Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Isto é só um "supônhamos"

Ora só haverá lugar a "justa causa", porque se gorou a transferência para o Wolvermendes.

Ora então suponhamos que o negóciao se fazia e os tais 7 milhões e qualquer coisa eram deduzidos aos 18 milhões. restariam 10 milhões e qualquer coisa, a que se teria que deduzir a comissão do Mendes que dizem que andará pelos 10%, ou seja, como diazia o outro, fazendo as contas seriam pouco mais de 9 milhões de Euros por um jogador como Rui Patrício. Como diria o poeta, "antes a morte..."

Mas continuemos a supôr que era isso que acontecia. Isso é que era vê-los, na carreira de tiro, de arma em punho, num fuzilamento sumário ao presidente. Bom, em bom rigor, já estão, que qualquer motivo é um bom motivo.

Duma coisa não o podem acusar, hoje. Não foi ele que desviou a atenção do "pagar para perder". Foi alguém que terá sido roubado na sua dignidade profissional e a quem ainda não ouvi um pio acerca do assunto.

A talhe de foice e porque é de rescisões que falamos, há um pequeno assunto que me mantém intrigado e se alguém souber que responda: A senhora advogada de apelido Garcia Pereira, pensa o mesmo que o senhor advogado de apelido Garcia Pereira sobre o direito a rescisão por justa causa dos jogadores do Sporting? Acho que é uma pergunta pertinente, uma vez que foi indicada para uma comissão qualquer pelo senhor comendador e estão em causa os interesses do Sporting...

 

Já agora, aqui a carta de rescisão apresentada por Rui Patrício. Peço que leiam com atenção, e se não se revirem na maior parte das críticas ao desempenho dos jogadores, atirem a primeira pedra.

É chato

Excertos da longa carta que Rui Patrício fez chegar à administração da SAD leonina:

 

«Fui alvo de violência psicológica e física.»

 

«É inequívoco que foram violados os meus mais elementares direitos, legais e contratuais, e que não fui tratado pela Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD com o respeito devido a um colaborador, que não me foram dadas, por esta, as condições necessárias para o exercício da minha profissão.»

 

«Fui alvo de uma conduta de assédio, que visou condicionar-me, hostilizar-me e limitar-me na minha liberdade, nomeadamente de expressão.»

 

«O representante máximo da SAD criticou-me publicamente, ofendeu-me, surpreendeu-me, acusou-me, processou-me. Atiçou, diversas vezes, a ira dos adeptos contra mim e contra os meus colegas de equipa, bem sabendo que alguns dos adeptos, em particular nas claques, reagem de forma primária e irracional a quaisquer declarações proferidas pelo Presidente.»

 

«Vivi momentos de puro terror, sem que a Sporting SAD tenha revelado qualquer preocupação - que, naquelas circunstâncias, lhe era manifesta e especialmente exigível - com a segurança dos seus atletas profissionais de futebol, deixados à mercê de um grupo violento de membros da claque.»

 

«Perante os factos ocorridos na Academia de Alcochete, que colocaram em risco a minha integridade física (e mesmo a vida), nada tendo sido feito pelo empregador para o evitar, não tendo sido asseguradas as condições de segurança que se impunham face ao momento que se vivia à data, revela-se totalmente insustentável a subsistência da relação de trabalho.»

 

Um "bully" à solta

"O Rui." Ouvir o Presidente a chamar o guardião pelo nome, como se dele fosse amigo íntimo, líder próximo e também companheiro, ofende. 

Bruno de Carvalho é, definitivamente, um "bully", essa pomposa palavra que hoje tantas vezes usamos, substituindo a de cobarde, e que em bom português define bem melhor a figura que pratica actos violentos, intencionais e repetidos, contra uma pessoa indefesa. 

No caso a pessoa indefesa é o melhor defesa português, que se defende, justamente, alegando ser vítima de "bullying" por parte do presidente.

