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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Mais duas tacadas para o buraco 19

Sporting 0 - Benfica 2

Liga NOS 17.ª Jornada

17 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Tivesse o "derby" apenas 79 minutos e teria saído de Alvalade com a sensação de dever cumprido, seja a disfarçar as gritantes e abissais insuficiências dos colegas de titularidade ou a retirar do relvado as tochas com que as claques deram prova de vida nada inteligente no início da segunda parte – até então tinham ficado em silêncio, permitindo apurar o quanto as bancadas amorfas, passivas e afónicas estavam dispostas a ouvir os cânticos da claque benfiquista a ecoar em Alvalade. Ainda o jogo não tinha completado dois minutos e já o guarda-redes leonino estava a fazer uma mancha que impediu uma desvantagem precoce, aplicando-se da mesma forma para travar remates rasteiros e aéreos (apesar de os avançados benfiquistas tirarem escasso proveito da enorme superioridade no jogo de cabeça na grande área). Nada pôde fazer nos lances dos dois golos tardios que colocam o Sporting a 19 pontos do Benfica quando ainda falta disputar uma segunda volta em que será preciso visitar os estádios das melhores equipas da Liga. E muito provavelmente sem o contributo do maior dos quatro ases que ainda sobravam no baralho.

 

Ristovski (3,0)

Tem a grande qualidade de ainda pertencer ao Sporting que contava para o Totobola e nunca se esquece disso, enfrentando cada adversário pelo que vale e não pelo que as orquestrações de Jorge Mendes irão fazer com que supostamente vá valer. Ainda que pouco integrado na manobra ofensiva, o macedónio contribuiu para que alguma fraca gente, orientada por um fraco treinador, escolhido por ainda mais fraco presidente, ficasse perto de perturbar a narrativa da Liga NOS aprovada em comité.

 

Tiago Ilori (1,5)

Quando evitou o golo madrugador do Benfica, cortando com o rosto o remate dirigido para a baliza momentaneamente desprovida de guarda-redes, terá inquietado aqueles que lhe asseguraram a titularidade ao garantirem que Coates levaria um amarelo em Setúbal “by all means necessary”. Reforçou essa impressão com uma sucessão de cortes importantes que evitaram desventuras à equipa, embora o desacerto nos passes longos e nos lances de ataque fosse um indicador das suas reais (in)capacidades. E o central contratado pela mesma gerência que vendeu Domingos Duarte a desbarato acabou por não desiludir os fãs nos dois golos do Benfica, sobretudo no segundo, que nasce da sua abordagem suicida em dois momentos da jogada.

 

Mathieu (3,0)

O remate acrobático que executou no final do jogo saiu por cima da baliza do Benfica, e que já pouca diferença faria mesmo que tivesse entrado, serviu para recordar que o francês tem mais futebol no dedo mindinho do pé esquerdo do que alguns colegas de plantel teriam caso nascessem dez vezes. Concentrado nas bolas aéreas, generoso nas compensações e capaz de iniciar jogadas de ataque com um critério que falta a quase todos os jogadores leoninos, lamenta-se que se esteja a aproximar o final da carreira de um grande futebolista. E ainda mais que o seu maior objectivo nesta triste segunda volta que se inicia, passando à frente do eventual “tri” na Taça da Liga que fará as delícias dos irredutíveis da actual gerência do Sporting, seja assegurar a (difícil) qualificação do Sporting para a próxima edição da Liga Europa.

 

Acuña (3,0)

Nem o cartão amarelo que viu relativamente cedo, num lance em que foi traído por um inconseguimento de Wendel, limitou o argentino que faz da raça e da classe armas capazes de pôr adversários em sentido. Até marcou um golo notável, aproveitando o já conhecido e recorrente défice de ângulo morto de Vlachodimos, mas Luiz Phellype encarregou-se de o fazer anular devido ao seu posicionamento. Estando na iminência de ser promovido a estrela da equipa, ainda que nunca se saiba se algum génio da lâmpada o “basdostará” por uma dúzia de milhões de euros (ou até por uns feijões mágicos), dedicou-se a dar esperança num resultado melhor do que a encomenda. Mas voltou a não ser dia para isso.

