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És a nossa Fé!

2018 em balanço (6)

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DESPEDIDA DO ANO: JORGE JESUS

Este foi o ano de várias despedidas no Sporting.

Poderia mencionar Fábio Coentrão, que animou as bancadas de Alvalade com exibições de grande nível na época passada após ter quebrado a jura de não vestir outra camisola em Portugal senão a do Benfica. Veio a saber-se afinal que é um sportinguista de coração e procedeu dessa forma, bem vestido de verde e branco, entre proclamações de fé leonina.

Poderia mencionar Bryan Ruiz, capitão da selecção da Costa Rica, que permaneceu no Sporting ao longo de três épocas - descontando um semestre de exílio interno por causas nunca até hoje divulgadas - e acabou por sair da forma mais discreta possível, sem sequer receber um merecido aceno de até sempre, no início do Verão que passou.

Poderia mencionar os jogadores que rescindiram unilateralmente contrato com o Sporting. Uns regressaram a Alvalade, outros fecharam mais tarde acordo com o clube para a desvinculação, uns tantos sujeitam-se às consequências da via litigiosa entretanto encetada.

Mas a despedida mais marcante foi, na minha perspectiva, a de Jorge Jesus. O técnico que em Junho de 2015 substituiu Marco Silva e foi apresentado em euforia pelo presidente Bruno de Carvalho como garantia do regresso do Sporting ao mais cobiçado dos títulos, que nos foge desde 2002. O técnico que atraiu multidões a Alvalade. O técnico sempre com o coração ao pé da boca e de esbracejar contínuo junto ao relvado durante os jogos. O técnico das declarações polémicas. Também o técnico que passou a auferir o maior salário de sempre no futebol português ao cruzar a Segunda Circular.

Esperava-se muito dele. Pelo currículo, pela sabedoria, pelas condições inigualáveis que lhe foram proporcionadas pelo anterior líder leonino, pelas expectativas que ele próprio elevou ao proclamar perante sócios e adeptos que o Sporting estava de regresso ao combate pela conquista do campeonato. Esteve quase a conquistá-lo, logo na primeira época: resta ver o que a justiça desportiva ainda dirá sobre o assunto, que não está totalmente encerrado. Mas as restantes temporadas foram decepcionantes.

Jorge Jesus, em ruptura definitiva com Bruno de Carvalho, abandonou o Sporting na sequência do assalto a Alcochete e da derrota frente ao Aves na final da Taça verdadeira. Rumou à Arábia Saudita, com um contrato ainda mais milionário, tendo vencido apenas uma Supertaça em 2015 (a meias com Marco Silva, que qualificara o Sporting) e uma Taça da Liga em 2018 - proeza inédita para as nossas cores, esta conquista de um troféu menor.

Títulos, só os que proporcionou aos jornais - foram diversos e bem sonantes.

Tudo visto e somado, soube a muito pouco.

 

 

Despedida do ano em 2012: Polga

 Despedida do ano em 2013: Wolfswinkel

Despedida do ano em 2014: Leonardo Jardim

Despedida do ano em 2015: Marco Silva

Despedida do ano em 2016: Slimani

Despedida do ano em 2017: Adrien

Mais de um milhão de visitas em 2018

Este nosso blogue, que também é vosso, chega ao fim do ano com números bem expressivos: ao longo de 2018 recebemos 1.070.817 visitas e registámos 2.254.932 visualizações. Numa média diária de 5.704 visualizações - superior à das edições em linha de alguns jornais com expressão nacional.

Números que confirmam o És a Nossa Fé como um dos mais relevantes blogues portugueses, mesmo para além da realidade desportiva. É, portanto, o momento para agradecer a todos quantos nos visitam e nos comentam, mesmo quando discordam do que aqui se escreve: todos merecem a nossa consideração.

Fica a promessa: vamos continuar. Em defesa dos interesses permanentes do Sporting, que estão sempre para além de todas as personalidades e todas as conjunturas.

Entre os mais comentados

 

Nos 21 destaques feitos pelo Sapo em Dezembro para assinalar os dez blogues mais comentados nesta plataforma ao longo do mês, És a Nossa Fé recebeu 20 menções.

