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És a nossa Fé!

Pura alegria!

Já não me lembro do jogo, já não sei o dia, nem adversário, nem resultado. Devia ter pouco mais de três anos – ela, não eu. Foi comigo à bola. Tudo o que retenho desse dia cristalizou-se pelo meu espanto ao vê-la eufórica ao primeiro vislumbre do relvado. Quis o destino que lhe visse o rosto iluminar-se no preciso instante em que o pano verde lhe surgiu no horizonte, espreitando por uma das muitas bocas de cena que fazem de nós atores e plateia. Pulou, pulou, correu, simulou um mergulho na relva, fez todas as cabriolas que conhecia e voltou para trás puxar-me pela mão. “Anda pai, é o Sporting!”.
Ela não é fanática, hoje adora as pipocas de ir ao estádio e vai começando a querer saber os porquês da joga, mas naquele dia, naquele instante, sem que o esperasse minimamente, uma singela imagem iluminada converteu-a em plena alegria vibrante, de uma energia que me acompanhará para sempre.
Amanhã vai voltar a ser o primeiro dia. Não seremos dois mas três, acompanhados de mais uma infante.

Noventa minutos

Noventa minutos de pausa, de férias da vida de todos os dias. Sem prazos, sem obrigações, sem compromissos e tarefas. Só aquela bola a rolar no relvado, dez jogadores, o Rui Patrício, o treinador e a vontade indomável do Marcelo Boeck a empurrar a equipa para a frente.

 

Noventa minutos, tic-tac, tic-tac, tic-tac... O entusiasmo inflacionado dos relatadores, a tragédia de dimensão universal quando há um erro de arbitragem contra nós, o riso franco e aberto quando um dos nossos faz uma gracinha. Os aplausos aos arranques mágicos de Capel, à irreverência e juventude dos miúdos da Academia. A voz do Botas: "Sportinguistas...". O Paulinho.

 

As camisolas, os cachecóis, as bandeiras. O verde e o branco. Os gritos. Os braços no ar. Os cânticos. As frases mágicas: "É goooooolo! É do Sporting!"

 

A alma lavada. A descompressão. O reset para uma nova semana.

 

Amanhã começa a nossa época.

Desafio jornalístico: onde está Bruma?

 

Nunca houve tanto jornalismo desportivo - isto é, futebolístico - em Portugal. Até por isso, espanto-me que nenhum jornalista tenha ainda descoberto o misterioso paradeiro de Bruma, que permanece há várias semanas longe dos holofotes, nem tenha conseguido chegar à fala com ele, arrancando-lhe uma extensa entrevista. Se eu fosse responsável de um órgão de comunicação social, premiava o jornalista que assinasse uma peça capaz de explicar, com recurso a declarações exclusivas do jogador, como se sente ao faltar aos compromissos contratuais com o Sporting e ao permanecer todo este tempo longe dos treinos da equipa e dos aplausos dos adeptos.

Sendo Portugal um país tão pequeno, será que ninguém consegue mesmo encontrá-lo?

Milhões a voar na cabeça do causídico

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. O advogado de Bruma veio dizer recentemente que o jovem guineense formado pela nossa academia anda "com a cabeça totalmente fora do Sporting", algo que contradiz todas as declarações públicas do jogador até agora. Um dos motivos alegados para tal transtorno de cabeça, ainda segundo o causídico, seria uma choruda proposta oriunda do Galatasaray, que lhe teria oferecido oito milhões de euros - quantia que poderia chegar aos 12 milhões.

Alguém acreditará hoje numa patranha destas quando sabemos que 12 milhões é precisamente a quantia que o mesmo clube está disposto a pagar por Oscar Cardozo? A menos que o nome do meio do Bruma seja Tacuara...

Desejos

Entre os milhões oferecidos por Rui Patrício e os supostos milhões oferecidos por Bruma, apenas espero que impere o bom-senso e que a solução encontrada por quem de direito seja a que sirva melhor os interesses do Sporting. Se ambos saírem, que a verba arrecadada sirva para nos ajudar a libertar do garrote financeiro em que nos encontramos e os que ficam saibam honrar a camisola que envergam e façam o melhor pelo Clube que representam. Sporting allez!

O futebol também é a pátria

«O futebol também é a pátria. Nos dias de hoje, um país que ainda mal emergiu no plano político e internacional pode existir porque tem uma grande equipa de futebol, alcançando, desse modo, uma forma de reconhecimento mundial. (...) Popular, mundial, muito fácil de compreender e de interpretar, muito mais fácil de acompanhar do que outros desportos como o râguebi, o futebol permite, de certa forma, uma outra valorização na cena internacional.»

Jorge Semprún, A Linguagem é a Minha Pátria. Tradução de Maria Carvalho

(Editorial Bizâncio, 2013)

Os jarretas (3)

 

- Então gostaste daquelas duas vitórias no mesmo dia?

- Quais vitórias? Aquilo alguma vez foram vitórias?

- Não foram?

- Claro que não. Precisas de ter cuidado para não te deixares intoxicar pela propaganda brunista que é repetida todos os dias nos jornais e nas televisões. Não foram vitórias. Foram empates!

- Pois...