Para aqueles que se deixam cegar pela intensa luz do Presidente-Sol deixo algumas pistas. Patrício foi alvo de tiro com tocha em Alvalade e o presidente, nada disse. Patrício foi agredido na garagem do nosso estádio e o presidente, nada disse. Patrício foi acusado pelo presidente de ter sido co-responsável pelo ataque à Academia. Para o presidente, Rui Patrício é um "menino mimado." E tantas agressões, mais.

A notícia da rescisão de Rui Patrício causa enorme tristeza e desola, mas, há muito tempo que se antecipava. Como outras, aliás. No entanto, pergunto, isso dará em quê além do empobrecimento e ferida funda na reputação do Sporting?

Nunca desejei que isto acontecesse, mas tinha esperança que se algum jogador rescindisse com justa causa, confrontado com esse duro golpe, o presidente percebesse que é hoje nada mais do que nefasto para o Sporting. Salta à vista: Bruno de Carvalho besuntou-se com Araldite que além de colar cientistas ao tecto, cola déspotas ao poder.

A comunicação do Conselho Directivo foi apenas e só uma nova demonstração de que o presidente hoje deve ser chamado de Bruno barricado em Alvalade Carvalho.

Espantosa e tristemente ainda haverá muitos a defenderem a permanência deste presidente.

Temos de ir a votos e o mais rapidamente possível. Bruno de Carvalho não quer eleições? Está a fazer tudo para impedir que sejamos ouvidos? Há ilegalidades? BASTA! Resolva-se a coisa na Justiça. 

Hoje giro eu - Is anybody out there?

Há por aí algum sportinguista que, não querendo que Bruno de Carvalho fique, não esteja satisfeito com rescisões de jogadores? Há por aí alguém que tenha acordado com uma tristeza incontida em detrimento de uma alegria contida? Que sinta que o Sporting está a ser colocado em segundo plano por tudo e por todos? A bem da coerência, há quem ontem não tenha dito que uma venda por 18 milhões seria gestão danosa e hoje não afirme que Bruno de Carvalho, irresponsavelmente, forçou a barra? Se houver alguém assim por aí que não se reveja em tudo o que aconteceu ao Sporting desde Fevereiro/Abril, que sinta que Bruno de Carvalho não tem condições, que também não se reveja no estilo Jaime Marta Soares, que ache que o Sporting não pode ser uma feira de vaidades de brunistas e de putativos candidatos de ocasião, que valorize a coerência e ponha o Sporting em primeiro lugar, que observe a irresponsabilidade de uns e o aproveitamento de outros e que queira concentrar esforços, sem ruído desnecessário, na procura de uma SOLUÇÃO que devolva a voz aos sócios, então comente aqui, por favor. 

 

P.S. Um pedido especial aos jogadores: coloquem o Sporting em primeiro lugar. Por nós, sportinguistas, pela nossa gloriosa e íntegra história, pela oportunidade de ficarem para sempre na nossa memória.

Volta olímpica

Parece, parece porque eu sou como S. Tomé, que o capitão vai sair.

Ao que consta já terá demonstrado essa vontade desde  final do Euro 2016, tendo o clube conseguido, com renovações e alterações contratuais, que permanecesse ao nosso serviço, com um salário que aceitou e com condições de rescisão com as quais há-de ter estado de acordo.

Agora, em conversações que eram públicas, com o Nápoles, estava acordada a sua saída por 18M€, ao que consta. Também ao que consta, o treinador do Nápoles terá escolhido outro atleta para a baliza da equipa italiana ( como é que um treinador não quer Patrício na baliza é um mistério e um sinal de alguma falta de cultura futebolística, mas cada treinador tem os seus jogadores-fetiche, ou os que sabe com que poderá contar... ) e terá sido proposto ao Sporting a cedência do passe de Patrício para o Wolverhampton, pelos mesmos 18M€. Consta que no pacote terá sido exigido o pagamento de uma "dívida" de mais de 7M€ para com Adrien Silva e o próprio Rui Patrício, contraída na gerência de Godinho Lopes. Ora, ao que se sabe e foi publicado à época da renovação do último contrato de Adrien e Patrício com o Sporting, essa dívida foi liquidada no pacote de renovação, parecendo até pouco séria a exigência do seu pagamento, neste caso em duplicado. Há também uma diferença, para mais 8% em juros a pagar à banca no caso de Patrício sair para Inglaterra.

