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És a nossa Fé!

Venha o próximo (desde que não seja o mestre da táctica)

Não vi o jogo para a taça da carica. Regra geral não vejo a maior parte dos jogos a contar para esta prova desprovida de qualquer interesse. Fiquei pois surpreendido com o despedimento de José Peseiro após desaire num jogo ligeiramente menos informal que um treino. O lado positivo será uma eventual não ida à final-four da taça Lucílio Baptista, possibilitando ao nosso plantel algum descanso, tão necessário para enfrentar as provas que interessam, para mais face ao previsível apuramento para a fase eliminatória na Liga Europa.

Apesar de ter defendido anteriormente a manutenção do ex-treinador, reconheço que a qualidade do futebol praticado não estava a evoluir no bom sentido, os resultados eram intermitentes, faltava empatia entre adeptos e equipa técnica, a maioria dos jogadores com rendimento abaixo do seu valor, teimosia do técnico na manutenção do mal-amado duplo pivot, deficiente leitura dos jogos e sucessivas substituições de sentido defensivo, deixavam antever a possibilidade deste desfecho a curto ou médio prazo.

Acredito em Frederico Varandas, na sua capacidade para encontrar uma solução no mercado nacional ou internacional. De todos os nomes falados, agrada-me Leonardo Jardim, que não parece no entanto ser uma possibilidade real ou Paulo Sousa. Já um eventual regresso do mestre da táctica me provoca urticária, ouve-se que o rival da 2ª circular o tem como opção para um regresso no final da época, por mim que vá para onde quiser, desde que seja longe de Alvalade, porque um fanfarrão pago a peso de ouro durante 3 anos, que ganhou uma supertaça e uma taça da carica, não é alguém por quem possa sentir saudades…

Não deixa de ser curioso ver agora Pedro Madeira Rodrigues, qual abutre, surgir a criticar o despedimento, alertando para eventuais prejuízos financeiros da decisão. Logo ele, que havia anunciado a contratação de Claudio Ranieri, um verdadeiro pé-frio do futebol internacional, coleccionador de derrotas por onde passou, à excepção da histórica, mas atípica época da conquista do campeonato inglês no Leicester city. No ano seguinte à proeza logo tratou de confirmar que tudo não passara da excepção à regra na sua carreira e terminou despedido, como habitual. Mas há pessoas que não aprendem.

Trituradora faz 19ª vítima em Alvalade

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José Peseiro caiu à quarta derrota da época, mas a verdade é que nestes quatro meses sempre esteve no fio da navalha. Os sportinguistas nunca perdoaram o insucesso da sua primeira passagem por Alvalade e as suas recentes estadias em Guimarães, Braga e Porto já faziam antever este desfecho. Portimonense e Estoril foram apenas as justificações para a saída de um treinador que não foi escolhido pelo actual presidente. A culpa, no entanto, não é toda sua. 

 

Peseiro teve a coragem que mais ninguém teve, agarrou o touro pelos cornos e no meio da instabilidade conseguiu acalmar as águas de um clube com uma estrutura débil, um planeamento feito em cima do joelho, uma cultura em diluição (saíram grandes jogadores da formação nos últimos anos) e sobretudo em asfixia financeira gritante que teima em não ter fim. 

 

Peseiro é assim a 19ª vítima da trituradora chamada Sporting Clube de Portugal. Sim, desde 2001/2002, a última vez que o Sporting se sagrou campeão nacional foi há 16 anos, já passaram por Alvalade 19 treinadores.   

 

É preciso estabilidade, uma estratégia para a década, um planeamento rigoroso, meios humanos e financeiros para criar a estrutura de betão que nos devolva a glória. É preciso romper com o ciclo de insucesso. Estas são todas verdades de La Palice, mas será que os sportinguistas, cansados de nada vencerem, estão dispostos a dar tempo a Frederico Varandas para fazer a mudança?

 

A oportunidade é de ouro, não para contratar Paulo Sousa, Leonardo Jardim... ou fazer regressar Jorge Jesus, mas para que Frederico Varandas pare de vez a Trituradora. É urgente reestruturar, cria novas dinâmicas e mentalidades para que o Sporting não fique mais 16 anos sem ser campeão.

