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És a nossa Fé!

Séries televisivas

Ontem, na RTP1, passou mais um episódio de uma série escrita por Nuno Markl, cuja acção decorre no ano de 1986 (ano que dá nome à série).

Recuar, na memória, às séries televisivas dos finais dos anos ’80 e início dos '90 seria um desenrolar de um novelo muito extenso, porém recordo uma:

 

 

Peço desculpa por não ter falado do Sporting…

Cada vez mais gordos

Gostava que o presidente do Sporting parasse de fazer publicidade gratuita aos mais escabrosos e desqualificados cartilheiros lampiónicos.

Nem ele tem estatuto para descer ao nível desses sujeitos nem eles têm o menor crédito para subirem ao nível de interlocutores ou destinatários das prosas do líder leonino.

Em comunicação, estas coisas contam. E de que maneira.

Cada vez que Bruno de Carvalho escreve os nomes desses desqualificados nos seus lençóis do facebook dá-lhes palco e fama. Que é precisamente o que eles querem.

Graças ao presidente do Sporting, tais cartilheiros sobem de escalão nas tenças e avenças auferidas por fazerem terrorismo opinativo. Não admira que andem por aí cada vez mais gordos.

A voz do leitor

«A contratação de Jorge Jesus por Bruno de Carvalho foi excelente. Foi mesmo um golpe de mestre, aquela pedrada do jovem David (não o que aparece por aqui) no olho de Golias. De tal modo foi certeira que ainda hoje dói a muitos carnidenses. Bruno consegui fazer crer a Vieira que a nossa situação económica era ainda muito pior do que na realidade era, o que o levou ao erro de nos desvalorizar ou desprezar. E isso é o pior que um adversário pode fazer. Já o contrato em si de JJ, parece-me um erro de palmatória.»

 

Carlos Silva, neste texto do JPT

Memórias de Peyroteo (8)

(cont.)

«AS PRIMEIRAS GRANDES DIFICULDADES

 

Pelo que atrás referi, vê-se que os treinos de preparação atlética atingiam as raias do esgotamento físico; eram quase violentos.

Mercê deles, porém, adquiri fôlego mais do que suficiente para suportar a hora e meia que durariam os próximos treinos de futebol em conjunto. Portanto, a “falta de pernas” não constituía um problema para mim. A prová-lo estava o facto de, nas últimas sessões individuais, o treinador ter “puxado” por mim de tal forma que, se não estivesse bem preparado, teria rebentado!

De resto, a minha excepcional resistência não só foi devida aos treinos normais das equipas do Sporting, como ainda ajudada pelos dois suplementares que fazia às quartas e sextas-feiras, exclusivamente com “Mister” Sezabo.

Nestas duas sessões individuais, a par dos costumados exercícios de preparação atlética, o treinador ensinava-me pormenores técnicos e tácticos do maior interesse e absolutamente necessários para o bom desempenho do lugar de avançado-centro, numa equipa com a incontestável categoria e valor da do Sporting, em 1937.

Muito aprendi nesses dois treinos* extra e afirmo, com toda a convicção, que eles estiveram na base dos meus rápidos e fulgurantes êxitos como futebolista. “Mister” Sezabo sabia que não bastava o fôlego, ou melhor, a resistência física para se ser bom jogador de futebol. Claro que sem isso não é possível entrar-se nos domínios da técnica de qualquer desporto. Antes de tudo, o poder atlético; depois a técnica do jogo; logo a seguir virá, então, o estudo das tácticas. Sem pernas resistentes não se pratica futebol, digam o que disserem.

“Mestre” Sezabo tentou - e parece que conseguiu, com esses treinos-extra às quartas e sextas-feiras - ensinar-me um mínimo indispensável de pormenores de jogo. Sem eles, a minha inclusão na esplêndida equipa do Sporting - mesmo só nos treinos! - redundaria em fracasso que, aliás, o treinador procurava evitar.

Os seus ensinamentos, nos dias em que só eu e ele estávamos no campo, ultrapassaram tudo quanto é habitual. O meu bom amigo chegava ao ponto de me informar das características e tendências de cada um dos jogadores que viriam a ser meus companheiros de equipa, mormente dos interiores e extremos. Ainda não satisfeito com tudo isso, após o duche e depois de vestidos, pegava numa caixinha de bonecos, colocava-os em cima de uma mesa e dava uma lição de táctica de futebol.