Como disse lá em cima, espero que a notícia não seja verdadeira. Se for, sugiro que para o ano, se faz favor, aplaudam outra volta olímpica.

Barricados em Alvalade!

A esta hora as instalações do clube, futuras trincheiras, já devem estar provisionadas sete camas, uma despensa repleta de enlatados, uma arca com carne e peixe em salga, garrafões de água e outros bens essenciais para que os assaltantes barricados se mantenham vivos durante as negociações entre os sequestradores do Conselho Directivo e os verdadeiros donos do clube.

 

Mas as negociaões vão ser longas porque isto de tentar explicar a realidade a sere animais irracionais (já não há outro nome, desculpem) vai ser difícil!

Caos em Alvalade

Quem fala em "caos" e em "juntar os cacos" é o próprio Augusto Inácio, novo director desportivo leonino.

Isto diz tudo sobre o Sporting actual.

Apetece revisitar estas palavras no dia em que ficamos a saber que Rui Patrício - capitão do Sporting, titular da baliza leonina há dez anos, campeão europeu em título e guarda-redes da selecção no Mundial da Rússia que começa daqui a duas semanas - rescindiu unilateralmente contrato com o Sporting.

Quem será o primeiro e principal responsável por tal "caos" senão o presidente?

A rescisão

rp.jpg

 

As estratégias directivas são o que são, o anúncio do golpe palaciano de ontem nem é surpresa. Hoje de manhã a notícia da rescisão de contrato de Rui Patrício (ainda por confirmar, e espero que venha a ser desmentida) - depois de tudo o que aconteceu o capitão, veterano atleta do clube, ele não rescindiu, negociou a saída com contrapartidas consideradas aceitáveis para o clube, cuja direcção o tinha evidentemente afrontado. E, ao que parece, à última hora, mais uma manobra dilatória de Bruno de Carvalho, o habitual errático. A cortar, definitivamente, as pontes com alguém que é, e decerto que mais do que bloguistas e comentadores de redes sociais, Sporting. 

Os apoiantes desta deriva absurda continuarão a sê-lo. Pois, com tudo isto que já aconteceu, só não vê o real quem não quer. Pois todos podem. Apenas há alguns que não querem.

Será exagerado relacionar uma coisa com outra...

«Vamos caçar a toupeira,

Que bicho danado é.

Viva a gente desta casa,

Trai-lari, lari-lolé..»

 

Na passada segunda-feira (28 maio) citei este poema retirado do livro «Silêncio» de Shusaku Endo. Confesso que será um pouco exagerado relacionar este poema com recente reportagem da Sic.

 

Do mesmo livro retirei:

«Até ao fim desse dia não largou a janela, observando o movimento das crianças. Uma delas, segurando o cordel de um papagaio, corria encosta acima, mas, sem vento, o papagaio tombou preguiçosamente no chão.»

 

De igual modo, é manifestamente exagerado relacionar esta referência do papagaio com a notícia de hoje.

 

Convém lembrar que Shusaku Endo escreveu este livro, Silêncio, em 1966…

(Confesso que gostei mais da experiência da leitura do livro do que a de ver o filme.)

 

--

 

«Vamos caçar a toupeira,

Que bicho danado é.»

 

Será bom reter esta pequena passagem, do ponto de vista literário como é óbvio!

A golpada

Eis um golpe de mão em curso. Como nem no período da ditadura se registou em Alvalade. Um poder unipessoal, sem escrutínio, em flagrante violação das normas estatutárias. Que pretende destituir outros órgãos e marcar "eleições" à venezuelana no Sporting enquanto impede por todos os meios - incluindo meios ilegais - que se faça escutar a voz dos sócios em assembleia geral.

Uma golpada que forçará, no limite, a intervenção da justiça civil no nosso clube.