 

Idrissa Doumbia (1,5)

A angústia do jovem médio ao ver-se rodeado por papoilas pressionantes é a imagem de marca do triste "derby" em que o Benfica passou a ter vantagem sobre o Sporting em jogos disputados em Alvalade. Incapaz de estar à altura do momento, perdeu a posse uma, duas, milhentas vezes, sendo certo que a sorte e os colegas impediram que os seus constantes erros tivessem as consequências catastróficas que poderiam ter. Centenas de quilómetros mais a Norte, João Palhinha esteve na vitória do Sporting de Braga na visita ao Estádio do Dragão, mas o mais certo é que nunca mais vista uma camisola que, a manter-se este rumo, será mais talhada para quem não consegue fazer melhor do que o pobre Idrissa, só retirado de campo quando o empate já estava desfeito e o buraco 19 mesmo ali à frente. Antes tivera o seu melhor momento, num remate colocado, à entrada da grande área, que Vlachodimos desviou para canto.

 

Wendel (2,0)

Ter maior familiaridade com a bola de futebol do que o colega de duplo "pivot" permitiu que evitasse cometer tantos “turnovers” quanto Idrissa, mas nem por isso os efeitos práticos da sua melhor técnica foram muito visíveis na construção de jogadas. Tarda a afirmar-se num meio-campo em que se arrisca a ser o elemento mais virtuoso.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Talvez tenha feito o último jogo pelo Sporting, sendo improvável que o Manchester United lhe permita tentar juntar mais uma Taça da Liga ao palmarés pessoal, e uma derrota em casa contra um rival directo estará longe de ser a forma como sonharia despedir-se. Verdade seja dita que, embora pouco rematador, esteve ligado aos melhores momentos do Sporting. Logo no início, com uma assistência de longa distância que deixou Rafael Camacho frente a frente com o guarda-redes do Benfica, e numa arrancada em que o seu amigo Pizzi pôde fazer-lhe uma entrada assassina sem ver amarelo e sem evitar o passe para Bolasie, o qual rematou fraco e à figura. Massacrado pelos adversários, ao ponto de Gabriel ser amarelado por atingir o capitão leonino numas coordenadas que podem pôr em causa que a sua filha venha a ter irmãos, Bruno Fernandes voltou a demonstrar uma classe que não se encontra todos os dias, todos os anos ou todas as décadas. Se com ele na equipa já o Sporting estava à beira do abismo, a sua saída pode ser o passo em frente.

 

Rafael Camacho (3,0)

O excesso de pontaria que demonstrou ao rematar ao poste, engrossando as sobrenaturais estatísticas do Sporting nesta temporada, após aproveitar o passe longo de Bruno Fernandes e os pés de barro de um central com nome de Ferro, impediu que o Sporting fizesse o improvável. Também não teve sorte num cabeceamento que Vlachodimos conseguiu rechaçar, mas a verdade é que foi o único elemento do ataque à altura do emblema que trazia ao peito, conseguindo participar na construção de jogadas e tendo pés dotados o suficiente para driblar os adversários que foi encontrando pela frente. Espera-se que ganhe confiança e músculo, pois a partir daqui tudo se tornará ainda mais complicado.

 

Bolasie (2,0)

Ninguém lhe pode negar vontade e coragem, embora a sua “famosa” finta raras vezes engane alguém e o domínio de bola explique o ponto em que se encontra a sua carreira à entrada dos 30 anos. Tivesse tanto jeito para acertar com a bola na baliza quanto tem para produzir vídeos motivacionais e o Sporting estaria numa posição muito menos desesperada.

 

Luiz Phellype (1,0)

Teve concorrência de monta na luta pelo posto de pior em campo, mas sobressaiu pela forma como fez anular o golo de Acuña e teve de contar com a complacência de Hugo Miguel e de Jorge Sousa para que o seu amarelo nao assumisse outras cores. Perdido no relvado e fora de sintonia com os colegas, primou quase sempre por uma atitude indolente que reflecte o mau momento de forma física e anímica de quem chegou a parecer uma opção válida para o ataque do Sporting no final da época passada. A este não foi preciso que Ruben Dias desse um “abraço” na grande área...

 

Gonzalo Plata (1,0)

Desperdiçou os minutos que lhe deram, sendo incapaz de fazer melhor do que, mal ou bem, Bolasie ia tentando fazer.

 

Pedro Mendes (1,0)

Talvez seja de o testar em melhores circunstâncias, não?

 

Borja (1,5)

Entrou já depois dos 90 minutos para que Acuña pudesse subir no terreno. Cumpriu, como cumprira em Setúbal, e voltará a poder cumprir no próximo jogo, pois Acuña fica de fora devido ao cartão amarelo que viu em Alvalade.

