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És a nossa Fé!

Quente & frio

Gostei muito das exibições de Coates e Rui Patrício em Barcelona. O internacional uruguaio - o melhor jogador leonino no Camp Nou - esteve próximo da perfeição, defendendo tudo quanto havia para defender no espaço que lhe estava confiado no eixo da defesa e ainda teve oportunidade de impulsionar os seus colegas com precisão de passe dianteiro e boas arrancadas individuais, revelando inegável domínio técnico da bola. O nosso guarda-redes, sem culpa nos golos, fez duas excelentes defesas: a primeira (24') saindo com êxito para travar Luis Suárez, a segunda (82') impedindo Messi de marcar. O Sporting, com esta derrota por 0-2, transita para a Liga Europa. Mas Coates e Patrício mereciam rumar aos oitavos da Liga dos Campeões.

 

Gostei do nulo ao intervalo, reflexo da boa organização defensiva leonina durante todo o primeiro tempo. E que tivéssemos aguentado o empate até aos 59', o que até levou o técnico do Barça, Ernesto Valverde, a fazer entrar Lionel Messi, ausente do onze inicial. Também gostei de algumas exibições individuais, além das já mencionadas. Sobretudo as de Piccini, muito competente na manobra defensiva, e Gelson Martins, que só actuou na segunda parte mas foi crucial para acelerar o ritmo e a acutilância ofensiva da equipa.

 

Gostei pouco das mexidas de Jorge Jesus no nosso onze nuclear. Se a colocação de Acuña na lateral esquerda, habitualmente confiada a Fábio Coentrão, até se compreende pelo facto de o médio-ala argentino estar habituado a essa posição na selecção do seu país, já a troca de Gelson por Ristovski deixou-me perplexo. E a inclusão do inútil Alan Ruiz como elemento mais avançado, enquanto Bas Dost ficou no banco durante todo o primeiro tempo, foi para mim incompreensível. O argentino revelou-se aquilo que já seria de esperar: uma nulidade. Sem surpresa, acabou por ir tomar duche ao intervalo.

 

Não gostei do início titubeante do Sporting, incapaz de cruzar a linha do meio-campo e acusando excesso de temor reverencial perante a equipa anfitriã nos primeiros 20 minutos, em parte devido à falta de rotinas do onze que Jesus colocou em jogo. Também não gostei do já habitual golo sofrido mesmo ao cair do pano - desta vez um autogolo, provocado já no tempo extra por Mathieu, que joga em Alvalade oriundo do Barcelona e parece ter acusado excesso de pressão psicológica neste regresso esporádico ao Camp Nou.

 

Não gostei nada da falta de capacidade concretizadora do Sporting. Fomos incapazes de marcar de uma forma ou de outra - nem com incursões na área nem com remates de meia-distância. Bruno Fernandes, que é bom nisso, limitou-se a dois tiros frouxos que mais pareceram passes ao guarda-redes, aos 16' e aos 36'. Bruno César, que tem a alcunha de "Chuta-Chuta", desta vez esqueceu-se de chutar. Alan Ruiz não existiu em campo, o que não surpreendeu ninguém. Mas quem mais me irritou foi Bas Dost: teve duas oportunidades soberanas de marcar, desperdiçando ambas. Na primeira (62'), servido por um centro milimétrico de Bruno Fernandes, tinha toda a baliza à sua mercê e acabou por atirar à figura do guardião. Na segunda (83'), após um grande cruzamento de Fábio Coentrão, fez voar a bola acima da barra. A história do jogo teria sido muito diferente sem estes exasperantes falhanços do ponta-de-lança holandês. 

Ver-se-ão gregos.

juventus-logo.jpg

"Ver-se grego" é daquelas expressões que se conhecem, usam, percebem. Mas qual a sua origem? Procurei e foi no Ciberdúvidas que encontrei a melhor, mais atractiva, das propostas explicativas: 

 

"De Vasco Botelho de Amaral em Mistérios e Maravilhas da Língua Portuguesa (Livraria Simões Lopes, Porto, 1950):

"O grego foi sempre tomado na romanidade como coisa difícil. Na Idade Média era até frequentíssimo este dito, muito usado pelos que faziam transcrições ou traduções: "Graecum est, non legitur" – "É grego, não se entende". Ainda hoje se diz – "isto para mim é grego", ou seja, "não percebo nada disto". 

ver-se grego não deve provir de se tornar grego no sentido de se ver como natural ou habitante da Grécia. No entanto, o mistério em que sempre se tem envolvido o que é grego, por menos acessível ao comum das gentes, decerto influiu no facto de a palavra grego se haver aplicado aos ciganos, cuja origem tanto mistério encobre, mas que se julgaram oriundos do antigo império grego. Escrevi, por isso, no Glossário Crítico de Dificuldades que ver-se grego deve relacionar-se com os ciganos: "Supostos estes oriundos do antigo império grego, aos ciganos se chamou gregos. A sua vida cheia de dificuldades, perigos, aventuras, perseguições, deu lugar a que se veja grego quem sofra percalços ou se veja neles. Por um lado, a linguagem dos ciganos, o protótipo do ininteligível, por outro lado, a confusão de ciganos com gregos da Ásia Menor e a sua vida cheia de peripécias, de dificuldades do ciganear, tudo isto misturado é o que dará a origem do ver-se grego."

