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És a nossa Fé!

Os abutres

 

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Andam em silêncio e recatados, envolvidos nas sombras nocturnas. Ninguém os vê por Alvalade: nunca frequentam o nosso estádio e jamais acompanham a equipa por esse país fora. Mantêm-se mudos quando há vitórias: são incapazes de compartilhar o espírito de celebração leonina.

Só saem das trevas quando soa a desaire: basta um resultado negativo para soltarem piados lúgubres, dando enfim sinal de vida. Contra o presidente, a equipa técnica, os jogadores. Emitem os piores presságios e torcem para que se concretizem. Para eles, quanto pior melhor.

Quando a esmagadora maioria dos sportinguistas está alegre, mal ocultam a frustração. Quando há tristeza em redor, exibem esgares de satisfação. Intitulam-se leões, mas se observarmos bem já perderam a juba há muito tempo. Se é que alguma vez a tiveram.

Em vez de boca têm bico e o pelo deu lugar às penas. Famintos de insucesso, sonham com desastres e carnificinas para poderem enfim banquetear-se.

Não são leões: são abutres.

Os nossos comentadores merecem ser citados

«Será que esta predisposição que o Sporting tem demonstrado de forma já algo recorrente de baquear nas partes finais dos jogos estará apenas ligada à troca de Adrien por Elias ou será que existe algo mais relevante que Jorge Jesus ainda não conseguiu descodificar? Se ainda não conseguiu, então sugiro que o faça o mais rapidamente possível, porque desta forma arriscamo-nos a ter muitos amargos de boca e sofrimento.»

Orlando, neste meu texto

Um mouro no castelo

Um amigo vimaranense convidou-me a ir lá acima ver o Sporting. Já sabia que no D. Afonso Henriques se passavam coisas singulares, mas não estava preparado para o que assisti. Não me surpreendeu a bancada nascente à cunha de arreganhados adeptos locais, ao arrepio do lastimável espectáculo televisivo proporcionados pelas bancadas nascentes de todos os outros clubes que não são “grandes”.

Durante 70’ sentei-me hirto e calado como a estátua da Mumadona, no meio dos sócios vitorianos, um pouco estranhado com a crescente inquietação mais do que resignação, à medida que o Sporting marcava e falhava golos óbvios, e até com a voz atrás de mim que se queixou de Gelson: “este [substantivo interjectivo regional] é um Messi, [substantivo interjectivo regional]!” O ambiente era de compostura e persistência, como quem aguarda um milagre sem cepticismo.

O terceiro golo do Sporting foi um frango por depenar, mas da bancada só se exclamaram uns resmungos, não mais pungentes do que o habitual linguajar nortenho. O meu amigo informou-me que aquele mal-estar deve-se ao facto de Douglas, o titular, não ser muito apreciado, já que o suplente é um miúdo de 21 anos natural da cidade e das escolas do clube que brilhou no fim da época passada, além de ter o hábito de cantar com as claques do Vitória.

Tranquilo com o resultado e o relógio, distraí-me com devaneios antropológicos: como reagiria esta mole ansiosa se o Vitória marcasse um golo? William Carvalho fez o favor de desencadear a experiência. Do penalti em diante soaram incessantemente as trompetas de Jericó e a voltagem gerada na bancada electrizou os rapazes de branco, até então muito amorfos. Desde que me lembro que vou ao futebol, mas nunca me fora dado ver uma bancada marcar dois golos por intermédio dos jogadores.

Claro que o meu espírito positivista encontra explicação menos mística para o que me foi dado ver: Pedro Martins percebeu onde o Sporting era mole e com um par de substituições abriu uma cratera no nosso meio-campo. O problema tem nome, mas como é tão impronunciável como o do demónio, temo estar a ver a obra do diabo por todo o lado.

O homem com mais sorte do mundo?

 

 

