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És a nossa Fé!

Memórias de Peyroteo (14)

(cont.)

 

« PRIMEIRA INTERNACIONALIZAÇÃO

O Manuel Soeiro era, ao tempo, um magnifico avançado-centro mas, com a sua passagem para o lugar de interior direito, ocupei, definitivamente, digamos, o eixo do ataque dos “leões”.

Lutei, esforcei-me, trabalhei muito, mas não desejava, de modo algum, prejudicar fosse quem fosse, “destronar” ou “desbancar” este ou aquele jogador e, por isso, regozijei-me com o facto de o Soeiro actuar com tanto acerto que alguns críticos chegaram a afirmar ser ele melhor jogador a interior do que fora no lugar de avançado-centro.

Vencido o primeiro obstáculo - luta que muita tinta fez gastar aos jornalistas da especialidade e esgotou a saliva aos adeptos do futebol, mormente aos simpatizantes do Soeiro e de Peyroteo - a luta continuou…

Lembram-se daquelas tardes em que o Guilherme Espírito Santo, só por si, constituía um magnifico espectáculo de futebol? Que fino jogo, pensado, inteligente; que subtileza, que arte! Dava gosto ver, no campo, este excelente jogador, bom camarada e um dos meus melhores amigos - que o é ainda hoje.

Pois bem; era no Guilherme que eu tinha os olhos postos ou, melhor dizendo, no avançado-centro da Selecção Nacional. Neste ponto creio estarmos todos de acordo e não se pode levar a mal que se trabalhe afincadamente para este fim: o futebolista inicia a sua carreira e logo começa a pensar na primeira equipa; uma vez conseguido o seu objectivo, toma alento e trabalha para merecer a honra de vestir a camisola da Selecção Nacional. Nisto não há deslealdade. Portanto eu, como qualquer outro, com lugar firme na primeira equipa do Sporting, trabalhei para chegar ao grupo do País. Era natural.

Estávamos em Fevereiro de 1938 e falava-se já no Campeonato do Mundo de Futebol, ao qual Portugal concorreria. Entretanto, como jogo preparatório, chamemos-lhe assim, os dirigentes do nosso futebol combinaram um encontro entre as selecções da Alemanha e Portugal, a realizar em Frankfurt.

Certa manhã, ao entrar no eléctrico que me levaria ao Campo Grande para treinar, vi o senhor Sezabo, que veio sentar-se a meu lado. Pediu-me, para ver, a Revista “Stadium” que eu trazia na mão; ao reparar na minha fotografia a toda a altura da primeira página, exclamou:

- “Cárágo ; Fernando ter de comprar muitos jornais dê estes para mandar seu família que estar a África!…”

Achei graça ao conselho e pedi-lhe para ler o que estava escrito ao lado da foto:

- “Peyroteo, o homem das 19 bolas das “Ligas”, aguerrido e indomável, cuja candidatura à turma nacional, ganha domingo a domingo, maior consistência”.

Mestre Sezabo leu, olhou muito sério para mim e disse:

- “Natural, sinhor Fernando! Não cortar prego, sinhor. Se dedicar-se a “treining” e ouvir bem meus palavras, garantir para sinhor ir Selecção. Não envaidecer, Fernando! Trabaiar com vontade, sacrificar-se e ir ver não ser nada difícil”.

Receoso, sentindo um abismo entre mim e o Guilherme, perguntei:

- “E o Espírito Santo, “Mister”, que bom jogador ele é”?

- “Cárágo, Férnando, não dizer um coisa dê isso. Sinhor ser africano, não cortar prego. Espírito Santo ter dois pernas como Férnando! Continuar ouvir meus bons palavras e ir ver qui bem ficar-se!…”

Conforme os dias iam passando, os treinos eram intensificados até que, certa manhã, recebi um postal do Sporting convocando-me para o treino da Selecção Nacional, pois assim o havia comunicado a Federação ao meu Clube. Acredite-se que julguei tratar-se de uma brincadeira e, sem perda de tempo, fui à Sede, onde obtive a confirmação de que se tratava, na verdade, de uma ordem do seleccionador Cândido de Oliveira.