Mais ainda: figurámos 14 vezes no pódio dos mais comentados - com cinco "medalhas de ouro", quatro de "prata" e cinco de "bronze".

Recorde-se que os textos publicados ao fim de semana são agregados aos de sexta-feira para este efeito, o que leva o número de destaques a ser inferior ao número de dias.

 

Os 20 textos foram estes, por ordem cronológica:

 

Hoje giro eu - Concílio leonino (78 comentários, o mais comentado do dia)

Quem são os novos cinco violinos? (24 comentários)

Coentrão de regresso? (46 comentários, segundo mais comentado do dia)

O gozo que isto dá (78 comentários, o mais comentado do dia)

Desmentido em toda a linha (82 comentários, o mais comentado do dia)

Prognósticos antes do jogo (62 comentários, segundo mais comentado)

Obrigado, Cintra (48 comentários, segundo mais comentado)

Alguém me explica? (22 comentários)

Primeiras impressões (30 comentários)

Será mesmo? (24 comentários, terceiro mais comentado do dia)

Prognósticos antes do jogo (80 comentários, o mais comentado do dia)

Comparações (28 comentários)

A manta é curta... e quando tapa a cabeça, destapa os pés  (32 comentários, segundo mais comentado)

Soma e segue (26 comentários, terceiro mais comentado)

Onde há verde, há esperança... Feliz Natal! (28 comentários, terceiro mais comentado)

Prognósticos antes do jogo (64 comentários, o mais comentado do dia)

Afinal, é Natal (15 comentários, terceiro mais comentado)

Natal, nascer (17 comentários, terceiro mais comentado)

A diferença (22 comentários)

Quente & frio (32 comentários)

 

Com um total de 838 comentários nestes postais. Da autoria do Pedro Azevedo, do Luís Lisboa, do António de Almeida, do Edmundo Gonçalves do Pedro Oliveira e de mim próprio.

Fica o agradecimento a quem nos dá a honra de visitar e comentar. E, naturalmente, também aos responsáveis do Sapo por esta iniciativa.

Faz hoje um ano

 

 

Último dia do ano. O José da Xã formulava aqui os seus votos para 2018, culminando nas seguintes palavras: «Desejo que o Sporting lute e ganhe todos os desafios que lhe forem propostos, a fim de darmos razão ao nosso fantástico lema.»

*****

Prosseguindo aqui o balanço de 2018, destaquei nesse dia 31 de Dezembro de 2017 Podence como confirmação do ano. Assim justificada: «Este médio ofensivo de 22 anos, formado na Academia de Alcochete, é já idolatrado nas bancadas de Alvalade. Pela sua atitude combativa em campo. Pelos contínuos desequilíbrios que vai criando em sucessivas incursões da ala para o eixo do terreno. Por se ter revelado muito eficaz para desbloquear alguns jogos mais difíceis.»

*****

A Porto Editora pôs em votação a palavra do ano, saída deste lote: incêndios, afecto, vencedor, crescimento, cativação, desertificação, gentrificação, peregrino e independentista.

Aproveitando o tema, deixei aqui o meu palpite:

«Faltam desta vez aquelas que são para mim, inquestionavelmente, as palavras de 2017: video-árbitro e cartilha. Eu votaria na primeira. Para acabar de vez com a segunda.»

Taça da Liga

Francamente não é uma competição que me entusiasme e a que dê grande importância.  Começou por existir para rodar plantéis, está cada vez mais pensada para reunir os quatro primeiros numa final a 4 em Janeiro.

Fomos roubados várias vezes, ganhámos no ano passado, para depois perder tudo o que verdadeiramente interessava.

Contra o Feirense, e ao contrário do que tinha acontecido contra o Estoril, metemos toda a carne no assador e ganhámos tranquilamente. 

Terá merecido a pena ?

