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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - "Pasteleiro" Dost e a nata dos goleadores

Durante 30 minutos só houve uma equipa no relvado. O Belenenses, durante esse período, limitou-se a correr atrás da bola e a grande-área leonina mais parecia um gigante Adamastor, a aconselhar a prudência recomendada pelos Velhos do Restelo. No entanto, à passagem da meia-hora, os leões começaram a confundir circulação de bola com gestão de esforço, o jogo empastelou e a equipa de Domingos levantou a cabeça e viu que a vida poderia ser mais do que a versão escravizante da mesma que o Sporting até aí lhe tinha imposto.

Valeu ao Sporting a eficácia de Bas Dost. O holandês marcaria aos "pastéis", na execução perfeita de uma grande penalidade, o golo 50 pelo Sporting, número redondo conseguido em apenas 15 meses de actividade e que perspectiva a sua futura colocação entre a nata dos goleadores leoninos.

Jesus montou um esquema de apenas dois médios interiores, preterindo Battaglia em detrimento de um segundo avançado, no caso Podence. Na tentativa de que a equipa não perdesse a batalha do meio-campo o plano de jogo do treinador leonino pareceu conter instruções a Acuña para que este jogásse mais interiormente do que é costume, constituindo-se muitas vezes como o terceiro homem do miolo.

JJ acertou desta vez nas substituições, desde logo quando mandou entrar Battaglia (retirando Podence), aos 60 minutos, alteração que lhe permitiu retomar o controlo do meio campo e que conduziu William a uns últimos 30 minutos vibrantes em que impulsionou o Sporting para a frente.

Quem é fã dos Monty Phyton sabe que a vida de Bryan decorre paralelamente à de Jesus e que ambos têm Belém como indelével ponto de partida. Vem isto a propósito da estreia oficial em Alvalade, esta época, contra o Belenenses, do costa-riquenho Ruiz, em jogo que marcou o regresso da equipa de JJ à liderança do campeonato da 1ªLiga. Assim, Jesus não foi insensato, não deixou o jogador mirrar e, agora, fica à espera que ele o cubra de ouro.

Entre os destaques, sobressaíu Coates: o Ministro da Defesa, para além de ter bloqueado todas as tentativas de invasão do espaço defensivo leonino pelas forças de Domingos, ainda encontrou tempo e vigor para duas arrancadas até à trincheira azul, uma em cada parte, semeando o pânico no último reduto belenense. O uruguaio foi muito bem coadjuvado pelo seu Secretário de Estado, o gaulês Mathieu, complemento ideal na dissuasão da ofensiva adversária.

Também em relevo esteve Bruno Fernandes. Perdulário, falhou golos e passes diversos, mas fica ligado aos melhores e mais esclarecidos apontamentos do jogo do Sporting, nomeadamente o passe a isolar Podence na direita, em lance que acabaria por nos dar o "penalty", a finta, o levantar de cabeça e o passe a encontrar Acuña para uma oportunidade ingloriamente desperdiçada pelo argentino e, finalmente, a forma inteligente como chamou a si 3 adversários e ofereceu o golo em bandeja de prata a Bryan Ruiz.

Em resumo, jogo sofrido, mas com a compensação de, dado o empate verificado entre Porto e Benfica, termos agarrado os dragões na liderança do campeonato (para além de que o Benfica agora está mais longe). 

 

Os nossos jogadores, um a um:

 

Rui Patrício - As grandas querelas da humanidade têm usualmente Observadores no campo, a avaliar os danos causados por esses conflitos. Consta que o "marrazes" apresentará no seu relatório significativos desperdícios de munição, tal a má pontaria evidenciada pelas tropas leoninas perante o último reduto belenense. Do seu posto de observação (P.O.) limitou-se a apreciar as movimentações no terreno, pois as ofensivas da equipa de Belém jamais o incomodaram.

Nota: Sol

 

Piccini - É o "simplex" da equipa leonina. Aparenta uma enorme facilidade em qualquer movimento defensivo, seja fechar o espaço no meio quando tal é requerido, caír em cima do adversário junto à linha ou saír com a bola dominada da zona de pressão. Sempre sem complicar. Adicionalmente, mostrou instinto atacante, indo até à última linha de defesa adversária para executar cruzamentos ou assistindo primorosamente Bruno Fernandes pela meia direita, em lance que seria perdido nos pés de Acuña.