Será Rui Vitória o homem mais sortudo do mundo? Talvez, mas talvez não seja apenas isso.
Há qualquer coisa no treinador do Benfica de desconcertante. Tem um aspecto entre o simpático e o indiferente, é pouco activo no banco, desinteressante nas conferências de imprensa e nas entrevistas, insosso nas opções e a sua equipa espelha isso mesmo. Desde o ano passado, e a seguir ao choque das primeiras jornadas, que o Benfica joga um futebol feijão frade com atum. Chato, indefinido, maçudo mas de uma eficácia terrível porque no fim lá chega o golo, ou os golos. É como se nos pusessem o feijão frade com atum à frente e por acaso até nos apetecesse comer aquilo.
Sempre que Vitória tenta ir além daquilo que sabe, sempre que “inventa”, dá-se mal. O que podemos dizer é que tem a esperteza de retroceder muito rapidamente, numa conduta defensiva e pouco audaz, mas que é recompensada por vitórias atrás de vitórias atrás de vitórias, com golos fabulosos, golos que é só empurrar, golos que resultam de lances estranhos, golos caídos do céu, auto-golos e golos-golos.
Definir o futebol do Benfica, tri-campeão e principal favorito ao título, é complicado e trabalhoso. Acho que essa é uma das partes que pica JJ, essa falta de afirmação e hubris no modelo, que (para ele JJ) são tão essenciais quanto as vitórias.
Mas Rui Vitória tem algo mais que creio lhe é dado por um agudo sentimento de sobrevivência. Enquanto JJ não tem medo de nada e até tem gosto na vertigem, RV deixa-se estar sossegadinho no seu canto porque sabe que à mínima será posto a andar. Por isso roda guarda-redes (sabe que a administração precisa de vender Ederson ou até Júlio César); por isso aposta em Horta, Nélson, Guedes, José Gomes (porque sabe que Vieira está apaixonado pelo Seixal), por isso vai dando chances a Carrilho (porque sabe que para Vieira o Sporting não se pode ficar a rir), por isso faz avançar Luisão (porque sabe que os fogos se começam a combater com prevenção). RV também já percebeu que o Benfica é um clube grande e influente e que haverá muita decisão de arbitragem dúbia que pingará para o seu lado. Acho que também é por isso que arrisca pouco, como acho que esse é um dos factores que JJ ainda não incorporou, esse de que o espectro Benfica assombra mais a malta de apito que o espectrozinho Sporting.
Vejo aqui muita inteligência emocional no treinador do Benfica, um homem que do meu ponto de vista faz e fez mais pelo clube do que se calhar os adeptos, ocupados a odiar JJ, julgam.
Rui Vitória tem beneficiado de um Porto desorientado (mas que mesmo assim lhe ganhou em casa) e de um Sporting tão excitado tão excitado que atrai para si todo o tipo de atenções, esquecendo-se o próprio Sporting que está longe de ter mesmas as armas do Benfica.  
Mais do que sortudo, RV parece-se ser o mais sensato e ladino homem no futebol português actual. E isso é meritório.

Não desculpa nada, mas...

 

Dando de barato que o segundo golo do Guimarães não é precedido de falta (eu acho que é - cf. pág 80, p.f.), o penalti marcado vê-se claramente que não existe e no terceiro o árbitro está de frente para a jogada, vê até muito melhor que nós nestas imagens.

Posto isto, retiro o que disse em comentário ao postal do Pedro Correia e acuso aqui o árbitro de ter errado grosseiramente em dois dos golos sofridos pelo Sporting em Guimarães. Ademais, lembro aqui um golo anulado na época passada a Slimani, pelo mesmo árbitro, em situação idêntica, em jogo com o Boavista, que nos fez perder dois pontos, que na contabilidade final nos dariam o título.

Raios, que só se enganam para o mesmo lado. Terá o Jesus feito algum mal ao SD filho?

ASD.jpg

 Adenda: Cerca de uma hora após a publicação do post, este tinha recebido dezassete comentários.

Estava apenas publicado um, já que os restantes eram impublicáveis. Um rapazola de sobrenome Luz até me chamou bêbado, vejam lá. Revelador.

Breves notas a propósito do jogo de sábado

William Carvalho cometeu um penálti negligente que não pode passar sem uma severa palavra de censura. Coates deixou Marega fazer o que quis, com espaço e tempo para marcar o segundo golo vimaranense. Schelotto estava mal posicionado no lance do terceiro golo. Bryan Ruiz falhou o golo da praxe. Os erros individuais custam muito caro no futebol.

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É um absurdo criticar o nosso bloco defensivo pela atitude disciplicente de jogadores das linhas mais avançadas que não cumprem missões de carácter ofensivo, incapazes de cortar linhas de passe à frente, incapazes de correr para trás, acompanhando demasiados lances do ataque adversário só com os olhos.

 

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Acho inconcebível que Jorge Jesus não tenha esgotado as substituições num jogo em que precisávamos de aferrolhar o nosso meio-campo defensivo, salvaguardando os três pontos que tínhamos assegurado com margem confortável ao minuto 73. Como se estivesse mais preocupado com a "nota artística" do que com o resultado. Não aprendeu nada com Fernando Santos no Euro 2016. Nem com os cinco minutos finais em Madrid. 

