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És a nossa Fé!

A importância de ter memória

«Em 2010, com o Carlos Carvalhal, empatámos com o Atlético de Madrid a zero, acabando a jogar com nove jogadores e jogando com dez mais de uma hora. A equipa tinha esta constituição: Patrício, Abel, Tonel, Polga, Grimi, Pedro Mendes, Miguel Veloso, Pereirinha, Moutinho, Izmailov e Liedson. Nessa altura, tínhamos a mania que a culpa era sempre do treinador.»

 

Rui Monteiro, n' A Insustentável Leveza de Liedson

O que Bruno escreveu sobre os jogadores

No rescaldo imediato do Atlético de Madrid-Sporting, cada vez mais agarrado ao facebook, Bruno de Carvalho - um dos principais fãs portugueses do inenarrável senhor Zuckerberg - escreveu as seguintes considerações sobre os profissionais leoninos nesta rede social:

 

Coates e Mathieu: «A fazerem o que os avançados do Atlético não conseguiam.»

Gelson Martins: «Aos 32m isolado frente a Oblak, em vez de "fuzilar" para a esquerda, tenta colocar em jeito, mas sem força, para o lado direito perdendo um golo que já quase se gritava.»

Bas Dost e Coentrão: «"Não quiseram jogar" em Alvalade, com faltas para amarelo que nunca poderiam ter feito.»

Coates, de novo: «Fica isolado e, sem foco e não estando concentrado, em vez de rematar faz um passe para Oblak.»

Montero: «Aos 92m desperdiçou um golo feito com um remate para o céu quando só se pedia um simples encosto.»

 

Sobre a equipa:

«Uma defesa que não esteve concentrada.»

«De 11, em vez de 22 como queria, fomos 9, muitas vezes, e isso paga-se caro...»

«Viver um jogo de longe custa muito mais, mas ver erros grosseiros de jogadores internacionais e experientes ainda acrescenta mais ao sofrimento.»

 

Enfim: temos o presidente armado em comentador de futebol, candidatando-se talvez a paineleiro num daqueles programas de TV que ele nunca perde. Desvalorizando alguns dos principais activos leoninos como se fosse adversário do próprio clube a que preside.

Verdadeiramente inacreditável.

Quente & frio

Gostei muito da exibição de Rui Patrício no jogo desta noite. Único jogador do Sporting que destoou claramente numa exibição global sofrível e até medíocre, com erros defensivos inadmissíveis e sem eficácia na finalização. Aos 22 segundos já estávamos a perder por 0-1. Saímos derrotados da capital espanhola, frente ao Atlético de Madrid, por 0-2, numa partida que torna ainda mais escassas as nossas perspectivas de seguir em frente na Liga Europa. O resultado é lisonjeiro para a turma leonina: só o melhor guarda-redes português impediu um triunfo mais dilatado. Com grandes defesas aos 3', 48' (saindo muito bem aos pés de Diego Costa), 51' e 81' (fazendo a mancha a Juanfran). "São Patrício" foi o melhor em campo.

 

Gostei do apoio vibrante de uma ruidosa claque leonina que compareceu em força no novo estádio da equipa madrilena: foram cerca de 3.600 adeptos ali presentes, numa demonstração clara de que nunca ninguém - presidente, treinador ou jogadores - pode queixar-se da falta de incentivo do público sportinguista, mesmo nas situações mais adversas.

 

Gostei pouco que o Sporting tivesse maior posse de bola: 58%. Uma posse inconsequente, com apenas duas inequívocas oportunidades de golo. A primeira, desperdiçada por Gelson Martins aos 32' quando se isolou frente a Oblak e permitiu a defesa do guardião colchonero. A segunda, aos 90'+2, quando o recém-entrado Montero, à boca da baliza, rematou para a bancada. Lances emblemáticos deste Sporting cordato e macio, fisicamente desgastado e em nítida quebra psicológica, que se atemorizou frente ao Atlético. Na verdade, durante parte do tempo tivemos de facto muita bola. Mas para quê? Para ser chutada para trás e para o lado.

