Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Os mirabolantes milhões que Mendes encaixou com Bruno Fernandes

5,5 Milhões de Euros. Por extenso: Cinco vírgula cinco milhões. 

Foram os "custos de intermediação" da transferência de Bruno Fernandes para o Manchester United, segundo o comunicado publicado pelo Sporting na CMVM no final da semana passada.

https://web3.cmvm.pt/sdi/emitentes/docs/FR74426.pdf

Esses 5,5 milhões (10% - dez por cento - dos EUR 55 milhões da venda) comparam com 34 milhões de encaixe líquido para o Sporting com o negócio (https://www.abola.pt/nnh/2020-02-22/sporting-bruno-fernandes-rendeu-34-13-milhoes/830479), descontadas as fatias da banca e outras. Ou seja, os agentes facturaram cerca de 16% do que o clube, proprietário do passe, encaixou.

E quem são esses agentes? 

WhatsApp Image 2020-02-23 at 14.10.00.jpeg

(in Record)

Ora, a Positionumber, do empresário de Bruno Fernandes, e... a Gestifute - sim, a de Jorge Mendes. Porque é que o empresário de BF, o Sporting e o clube interessado na contratação precisaram do "superempresário"? Não sabemos.

Recorde-se que este é o mesmo Mendes cujos negócios com SLB, FCP e outros clubes estão a ser investigados por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais:

https://www.record.pt/futebol/detalhe/benfica-fc-porto-sp-braga-e-jorge-mendes-investigados

Será que a direcção do Sporting era tão incompetente para vender o melhor jogador do plantel - e do campeonato português - que precisou da ajuda de Mendes?

Gostava de ver Frederico Varandas no Jornal da Noite da TVI ou em 5 edições seguidas no Record a explicar aos sportinguistas estes negócios e comissões.

Também o de Ilori.

E a venda de Thiery, também intermediado por Mendes.

Gostava de ver, mas sei que não verei.  

Como já aqui escrevi várias vezes, acredito que, a caminho de meio do mandato da actual direcção, se tornou mais do que evidente a falta de rumo do Clube e a incapacidade para preparar uma época num desporto altamente competitivo e profissionalizado como é hoje o futebol. Com o conflito com a oposição interna (a "escumalha", nas palavras do próprio) em níveis perigosos, c. de 5 mil pessoas (entre elas, eu) participaram na maior manifestação de que há memória em Alvalade há c. de 2 semanas, prova do enorme descontentamento entre os sportinguistas. Estou certo de que, hoje, Varandas perderia as eleições. Perderia, e por muito. Ele próprio sabe disso, daí agigantar inimigos internos (meros vândalos, para os quais está aí a PSP e estão aí os tribunais), apresentando-os como a maior ameaça à Humanidade desde a Peste Negra. 

Não é só o clima de guerra civil e o aprofundamento de divisões entre sportinguistas; não é só pelos maus resultados, pelo depauperamento do plantel de futebol e pela mediocridade que se vai instalando no clube a todos os níveis. A demissão da actual direcção é uma urgência por sucessivas e reiteradas decisões de gestão lesivas para as finanças e a reputação do Clube.

Fixem o nome deste miúdo

2408646_w2[1].jpg

 

Nuno Gonçalo Rocha Moreira tem 20 anos, é médio ofensivo. Brilhou ontem na vitória da equipa sub-23 do Sporting contra o Benfica, no início da segunda fase da Liga Revelação 2019/2020. Com dois golos (o primeiro é uma obra-prima) e assistência para o terceiro, sendo fundamental neste triunfo por 3-2.

Um nome a fixar, o de Nuno Moreira. Se jogar sempre assim, chegará longe.

O fanatismo tornou-se virtude

Texto do leitor V. Guerreiro

IMG-20200209-WA0000-1.jpg

 

Os depoimentos dos arguidos sobre o que se passou em Alcochete são em tudo idênticos aos de um arguido que assassinou a ex-companheira (salvaguardando as devidas proporções, naturalmente). Reconhece que fez mal, que se deixou dominar pelo ciúme, que não suportou ter sido abandonado, que foi levado por um impulso e que está arrependido.

A invasão à Academia do Sporting foi um crime passional. Foi o resultado de amores doentios, de ciúmes, de frustração e de descontrolo emocional.