Nota: Sol

 

Coates - O Ministro da Defesa, em conjugação com o seu Secretário de Estado (Mathieu) e apoiado no General William, deu todos os meios às forças no terreno para que a refrega tivésse um saldo positivo para as nossas hostes, começando pela defesa intransigente dos 16,5 metros (grande-área) que constituíram a nossa inviolável última linha de defesa. Não contente com isso, ele próprio se juntou às tropas, devolvendo "granadas" adversárias com recurso a uma bicicleta e, por duas vezes, atacando mesmo as trincheiras inimigas, as quais, inibidas pelo factor surpresa, quase sucumbiam perante a sua acção. 

Nota: Si

 

Mathieu - A sua parceria com Coates faz pensar que actuam juntos há muitos anos, tal o grau de identificação que os une. No seu estilo em "souplesse", para o francês parece não haver tarefas impossíveis, mesmo que envolvam engolir 3 pastéis provenientes de Belém de enfiada, sem precisar de meter água na sua digestão. Um defesa central que é um centro cultural da arte de bem defender.

Nota:

 

Fábio Coentrão - Destacou-se por algumas arrancadas na primeira meia-hora, a lembrar o jogador que já foi noutros tempos. Cumpriu os 90 minutos e esteve menos tempo do que é costume deitado no chão, sinal de que se aproxima da sua melhor forma ou de que começa a mostrar compaixão pelo coração dos adeptos.

Nota: Sol

 

William Carvalho - Com as costas protegidas pelo intratável Battaglia, arrancou para o seu melhor período de jogo, os últimos 30 minutos. Aí, avançou em sucessivas cavalgadas pelo miolo do terreno, acções que deixaram em estado de alerta as defesas do sub-aquartelamento lampiânico, sitas ali para os lados do Restelo. Teve nos pés a rendição do exército oponente, mas falhou o remate final. Durante o resto do tempo especializou-se num novo tipo de passe: o Passe Social, simples, económico, mas que não abrange todo o território (a linha lateral, infelizmente, sim).

Nota:

 

Bruno Fernandes - Destacou-se pela forma como rompeu perante as linhas oponentes, solicitando colegas nos flancos a fim de melhor as contornar ou avançando em penetração até ao último reduto adversário. Esteve na origem de inúmeras oportunidades de golo e o que melhor se pode dizer dele é que, mesmo quando não especialmente inspirado, mostra sempre aquele toque distintivo de classe que o torna no maestro da organização ofensiva sportinguista.

Nota:

 

Gelson Martins - O seu jogo assemelha-se cada vez mais ao Bolero de Ravel, excepto na parte que Fernando Gomes, o "bi-bota", definia sentir aquando da obtenção de um golo (marca poucos para o futebol que tem no corpo). É uma música repetitiva, uma sucessão de partituras que regressa sempre a um ponto-de-partida, composta por uma batida forte e persistente que transforma o palco de Alvalade numa "rave" e que, se por um lado nos desperta os sentidos, por outro nos deixa à beira da insanidade.

Nota: Sol

 

Acuña - O argentino tem aquele estilo de nunca virar a cara à luta e de deixar o corpo no relvado. Ontem, apesar de as coisas não lhe terem corrido de feição, manteve-se fiél a esse padrão comportamental, embora tenha aparentado  incomodidade (compreensivelmente) perante os (injustos) assobios provenientes da bancada.

Nota:

 

Podence - Parafraseando o poeta Régio, Podence é "o átomo a mais que se animou", o ião que electriza as bancadas de Alvalade. Enquanto teve energia deixou a "cabeça à roda" à defensiva azul, nomeadamente - momento importante do jogo - no lance em que sofreu um "chega para lá" e que motivou a equipa de arbitragem a assinalar "penalty" a nosso favor. 

