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És a nossa Fé!

A voz do leitor

«Por muito que possamos achar estranho, um treinador pode não gostar de um jogador que marque tantos golos, mas que necessite para isso de uma equipa a trabalhar para si, pode ser redutor no trabalho coletivo e criar dependências complicadas. Por isso Bas Dost, que sejas muito feliz, que nós ficamos com uma boa lembrança, mas a vida continua e o Sporting não vai parar, quem sabe poderá marcar menos golos por jogador e ser campeão.»

 

Rodrigo Nicolau, neste meu texto

Às avessas

Domingo, 24 de Abril de 1988, no Estádio José de Alvalade estão presentes Manuel Fernandes, Jordão, Meszaros, Eurico, Malcom Allison e Roger Spry – todos eles campeões pelo Sporting. Vão estar em campo e defrontar o Sporting… Um jogo à avessas.

Esta é crónica publicada, no dia seguinte, na Gazeta dos Desportos (n.º1118, pp. 12 e 13)

(Peço desculpa por alguma gralha de digitação)

 

«Tudo em família

Allison, antes do jogo começar, foi ao centro do terreno receber uma enorme ovação. Meszaros, quando caminhava para a baliza, escutou a mesma coisa. Manuel Fernandes e Jordão, idem. E o Sporting, que voltou a jogar bem, acabou por ganhar. Parecia um encontro de confraternização...

 

ERA um jogo especial. Disso não havia dúvidas. E mais especial se tornou, quando logo antes do início, Malcolm Allison, o treinador que deu o último título a Alvalade, se dirigiu ao meio do terreno e escutou uma estrondosa salva de palmas. O inglês foi fazer um teste à sua popularidade, e constatou que a sua cotação, ali para as bandas do Lumiar, continua alta.

Este momento, este gesto, como não poderia deixar de ser, tinha o seu sentido. Psicologicamente, era terrível para a equipa do Sporting. E assim, não foi estranho que, logo no princípio do jogo, se notasse uma enorme vontade dos sadinos em demonstrar que estavam ali para jogar ao ataque. E jogaram. Aproveitando uma certa descoordenação do meio-campo do Sporting, o Vitória começou por lançar numerosos contra-ataques, e mesmo ataques organizados, que obrigaram a defesa leonina a permanente concentração.

No entanto, e a corroborar a ideia de que as melhoras do Sporting são mesmo um facto, a equipa de Morais sacudiu bem esse ímpeto inicial dos setubalenses. Litos, em grande estilo, pegava na batuta e chamava a si a responsabilidade de orquestrar as manobras de ataque da sua equipa. Só que o Vitória, com um esquema de defesa em linha muito adiantado, fazia com que tanto Cascavel como Lima caíssem constantemente em fora de jogo. O que começava a enervar os adeptos da casa Por outro lado, esta prática também era usada por banda da defesa do Sporting. Assim, assistia-se a um jogo curioso, em que a boia andava de cá para lá de fora-de-jogo em fora-de-jogo, cada um à espera do falhanço do outro. E eles, os falhanços, existiram. O sistema não é infalível e uma bandeira não levantada ou um arranque mais tardio são meio caminho para uma jogada de muito perigo.

Sensivelmente a partir do meio da primeira parte, a equipa de Morais começou a variar o seu tipo de jogo. Tinha de ser. De outro jeito não dava, houve que alterar o estratagema. A bola, que até ali pouco tempo parava nos pés dos centro-campistas leoninos, começou a ser trocada com mais calma, numa tentativa de entrar mais pela certa. Fernando Mendes começou a dar maior apoio a Lima. João Luís fez o mesmo em relação a Sealy e os sadinos tiveram de recuar um pouco. Mas sempre que podiam, prontamente solicitavam a corrida do seu homem mais rápido a partir para a frente, Aparício.

Com esta subida dos sportinguistas, os pupilos de Allison, agora a defender bem mais perto da sua área, começaram a ceder nessa zona mais faltas. De que resultavam livres perigosos. Enquanto a equipa era apanhada mais adiantada, era Meszaros a ter de sair fora da área para resolver. E foi num desses lances que nasceu o primeiro golo do Sporting. O húngaro não teve outro jeito senão cortar com as mãos um lançamento para Sealy e na marcação, Cascavel, ontem de serviço neste tipo de lances, atirou da melhor forma. Aliás é altura para referir que a equipa do Sporting está a jogar muito mais para Cascavel. Com a posição europeia a ganhar corpo, o objectivo que a formação verde-branca agora persegue é consagrar o melhor marcador do campeonato. E Cascavel está agora outro. A motivação finalmente apareceu.