Desde miúdo que conheço bem os “fanáticos do futebol”, que era como se tratavam aqueles que pisavam o risco da má-criação. Mas nesse tempo havia a família que reprovava os excessos e os amigos que aconselhavam a contenção. Nesse tempo, os fanáticos eram socialmente censurados. Hoje, quem não é fanático fica aquém do desejado. Quem não vive os clubes 24 horas por dia, como um vício (palavras do arguido Tiago Neves), não tem autoridade moral para mandar bitaites. Quem convive com as derrotas sem partir qualquer coisa é um resignado e não ama o suficiente. Os fanáticos têm, assim, finalmente, caminho livre à sua frente, porque o fanatismo clubístico foi finalmente aceite e é normalizado diariamente na televisão. Deixou de ser uma maluquice e passou a ser uma virtude, um exemplo de dedicação a uma causa nobre.

Com a negligência do Estado, a ideologia Ultra (ultra fanática) encontrou nas claques um porto seguro para se instalar e angariar jovens incautos.

E é neste ambiente que surge um Presidente fanático, um Presidente adepto, um Presidente com uma paixão enorme, doentia, que arrasta consigo todos os que quiserem viver o nosso grande amor e a promessa de dias de glória. O mundo sabe que pelo teu amor eu sou doente, que não suporto a desilusão e a frustração, que não me resigno, que não compreendo as críticas injustas a quem dá tudo por amor, que não entendo como é possível alguém falhar um golo tão fácil, jogar tão pouco, que não aceito que não se esforcem como eu me esforço, apesar de ganhar muito menos do que vocês. Nesses momentos, é preciso fazer qualquer coisa de urgente, “dar um aperto”, chamar a atenção para “darem o máximo”, “pedir justificações”. Às vezes, perdemos a cabeça, exageramos, vamos longe de mais. Às vezes, lá aparece uma notícia de mais um crime passional.

Entretanto, o fanatismo continua o seu desfile obsceno nas televisões, nos blogues, nas bancadas dos estádios e nos comunicados de imprensa dos clubes.

 

Texto do nosso leitor V. Guerreiro, publicado originalmente aqui.

 

A voz do leitor

«A esmagadora maioria dos presidentes do SCP de que me recordo - de Brás Medeiros até hoje - teve, na minha opinião, desempenhos medíocres (e alguns muito negativos), com a óbvia excepção de João Rocha e poucos mais. Exemplos flagrantes de falta de visão e de competência: 1) A não renovação atempada da equipa dos Cinco Violinos; 2) - A falhada contratação de Eusébio. No Sporting, as direcções, em regra, só depois de iniciados os mandatos é que revelam a sua real qualidade. Tal como os melões.»

 

Margil, neste meu texto 

Bancada Sul A

Percebo as razões que levaram à revista minuciosa dos espectadores que pretenderam entrar em Alvalade na passada quinta-feira, mas discordo da sua implementação. Bem sei que foi na bancada Sul A que gangs sem qualquer vergonha brindaram todos os espectadores do estádio com sucessivos “festivais” de piro-javardice. Mas há que separar o trigo do joio, o estádio tem câmaras, autoridades presentes durante o jogo e não vi até hoje uma detenção. Faltou coragem para identificar e retirar os energúmenos da bancada?

É para mim inaceitável fazer pagar o justo pelo pecador, submetendo todos os que assistem aos jogos na referida bancada a tratamento vexatório, como obrigar pessoas a descalçarem-se. Para cúmulo, ao que parece também é ineficaz.

Vamos ser sérios, coisa que a actual direcção apesar do muito que apregoa, não parece ser, querem mesmo combater a turba infame? Comecem por higienizar as instalações do clube, retomando a posse das áreas sob controlo dos gangs. Em seguida, se necessário, encerrem a bancada Sul A. Durante alguns jogos, ou mesmo até final da época. Porque existem direitos adquiridos, aos detentores de GB, ofereçam lugares de categoria superior, mas dispersos pelo estádio. Os restantes frequentadores habituais terão que adquirir um lugar disponível no estádio.

Não cabe aos órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal autorizar ou não a existência de claques, porque a Constituição da República permite o livre direito à associação. Mas podem perfeitamente não as reconhecer, facilitar o seu funcionamento ou estabelecer qualquer tipo de relação institucional ou de apoio às mesmas.