 

Silas (1,5)

A insistência em Idrissa Doumbia perante a evidente inadequação do jovem para a tarefa que lhe era pedida, deixando Battaglia sentado no banco, é o melhor retrato da intervenção do treinador em mais um "derby" do nosso descontentamento. Ainda que o resultado tenha estado quase a ser positivo, ainda que algumas das melhores oportunidades tenham pertencido aos leões, a verdade é que o Sporting atravessou largos períodos de marasmo e de domínio benfiquista, demonstrou uma incapacidade de construção aterradora e tornou evidente que o pior ainda estará a caminho. Por muito que seja um profissional digno de respeito, Silas só não é o elemento menos capacitado para as funções que desempenha no Sporting porque o plantel profissional está cravejado de calamidades e a tribuna presidencial ainda é pior.

Bem, ao menos é Sábado.

Vamos deixar de fora os eufemismos: o Sporting está fodido. Não há sugar coating possível para melhorar isto. E o maior problema do Sporting é não ter só um problema mas sim vários.

Confiança

O Sporting é um clube traumatizado. E não é de hoje. Já em 2010, Paulo Bento dizia que os jogadores do Sporting tinham ficado complexados quando viram o Benfica de Jorge Jesus a jogar à bola e que isso os inibiu.

Não sei, nem sabe ninguém(?), porque cantamos o fado neste tom traumatizado mas é cada vez evidente que o Sporting não consegue "performar". É um clube que vive assustado com o que se passa lá fora, com medo da concorrência. Basta ver outros dois casos recentes. Em 2015/16 andámos no primeiro lugar a tremer até sermos ultrapassados pelo Benfica, depois disso ganhámos todos os jogos de forma convincente até ao final do campeonato. O outro caso é também bastante exemplificativo. Na recta final do campeonato passado, já sem pressão, conseguimos uma série de vitórias que nos aproximou do Porto. No momento em que podemos incomodar o Porto e tentar passar para a frente, empatamos em casa com o Tondela.

Um amigo perguntou-me "Se o Sporting jogasse com Gabriel e Taarabt no meio-campo contra um Benfica com Bruno Fernandes e Wendel, por quantos achas que perdíamos?". E é verdade.

Paulo Futre e João Moutinho saem do Sporting para vencer títulos europeus pelo Porto.

Se o John Holmes fosse o Sporting, tinha morrido de SIDA na mesma mas virgem.

 

Competência

O Sporting teve duas oportunidades para contratar Rafa, em ambas falhou para Braga e Benfica. Ontem marcou-nos dois golos. Também Cervi chegou a ter tudo pronto para assinar pelo Sporting mas alguém saiu do quarto de hotel sem ter o papel assinado e alguém do Benfica bateu à porta.

O Sporting teve a oportunidade de reclamar da dualidade de critérios que afastou Coates do derby enquanto permitiu que Ruben Dias jogasse, não o fez. O Sporting teve oportunidade para criticar a exibição de Jorge Sousa contra o Porto, ontem esteve no VAR.

O Sporting já podia ter vendido Bruno Fernandes, por mais ou menos dinheiro, mas mantém esta angustiante espera que não é benéfica para ninguém. Também podia já ter contratado o ponta de lança que precisamos.

O Sporting ofereceu Esgaio, Wilson Eduardo e Palhinha ao Braga. Também "dispensou" Ivanildo Fernandes e Matheus Pereira para ficar com gente pior.

 

Visão

No Sporting não se compreende a importância da Fé do adepto. Da ligação emocional criada com o clube. No Sporting não há ídolos. Até Bruno Fernandes, provavelmente o melhor jogador dos últimos trinta anos, é tratado como "rato".

O Sporting não percebe que o adepto não quer saber dos balancetes ou dos exceis, o adepto quer encher-se de esperança e manter essa chama viva até ao mais longe possível na temporada. O adepto quer acreditar que o Sporting, se quisesse, podia ir buscar o Cristiano Ronaldo outra vez.

O Sporting não percebe que o discurso miserabilista só afasta as pessoas. Que sermos coitadinhos não traz nenhuma vantagem, antes pelo contrário.