Uma página vergonhosa na história centenária de uma instituição de utilidade pública.

Memórias de Peyroteo (25)

 

(cont.)

 

«O V Portugal - Suíça em futebol, disputado em Basileia a 21 de Maio de 1945, terminou com a vitória dos suíços por 1-0- Perdemos bem e os nossos adversários ganharam melhor.

Analisando e comparando sector por sector, fomos inferiores no ataque e iguais na defesa. A meio campo ainda trocámos passes interessantes e fizemos algumas jogados de mérito, mas próximo da área suíça tudo se embaralhava… O “ferrolho suíço” perturbou a avançada portuguesa. De resto, a equipa suíça jogou quase toda ela sobre a defesa, procurando contra-ataques rápidos, de surpresa.

A nossa defesa, sim, trabalhou muito e jogou bem, cometendo, apenas, um erro, ou melhor, teve um momento de hesitação e sofreu o golo que ditou o resultado: na marcação de um livre, os nossos defesas hesitaram em qual deles devia guardar o interior suíço; entretanto a bola partiu e ele, sozinho, com um ligeiro toque, fez o golo - um tanto sem brilho mas que contou como se tivesse nascido de uma óptima jogada…

De resto, há sempre um pormenor que nos leva a perder a maioria dos jogos internacionais: a falta de classe, a falta de verdadeira categoria internacional da maior parte dos elementos que formam a equipa nacional portuguesa. Por carência de intuição para o futebol? Não! Muito têm feito os rapazes escolhidos para defenderem as cores da bandeira nacional no respeitante a competições desportivas internacionais, especialmente em futebol. O mal é outro, vem de longe, é o problema de sempre: as deficiências de “orgânica”.

 

Ainda há bem pouco tempo tive o prazer de conversar com o Francisco Ferreira - o grande “ Chico” do Benfica - e, como não podia deixar de ser, recordámos os grandes desafios entre o seu e o meu clube, os maus resultados da nossa equipa nacional - do nosso tempo é claro - e até o “penalty” que o “Chico” falhou no jogo contra a Espanha, na Corunha. Contristado, como se o caso se tivesse passado ontem, o “Chico” disse: “Se eu tivesse marcado aquela “batata”, os espanhóis, daí por diante, eram “canja”… Atirei para fora e levámos 4 “batatas” contra 2! Mas eles eram melhores do que nós!!!”

Recordámos várias peripécias dos nossos jogos internacionais e, entre eles, o que disputámos em Basileia - não propriamente acerca do jogo, mas sobre o regresso da equipa nacional. Eu conto: Como já disse, para a Suíça fomos de avião e muito embora o “Chico” e outros nossos camaradas tivessem vomitado quase as tripas à chegada a Genebra - no momento em que o “piloto” fez inclinar o avião ora para a esquerda, ora para a direita, de modo a melhor podermos apreciar a vista aérea da linda cidade de Genebra - ambos estávamos de acordo em que a viagem de regresso foi muitíssimo pior! Setenta horas de comboio chegam para arrasar qualquer valentão, mas como se isso não bastasse, lutamos com dificuldade de alojamento e até passámos fome!!! Admiram-se? Ora vejamos.

De Basileia a Paris tudo foi normal, mas de Paris a Lisboa as coisas correram o pior possível para os jogadores - e digo para os jogadores porque os dirigentes não sentiram tanto…

Não foi possível arranjar camas para todos e as poucas que se conseguiram destinaram-se, e muito bem, aos rapazes do Belenenses que teriam de jogar um desafio no dia seguinte ou dois dias depois da chegada a Lisboa. Conseguiu-se, pois, arranjar algumas camas, uns tantos lugares de l.ª classe e outros de 2.ª. Os dirigentes - cansados dos banquetes e consequentes discursos - ocuparam os lugares de primeira classe e nós, os jogadores, que apenas havíamos perdido com os suíços - sem esforços nem canseiras - fomos para a 2.a classe… Pois não são eles quem leva as “gentes” aos campos da bola? Não são eles a ocupar os postos cimeiros? Daí a razão e o direito de ocuparem, também, os melhores lugares nas longas, enfadonhas e maçadoras viagens!