Enquanto sócio, não estou minimamente satisfeito com o desempenho do actual Conselho Directivo, em particular do presidente Frederico Varandas. Mantenho a convicção que o mandato não chegará ao fim, muito provavelmente nem sequer irá além do presente ano de 2020.

Reserva leonina

21697045_OlfIo[1].jpg

 

A última edição do programa Sporting160 teve como convidado Miguel Poiares Maduro.

Foi uma entrevista muito interessante, com boas (e pertinentes) perguntas e melhores respostas. Vale a pena escutar!

Poiares Maduro tem ideias muito concretas sobre o Sporting e o caminho que deverá seguir. Defendeu um debate sobre um novo modelo de governação para reger o clube (indicando, a esse respeito, tipos diferentes), considerando que o modelo actual está falido e o Sporting, persistindo no mesmo, não inverterá o rumo dos últimos 30 anos.

Uma análise desassombrada sobre o clube, a confirmar Poiares Maduro como uma boa reserva para o futuro do Sporting. 

Armas e viscondes assinalados: Disseram sim à vida enquanto aprovavam a eutanásia

Sporting 3 - Basaksehir 1

Liga Europa - 1.ª mão dos dezasseis-avos de final

20 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Passou quase toda a primeira parte como um espectador, sendo praticamente o único naquele sector do estádio que conseguiu presenciar o jogo desde o apito inicial – e presumivelmente sem lhe revistarem as chuteiras. A segunda parte foi mais parecida com o registo da equipa leonina nos tempos mais recentes, e fez uma defesa providencial antes de não conseguir travar o pontapé de pénalti que tornou ligeiramente menos certo que a melhor exibição do Sporting nesta temporada garanta que não haverá Alvaladexit após a viagem à Turquia.

 

Ristovski (3,5)

Além da assistência que terminou a seca de golos de Sporar, o macedónio destacou-se pelo contributo na construção de ataques, provando conseguir ser mais perigoso no 4-3-3 ou 4-2-3-1 ou lá o que é do que no 3-5-2. Do ponto de vista defensivo viu-se acossado com a presença de muita actividade subversiva no seu quadrante ao longo da segunda parte. Mas não foi por aí que os turcos chegaram ao cuscuz.

 

Coates (4,0)

O Sporting estava à beira do abismo e o central uruguaio deu o passo em frente. No sentido em que se adiantou aos adversários, esticou a perna e desviou o pontapé de canto cobrado de forma irrepreensível por Acuña. Colocou a equipa em vantagem logo no arranque e depois esmerou-se nos passes longos e na custódia da sua grande área, acumulando mais triunfos nos duelos aéreos com os turcos do que a aviação do regime sírio. Próximo desafio, depois de não poder ajudar na recepção ao Boavista: garantir que os leões passam aos oitavos de final da Liga Europa com Tiago Ilori no onze titular.

 

Neto (2,5)

Realizou dois ou três cortes importantes “à queima”, fruto da contra-ofensiva turca na segunda parte, pelo que não deixa de ser irónico que lhe tenha sido assinalada uma grande penalidade num lance em que está muito longe de ser evidente que tenha cometido qualquer infracção. Assustou os adeptos que puderam entrar a tempo em Alvalade ao parecer tocado durante o aquecimento, numa antecipação do que será ver Ilori elevado à titularidade nos próximos dois jogos.

 

Acuña (4,0)

Executou o canto que arrombou o marcador “à patrón” e nunca mais deixou de fazer coisas acertas e de pôr tudo aquilo que é nas mais pequenas coisas que faz. Intratável apenas na conquista, manutenção de posse e endosse de bola, pareceu possuído pelo espírito de Maradona (é possível que qualquer familiar de Diego que estivesse a ver o Sporting-Basaksehir tenha corrido a aproximar um espelho da sua boca para verificar se este se havia finado) numa arrancada junto à linha. Ter o lateral-esquerdo, médio, extremo e tudo no plantel é uma das maiores alegrias que restam aos sportinguistas que preferem vencer as equipas adversárias a derrotar as suas próprias claques.