Dizer que não há dinheiro não é aceitável quando se geriu (gere?) mal os activos que se tem. Para ficar em quarto (ou quinto) não é preciso ter reforços a receber 2M/ano. Para ficar em quarto (ou quinto) um Pedro Mendes é melhor que um Jesé. Um Joelson é melhor que um Fernando. Um Esgaio é melhor que um Rosier. Um Palhinha é melhor que um Doumbia. Um Wilson Eduardo é melhor que um Bolasie.

Cegos, há anos.

 

Futuro?

Haverá, sem dúvida. Mas ainda é preciso tanto trabalho para que possamos começar a pensar em voltar alguém relevante no mundo do futebol.

Bem, ao menos é Sábado.

Sporting-Benfica 2020

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Voltei a ir à bola, agora com familiares benfiquistas - um sobrinho cobrou-me uma promessa com 40 anos, alega ele, a de irmos juntos ao futebol. A terceira ou quarta vez dele num jogo, desportista nada dado a futebóis. Diverti-me. E muito com todo aquele ardor do petiz, sobrinho-neto lampião. Depois, lá pela segunda parte soltou-se a imunda ralé sportinguista, a turba das claques. Estava aquela gentalha algo perto, deu para lhes ver  as caras, notar os esgares irracionais, ouvir-lhes os urros. São compatriotas, inenarráveis e arrebanhaveis. No futebol ou alhures. Urge a repressão.

O resto são pormenores: o Benfica ganhou bem, tem melhor equipa, melhores jogadores. A nossa equipa é fraca, alguns jogadores nada por aí além, outros parecendo apardalados. Aquilo  não  vai bem, decerto. O treinador não sei, leio agora que quando entrou a equipa estava a 7 pontos da liderança. Já vai a 19. Deslizar que não lhe augura longo futuro no clube. A direcção falhou rotundamente, o presidente é voluntarioso mas é notória a sua incompetência e a incapacidade em se rodear de bons conselheiros. O clube - que é um clube movido a futebol - tem que escolher outra direcção, e o quanto antes. Já o disse aqui, seria o mais elementar sportinguismo ceder o lugar a quem possa fazer melhor.

Mas isso são pormenores. O pormaior é fazer sobreviver o clube. Conheço sportinguistas medianamente inteligentes, até bloguistas, que julgam que todos os sportinguistas são o Sporting. Raciocinam como se isto fosse um partido político, a precisar de votos. Mas não é. Um clube é uma comunhão de princípios, algo fluidos, e de objectivos. Uma comunidade. Esta turba não tem objectivos, nem sequer consegue reflectir - e por isso não vale a pena tentar argumentar racionalmente, pois nada pode apreender. Apenas quer festa, poder urrar em vitórias. E clama a falta dessas vitórias-viagras de que precisa para julgar ser algo, sentir qualquer emoção. Haverá entre ela alguns mais mariolas que têm remunerações nessa "economia de claque". Mas a maioria não tem, apenas tem, deseja, necessita, a remuneração do êxtase colectivo que supra a merda de vida que tem.

Ou seja, sim, é absolutamente secundário que o Sporting tenha perdido com o Benfica, que esteja a não sei quantos pontos, que não vá ganhar qualquer título, que se calhar (pelo andar da carruagem) nem se apure para as competições europeias. O relevante é mesmo decidir o que se quer do clube. Se um patético conglomerado abarcando este lumpen imundo. Ou se uma associação desportiva congregando cidadãos. Esse será o primeiro passo para um dia, porventura longínquo, o Sporting nos dar a alegria de ser campeão. De futebol, que do resto se vai ganhando, e muito. E sabeis porque se ganha noutras modalidades o que não se ganha no futebol? Ok, por causa dos árbitros, do Vieira, do Papa, do não-sei-o-quê, da Cofina, do Jorge Mendes, etc. Mas, acima de tudo, ganha-se nas outras modalidades porque os seus plantéis e departamentos não foram devastados pelas claques e porque não são geridas directamente por Frederico Varandas.

Ou seja, ampute-se o clube deste lixo. E mude-se a direcção. E depois o caminho far-se-á caminhando ...

 

Ultra-javardice...

 

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Lamentável, mas pouco surpreendente, a cada jogo a javardice instalada na bancada Sul mostra a sua verdadeira face. Não consegui perceber a razão porque hoje a PSP não evacuou o local, retirando à força se necessário, o gang que prejudicou o espectáculo. Sugiro à direcção da Sporting SAD que pondere encerrar a bancada A superior Sul em próximos jogos e coloque noutras áreas do estádio os detentores de gamebox. Para grandes males, grandes remédios. De futebol falarei noutro post, não vou misturar o Sporting com imbecis. 