 

Bem, vem isto a propósito da Juventus. A "Velha Senhora" hoje ver-se-á grega. Se diante de algo ilegível (aliás, incompreensível) se diante de dificuldades próprias dos pobres ciganos (aliás, incontornáveis). A minha solidariedade para com os seus adeptos. Mas para o ano haverá mais ...

Diz que é do clima

Veio aí o sô ministro da educação cagar sentença de que a culpa da violência no desporto em geral e no futebol em particular, era do clima de crispação entre os agentes desportivos (palavra de sete mil e quinhentos para clubes e dirigentes). O clima realmente tem andado algo estranho, é verdade, mas não o vejo culpado da pouca vergonha que grassa no desporto, dos favores a troco de benesses, da impunidade para alguns.

Sô ministro, permito-me discordar, não leve a mal vo'cência. Aqui só p'rá gente, não será a culpa de quem não corta o mal pela raíz? De quem tolera linguagem inadequada? De quem não pune actos de vandalismo? De quem não pune a compra de juízes? De quem assobia para o ar quando o assunto são claques ilegais? De quem deixa passar em claro agressões? De quem olha para o lado quando o assunto é MORTE?

Só falta virem para aí uns seus subordinadozecos, tipo o gajo do IPDJ, dizer que a culpa é do presidente do Sporting. Afinal, de hipocrisia estão bem servidos, lembra-se de o Sporting ter sido punido por ter deixado entrar as claques do Benfica em Alvalade? Por serem ilegais, veja bem. Mas esqueceu-se de punir o Benfica, coisa assaz estranha. Ou não...

Ó sô ministro, se veio abrir a boca para isto, tome este conselho de borla: Finja que vai cagar e desapareça!

A voz do leitor

«Não sei em que é que o futebol do antigamente é melhor do que o de hoje só porque era amador e o de hoje profissional. Eu prefiro o futebol profissional onde, sim, o amor à camisola pode ser testado pela facilidade com que os jogadores podem romper vínculos. No tempo honrado do Lobo Antunes os jogadores, salvo raras excepções, talvez mais entre os estrangeiros, não tinham poder nenhum. Com ou sem amor à camisola, ficavam enquanto o clube quisesse.»

 

J. Ramos, neste meu postal

Complicado mas possível.

Depois do que se passou neste fim de semana, considero o Benfica o principal candidato ao título. Está na corrida a 100%, tem mais soluções, está fora da Europa, vai reforçar-se e tem o revestimento de tetra campeão que lhe dá uma ponderação que aos outros foge. Rui Vitória parece uma espécie de Captain Obvious que caiu no caldeirão da sorte quando era garoto, mas por vezes é mesmo isso que se precisa. Dominou o jogo durante meia hora e depois limitou-se a levar baile. Mas para perder é preciso sofrer golos e isso não aconteceu. Obvious? Pois, Captain Obvious…
O Porto teve azar, também teve azar em ser prejudicado pelo árbitro, mas deve lembrar-se que quando foi campeão anos a fio também era assim para o lado deles. Em caso de dúvida apitavam ou fechavam os olhos em seu favor. Mas Conceição não esteve feliz nas substituições e ainda não conseguiu explicar a Felipe que entrar assim ao homem não é futebol.
O nosso jogo com o Belenenses foi um teste ao meu batimento cardíaco. Não acho que se deva dramatizar, mas Adrien faz mais falta no meio campo do que julgava e Bas Dost precisa de companhia mais sólida (à la Teo “irritante” Gutierrez). Temos grande GR e uma muito boa defesa, mas estamos demasiado dependentes de Gelson e vulneráveis à fragilidade do banco. Entendo, subscrevo e assino por baixo as palavras do nosso presidente. É bater a bola baixa e ver se chegamos ao final em primeiro, nem que seja ganhando meio a zero. Vai ser ser muito muito complicado, mas é possível.

Os marcadores dos nossos golos na Liga

Bas Dost 10

Bruno Fernandes 6

Gelson Martins 4

Acuña 2

Adrien

Coates

Mathieu

Battaglia

autogolo do Moreirense

 

«Com o tiro certeiro frente ao Belenenses, Bas Dost atingiu o golo 50 com a camisola do Sporting. Em pouco tempo o holandês atingiu números muito expressivos, ao ponto de já ser um dos nove estrangeiros acima da meia centena de golos, lista encabeçada por Yazalde (126), Iordanov (70), Jardel (67), Diego (61) e Balakov (60).»