Seria então no segundo tempo, mais particularmente aí a partir dos dez minutos, que o melhor futebol do encontro apareceria. O Sporting criava sucessivas situações de apuro para Meszaros, num período brilhante e conseguiu, nessa altura, elevar para 2-0, numa jogada muito bonita. Lima, agora muito mais activo que no primeiro tempo, foi contemplado de novo por mais uma bela actuação. Um jogador em grande forma. Morais mais uma vez o premiou, tirando-o a escassos minutos do fim do jogo, para ele ter direito a ovação. Que aconteceu, naturalmente.

Depois do segundo golo do Sporting, o jogo ficou resolvido. Não se notava capacidade à equipa do Vitória de Setúbal para dar a volta ao texto. Servida de alguns jogadores já nada jovens, os setubalenses tiveram de ceder os pontos.

Ainda assim, os setubalenses poderiam ter marcado, já que num lance de ataque, Manuel Fernandes foi derrubado dentro da grande área de Damas, e Alder Dante deixou o lance seguir. Elder invocou a lei da vantagem, mas o remate de Aparício embateu no poste e a oportunidade ficou-se por isso mesmo.

E naturalmente, a vitória sportinguista aconteceu. Sem uma grande exibição, esmagadora, mas perfeitamente justa. No final, ficou a sensação de que se havia assistido a um jogo de carácter amigável, de homenagem a antigos jogadores, tal a forma carinhosa como todos os ex-sportinguistas foram recebidos pela massa associativa do Sporting. Um encontro de amigos...

Bom, mas amigos, amigos... Com esta vitória, o Sporting ganhou não dois, mas quatro pontos, já que os setubalenses estão na mesma guerra. Foram os dois da vitória e mais dois que o Setúbal deixou de ganhar.

O trabalho de Alder Dante não está isento de erros. Teve algumas indecisões provocadas por indicações duvidosas dos seus auxiliares e isso fez com que a sua actuação tivesse sido menos eficaz. Mas esta forma que as defesas encontram para anular os ataques contrários são propícios a constante polémica. Não é fácil agradar a todos e quando não eram uns a protestar, eram os outros.

- MÁRIO PEREIRA, Comentário-

 

“Esta deslocação a Setúbal foi muito difícil…”

JÁ era esperada a boa recepção que o público de Alvalade dispensou à equipa de Setúbal sobretudo porque nela trabalham pessoas que estiveram ao serviço do clube de Alvalade como são os casos de Eurico, Jordão, Manuel Fernandes ou Allison. Então estes dois últimos - o Manei e o técnico inglês - poderem ontem confirmar que por ali ainda não estão esqueci* dos.

No final do encontro, «mister» Morais acabaria mesmo por acusar a nota e, usando da ironia que lhe é habitual, começou por referir:

«É evidente que estou multo satisfeito com o resultado que a minha equipa alcançou, tanto mais que esta deslocação a Setúbal foi uma deslocação muito difícil... Estes dois pontos foram, portanto, conquistados com todo o mérito e colocam-nos na linha dos nossos objectivos ou seja, subir cada vez mais na tabela classificativa.»

- «Mister», ciúmes da ovação dispensada a Allison?

«Ciúmes não. Aliás cada um é livre de se expressar como bem entender. Por isso mesmo é que eu, sendo sempre muito recto e muito frontal, não posso deixar de fazer uma referência ao caso. O que eu entendo é que a equipa do Sporting merecia mais apoio e é para ela que eu peço ovações porque quem não é por nós é contra nós.»

Sem permitir interrupções foi calmamente que continuou: «Espero que em Portimão os jogadores recebam outro apoio. Até porque muita da nossa motivação vai no sentido de podermos dar alegrias à massa associativa e nisto, também sei, que não fazemos mais do que a nossa obrigação.»

- E neste jogo ela foi cumprida rigorosamente...