Nota: Sol

 

Bas Dost - A um ponta-de-lança exigem-se golos e o holandês não destuou, aliás "dostou", como de costume. No resto do tempo notabilizou-se pela renovada e vã tentativa de assistir companheiros em (suposta) melhor posição. Assim seria quando um defensor de Belém tentou clonar a mítica assistência de Secretário para Acosta e o deixou na cara do golo. Mas, em vez de rematar à entrada da área, preferiu contemporizar e assistir William.

Nota: Sol

 

Battaglia - Não se viu muito no campo, sinal de que imediatamente impôs respeito nos adversários, os quais preferiram percorrer caminhos bem distantes daqueles calcorreados pelo médio argentino. Ainda assim, quando testado, notabilizou-se nos desarmes. A sua entrada permitiu essencialmente extraír o melhor de William e isso, seguramente, foi positivo para a equipa.

Nota:

 

Bryan Ruiz - A classe, o virtuosismo, a elegância em movimento, qualidades bem visíveis quando perante a saída do guarda-redes belenense efectuou um chapéu brilhante, o qual acabaria por ser desviado na linha de golo por um defensor azul. Não deu golo, mas o perfume do seu futebol ficou bem patente nesse lance, bem como a sua incapacidade goleadora, "pormaior" que o vem mantendo afastado do estrelato à escala planetária.

Nota:

 

Bruno César - Apenas o tempo suficiente em campo para merecer o duche final.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates (melhor em campo)

 

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Os nossos jogadores, um a um

Conseguimos o mais importante: os três pontos. Contra uma equipa com manifestas insuficiências, o Sporting foi no entanto demasiado perdulário. Adiantou-se cedo no marcador, com um penálti convertido aos 13' por Bas Dost, mas revelou-se incapaz de ampliar a vantagem durante o resto da partida, fazendo aumentar o nervosismo e a irritação entre os 46 mil adeptos leoninos que se deslocaram nesta noite fria a Alvalade para acompanhar a partida frente ao Belenenses.

Fizemos bem melhor do que na época passada, quando a equipa de Belém nos derrotou por 3-1 no nosso estádio. Mas o público leonino está bastante mais exigente este ano: não se contenta com os pontos, reivindica também bom espectáculo. E desta vez não houve nota artística.

Vários jogadores estiveram aquém do que se esperava. Acuña, desde logo. Mas também Piccini, Coentrão, William, Bruno Fernandes - e o próprio Bas Dost, apesar da conversão da grande penalidade. Alguns deram a sensação, sobretudo no segundo tempo, de que já estavam com a cabeça em Barcelona, onde o Sporting tentará na terça-feira prosseguir para os oitavos da Liga dos Campeões.

O melhor, para mim, jogou atrás. Foi Coates, irrepreensível a defender e com capacidade de lançar a equipa para a frente. Ele, sem dúvida, queria ter vencido por margem mais dilatada. Ele, sem dúvida, fez tudo para valorizar o espectáculo.

 

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RUI PATRÍCIO (6). Noite relativamente tranquila do nosso guarda-redes, que pareceu sempre atento e concentrado, impondo a sua autoridade natural.

PICCINI (5). Continua a revelar alguma bicefalia: muito eficaz na missão defensiva, pouco ousado nas incursões ofensivas. Precisa de se soltar mais.

COATES (7).  Exibição irrepreensível do internacional uruguaio, um dos raros jogadores que nunca se acomodaram à vantagem inicial. Soube empurrar a equipa para a frente em bons lances individuais. O melhor em campo.

MATHIEU (7). Seguro, pendular, bem posicionado, com visão de jogo. Eficaz no jogo aéreo. Combina bem com Coates como se jogassem juntos há anos.

FÁBIO COENTRÃO (5). Mais contido do que se esperava frente a um adversário que quase não atacou no primeiro tempo, esteve preso de movimentos. Prejudicado pela má forma de Acuña.

WILLIAM CARVALHO (5). Ressentiu-se da ausência de Battaglia no onze titular, parecendo demasiado só em diversas fases do jogo numa área nevrálgica do terreno. Faltou-lhe o passe longo e pecou por falta de velocidade.

BRUNO FERNANDES (5). Exibição demasiado oscilante. Falhou demasiados passes e desperdiçou três ocasiões de golo. O melhor que fez foi dois bons cruzamentos pela direita, desperdiçados pelos colegas na grande área.

