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És a nossa Fé!

Síndrome de quase...

... este ano já nos aconteceu tudo. Competições fora, treinadores fora, directores fora, até jogadores fora. 

Depois do pior cenário montado, uma vitória em Braga volta a alimentar esperanças. Nós, sportinguistas somos assim. Sonhadores. E depois, até com ajuda do Porto, com um Braga tão ao alcance... não vamos além de um empate com o ÚLTIMO CLASSIFICADO! 

E a que mau jogo assistimos. Esta coisa de valorizar se calhar para vender é de facto... estranha. Aquele Pranjic e o Elias metem dó. E que falta de sorte a nossa, o Xandão ter metido o golo. Depois do calcanhar, lá vai respirar por uma cabeçada, quando tem altura para isso. 

Já foi dito e redito e volto a pisar a ideia: Rinaudo no banco é um crime. E André Martins? Sem ritmo? É que foi a nossa agradável surpresa do ano passado, e este ano puff. 

 

Está muito complicado o futuro no reino do Leão. 

Fico muito preocupado

Uma das minhas fantasias no limite do confessável mete-me na pele de António Sala em que ele convence as velhinhas a venderem as jóias da família. Também eu olho fixamente para a câmara, debitando a conversa do "fico muito preocupado", mas depois regresso para a realidade e fico ainda mais inquieto com o meu clube, aquele que conseguiu arrancar um empate no terreno do lanterna vermelha, cumprindo as minhas baixas expectativas para esta jornada.

Quando o campeonato começou - e depois de o FC Porto ter vendido Hulk, enquanto o Benfica despachava Javi García e Witsel -, alimentei a fantasia de que o Sporting voltaria aos títulos. O meio-campo parecia ter mais soluções, as contratações para a defesa pareciam certeiras e regressavam a Alvalade valores que haviam dado provas nos empréstimos a outras equipas.

Foi o que se viu... A defesa não acerta uma marcação - veja-se os dois golos do Moreirense -, ninguém assume o meio-campo e não há alternativas a Wolfswinkel para ponta de lança além do ex-júnior Betinho.

Num clube com pouco dinheiro para gastar urge fazer alguma coisa com os meios que temos à mão, depois da limpeza que se impõe...

Partindo do princípio que ainda consguimos enganar outros clubes, era hora de tentar fazer o maior encaixe possìvel com Elias e Jeffrén, dois jogadores irmanados por uma brutal inconstância, ou mesmo com Wolfswinkel, começando a reconstruir o plantel.

- Nuno Reis deveria voltar já em Janeiro, iniciando já o trajecto para a titularidade como central

- João Mário Eduardo faz muita falta à equipa B, mas poderia meter ordem no meio-campo do Sporting

- Wilson Eduardo, seu irmão mais velho, que Sá Pinto não considerou apto para a equipa principal, seria a alternativa imediata a Wolfswinkel

- Bruma podia ser aproveitado como alternativa a Carrillo e Diego Capel, aproveitando-se a sua irreverência para fustigar as defensivas adversárias

Isto no imediato. No ano seguinte a prioridade deveria ser recuperar grandes talentos da formação do Sporting, como Hugo Viana e Ricardo Quaresma, sem esquecer o regresso de Tonel ou a entrada de Bruno Alves para o eixo da defesa. E um avançado com raça... Nem que fosse o Marius Niculae.

O pior de sempre

Creio que nunca pensei isto de um jogador do Sporting muito menos o disse: O Elias é um bandalho e no modo como se comporta em campo dá indícios de dolo. Nele, a camisola fica emporcalhada.

Quanto ao resto, até de olhos fechados aflige ver este Sporting jogar.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Que não tivéssemos perdido contra o Moreirense. Ao ponto a que as coisas chegaram no Sporting, um empate quase já nos soa a vitória...

 

Da capacidade de mudar o resultado. Dois golos marcados num minuto revelam potencialidades que infelizmente não temos visto na esmagadora maioria dos jogos.