«Sim. E o que conta é que esta vitória foi conseguida tendo por adversário uma excelente equipa. O Vitória veio a Alvalade para jogar ao ataque, pratica um futebol onde abundam cruzamentos sobre a área e o certo ó que a nossa defesa - que muitas vezes não se tem dado bem com este tipo de jogo - conseguiu, agora, anular essas características.»

- Um outro sector que esteve igualmente bem foi a ponta esquerda do ataque do Sporting Concorda?

«Esteve bem, não há dúvida. Mas, uma coisa é certa: quando se ganha tudo está bem quando se perde tudo está mal. Penso que é preciso dar lugar e

oportunidades aos novos e neste caso do Lima ele terá um futuro largo à sua frente se continuar a trabalhar com os pés assentes no chão.»

- Hoje o Sporting ganhou em vários campos. Quais as perspectivas a partir daqui?

«Isso é verdade e veio ajudar o Sporting. No entanto, continuo a dizer que até ao flnal do campeonato vamos depender, acima de tudo, de nós próprios. Quanto aos objectivos vamos tentar conseguir a melhor classificação possível, uma que esteja de harmonia com o valor e o prestígio do clube.»

Recusando-se a comentar a arbitragem de Aider Dante: «Não comento arbitragens por principio nem procuro falsos pretextos para facilitar as derrotas») Morais diria ainda que a vitória de hoje é sobretudo obra dos jogadores:

«Quem joga são os jogadores e independentemente de eu

nunca abdicar do meu papel de treinador, penso que agora e bem a propósito, se pode dizer que lhes cabe a eles a parte de leão.»

- Uma última pergunta: quando teremos os treinos do Sporting à porta aberta?

«Vão ter que esperar multo tempo. Não está em causa o respeito pela Comunicação Social. No entanto, sempre fui habituado a treinar è porta fechada. Não que o futebol seja uma ciência oculta mas há esquemas que têm de ser protegidos e que devem permanecer apenas no conhecimento de jogadores e treinador.»

 

Damas: «esta foi a vitória mais difícil»

Sem ter sofrido qualquer golo, Damas não teve, no entanto, ontem à tarde, tarefa fácil. Antes de mais, pedia-se-lhe muita atenção porque o Setúbal, no seu futebol atacante e no seu rápido contra-ataque, cria perigo de um momento para o outro.

Depois do duche e da «bica», Damas confessou então que esta «foi a vitória, nestes últimos jogos, mais difícil de conquistar». E argumentou assim:

«O Vitória de Setúbal joga um futebol muito perigoso, aposta forte no ataque e té-lo vencido constitui para nós uma grande motivação».

- Damas, o Sporting dou hoje um passo Importante...

«Penso que o campeonato, mais domingo menos domingo, acabará por ficar decidido. No entanto, o Sporting continua a lutar por uma boa posição.»

- Pelo 2.º lugar?

«O que lhe posso dizer é que se há três meses atrás disséssemos que Iríamos ficar em 2.º todos achariam ridículo e hoje já se pode pensar nisso como sendo uma coisa possível. Tanto mais que o Benfica, neste momento, deve estar a pensar 200% na Taça dos Campeões…»

- Como comenta o apoio que o público demonstrou a Manuel Fernandes e a Allison? Acha que os adeptos traíram o Sporting?

«De maneira nenhuma! O público está a apoiar a equipa. Penso que o que se passou é normal: somos latinos, somos românticos e gostamos muito dos mortos e dos ausentes. Penso que todos nós reagimos assim…»

- Sabe-se que esta vai ser a sua última época. Já tem planos para o futuro?

«Sendo um homem do futebol é nele que eu quero continuar.»

- E no Sporting, também?

«Quem não gosta de trabalhar num clube como o Sporting? Mas é evidente que, por muita vontade que eu tenha, isso não depende só de mim…»

- Alexandra Tavares-Teles -

 

Allison, confiante

“Europa ainda é possível”

FOI triunfalmente que, ontem, Allison entrou na relva de Alvalade. Foi até ao centro do terreno, e ali, levantou os braços para uma assistência que, de facto, aplaudiu calorosamente.