 

Não gostei da exibição de vários jogadores leoninos. Desde logo Coates, que teve a pior prestação de sempre ao serviço do Sporting, oferecendo o golo inaugural a Diego Costa e Koke logo aos 22 segundos e voltou a ser protagonista de arrepiantes deslizes defensivos aos 48' e aos 51'. Mathieu não esteve muito melhor: o segundo golo do Atlético nasceu de um erro dele aos 40', com uma perda de bola que foi um brinde ao goleador Griezmann. Também não gostei de Bryan Ruiz, que se movimentou sempre a passo e andou escondido do jogo: o costarriquenho não merece, de forma alguma, ser titular do Sporting. Jorge Jesus nunca o devia ter incluído no onze que iniciou a partida.

 

Não gostei nada da saída forçada de William Carvalho, ainda antes de soar o apito para o intervalo, por aparente agravamento da sua condição física. Estava a ser um dos melhores jogadores em campo e a sua retirada abrupta fez cair a pique a exibição leonina. Provavelmente não contaremos com ele para a segunda mão, que vai disputar-se de hoje a oito dias em Alvalade. Ausentes estarão também Fábio Coentrão e Bas Dost, que se fizeram amarelar estupidamente em lances sem qualquer perigo para a nossa equipa. O primeiro ao pontapear Griezmann por trás junto à linha do meio campo da equipa espanhola, o segundo ao fazer uma falta totalmente desnecessária, entrando de carrinho, à saída da grande área colchonera. Pareciam ambos de cabeça perdida, como se não soubessem que estavam à bica para ficarem de fora por acumulação de cartões.

Cristiano Ronaldo

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[Cristiano Ronaldo agradecendo os aplausos dos adeptos da Juventus após o (2º) golo marcado em Turim]

 

À saída de Nelspruit não paro nos semáforos desligados, que quando assim funcionam como sinal de "stop", pois nenhum carro se avistava no cruzamento. E logo dois policias saltam à estrada, mandando-me parar. "Estou tramado!", resmungo, antevendo os rands da multa e o atraso na viagem. Desculpo-me, explico-me, eles impávidos. Claro que viram a matrícula moçambicana, e tão habituados estão ao tráfego inter-fronteira, mas perguntam-me para onde vamos ("Maputo", respondo), de onde somos ("portugueses", digo-lhes), se viemos às compras. Que não, esmiúço, em busca de hipotética solidariedade, que ali vim para trazer a miúda ao (orto)dentista, a Carolina a comprová-lo no banco traseiro, com o aparelho dentário tão brilhante, acabado de calibrar na visita mensal. Um deles (suazi? tsonga? sotho?, não lhes consigo destrinçar a origem), inclina-se sobre a minha janela, quase enfiando a cabeça no carro e pergunta "how are you, sissi (maninha)?" e assim percebo que não pagarei multa. Depois diz-me "se você é português vou-lhe fazer uma pergunta" e eu logo que sim, dando-lhe um sorriso prestável, antevendo uma qualquer dúvida sobre ares ou gentes de Moçambique. Mas afinal "Qual é o melhor, Ronaldo ou Messi?". Eu rio-me, num "Ah, meu amigo, são ambos excepcionais, diferentes mas excepcionais", enfatizo, mas ele insiste, "mas qual é o melhor?". "Ok", e enceno-me, olhando à volta, "só vocês é que me ouvem, assim posso falar, sou português mas o maior é Messi", e estou a idolatrar o jongleur, o driblador dono da bola, alegria do povo, nós-todos miúdos de rua. "Não, você está errado" riposta ele (ndebele? zulu? khosa?, não lhe consigo destrinçar a origem), "Ronaldo é o melhor. Messi nasceu assim, Ronaldo é trabalho, muito trabalho!". Ri-se, riem-se, rimo-nos, e conclui num "podem ir". Avanço pela N4 e sorrio a este afinal meu espelho, apatetado europeu (armado em) intelectual com prosápias desenvolvimentistas, a levar uma lição de ética de trabalho de uma pequena autoridade (formal) africana.
 
(Fica a historieta para os que acham mal resmungar com os patrícios que, sistematicamente, apoucam o labor do maior atleta em actividade. Talvez nisso ombreando com Federer, mas muito mais célebre).