 

De Eric Dier. Marcou pela primeira vez na equipa principal, conseguindo o golo que salvou o nosso clube de mais uma derrota. E mereceu os aplausos. Porque mostrou aos colegas colocados mais à frente que é possível marcar golos e confirmou que vale a pena continuar a puxar os jogadores do Sporting B para a equipa principal.

 

Da troca de Pranjic por Viola. Mal entrou, aos 67 minutos, o argentino fez um remate perigoso. A bola bateu no poste, mas bastou esse lance para justificar a substituição, que só pecou por ser tardia.

 

Não gostei

 

Do resultado. Empatar com o último classificado do campeonato - que já nos tinha eliminado da Taça de Portugal - pode não ser um resultado péssimo. Mas é mau, sem qualquer dúvida.

 

Dos buracos na defesa. Como é possível continuar a deixar os avançados contrários entrar desta maneira na nossa grande área, tão desguarnecida e escancarada?

 

De ver Rinaudo a suplente. Ainda não consegui perceber por que motivo Vercauteren teima em deixá-lo no banco. Quando o argentino, mesmo jogando a meio-gás, consegue ser melhor do que a esmagadora maioria dos colegas. Aconteceu hoje, mas apenas a partir dos 45 minutos, devido à lesão de Schaars.

 

De ver Pranjic como titular. Ainda não consegui perceber por que motivo Vercauteren teima em colocá-lo como número dez. Lento e desconcentrado, Pranjic não está à altura desta aposta.

 

Da substituição aos 90 minutos. Para quê mandar entrar Labyad para o lugar de Carrillo, queimando tempo, se cada segundo que passava era crucial para o Sporting tentar ainda vencer o jogo?

 

De ouvir Vercauteren dizer que o Sporting "jogou bem". Isso não é verdade. Todos temos olhos para ver: não adianta tapar o sol com a peneira.

A lucidez de um suicida...

A ponderação acerca da física ou a mecânica de uma forca, o bom senso e a calma da análise custo-benefício dum conjunto excessivo de barbitúricos e anti-depressivos, a razoabilidade da escolha entre uma linha de Metro ou de comboio, a maturidade na escolha entre o calibre 5.56 ou 7.62, a sensatez na decisão entre estricnina e o cianeto, o bom gosto na escolha do punhal para cortar os pulsos!

É assim que vejo a lânguida placidez de alguns sportinguistas. Assim parecem alguns dos que defendem que temos de aguentar firmes, na trincheira, que não se conhece alternativa viável e só resta aguentar até Maio. Respeito, sinceramente, mas não compreendo, de todo.

 

Aos que, como eu, não acreditam em nada disto, que não acreditam no azar, que não acreditam que a culpa seja sempre do próximo ou do último demitido, que não conhecem a cura imediata para esta doença maligna nem sabem qual o nome ou a cara do presidente perfeito com o melhor projecto do mundo com sucesso garantido, mas sabem que algo tem mesmo que ser feito o quanto antes... o que resta? Festejar um empate com o último classificado antes de mais um derby?! Não...

Dúvidas

O presidente do Braga já se veio queixar do claro penalty que ontem não foi assinalado a favor da sua equipa com o mesmo entusiasmo e o mesmo género de insinuações com que se queixou de um suposto golo mal anulado na jornada anterior? Ou estará com medo de prejudicar a relação privilegiada com o clube que ontem foi beneficiado à custa do prejuízo do seu? Cada um escolhe as críticas que faz. O carácter não se escolhe: ou se tem ou não se tem.

 

P.S.: Depois de o ter feito no final do jogo com o Sporting, ao dirigir palavras de simpatia e encorajamento ao clube onde já trabalhou, temo que José Peseiro tenha ontem, depois do jogo, proferido declarações que merecerão nova reprimenda do presidente do Braga.

Campo inclinado

 

Jogar com o campo inclinado a seu favor, quando o árbitro é "compreensivo", contribui muito para o excelente estado anímico de uma equipa. Assim torna-se mais fácil ser o único clube na Europa sem derrotas.

Falemos de um exemplo concreto: do claríssimo penálti cometido por Alex Sandro que só o árbitro Carlos Xistra - bem nosso conhecido do Marítimo-Sporting - não viu durante o jogo de ontem do FCP contra o Braga.