Noventa minutos depois, o treinador tinha um ar derrotado e triste. Sobre o jogo e laconicamente, começou por dizer:

«A minha equipa não esteve como costuma estar. Houve Jogadores de quem gostei como são os casos de Roçadas, Crisanto, Vítor Madeira ou Quim. O Manuel Fernandes, por exemplo, baixou multo na segunda parte. No entanto, tivemos três ou quatro hipóteses de golo, mas os olhos do fiscal de linha pareciam que não funcionavam multo bem para o lado do Vitória. Em contrapartida, o primeiro golo do Sporting foi consequente a uma jogada em ‘off-side’.»

- Que lhe pareceu este Sporting?

«Alguns jogadores agradaram-me. No entanto, houve alguns que me pareceram um bocadinho nervosos.»

- Acha que o Setúbal comprometeu o seu lugar na Europa?

«Não. Penso que a Europa ainda é possível.»

- Um comentário à recepção que lhe fez o público de Alvalade.

«Gostei de voltar cá e fui muito bem recebido. Foi muito bom ver uma multidão contente antes do Jogo. Isso ó a prova de que ainda se lembram de mim. Aliás, os sócios do Sporting, sempre que me encontram continuam a vir ter comigo. Têm-me demonstrado muito apreço e deve Imaginar como Isso me deixa feliz...»

 

Manuel Fernandes: »Fiquei muito feliz porque vim ver amigos»

Manuel Fernandes comentava assim o seu regresso ao Estádio de Alvalade, agora na situação de jogar contra:

«Fiquei muito feliz porque vim ver amigos e penso que outra coisa não sena de esperar.»

Sobre o jogo, o número nove quis comentar:

«Foi um jogo muito bem disputado e penso que a vitória do Sporting se tivesse sido pela marca tangencial teria sido justa. Assim é um bocado exagerada. Bastava que o árbitro tivesse marcado a flagrante falta que eu sofri dentro da área. Foi um pênalti claro e só não viu quem não quis.»

- E agora, a UEFA está mais longe, não?

«Este resultado complico* um bocado mas, se consegui mos os oito pontos em casa mais dois fora, penso que a da lá chegaremos.»

- Como comenta a sua prestação?

«Sei que, sobretudo, na s gunda parte, baixei de rendimento. Mas isso deveu-se uma alteração táctica que o treinador do Sporting imprimiu. Comecei a ser muito mais marcado e acusei essa marcação.»

- Alexandra Tavares-Teles -

 

FICHA DO JOGO

ESTÁDIO. Alvalade

RELVADO: boas condições

TEMPO: tarde de sol

ASSISTÊNCIA: boa casa, cerca de 35 mil espectadores

CANTOS: Sporting. 1 (0 + 1); V. Setúbal. 7 (6 + 1)

LIVRES A FAVOR: Sporting, 26; V. Setúbal, 29 (13 + 16)

CARTÃO AMARELO: Meszaros (41’), Flávio (80’) e Mário Jorge (83’)

CARTÃO VERMELHO: Roger Spry (adjunto de Allison)

GOLOS: Cascavel (42’) e Lima (62’)

SUBSTITUIÇÕES: no Sporting: Litos por Virgílio (80’) e Uma por Silvlnho (84 ); No Vitória: Jordão por Lazar (57’) e Maside por Miguel Ângelo (68’)

AO INTERVALO: 1 -0

ÁRBITRO: Alder Dante (Santarém), auxiliado por Manuel Bento e Fernando Vacas

SPORTING

1- Damas (3)

2- João Luís (3)

3- Fernando Mendes (3)

4- Morato (3)

5- Venâncio (3)

6- Oceano (3)

7- Litos (4)

8- Sealy (4)

9- Paulinho Cascavel (4)

10- Mário Jorge (3)

11- Lima (4)

Vital (NJ)

Virgílio (-)

Mário(NJ)

Houtman (NJ)

Silvinho (-)

 

SETÚBAL

1- Meszaros (3)

2- Crisanto (2)

3- Flávio (3)

4- Quim (3)

5- Eurico (3)

6- Maside (2)

7- Vítor Madeira (3)

8- Aparício (3)

9- Manuel Fernandes (2)

10- Roçadas (cap.) (3)

11- Jordão (2)

Neno (NJ)

Miguel Ângelo (-)

Hélio (NJ)

Lazar (-)

JuvenalNJ

 

SPORTING 2

SETÚBAL 0

FILME DO JOGO

1’ - Depois de se escapar pela direita. Maside obriga Venâncio a ceder canto. De que nada resulta. Mas o Vitória demonstrava os seus propósitos.