O facto é que temos um plantel demasiado curto para quatro competições, muito assente nos seis magníficos (Nani, Bruno Fernandes, Dost, Coates, Mathieu e Acuña) e não é o Luiz Phellipe nem o  Francisco Geraldes (muito bem regressado, oxalá esteja recuperado) em vez de Marcelo e Bruno César que vão alterar a questão. Muitos jogadores sem conseguirem demonstrar que estão ao nível das necessidades do Sporting. Não vou repetir a lista.

E sendo assim... preferia ter ganho ao Guimarães.

SL

Escócia não é só Whisky e Golfe

Também é futebol, embora numa segunda linha europeia no que respeita a clubes e selecção.

Sempre existe um ou outro escocês que se destaca no futebol Inglês, como Ferguson ou Dalglish, e são tidos como teimosos e resilientes, não quebram facilmente.

Aqui há uns quatro anos, veio um internacional sub-19 da Escócia, andou pela equipa B com bom desempenho, teve um primeiro empréstimo onde se estava a destacar com um treinador formador, até fez um jogo contra nós em que nos ia lixando (como agora fez o Gelson Dala), mas que foi interrompido abruptamente por uma birrice daquele que conhecem, passou o resto da época praticamente sem jogar e foi desterrado para uma equipa de lenhadores onde dificilmente se podia destacar (muito mais ao jeito do Mama Baldé, outro que está a fazer pela vida).

Chamaram-lhe o Mini-Messi, de semelhança com o original só tem o tamanho, são estas comparações idiotas que podem dar cabo duma carreira.

Em entrevistas que li, não lhe ouvi uma palavra de revolta ou queixume, apenas que estava a gostar da experiência, gostava do clube, estava a aprender muito a todos os níveis e que pensava continuar por cá.

Pois Ryan Gauld, com 23 anos acabados de fazer, é titular no meio campo duma nossa filial, o Sporting Farense, e hoje marcou dois golos na vitória em casa da sua equipa na 2ª Liga.

Gosto imenso deste pequeno jogador, trabalhador, intuitivo, rápido, de futebol vertical, penso que tem tudo para encaixar neste modelo Keizer. Teve a sua travessia do deserto mas não desistiu, ainda está bem a tempo de chegar a outros patamares, incluindo a selecção A da Escócia. Fico a torcer para que isso aconteça.

SL

2018 em balanço (5)

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 DECEPÇÃO DO ANO: RAFAEL LEÃO

Era um dos jovens profissionais mais promissores do Sporting, merecia o carinho de sócios e simpatizantes, o treinador Jorge Jesus apostou nele fazendo-o alinhar em desafios importantes. Já tinha empolgado a massa adepta na estreia absoluta pela equipa principal ainda em 2017, marcando logo aí, na Taça de Portugal, frente ao Oleiros. Em Fevereiro de 2018, foi dele a assistência para o golo decisivo na nossa difícil vitória frente ao Tondela, por 2-1: progrediu com a bola controlada deixando três adversários para trás numa sequência de dribles antes de servir Gelson Martins no momento decisivo.

Mas o seu melhor momento vestido de verde e branco ocorreu em Março, no sempre difícil clássico do Dragão. Entrou em campo aos 43', devido a lesão de Doumbia, e marcou logo na primeira vez em que tocou na bola, aos 45'+1, com uma excelente mudança de velocidade, baralhando a marcação de Felipe e Dalot, e colocando muito bem a bola, que passou entre as pernas de Casillas, sem se atemorizar por ter pela frente um guarda-redes bicampeão da Europa e campeão mundial. Fazia assim o empate, gelando o público no Dragão.

Perdemos esse desafio, por 1-2. Mas Rafael Leão ganhou um lugar muito especial entre os sportinguistas. Infelizmente para ele, e também para nós, esse afeição só durou três meses. Em Junho, semanas após a invasão da Academia de Alcochete, o jovem avançado de 19 anos rescindiu unilateralmente com o Sporting, alegando justa causa apesar de não ter sido molestado directamente pelos agressores. Ao contrário do que viria a acontecer com Bas Dost, Battaglia e Bruno Fernandes, recusou regressar, mesmo perante a insistência de Sousa Cintra, que sucedeu a Bruno de Carvalho na presidência (interina) da SAD leonina. Também não foi possível ajustar um preço para a rescisão, por intransigência do jogador e dos seus representantes, contrariando o que aconteceu com Rui Patrício e William Carvalho.