 

Battaglia (3,5)

Vincou a sua principal diferença em relação à concorrência interna: sabe o que fazer com uma bola de futebol. Mais do que ser uma primeira barreira ao ataque turco – incipiente na primeira parte, mas cada vez mais constante na segunda –, revelou-se um primeiro urdidor de futebol ofensivo, no sentido da palavra que não gera assobiadelas. E ainda voltou a ficar perto de marcar, num remate dentro da grande área que foi desviado pelo guarda-redes turco.

 

Wendel (3,0)

Foi o mais discreto da equipa na fulgurante primeira parte, sem por isso deixar de cumprir na circulação criteriosa de bola que foi uma das chaves do sucesso depois de sucessivos jogos feitos de marasmo. E o certo é que tirou proveito das reservas de energia de que ainda dispunha no final da segunda parte, altura em que diversos colegas já davam sinais de desgaste preocupantes.

 

Vietto (4,0)

Regressou à equipa titular com intenção de deixar marca e assumiu-se como o substituto de Bruno Fernandes que teria sido desde o início da temporada caso a transferência do capitão tivesse ocorrido em Agosto e Raphinha e Bas Dost ainda trajassem de leão ao peito. Rei do meio-campo ofensivo e municiador dos colegas, ficou perto de marcar logo no início do jogo, sendo atrapalhado por Bolasie. Nem por um instante esmoreceu, impondo a sua construção, tijolo por tijolo, para gáudio das bancadas e desconforto dos visitantes. Quando na segunda parte chegou a hora de marcar, vendo-se frente a frente com o guarda-redes, agiu com uma frieza difícil de encontrar em quem tantas vezes se vê legitimamente acusado de “não ter golo”. Provou que não teria de ser necessariamente assim e agradeceu com uma vénia aos milhares que o aplaudiram, sem distinguir entre “croquetes” e “escumalha”. Mantenha a qualidade de jogo, a assertividade de decisão, e a inteligente leitura do ambiente que o rodeia e poderá ser uma das chaves para um Sporting mais saudável. Juntou-se, para já, a Coates na equipa da semana da Liga Europa e, tendo até em conta que a sua transferência é desaconselhada pelo acordo que Jorge Mendes engendrou, convém que por Alvalade se mantenha por muitos e bons.

 

Jovane Cabral (3,5)

Ciente de que a aura de “arma secreta” o condena a longos minutos de banco e aquecimento, acelerou o futebol leonino desde o primeiro instante, em absoluto contraste com a contemplativa placidez demonstrada por Rafael Camacho enquanto titular recorrente. Sendo verdade que nem sempre decide da forma mais perfeita, ao ponto de o seu melhor remate ter sido precisamente a recarga para o golo apenas anulado por ter sido antecedido por fora de jogo de Sporar, teve o condão de nunca se esconder e de fazer tudo para resolver a eliminatória. Detalhes como o toque de calcanhar que serviu de alicerce ao terceiro golo do Sporting impõem que seja a primeira opção, ainda que o seu tipo de desgastante movimentação desaconselhe que permaneça em campo muito mais do que uma hora.

 

Bolasie (3,0)

O “trapalhonismo” que dele irradia custou um golo cantado que teria ampliado o marcador nos primeiros minutos de jogo, pois não aproveitou a assistência de Sporar e não deixou que Vietto a aproveitasse. Também voltou a enredar-se na sua afamada finta, quase tão autofágica quanto a incapacidade de voar foi para os extintos dodós, e até a assistência que assinou para o terceiro golo teve o seu quê de mal-amanhada. Dito isto, voltou a dar o seu melhor, a impor a estampa física e a recorrer à velocidade em prol da equipa, numa exibição a todos os níveis positiva, ainda que nada se tivesse perdido caso tivesse saído mais cedo, permitindo a progressão daquele moço Gonzalo Plata que por Alvalade continuará se não for entretanto trocado por um punhado de feijões mágicos. Aquele seu remate que estremeceu os ferros da baliza como nenhuma pirotecnia conseguiria simboliza a falta de sorte que Bolasie carrega nos ombros.