Não me recordo se dormi bem na véspera do treino, mas sei que a “comoção” me provocou um desarranjo intestinal, pormenor que não esqueci porque, quando cheguei ao campo, no dia do primeiro treino, apressei-me a comunicar o facto ao seleccionador, pois gostaria de atribuir à doença dos intestinos as asneiras que porventura fizesse - e fiz muitas! - Sempre era uma desculpa, até certo ponto aceitável…

Treinei dessa vez, tornei a ser chamado, até que do Sporting me pediram as fotografias para o passaporte, mas não se julgue que, mesmo assim, acreditei fazer parte da caravana que se deslocaria a Frankfurt. É que até à última hora podia ser substituído…

 

O “Sud-Express” abalou da Estação do Rossio levando consigo a Equipa Nacional de Futebol da qual, graças a Deus, eu fazia parte. Como efectivo? Como suplente? Nesse momento o que importava era estar incluído no lote dos que seguiam a caminho de Paris, dali para Frankfurt e, seguidamente, para Milão - Itália - onde defrontaríamos a Suíça, em jogo a contar para o Campeonato do Mundo.

Desse alegre conjunto de rapazes fazia parte, também, o Guilherme Espírito Santo, mas nem ele nem eu sabíamos qual de nós jogaria na Alemanha e na Itália.

Logo que o comboio se pôs em andamento, fomos, ambos, pedir ao Sr. Capitão Maia Loureiro - comandante da caravana – para nos destinar o mesmo compartimento, no que fomos atendidos. Ao ver as duas camas, uma por cima da outra, o Guilherme “determinou” que o lugar superior seria ocupado por ele, justificando-se deste modo:

- “Tu ficas cá em baixo, não vá partir-se este zangarelho que segura a cama e eu ficar esborrachado com esses 80 quilos bem pesados!…

Concordei e dei-lhe esta resposta: Acho bem, mas recomendo-te cuidado, porque como tu és um grande dorminhoco, se não acordares quando chegarmos a Paris, eu não te chamo ; ficas para aí a ressonar, perdes a ligação do comboio para a Alemanha e, então, quem joga sou eu!… Vê lá o sarilho que arranjas…

Raramente trocámos impressões a sério, se jogaria eu ou ele; falámos, sim, acerca da responsabilidade dos jogos que a Selecção Nacional ia fazer e brincávamos em diálogos deste género:

- “Estou com um medo que me escolham para jogar que nem calculas… Dizem que os alemães não são para brincadeiras; são duros como pedras! É melhor jogares tu porque tens mais físico para comeres do coco…

- “Olha para ele! Vais lá tu que te esquivas melhor; até consegues passar entre os pingos da chuva sem te molhares… Eu sou mais gordo, sou melhor alvo…”

- “Pois é, mas se me apanham uma vez que seja, não tenho os ossos numerados e arrumam-me de uma vez para sempre!”

Os restantes companheiros eram uns marotos, como se pode ver por estas gracinhas:

- “Estes dois andam tão juntinhos que até parecem um só, mas a verdade é que estão ambos com vontade de se envenenarem um ao outro, para jogar na Alemanha o que ficar vivo!…

Se ao jantar ou ao almoço, no comboio, o Guilherme, por gentileza, me servia o vinho, logo alguém comentava:

- “Isso, isso, dá-lhe vinho, embebeda-o, dá cabo dele, porque só assim é que jogas tu…

Era um nunca acabar de piadas e graças que aceitávamos sem melindre porque, na verdade, todos éramos amigos.

Entre os “indiscutíveis” da equipa, as opiniões dividiam-se quanto a jogar eu ou o Espírito Santo, embora todos viessem a aceitar de bom grado um ou outro. Mas, nenhum jogador sabia, ao certo, qual de nós alinharia contra a Alemanha, e estou mesmo em crer que, quando ainda em viagem, nem o próprio seleccionador nacional, meu amigo e senhor Cândido de Oliveira, tinha absolutamente formada opinião de utilizar o benfiquista ou o sportinguista.

No dia seguinte ao da nossa chegada a Frankfurt, fizemos um pequeno treino no rectângulo onde se realizaria o jogo com a Alemanha e eu alinhei a avançado-centro. Seria indício de que estaria resolvida a minha inclusão na equipa? Mestre Cândido já teria decidido? Ninguém se atrevia a afirmá-lo e muito menos a perguntar ao seleccionador.