1 Milhão e Seiscentos mil por ano !!!!

Fiquei estupefacto. Um milhão e seiscentos mil euros era o ordenado anual de Peseiro. O que teria pensado Sousa Cintra para ter entrado nesta perfeita loucura? Estes quatro meses, desde Julho até agora, custaram ao Sporting e obviamente a todos os sócios, para pagar a esta equipa técnica, dois milhões de euros (com o despedimento). Elogiei aqui Sousa Cintra, mas estou a perceber uma coisa; quando se fizer a história destes quatro meses, talvez se percebam algumas contratações, feitas a rir, de jogadores sem a mínima categoria para jogar no Sporting... e de uma equipa técnica incapaz de pôr o Sporting a jogar bom futebol. 

Estoril lava mais broncas

Menos de 24 horas depois da derrota caseira para a Taça da Liga selar o destino de José Peseiro, eis que os juniores do Sporting visitaram o Estoril, perderam 1-0 (o golo também foi na marcação de um pontapé de canto), e estão agora na quinta posição. Ou seja, a equipa não passaria à fase seguinte se esta fase do campeonato terminasse hoje  - iriam o Cova da Piedade, Estoril, Tondela [corrijo o meu erro - não é o Belenenses que ocupa o segundo lugar...] e o líder Benfica.

 

Tendo em conta que a equipa continua a ter profusão de talentos (até o extremo Diogo Brás, enviado para os sub-23, regressou hoje ao seu escalão etário), os mesmos talentos que fizeram daquela geração campeã crónica de iniciados e de juvenis, era capaz de ser boa ideia aproveitar a lavagem das broncas em curso e desejar os melhores sucessos pessoais e profissionais a Pedro Venâncio...

Chicotada a meio é que não, sff

Confesso que fico dividido perante a demissão de Peseiro. Jogamos pouco, sem brilho, tantas e tantas vezes, praticamos um futebol desgarrado, mas... Mas há um mas.

 

E esse mas, caros, é que até podemos não jogar nada mas há uns meses, lembro, passou-nos a frota da Luís Simões por cima. Camião atrás de camião a andar para a frente e para trás e nós no chão, bem alinhados com o rodado dos TIR. O clube ficou feito em cacos, a equipa de futebol totalmente destruída. Apesar disso, jogando mal, muitas vezes muito mal, estamos agora a dois pontos da liderança do capeonato e continuamos em prova nas restantes taças, nacionais e europeia. 

 

Se é inegável que o mau futebol que pomos em campo é da responsabilidade da equipa técnica, com José Peseiro à cabeça, estamos nas frentes todas e com todas as hipóteses de sucesso em aberto, e isso é também fruto da obra do agora ex-líder do balneário. 

 

Posto isto, espero que Frederico Varandas tenha já para apresentar um novo treinador da equipa principal de futebol do Sporting.

 

Será inadmissível um vazio de poder na equipa principal do nosso emblema durante muito tempo. Se esta decisão de Varandas foi só para responder a uns poucos lenços brancos acenados da bancada, então, tenho de claramente aqui dizer que essa foi a maior asneira do seu ainda curto mandato. Tão disparatada e incompetente que pode bem vir a contaminar negativamente a presidência até ao seu desfecho. 

A chicotada em curso

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Frederico Varandas vai, enfim, escolher o seu treinador. Era óbvio, desde a entrevista do presidente ao Expresso, que José Peseiro estava a prazo. Foi opção transitória, decidida pela Comissão de Gestão interina: ninguém poderia ligar Varandas às más exibições da equipa.

Isso muda a partir de agora. Quem vier, será o homem do novo líder leonino. Já não o de Sousa Cintra, que passou à história.

Se for o nosso ex-jogador Paulo Sousa o escolhido, muito bem. Se regressar Leonardo Jardim, tanto melhor. Ambos estão neste momento sem clube. E ambos, obviamente, pesarão muito mais na folha salarial do Sporting do que Peseiro.

 

Ignoro os bastidores do despedimento do treinador, esta madrugada, na sequência de um jogo para a inútil Taça da Liga com oito segundas linhas no onze titular e a três dias da importante deslocação aos Açores, onde defrontaremos o Santa Clara para o campeonato. No momento em que escrevo, desconheço quem orientará a equipa em Ponta Delgada.