 

Sporar (3,5)

A persistente seca de golos parecia destinada a terminar logo após o apito inicial, mas o esloveno preferiu contornar o guarda-redes e servir os colegas, tendo o supremo azar de haver demasiados pés para uma só bola. Mas o recado estava dado: Sporar consegue render quando a equipa agrega talento suficiente para carrilar jogo ofensivo que, mais do que cruzamentos para a cabeça (como nos tempos de goleadores trocados por feijões mágicos), assenta na bola a rolar na relva. Começou por atirar ao lado, depois rematou ao poste (em posição ligeiramente irregular, o que invalidou a recarga certeira de Jovane) e finalmente marcou o que se espera ser o melhor de muitos, tirando o melhor proveito de um cruzamento em esforço de Ristovski. Quebrado o encanto, o que lhe permitiria apanhar o melhor marcador da Liga Europa, graças aos cinco golos marcados pela anterior equipa, permaneceu envolvido nos muitos contra-ataques até ser poupado por Silas para o jogo de domingo em que poderá perceber-se quais são as hipóteses de Bruno Fernandes vir a ser suplantado como melhor marcador do Sporting na Liga NOS.

 

Pedro Mendes (2,5)

Teve direito a mais de duas dezenas de minutos para demonstrar a sua arte. Pena é que esses minutos tenham coincidido com a pior fase do Sporting, pelo que o jovem avançado teve sobretudo de ser o primeiro factor dissuasório das incursões turcas. Esteve à altura da missão, e tratou de apoiar os colegas, de costas para a baliza, a levar perigo aos visitantes.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para tentar travar o avanço do Basaksehir e não se pode dizer que tenha sido particularmente incompetente nessa missão. Mas não restam dúvidas de que não deve ser considerado como mais do que um suplente de Battaglia ou, se tudo correr melhor para o ano, de João Palhinha.

 

Gonzalo Plata (3,0)

Há que ovacionar o aproveitamento dos poucos minutos a que teve direito. Diversas acções em que mostrou velocidade e capacidade de finta serviram de aperitivo para um belíssimo remate que o desmancha-prazeres turco evitou que se convertesse num merecido 4-1.

 

Silas (3,0)

Retirou dividendos imediatos de uma ideia muito louca e inovadora chamada colocar os melhores jogadores disponíveis na equipa titular (só Bolasie poderia ter tal estatuto posto em causa pelo jovem Gonzalo Plata). É uma incógnita que tenha dado conta disto, por muito que seja difícil não reparar na diferença entre o futebol castrado e lamentável demonstrado em Vila do Conde e as jogadas empolgantes testemunhadas pelos compradores de bilhete e receptores de borlas presentes em Alvalade na tarde de quinta-feira, agarrando a equipa à vida ao mesmo tempo que a despenalização da eutanásia era aprovada na Assembleia da República. Bafejado pelo talento dos bons jogadores que restam no plantel (faltava Mathieu, mas Neto esteve à altura até ter que a arbitragem vislumbrou o pénalti sem falta que culminou no tento de honra do Basaksehir), ainda que não pela sorte (outros tantos golos ficaram por marcar), tardou a refrescar a equipa na segunda parte, o que resultou num ascendente do adversário que se vai tornando natural em quem enfrenta o Sporting. Continua, assim, na corda bamba e com a garantia de que será o próximo saco de areia a atirar por Frederico Varandas para manter acima do solo (e ao sabor do vento) o balão de uma presidência feita de ar quente.

Pódio: Vietto, Bolasie, Sporar, Jovane

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Basaksehir pelos três diários desportivos:

 

Vietto: 20

Bolasie: 19

Sporar: 18

Jovane: 18

Coates: 18

Ristovski: 18

Acuña: 17

Luís Maximiano: 17

Plata: 16

Battaglia: 16

Wendel: 14

Pedro Mendes: 12

Neto: 12

Idrissa Doumbia: 10

 

Os três jornais elegeram Vietto como melhor jogador em campo.

Urge afastar Varandas da SAD

Texto da leitora Maria Inês

image[1].jpg

 

Quando a gestão é competente os resultados aparecem independentemente dos presidentes. Tivessem o futebol profissional e a SAD uma direcção à sua altura, como têm as modalidades, e com certeza as coisas seriam muito diferentes. E não há que escondê-lo ou ter vergonha. Muito do bom trabalho das modalidades vem de trás e foi muito inteligente aproveitá-lo. Assim como é de louvar a nova aposta no basquetebol.


Continuo a achar incrível a insistência em demitir Varandas de presidente do clube em vez de virar todo o foco para o seu fraquissímo e inenarrável desempenho à frente do futebol. O homem não percebe nada disto e não diz coisa com coisa.