Depois do treino, ao comentarmos o facto de ter ocupado o lugar de avançado-centro, o Guilherme afirmava, com toda a convicção, que eu jogaria contra a Alemanha. Que saberia ele para falar assim? Teria ouvido alguma conversa com Mestre Cândido de Oliveira? Não, nada disso. Espírito Santo é um rapaz inteligente e educado, bom desportista e conhecedor dos problemas do futebol. Entendia que, considerando o poder atlético da defesa alemã, eu estava mais indicado para jogar e, em reforço da sua opinião, formulou várias considerações justificativas do seu ponto de vista, donde se conclui, que acima dos seus interesses pessoais, o Guilherme colocou os da Selecção Nacional. Aparte ser leal e bom camarada, Guilherme Espírito Santo possui qualidades de carácter que fizeram dele um desportista como poucos. Ele sabe que desporto é, antes de mais nada, competir e não triunfar. E como se tudo quanto disse não fosse suficiente para demonstrar, de maneira iniludível, a sua lealdade e camaradagem, o Guilherme, na cabine, antes do início do jogo, esteve sempre - mas sempre! - junto de mim, dando-me conselhos, animando-me, procurando, por todas as formas, afastar do meu espírito a preocupação e o receio que me dominavam. As suas palavras amigas tinham para mim tanto valor quanto eu acreditava na sua sinceridade, e sentia-me feliz por verificar que encontrara no meu rival o carinho e amizade tão necessários àqueles que vão fazer o seu primeiro jogo internacional. Ele, o meu rival, aquele que perderia para sempre o posto que conquistara, sem favores de ninguém, na Selecção Nacional, foi esse magnífico atleta, aprumado, leal e correcto quem procurou ajudar-me *a conquistar o lugar que até então lhe pertencia! Era de homens assim que o desporto português precisava às mãos cheias…

E no intervalo do encontro, lá estava ele, junto de mim, incitando-me a fazer mais e melhor. É certo que Cândido de Oliveira me dispensou toda a sua atenção e deu preciosíssimas indicações e conselhos; os companheiros de equipa muito me ajudaram mas, para mim, aquele que mais me impressionou e a quem prestava mais atenção - excluindo o seleccionador, claro está - era ao Guilherme.

Até ao momento em que o seleccionador mandou reunir todos os jogadores para lhes indicar a táctica a adoptar - e isso aconteceu, no hotel, poucas horas antes do início do jogo - ninguém sabia se o posto de avançado-centro seria ocupado pelo Espírito Santo, se por mim e posso, talvez, afirmar que, até esse momento, o seleccionador hesitou na escolha. Ora vejamos:

Pouco antes de nos reunir, Cândido de Oliveira “auscultou” o capitão da equipa, Gustavo Teixeira, perguntando-lhe quem, em sua opinião, deveria jogar no eixo do ataque português contra a equipa alemã, e Gustavo Teixeira disse que, em seu entender, nesse jogo, deveria alinhar o Peyroteo. Não ouvi a conversa; foi o saudoso Dionísio Hipólito, nosso massagista, quem me contou o que acabo de referir.

Prova-se assim que, mais uma vez, Mestre Cândido de Oliveira não se arvorou em senhor absoluto de ideias e saber, preferindo conhecer a opinião do capitão da equipa - homem bom conhecedor das coisas da bola e tão honesto que, pondo de parte o seu “benfiquismo” - optava pela inclusão de um “leão” na equipa Nacional.

A expectativa arrazou-me os nervos e sabe Deus em que estado de espírito fui para o campo! Desta vez não “desarranjei” os intestinos, mas sentia-me mais cansado antes do jogo do que depois de ele terminado. Mais me apetecia ficar na cabine, acredite se! Era o meu primeiro jogo internacional e poderia vir a ser o último, pelo menos durante algum tempo…

Entrei no campo; as pernas tremiam, procurava reagir mas em vão. Sessenta mil pessoas saudaram, com o maior entusiasmo, a entrada da equipa portuguesa. A banda de música tocou o nosso Hino Nacional mas muito mal, como quase sempre acontece no estrangeiro - a compasso de marcha fúnebre e não alegre, vivo, empolgante, bonito como ele é. Mesmo assim, ouvir, lá fora, o Hino da nossa querida Pátria, tem um sabor diferente; lembra-nos a nossa terra, a terra portuguesa. Ao mesmo tempo que, ao ouvi-lo, nos comovemos, dá-nos. coragem para lutar até ao limite das nossas forças.