GELSON MARTINS (6). Tentou muito, mas nem sempre bem. Mal acompanhado nos lances em que acelerava rumo à baliza contrária, teve o mérito de se integrar na manobra defensiva quando a equipa recuava no terreno.

ACUÑA (4). Nem parece ser o mesmo jogador combativo e provocador de desequilíbrios a que nos habituou durante os primeiros meses em Alvalade. Arrastou-se em campo, denotando má condição física. Saiu aos 70', tarde de mais.

PODENCE (6). Mostrou merecer este regresso à titularidade. Muito influente na primeira parte, com dois cruzamentos primorosos. Carregado em falta na grande área, conseguiu um penálti. Apagou-se após o intervalo, saindo aos 61'.

BAS DOST (6). Melhor momento aos 13', quando converteu o penálti: o seu 50.º golo pelo Sporting. Trabalhou para a equipa. Mas desperdiçou bons cruzamentos medindo mal o espaço ou o tempo de intervenção. Podia ter feito mais.

BATTAGLIA (6). Entrou aos 61', substituindo Podence, quando já se escutavam muitos assobios em Alvalade. Sem brilhantismos, conseguiu tornar mais compacto o nosso meio-campo, sacudindo algum marasmo da equipa.

BRYAN RUIZ (4).  Em campo desde os 70', mostrou-se pouco dinâmico, sem criatividade nem rasgos individuais. Podia ter marcado, com um chapéu ao guarda-redes, aos 85', mas a bola foi travada in extremis por um adversário.

BRUNO CÉSAR (-).  Percebe-se mal que só tenha entrado no último minuto do tempo regulamentar. Não teve tempo de revelar a sua habitual utilidade à equipa.

Olheiro de Bancada - XIII

Eu sei que este fim de tarde e início de noite esteve muito frio. Todavia quando aos 12 minutos Bas Dost fez aquilo que sabe fazer melhor, sempre pensei que íamos ter uma noite de muito calor de golos. Puro engano!

A equipa arrefeceu como a noite e reconheço que cheguei a ter os pés gelados, tal a pouca exuberância dos nossos atletas. É verdade que um golo chegou, mas podiam ter-se esforçado mais um bocadinho pois o Belenenses nunca foi uma equipa perigosa.

Posto este intróito digam lá de vossa justiça quem foi o melhor em campo do Sporting.

Cheira-me que desta vez não vai haver unanimidade.

Sporting 1 - Belenenses 0

Estádio muito cheio, claro, um dérbi, contra o 4º grande (ó Salvador, atenta bem nisto). Fui com o Miguel, meu afilhado, pastel. Aliás, ele e o cunhado dele, lagarto, levaram-me. É o 1º de Dezembro, cantou-se o hino, foi bonito e esteve bem. A sportinguista sentada exactamente à minha frente, acompanhada do seu pequenote e de uma amiga, é uma jovem senhora lindíssima, casaco branco cintado que lhe fica mais-que-bem, loura acobreada intensa - sim, intimidades que a vizinhança de bancada permite comprovar - que refulge. Raisparta, tivesse eu menos 20 anos (faria nada, claro, mas fica bem dizer isto) ... O Sporting é solidário e os nomes dos jogadores nas camisolas hoje estão em braille. O defesa do Beleneses quis ler o nome do Podence e foi penalti. Golo! Levanto-me e sento-me. Cabeceio na primeira parte - está visto, não devia ter bebido tantas imperiais com a entremeada debaixo do viaduto da segunda circular.  Ai que saudades, ai, ai, do nougat ao intervalo. E da queijadinha de Sintra. O meu querido pastel está há horas a chatear-me com o 1-3 do ano passado, que veio ver. E agora diz-me que os três golos (deles) foram "naquela baliza", a nossa da segunda parte. Joga-se. O casaco branco tão bem cintado agita-se, o cabelo ainda mais refulge. Os jogadores do Belenenses são rapazes jeitosos, esforçados, vindos do Atlético e do Oriental ("e do Olivais e Moscavide", completo), mas não jogam nada, já resmunga o referido pastel, ali ao meu lado. Cabeceio mais, acho que passo pelas brasas, estremunho-me com os assobios aos nossos, regresso ao sono, acho que um dos brunos (o carvalho?) falhou um golo, o brian também, que esse vi, mas mal, já por causa das ramelas. Saímos depressa, eles para um jantar, eu para o metro, para não ver o Porto-Benfica, antes do "até amanhã" o Miguel pede-me desculpa de me ter convidado para um jogo destes, eu respondo que o Sporting merecia ter empatado e que eles mereceram a derrota. Agora é ganhar ao Barça e ninguém nos segura até Kiev. Pois há quanto tempo não temos sorte? Daquela verdadeira sorte? Este Ano É Que É.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Dos três pontos hoje conquistados em Alvalade. Vencemos o Belenenses por 1-0. Bastante melhor o resultado do que a exibição global da nossa equipa, que chegou a exasperar o público, sobretudo na medíocre segunda parte.