O caso seguiu para litígio, aguardando sentença no Tribunal Arbitral do Desporto, e Rafael Leão começou a jogar no Lille, em França, onde até já marcou três golos. Mas o destino dele deixa-nos indiferentes: esteja onde estiver, agora é Leão só de apelido. Muito pouco - quase nada - para o que esperámos dele.

 

Decepção do ano em 2012: Elias

Decepção do ano em 2013: Bruma

Decepção do ano em 2014: Eric Dier

Decepção do ano em 2015: Carrillo

Decepção do ano em 2016: Elias

  Decepção do ano em 2017: Alan Ruiz

Pódio: Bruno Fernandes, Coates, Mathieu

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Feirense-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Coates: 18

Mathieu: 17

Raphinha: 16

Bas Dost: 15

Miguel Luís: 15

Salin: 15

Ristovski: 14

Acuña: 14

Petrovic: 14

Jovane: 13

Diaby: 13

Bruno Gaspar: 6

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo. 

Armas e viscondes assinalados: E assim se desfez o nó Peseiro

Feirense 1 - Sporting 4

Taça da Liga: Fase de Grupos - 3.ª Jornada

29 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,5)

Só duas saídas em falso a cruzamentos, uma na primeira parte e a outra no último lance do jogo, retiraram brilho ao regresso do francês à baliza leonina. Muito atento às movimentações do adversário, avançando no terreno para adiantar-se a desmarcações, defendeu tudo o que havia para defender. Tirando o pénalti, claro está, mas não por falta de esforço.

 

Ristovski (2,5)

O melhor da sua exibição poderá muito bem ter sido a movimentação que distraiu a defesa e ajudou Raphinha a inaugurar o marcador. Com a bola nos pés sentiu maiores dificuldades, pelo que a posição de lateral-direito parece cada vez mais a principal lacuna do Sporting,

 

Coates (3,5)

A assistência magnífica que fez para Bruno Fernandes representou metade de um grande golo. No resto do jogo foi o central virtuoso que demonstra ser em praticamente todos os jogos.

 

Mathieu (3,5)

Viu reconhecida pelo treinador a importância do corte providencial que fez no início da segunda parte, impedindo que um contra-ataque chegasse a dois adversários bem posicionados para empatar o jogo. Voltou a marcar um livre directo que levou perigo à baliza do Feirense.

 

Acuña (3,0)

Combativo como só ele sabe ser, distinguiu-se nas missões defensivas, mas na hora de atacar viu-se prejudicado pela má noite de Diaby. Saliente-se a relativa contenção com que lidou com uma entrada assassina que o árbitro puniu com um cartão mais desbotado do que se exigia.

 

Petrovic (3,0)

Teria sido uma noite bastante positiva para o médio sérvio não fosse a grande penalidade escusada que cometeu quando o Sporting embalava para a goleada. Eficaz a destruir jogo, serviu-se da altura para aumentar o domínio aéreo e ficou bem perto de fazer o 1-5 num cabeceamento à entrada da área.

 

Miguel Luís (3,0)

Estava a ter uma noite de formiga incansável no meio-campo até que decidiu fazer de cigarra, entrou pela grande área e forçou um defesa a fazer autogolo para evitar que a bola chegasse a Bas Dost. Ainda tentou inscrever o nome na lista de marcadores com um remate de longe.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A execução do chapéu ao guarda-redes e a sincronia com o passe feito de muito longe por Coates fazem do seu golo mais um marco na carreira de um dos melhores médios de sempre a ter o leão ao peito. Ficou perto de bisar num cabeceamento à ponta de lança e num livre directo, fez a equipa carburar num jogo em que poderia ser preciso marcar muitos golos para chegar à fase final da Taça da Liga e criou tantas oportunidades para os colegas que o seu nome do meio deveria ser “passe de ruptura”. 