6’ - A dar seguimento a um cruzamento da direita, feito por Oceano. Litos efectuou um espectacular remate de cabeça, à entrada da área, mas errou o alvo.

13’ - Morato, sozinho, faz um passe para... Aparício, este isola Manuel Fernandes, mas a deslocação foi assinalada.

14’ - Damas tem de sair de entre os postes para evitar que Aparício, isolado, fizesse golo. 16* - Descida de Fernando Mendes, pelo seu flanco, junto à linha tira um bom centro, largo, e Sealy, no lado oposto, atira muito por alto. A posição era boa, mas o remate, uma miséria.

19’ - Oceano salva um golo que era certo, mesmo em cima da linha de golo. Foi depois da marcação de um pontapé de canto, cobrado por Maside em que Jordão saltou mais alto que Damas.

24’ - Cascavel ensaia a pontaria na marcação de um livre directo. Desta vez foi à figura de Meszaros.

- Depois de uma jogada de sucessivos ressaltos, Jordão isola Aparício, que remata à entrada da área, para fora.

29’ - Contra-ataque rápido do Sporting, iniciado por Cascavel, que serve Sealy no meio da grande área. e este obriga Meszaros a defesa de instinto, com uma palmada.

36’ - Lima foge a Crisanto, centra a Cascavel chega atrasado por milímetros.

38’ - Cascavel de cabeça obriga Meszaros a apertada defesa.

42’ - 1-0 por Paulinho Cascavel. Foi na marcação de um livre directo, a castigar uma saída de Meszaros que teve de defender com a mão fora da área. O brasileiro, com um remate em arco, não falhou.

51’ - Maside tem uma boa jogada pela esquerda, centra bem mas não está lá ninguém para o remate.

55’ - Aparício falha de novo, agora junto à linha de fundo. Damas saiu bem e resolveu o lance.

56’ - Aproveitando um desentendimento entre Quim e Meszaros, Cascavel ficou em boa posição, mas só conseguiu atirar à rede lateral.

60’ - Grande jogada de Sealy, a romper bem, a descair para a direita e na passada a desferir um bom remate, a rasar o poste.

61’ - No bico da grande área. Cascavel atira ao poste, com espectacular remate à meia-volta.

62’ - 2-0 por Lima. Isolado por excelente passe de Cascavel, o jovem jogador do Sporting torneou Meszaros e atirou para a baliza deserta.

66’ - Novamente Lima a fazer uma grande Jogada. Soltou Cascavel à entrada da área, e este, depois de se libertar de um setubalense. atirou a pouca distância do golo.

80’ - Flávio tem de agarrar Sealy pela camisola. Ele ia isolado...

83’ - Manuel Fernandes é derrubado dentro da grande área do Sporting. A bola no entanto segue para Aparício que atira ao poste, perdendo-se a oportunidade.»

A voz do leitor

«Não estávamos habituados a contratar quem se quer e se pode. Não estávamos habituados a não olhar para as receitas. É bom que nos vamos habituando. É bom que nos vamos habituando a fazer nós os preços de cedência de jogadores. É bom que nos vamos habituando a não culpar os árbitros por tudo. É bom que nos vamos habituando a que na nossa família se deve discutir cá dentro.»

 

Allfacinha, neste meu texto

A hora da verdade...

Sempre afirmei que a presente época serviria para provar a competência do treinador Marcel Keizer e do presidente Frederico Varandas. Quanto ao primeiro, pouco tenho a acrescentar aos posts que escrevi. Já o segundo, ao chamar a si a responsabilidade pelo futebol, não pode colher apenas os louros das taças brilhantemente conquistadas na época transacta, também é o principal responsável pela péssima gestão do dossier Bas Dost. Caso decida até ao fecho do mercado vender Bruno Fernandes por um preço abaixo do inicialmente exigido, enfraquecendo a equipa de futebol, diminuindo manifestamente as aspirações para a presente época, será necessário retirar consequências. 