 

Dos nossos primeiros 30 minutos. Neste período a equipa engrenou bem, dominou, criou oportunidades, revelou dinâmica, conseguiu o golo solitário. Pena não ter prolongado o esforço: no resto do tempo foi uma sombra de si própria.

 

Do décimo golo de Bas Dost nesta Liga. Chamado a converter uma grande penalidade, logo aos 13', o holandês não vacilou. Foi irrepreensível nesta marcação.

 

De Coates. Para mim, o melhor em campo nesta noite. Impecável a defender, formando uma sólida parceria com Mathieu, teve o mérito suplementar de procurar empurrar a equipa para a frente sempre que possível. Foi assim num lance individual ao cair do primeiro tempo, foi assim também na segunda parte, quando os assobios já ecoavam no estádio: o internacional uruguaio mostrou ser o mais inconformado. Grande corte aos 11'.

 

De Mathieu. Uma vez mais, segurança e solidez. A ele e ao colega do eixo da defesa devemos a nossa estabilidade defensiva - e também o facto de o Belenenses raras vezes se ter aproximado da nossa baliza com verdadeiro perigo. Mérito suplementar: coloca sempre a bola à sua frente com critério e pontaria.

 

De Gelson Martins. Nem sempre as coisas lhe saíram bem. Mas nunca deixou de tentar, com louvável espírito de equipa e entrega ao jogo. Sem nunca descurar as missões defensivas. Nota positiva.

 

De Podence. Primeira meia hora de grande dinamismo, conseguindo desequilíbrios constantes na nossa linha avançada. Fez dois cruzamentos primorosos, desperdiçados por Bas Dost aos 2' e aos 7'. E foi ele a conseguir a grande penalidade que, convertida pelo holandês, nos valeu três pontos.

 

Da arbitragem de Nuno Almeida. Os jogadores facilitaram, é certo. Mas o árbitro acompanhou sempre bem as jogadas, deixou jogar, usou critério uniforme e revelou boa forma física. Oxalá fosse sempre assim.

 

De ver o estádio quase cheio. Apesar da noite fria, apesar do fim de semana prolongado, apesar da tentação de um serão caseiro com boa programação televisiva, Alvalade recebeu 46.881 espectadores.

 

De entoar o hino nacional. Em dia de feriado nacional, comemorativo da independência portuguesa, saúde-se a decisão da direcção leonina de pôr as bancadas a cantar A Portuguesa. Nada mais adequado, na casa de um clube com genuína implantação nacional.

 

Da homenagem aos paraolímpicos. Merecido aplauso, ao intervalo, aos nossos atletas portadores de deficiência que nos dão um excelente exemplo de tenacidade, desportivismo e amor à vida.

 

De termos alcançado o FC Porto no topo da classificação. O mais importante é isto.

 

 

 

Não gostei

 

 

Da nossa incapacidade de marcar um golo de bola corrida. Sem o penálti convertido por Bas Dost, teríamos sido incapazes de conseguir os três pontos em Alvalade.