Mas cumpre referir que o Sporting segue a dois pontos do primeiro lugar na Liga 2018/2019 após o Verão mais negro de que há memória em Alvalade, perdemos alguns dos nossos melhores jogadores (Rui Patrício, William, Gelson) e outros vieram sem rodagem de pré-época. Disputaram-se oito rondas do campeonato e já jogámos em dois dos três estádios mais difíceis: Luz e Braga.

 

Enumero estes factos em benefício de inventário. E lembro outros líderes leoninos, que despacharam treinadores sob a pressão conjugada do peso da opinião de uns quantos influentes e de dúzia e meia de lenços brancos a esvoaçarem nas bancadas.

Deu certo em 1999/2000, quando uma chicotada semelhante à que está em curso - a primeira na Liga 2018/2019 - pôs Augusto Inácio ao leme da equipa e nos devolveu o título após 18 anos de amargo jejum.

Deu errado em vários outros casos - demasiados, como sabemos.

 

Não gosto deste futebol de retranca com a nova marca Peseiro nem de suportar quinze toquezinhos de bola protagonizados pelos nossos jogadores até conseguirem cruzar a linha de meio-campo, como ontem aconteceu na recepção ao Estoril - a mesma equipa que há um ano, ainda na primeira divisão, nos derrotou por 2-0, afastando-nos do primeiro posto, ao qual já não regressámos. 

Mas, não sendo ingrato, deixo aqui uma palavra de apreço pessoal ao único treinador que na hora mais difícil se dispôs a encabeçar uma missão quase impossível enquanto outros assobiavam para o lado. Sai como bode expiatório da primeira etapa do pós-brunismo, agora encerrada. A que vai abrir-se - sem atenuantes nem desculpas - é toda do presidente, já sem o treinador de Cintra a servir-lhe de pára-choques.

 

Lenços nas bancadas, haverá sempre - ao menor pretexto. Faz parte da autofagia leonina, reforçada pelo contexto em que emergiu o actual elenco directivo no Sporting. Talvez num futuro próximo possam até multiplicar-se, encorajados pelo que sucedeu na madrugada de hoje, pouco depois de uns quantos acenos de despedida num estádio quase vazio para uma prova que nos é praticamente indiferente.

Varandas corre esse risco, que decerto não ignora. É nos momentos difíceis que se testam as lideranças.

Aprender com Peseiro

O mais divertido de Peseiro - mas não quando me toca vê-lo treinador do Sporting - sempre foi a sua capacidade de demonstrar quão torpes são os clichés.

Mente simples, Peseiro absorveu-os sem filtro de seu mestre, o inefável Prof. "Projectos" Queiroz, de modo que eles lhe saem com toda a sua esplendorosa imbecilidade à mostra.

Assim, após uma vergonhosa derrota dizem os manuais da comunicação que é de manter um "espírito positivo", reiterar a "confiança no rumo seguido",  desvalorizar os defeitos, como meros incidentes de percurso, enaltecer as qualidades, como provas do um "trabalho de fundo." 

Aquele arzinho sonso que Peseiro põe, aquele desbobinar tosco de frases feitas, para nos convencer que está tudo bem, depois de termos claramente visto que está tudo mal, apenas nos convence que ele é lunático e não percebe nada da poda.

Boas lições se tiram daqui: o "spin" é uma habilidade só alcance de grandes artistas da mistificação. Há muitos, mas Peseiro não é um deles.

Vá com Deus ou com o Diabo que para o caso tanto faz.

Armas e viscondes assinalados: O capitão afundou o navio à deriva e o comandante não resistiu

Sporting 1 - Estoril 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

31 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Estava a ser uma noite agradável para o francês, regressado à baliza do Sporting após a ocorrência hospitalar de Portimão, até porque Renan Ribeiro foi emprestado pelo Estoril, Viviano não andará longe de ser obrigado a sair à rua com uma estrela verde, e Luís Maximiano ainda não convenceu ninguém a torná-lo o futuro guarda-redes do Wolverhampton. Até à meia-hora final de jogo resolveu praticamente todos os problemas, incluindo aquele enorme problema que arranjou ao demorar a despachar a bola para longe, acabando por ser obrigado a atirá-la pela linha lateral com um adversário à ilharga. Depois foi o dilúvio, sem grandes culpas para ele.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Evitou o que poderia ter sido o primeiro golo do Estoril, possibilitado pela sua lentidão a subir no terreno, deixando em jogo um avançado do Estoril. A melhor arrancada pela direita foi travada por um agarrão que, por razões que a razão desconhece, não foi devidamente premiado com o cartão amarelo. Numa noite em que foi o melhor da linha defensiva tem ainda a atenuante de o parceiro de ala não ter dado grande ajuda.