Seguidamente, a banda tocou o Hino Alemão. Foi o fim do Mundo I As mesmas sessenta mil pessoas, de pé, cantaram tão afinadas como se fosse um orfeão ensaiado! Que maravilhoso espectáculo! Que pequeninos nos sentimos nós - aquela dúzia de portugueses! É verdadeiramente impressionante e… enervante. Faz-nos pensar que esses mesmos homens e mulheres que agora cantam, dentro de momentos gritarão incitando a equipa da sua Pátria. Mas, ao contrário do que se possa supor, uma vez o jogo iniciado, tudo passa; quase não os ouvimos, embora façam muito barulho, porque o jogo, em si, domina-nos por completo, e a vontade de bem cumprir o nosso dever, faz-nos olvidar, quase por completo, o que se passa fora do rectângulo. De resto, manda a verdade dizer que os alemães tanto se manifestaram a favor dos seus compatriotas como aplaudiram os portugueses, assim uns e outros fossem merecedores de aplauso. Povo correcto e desportista, tributou à equipa portuguesa a maior ovação que me foi dado ouvir em todos os jogos em que tomei parte, quer no estrangeiro, quer, mesmo, em Portugal.

Assim que o encontro começou, como por encanto, senti-me com força suficiente para “tragar” quantos adversários se me deparassem ; nada de nervos ou medo! Apenas o peso da responsabilidade e confiança que o seleccionador depositara em mim, estavam em causa. Havia, portanto, que corresponder a essa confiança. Lutei quanto me foi possível e se mais não fiz, foi unicamente porque a defesa alemã não deixou. Travei com ela uma luta feroz!… Eram umas verdadeiras torres de Belém. Duros, enérgicos mas correctos e leais adversários.

Neste jogo, a equipa alemã não foi superior à nossa; jogámos de igual para igual, tanto sob o ponto de vista técnico como táctico, porque o nosso “team” dispunha de bons elementos, tão bons como os melhores do conjunto adversário: Pinga, Albino - que grande jogo ele fez! - Azevedo, Gustavo Teixeira, Mourão, João Cruz, Soeiro, Pireza, Simões, Amaro, Carlos Pereira e Madueño, formavam um lote de jogadores de categoria. Quem não se lembrará deles e… com saudade?

Portugal foi o primeiro a marcar e ouvimos tão vibrante e entusiástica ovação que nos pareceu estarmos a jogar na nossa terra. Se no Estádio Nacional marcássemos um golo que ditasse a nossa vitória contra a Espanha, a ovação não seria maior! Os entusiastas alemães aplaudiram-nos como se da sua equipa se tratasse. Honra lhes seja feita.

 

Resumindo: Em Frankfurt a equipa nacional portuguesa fez um dos seus melhores jogos de sempre - pelo menos enquanto eu joguei.

No que respeita ao meu primeiro jogo internacional, penso que não joguei nem muito bem nem muito mal, e creio que a minha actuação não comprometeu a equipa portuguesa; tanto assim é que, no jogo seguinte contra a Suíça, em Milão, a contar para o Campeonato do Mundo, voltei a ocupar o posto de avançado-centro.

Não quero terminar este apontamento sobre o Alemanha-Portugal sem dizer que o povo alemão recebeu a Selecção Nacional Portuguesa, em Frankfurt, como nenhum outro em qualquer parte do Mundo onde se exibiu a equipa das quinas. De uma maneira geral, nas estações e aeroportos, esperavam a nossa equipa dois, três ou quatro dirigentes, uns da Federação e outros, talvez, da Comissão de Recepção, e uns tantos curiosos… Em Frankfurt esperavam-nos na estação de caminho de ferro, além de uma dezena de dirigentes do futebol, alguns milhares de pessoas duma amabilidade extraordinária; simpáticos, cumulando-nos de atenções e isto não só no dia da chegada como durante todo o tempo em que estivemos na Alemanha. Onde quer que estivéssemos ou chegássemos, sempre nos apareciam meia dúzia de alemães dispostos a pagar a cerveja que bebíamos e as magníficas salsichas de… Frankfurt. Tudo isto - é bom acentuar! - nos dias em que podíamos comer e beber, embora, assim mesmo, com conta, peso e medida, não vá supor-se que na antevéspera do jogo à rapaziada eram permitidos tais devaneios (…como se isso fosse possível suceder sob as vistas de dirigentes disciplinados e disciplinadores como o Cap. Maia de Loureiro e Cândido de Oliveira; onde estava a equipa lá estavam eles…)