As vezes já tinha comprado bilhete para a “matinée” de cinema mas via-me forçado a ficar com ele na algibeira porque mestre Sezabo “fazia-se encontrado”, pegava num lápis e papel, marcava bolinhas e cruzinhas indicativas das posições dos meus companheiros e adversários em determinada jogada e… adeus cinema…

Muitas .vezes me disse:-”Sinhor Férnando, seu cinema ser este. Deixar garotas! Fazer-se, primeiro, grande jogador de “foot-ball” e ter, depois, tudas garotas dê Mundo… Cárágo, Férnando, ser um sarílio para atender tudas! Ir ver, Férnando!…

Sempre conversando no mesmo assunto, deixávamos a cabine do campo e viajávamos, de eléctrico, até à praça dos Restauradores. Entrávamos num café mas com pouca demora porque…

- “Vamos, Férnando. Ar viciado ser prejudicial para saúde; igual quê cinema…”

Vínhamos para a rua e, quase sempre, parávamos em frente da Companhia dos Telefones, no Rossio.

Aqui continuava a lição e os ensinamentos acerca da melhor forma de empregar o poder físico. Gostando de exemplificar, Mestre Sezabo dava-me, de quando em vez - em pleno Rossio! - um “pinhãozinho” que me fazia abanar como uma folha de palmeira ao vento!…

Mas acreditem que este homem fez tudo quanto humanamente se pode fazer por alguém que se estima e em quem se acredita.

Por minha parte nada mais fiz do que procurar corresponder a essa amizade e confiança.

Na véspera do dia do primeiro treino de conjunto em que tomei parte, Mestre Sezabo conversou, demoradamente, comigo.

Creio firmemente que se isso não tem acontecido, o Sporting não teria contado comigo durante tantos anos.

Eu lhes conto:

Só com “Mister” Sezabo fui treinar na véspera do primeiro treino de conjunto.

Os jogadores, individualmente, estavam em condições. Havia que reuni-los e afinar a turma.

Conhecedor das virtudes e defeitos de todos os jogodores do Clube, não quis o treinador lançar-me no meio deles sem me pôr de sobreaviso quanto ao que de pior me podia acontecer…

Eu já ouvira falar, muito vagamente, na possibilidade de vir a ser “queimado”. Contudo, essa Hipótese nunca me atormentou.

Custava-me a acreditar que “oficiais do mesmo ofício” e todos interessados na defesa de um ideal comum, tentassem complicar ou destruir as boas intenções daquele ou daqueles que se propunham trabalhar pelo engrandecimento, prestígio e honra da bandeira que os cobria! Todos nunca são muitos para defender um ideal.

Como seria possível, então, dificultar a tarefa daquele que, bem intencionado, oferecia o seu esforço a bem da “causa leonina”?

“Queimar”? Porquê e para quê? Quem beneficiaria com o meu afastamento? Talvez um jogador como eu? E o Clube, o amor pela bandeira gloriosa do Sporting não se sobreporia aos interesses de um só homem?

Parecia-me que o único caminho a seguir pelos representantes do Clube seria ajudar quem quisesse colaborar com eles em defesa do Sporting e não o de barrar caminho, por ciúme de glória pessoal, aos que tivessem valor…

Que os piores e mais velhos cedam o lugar aos mais novos, proventura em condições de virem a ser melhores.

A bem do Clube, seria até de esperar que os que ocupavam postos cimeiros ajudassem os que, possuidores de reconhecidas qualidades, pudessem vir a. superá-los. Assim se contribuiria, honesta e lealmente, para a continuidade e engrandecimento da colectividade.

A indispensável ajuda, o carinho, amparo e bom conselho, só dignificaria quem o desse. Morreria, talvez, é certo, mas morreria de pé, dignificado, glorificado e não diminuído. Sempre assim pensei e continuo a pensar.

