Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Cephalopoda

 

No princípio, fiquei surpreendido com a nota dada a João Capela pela sua, digamos, arbitragem, no último Benfica-Sporting, atribuindo o desmando ao cérebro primevo do observador e à sua aparente incapacidade para distinguir um jogo de futebol de um filme de Steven Seagal. Pensando um pouco melhor, ocorreu-me que talvez o, digamos assim, árbitro ainda tivesse aspirado a deitar o gatázio um pouco mais longe,  disso sendo impedido pela força das circunstâncias. Quem sabe se a nota não progrediria em função dos penalties e cartões vermelhos e amarelos perdoados aos nossos adversários? Se o homenzito tivesse feito vista grossa a mais um ou dois penalties e a mais uma duas entradas à la Maxi é possível que tivesse rebentado a escala. A ser assim - e nada garante que o seja, não faço sequer a mínima ideia sobre se tão deslumbrante personagem sabe mais do que  uma ou outra regra do jogo, embora isso se me afigure altamente improvável - a nota acaba, pela sua escassez, por constituir uma injustiça. Que culpa terá o nosso indizível apitador de que o Sporting não tenha construído mais umas jogadas cortadas por faltas na área ou de que o Maxi ou o Matic não tenham prolongado os seus treinos de uma qualquer arte marcial? 

Uma dor d'alma

Mas o que mais me comoveu foi o ar estupefacto de Ola John ao minuto 45. Que excentricidade foi aquela de o árbitro marcar um penalty por um derrube na grande área? Ainda por cima uma coisa igualzinha ao que dias antes ninguém viu, juro que ninguém viu, contra o Wolfswinkel aos 5'. Ola John, desorientado, fazia um "eu???" com as mãos no peito, olhando em volta com quem procura ânimo nas bancadas da Luz. Mas onde está generosidade, o carinho pedagógico, dir-se-ia mesmo: a moral, de um Capela? Isto assim não é benfiquismo, não é nada, é só futebol... 

Bofetada de luva branca

 

"Jamais faria parte de uma lista de candidatura às eleições do clube em que estivessem ex-colegas que foram jogar para Benfica e FC Porto".(...)

 

"Quem sai do Sporting para jogar no Benfica e no FC Porto nunca pode ser considerado uma figura do clube" (...)


"Hoje, o futebol é diferente, os jogadores que jogam no Sporting têm vontade de representar o Real Madrid, o Chelsea ou o Bayern de Munique, mas sair para o estrangeiro é um coisa, sair para os rivais na luta pelo título é outra completamente diferente".


Manuel Fernandes, em 25 de Março de 2011, aqui.

Quem gosta de futebol só pode lamentar isto

«Ficaram por assinalar, quanto a mim, dois penáltis contra o Benfica (de Maxi Pereira sobre Capel e, bem mais tarde, sobre Viola), Matic devia ter sido expulso (entrada rude sobre Bruma) e, não apenas por aqueles dois lances, Maxi Pereira também não devia ter chegado ao fim do jogo. Quem gosta de futebol e da verdade só pode lamentar tudo isto.»

Cruz dos Santos, jornalista especializado em arbitragem, na edição de ontem d' A Bola

 

«No dérbi da capital o critério demasiadamente alargado de deixar jogar, ignorando entradas à margem das leis (rasteiras, empurrões e tackles) tiveram consequências danosas para João Capela, principalmente no aspecto técnico, já que ficaram por assinalar dois lances ocorridos na grande área dos encarnados, com Maxi Pereira como protagonista nos derrubes a Capel e Viola, para além dos cartões que ficaram por exibir, alguns deles vermelhos, como aquele que devia ter sido mostrado a Matic por entrada violenta sobre Bruma.»

Joaquim Campos, nome ilustre da arbitragem nacional, na edição de hoje do Record

Querem um modelo? Ele aí está

A humilhação do tão celebrado futebol espanhol (e da liga espanhola) foi o resultado de um trabalho em profundidade do futebol alemão: regras rigorosas, sustentabilidade, formação e competitividade. Algo para que alguns, em Portugal e na Europa, vinham chamando a atenção. A Bundesliga é, hoje, a melhor e mais competitiva liga europeia - e decerto mundial. O Borrússia Dortmund estava, em 2003, quase falido. Hoje foi o que se viu. Um modelo para nós, agora que é o momento de mexer na estrutura das coisas. Precisamos de inteligência, audácia e gente competente. Muito de tudo.

Pequenos, mas com muita arrumação

O Record e a Bola de hoje têm títulos idênticos para o processo de despedimentos que, segundo dizem, está em curso no Sporting. Não faço a mínima ideia sobre se tais informações correspondem à verdade e se há fundamentos para as rescisões - embora me pareça que, a corresponderem estas notícias às intenções da Direcção, o clube enfrentará, no plano jurídico, obstáculos muito mais sérios do que o mundo de facilidades a que qualquer leitor desprevenido e desconhecedor das normas mais básicas da legislação do trabalho se verá conduzido. O Record e a Bola chamam a estes despedimentos, reais ou imaginados logo veremos, arrumar a casa. Ficamos, pelo menos, a conhecer o conceito de arrumação perfilhado por estes jornais. Suponho que a expressão arrumar a casa estará presente, com o mesmo vigor, se um dia alguém com capacidade de decisão entender, de uma só vez, despedir uma dúzia de profissionais, entre eles alguns jornalistas, de uma ou das duas publicações. Talvez considerem que ficam pequenos, mas com muita arrumação.  

Naquela noite...

 

Era uma quarta-feira, tal e qual como hoje. O apito inicial soou à hora a que publico este post. O meu pai alimentava esperanças de que, passados dez anos, o seu clube repetisse a proeza: ganhar a Taça das Taças. Mas a primeira mão das meias-finais, em Alvalade, não correra bem: empate 1-1 com o Magdeburgo, da República Democrática Alemã, um dos regimes de proa da Europa de Leste.