 

Raphinha (3,5)

Inaugurou o marcador cedo e a boas horas com um remate notável e tentou sempre agitar a ala direita. Começa a ganhar o ritmo de que a equipa necessitará nas próximas semanas, mas ainda se nota o cansaço que levou à substituição.

 

Diaby (2,0)

Rendeu pouco à esquerda e foi particularmente perdulário nas oportunidades de golo que teve. Quando isolado frente ao guarda-redes permitiu a defesa e perante a baliza aberta, na recarga ao excelente remate do recém-entrado Jovane, rematou muito acima da barra. Quando Nani regressar fica sem espaço caso não consiga fazer melhor.

 

Bas Dost (3,0)

Tremendamente eficaz no lance do pénalti, tanto a ganhar posição como a sofrer a falta e a marcar o golo, o holandês falhou a emenda ao cruzamento de Jovane de forma tão inacreditável que se penitenciou de joelhos. Espera-se que guarde alguns golos para o difícil mês de Janeiro, assegurando um Inverno do contentamento para os sportinguistas.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou muito mexido e merecia o golo numa jogada individual que fez a bola embater no poste. Não esmoreceu e procurou sempre o golo que procurou oferecer a Bas Dost.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Substituiu Ristovski com o jogo a caminho do fim e ainda ficou à beira de marcar graças a uma desmarcação com a assinatura de Bruno Fernandes.

 

Jefferson (-)

Cinco minutos em campo para dar prova de vida.

 

Marcel Keizer (3,0)

Cumpriu o objectivo de manter o Sporting na luta pela revalidação da Taça da Liga, desfazendo o nó que José Peseiro apertou em torno do seu pescoço ao perder em casa com o Estoril. Ultrapassado o embate do desaire em Guimarães pôs uma equipa em campo empenhada em jogar bom futebol e conseguiu-o, não obstante a incerteza decorrente do golo do Feirense e da boa entrada da equipa da casa após o intervalo. Mas o próprio Keizer sabe que os testes mais importantes ainda vêm a caminho.

Faz hoje um ano

 

 

Ainda o Belenenses-Sporting da véspera, para a Taça da Liga. O Pedro Azevedo fez aqui a sua análise do jogo:

«O tédio da partida só foi desfeito pelos golos, pelos remates de Battaglia (primeira parte) e de Bruno Fernandes (segunda parte) e por um lançamento da linha lateral de Piccini para Rui Patrício, ao estilo vintage do italiano no início da época, que terá feito Jorge Jesus arrancar alguns pêlos da sua farta cabeleira. Viu-se muito pouco futebol e a culpa nem foi do nevoeiro que se fez sentir durante parte do jogo. Além de Acuña, Mathieu e Battaglia estiveram entre os melhores. Em sentido contrário, William Carvalho teve um jogo mau e continua longe do seu melhor (que é muito bom). Bruno Fernandes esteve vários furos abaixo do que já realizou e Podence foi quase inexistente.»

 

Prossegui o meu balanço de 2017, elegendo como promessa leonina do ano o jovem Rafael Leão, que se destacara nomeadamente ao marcar dois golos à Juventus e um ao Barcelona para a Liga Jovem.

 

Nesse dia 30 de Dezembro de 2017, falava-se na vinda para o Sporting do defesa Marcelo, do Rio Ave. Aproveitei para aqui publicar estas linhas: «Não sei se havia realmente intenção de contratá-lo neste mercado de Inverno. Mas, como é óbvio, Marcelo não pode vir para o Sporting. E talvez devamos mandar regressar já o Francisco Geraldes a Alvalade. Nestas coisas não pode haver posições ambíguas.»

Sabemos o que aconteceu: Marcelo veio mesmo. Hoje já não está. Eis um exemplo evidente de uma contratação falhada.