Ora o treinador, sem que eu soubesse o motivo, disse-me:

- “Fernando amanhã ir fazer seu primeiro “treining” dê conjunto, Não perturbar com malandragem dê companheiros. Bons rapazes mas gostarem dê brincadeiras. Sinhor ser novato e ter dê suportas goza delas. Não engolir a isca. Não ligar. Sinhor Férnando ter-se força suficiente para impor-se a eles. Não zangar. Alêgria Férnando! Se sinhor zangar-se com malandragem dê passe, ficar lixado. Rirem-se. Se sinhor perder a cabeça ser um sarílío. Férnando ter-se que pagar-se patáu dê novato. Se eles fazerem malandragem para si, se ter-se quinta-coluna, não preocupar-se. Eu estar aqui para as curvas. Dar dez-per-cente e eles não piar mais. Fazer no “treining” dê conjunto o que ter ensinado para sinhor e ver tudo sair bem. Muito atenção dê jogo dê companheiros; olho vivo e Férnando impor-se para eles. Férnando necessitar dê eles mas eles precisar dê Férnando! Jogo dê conjunto Férnando! Não poder ser dê outro maneira!”

Ouvi tudo com a maior atenção, mas uma frase de “Mister” Sezabo ficou a martelar-me o cérebro:

“… e Férnando impor-se para eles. Férnando necessitar dê eles, mas eles précisar dê Férnando!”

Sem dúvida, teria de fazer tudo - custasse o que custasse - para me impor. Trabalharia nesse sentido e contava com o auxílio do meu treinador, que tal como prometeu, assim o cumpriu.

É da mais elementar justiça deixar bem claro que José Sezabo, como treinador de futebol, sabe'o que faz, o que promete e cumpre escrupulosamente a sua palavra.

 

Estádio Alvalade. Sete e quinze da manhã. Fui dos primeiros achegar à cabine. O saudoso Augusto entregou-me a equipa. Sentei-me a um canto.

Tirei o casaco e coloquei-o no cabide; depois as calças e quando ia pendurar a gravata, no mesmo cabide, alguém me disse:

- Tira lá tudo isso daí. Esse lugar é meu. Nada de misturas!…”

Sabem quem era? o brincalhão do Soeiro!

Sem responder, passei a roupa para o cabide do lado mas não tive melhor sorte porque o senhor Soeiro (eu tinha que os tratar por senhores…) me disse logo:

- “Esse lugar pertence ao Jurado!…”

Perante tais advertências, procurei outro poiso, bem longe dos lugares “reservados aos ases…”

Nisto ouvi a voz do Aníbal Paciência:

- “Vem para aqui; tens um cabide!”

Aceitei, Fui para junto do bom amigo e leal camarada.

Pouco tempo depois da cena que acabo de relatar, o cabide de que me havia servido e donde fui expulso, passou a ser o meu e jamais outro jogador se serviu dele enquanto joguei futebol.

Lembro-me de que foi o próprio Soeiro quem me convidou a ir para junto dos veteranos e me cedeu o cabide que lhe pertencia mas não sem me dizer:

- “Junta-te aos bons e bom serás… Mas juizinho, senão

levas corrida em pêlo! Dou-te o cabide porque és bom rapaz e porque sei que isso te agrada. Eu já passei pelo mesmo… A mim, tanto me faz pôr a roupa aqui como no cabide ao lado”.

A amabilidade do Soeiro sensibilizou-me e, sobretudo, senti grande alegria por ter sido admitido no grupo dos “ases” ao qual, mais tarde, alcunhei de “grupo da má-língua”.

Mas, voltemos ao tempo em que não se tratavam os veteranos por tu…

As oito menos um quarto entrámos no campo, demos quatro voltas a correr e outras tantas a passo, intercaladas, e começou o treino de conjunto.

A camisola que o Augusto me entregou era igual à do Soeiro, do Pireza, João Cruz e Mourão; portanto, eu devia fazer parte da

equipa dos '“Ases”.

As minhas pernas tremiam como varas verdes e a cara ardia como se estivesse perto dum brazeiro.

Que aconteceria? O que fariam os consagrados quando o treinador me mandasse ocupar o lugar de avançado-centro da equipa principal? Qual a reacção do Soeiro e como se comportariam os seus amigos?

Embaralhadas no cérebro, estas dúvidas atormentavam-me, mas consegui reagir ao pensar que o facto do treinador me escolher significava confiança nas minhas possibilidades e ele sabia muito bem o que estava a fazer.