 

Dos falhanços. Incrível sequência de golos falhados - imperdoável numa equipa com aspirações ao título. Uma série iniciada logo aos 2' por Bas Dost, prosseguida aos 7' pelo holandês, que voltaria a falhar aos 87'. Acunha teve uma perdida escandalosa aos 23'. Mas o mais perdulário foi Bruno Fernandes, que falhou golos quase cantados em três ocasiões, aos 58', aos 62' e aos 65'.

 

De Acuña. Desde que veio da lesão o argentino tem-se revelado muito abaixo daquilo a que nos habituara. Enquanto esteve em campo pareceu que jogávamos só com dez.

 

De Bryan Ruiz. Muito aplaudido pelas bancadas neste seu regresso a Alvalade seis meses depois, o costarriquenho não correspondeu às expectativas. Apático, sem mobilidade quando a equipa exigia um suplemento de vitalidade, voltou a revelar a sua pior faceta ao desperdiçar uma das melhores oportunidades de golo em toda a partida, ao minuto 85. Um filme já nosso conhecido.

 

Da entrada tardia de Bruno César. Jorge Jesus esperou pelo minuto 90 para trocar o infeliz Bruno Fernandes por Bruno César. O brasileiro, que só esteve quatro minutos em campo, podia ter sido útil se tivesse mais oportunidades de experimentar o seu já célebre pontapé de meia-distância.

 

Dos assobios. Monumentais vaias - que chegaram a ser quase ensurdecedoras - sublinharam o desempenho de vários jogadores, com o "tribunal de Alvalade" claramente insatisfeito com a prestação da equipa na etapa complementar. Compreendo a irritação, mas não havia necessidade. E alguns dos mais assobiados, como Piccini e William Carvalho, não mereciam isto.

Contra nhagas, cartilhas e melancias

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Na véspera de um clássico, e de um dérbi lisboeta, nada melhor que reunirmos o nosso plantel para uma jornada gastronómico-desportiva no poiso do costume: o café Império, reduto leonino no coração da capital.

Um jantar com 16 comensais, abrilhantado por um caloiro e um convidado especial.

 

O caloiro foi o nosso Pedro Azevedo, o mais recente reforço do És a Nossa Fé, com prosas já distinguidas no ranking do Sapo. Foi dos últimos a chegar mas integrou-se como se nos conhecesse desde sempre. Tal é o ambiente de sã camaradagem e confraternização que reina nas nossas hostes.

O convidado foi o Pedro Figueiredo, editor-executivo do jornal Sporting, jornalista com longa e prestigiada carreira. Também ele rapidamente se integrou neste nosso grupo que faz do convívio um lema, da amizade um posto e do sportinguismo uma bandeira desfraldada com dedicação, devoção e gosto.

O encarnado foi tom ausente do repasto, excepto nos pratos daqueles que optaram pelos bifes muito mal passados, o que levou alguém, com humor duvidoso, a apelidá-los de "bifes à Benfica". O tom dominante, além do verde esperança, acabou por ser o dourado das batatas fritas e das cervejolas que ajudaram a molhar a palavra.

 

Fizeram-se vaticínios para os desafios de logo, claro. Com clara predominância para um triunfo claro do Sporting sobre o Benfica C que só por acaso equipa de azul. E para um tropeção de ambos os contendores no embate que se desenrola mais a norte.

Posámos confiantes para a foto, como bem se nota. E erguemos os copos em brinde unânime: para que o Sporting se sagre campeão. Contra os rivais, os nhagas, os padres, as cartilhas, as melancias, o terrorismo verbal dos berras e porventuras.

Com espírito inquebrantável e garra leonina: o mundo sabe que pelo nosso amor somos doentes.

 

Zé Pedro, Homem do Leme

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(É um postal escrito para o És a Nossa Fé, blog sportinguista, percebendo que alguns o podem entender desajustado).