Quente & frio

Gostei muito do regresso do Sporting às vitórias após o esporádico desaire em Guimarães. Regressámos também às goleadas: esta noite batemos o Feirense por 4-1, em Santa Maria da Feira. Com golos de Raphinha (5'), Bruno Fernandes (22'), Bas Dost (60', de penálti) e do defesa da equipa anfitriã Luís Machado, na própria baliza, após Miguel Luís ter conduzido uma veloz infiltração no reduto adversário (67'). Destaque para a exibição de Bruno Fernandes,  novamente o melhor em campo: autor de um belíssimo golo, com um chapéu ao guarda-redes Brígido, foi ele o comandante das operações leoninas a partir do meio-campo. Raphinha, ao marcar logo no nosso primeiro lance ofensivo, foi outro elemento nuclear. E Bas Dost confirma a veia goleadora: leva já 16 marcados desde o início desta temporada. São jogadores como eles que fazem a diferença.

 

Gostei  da forma como Marcel Keizer organizou a equipa, povoando muito bem o meio-campo, com Petrovic desta vez como médio titular mais recuado, Miguel Luís como médio interior esquerdo e Bruno Fernandes na posição inicial de médio interior direito. Isto possibilitou as constantes subidas de Acuña pelo seu flanco - de um excelente cruzamento do argentino, elemento nuclear do Sporting, resultou o nosso golo inicial. Os jogadores tinham claramente instruções para pressionarem a saída de bola do Feirense e trocarem-na em ritmo acelerado, condicionando a manobra do adversário. Salin esteve bem entre os postes e regressou aquela que é - de longe - a nossa melhor dupla de centrais, formada por Coates e Mathieu. Ingredientes que estiveram na base desta vitória - a sétima goleada conseguida por Keizer em nove jogos. Com ele ao leme, o Sporting já soma 34 golos. Despedimo-nos da melhor maneira deste ano de 2018, que noutro plano não nos deixa saudades.

 

Gostei pouco da réplica do Feirense, equipa que abusou da "intensidade" física. Phelipe Sampaio recebeu um tardio cartão amarelo só aos 57' após ter sido protagonista de diversos lances à margem das regras e outro defesa, Tiago Silva, acabou expulso por ter dirigido ostensivamente palavras insultuosas ao árbitro Rui Costa. Seguimos assim em frente na Taça da Liga, única competição conquistada pelo antecessor de Keizer, Jorge Jesus, ao longo de três anos no comando técnico em Alvalade. A vitória de hoje qualifica-nos para as meias-finais, em que defrontaremos o Braga. Mantemo-nos, portanto, em todas as frentes.

 

Não gostei  da actuação de Diaby, que continua a revelar um défice de participação nas movimentações defensivas da equipa e desta vez foi incapaz de compensar esta lacuna com eficácia na finalização. O jovem maliano foi protagonista de dois lances pela negativa: falhou o golo aos 65', quando se encontrava na cara do guarda-redes, e uma recarga vitoriosa aos 75', com a baliza aberta, após um tiraço inicial de Jovane que levou a bola a embater no poste.

 

Não gostei nada desta inversão de prioridades que tem vindo a registar-se na organização dos torneios profissionais de futebol. Jogamos ao fim de semana uma competição menor, como é a Taça da Liga, e na próxima quinta-feira vamos receber o Belenenses para o campeonato nacional. Anda alguém aqui com o passo muito trocado.

Faz hoje um ano

 

 

O Sporting empatava 1-1 a 29 de Dezembro de 2017 com o Belenenses, no Restelo, e qualificava-se para as meias-finais da Taça da Liga, competição que nunca tínhamos conquistado.

Apontamentos meus, logo após o jogo:

«Gostei pouco da exibição da nossa equipa nesta partida, que funcionou como uma espécie de ensaio geral para o Benfica-Sporting do próximo dia 3. Exibição pálida e frouxa, sobretudo na primeira parte, em que o nevoeiro pairou sobre o estádio. Quanto mais as brumas se adensavam, mais a nossa prestação descoloria. Melhorou um pouco na segunda parte, mas sem nunca empolgar os adeptos leoninos - com excepção do momento em que Acuña marcou o nosso golo.»

«Não gostei nada da zanga feia entre Coentrão e Acuña, prontamente separados por William Carvalho, que assim fez valer os seus galões de capitão da equipa - e muito bem. Pior só mesmo o autogolo de Coates, que permitiu o empate do Belenenses, aos 76', quando Rui Patrício tinha o lance todo controlado. Não foi a primeira vez que o uruguaio marcou na própria baliza. O que lhe terá passado pela cabeça?»