Como último apontamento a realçar a gentileza alemã, lembro-me de que, na véspera da partida da equipa nacional a caminho da Itália, estivemos, à noite, num grande “restaurant-dancing” de Frankfurt, onde assinámos centenas de autógrafos, comemos e bebemos, e quando nos preparávamos para seguir para o hotel pedimos a conta. Um criado, muito cortês e simpático, disse… em francês:

- “Muito obrigado pela vossa amável Visita; está tudo pago”.

Como não fizera despesa, resolvi gastar os marcos que tinha na algibeira comprando umas lindas caixas de bons cigarros…

Alegres e contentes, saímos do restaurante ao som de vivas a Portugal! E como nunca é tarde para agradecer, aqui estou a enviar um abraço de gratidão e reconhecimento a todos aqueles - desportistas ou não - que em Frankfurt tão amáveis foram para com os componentes da Selecção Portuguesa de Futebol que ali jogou em 24 de Abril de 1938. A última Grande Guerra vitimou, decerto e infelizmente, muitos daqueles que nos acarinharam. PAZ às suas almas.»

 

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 112-119

Daqui para a frente

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Muito provavelmente os "relatos" da magna reunião da direcção do Sporting com o técnico Jesus, que foram publicados nos diários lisboetas, corresponderão, mesmo que apenas grosso modo, ao acontecido.

O patético incidente facebuquiano pós-Madrid causou um "castigo" dos adeptos ao presidente, a vaia no José Alvalade, culminada com a sua saída em braços, porventura por maleita psicossomática , digo eu, completo leigo em coisas médicas. Mas foi um "castigo" piedoso, como se um "correctivo". Quis a nação Sporting dizer ao seu "primeiro entre iguais" que se portasse bem, que arrepiasse caminho, que em assim sendo o continuaria a apoiar. E, nessa expectativa pedagógica, deu-se-lhe o benefício da dúvida até, para mais, atribuindo-se-lhe o deslize a indisposição, àquele logo celebrizado burnout, uma entidade mítica qual aquele downburst que alguns vieram agitar aquando da, essa sim, verdadeira desgraça do Verão passado.

Vã esperança. A rábula das mensagens aos jogadores de futebol, num tom de efectiva e mera auto-justificação, mostra um homem enredado em si próprio, incapaz de se engrandecer na compreensão dos outros e do meio circundante.

E agora esta reunião, com uma direcção expelindo uma sanha persecutória, um real  revanchismo contra todos os que não se lhe associam em tudo. O importante já não é quem é útil ao clube, é apenas a dimensão da incondicionalidade do brunismo alheio. "O clube sou eu", é o que se retira disto, da raiva contra alguns jogadores com estatuto especial, com o médico, na desconfiança para com o treinador. É uma tal deriva errática que até já espero que o roupeiro Paulinho venha a sofrer, por ser tão querido aos adeptos e profissionais, assim assombrando a fonte que se imagina e deseja única.

Bruno nada aprendeu. E não mudará nem um pouco. Daqui para a frente será uma debandada. Uns expulsos, outros "conduzidos". Outros por decisão própria. E ele continuará a clamar-se o único relevante.

Sabe-se como terminará.E até mesmo quando. A 15 de Março da próxima época ele discursará um "até vocês?". E outro presidente será eleito. 

Que não seja um "notável", é o meu desejo. Que não seja um político, é um fervor. E que venha a tempo de ajudar a época 2019/2020.

 

A voz do leitor

«Curiosamente ou não, foi desde a entrada de Jorge Jesus que a política de comunicação de Bruno de Carvalho se tornou um desastre. Será que a nefasta influência futebolista que o treinador passa aos jogadores se altera em forma comunicacional em relação ao Presidente?»