À semelhança de qualquer outro jogador, o Sporting nada pode fazer se aparecer algum clube a bater a cláusula de rescisão, a confirmarem-se os rumores que dão conta da possível saída do nosso capitão a preço de saldo, ficaremos perante uma evidência de gestão danosa, que exige uma explicação aos sócios, seguida da convocação de Assembleia Geral para aferir a confiança que os órgãos sociais ainda merecem aos sócios. Obviamente que não estou disponível para suportar uma direcção que salda os nossos melhores activos, mantém um treinador que não aposta na formação e aposta em empréstimos para valorizar activos alheios, como se prepara para fazer com um jovem extremo brasileiro, cujo passe pertence a um clube alemão ou adquire jogadores de terceira categoria, como são os nomes que estão em cima da mesa para substituir Dost e possivelmente Bruno Fernandes...

Sporting B

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Enquanto não chega sábado para (acredito que sim) chegarmos à paragem da Liga na sua liderança, e ao dia 2 para sabermos se temos condições de a manter por muito tempo, trago aqui aquela equipa que Bruno de Carvalho recebeu de Godinho Lopes, e que deu para muita coisa: abastecer o plantel principal, ganhar milhões, deixar ir embora por tostões, aproveitar e desbaratar. Sete anos depois alguns destes jogadores estão ou passaram por grandes clubes europeus.

O Sporting B 2012/2013 dirigido por Manuel Fernandes e treinado por Oceano/Dominguez chegou ao fim na 2.ª Liga na 4.ª posição, e  equipa-tipo era qualquer coisa como: Golas; Santiago Arias, Pedro Mendes (Tobias), Ilori (Dier), Mica Pinto; Zezinho (Fokobo), João Mário, Kikas (Iuri Medeiros); Esgaio, Diego Rubio (Betinho) e Bruma (Podence).

Se bem me recordo, o melhor marcador e batedor de penáltis era... Ricardo Esgaio.

O Sporting B que Frederico Varandas recebeu de Bruno de Carvalho foi o que sabemos. Equipa irresponsavelmente extinta. Porto, Benfica, Braga e Guimarães continuam com equipas B, o Benfica abastece o plantel principal a partir da equipa B, Ferro e companhia chegam à titularidade com dezenas de jogos pela B, como fazia o Sporting noutros tempos.

O Sporting... ficou reduzido a uma equipa sub-23 que no ano passado conseguiu somar actuações medíocres e ficar atrás de Rio Ave e Desp. Aves, e este ano, acertadas as agulhas ao nível de treinador e beneficiando da selecção feita na pré-época por Marcel Keizer, segue na liderança com 4V e 14-1 de golos. 

Mas não nos iludamos: os jogos dos sub-23 não têm nada que ver com os da 2.ª Liga, e a evolução proporcionada aos jogadores também não. Por isso dois dos melhores jogadores da época passada, Bragança e Elves Baldé, foram colocados em clubes da 2.ª Liga e também por isso outros, mais velhos, foram vendidos ou emprestados.

A equipa B tem tradição no Sporting. Por ela passaram, entre 2000 e 2004 e a competir na 2.ª B, jogadores que foram importantes para o Sporting e/ou Selecção Nacional como Cristiano Ronaldo, Quaresma, José Fonte, Beto, Carlos Martins, Custódio, Miguel Garcia e Djaló.

A aposta pelo Sporting na formação passa necessariamente pela existência duma equipa B. Para quando, Frederico Varandas? O que é que está a faltar para que isso aconteça?

SL

Habituem-se

Nos últimos dez dias, És a Nossa Fé registou 61.075 visualizações. À média, portanto, de 6.107 visualizações diárias, confirmando este nosso/vosso projecto como um dos mais influentes, dinâmicos e participados da blogosfera leonina.

Tenho a convicção profunda - que já transmiti a alguém ligado à estrutura directiva leonina - de que este excelente índice de audiência não irá baixar, muito pelo contrário. Como diria alguém, noutra época e noutro contexto, «habituem-se».

Alvalade

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(imagem retirada daqui)

 

«(...) Embora os biólogos não o documentem, Alvalade é um ser vivo. Pode ser de pedra e cimento, mas respira como um organismo. Tem paixões e ódios. Como um amante ternurento, não recusa nada a quem tudo lhe dá. E aprendeu a estimar quem lhe oferece o dote perfeito, imemorial. (...)»