 

Ontem ao meio da tarde vou ao café de sempre, aqui no bairro. Dois amigos, daqueles daquele antes, logo me chamam à mesa. O Paulo Morisson, que no início dos 80s andou anos com os Xutos por todo o país, diz-me que têm uma má notícia, e logo ma dá, isto de que "o Zé Pedro morreu". Surpreendo-me, que no último ano tenho estado encerrado em mim, lá num algures longe, e estive agora um mês e meio em Moçambique, voltei a semana passada, não soube sequer do espectáculo do Coliseu (ao qual teria ido, de certeza). Abato, ali na mesa do café. Não só como quando morrem os meus parcos ícones, o Lou Reed e talvez mais nenhum, a deixarem-me (ainda mais) sozinho. Mas porque agora tem sido uma revoada de mortos próximos, gente querida, conhecida, amigos, e há tão pouco ainda o João, meu irmão de pai e mãe diferentes, que não há maneira de parar de o chorar, (es)corram ou não os uísques. E também porque o Zé Pedro se ícone era próximo, aqui dos Olivais (ainda que do Norte), do Bairro Alto dos 1980s. Assim ele não divino mas herói, semi-divino, pois meio-homem, encontrável. E, mais do que tudo, terráqueo porque Zé Pedro é Xutos, aquele intangível afinal tangível que ecoou o "esse frio surdo / ... que te envolve ...", que ouviu "berras às bestas / que te envolvem" e soube que "todas as tuas explosões / redundam em silêncio" avisando que "a vida é sempre a perder", porque "nunca dei um passo que fosse o correcto / nunca fiz nada que batesse certo". Estou agora, já velho, a cumprir um texto, um meneio serôdio, nele meti um capítulo - que me dizem para cortar, que desajustado, mas não posso, que perderei todo o sentido - de propósito para me narrar/justificar numa almadia atascada no Zambeze, entre crocodilos, a trautear "e mais que uma onda, mais que uma maré / tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé / mas, vogando à vontade, rompendo a saudade / vai quem já nada teme, vai o homem do leme", o mais que se foda! que já me assomou na vida, e muitos, tantos, já foram. Por tudo isso, abato, frágil, velho, ali na mesa do café, este mesmo de onde o Driol partiu há semanas, e exactamente do mesmo, e a isto já o disse. O Paulo, e é natural que o faça, comovido que está, arranca com umas memórias do início do on the road dos Xutos. O Chico recebe notas no telemóvel, a notícia já é pública. Eu ouço um pouco e depois saio, até casa. A lembrar que puto de liceu vi Xutos com os Minas e Armadilhas. E também, um pouco, pois já nem sei bem com que amiga estava, o 1º de Agosto no Rock Rendez-Vous, mas também é certo que me lembro muito pouco de tudo o que passei no RRV, por razões que são mais que óbvias, mas ainda tenho, um pouco ainda, a memória do sentir "É amanhã dia um de Agosto / E tudo em mim, é um fogo posto / Sacola às costas, cantante na mão / Enterro os pés no calor do chão / E há tanto sol pelo caminho / Que sendo um, não me sinto sózinho". E tantos outros concertos, em Lisboa ou pelo país, até mesmo quando amigos me quiseram, mesmo sendo o puto que eu era, "road manager" - sem imaginarmos então que eu viria mesmo a ser, anos depois, um road manager em versão "mordomo" -, a apanhá-los num qualquer entroncamento ribatejano. E mais tarde, bem mais tarde, em Maputo, eu num abismo laboral, devido aos dementes lisboetas, mas feliz, feliz, pois no meio do desarranjo haviam enviado os Xutos - e no fim do espectáculo na Feira Popular, eu e o peculiar e vistoso Hernâni na primeira fila em X, como então se fazia, entro no camarim e o Kalu "estes gajos não gostam de rock?!", que o silêncio e a apatia haviam sido gerais, e eu a mentir, a dizer que ali era assim, mas claro que tudo era incompreensível para aquele público e o ZP no sorriso "vi-te na primeira fila", e eu claro que sim, pois seríamos apenas meia dúzia entre milhares a verdadeiramente ser "Xutos", naquele rock n'roll. Conheceramo-nos, mesmo, antes, ali numa massada de peixe no Mercado do Peixe, a Isabel Ramos ofertara o peixe, eu as bebidas, o Vitorino cozinhara, a delegação musical, enorme, e os convidados comeram. E acabáramos numa festa em casa da Nice, a Princesa de Pemba, porventura a mulher mais bela que eu conheci, que o Andrea andava pelas Etiópias, feita de propósito para os visitantes. E eu, só ali, abancados a conversar, a perceber que o sorriso do Zé Pedro não era matreiro, era mesmo sorriso. E saltei, para há dois anos, no Sol da Caparica, eu e a minha Carolina, princesa da minha vida, aos 13 anos, juntos aos 30 000 em X e ela, desiludida (repito, aos 13!), "pai, eles não tocaram a Maria", já ela, também, percebi, vinda do Maputo-Bruxelas, X.