307 visualizações por hora

Nos últimos três dias, este blogue registou 22.116 visualizações. Confirmando-se assim o crescente interesse que suscita junto dos leitores - que não pertencem apenas ao vasto universo leonino.

É o equivalente a 307 visualizações por hora, algo que vários jornais digitais só atingem em sonhos. Neste campeonato, estamos na frente. E tudo faremos para que este És a Nossa Fé seja cada vez mais do agrado de quem nos lê.

Sendo nosso, é também vosso.

Demasiado mau

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"Não é tempo de levantar a cabeça. É tempo de a baixar! Baixar e olhar bem para o símbolo que trazemos ao peito. E depois termos todos a capacidade de refletir se somos dignos de o usar". São recentíssimas palavras do presidente Bruno de Carvalho. Depois, pouco dias passados, escreve esta aleivosia. Nem sequer está em discussão a pertinência dos argumentos de Miguel Sousa Tavares. A única coisa relevante é que isto é demasiado mau ... Insano e abjecto. Bruno "entrou no mato". 

E é tão lamentável.

O futebol no parlamento

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Há um mês botei um texto no meu blog pessoal ("O governo está a dormir") sobre a inexistência de uma acção estatal face ao decadente estado do futebol nacional - não o coloquei aqui pois é um texto pouco simpático para com o governo/estado, e não me parece ser o tom para um blog clubístico, politicamente ecuménico. Ontem o parlamento realizou um encontro sobre a situação (noticiado aqui). Dir-se-á, a partir de agora, que o parlamento está estremunhado. E o governo?

As vitórias morais

Este Sporting quase-milionário treinado por Jorge Jesus já disputou sete jogos com FC Porto, Benfica e Braga desde o início da temporada.
Empatámos quatro.
Perdemos três.
Não vencemos nenhum.

 

Só para o campeonato, com 15 pontos em disputa, conquistámos apenas três nestas partidas frente às outras equipas mais fortes.

 

Haverá quem não se preocupe.
Haverá quem encolha os ombros e repita o chavão de sempre: "Para o ano é que é."
Eu preocupo-me.
Com os resultados da equipa.
E com esta resignação de tantos adeptos vergados ao velho rasto das vitórias morais.

Hoje giro eu - O pedal de Deus

São 21H05. Sob a luz dos projectores do antigo Delle Alpi, Cristiano Ronaldo, procurando corresponder a um passe atrasado de Carvajal, roda sobre si mesmo e, de costas para a baliza, inicia o vôo. O seu tronco está agora paralelo ao plano da relva, a uma altura aí de 1,70 m. Os jogadores à sua volta sustêm a respiração. A "máquina" começa a dar aos pedáis: primeiro o esquerdo para dar propulsão, logo o direito que vai de encontro ao esférico quasi perdido. Nunca uma bola foi tão redonda como aquela saída do pé direito de Ronaldo, cinquenta centímetros acima da cabeça de um já aí desesperado DiSiglio, também ele a subir e a procurar o Céu. Buffon, espectador privilegiado do lance, não se mexe, como que hipnotizado pela grandeza do gesto. A bola, obediente, entra inapelávelmente junto ao poste da sua baliza. Das bancadas do estádio irrompe um aplauso generalizado. Adeptos da Juventus e do Real, outrora rivais, levantam-se e batem palmas. Há um sorriso nas sua bocas. Estão agora unidos pelo mesmo sentimento: tocado por Deus, Cristiano (o nome será coincidência?) acaba de protagonizar um momento único, um sortilégio, uma recordação eterna na memória de todos. O resultado já pouco interessa. Mais do que a vitória do seu clube, todos em uníssono celebram o triunfo do futebol.

cristiano juventus.jpg

 

A voz do leitor

«Este resultado do Porto só me faz aumentar ainda mais a raiva contra o treinador e o presidente, que entre os dois, e cada um com a sua culpa, conseguiram fazer perder um jogo contra uma equipa de sete e quinhentos, onde dois dos seus melhores jogadores, mais o treinador, foram corridos estupidamente do Sporting. Treinador esse que deve ganhar um décimo do grande mestre e que lhe deu um banho de bola.»

 

SportingSempre, neste texto do Pedro Oliveira

{ Blog fundado em 2012. }

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