O que diz sobre este assunto o Tribunal do insuspeito diário O Jogo?

 

Jorge Coroado - "Alex Sandro, com o braço esquerdo, de modo objectivo, travou o centro-remate de Alan. Grande penalidade por assinalar e cartão amarelo por exibir. O assistente estava a olhar para onde e o árbitro o que esperou?"

Pedro Henriques - "Alex Sandro, com o braço, no prolongamento do corpo, fora do seu plano, ganha volumetria e de forma deliberada intercepta a bola. Infracção passível de grande penalidade."

José Leirós - "Alex Sandro levantou o braço da posição natural, cortando a bola e a sua trajectória. Ficou por assinalar uma grande penalidade."

 

O veredicto é unânime: o árbitro cometeu um erro grosseiro. O problema não é a existência do erro, inerente ao futebol. O problema é a reincidência no erro: sempre em benefício dos mesmos, sempre apontando na mesma direcção.

A alternativa para hoje

Nesta mui nobre e distinta casa tem-se falado muito em alternativas para o Sporting. É a força das circunstâncias. Os últimos colegas a abordar o tema foram o Adelino Cunha aqui e o Paulo Ferreira neste texto. Não esmorecendo ambas as análises e concordando com a necessidade de uma "alternativa", sobre a qual também ainda não se fez fumo branco na minha cabeça, e porque tenho dias em que sou um leigo em termos de reflexão, lembro a alternativa imediata, um imperativo: hoje, às 20.15h, vencer em Moreira de Cónegos.

e pluribus unum

 

 

Um clube desportivo não é um país. Neste coexistem interesses diversos, divergentes e contrastantes - apesar das cançonetas patrióticas que nos vão impingindo a dizer que somos um só. Por isso de quando em vez, de muitos em muitos séculos, há guerras civis. E sempre nos confrontamos, conflituamos, quantas vezes nos manipulamos, nos exploramos, nos preferimos, nos traímos. Não somos um. Não velejamos todos para o mesmo porto - nem quando os espanhóis entram portas dentro (para contratar o Pauleta), como bem sabemos. É assim. Cá. E em todos os países. Somos todos compatriotas. Mas temos (alguns) objectivos diversos, os quais às vezes nos apartam. Mesmo.

 

Num clube desportivo não há qualquer razão para isso. Os interesses são mesmo unos: e pluribus unum (isto faz-me lembrar qualquer coisa, não me lembro bem de onde).

 

O que quer um sportinguista? Aumentar o museu do clube. Mais nada. Podemos divergir no modo como pensamos fazê-lo (exigir mais taças de andebol júnior, ambicionar campeonatos de hóquei em campo feminino, trocar isso por uma taça ibérica de futebol sénior, requerer o sevens de râguebi mundial, há imensos itens para sonhar). Podemos até divergir no modo como pensamos divulgar esse amado museu (mostrá-lo ao presidente do Braga, não mostrá-lo ao presidente do Braga). Mas o objectivo é o mesmo.

 

A crise presente, que tem no futebol sénior apenas o seu lado mais tonitruante, é assustadora. E o que assusta menos ainda é o futebol sénior, diga-se. É o estado económico do clube, um futuro agónico no horizonte. É normal que isto nos torne iracundos. E que nos entre-acusemos das maleitas, de hoje e de ontem, e que, nisso, nos zanguemos. A situação é tão grave que a busca do "inimigo interno" explode. Pois as nossas almas doridas já não saram com as invectivas a Pinto da Costa e sua corte ou aos índios de Carnide. Pois estas já nem como placebos funcionam.

 

Não tenho simpatia - e já aqui o escrevi - por esta direcção, ou pelo que dela resta. Nem pelo bloco sociológico que ela representa, e que tem gerido o  Sporting nas últimas duas décadas. Ainda que convenha discernir que nem tudo foi mau nesse período, o descalabro económico-financeiro é notório. Também não acredito que o actual presidente, eleito por uma pequena margem, apoiado por uma minoria sociológica, e já desprovido dos "trunfos" eleitorais que lhe terão permitido vencer as eleições, possa ter sucesso. Está francamente fragilizado. Uma boa campanha do futebol sénior, de ora em diante, poderá permitir-lhe cumprir o resto do mandato, tipo cuidados paliativos. Mas não creio que possa continuar, para um novo mandato. Se isso acontecer será porque mergulhámos numa inesperada senda de sucessos futebolísticos. Será fantástico. Mas não é crível. Neste contexto penso que é preciso pensar em eleições, rapidamente. 

