis a melhor prova de que um clássico como o de hoje é sempre um um jogo muito dificil para nós: o Sporting não vence o Benfica em casa, para o campeonato, desde 9 de Abril de 2012.

Vai fazer nove anos.

Nesse dia vencemos 1-0. Com golo (de penálti) apontado por Wolfswinkel. Curiosamente, numa partida também com arbitragem de Artur Soares Dias, o árbitro desta noite. Ele que também apitou os dérbis de 2016, 2017 e 2019.

Por curiosidade, recordo o nosso onze titular desse desafio já longínquo: Rui Patrício; João Pereira, Polga, Xandão, Insúa; Matías Fernández, Schaars, Elias; Izmailov, Capel, Wolfswinkel.

Reparem: só dois portugueses. E apenas um oriundo da Academia.

O treinador era Ricardo Sá Pinto.

 

Nos anos seguintes, os resultados foram estes:

2012/2013 - Sporting, 1 - Benfica, 3. Treinador: Franky Vercauteren.

2013/2014 - Sporting, 1 - Benfica, 1. Treinador: Leonardo Jardim.

2014/2015 - Sporting, 1 - Benfica, 1. Treinador: Marco Silva.

2015/2016 - Sporting, 0 - Benfica, 1. Treinador: Jorge Jesus.

2016/2017 - Sporting, 1 - Benfica, 1. Treinador: Jorge Jesus.

2017/2018 - Sporting, 0 - Benfica, 0. Treinador: Jorge Jesus.

2018/2019 - Sporting, 2 - Benfica, 4. Treinador: Marcel Keizer.

2019/2020 - Sporting, 0 - Benfica, 2. Treinador: Silas.

Prognósticos antes do jogo

Muitos de nós encaramos com optimismo o desfecho do Sporting-Benfica que vai ter início logo à noite, às 21.30, num estádio José Alvalade ainda sem público. Ambicionamos algo nos antípodas da triste derrota da época passada, sofrida a 17 de Janeiro de 2020, em que até duas claques "leoninas" decidiram ajudar a equipa adversária arremessando potes de fumo e material pirotécnico contra a baliza Vítor Damas, nesse dia confiada a Luís Maximiano.

Um dia de péssima memória também por causa disto: confirmava-se a existência de grupos organizados de adeptos, em Alvalade, que praticavam literalmente a política de terra queimada, fiéis ao slogan "quanto pior, melhor". Quase dois anos após o miserável assalto à Academia de Alcochete.

De então para cá, as coisas mudaram imenso. Para muito pior no País (e no mundo), para bastante melhor no Sporting. 

Quais são os vossos prognósticos para este jogo - o clássico dos clássicos do futebol português?

A voz do leitor

«Onde estão Daniel Bragança, Pedro Marques e Gonçalo Inácio? Serão assim tão maus, que só servem para aquecer o banco?! O Sporting sabia e sabe que o mês de Janeiro seria difícil mas deixou-se apanhar pela tempestade perfeita: um Inverno mais rigoroso, as peripécias na Madeira, o covid, as dificuldades financeiras, tudo somado a um decréscimo de rendimento da equipa. Não estou a ver o Sporting a cair numa derrocada, mas parece estar acusar alguma pressão. Terá o Sporting estofo para inverter a tendência negativa?»

 

Tiago Oliveira, neste meu texto

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