 

André Pinto (1,0)

Passou a ser o capitão de equipa aquando da saída de Bas Dost, pois Bruno Fernandes, Coates e Nani estavam no banco de suplentes, e o mínimo que se pode dizer é que a braçadeira estaria amaldiçoada. No golo do empate perdeu o duelo directo com o mais veloz e mais despachado Sandro Lima, permitindo-lhe desfeitear Salin, e logo de seguida estabeleceu o resultado final com um autogolo de cabeça, na sequência de um pontapé de canto. Gabe-se-lhe a coragem de ter permanecido no relvado até ao apito final.

 

Marcelo (2,0)

Terminou o jogo como avançado, pois quem não tem Coates (nem fio de jogo) caça com Marcelo, sem conseguir a segunda reviravolta da noite. Até então estava a ser o menos culpado por uma desgraça (in)felizmente testemunhada por poucos milhares no estádio, executando alguns cortes de bom nível.

 

Jefferson (1,5)

No último jogo que fizera, contra o Loures, distinguira-se pela qualidade dos cruzamentos, desperdiçados devido à ausência de Bas Dost. Desta vez o holandês do ataque não se chamava Castaignos, mas o lateral-esquerdo brasileiro dedicou-se a demonstrar que errar não só é humano como também é uma hora. Aquela hora que passou no relvado, mais precisamente. Logo no início alheou-se de um passe de morte feito por Carlos Mané, num presságio do que estaria para vir.

 

Petrovic (2,5)

Coube-lhe quase sempre o início da construção das jogadas do Sporting, o que se revelou menos catastrófico do que seria de esperar. O sérvio juntou muita entrega e algum critério à presença física que lhe é intrínseca, apenas quebrando o encantamento ao ensaiar um remate que nem ao País de Gales valeria três pontos. Recuou para central na hora do tudo ou nada, sem que a derrota caseira se avolumasse.

 

Gudelj (2,0)

Procurou assumir o jogo em todas as suas vertentes, incluindo os lances de bola parada. Sem grande sucesso, há que referi-lo, pois os adversários conseguiram quase sempre travá-lo, mas com inteiro compromisso até a um final extremamente infeliz.

 

Carlos Mané (2,0)

Como as opiniões são livres e os factos sagrados, é um facto que o único ‘made in Alcochete’ em campo falhou duas ocasiões soberanas de golo. Na primeira parte rodou mal o corpo ao aproveitar uma assistência de Bas Dost e mesmo no final permitiu a defesa do guarda-redes tendo todas as condições para fazer o mal menor chamado 2-2. No resto do jogo, tirando uma assistência primorosa a que Jefferson se fez desentendido, teve demasiadas movimentações para nada.

 

Diaby (2,0)

Repetiu a titularidade e, com ela, tudo o que fez no domingo anterior tirando detalhes como assistências para golo e cruzamentos bem medidos. Ter ficado até ao apito final acabou por ser um castigo. Para ele e para quem precisava de refrear o entusiasmo quanto ao maior velocista da Liga.

 

Wendel (3,0)

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. O refrão de ‘Pra Não Dizer que não Falei das Flores’, de Geraldo Vandré, veio à cabeça quando ganhou a bola à entrada da área, puxou o pé para trás e desferiu o remate indefensável, mesmo junto ao poste, que inaugurou o marcador e parecia anunciar uma noite sossegada. O jovem brasileiro fez por isso, manobrando no meio-campo e combatendo a tendência para viver sem razão de alguns colegas, e em alguns momentos, talvez devido ao bigode, deu ares de versão ‘levezinha’ de William Carvalho. Pena que tivesse de sair, por notórios problemas físicos, levando José Peseiro a esgotar as substituições quando havia muitos em campo que mereceriam ser ajudados a acabar o mandato com dignidade.