 

Mas estas não podem surgir como resultado de acusações, mas sim como corolário de uma reflexão sobre o entroncamento em que o clube se encontra. Não um beco sem saída, mas uma problemática encruzilhada. Eleições que também não poderão ser o trampolim de acusações, ou destas antecâmara. É um clube desportivo. Torcemos todos para o mesmo lado. Ou seja, há toda a razão para o debate mas nenhuma para o contraste. E é já tempo de sarar.

 

Este nosso projecto Godinho Lopes não está a funcionar, apesar do extremo sportinguismo do seu líder e da sua devoção ao clube. Precisamos de um novo projecto. Se calhar outro projecto Godinho Lopes, se calhar não. Que seja congregador. E não será a equipa de futebol sénior que congregará, num qualquer futuro, os sportinguistas. É a atitude destes, agora, que deve ser congregadora. Insisto na tal frase, que li algures, e pluribus unum.

 

Uma nova direcção (insisto, se calhar de Godinho Lopes, se calhar não) é urgente. Mas a sua eleição deverá correr em processo congregador. E não poderá assentar em promessas eleitorais (repito, isto não é um país ...). Ou seja, quem se propuser às eleições, quem "se chegar à frente", em louvável coragem, quem tiver meios e talentos para enfrentar a crise, e nos apoiar neste nosso transe, tem que partilhar os pressupostos e os supostos que tem para gerir o clube. Não agitando treinadores de futebol, conhecidos ou não, nem hipotéticos investidores bengalis ou texanos, ou cartões de visita de empresários de futebol. Tem que dizer ao que vem e como vem. Alguns dirão que "o segredo é a alma do negócio". Estão certos. Mas gerir um clube não é um negócio, desses. É um projecto, explicável.

 

Pois para homens providenciais, espertos das negociatas, artistas das entrelinhas da bola, já não há tempo nem espaço. Nem património. 

 

Nas crises brota, quase sempre, o pior. O populismo, a artimanha, a demagogia. Às vezes germina o melhor. Se formos juntos.

 

Das eleições

Os clubes de futebol não são democracias. Porque um homem sozinho pode votar por vinte homens. Os clubes de futebol não são organizações sujeitas ao escrutínio democrático. Porque nas assembleias gerais um homem sozinho só pode interpelar quem manda se gritar por vinte homens. Os clubes de futebol não são geridos apenas em função dos interesses do clube. Porque os bancos também mandam vender e deixam comprar jogadores (sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada). Não se queira aplicar aos clubes de futebol lógicas que não são dos clubes de futebol. Às vezes, uma bola na trave é apenas uma bola na trave.

Alternativas ou nativas alternadeiras?

Lamento voltar ao tema, mas considerar que por não existir alternativa segura, consistente e vencedora, 100% garantida de antemão, mais vale ficarmos como estamos, parece-me bizarro.

Se assim fosse, não se realizavam muitas eleições por falta de garantia absoluta de melhor solução, os primeiros-ministros não seriam responsáveis por muita coisa (também não jogam à bola, não exportam produtos nem produzem serviços) e basicamente deixávamo-nos estar sentados ou deitados, aguardando vegetativamente o futuro... e o fim.

A História faz-se de mudança, muitas vezes de erros condenados a repetir-se sim, mas faz-se!

Pior do que estamos, não ficamos. É um pouco "Tiririca", pior do que está, não fica.

O poder pertence aos sócios que votam na lista das pessoas que mais tarde assinam contratos, escolhem funcionários e contratam atletas, adjudicam serviços a empresas e decidem negócios.