 

No segundo texto de balanço de 2017, destaquei Jorge Jesus como treinador do ano.

Com esta justificação: «O treinador sabe muito bem puxar pelos jogadores, que respiram saúde anímica neste final de 2017. E sabe também puxar pelo público: Alvalade continua a bater recordes de audiência. «O clube devia ser um caso de estudo pelos adeptos. Há tantos anos que não ganha aqueles títulos consecutivos e parece que cada vez há mais sportinguistas», declarou no final do Sporting-FC Porto, que contou com mais de 47 mil espectadores nas bancadas. As críticas tornaram-se residuais, agora escutam-se sobretudo aplausos: Jesus termina o ano em grande.»

2018 em balanço (4)

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CONFIRMAÇÃO DO ANO: BRUNO FERNANDES

Tornou-se uma espécie de unanimidade no futebol português: ninguém lhe nega elogios, todos lhe prestam tributo. Bruno Fernandes já se vinha destacando no início da época passada, logo após ter sido contratado pelo Sporting ao campeonato italiano, onde alinhava pela Sampdoria. Era então o capitão da selecção nacional sub-21, mas nunca havia alinhado ao mais alto nível nas competições portuguesas ao nível de clubes.

Brilhou de verde e branco mal se estreou em Alvalade, tendo agarrado de imediato a titularidade. Foi um elemento crucial no Sporting na época 2017/2018, em que conquistámos pela primeira vez a Taça da Liga e atingimos a final da Taça de Portugal. Terminada a época, já em Julho, foi distinguido como melhor jogador desse campeonato, superando a forte concorrência do portista Marega e do benfiquista Jonas.

Era um justo prémio às qualidades futebolísticas deste médio ofensivo agora com 24 anos que tem uma excelente visão de jogo, uma técnica apuradíssima e um raro poder de remate, nomeadamente nos pontapés de meia-distância. Qualidades que volta a evidenciar nesta primeira volta da época 2018/2019, já como segundo capitão da equipa, logo após Nani. Já com 13 golos marcados - seis no campeonato, três na Taça de Portugal, dois na Liga Europa e outros dois na Taça da Liga.

Para trás ficou um turbulento mês de Maio, com o ataque à Academia de Alcochete, seguido de várias rescisões unilaterais de contratos de jogadores leoninos - entre eles Bruno Fernandes, entretanto regressado a Alvalade por iniciativa de Sousa Cintra. Para trás ficara também a convocatória para o Mundial na Rússia, onde alinhou como suplente utilizado num certame que ficou aquém das expectativas portuguesas.

Recuperada a plena forma após um início de temporada menos vistoso, Bruno Fernandes volta a deslumbrar as bancadas do nosso estádio. «Sou um jogador que não lida da melhor maneira com as derrotas», assumiu ontem numa longa entrevista ao diário A Bola, confessando-se indiferente aos poucos que ainda lhe chamam Judas por se ter afastado esporadicamente do clube no mais triste Verão de que há memória em Alvalade, garantindo peremptoriamente: «Não ganhei um euro no regresso ao Sporting.»

Acaba de ser distinguido, pelo mesmo jornal, como jogador do ano. Sem favor algum: é uma distinção mais que merecida.

 

 

Confirmação do ano em 2012: André Martins

Confirmação do ano em 2013: Adrien

Confirmação do ano em 2014: João Mário

Confirmação do ano em 2015: Paulo Oliveira

Confirmação do ano em 2016: Gelson Martins

Confirmação do ano em 2017: Podence

A voz do leitor

«Uma equipa que luta pelo título, nesta altura, mesmo com três jogadores influentes lesionados, Raphinha, Battaglia e agora Wendel. Para um plantel fraco, segundo os "entendidos," é obra. Sousa Cintra teve um papel muito importante nesta que foi, para mim, a mais grave crise leonina. Temos que estar gratos a este "bombeiro" sem farda.»