 

Bas Dost (3,0)

Ainda não foi o holandês voador que ouve o estádio a cantar o seu nome quando marca golos, mas o neotitular tem enorme quota de responsabilidade no golo do Sporting, visto que a sua pressão sobre o jogador do Estoril ajudou Wendel a ganhar a bola, e assistiu de cabeça para o que deveria ter sido o 2-0. Num jogo em que recuou muito para ajudar os colegas teve uma hora para ganhar ritmo para outras competições, pois repetir a conquista da Taça da Liga estará praticamente ao nível das miragens.

 

Lumor (2,0)

Teve direito aos primeiros minutos de jogo nesta época, beneficiando do estado de calamidade de Jefferson e da ausência de Acuña e Mathieu. Começou nervoso e trapalhão, mas serenou e ainda fez uma boa triangulação que Montero não conseguiu transformar em golo.

 

Montero (2,5)

Melhor a construir jogo para os colegas do que no cara-a-cara com o guarda-redes, o colombiano foi o homem que mais lutou quando o jogo começou a correr terrivelmente mal ao Sporting. Uma das suas jogadas de insistência, quase sempre no limite da falta ofensiva, poderia ter permitido o mal menor - e talvez evitasse um despedimento a altas horas da madrugada -, mas o Diaby estava nos detalhes e Mané não teve pontaria.

 

Bruno Fernandes (1,5)

Entrou para o lugar de Wendel e não conseguiu pegar na batuta do futebol leonino. Talvez lhe faltasse a braçadeira que ia queimando os braços de André Pinto, talvez estivesse escrito que era noite para redefinir o rumo.

 

José Peseiro (1,0)

As suas declarações na conferência de imprensa, a última deste consulado e ainda mais penosa do que as anteriores, levariam a pensar que José Peseiro andará a perder tempo precioso a definir o seu voto nas eleições intercalares dos Estados Unidos, pois é evidente que vive no estado da Negação. Ninguém o poderá acusar de repetir onzes, pois fez entrar em campo tão poucos titulares do jogo anterior (Bruno Gaspar, Gudelj e Diaby) que alguns terão temido que o jogo fosse perdido na secretaria, devido aos regulamentos criativos da Taça da Liga. A noite até parecia bem encaminhada, mais controlada do que segura, quando resolveu resguardar Bas Dost e salvar Jefferson de si mesmo. Só não percebeu que o Estoril, equipa do segundo escalão que tem mais e melhor capital humano do que o Loures, começava a tomar conta do jogo, e esgotou as substituições para retirar o tocado Wendel. Seguiram-se quase 30 minutos de Halloween em Alvalade, mais em versão Michael Myers do que no registo “trick or treat”, com o ‘talismã’ Jovane Cabral e o nervoso Nani a assistirem no banco aos sucessivos inconseguimentos dos colegas que ocupavam as suas posições no relvado. Peseiro foi despedido de madrugada, podendo espalhar aos quatro ventos que deixou o Sporting a dois pontos da liderança da Liga, no segundo lugar do grupo da Liga Europa e apurado para a eliminatória seguinte da Taça de Portugal. Mas é, no mínimo, duvidoso que Frederico Varandas venha a pensar nele como Sousa Cintra pensa em Bobby Robson...

Pós-Peseiro

  

Cada um terá os seus nomes: uns alvitrarão nomes surpreendentes, palpites sobre "the next big thing"; outros quererão blindar-se com a pertinência, no recurso a nomes algo seguros; alguns clamarão pelo regresso de Jesus, esquecendo que, por muito que seja credor do nosso respeito pelo trabalho feito e devido aos tratos de polé que sportinguistas lhe dedicaram, o seu projecto estava esgotadíssimo e era prejudicial ao clube; e haverá utópicos, almejando gente de remunerações bojudas, sob contrato, ou sem vontade ou necessidade de se meter na "boca do leão". Ora o grande problema não é o treinador, é mesmo esta "boca do leão", o ronco dissonante, o bafo pestilento, esfaimada a besta, cada vez mais trôpega.

Nasci em 1964. Nestes 54 anos o Sporting ganhou 7 títulos. Não tenho memória dos de 1966 e 1970. Ficam-me para 48 anos as memórias de 5 festas (e ainda lembro de cor a equipa titular de 1974). A minha filha está a acabar o liceu: nunca viu o Sporting campeão e até já sorri com os resmungos do pai. Esta escassez de títulos tem algum efeito na cabeça dos "leões"? Aquele óbvio "o Sporting não é candidato ao título"? Ixe, dizer isso é, para a turba alvaladiana, holigões brunistas ou doutores rogerianos, pior do que uma blasfémia, crime lesa-majestade, traição à pátria, até incesto pedófilo. 