Depois de empurrar todos para fora, depois dos resultados financeiros obtidos (investimento versus alienação de passes e aumento de passivo), depois do absoluto descalabro da gestão desportiva da modalidade principal do nosso Clube... sim, mais vale ter eleições do que resignarmo-nos a fingir que não nos dói, como se fosse uma cefaleia que não passa de forma alguma.

O Sporting não é o recreio ou a quinta de uns poucos e nós um bando de mártires que seguimos em procissão, flagelando-nos pelos pecados alheios. Não!

Pior cego é o que não quer ver: os sportinguistas não se podem acomodar ao insulto, ao gozo, à paródia, à humilhação, enquanto alguns se agarram "alapadamente" ao leme.

Já tudo nos foi retirado, faltam o Museu e uma réstia de amor-próprio polvilhada de orgulho saudosista... Até isso terá de ser incinerado no auto de fé do actual presidente e dos comodistas acamados?

Eu acho que não.

 

Isto é o SPORTING

E a alternativa, pá?

Vou concordar: de que serve ter um sistema presidencialista sem presidente? Pior: um sistema presidencialista numa casa que nas últimas duas décadas se portou como uma monarquia absoluta. Depois de Roquette, a corte ungiu Dias da Cunha. Depois de Dias da Cunha, o outro. E depois do outro, o seguinte. Sempre com eleições, claro que sim. Porque é com as eleições que os plutocratas se bezuntam. Não era bem isto que eu queria dizer. Eu queria dizer que sim, que precisamos de eleições, mas eleições para quê? Eleições para eleger Bruno Carvalho? Eleições para eleger o Batatinha? Eleições para re-eleger Godinho Lopes? Era mais isto que eu queria dizer: o Sporting precisa urgentemente que se construa uma alternativa. Não sei quem. Não sei com o quê. Mas precisamos de uma alternativa. Depois, vamos lá falar das eleições, da data das eleições, do terceiro lugar e dos chocos com tinta. Sem alternativa prévia e sustentada, é vira o disco e toca o mesmo. E o Sporting, pá?

Carta ao aberta ao Presidente Godinho Lopes

Chegamos portanto à fase final do estado terminal deste ciclo do nosso Clube.

O Presidente sente isso.

Todos já saíram. Bons ou maus, íntegros ou antes pelo contrário, mercenários ou apenas desiludidos, todos saíram.

Ficou um Presidente.

Tudo o que podia correr mal, correu.

O Presidente já sabe disto.

Tudo o que podia falhar, falhou.

O Presidente já viu isto.

Todos os erros possíveis e imagináveis (mesmo alguns surreais!) foram cometidos.

O Presidente é o primeiro responsável por todos.

As recentes declarações de Abrantes Mendes sobre a qualidade dos jogadores ou a versão requentada dos comentários ácidos de Carlos Barbosa são apenas metástases de um cancro maligno.

O Presidente também!

É atroz o sofrimento de todos os sócios e adeptos.

O Presidente tem que ver e ouvir isto todos os dias.

É grotesca a humilhação sofrida por todos nós, em casa, no emprego, na rua, em todo o lado.

O Presidente tem espelhos em casa?

É colossal o descalabro desta gestão e o facto de estar polvilhada de algumas boas ideias não serve de panaceia para nada.

Nem de desculpa para o Presidente!

É uma dolorosa tortura medieval ver a lama em que 100 anos de história do nosso Clube está a ser espezinhada.

O Presidente nada tem a comentar.

Parte o coração ver treinadores e jogadores nada mais conseguirem do que serem uma pálida e constrangedora imagem do seu real potencial.

O Presidente tem coração?

Estraçalha o espírito ver e ouvir os muitos milhares que desistem, as muitas centenas que abandonam, como é notória e publicamente comentado.

O Presidente tem espírito?

Rasga a alma sentir a fria piedade dos adversários e a jocosa atitude de jornalistas e comentadores.

O Presidente tem alma?

Tenho nojo da pestilenta decadência do meu Clube a escorrer-me pela cara sem nada poder fazer.

E o Presidente?