Para o demitir de presidente do clube não há justa causa nem nada que o valha, mas para o demitir de presidente da SAD razões não faltam, e devia ser o clube, como principal accionista, a tomar a iniciativa de o demitir. Ou seja, os sócios deviam promover uma assembleia geral para pedir ao Varandas presidente do clube para demitir o Varandas presidente da SAD. E se seguidamente se contratasse alguém capaz e competente para a SAD e se pusesse as claques efectivamente na ordem com a sua expulsão definitiva de sócios e dos recintos desportivos, podem ter a certeza que isto ficava tudo resolvido até às próximas eleições.


O problema é meter tudo no mesmo saco e não ir ao fundo da questão.

 

Texto da nossa leitora Maria Inês, publicado originalmente aqui.

A voz da leitora

«Quanto às claques... infelizmente até a salutar higienização em curso estará ameaçada quando o presidente cair. Mas aí caberá aos sócios exigirem e apoiarem os candidatos que se comprometam a acabar com estes grupos paralelos e arruaceiros no clube.»

 

Rute Rockabilly, neste texto da Zélia Parreira

No país das maravilhas

20200221_203323.jpg

"Não há eleições!

D. Sebastião volta para a semana!"

Esta é a capa de um dos primeiros livros de Vasco Pulido Valente (VPV), estava (estou) a relê-lo.

A notícia de hoje apanhou-me de surpresa.

Todas as mortes nos apanham nos apanhavam de surpresa (a partir de ontem vamos poder morrer com hora marcada e convidar familiares e amigos para a festa).

Conheço o Vasco desde que comecei a ter uma opinião política, muito cedo, tenho irmãos mais velhos e o 25 de Abril para os miúdos que nasceram nos anos sessenta era um Benfica vs. Sporting; muita paixão, muita luta, sem cinzentos. Branco, negro, a favor, contra.

Vasco foi um dos que me ensinou a ver outros caminhos, ainda criança, oito, nove anos já recortava artigos dele no Diário de Notícias, mais tarde, lia-o n' O Independente e na K (capa), no Público, também.

O que tem isto a ver com desporto, nada. Ou então; tudo! (hesitei na pontuação, não é canónica, é a que melhor expressa o que quero dizer e faz "pendant" com a pichagem).

Vasco queixava-se muito dos jogos do Benfica, dos vândalos, suevos e hunos que estacionavam em cima dos passeios e lhe bloqueavam a garagem nos dias de jogo do "glorioso" na Luz; enfim, não seria racismo lampiónico mas era má educação.

Deixo-vos com um extracto de um texto de VPV publicado no Diário de Notícias em 17 de Junho de 1977, chamado: Ressaca de Feriados.

«Neste bem merecido repouso dos insanos trabalhos da revolução, da democratização e da produção, a vida política séria e dura ficou suspensa.

O Portugal oficial reconquistou Camões à reacção e falou de História com H grande.

É, de facto, curiosa esta obsessão da retórica dominante com a História maisculada, imaginária ou ideológica, quando a conhece tão mal, despreza tanto o seu passado e o estuda tão pouco.»

Para terminarmos e num apelo ao civismo neste fim-de-semana, ponte, "feriado", o último parágrafo da referida crónica de Vasco:

«E lamentemos também aquele País que se precipitou para as estradas, na ânsia de gozar, com feridos e mortos, os absurdos "feriados de Junho". Nestes loucos anos setenta, já não se distingue bem o que é pura irresponsabilidade e o que é o medo dos dias que hão-de vir.».

Duas ideias fortes:

- Eleições, não. Dom Sebastião volta para a semana.

- Já não se distingue bem o que é pura irresponsabilidade e o que é o medo dos dias que hão-de vir.