Os vinte e dois jogadores foram distribuídos em dois grupos. De um lado, avançados e médios da primeira equipa com a defesa e guarda-redes da “reserva”; do outro, os avançados e médios da “reserva” com a defesa e guarda-redes da primeira equipa. Assim se estabeleceria certo equilíbrio de jogo.

Com as pernas a tremer, ocupei o posto de avançado-centro.

“Mister” Sezabo apitou e… começou o jogo.

Querem saber o que aconteceu? Apenas isto: todos os jogadores - incluindo o Soeiro! - se esforçaram por me ajudar a vencer as dificuldades com que lutava!

Jamais equecerei esta magnífica prova de lealdade e camaradagem!

Senti, nesse momento, uma tão grande satisfação que a minha vontade foi a de os abraçar e agradecer-lhes, de todo o coração, a generosidade com que me amparavam.

Ao entrar para o campo estava convencido de que ia ser vítima da má vontade dos companheiros e, por isso, joguei quanto podia e, na realidade, estava desempenhando, muito razoavelmente, o lugar de avançado-centro. Mas quando me certifiquei do leal procedimento dos meus camaradas, apoderou-se de mim uma tal excitação que passei a fazer só asneiras!

Felizmente que o mau tempo passou com o sinal para a troca de campo.

 “Mister” Sezabo, nem uma só vez interrompeu o treino para me dar qualquer indicação. Só no intervalo me disse;

- “Estar bem Fernando. Primeiro vez não poder exigir muito. Normal, Férnando, normal”.

Que nos trinta ou quarenta minutos da primeira parte teria feito muitas asneiras, não me restam dúvidas. O treinador, porém, deixou-me completamente à vontade.

As interrupções do jogo com o fim de me corrigir ou aconselhar (tal como várias vezes fez aos outros) exerceriam sobre mim uma influência mais desastrosa do que benéfica.

Na segunda parte do jogo-treino, mais calmo s confiante, adaptei-me quase perfeitamente ao conjunto. Lembro-me de que, em poucos minutos, marquei dois bons golos na baliza à guarda do grande Azevedo, aproveitando outros tantos magníficos passes de Pireza e do Heitor, que entrara para substituir o Soeiro, que estava magoado.

Quase no fim, bati novamente o Azevedo, concluindo um primoroso centro do João Cruz.

Findo o treino recebi um afectuoso abraço do Aníbal Paciência, na opinião do qual o treino havia corrido bem. Aconselhou-me a trabalhar com vontade, dizendo por fim:

-“Estou certo de que o lugar de avançado-centro vai pertencer-te”.

Estas palavras amigas, que muito apreciei, aliadas à minha opinião (marcara três golos ao Azevedo!) levaram-me a concluir que fizera um treino brilhante…

Julgava eu que o treino acabara mas, afinal, só terminou para os outros…

“Mister” Sezabo interrompeu a conversa com o Paciência:

- “Férnando ficar a campo mais um bocado. Deixar sair tudos porque ter trabaio para sinhor. Estar cansado, Férnando?”

- Não “Mister”, sinto-me bem…

Cárágo, Férnando, rapaziada dê África ter garra. Bravo, Férnando! Continuar assim e ir ver, fazer-se grande jogador..

Depois de ouvir isto, ainda mais me convenci de que havia feito um treino muito bom, mas tudo se desmoronou como um castelo feito de cartas de jogar, quando o treinador continuou:

- “Férnando ter muito que aprender. Estar mal dê desmar- cação; andar perdido a campo. Indispensável direcção dê passe e Férnando passar muitos vezes para advérsário. Sinhor não saber cortar jogada. Muito importante atirar a bola junto dê poste. Não furar bariga dê guarda-redes. “Treining” dê hoje não estar mal pelo primeiro vez. Não interromper para não perturbar dê sinhor. Vamos, sinhor, se fazia favor. Ir atirar bola para si, dê interior de pé, outro vez dê exterior. Dêpois à direita e esquerda. Fazia favor sinhor Férnando..

Estas e outras habilidades fizeram prolongar o treino até às 10,30 da manhã, ou seja, uma hora a juntar aos 90 minutos já feitos em conjunto, mas tiveram a virtude de me chamar à realidade! - a dura realidade!-quanto ao que supus ter sido um formidável treino!