 

Leão da Estrela, neste meu texto

Memórias de Peyroteo (13)

(cont.)

 

« Em quase treze anos consecutivos tomei parte em centenas de jogos e marquei muitos golos pela equipa do Sporting e pela Selecção Nacional. O leitor curioso ou admirador de estatísticas, encontrará nos mapas que elaborei, os números que atestam o resultado de tantos anos em contacto permanente com a bola. Foram tantos os jogos (os golos em maior número) que não é possível., falar de todos eles. Recordarei, apenas, os que, em meu entender, merecem referência especial, entre os quais, claro está, se encontram os jogos internacionais. Vamos, a eles, portanto.

 

Os meus apontamentos - que poderão não ser exactos, diga-se desde já - registam como primeiro encontro internacional, o desafio Espanha-Portugal disputado em Madrid a 18 de Dezembro de 1921, e que foi, também, a nossa primeira derrota (3-1). A lista fecha com o 95.° jogo - Portugal - Hungria, disputado em Lisboa, e que empatamos por 2-2. Pela análise de tais apontamentos, concluiremos, na sua frieza confrangedora, pela pouca valia do futebol português, quando em confronto com as selecções de alguns países. E se não vejamos:

Em 87 jogos sofremos 46 derrotas, obtivemos 17 empates e conseguimos ganhar 24, o que representa 28% de vitórias nos 87 encontros disputados.

Ainda que pese ao nosso orgulho, temos de concordar que é muito pouco, não me escusando sequer a esclarecer que tomei parte em 20 desses jogos internacionais, tendo sofrido 9 derrotas, 5 empates e ajudado a conquistar 6 vitórias…»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). p. 111

Os melhores prognósticos

Este nosso campeonato de prognósticos abeira-se do fim. Já só faltam três jornadas.

Na anterior, contra o Boavista, houve dois vencedores: os nossos leitores Leão de Queluz e SportingSempre, que acertaram não apenas no resultado (1-0), mas também em Bas Dost como marcador do solitário golo leonino.

Menção honrosa para o meu colega e amigo José da Xã, que também anteviu o desfecho, mas não o nome do artilheiro: prognosticou Bryan Ruiz em vez de Dost. Eu só espero que Bryan marque na jornada 33, em Alvalade, frente ao Benfica.

Incentivo, carvão e e-mails

Como refere o Pedro Correia em post ali um pouco abaixo, entendeu o presidente enviar umas SMS de incentivo aos jogadores da equipa de futebol profissional, que acabaram por ser plantadas no jornal Record. Quero afirmar convictamente que, à parte a fixação na primeira pessoa, escusada e evitável, me revejo em  praticamente todo o teor das mensagens (que para SMS me parecem demasiado extensas, mas cada um tem o seu estilo).

Lamento pela sua divulgação, desconhecendo em absoluto quem pôs a boca no trombone.
Não me parece que a solução para o problema, se é que existe problema de verdade, seja a separação de presidente e jogadores e parece-me natural que o presidente tente galvanizar os atletas (e se mandar um berro de vez em quando, não virá daí qualquer mal ao Mundo, são todos adultos e sabem o que se lhes exige).
Eu sei que para alguns um pedidos de desculpas (público então seria orgásmico para alguns), ainda que hipócrita, bastaria (o que não haveria para aí de comentários a maldizer BdC pela "humilhação"...). Não me parece ser esse o caminho e estas coisas resolvem-se dentro de portas, no recato do balneário (sim, o facebook de Madrid; já me manifestei contra, não vale a pena "chover no molhado").
E sim, os jogadores têm responsabilidades profissionais a cumprir, entre elas a mais importante é o comprometimento com um projecto e a entrega sempre em prol do clube que lhes paga. Negar isto, é negar a essência do Clube, é ficar satisfeito com o 7.º lugar.

É óbvia a intenção de desviar o foco dos e-mails, agora de Domingos Soares de Oliveira (ontem saiu mais um pacote) e de Meirim e nada melhor que continuar a atiçar os sportinguistas uns contra os outros, o que para minha tristeza é demasiado fácil. Nós somos daqueles que não precisam que nos empurrem, autofagia é coisa que não nos falta a rodos.