 

Presidente, não votei em si, jamais votaria em mais uma estaca no MEU Sporting, jamais depositaria o meu voto no sportingzinho envergonhado não-eclético e conformado da dinastia sem orgulho nem carisma a que pertence. Jamais.

Respeitava apenas algumas pessoas da sua equipa original. Apenas isso. Não chega.

Investiu forte e feio, carregou contratações, hipotecou quase todas as receitas e passes enquanto se apresta para lançar mais uns negócios e projectos. Valeu a pena? Para quem?

 

Godinho, permita-me tratá-lo assim apenas neste parágrafo. As maiores alegrias da nossa vida não passam apenas pelo nosso grandioso Clube, como é óbvio e como concordará. As minhas andam sempre em torno da minha familia. No entanto eu tive um sonho, um desejo, uma ambição, algo que não tive para mim próprio e que quis dar. E consegui realizá-lo. Há 9 meses nasceu o meu filho. Há 8 meses e 3 semanas que é sócio do nosso Clube. Acredite: foi dos melhores e mais importantes momentos da minha vida. Simples, mas intenso. Fantástico.

Hoje, não paro de pensar se chegará o dia em que o meu filho me diz que quer mudar de clube. Espero não falhar como pai nem como sportinguista, mas temo essa hipotética tragédia. Tudo farei para o evitar mas... o Godinho parece preferir arrasar tudo, custe o que custar, em prol ou beneficio sei lá do quê ou de quem!

Pior, desgasta-me pensar se um dia o meu filho me pergunta o que fiz para evitar o suicídio gratificado para que está a conduzir o Sporting Clube de Portugal. É angustiante! Mas não vou ficar sem resposta para o meu filho. Acredite!

 

Presidente, a honra que lhe foi concedida, graças a idiossincrasias, hoje em dia já algo bizarras, do sistema eleitoral da nossa casa, é incomensurável, é tremenda mesmo. Mas não é um salvo-conduto para o disparate e a desgraça.

Ser Presidente do Sporting Clube de Portugal é uma responsabilidade gigantesca. Assuma-a na íntegra e até ao fim. Demita-se.

Não podemos ficar pior com eleições a meio dum campeonato, sabe porquê?

Porque é impossível ter menos capacidade de liderança, menos motivação, menos carisma, menos empatia, menos credibilidade. Seria impossível ter mudado mais vezes de projecto, de treinadores, de estilo de pseudo-gestão, é impossível sofrer mais riscos, mais desaires, mais instabilidade e gerar mais dívidas ou hipotecar mais receitas. É impossível!

Se pensa que o Clube acaba sem si, está equivocado ou quer enganar tolos.

Eu sei que é impossível o nosso Clube acabar, mas, apenas num exercício teórico, se pensarmos nesse abstruso e fatal destino, este seria melhor com a doce lembrança de melhores tempos, com saudade, do que com a cruel realidade do dia a dia a que a sua gestão nos sujeita.

 

Recorda-se de ter dito, após a sua vitória, ao seu principal adversário derrotado, que apresentasse os investidores que ele alegava ter?

Deixe no Sporting os contactos dos seus supostos investidores, das supostas futuras parcerias, dos seus projectos. Não assine mais compromissos, sirva o nosso Clube, demita-se e solicite a convocação de eleições de acordo com os estatutos.

 

Este é o meu SPORTING!

 

Os nossos comentadores merecem ser citados

«Ontem [quinta-feira], não pelo jogo em si, mas pela acção ou falta dela, o treinador pela primeira vez levantou-me muitas reservas:
1- Não ter alterado para um trinco e adiantado o Elias; 2- Dentro do mesmo sistema, como não viu que o adiantamento de Elias e o recuo de Prajnic foi um dos poucos momentos em que o SCP jogou algum coisa?; 3- E insistiu e continuou a insistir e continuou...; 4- Insistir após o intervalo em Labyad; 5- Rinaudo ao pé-coxinho tem lugar naquele meio campo; 6- Adrien, André Martins?; 7- Quanto ao ponta-de-lança, não vejo equipa na primeira liga com um tão fraco, a bola só o atrapalha, é uma nulidade quase completa.»

 

Jorge Alves Jorge, neste meu postal

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