Enfim, outros treinos se seguiram, piores ou melhores, mas o certo é que “Mister” Sezabo ensinou-me o bastante para nunca mais, em quase treze anos, deixar de ser o avançado-centro da primeira equipa do Sporting Clube de Portugal e da Selecção Portuguesa de Futebol.

Aqui tem o leitor uma pequena amostra do que foi o meu princípio de futebolista no Sporting… quanto a treinos, é claro…

Quanto aos primeiros jogos, lá chegaremos. Antes, porém, julgo oportuno e interessante conversarmos um pouco acerca do caso que nesse tempo apaixonou os adeptos do futebol: Soeiro e Peyroteo.

Já lá vão 19 anos! Como o tempo corre, Santo Deus!…

A seguir aos meus primeiros treinos surgiram duas correntes. Uma a meu favor - a mais pequena, claro - a outra, mais forte e numerosa, a favorável ao Soeiro.

 

Tenho à minha frente um recorte da Revista “Stadium” cujo título é:

“Peyroteo desbancará Soeiro? Há quem diga que Peyroteo o pode fazer e há quem ponha reservas”.

 

Este título encimava a primeira entrevista que concedi em Lisboa, a Lança Moreira, em Setembro de 1937, já depois de ter efectuado o meu primeiro jogo.

Transcrevo o que mais interessa agora:

- “Espera desbancar Soeiro?”

O novo elemento do Sporting surpreende-se com a pergunta… Acha-a forte… Mas responde:

- “Soeiro é um grande jogador. Aprecio imenso as suas qualidades. Entretanto farei os possíveis para agradar aos sócios do Sporting e se amanhã vier a ocupar o lugar no grupo de honra, decerto que será por determinação do treinador. Não quero desbancar ninguém. Gostava simplesmente de aprender - que tenho muito que aprender - e vir a ser um bom jogador”.

Acredite-se que nunca procurei desbancar fosse quem fosse, até mesmo porque o termo “desbancar” me desagrada completamente.

Se o Lança Moreira me houvesse perguntado por que razão eu treinava com tanta vontade, insistência e, até, em número maior de vezes do que qualquer outro jogador, decerto que não responderia: “é para ficar na bancada, a ver os outros..Mas afirmo que não desejava suplantar ou prejudicar, por orgulho ou vaidade, os meus companheiros.

Substituir ou não o Soeiro no eixo do ataque da turma do Sporting, não constituía a minha razão de jogar futebol. Jogava por gosto e, como não podia deixar de ser, treinava com afinco, intensivamente, respeitando e cumprindo todos os conselhos e ensinamentos do treinador. Se preciso fosse, executaria um milhar de vezes o mesmo exercício ou repetia um pormenor de execução com a bola. Além disto, interessava-me pelos problemas tácticos e técnicos e, ainda, estudava os defeitos e qualidades dos adversários - o que me permitiu, nalguns desafios, tirar deles bom partido.

Sei que assim é porque conheço bem o Soeiro Vasques e apreciei a vontade indomável com que ele defendia as cores do seu clube, honrava e respeitava a camisola do Sporting, até mesmo quando já o peso dos anos o atraiçoou!

Os portugueses que ele, briosamente, representou na Selecção Nacional; o público do peão que tanto vibrou com a sua valentia e coragem e até muitos sportinguistas, todos foram injustos para o Soeiro, porque merecia mais e melhor ao fim da sua brilhante carreira desportiva. Outros de menor valia, foram mais acarinhados e mais felizes. Paciência! A vida é assim!..

Todos sabemos que ninguém gosta de ser preterido em qualquer actividade, mòrmente quando a substituição vem rotulada de “superioridade”, embora, neste caso, momentânea, efémera…

Mas também é verdade que esse sentimento de revolta íntima poderá, em muito, ser atenuado pelo reconhecimento da igualdade ou, quiçá, de melhoria na defesa do ideal que professamos.

Felizmente o meu ingresso na primeira equipa do Sporting não afastou dela o Soeiro, o mesmo acontecendo na Selecção Nacional…

O Soeiro foi vencido pela idade e não “desbancado” por mim. Afirmo-o com alegria e já com saudade, recordando a sua leal camaradagem, não esquecendo, ao mesmo tempo, quanto fez para ajudar a oferecer ao seu clube - o Sporting - um novo avançado-centro, no preciso momento em que se sentia já não poder fazer mais…

E assim, de corpos e almas entregues à defesa da mesma camisola, na mesma equipa e como dois bons amigos, nem eu desbanquei o Soeiro nem ele me desbancou a mim.