Por último, não há notícia de outros atletas, de outras modalidades, ficarem incomodados com as SMS do presidente. Bom, também nada me garante que os do futebol profissional estejam. O que eu sei é que querem que nós acreditemos que estão e alguns de nós mergulhamos de cabeça, sem parar dois segundos para pensar.

Eu aconselho calma e alguma argúcia. A todos. Faltam quatro finais, no final far-se-á o balanço. Até lá, que todos não se esqueçam que não fazem qualquer favor ao Sporting com a sua presença.

Espero ver-vos mais logo no Chiado

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Algumas frases destacadas no meu livro, referentes ao segundo semestre do ano que passou:

 

«O Sporting vai correr para o título com toda a força, com muita confiança, com muito poder, com uma boa equipa.»

Jorge Jesus, 29 de Julho

 

«Acredito cegamente no penta.»

Luís Filipe Vieira, 31 de Julho

 

«O que incomoda as pessoas é o meu brilho. Insectos só atacam lâmpadas que brilham!!!»

Cristiano Ronaldo, 1 de Agosto

 

«Quando estava no auge recebia de tudo. Muitos soutiens, cuequinhas, chuchas. Tirando as fotografias de tudo e de todas as maneiras.»

Paulo Futre, 20 de Agosto

 

«O presidente do Sporting está a mais no futebol português. Ele tem de ser removido!»

Pedro Guerra, 21 de Agosto

 

«Faltam tomates ao dirigismo dos [clubes] pequenos. Têm medo, comem a sua sopinha e por isso as coisas andam como andam. Os pequenos seguem a voz dos grandes, ninguém sabe o que eles sentem genuinamente, têm medo de represálias.»

Augusto Inácio, 28 de Agosto

 

«No futebol, os fins justificam os meios.»

Rui Gomes da Silva, 11 de Setembro

 

«Portugal já não é dos espertos, é dos inteligentes.»

Bruno de Carvalho, 26 de Outubro

 

«Não consigo fazer uma mulher parir aos cinco meses.»

Manuel Machado, 28 de Outubro

 

«É dentro das quatro linhas que queremos ganhar contra tudo e contra tolos.»

Pinto da Costa, 11 de Novembro

 

«Dei a minha primeira entrevista em Paris e disse à jornalista: "Tu es très jolie." Casei-me com ela.»

Humberto Coelho, 30 de Dezembro

A voz do leitor

«Se Bas Dost passa muitos minutos sem tocar na bola, e não marca ainda mais, é porque o futebol ofensivo do Sporting abusa da improvisão e da nota artística, em detrimento da mecanização e da eficácia. E farta-se de trabalhar em campo, pressiona defesas, permite o Sporting sair em jogo directo fazendo de poste, dá bolas a marcar em toques de primeira (90% desaproveitadas pelos colegas, mas isso é outra coisa). E marca penáltis na perfeição. Não chega?»

 

SportingSempre, neste meu texto

Hoje giro eu - Foco

Parece que anda tudo muito entretido, num jogo do gato e do rato, para descobrir quem é o Wally (o bufo do balneário). O diário desportivo Record traz o tema para capa da sua edição de hoje, com direito a cópia dos SMS enviados por Bruno de Carvalho aos jogadores, mais uma interpretação livre se o facto caiu (ou não) bem no balneário. Uma vírgula diferente aqui, umas reticências acoli, um ponto final mais à frente e certamente não será difícil perceber quem passou a informação que fez, certamente, as delícias do jornal. Mas, a quadrilhice não deve ser o nosso problema, temos um jogo decisivo - são todos até ao final do ano - em Portimão e essa deve ser a nossa exclusiva preocupação neste momento. Para já, os dois elementos da Estrutura do futebol - Bruno de Carvalho e André Geraldes - não poderão representar o clube no jogo. Ambos foram penalizados pelo Conselho de Disciplina e por motivos diferentes: Bruno devido às palavras trocadas com Salvador, Geraldes por, alegadamente, ter esbracejado e gritado com o árbitro da partida contra o Boavista. Sobre isto, a nossa Comunicação institucional nada diz. Enquanto adepto e sócio, espero que não nos distraiamos, nem nos fracturemos nesta fase decisiva do campeonato nacional com assuntos menores e que a equipa se sinta defendida em campo. É que há um lugar numa recém-aditivada Champions por assegurar...