 

O Sporting partiu desfalcado para o encontro, não contava com dois dos seus melhores jogadores, Dinis e Yazalde, ambos lesionados. Mal sabia a equipa que partia do Portugal da ditadura para regressar ao Portugal dos cravos. E não deixa de ser interessante que fosse derrotada, nessa noite de todas as noites, por um clube de um país comunista, uma ideologia que tanto agitaria o Portugal saído da revolução. Também o imperialismo soviético esteve perto de derrotar a nossa jovem e ainda frágil democracia.

 

 

Os minutos finais do encontro deram cabo dos nervos. Ao fim de 75 minutos, perdíamos por 2-0. Já nos conformávamos com a derrota, quando Marinho, a 12 minutos do fim, reduziu a desvantagem para 2-1. Renasciam as esperanças. Marcando mais um golo, o Sporting passaria à final!

Sofríamos em frente da televisão, quando Tomé, entrado perto do fim do encontro, falhou um golo que parecia certo. Ao apito final, instalou-se o desespero.

 

 

Eu tinha oito anos. E não sabia o que mais me oprimia: se a minha própria desilusão, se a do meu pai. Fomo-nos deitar com um imenso nó na garganta, sem sonhar que acordaríamos num outro país.

À equipa do Sporting, acompanhada pelo saudoso João Rocha, estava reservada uma autêntica odisseia. Deixaram a malfadada Magdeburgo de autocarro, logo aguentando os incómodos ligados à passagem da fronteira entre as duas Alemanhas. Controlos obsoletos, de quem insistia na cortina de ferro, esse muro invisível, concretizado fisicamente em Berlim. Mal sabia o plantel do clube que, no seu país, se tentavam destruir outro tipo de muros.

 

Chegados a Frankfurt, atingiu-os a perplexidade: o aeroporto de Lisboa estava cercado e fechado ao tráfego! Acabaram por arranjar um voo para Madrid, de onde partiram, de autocarro, em direção à fronteira do Caia. Mas esta revelou ser mais uma barreira intransponível, o MFA fechara todas as fronteiras. Tiveram de pernoitar em Badajoz, alguns, no autocarro, por não terem encontrado lugares nos hotéis.

 

Só a 26 de Abril a situação se desbloquearia.

E nós?

Em nós, renascera a esperança, no deslumbre da liberdade.

 

 


 

Nota: O bilhete representado está ou esteve à venda neste site. Embora não o consiga visualizar, foi para lá que o link da imagem me enviou.

Dopagem... ahah

Cris Gomes, no FB:
 
Relativo ao assunto que parece que ganhou destaque na Sapo, sobre dopagem e Fc Porto, aqui segue um auxiliar de memória. Sem ter que recuar 26 anos
Benfica e os controlos anti-doping positivos ... Sem esquecermos esta vergonha e na sequência do mediático "caso Nuno Assis". O jogador do Benfica, que acusou norandrosterona no jogo com o Marítimo e foi suspenso preventivamente Num curtíssimo espaço de tempo, foram identifcados mais dois surpreendentes casos de doping em modalidades ditas amadoras. As justificações foram estas: No caso de António Tavares, capitão de basquetebol do Benfica, o Departamento Médico alegou que autorizou o atleta a utilizar um produto para a queda de cabelo "por desconhecimento da proibição do produto" e que por isso não informou o Laboratório de Análises de Doping como devia.Também Pedro Barata acusou a presença da mesma substância de Tavares, alegadamente devido igualmente à toma de um produto para a queda de cabelo. LOOL Só para lembrar, que somos todos iguais. Não conseguirão nunca derrubar-nos com a informação tendenciosa e investigações parciais de todo um grande esquema, onde participavam todos, sem excepção. Inclusive Jorge Jesus se viu envolvido em caso de doping em Portugal, todos sabem como era praticado. Lembremos a declaração do jogador em causa que foi apanhado: Lopes da Silva: «Prejudiquei a carreira porque acreditei nele»
TÉCNICO DO BRAGANÇA E O DOPING COM JORGE JESUS EM 1995 “Estou arrependido de ter ficado calado”, foi assim que Lopes da Silva começou por abrir o jogo sobre o caso de doping que, em 1994/95, o afastou dos relvados por 6 meses. O agora treinador do Bragança jogava no Felgueiras, orientado por Jorge Jesus, seu adversário de hoje. Na hora de recordar os factos, a mágoa não foi escondida. “Prejudiquei a minha carreira por ter acreditado em Jorge Jesus e nos outros responsáveis do Felgueiras. Arranjaram-me um advogado, mas ele queria defender o clube e não a mim”, começou por desabafar Lopes da Silva, prosseguindo: “No intervalo de um jogo com o P. Ferreira deram-nos algo para tomar como sendo vitaminas. Os atletas confiaram! O Jorge Jesus tinha conhecimento do que aquilo era. Fui ao controlo e acusei positivo.Ver mais

Manuel Fernandes: o símbolo vivo do Sporting

 

Manuel Fernandes está para o Sporting como o "Pantera Negra" está para o clube de Carnide: é um símbolo vivo do clube, o seu maior expoente. Daqueles que sente na pele as alegrias e as tristezas de uma grande instituição como é o Sporting Clube de Portugal. Menoscabá-lo, afastá-lo, levá-lo às lágrimas é não compreender aquilo que o "Manel" representa, hoje, como no passado. Ele, como muitos outros, agora impiedosamente afastados do convívio com os sportinguistas, mas a quem nós todos devemos muito do que hoje somos. Um grande abraço capitão "Manel"! E obrigado.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D