O facto de me alongar em considerações a propósito do valor, da lealdade e camaradagem do “jogador em força” (ver capítulo das alcunhas) não significa menor admiração ou amizade pelo Azevedo, Mourão, Armando Ferreira e João Cruz. Todos eles, num molhinho com o Soeiro, eram umas “ Grandes prendas” - na classificação dada por “Mister”- Charles Canuto!

O Soeiro veio mais à superfície, neste mar encapelado das minhas memórias, por virtude daquele título na revista “Stadium”: Peyroteo desbancará Soeiro?

Já decorreram 19 anos! Como todos nós estamos velhos, “Cárágo”!…»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 77 - 85

Três jogadores para regressar

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Leio na imprensa desportiva que Bruno de Carvalho quer três regressos ao plantel para a próxima temporada, não admitindo sequer discussão neste tema: Domingos Duarte, Francisco Geraldes e Matheus Pereira devem voltar a Alvalade, onde o primeiro nunca teve sequer oportunidade de se estrear na equipa principal.

Faz todo o sentido.

 

Temos neste momento apenas três defesas centrais no plantel (e um deles, André Pinto, contratado ao Braga, já revelou muitas limitações de ordem técnica) quando um dos melhores a jogar nesta posição em todo o campeonato, Domingos Duarte, foi formado em Alcochete e pertence aos quadros leoninos.

Uma das posições em que estamos mais desguarnecidos é a de ponta direita, à guarda exclusiva de Gelson. Em casos de lesão ou sanção disciplinar há que adaptar sempre um jogador àquela zona do terreno. Acontece que essa é a posição natural de Matheus, que se tem evidenciado como emprestado do Sporting ao Chaves.

O caso de Geraldes nem merece discussão. Como organizador e pensador de jogo, actuando no corredor central ou na faixa direita, é um dos talentos indiscutíveis da I Liga. Emprestado ao Rio Ave, depois de ter conquistado na época anterior a Taça da Liga ao serviço do Moreirense, também emprestado. É mais que tempo de fazê-lo regressar.

 

Mas para jogarem, todos eles.

Não para serem remetidos ao banco ou relegados para a bancada, à mercê dos caprichos de um treinador que tem demonstrado muito pouco apreço pela formação leonina.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Uma Laranja amarga

Vêr a bola rolando sobre a relva num jogo da Selecção é natural, o que não é natural é vêr Rolando sobre a relva a jogar à bola pela Selecção. Mas não foi só o marselhês que esteve mal, visto que ao seu lado a Fonte secou. Acrescente-se a presença de André Gomes como trinco, de um ainda pouco rodado Adrien no centro do campo e de um(a) Cancelo(a) sempre aberto(a) às investidas holandesas e já não haveria seguradora que pudesse cobrir o risco de acidente. 

 

Portugal, ao contrário do que costuma ser a nossa atitude contra a Holanda, decidiu tentar assumir as despesas da partida, mas com as linhas muito distantes entre si acabou por facilitar o invulgarmente cínico jogo holandês, permitindo transições cirúrgicas donde resultaram três golos sofridos na primeira parte.

 

A segunda parte foi um pouco melhor, mas os golos de Ronaldo não apareceram, as trivelas de Quaresma continuaram no balneário e, para piorar a situação, do outro lado esteve um inspiradíssimo Jasper Cillessen a manter a sua baliza inviolável. Paradoxalmente, os melhores jogadores da nossa Selecção foram os que jogam em Portugal: Gelson Martins, incansável a fazer todo o corredor pós-expulsão de Cancelo, foi de longe o melhor e Bruno Fernandes tentou remar contra a maré. Nota positiva também para São Patrício que não sofreu qualquer golo  nesta dupla jornada helvética...

 

Derrota importante para recentrar os pés na terra e perceber que temos um longo trabalho pela frente. A defesa, nomeadamente a sua zona central, preocupa e muito. Volta Pepe!!! E, já agora, talvez não seja mal pensado o regresso de Éder. Embora falhe golos a 2 metros da baliza como André Silva, pelo menos tem a meia distância. E é talismâ! 