2019/2020: os marcadores dos nossos golos

ORK7U02N.jpg

 

Bruno Fernandes 15 (Braga, Rio Ave, Boavista, PSV, Rio Ave, Aves, Lask Linz, Paços de Ferreira, Rosenborg, PSV, PSV, Gil Vicente, Santa Clara, V. Setúbal, V. Setúbal)

Luiz Phellype 9 (Portimonense, Rio Ave, Lask Linz, Paços de Ferreira, PSV, Moreirense, Santa Clara, Santa Clara, Portimonense)

Vietto 6 (Famalicão, Belenenses SAD, Belenenses SAD, Gil Vicente, Portimonense, Basaksehir)

Coates 4 (Marítimo, V. Guimarães, Rosenborg, Basaksehir)

Mathieu 3 (PSV, Braga, Portimonense)

Raphinha 2 (Portimonense, Portimonense)

Wendel 2 (Braga, Gil Vicente)

Bolasie 2 (Rosenborg, Santa Clara)

Acuña 2 (V. Guimarães, FC Porto)

Pedro Mendes 1 (PSV)

Jesé 1 (V. Guimarães)

Rafael Camacho 1 (Portimonense)

Plata 1 (Portimonense)

Borja 1 (Marítimo)

Jovane 1 (Rio Ave)

Sporar 1 (Basaksehir)

João Meira 1 (defesa do V. Setúbal, autogolo)

Jadson 1 (defesa do Portimonense, autogolo)

Ser Rambo não dá bom resultado

1q9a1424_770x433_acf_cropped[1].jpg

 

"Queria pedir desculpas aos jogadores, eles são as verdadeiras vítimas [...] prejudiquei gravemente as vítimas, a instituição Sporting e a própria Juve Leo."

É uma das frases a reter de todo este processo. 

Todas as vezes que estamos nas redes sociais a insultar tudo e todos. Todas as vezes que, numa discussão numa caixa de comentários, ameaçamos alguém com violência... Há sempre uma consequência.

Às vezes a realidade apanha-nos. E, a estes rapazes, apanhou da pior maneira. Quando deram por si, estavam a agredir jogadores do Clube que amam (acredito que o façam). Quando deram por si estavam a ser detidos e hoje, quase dois anos depois, estão sentados em tribunal. Provavelmente prestes a serem, e bem, condenados.

Estamos no século XXI, devíamos ser capazes de discutir sem chegar a este ponto. Devíamos ser capazes de verbalizar a nossa opinião sem agredir o nosso interlocutor.

Ser Rambo não dá bom resultado.

De pedra e cal - Capitão Matos

Aproxima-se pela esquerda, todo ele simpatia e sorrisos para miúdos e graúdos. Ponho a minha melhor cara de má, afino a voz e disparo:


- Capitão, tenho uma pergunta para fazer-lhe...

JM: (sorridente, ignora por completo o tom sério e grave da malfadada adepta) Diga, diga...!

- Não se ria, Capitão, olhe que o assunto é sério...

JM: (sem desarmar, todo ele simpatia, para meu agudo desespero!) Diiiga...! 

- (mas não haverá nada que lhe desfaça o sorriso? que ameace a boa disposição?) Oh Capitão, tenho estado aqui a pensar... (interrompo o discurso, fito o chão, olho-o cabeça ainda reclinada em sentido descendente) é uma espécie de preocupação, sabe? Sente falta do carrapito!? 

JM: (contém a gargalhada in extremis, cabeça a abanar para os lados qual boneca havaina colada no tablier de um Cadillac) Hum, hum, hum, errr, não, sim, er, mais ou menos. 

Gargalha, enfim! Acompanho-o, claro.

- E então Capitão, super original, a pergunta, não?

JM: Ainda hoje ninguém ma tinha feito!

Ahahahahah

Completa hoje 33 anos, é nosso atleta desde 2002 e um símbolo maior do Sporting Clube de Portugal. É Sportinguista, dos pés à cabeça (incluindo ex-carrapito) e uma ajuda preciosa na hora de sedimentar a relação entre adeptos e Clube. Que a genuinidade do sorriso nunca se perca - especialmente para aqueles que estão longe do Pavilhão João Rocha -, que a alegria de jogar de Leão ao peito não se dissipe e que a dúvida nunca se instale: é também graças a si que estamos certos de que... o Sporting? Está de pedra e cal.

 

Feliz aniversário, Capitão Matos! Muitos parabéns - e obrigada -, capitão João Matos...!