In.: ROSA, Gonçalo Pereira - Big Mal & Companhia : a histórica época de 1981-1982, em que o Sporting de Malcolm Allison conquistou a Taça e o Campeonato. 1ª ed. Lisboa : Planeta, 2018. p. 13

O Sporting procura reforços

O Sporting procura um extremo e um ponta-de-lança. Pelos nomes que por aí andam (Paulinho, Anthony ou Almada, por exemplo), os alvos são jovens talentosos, que se desenvolvam no clube e tragam retorno desportivo e financeiro. Não sou olheiro, mas, lembro-me de dois: Joelson Fernandes e Pedro Mendes. Na primeira posição, consigo ainda lembrar-me de Gonzalo Plata ou Rafael Camacho. 

A voz do leitor

«Precisamos de uma liderança mais forte, a começar pela equipa técnica. Keizer sobreviverá apenas com vitórias consecutivas, já que ninguém no universo leonino acredita nesta equipa técnica. Esta semana é decisiva em termos de Aquisições, Empréstimos e Vendas. Espero que sejam tomadas decisões inteligentes, que não hajam vendas de jogadores importantes, e que venham três jogadores para as posições de trinco, ponta de lança e um avançado/extremo. Presidente Frederico Varandas, neste momento o senhor é o representante máximo do Sporting Clube de Portugal. Tenha em consideração que é necessário comunicar com os sócios e os adeptos. O Sporting é uma instituição com milhões de adeptos em todos os cantos do mundo.»

 

Sérgio Gomes, neste meu texto

O melhor prognóstico

Desta vez o nosso habitual "campeonato" dos prognósticos foi ganho pela prata da casa. Com a maioria dos palpites correctos expressa por autores do nosso blogue (por algum motivo são autores e não apenas comentadores, eheheh... cof, cof!).

Vencedor: o António de Almeida, que previu não apenas o 3-1 mas os marcadores dos golos, Raphinha e Luiz Phellype.

Quase-quase vencedores: Edmundo Gonçalves, Horst Neumann, João Gil, Leonardo Ralha e Ricardo Roque. Acertaram no resultado, mas apenas num marcador.

Quase vitoriosos: Áurea e Leão do Fundão. Argutos na antecipação do 3-1 final, embora tenham nomeado outros rematadores.

Os meus parabéns a todos.

Que verdade, José Eduardo?

Quando comecei a escrever nesta referência da blogosfera leonina, pensei numa linha condutora que me propus a seguir sempre que escrevesse um texto. Um dos itens dessa linha era evitar referências diretas a terceiros.

Infelizmente, ao ler a frase de José Eduardo "Liderança não quer dizer nada. Está a esconder-se a verdade aos sportinguistas", não resisti e senti-me forçado a quebrar essa regra (pela segunda vez).

Realmente, a liderança à terceira jornada não quer dizer grande coisa. Mas quer dizer qualquer coisa. A primeira coisa que quer dizer é que até ao momento perdemos menos pontos que os demais dezassete clubes do nosso campeonato. Também quer dizer que alguns que profetizavam a desgraça não estavam tão certos como acreditavam estar no alto da sua torre de marfim.

O Sporting vive-se em todos os  estratos sociais. Vive-se nas mais variadas casas. E quando o Bruno Fernandes guiou magicamente a bola para o acrobático encosto de Raphinha, a grande maioria gritou golo e pensou "em primeiro". Infelizmente, alguns engoliram em seco e pensaram "isto estraga-me os planos".

Gerir uma associação desportiva deve ser algo muito complicado. Em Portugal é sinónimo de se ver a vida toda exposta em jornais, blogues e televisões. É também sinónimo de insultos diários e difamações constantes. Mas é ainda mais complicado quando a associação desportiva se chama Sporting Clube de Portugal. É que há sempre alguém a fazer exercícios de aquecimento na esperança de entrar a seguir.

Nas passadas semanas tivemos Ricciardi e Dias Ferreira, hoje temos José Eduardo. Os argumentos são sempre os mesmos. São vazios e assentes no preconceito. O termo "estagiário" não vem por acaso, é baseado na relativa juventude da equipa que compõe o Conselho Diretivo e tem por objetivo desacreditar pessoas criando um estigma.