 

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É bom que todos no Sporting se convençam de que a nota artística para os aplausos da bancadas é objectivo muito secundário. Não podem repetir-se comunicados da direcção a elogiar exibições em jogos que perdemos, como sucedeu após o desafio do Bernabéu. Basta de hinos inconsequentes ao "futebol bem jogado". Às vezes é preciso jogar feio para conquistar os três pontos. Isso mesmo: jogar feio. Mas ganhar.

 

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Deixem-se de praticar o passatempo preferido de tantos sportinguistas: o tiro ao árbitro. Decorridas sete jornadas da Liga 2016/17, nenhum dedo acusador pode ser apontado de boa fé a árbitro algum. É tempo de deixarmos de olhar para fora na hora de assumir responsabilidades. O discurso anti-árbitro não é o do Sporting grande - é o do Sporting complexado e pequenino.

 

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Deixem-se de estátuas a Rui Patrício, deixe-se de exigir Rúben Semedo já na selecção nacional. Os nossos jogadores precisam de concentração máxima no objectivo central: vencer o campeonato. Sem idolatrias descabidas, sem louvaminhas deslocadas. O caminho faz-se caminhando, não queimando etapas.

 

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Os jogadores do Sporting têm de convencer-se que não há vitórias morais. Ou há vitórias reais ou há derrotas. Têm de convencer-se também que não há lugar para vedetismos bacocos no Sporting: ou a equipa funciona como verdadeiro colectivo ou não funciona. Quem recusa integrar-se no colectivo só tem um caminho: a porta de saída.

Os nossos comentadores merecem ser citados

«A ganhar, quem entra devia ter como objectivo aproveitar a energia para arrefecer o jogo, esconder a bola longe da sua baliza, fazer faltas no meio-campo adversário, longe da baliza. Mas não, entram para correrem que nem uns desalmados na linha dos que saíram. Alguém tem que, como dizem os brasileiros, "fazer chuva e fazer sol", isto é, impor o ritmo que nos convém. Tem faltado.»

Luís Moreiraneste meu texto

Freakish weekend

O Sporting estava a ganhar ao Guimarães por 3-0 a 20 minutos do fim e deixou-se empatar; o Benfica deu 4 a uma equipa vestida de azul claro em vez de levar 4; o Porto ganhou; o Bayern Munique empatou com o Colónia; o Borussia Dortmund perdeu 2-0 com o Bayer Leverkusen; o Manchester United empatou com o Stoke City; o Real Madrid empatou com o Eibar; o Manchester City perdeu 2-0 com o Tottenham; o Barcelona perdeu 4-3 com o Celta de Vigo e esteve a perder por 3-0.

 

Pronto, foi um fim-de-semana para a maluquice. Para a semana volta tudo ao normal.

Pódio: Gelson Martins, Elias, Markovich

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no V. Guimarães-Sporting pelos três jornais desportivos:

 

Gelson Martins: 18

Elias: 16

Markovich: 16

Coates: 15

Adrien: 14

Schelotto: 14

Bryan Ruiz: 13

Rúben Semedo: 13

Bas Dost: 12

Rui Patrício: 12

Marvin: 11

William Carvalho: 11

Bruno César: 9

 

Os três jornais elegeram Gelson Martins como melhor jogador em campo.

 

ADENDA: Agradeço ao leitor Alexandre Teles ter-me fornecido os dados do jornal A Bola.

Da arte de bem substituir (ou não)

Em Madrid, vencendo o Real a cinco minutos do fim, o Sporting sofreu dois golos em cinco minutos que viraram o resultado.

Frente ao Estoril, a ganharmos 3-0, desistimos de jogar antes do fim e sofremos dois golos totalmente evitáveis.

Ontem, no Estádio D. Afonso Henriques, deixámos o V. Guimarães progredir de 0-3 a 3-3 com 20 minutos desastrosos ao cair do pano.

É impossível não descortinar traços de semelhança entre estes jogos: existe um abismo entre o onze que começa e o onze que termina.

Saber fazer substituições é um indício claro da arte de um treinador. Ou não.

Um padrão

1-3 contra o Rio Ave, os dois golos do Estoril em Alvalade e hoje esta marmelada (e talvez se pudesse juntar o final do jogo de Madrid, cuja única desculpa é ter sido contra quem foi). Parece-me que temos um padrão: quando passam do on para o off não sabem o que fazer. Não me apetece elaborar muito, mas julgo que há aqui mãozinha do treinador (ou falta dela).

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