Edição: correcção de 2005 para 2002 (em 2005, integrou a equipa sénior)

IMG-20200217-WA0001.jpg

Fotografia de minha autoria, tirada a 24 de Agosto de 2019 - Torneio Masters, Portimão 

Quente & frio

Gostei muito  da vitória concludente do Sporting, ontem em Alvalade, frente à equipa do Istambul Basaksehir, segunda classificada da liga turca que vinha de uma série de 15 jogos em que só havia perdido uma vez. Agradou-me não apenas o resultado (3-1, com 2-0 ao intervalo) mas sobretudo a exibição. Especialmente na primeira parte, em que o onze leonino teve um domínio avassalador, sem dar a menor hipótese aos adversários. Foram os nossos melhores 45 minutos iniciais nesta época, confirmando a Liga Europa como a excepção à regra das más exibições e dos péssimos resultados da temporada em curso. Grande dinâmica ofensiva leonina, bom jogo colectivo: parecia um Sporting de outros tempos, em que vencer e convencer era o mais comum para as nossas cores.

 

Gostei  que tivéssemos inaugurado o marcador bem cedo, logo aos 3', com um remate certeiro de Coates, na sequência de um canto apontado por Acuña. O segundo surgiu aos 44', marcado por Sporar, a centro de Ristovski: o internacional esloveno estreou-se como goleador pelo Sporting ao quinto jogo de verde e branco. O nosso terceiro, aos 51', ficou a cargo de Vietto, coroando um rápido lance de contra-ataque, com assistência de Bolasie. O franco-congolês é um dos que merecem nota mais elevada - e quase marcou, num tiro à barra, aos 84'. Mas o melhor, para mim, foi Jovane, novidade como titular em jogo europeu desta época: durante uma hora, o jovem formado em Alcochete marcou o ritmo e o compasse do ataque leonino, com excelentes passes a desmarcar colegas (Sporar aos 6', Vietto aos 32'). O lance do terceiro golo nasce de um toque de calcanhar dele, a justificar elevada nota artística. Só não marcou ele próprio, aos 15' e aos 58', devido a excelentes intervenções do guarda-redes. Chegou até a metê-la lá dentro, com um tiro aos 28', mas o lance foi anulado por fora de jogo milimétrico de Sporar.

 

Gostei pouco  de ver tantas oportunidades desperdiçadas. Podíamos ter ido para o intervalo a ganhar por quatro ou cinco se não fosse algum azar e sobretudo a grande exibição do guarda-redes turco. Bolasie, isolado, atrapalhou-se com Vietto e falhou o remate aos 4'. Sporar permitiu a intercepção aos 6' após ter sido isolado por Jovane. Battaglia esteve perto de marcar, aos 15', na sequência de um canto. Vietto falhou aos 21', Sporar desperdiçou aos 41'. Já no tempo extra, pouco antes do apito final, mais duas oportunidades goradas - uma por Vietto (90'+1), outra pelo recém-entrado Plata (90'+3), esta só travada por uma magnífica defesa do guardião Gunok. Pena: teria sido um golaço.

 

Não gostei  que tivéssemos sofrido um golo, marcado aos 77' de grande penalidade, por suposta infracção de Neto que as imagens não conseguem comprovar sem margem para dúvidas. Max, que tinha feito uma grande defesa aos 60', foi incapaz de travar a bola no momento do penálti. Por acumulação de cartões, Neto não poderá disputar o desafio da segunda volta, no próximo dia 27, em Istambul - o que significa o regresso de Ilori ao onze titular. Teme-se o pior.

 

Não gostei nada  que os imbecis do costume, lá na curva sul, se tivessem posto aos gritos contra o presidente do Sporting neste jogo sob a égide da UEFA, mandando Varandas para um destino que rima com Carvalho. Estavam decorridos 37 minutos, o Sporting vencia por 1-0 e fazia uma excelente exibição, o que não impediu os energúmenos de entrar em histeria. O mesmo sucedeu à beira do fim da primeira parte, quando berraram «Demissão!» Num caso e noutro, foram prontamente silenciados com uma monumental vaia pela maioria dos 27.392 adeptos que se encontravam em Alvalade neste fim de tarde que decorreu sob o signo da vitória. Felizmente neste jogo as medidas preventivas desencadeadas pela PSP funcionaram: não rebentou qualquer petardo nem foi lançada qualquer tocha, salvaguardando a segurança e valorizando o espectáculo desportivo. Os artefactos incendiários desta vez estiveram ausentes, para natural satisfação dos sportinguistas que se deslocam ao estádio para ver jogos e não para aturar birras de pirómanos.

Pág. 1/9

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D