Há tanta crítica construtiva que se pode fazer, há tanta maneira de ajudar o Clube a ser maior a cada dia que passa. Porque é que se escolhe sempre esta política de terra queimada onde se tenta destruir o clube quando não está lá alguém que não é nosso amigo?

É como nas relações, não é por destruirmos a auto-estima d@ noss@ parceir@ que garantimos que fique connosco para sempre. Era tão bom que os Sportinguistas, principalmente os "notáveis", percebessem isso.

 

Os hipócritas

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Alguns cúmplices morais do assalto a Alcochete, que até hoje foram incapazes de condenar o ataque das quatro dezenas de jagunços às instalações da Academia leonina, choram agora lágrimas de crocodilo pela saída de Bas Dost. Como se o avançado holandês não tivesse sido a principal vítima desse vergonhoso e cobarde assalto, perpetuado em imagens que deram a volta ao mundo.

São os mesmos que chamavam «mercenário» a Bas Dost quando ele foi resgatado pela Comissão de Gestão liderada por Sousa Cintra e regressou ao Sporting naquele Verão negro, entre aplausos genuínos e calorosos dos verdadeiros adeptos.

São os mesmos que lhe chamavam «pino» e «cepo» nos meses subsequentes e andavam a uivar pelas redes sociais a mandá-lo sair do clube. Nem as caixas de comentários deste blogue ficaram imunes a tais uivos.

Pois esses grunhos são precisamente os mesmos que agora urram contra a saída do holandês. Já esquecidos, vários deles, de terem protestado contra a agressão «demasiado leve» de que Dost foi vítima a 15 de Maio de 2018.

Cambada de hipócritas. De Leões não têm nada.

A voz do leitor

«Sempre vi em Bas Dost alguém com capacidade para finalizar, capaz de disputar entre os centrais e de receber e aguentar a bola para entregar nas laterais; em suma, um jogador candidato a ser o melhor marcador do campeonato; alturas houve em que disse a amigos que não me importava de o ver no meu clube. Na minha óptica de adepto, julgo que sai porque o treinador não faz a mais pálida ideia de como montar a equipa para tirar das suas capacidades.»

 

Carlos Azevedo, neste meu texto

Sporting: página oficial do FB

Esta é a página oficial do Sporting no Facebook. Veja-se a legenda do filme com que o clube se despede do jogador. É de uma mesquinhez atroz. Quem escreveu isto é um profissional, está contratado pela direcção de Frederico Varandas. Ou seja, é a direcção que publica isto. Mesquinho, abjecto. Infantil. Incompetente. Não é um problema da "comunicação" do clube. É de quem manda nele. 

O poder do futebol

Um clube a atravessar zona de turbulência, entre o aperto financeiro e as heranças complicadas de resolver, umas bem e algumas muito mal resolvidas, uma comunicação medíocre e incompetente, viúvas e ressabiados a apelar à insubordinação, as claques desmamadas a chorar baba e ranho, principalmente a responsável pelo assalto terrorista a Alcochete e que tem o cadastrado lider na prisão, o "bloco de esquerda" (baixa) das redes sociais a martelar nas teses metafísicas do bananismo croquetismo, excursões de javardeiros combinadas para incendiar Alvalade, assaltar a SAD e fazer ao Varandas o que fizeram ao Bas Dost e...

E... O Sporting passou em Portimão onde tropeçou no ano passado, passou para o 1º lugar da Liga. Com o "Viannetto" do carrossel do Mendilhão o melhor em campo. E na próxima jornada tem o jogo mais fácil dos 3 grandes, sendo que eles jogam com Guimarães e Braga, e assim, ganhando (e não vai ser fácil) não só continuamos em 1.º como forçosamente alargamos a vantagem com os mais sérios concorrentes. 

E... que tranquilidade, que sossego... que pode e de certeza não vai durar muito, mas enquanto o pau vai e vem folgam as costas.

É o poder do futebol e o futebol é a mola real do Sporting Clube de Portugal.

Se gostaram da prosa, oiçam também :  The Power of love (Huey Lewis and the News).

SL

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