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Nulidade

Alguém sabe dizer-me por que motivo um tal Cancelo alinhou hoje como titular da selecção nacional, fornecendo brindes sucessivos à Holanda, que nos derrotou por 3-0 em Genebra, num jogo de "preparação" para o Mundial, com paupérrima exibição do onze português?

O dito cujo conseguiu destacar-se ao ter responsabilidades directas nos três golos da Holanda e cometer faltas grosseiras que o levaram a ser brindado com dois cartões amarelos - e a consequente expulsão, ficando Portugal a jogar só com dez a partir do minuto 62. E assim sofremos a maior derrota a nível de selecção desde 2014.

Espero desde já que o seleccionador Fernando Santos o deixe sem bilhete de avião para a viagem a Moscovo. Meu caro Cédric: como é óbvio, a posição é tua.

Um calendário infernal

Ninguém negará, mesmo em tempo de Páscoa: temos um calendário infernal pela frente. Aguardam-nos oito jogos difíceis, cada qual à sua maneira, para três competições diferentes.

 

O primeiro é já no próximo sábado, 31 de Março, às 20.30. Para a Liga, frente ao Braga - desafio a disputar na Pedreira Um campo sempre difícil: este ano não é excepção, tanto mais que a equipa bracarense - reforçada com o empréstimo de Jefferson e a transferência a título definitivo de Esgaio - está muito combativa. E até leva mais golos marcados.

Segue-se, a 5 de Abril, aquele que à partida parece ser o desafio mais complicado: o Atlético de Madrid-Sporting, com início previsto às 20.05 desse dia. Primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa. 

Após um intervalo curtíssimo, a 7 de Abril, joga-se o Sporting-Paços de Ferreira, novamente para a Liga. Não será nenhuma pera doce, até porque se adivinha que a nossa equipa virá desgastada de Madrid.

A 12 de Abril (quinta-feira), Alvalade recebe - seguramente com casa cheia - o Atlético de Madrid para a segunda mão da eliminatória da Liga Europa iniciada na capital espanhola. Jogo com início previsto para as 20.05.

Três dias depois, a 15 de Abril, disputa-se o Belenenses-Sporting, de novo para a Liga. Esperamos encontrar no Restelo menos dificuldades que o Benfica, incapaz de ali conseguir melhor do que um empate (1-1) à beira do fim.

A 18 de Abril, Alvalade volta a ter partida de gala: vai disputar-se o Sporting-FC Porto, desafio da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal. Partimos com desvantagem, pois na primeira mão os portistas venceram por 1-0. Mas aspiramos à presença na final do Jamor, como não podia deixar de ser.

O calendário prossegue com a partida Sporting-Boavista, na contagem decrescente para o campeonato, já então na recta final. O jogo está marcado para 22 de Abril.

Este calendário nada fácil do próximo mês futebolístico leonino conclui-se com outro embate para a Liga: o Portimonense-Sporting, previsto para 29 de Abril.

 

Um mês de alegrias?

Um mês de muito sofrimento?

Veremos o que acontece. Jogo a jogo, como é nosso timbre.

A voz do leitor

«Porque é que um presidente tão bom na gestão de matérias vitais para o nosso Clube é tão mau na gestão da comunicação interna e externa, nomeadamente na relação com os sócios? Bastava que não confundisse veemência e assertividade com grosseria e que não se preocupasse com GL, PPC, JMR, CS e outros que tais.»

 

A. Coelho, neste texto do Pedro Azevedo

Grande Artista & Goleador

Para além dos canais oficiais, felizmente há muitos sportinguistas dedicados que, nas redes sociais, na blogosfera, suprem lacunas da nossa comunicação. Por justiça, destaco o trabalho fantástico do blogue “Grande Artista & Goleador“. Através dele ficamos a conhecer não só a agenda desportiva do Sporting assim como os resultados das mais diversas modalidades, o que não acontece no site nem no jornal. Até descobrimos modalidades que muitos nem sabem que existem. É verdadeiramente serviço público sportinguista que hoje faço questão em realçar, aqui, no nosso “És a nossa fé”, e que até julgo deveria merecer a atenção do clube para aproveitar melhor esta dedicação, ao que sei pro bono. Era só isto. Bom fim de semana! 