O leitor perguntará: “mas todos os dirigentes são assim? Todos procedem da mesma maneira?” - Não, felizmente!

Os jogadores passaram noites sem dormir e muitas horas sem comer. O comboio não trazia a carruagem-restaurante e os nossos dirigentes, na estação, em Paris, compraram, para nós, uma merenda composta de 2 “sandwiches”, 2 bananas, 2 laranjas e uma garrafa de laranjada ou cerveja. Comido o lanche, a rapaziada pensou em comprar, em qualquer estação de caminho de ferro onde o comboio parasse, os alimentos de que necessitava. Mas, qual quê? Pois se os franceses não tinham quase que comer, como poderiam vender aos outros o que precisavam para eles?

A certa altura da viagem, o Teixeira - lembram-se do “gasogénio” do Benfica? - o Teixeira, dizia, apareceu-nos com uma lata na mão, a qual continha, no fundo, uns restos de sardinhas e molho de tomate, acompanhando o repasto com um pouco de pão! A rapaziada logo quis saber a proveniência do petisco, mas o “gasogénio” negou-se terminantemente a indicá-la, e só coagido sob ameaça de ser atirado pela janela fora, indicou o compartimento de l.ª classe onde obtivera aqueles restos de sardinhas e de pão. Para lá nos encaminhámos mas encontrámos a porta fechada e as cortinas corridas!

Silêncio absoluto!… Batemos uma, duas vezes e só depois de o Amaro e o Chico Ferreira declinarem as suas identidades, a porta do compartimento se abriu o suficiente para verificarmos que havia ali um autêntico “simpósio” - no verdadeiro sentido da palavra!… Não faltavam as latas de conserva, compotas, pão, frutas, etc.!!! Todo aquele “material comestível” havia sido levado de Lisboa para a Suíça, pensando-se já na eventualidade de a equipa nacional vir a precisar de alimentação suplementar, admitindo-se, por natural e evidente, que a guerra teria criado graves dificuldades, especialmente em França.

Tudo foi previsto cautelosamente, mas o certo é que, na Suíça, nada nos faltou. Do que leváramos só da compota comemos um pouco aos pequenos-almoços; as restantes provisões adquiridas em Lisboa, eram agora saboreadas pelos ocupantes dos lugares de 1ª classe…

Como é de calcular, o facto provocou uma barulheira dos diabos, mas os jogadores nada ganharam com isso! Logo a seguir a este incidente, o Ruben - funcionário da Federação e que já dera a um jogador o lanche que lhe coubera em Paris - desceu do comboio, na primeira estação, em busca de mantimentos, mas só conseguiu comprar dois ou três quilos de cerejas, que distribuiu por alguns rapazes, pois nem todos aceitaram a oferta! De resto, já alguns jogadores, noutras estações anteriores, haviam ido em busca de comida, mas nem cerejas encontraram…

Se a memória não me falha, pretendeu-se, logo a seguir à distribuição da fruta, distribuir pelos jogadores certa quantidade de “francos” para tentarem, ainda, comprar qualquer coisa de comer noutra ou noutras estações. Um dos internacionais recebeu essa meia dúzia de “francos” e, acto contínuo, atirou-os pela janela fora… É que de dinheiro não tínhamos nós falta; o que não encontrávamos em parte nenhuma era “o que comprar para comer”… A não ser que fôssemos à “loja” que estava instalada num dos compartimentos de 1.ª classe, cuja denominação comercial e privada era a de dirigentes.

E aqui tem o leitor a história resumida da fome por que passou a equipa nacional de futebol quando regressava da Suíça, onde fora disputar o V Suíça-Portugal em futebol.

É bonita a história, não é?

O futebol deu-me de tudo: algum dinheiro, boas passeatas, muita pancadaria e… fome!

Dos fracos nso reza a história, não é verdade? Mas por muito estranho que pareça, continuo a ter saudades… da bola!