Li há dias alguém do Real Madrid comentar a crise do seu clube, afirmando que num grande clube não há épocas de transição. Tem toda a razão. Acontece que o Sporting não é um grande clube. De futebol. É um grande clube desportivo, nos seus adeptos, no seu historial, no seu ecletismo. Nisso, no fundamental, é da nata do associativismo desportivo europeu. No futebol não é, pertence, com algum favor, à terceira divisão europeia. E está longe, muito longe, dos rivais nacionais. Gritarão, ralé das claques e prezadas famílias, que Porto e Benfica têm manipulado as competições. Sim. Mas a realidade é que são clubes de futebol muito mais fortes. 

A incompreensão disso, a ânsia até demencial da conquista do caneco levou a isto: desde os anos 90s uma série de presidentes empurrados pelos portadores de lenços brancos delapidaram por completo o riquíssimo património fundiário do clube, conduziram estranhíssimos e nada lucrativos negócios imobiliários. E na última década descuidaram e minaram o último grande património do clube, a sua escola de jogadores de futebol, sendo incapazes de desenvolver a única alternativa possível para um clube desta dimensão económica, o sector da prospecção (o que os ignorantes chamam scouting).

Enfim, neste pós-Peseiro (e após o terrível 2017/18) só há uma coisa a fazer: admitir que não se vai ser campeão, assumir isso, ter esse horizonte e querê-lo. Há alguns anos Jardim seguiu esse fito. E mostrou-o cabalmente num episódio: estando o Sporting junto ao Benfica na corrida para o título (apesar de não ser objectivo, de reclamar o treinador a preocupação "jogo a jogo"), no jogo anterior ao da Luz William Carvalho estava com quatro cartões, poderia ser poupado para não arriscar a suspensão para o grande confronto. Jardim não o fez, William jogou, foi punido e não foi à Luz. Porque, e muito bem, era "jogo a jogo". E é isso que é preciso. Assumir que esta é uma era (não um ano, trata-se de uma era) de transição.

E ao povo dos lenços brancos, que todo este caminho demencial e incompetente temos apoiado e sufragado? É dizer-lhe, dizer-nos, que nos assoemos às mangas. Ou à ponta dos dedos. E entretanto esperar que, devagar, haja quem coloque a jogar centrais formados no clube (há quantas décadas não se firma um?) e laterais, e avançados. E quem saiba ir buscar um Aloísio ou um Mozer ou Filipe, descobrir um Oblak ou Ederson. Pois, muito mais do que gritar "gatuno" e "este ano é que é", é preciso aprender com os adversários. A não nos encantarmos com Coates e Polgas, a não desperdiçarmos Leões, Carriços ou Cedrics.

E como é que se aprende com os adversários? O primeiro passo é simples, e até fácil: homenageando, em pleno estádio de Alvalade, o jogador Luís Boa Morte. Pois enquanto não houver a capacidade de colocar a ralé no exterior das decisões não haverá futuro vencedor, não haverá fim da "era da transição", nem desta história decadente. E não haverá verdadeira presidência, apenas prisioneiros de um passado tétrico e da abjecta marginalidade social. E da irracionalidade, discursiva e decisória.

Enfim, quem proponho para treinador pós-Peseiro? Para treinar este próximo futuro? Rui Jorge ou Luís Castro, se os empregadores os deixarem mudar. E nunca Jesus, por favor.

E para presidir este próximo futuro? Se a rábula com Luís Boa Morte foi péssimo sinal, com esta pérfida sucessão da entrevista presidencial ao Expresso e do despedimento de Peseiro - que esteve disponível para sair sem custos - Varandas amputa metade do seu "estado de graça" (os tradicionais 100 dias). Francamente, sem qualquer agoiro - o sucesso deste presidente é (parcela d)a minha felicidade - se continua com este estilo, melífluo e nada liso (nada condizente com um verdadeiro comandante de tropas, para glosar a pateta e patética retórica do doutor), julgo que no próximo Verão teremos mais umas eleições. Que venha homem.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - (Estoril) Praia em dia de chuva

Estoril Praia em dia de chuva e frio é coisa para dar cabo da saúde a qualquer um e o Sporting não foi imune a isso. A visita dos canarinhos à mina de carvão em que está transformado o Estádio de Alvalade veio revelar que o ar está saturado, pelo que o perigo de derrocada da equipa é iminente.