 Blogue: 

http://grandeartistaegoleador.blogs.sapo.pt/

Twitter:

@GAG1906

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Ronaldo piramidal

Numa das cidades mundiais onde a Banca assume maior preponderância, a selecção portuguesa esteve à beira de ser alvo de um esquema em pirâmide. Não, não me refiro a qualquer escândalo financeiro, mas tão sómente à visita de uma bem estruturada equipa egípcia à cidade suiça de Zurique para jogar contra Portugal. Valeu, como quase sempre, Cristiano Ronaldo e, desta vez, a intervenção do vídeo-árbitro, duas realidades a que a selecção nacional fica muito a dever ao Sporting.

 

No pré-jogo, olhando para a constituição das equipas, verifiquei que não havia nenhum jogador actualmente a representar a equipa leonina no onze base. Em contrapartida, nos titulares estavam cinco (!) jogadores formados no Sporting. Do outro lado, o sagaz Hector Cúper (lembram-se do Maiorca?) ao comando de um time que tinha Mohamed Salah como protagonista. Dada a boa forma do egípcio, anunciava-se um duelo Ronaldo-Salah.

 

A exibição da equipa portuguesa foi globalmente muito frouxa. Fernando Santos queixou-se de que "o João e o Bernardo não fizeram movimentos interiores e não jogaram entrelinhas". Salah marcou um golo de grande classe diante de dois centrais inseguros e sem saída de bola que, se forem ao Mundial, obrigarão certamente os adeptos portugueses a um preliminar "check-up" cardíaco. Nem a FÉ do grande engenheiro - homem por quem declaro aqui a minha profunda simpatia - parecia ser suficiente face à realidade vivida no campo, onde os egípcios dominavam a meio campo com o seu futebol de toque, enquanto Portugal parecia um disco de 33 r.p.m a tocar a 45 rotações por minuto, com os jogadores a quererem fazer tudo muito depressa e sem terem as suas posições bem definidas no terreno.

 

Eis então que entraram Bruno Fernandes e Gelson. Estes, à semelhança de Cedric, João Mário ou Moutinho, só estão à espera de saír do Sporting para serem titulares absolutos da selecção, realidade a que só Rui Patrício e William parecem escapar nas últimas décadas. Bruno trouxe logo o passe longo e o remate forte e colocado com que testou Al Shenawy. Gelson imprimiu a sua velocidade estonteante de condução de bola acompanhada da sua habitual má definição do último passe (quando melhorar este aspecto valerá uma fortuna). É certo que também entraram André Gomes, Gonçalo Guedes e Ricardo Quaresma. André Gomes foi ... André Gomes. Com ele em campo os portugueses poderão não ter vontade de ir à rua após os jogos do Mundial. Gonçalo esteve abaixo daquilo que vem mostrando ao serviço do Valência, raramente usando a sua velocidade de ponta e perdendo-se em combinações sem nexo. 

 

Deixo este último parágrafo para Vos falar dos 2 jogadores que fizeram a diferença a noite passada: Quaresma e Ronaldo (who else?). O Mustang pareceu "fora dela" durante largos minutos, mas reapareceu com dois passes açucarados para Ronaldo. Cristiano foi ... Cristiano. Duas oportunidades, dois golos, vitória no jogo e triunfo individual sobre Salah, ao melhor estilo do número 1 mundial. Uma última palavra para destacar que não teríamos ganho este jogo se não fosse a intervenção do VAR (o auxiliar tinha assinalado erradamente fora-de-jogo) ou não fosse a influência do Sporting nesta selecção extensível também à verdade desportiva.


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Sempre ele

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Em dois minutos, já no tempo extra, Cristiano Ronaldo virou o resultado: passámos esta noite de 0-1 contra o Egipto para uma vitória por 2-1.

O melhor do mundo faz sempre a diferença. Bem assistido, em qualquer dos casos, por Ricardo Quaresma.

Num jogo em que a equipa das quinas só começou a dar réplica aos egípcios, neste desafio disputado em Zurique como treino para o Mundial da Rússia, quando Gelson Martins e Bruno Fernandes entraram em campo, a meio do segundo tempo.

Todos com a inequívoca marca de qualidade. Da Escola de Alvalade.

{ Blogue fundado em 2012. }

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