 

P.S. -  Não publicarei insultos nem comentários que pretendam enviar recados a terceiros. Como é hábito nos meus posts, a crítica é bem vinda, a divergência é respeitada. Escusam de tentar usar os meus posts para guerras que não me dizem respeito. Saudações leoninas.

O inimigo dentro de casa

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Imagens do estádio José Alvalade, esta noite, no início da segunda parte do Sporting-Benfica. Na curva sul, local cada vez mais mal frequentado, assim que soou o apito para o recomeço da partida começaram a voar petardos, tochas e potes de fumo sobre o relvado, caindo junto à baliza à guarda de Luís Maximiano.

 

Parecia a reedição do ataque contra Rui Patrício, em Maio de 2018 - por coincidência ou talvez não, também num Benfica-Sporting. Houve incêndios nas bancadas e no relvado, o estádio cobriu-se de densos fumos tóxicos e o árbitro viu-se forçado a suspender a partida durante quase seis minutos. Quando as duas equipas estavam empatadas a zero. No extremo oposto, os adeptos benfiquistas gozavam o prato, como se estivessem de visita à aldeia dos macacos. Naquele momento ficou bem evidente que não precisamos de inimigos externos: o maior inimigo está dentro de casa.

Os jogadores do Sporting, ao verem que os supostos adeptos os brindavam novamente daquela forma incendiária durante o confronto com os nossos mais velhos rivais, não esconderam o seu desalento, bem patente na linguagem corporal durante o interminável interregno, enquanto se combatiam as chamas e se procurava dissipar parte do fumo. Eles sabem, melhor do que qualquer de nós: estes actos criminosos que ameaçam a tranquilidade e a segurança de milhares de cidadãos civilizados que pagam bilhete para verem um espectáculo desportivo derivam do mesmo caldo de cultura que originou o ataque à Academia de Alcochete. Onde o ovo da serpente foi chocado.

 

De alguma forma, o jogo terminou naquele momento. Muitas pessoas - várias com filhos menores - abandonaram prematuramente o estádio, onde o Sporting acabaria por sair derrotado (0-2). Mas desta vez a derrota em campo, perante o sucedido nas bancadas, é o que menos interessa. O que importa sublinhar é este deplorável facto: há um grupo ultra-minoritário ligado a uma claque entretanto extinta que insiste em transformar cada partida de futebol do nosso clube num cenário de guerra. Para esta escumalha, que aposta literalmente na política de terra queimada, quanto pior melhor.

Não estamos já só perante um problema do Sporting: este é um problema do desporto português e da sociedade portuguesa ao qual o Governo, a Federação de Futebol e a Liga de Clubes não podem continuar a fechar os olhos, assobiando para o ar. A menos que estejam à espera que um dia destes ocorra uma tragédia num estádio para desatarem todos a chorar lágrimas de crocodilo.

O homem que não empata

Depois de 19 jogos de Silas à frente do Sporting, ganhámos 13 e perdemos 6. Média de golos marcados: 1,7. Média de golos sofridos: 1,0. Se não me enganei em nada.

Um registo nada favorável. E vendo o jogo de hoje percebe-se bem porquê. Uma construção de jogo a partir do guarda-redes pretensamente inteligente mas que expõe os defesas e os médios mais recuados aos erros mais primários, coisa que acontece dez vezes mais com Iloris do que com Mathieus mas acontece com todos, depois se o médio consegue pegar na bola e virar-se para a frente sem ser desarmado, começa-se a ver um futebol ofensivo que cria oportunidades e que depois aproveita ou desperdiça de acordo com o talento de quem o devia ter para pôr a bola lá dentro.

Um futebol muito de meio-campo, muita ênfase na construção, incompetência acentuada nas duas áreas de decisão, a começar pelos cantos e livre laterais, sempre um perigo num lance contra, desperdício total nos lances a favor. Bruno Fernandes disfarça muita coisa muitas vezes, mas não disfarça tudo todas as vezes.

Por alguma coisa os pontas de lança são normalmente os mais bem pagos do plantel. O Sporting tinha um grande ponta de lança e vendeu-o pelo que custou contratar o... defesa direito suplente. Claro que há a questão do salário, mas... quem não marca, não ganha e muitas vezes perde.

E o Sporting... mais uma vez perdeu.

SL

Não me venham com as claques!

Não são as claques que escolhem os jogadores.