 

No fim do jogo, Peseiro criou uma realidade alternativa. Nessa narrativa, o Sporting teria feito uma boa exibição - o que estabelece um novo paradigma para quem durante um jogo inteiro não consegue fazer uma jogada com princípio, meio e fim contra uma equipa da 2ª Liga - e tinha o jogo controlado até, pequeno pormenor, ter sofrido os dois golos do Estoril. Se sobre a qualidade da nossa actuação, o melhor será usar um eufemismo e dizer que Peseiro faltou à verdade, já em relação à máxima de "ter o jogo controlado" importa dizer que se trata de uma expressão da mitologia do ludopédio que é, obviamente, uma falácia e consiste em ficar na retranca e deixar de pressionar o portador da bola. Tal como a saúde, um estado transitório que não augura nada de bom. Ou uma Boa Morte, que foi o que aconteceu, mesmo que não tenha sido o Ailton a assinar a certidão de óbito. E depois, quando foi necessário o "chuveirinho", já lá não estava Bas Dost para ressuscitar a equipa. 

 

Falemos agora de Jefferson, um jogador que deveria ter saído 62 minutos antes. Dir-me-ão que sofremos os golos após já não estar em campo, o que não deixa de ser verdade, embora os dois erros que André Pinto cometeu tenham sido semelhantes aos que Jefferson fez na primeira parte e na mesma jogada. Simplesmente, graças a Salin, não deram em golo. Analisemos o jogo do brasileiro: logo de início, isolado por Mané, em vez de acelerar para a baliza, engrenou a marcha-atrás; aos 13 minutos, servido por Wendel, inexplicavelmente deixou a bola sair pela linha lateral; no supracitado lance foi ultrapassado duas vezes por Ailton Boa Morte, valendo o nosso guarda-redes; aos 20 minutos, após excelente abertura de Petrovic, cruzou para trás da baliza estorilense, a chamada assistência para o apanha-bolas; aos 43 minutos, teve uma recepção de bola desastrosa; finalmente, aos 55 minutos, Petrovic veio à lateral esquerda, em esforço, cortar de carrinho, enquanto Jefferson lá seguia no seu traje de passeio. Escusado será dizer que pelos padrões do treinador leonino terá realizado uma boa exibição. Dado o contexto. O contexto ou com texto de Jefferson é levar sempre o guião errado para campo ou então ser um mau aluno.

 

Diz Peseiro que há jogadores que não têm jogado e que é natural que acusem um pouco. Terá sido o caso de Wendel, que acusou no marcador, obtendo o único golo do Sporting na partida, ou de Lumor, que no último minuto avançou em velocidade pelo seu flanco, driblou dois adversários e colocou a bola na área, algo que, está bom de ver, Jefferson nunca conseguiu.

 

É difícil destacar algum jogador no Sporting. No entanto, pelas movimentações verticais durante o jogo, recuperação de bola e remate no lance do golo escolheria Wendel, dando também nota positiva a Petrovic, Mané, Salin e Bas Dost. No plano oposto, continuo a não perceber o que Peseiro vê em Gudelj. Diaby continua a ser demasiadamente inconsequente, embora tenha registado mais um bom centro atrasado, à semelhança do ocorrido no domingo. André Pinto, que até está rodado e habitualmente é pendular, teve um jogo para esquecer. Bruno Fernandes entrou apático e Montero movimentou-se, mas nunca foi servido em condições. Quanto a Peseiro, integrou-se bem no espírito da noite, contou-nos umas histórias assustadoras e dirigiu um filme de terror, enfim, pregou-nos (mais) uma verdadeira partida de Halloween.

 

Tenor "tudo ao molho...": Wendel

 

P.S. Parece que a altas horas, madrugada adentro, José Peseiro foi despedido. Teve a coragem de pegar no leme numa hora difícil e terá dado o seu melhor nessas circunstâncias, o que, infelizmente para todos, não foi o suficiente. Bem sei que amanhã é Dia de Finados, mas é chegada a hora de cuidar dos "vivos". O Sporting necessita e com urgência. O meu desejo é que Frederico Varandas cumpra a sua promessa de que não mudaria por mudar e que só substituiria o treinador por alguém indubitavelmente melhor.