 

Na nossa terra há muito boa gente que só vai ao futebol quando 0 Sol brilha nas alturas! Se o tempo ameaça chuva, ficam em casa ouvindo o relato pela telefonia, ou vão ao cinema e lêem o jornal da noite. Futebol em dia de chuva não lhes agrada…

Ora, na semana que precedeu a realização do VI Portugal -  ‘Suíça, disputado em Lisboa no dia 5 de Janeiro de 1947, nem todos os dias choveu e, por isso, a tal “boa gente” dos dias primaveris, tratou de arranjar, com a devida antecedência, os bilhetinhos para assistir ao jogo, sabido como é que, para os desafios internacionais, nem sempre se conseguem os bilhetes de entrada no campo.

Eu fui sempre uma vítima dos carolas que julgam ser^ muito fácil aos jogadores conseguirem quantos bilhetes querem. É certo que a Federação teve sempre em conta a nossa qualidade de jogadores da Selecção Nacional e, por isso, nos reservava uma razoável quantidade de bilhetes - pagos, é claro - e nos oferecia três ou quatro entradas de “circulação superior”, mas assim mesmo, os bilhetes-' reservados nunca chegavam para atender os pedidos, o que dava ocasião a zangas, aborrecimentos, etc., etc… Sucedeu, porém, que para este encontro arranjei tantos bilhetes quantos os necessários para satisfazer os interessados que, com uma semana de antecedência, me haviam assediado, mas por que na ante-véspera do dia do jogo choveu torrencialmente, a maior parte dos pedinchões não tornou a aparecer, e eu fiquei com quinhentos e tal escudos de bilhetes na algibeira!!! Fiz constar, depois disto, que não mais requisitaria bilhetes à Federação, por não estar disposto a gastar dinheiro inutilmente mas, mais tarde, achava graça aos que, embora mal os conhecendo, me pediam bilhetes e diziam logo: . “Olhe que eu sou daqueles carolas que aguentaram o Portugal - Suíça até ao fim e, como recordação, guardei este bocado de bilhete!…- Claro que, para esses, só quando foi totalmente impossível é que não os satisfiz, mas estou em crer que nenhum deixou de ir ao futebol! Aliás, mereciam a atenção de serem atendidos.

A chuva diluviana que caiu no sábado e no dia do jogo não impediu que 30 mil pessoas fossem ao Estádio Nacional assistir ao VI Portugal - Suíça e, quanto a mim, esta foi a faceta mais curiosa: num momento em que o jogo estava interrompido, o defesa suíço Steffen, chamou a minha atenção para o invulgar espectáculo que nos ofereciam os milhares de chapéus de chuva abertos. Era, de facto, muito interessante e nunca julguei que o conjunto resultasse tão curioso.

Quanto ao jogo, pouco há a dizer. Tanto a nossa equipa como a suíça jogaram abaixo das suas possibilidades. O campo encharcado, com verdadeiros lagos sobre o relvado, não era propício à execução de bom futebol. Quase não tínhamos força para levantar a bola que, pesando no inicio 425 gramas, pesava 675 no dia imediato ao jogo - peseí-a eu!

O resultado deste jogo, apenas memorável pela chuva torrencial que caiu, cifrou-se num empate a duas bolas, marcadas por Rogério e Moreira.

Foi este o último jogo que fiz contra a sempre vigorosa e boa equipa Suíça.»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 164 - 169

 

A voz do leitor

«Critiquei severamente Jorge Jesus ao longo da temporada. Numa situação normal deveria terminar a relação com o nosso clube. Mas a prioridade deve ser sanear a Direcção. Encontrar um grupo de pessoas decentes para liderar o Sporting. Jorge Jesus tem condições para cumprir o contrato e para tentar pela última vez conquistar o título. Com severas restrições quanto a contratações, apostando nos da Academia e nos que cá ficarem Temos que nos livrar de Bruno de Carvalho e dos seus jagunços sob pena de serem eles a livrarem-se de nós.»

 

JG, neste texto do Pedro Azevedo

Pág. 23/23

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D