Não são as claques que os compram.

Não são as claques que contraram os treinadores.

Não são as claques que escalam quem vai a jogo.

Não são as claques quem determina a táctica.

Não são as claques que encomendam arbitragens "inteligentes".

Não são as claques que têm falta de qualidade, empenho e raça.

Apesar de as claques serem uma bela e valente merda!

E hoje mais uma vez fizeram merda (não terão gostado do testemunho do Max, digo eu...).

Mas foram as claques que perderam o jogo?

Foram as claques?

Não, não foram!

Quem perdeu o jogo foi a falta de qualidade de quase todos os que estavam lá dentro, desde Ilori  ao "ponta de lança" que tem um cu que pesa uma tonelada. E o Wendel, que é exímio no "para trás e para o lado", tão característico do nosso futebol, há anos... e do Ristovsky, que não sabe parar uma bola em condições e do Doumbia que parece que tem molas quando tem a bola nos pés e invariavelmente a perde e do Bolasie que em quarenta oportunidades de golo não marca uma. E quando assim é, não colhe o "número" das claques. Ainda que as claques sejam efectivamente uma valente merda. E que eu me envergonhe de ter umas claques de merda no meu clube e de se ter que entregar os cabecilhas daquilo às autoridades e impedi-los de entrar em recintos desportivos, sob pena de nunca mais termos paz em Alvalade.

O assunto claques é um caso de polícia (que aliás não entendo como não actuou naquela bancada como actuou nas outras), sendo um problema que tem que ser resolvido, mas não é, longe disso, o maior problema do Sporting.

Temos ainda que ir ao Dragão, à Luz, a Braga e a... Famalicão.

Ou se resolve o grave problema que afecta o Sporting, ou nem à Liga Europa vamos.

O nome da doença? Tem nome de médico: Frederico Varandas!

E só há um remédio para ela. Tenhamos coragem para aplicar o tratamento!

 

PQP P

O P (o terceiro P) é de Pizzi.

Excelente jogador, mau colega de profissão, péssimo ser humano (agora percebo Fernando Santos em ter levado o Renato Sanches a França em 2016).
O lance de Ilori foi penalty? Vai tentar condicionar o c q t f, c (fez-me lembrar Di Maria no lance de Pedro Silva na célebre Taça Lucílio).

Pizzi, como pessoa não prestas para nada.

Sporting-Benfica, nesta sexta-feira à noite

Sim, sei que nas últimas décadas tem ocorrido uma "reforma cultural", e também no mundo do espectáculo futebolístico. Ainda assim, isto de haver o verdadeiro Clássico (que não derby, que não derby) Sporting-Benfica em plena sexta-feira à noite, lembra-me este hino imorredouro "La partita di pallone", com que Rita Pavone nos avisou. A gente vai à bola (e, repito, na sexta à noite, ainda por cima ...), a gente vai à bola, e nunca se sabe o que pode acontecer, os custos que a rapaziada pode ter que pagar. Cumpre-nos sopesar, isso da verdadeira importância da "taça" ...

(Abaixo, para os menos dotados no italiano, fica a transcrição do aviso:

Perché perché / La domenica mi lasci sempre sola / Per andare a vedere la partita / Di pallone / Perché perché / Una volta non ci porti anche me. / Chissà, chissà / Se davvero vai a vedere la tua squadra / O se invece tu mi lasci con la scusa / Del pallone / Chissà, chissà / Se mi dici una bugia o la verità. / Ma un giorno ti seguirò / Perché ho dei dubbi / Che non mi fan dormir. / E se scoprir io potrò / Che mi vuoi imbrogliar / Da mamma ritornerò. / Perché perché / La domenica mi lasci sempre sola / Per andare a vedere la partita / Di pallone /Perché, perché / Una volta non ci porti anche me / Una volta non ci porti anche me )

Hoje à noite em Alvalade

Hoje à noite e na sua casa, a equipa do Sporting entra em campo para ganhar mais um clássico e dar uma grande alegria aos milhões de sócios e adeptos espalhados pelo mundo.

Silas ainda não tornou pública a lista de convocados, imagino que seja mais ou menos a seguinte:


Guarda-redes: Luís Maximiano e Diogo Sousa.

Defesas: Ristovski, Ilori, Mathieu, Quaresma, Borja e Acuña.

Médios: Battaglia, Eduardo, Bruno Fernandes, Wendel e Doumbia.