 

Leão de Queluz, neste meu texto

Faz hoje um ano

 

 

Rúben Ribeiro chegava ao Sporting, fazendo a capa da imprensa desportiva desse dia 28 de Dezembro de 2017. Extremo do Rio Ave, detentor de boas estatísticas em golos e assistências, era aqui naturalmente saudado. «Bem-vindo, RR», titulei aqui, reproduzindo as primeiras páginas dos jornais Record e A Bola. «A acreditar nos jornais do dia, e eu sou crédulo, está ganha a primeira corrida ao FC Porto», observou o Francisco Chaveiro Reis.

 

No primeiro texto do balanço do ano, elegi Bas Dost como melhor jogador de 2017: «Ganhou disciplina táctica, pressionando os adversários e recuando com frequência em busca da bola, e revela crescente destreza técnica, nomeadamente nas jogadas de assistência para golo. Sem surpresa, adquiriu direito a música própria no estádio e o seu nome é sempre pronunciado com especial vibração pelos adeptos, que não lhe negam aplausos. Bas Dost bem os merece.»

2018 em balanço (3)

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PROMESSA DO ANO: JOVANE

Se há jogador da formação leonina que merece sem discussão o título de Promessa do Ano é este: Jovane Eduardo Borges Cabral, jovem extremo de 20 anos nascido em Cabo Verde. Lançado pelo treinador José Peseiro no campeonato, entrou aos 69', no jogo inaugural da Liga, frente ao Moreirense, e três minutos depois já estava a ser derrubado dentro de zona proibida, valendo uma grande penalidade ao Sporting que permitiu desfazer o empate: acabaríamos por vencer essa partida por 3-1. Na jornada seguinte, entrou aos 59' e bastaram-lhe sete minutos para fazer a assistência para o golo da vitória frente ao V. Setúbal em Alvalade. Duas jornadas adiante,  foi ele próprio a marcar, também no nosso estádio, conseguindo o solitário golo que nos valeu três pontos frente ao Feirense.

Jovane, símbolo actual da excelência da Academia de Alcochete, estreou-se no onze titular a 30 de Setembro frente ao Marítimo, em desafio que vencemos por 2-0. Foi dele o passe vertical decisivo para Raphinha, aos 10', de que resultou o penálti e o nosso primeiro golo. E foi também ele quem, aos 34', ganhou a falta que originou o livre de que nasceria o segundo. A 4 de Outubro, actuando de verde e branco na Liga Europa, saltou do banco aos 70' e já no tempo extra marcou o golo da nossa vitória por 2-1 perante o Vorskla.

Há males que vêm por bem: a partida de Gelson Martins, na sequência do dramático assalto a Alcochete, permitiu a ascensão do jovem extremo, que adquiriu entretanto a dupla nacionalidade e renunciou a alinhar na selecção A caboverdiana, mantendo a justa esperança de que acabará por ser convocado para a equipa das quinas. Este foi um ano de sonho para Jovane, que a 3 de Dezembro marcou  um golo de antologia frente ao Rio Ave e tem feito a diferença sempre que é lançado do banco quando há necessidade de desbloquear a partida. Veloz, com grande capacidade física, inegável poder de finta, capacidade de transportar a bola em distâncias longas e força no remate de meia-distância.

Há-de ir longe, tudo o indica. Basta-lhe trabalhar para isso, com a humildade indispensável a qualquer profissional que sonha sagrar-se campeão.

 

 

Promessa do ano em 2012: Eric Dier

Promessa do ano em 2013: William Carvalho

Promessa do ano em 2014: Carlos Mané

Promessa do ano em 2015: Gelson Martins

Promessa do ano em 2016: Francisco Geraldes

Promessa do ano em 2017: Rafael Leão

A voz do leitor

«Não percebo a antipatia generalizada pelo André Pinto. Cumpriu muito bem sempre que foi chamado. Houve uma excepção, contra o Estoril, mas isso significa muito pouco no percurso que ele tem construído. Quanto ao Lumor, não me parece assim mau, nesta filosofia do Keizer até acho que tem muito boas características para varrer o corredor... precisa é de oportunidades.»

 

Carlos Correia, neste texto do Luís Lisboa

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