 

P.S. entretanto, no Voleibol, o quarto jogo, a ser disputado no Pavilhão da Luz, foi adiado. Com isso, e na eventualidade de um quinto jogo (no João Rocha), só haverá um dia efectivo de descanso ("negra" a 1 de Maio). Atendendo a que a nossa equipa tem jogadores com mais idade, que com uma semana de descanso ganhou 3-0 ao Benfica e que no dia seguinte, e nas palavras do próprio treinador, acusou a sua maior veterania e apenas ganhou por uns muitos renhidos 3-2, agradecia ouvir uma opinião institucional do meu clube sobre este adiamento.

Espero ver-vos por lá amanhã

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Algumas frases destacadas no meu livro, referentes ao primeiro semestre do ano que passou:

 

«O Jorge Jesus vai-se demitir, não tenho qualquer dúvida. O projecto de Jorge Jesus acaba a 4 de Março [de 2017]. Eu não vou ter de o indemnizar.»

Pedro Madeira Rodrigues, 22 de Janeiro

 

«Tem que se dizer basta! O Benfica tem sido sistematicamente prejudicado pela arbitragem! O que é que se passa?! Os árbitros têm medo de quê?»

Pedro Guerra, 30 de Janeiro

 

«Vou dar a minha vida pelo FC Porto.»

Tiquinho Soares, 4 de Fevereiro

 

«Tanto oiço Pavarotti como... ia dizer Marco Paulo, mas Marco Paulo não oiço.»

Manuel Machado, 18 de Fevereiro

 

«O que posso garantir é que, enquanto presidente, para mim chega! Tudo tem de ser diferente na próxima época. O Sporting é vencer, não é dar desculpas.»

Bruno de Carvalho, 7 de Maio

 

«Tão depressa somos idolatrados, como linchados. Hoje és o maior, amanhã és o maior filho da mãe, um chulo.»

Pepa, 24 de Maio

 

«Somos imunes a pressões.»

José Fontelas Gomes, 5 de Junho

 

«Não me revejo nesta gente a representar o Benfica.»

António Simões, 8 de Junho

 

«O Benfica está claramente implicado num esquema de arbitragem. (....) Investigue-se!»

Francisco J. Marques, 13 de Junho

 

«Por vezes a melhor resposta é estar calado.»

Cristiano Ronaldo, 15 de Junho

Os marcadores dos nossos golos na Liga

Bas Dost 26

Bruno Fernandes 9

Gelson Martins 8

Acuña 4

Mathieu 2

Coates 2

Bryan Ruiz 2

Adrien

Battaglia

Fábio Coentrão

William Carvalho

Montero

Rafael Leão

autogolo do Moreirense

 

«Bas Dost continua a ser abono: holandês já deu 47 pontos aos leões, por quem soma 69 golos. Está apenas a três golos do registo da última época (36 golos), mantém a veia que sustenta o Sporting na I Liga e também mostra apetência para os penáltis.»

Do jornal o Jogo de anteontem

Bas Dost

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Ainda há adeptos que criticam Bas Dost enquanto suspiram de saudades pelo Slimani. O tal que diziam ter tijolos nos pés.

Como dantes suspiravam pelo regresso do Montero e assim que ele voltou ao Sporting passaram a acolhê-lo com indiferença.

É sempre assim num certo "tribunal de Alvalade": bons são os que já não estão, enquanto os que ainda estão parecem sempre maus ou medíocres...

 

O que é feito do Slimani? Alguém sabe?

Entretanto, por cá, Dost já marcou 60 golos em 58 jogos disputados nestes dois campeonatos em que actuou de verde e branco. Sessenta e nove, no total das competições.

Uma das melhores médias europeias. Uma das melhores médias de sempre no Sporting.

Qual BES, qual quê!

 

 

 

 

 

Roubado do Mister do Café, onde podem ler tudo bem explicadinho. Como se diz lá, talvez o maior escândalo da Democracia portuguesa. Na área do desporto, não me restam quaisquer dúvidas. É que isto é muito mais que fruta e chocolatinhos, porra! Perto disto, Sócrates e Salgado (alegadamente) são uns meninos.

Pode também visitar o Mestre de Cerimónias, no Artista do Dia, que esmiuça também o assunto.

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