Avançados: Plata, Camacho, Jesé, Bolasie, Luiz Phellype e Pedro Mendes.

 

Assim, enquanto esperamos pela noite de hoje, gostaria de vos perguntar o seguinte:

Silas à parte, e com os jogadores convocados, qual seria o vosso onze e qual a disposição do mesmo em campo?

SL

A voz do leitor

«É obra a forma como a equipa e o Clube têm seguido em frente, com tantos a desestabilizar, com interesses tão diversos: uns o regresso do Guru, outros a teta, outros a política da terra queimada com vista ao poleiro, outros a venda do Clube. A poucos, desta gente, interessa realmente o Sporting. Uma tristeza. Se as claques (ou parte ou alguns) pensam que desta forma conseguem alguma coisa, estão muito enganadas. As claques existem apenas, e só, para apoiar todas as equipas do Sporting Clube de Portugal, não para eleger ou demitir presidentes e direcções.»

 

JMA, neste meu texto

O que o árbitro quiser

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Semana exemplificativa do que é desporto nacional por estes dias.
Na sexta-feira, o Desportivo de Aves apanhou-se a vencer no Estádio da Luz. O árbitro, Carlos Xistra, conseguiu ver um penalty que permitiu o empate e catapultou o Benfica para a vitória.


Um par de horas depois, o Moreirense marca um golo contra o Porto e meia-dúzia de minutos depois prepara-se para fazer o 2-0 quando o árbitro, Artur Soares Dias, escolhe apitar antes da bola entrar, não dando hipótese ao VAR de averiguar se o golo seria legal ou não. O Porto apanha balanço e acaba por vencer o jogo.


Já no domingo, o futebol feminino deslocou-se ao Estádio da Tapadinha para defrontar o Benfica na primeira jornada da Taça da Liga em futsal. O Sporting vencia por 2-1, graças a um golo de levantar o estádio de Diana Silva, quando a árbitra, Catarina Campos, inventa um penalty de Carole Costa e acaba por expulsar a central Sportinguista. O Benfica acabou por empatar o jogo.

O domingo não fecharia sem mais um exemplo gritante. Na final da Taça da Liga, o Benfica atinge as cinco faltas a sete minutos do final. Um minuto depois, faz a sexta falta sobre Cardinal. Em qualquer outro lado do mundo seria livre direto para o Sporting. Mas no Pavilhão do Centro de Congressos de Matosinhos, o árbitro, Rúben Santos, assinalou a falta ao contrário. Na sequência do lance, o Benfica acaba por se adiantar no marcador e vencer a partida.

Terça-feira, mais um jogo onde o Benfica se encontra a perder em casa e o árbitro, Artur Soares Dias, a "mando" de Rui Costa perdoa a expulsão a Rúben Dias. Como nenhum outro resultado é permitido em Portugal, o Benfica acabou por vencer o jogo.

Amanhã joga-se o derby da cidade de Lisboa. Um jogo histórico do qual Coates foi afastado por um árbitro, Tiago Martins.

Ferran Soriano escreveu um livro chamado “A bola não entra por acaso” e é bem verdade. Infelizmente, em Portugal, o resultado não é ditado pelo mérito, nem pela sorte do jogo ou pela estrelinha de campeão. O resultado é o que o árbitro quiser!

Não chamem "derby" ao clássico

Não há jogo mais clássico no futebol português do que um Sporting-Benfica. É um disparate chamar-lhe derby, preferindo uma expressão inglesa (aliás originalmente relacionada com corridas de cavalos), desgraduando-o desse nobre patamar de clássico.

Um disparate ainda maior quando proferido por sportinguistas. Ao justificarem a designação derby por envolver "duas equipas da mesma cidade", cometem dois erros: equiparam o Sporting-Benfica a um Boavista-FC Porto; e esquecem que o Sporting não é um clube de bairro, nem de cidade: como o nome indica, é um clube de Portugal.

Vamos lá deixar-nos de estrangeirismos. Se este jogo não for um clássico, nenhum outro é.

A voz do leitor

«Enquanto se mantiver este estado de coisas, nenhuma direcção do SCP alguma vez terá sucesso. Nunca é de mais lembrar que o nosso saudoso João Rocha conquistou, no seu mandato, 1200 títulos desportivos, mas apenas três campeonatos de futebol. Coincidências, certamente! Ou então o homem era super-competente em tudo menos no futebol sénior...»

 

Implacável, neste meu texto

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