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Quantas humilhações são necessárias?

Há umas semanas, perguntei porque estavávamos a adiar o inevitável. Hoje, a pergunta é outra: quantas mais humilhações vamos precisar de sofrer para termos um treinador à altura do Sporting?


Na altura disse que quanto mais cedo melhor, uma vez que ainda estávamos em todas as frentes. Agora que estamos com um pé de fora da primeira, vamos aprender? Ou vamos esperar até cair no resto?

Quente & frio

Gostei muito de ver Wendel estrear-se a marcar de verde e branco. Havia apenas 9 minutos de jogo em Alvalade, o que prometia uma vitória folgada do Sporting neste jogo da Taça da Liga contra o Estoril, equipa da segunda divisão. Nada mais ilusório.

 

Gostei de ver Bas Dost regressar à condição de titular mais de dois meses depois. Não marcou mas teve movimentações interessantes, pressionando na área ofensiva e auxiliando nas missões defensivas. Aos 62', por precaução, cedeu lugar a Montero.

 

Gostei pouco que a equipa começasse demasiado cedo a tirar o pé do acelerador, defendendo a magra vantagem. Os nossos jogadores demoravam uma eternidade a colocar-se no meio-campo adversário, trocavam displicentemente a bola e actuavam como se estivessem num jogo-treino. Alguns mostravam-se claramente desconcentrados, comportamento inaceitável numa equipa com os pergaminhos do Sporting. Adivinhava-se, a todo o tempo, o golo do Estoril. Que acabou por chegar, aos 71'. E logo chegou outro, aos 82'. Saímos derrotados por 1-2. Foi apenas a terceira vez que esta equipa nos derrotou em nossa casa - as outras foram em 1945 e 2014.

 

Não gostei de ver o técnico do Estoril, que só tem 32 anos, dar uma lição de táctica a José Peseiro, dominando o corredor central, forçando o Sporting a encaminhar o jogo ofensivo pelas alas e explorando de forma muito eficaz o contra-ataque. A nossa equipa foi lenta, apática, previsível, movimentando-se sempre com pouca intensidade. O resultado ficou à vistae é confirmado pelas estatísticas: tivemos apenas três situações de golo, enquanto os estorilistas criaram seis. Parabéns ao jovem Luís Freire: aposto que vai longe como treinador de futebol.

 

Não gostei nada da atitude de muitos dos nossos jogadores, numa partida em que apenas Gudelj e Diaby repetiram a titularidade da anterior partida, para o campeonato, frente ao Boavista. Salin saiu muito mal com a bola, quase a perdendo, aos 62'. Jefferson, sem conseguir um centro em condições, parecia totalmente alheado, talvez a suspirar por férias - e foi substituído por Lumor aos 62'. André Pinto teve clara responsabilidade no primeiro golo do Estoril, em que é batido em velocidade, e fez pouco depois um autogolo: foi uma daquelas noites em que não devia ter saído de casa. Marcelo falhou passes, pecou por extrema lentidão e raras vezes conseguiu sair com a bola controlada. Bruno Gaspar, no corredor direito, revelou-se inofensivo. Petrovic e Gudelj tentaram fuzilar a baliza, mas só conseguiram atirar a bola para a bancada: o segundo continua a ser um corpo estranho neste onze. Carlos Mané ainda acusa a prolongada inactividade de um passado recente: falta-lhe intensidade e consistência. Lumor, sem ritmo competitivo, não aqueceu nem arrefeceu. Conclusão: cada vez mais se confirma que faltam segundas linhas com qualidade a este Sporting. Mas mesmo Montero e Bruno Fernandes (que rendeu Wendel aos 67') pouco adiantaram. O médio ofensivo revelou-se até desastrado na marcação de cantos: nem parece o mesmo da época passada. Ressalvo apenas as exibições de Wendel, pelo golo marcado, e Diaby, mais inconformado e menos passivo do que os seus colegas. É muito pouco. Compreendi, por isso, o coro de assobios aos jogadores e à equipa técnica no final do jogo.

Não por acaso, o estádio esteve quase vazio. Ora bolas: assim não vale a pena ir a Alvalade.

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