- Os jogos terminaram empatados e foram decididos por penáltis. Ora quando isso acontece, como toda a gente sabe, a vitória pode cair para qualquer dos lados. O que aconteceu foi sorte, foi vaca, foi muito ranço! Mais nada.

- E o que achaste da atitude do treinador dos putos, o Abel?

- Detesto esse gajo. É um sonso. Até fico com urticária ao ouvir o nome dele. Quem formou a nossa equipa B não foi ele. O que sabe ele de futebol? Devia era andar muito caladinho em vez de se pôr em bicos dos pés. Só quer protagonismo mediático.

- Mas ele mexeu bem na equipa...

- Não mexeu bem nem mal. Teve sorte, nada mais. Empatar aquele jogo contra uma equipa claramente mais fraca não devia dar-lhe o direito de ter aquela prosápia toda. Ele devia era ajoelhar, como fez o Jesus no Dragão!

- Isso sim, é que foi emocionante. Tens toda a razão. Verdadeiramente inesquecível. O tipo ajoelhado e sessenta mil amas a vibrar de emoção.

- Sabes? Às vezes olho para o nosso estádio, todo verde, e fico a pensar que gostaria muiito mais de o ver azul...

Mas não era o Professor o Manager?

 

O Senhor que foi apresentado por todos como garante de competência e capacidade foi até há pouco tempo Manager, Treinador dos Treinadores e supra sumo da batata, fazendo supostamente tudo o que queria de um clube sem rei nem roque. 

 

Olhando para a novela Bruma, é bom não esquecer quem também tinha responsabilidades em salvaguardar os interesses do Sporting. Fica o registo para memória futura. 

Diário de um sportinguista (após um qualquer fim de semana ganhador)

6 e 30 – O despertador acorda-me! Saio rápido da cama. Na casa de banho ligo uma pequena telefonia ainda a tempo de ouvir o locutor dizer: o Sporting ganhou ontem…

 

6 e 45 – Após um banho que me acorda totalmente, sigo para o quarto. Acendo a pequena televisão onde, num canal generalista, o pivôt informa: num jogo emotivo o  Sporting levou de vencida…

 

7 e 30 – Já no carro ligo o rádio uma vez e num posto emissor diferente do da madrugada alguém comunica: o Sporting regressa hoje ao trabalho após a vitória de ontem…

 

8 e 15 – Antes de entrar no café onde tomarei a primeira refeição do dia, compro o jornal Record, de preferência. A referência ao jogo do dia anterior ocupa quase toda a página com um título garrafal: Sporting demolidor. Gosto do título!

 

9 – Regresso ao gabinete. No caminho vou deixando no ar algumas piadas, especialmente aos meus amigos adeptos doutras cores clubísticas.

 

10 e 30 – Junto à máquina do café alguns colegas discutem dum jeito acalorado os lances mais duvidosos que favoreceram o Sporting. Meto-me na conversa e defendo o Sporting até à última consequência…

 

13 – Na hora do almoço alguns sportinguistas vêm ter comigo e falamos da nova equipa. Dou também os meus bitaites.

 

15 – Um sportinguista liga-me para falar de trabalho mas eu “ataco-o” com o jogo do fim-de-semana. Ficamos a alvitrar resultados.

 

17 e 30 – Regresso a casa, triste por não haver mais debates tendo o Sporting como tema.

 

20 – Aguardo pacientemente o noticiário: pode ser que desta vez consiga rever os golos do Sporting.

 

22 e 30 – Finalmente os golos vistos e revistos por um dos canais da cabo.

 

24 – Já deitado, dou por mim a descobrir que os dias deveriam ser sempre assim. Com o Sporting sempre a ganhar!

Os nossos comentadores merecem ser citados

«Tanto estes [jogadores do Sporting que venceram a Taça de Honra], como os que foram ao Canadá, apesar de talentosos, são apenas miúdos que têm que crescer como homens e futebolistas e que necessitam do nosso apoio incondicional! Ontem dei por mim a pensar que, se o jogo fosse em Alvalade, talvez a reviravolta [na final contra o Estoril] não fosse possível.»

 

Edmundo Gonçalves, neste meu texto

Opiniões

«Precioso êxito do Sporting ao conquistar a regressada Taça de Honra da AF Lisboa. (...) E ainda mais precioso este êxito por ter sido conquistado com estupenda aula prática de como se formam jovens futebolistas com qualidade individual, firme modelo de jogo e... raça.»

Santos Neves, A Bola

 

«O exemplo que os miúdos de Abel deram na Taça de Honra, devolvendo ao clube um troféu com um enorme historial, no ano do regresso da prova ao calendário, é motivo de orgulho para todos os sportinguistas e junta-se ao comportamento da equipa principal que no Canadá empatou com o crónico campeão do Uruguai, o Peñarol.»

António Magalhães, Record

 

«Foi um jogo [Estoril-Sporting] de se lhe tirar o chapéu, um jogo que fez com que o Benfica-Belenenses que o antecedeu [0-0] parecesse uma aberração, isso mesmo, uma aberração.»

Carlos Rias, A Bola

 

«Quem dava como certo que este ano os leões iam ser os 'coitadinhos', provavelmente já estará a refazer as suas previsões.»

António Magalhães, Record

{ Blog fundado em 2012. }

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