 

Do jornal Record de anteontem

O dia seguinte

Bernardo Ribeiro, Record: «Muito leão na primeira parte, excelente resposta do Belenenses na segunda, um resultado justo no final, ainda que o Sporting tenha passado por calafrios por incapacidade de segurar a revolta azul. (...) O Sporting não brilhou, o Belenenses não desiludiu e se a vitória era o mais importante pelo que se jogava mais tarde no Dragão, felicidade para quem conquistou os três pontos. As ligas também se ganham com jogos assim.»

 

Nuno Saraiva Santos, A Bola: «Não podia falhar e não falhou o Sporting. Sem ponta de nota artística, é certo, porém, eficaz e pragmático na forma como, primeiro, resolveu o desafio e, depois, o controlou. Mas não sem que, perante um Belenenses mais afoito e solto, tivesse de se aplicar em exibição que, uma vez mais, mostrou equipa muito solidária, com enorme espírito de sacrifício, com entrega de corpo e alma em todos os momentos do jogo.»

 

Rafael Toucedo, O Jogo: «Conquistar os três pontos era o mais importante da jornada e o objectivo foi alcançado, atirando a pressão para o até então líder isolado FC Porto. A vitória permitiu aos leões ultrapassarem à condição os dragões na liderança da Liga, enquanto ficaram a aguardar por um docinho para sobremesa que chegou sob a forma de um empate no clássico do Dragão, entre FC Porto e Benfica, deixando os aspirantes a destronar o tetracampeão juntos na frente da competição e com as águias a três pontos.»

 

Dos jornais de ontem

Entre Zidane e Jesus

Criticamos nós (eu também) tantas vezes Jorge Jesus por gerir tarde e de forma um tanto incompreensível as substituições no campeonato e afinal, se repararmos, Zidane está a receber críticas em Madrid pelo mesmo motivo. Os adeptos, que no Santiago Bernabéu também são de assobio fácil, contestam o técnico por excessiva passividade na gestão do jogo. Ontem, por exemplo, demorou 81 minutos a mexer na equipa em San Mamés, no Atlético de Bilbau-Real Madrid que terminou empatado a zero.

O Real segue em quarto lugar na Liga espanhola, atrás do Barcelona, do Valência e do Atlético madrileno. Já está a oito pontos do líder. Pior: nas 14 jornadas já decorridas, empatou quatro vezes e perdeu duas, concluindo três jogos sem marcar.

Lembro este facto para relativizar as críticas internas a Jesus. Zidane - lenda viva do futebol, campeão mundial e campeão europeu, três vezes eleito melhor jogador do mundo - também hesita, enquanto treinador, na hora de mexer no onze titular e nem sempre consegue superar em termos tácticos os seus antagonistas.

O futebol, que vive de emoções imediatas, é igualmente um jogo de paciência. Conciliar a momentânea pressão dos adeptos com uma visão sustentada de longo prazo é o desafio supremo para qualquer treinador da alta roda do futebol. E que permite distinguir o trigo do joio nesta profissão a que muitos aspiram mas que poucos abraçam com sucesso.

 

Os prognósticos passaram ao lado

Houve muitos prognósticos, palpites muito diferentes, mas ninguém conseguiu antecipar a vitória do Sporting frente ao Belenenses, em Alvalade, por margem tangencial.

Excesso de optimismo, talvez. Felizmente para nós, os triunfos tangenciais, como este da passada sexta-feira, garantem-nos os mesmos pontos que uma goleada. E assim lá estamos nós, sem depender de terceiros, de regresso ao topo da classificação do campeonato. Onde queremos ficar até ao fim.

Francisco Geraldes

Outra grande partida do jovem da nossa formação emprestado ao Rio Ave na vitória fora de casa, por 3-1, que a equipa vilacondense acaba de arrancar ao Tondela, num estádio sempre difícil. Como bem sabemos.

Francisco Geraldes foi carregado em falta, conseguindo o penálti de que resultou o primeiro golo da turma forasteira - muito bem treinada por Miguel Cardoso - e teve intervenção decisiva no segundo golo com um passe rasgado que funcionou como assistência.

Grande exibição num jogo que foi emotivo até ao fim. Merecida vitória dos verdes-e-brancos de Vila do Conde, com golos de Pelé, Guedes e Ruben Ribeiro.

Pódio: Bruno Fernandes, Bas Dost, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Belenenses pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 17

Bas Dost: 16

Coates: 16

Podence: 15

Gelson Martins: 15

Mathieu: 15

Piccini: 15

Rui Patrício: 15

William Carvalho: 15

Fábio Coentrão: 14

Battaglia: 13

Bryan Ruiz: 12

Acuña: 11

 

A Bola elegeu Bas Dost  como figura do jogo. O Record e O Jogo optaram por Bruno Fernandes.

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