 

Um postal destes num blog sportinguista, sobre clubes (e futebol)? Porque o Zé Pedro era do Benfica. Como o Kalu (seu companheiro, amigo, mano, camarada), diz, era do Porto, ele fez-se do Benfica, para o picar. Há muitos anos escrevi uma coisa sobre isso. Porque, de facto, os clubes são para isto, o clubismo é para isto. Só para isto, para nos picarmos fazendo-nos manos. E é por isso, até por isto, até por este só isto, mero futebol, que o Zé Pedro é o Homem do Leme. E mal vai quem não o percebe. E não o sente. Ao X.

 

 

João Rocha. Voltaremos a ser muitos, estou certa

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Estreei-me esta semana no Pavilhão João Rocha, no Sporting 39 - Avanca 28, em andebol. 

Senti-me em casa, gostei do recinto, pretendo voltar. Éramos duas centenas de pessoas, e podemos ser mais. Seremos mais, tenho essa convicção. O que me leva à questão das assistências de que tanto se tem falado. Também eu tenho a minha opinião. 

Ainda tenho presente a Nave de Alvalade, e o ambiente em volta do estádio em dias de jogo de futebol. A vida por ali não era só perto da hora do jogo, ou apenas de passeio. Passava-se pela Nave, fazia parte. Havia os assíduos, e havia quem lá passasse. Mas fazia parte. Havia vida em redor do estádio por muitas horas. 

De 2003 ou 4, quando a Nave foi encerrada, a 2017 são pelo menos 13 anos. 13 anos é uma geração que se salta. Uma geração que não viu este movimento em volta do estádio, que sabia que o Sporting tinha modalidades, mas a menos que se deslocasse não as poderia acompanhar. E quando digo geração, não me refiro a todas as pessoas de uma idade concreta, saltámos uma vida de muita gente, mas saltámos acima de tudo o hábito de ir a um pavilhão do Sporting.

Junto a este facto os que sabiam, acompanhavam, mas perderam o lado prático de todo o clube funcionar no mesmo espaço. Dir-me-ão que quem é do Sporting não se importa com distâncias, e eu acho isso bonito, romântico até, mas no dia a dia não é prático e a verdade é que foi uma minoria que o pôde ou quis fazer nestes últimos anos. Há sempre quem saiba resultados, conheça as equipas, sei bem que nunca abandonámos as modalidades. Mas faltava-nos o pavilhão, faltava-nos ver de perto, e em casa, os nossos. 

Finalmente uma direcção cumpre a promessa de erguer um pavilhão, mas não temos calma, reclamamos que está vazio. Sinceramente, para já não acho preocupante a pouca adesão num primeiro ano de pavilhão. Não há culpados, nem desculpas, foi como foi. Mas o facto é que há um intervalo temporal que mina os hábitos, que faz cair a curiosidade do que se passa com cada equipa, que nos fez afastar do pavilhão.

As pessoas perderam o costume, e tal como se perdem, os hábitos voltam a ganhar-se. Seja porque dá jeito passar num jogo antes do futebol, ou porque "hoje até me dá jeito lá passar quando sair", porque os amigos vão e aproveitamos a companhia, uns mais para o hóquei (o meu caso), outros mais do futsal, do volley ou andebol, ou simplesmente porque é o Sporting Clube de Portugal e isso basta, tenho a certeza que todos havemos de frequentar o Pavilhão João Rocha.

A voz do leitor

«O Sporting não tem relações privilegiadas com nenhum clube. Veja a história dos 36 campeonatos do Benfica: está lá um "dado" pelo Sporting, ao empatar com o Belenenses. Desde a fundação o Sporting honrou sempre a verdade desportiva. É isso que nos torna diferentes.»

 

Leão de Queluz, neste postal

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