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És a nossa Fé!

"Há vinte anos que sei do que falo"

 

Entrevista a António Conceição Júnior, Presidente do Sporting Clube de Macau

 

 

- Quando foi fundado o Sporting Clube de Macau?


ACJ: O Sporting Clube de Macau, Filial nº.25, foi fundado em 25 de Setembro do longínquo ano de 1926, o que, naquela altura, constituiu uma reacção relativamente rápida em relação ao ano de 1906, considerando o estado ainda muito pouco desenvolvido das comunicações.

 

- Que relação manteve com a o Sporting Clube de Portugal?


ACJ: A história do Sporting Clube de Macau está cheia de momentos de glória, e de momentos em que a Filial soçobrou por falta de impulsionadores, pois viveu sempre da carolice de alguns sócios e, depois, de mecenas. Estou certo que em quase todos os seus diversos períodos a relação com a Casa Mãe foi boa. Lembro-me, por exemplo, de em 1956 o meu Pai, então Presidente do Sporting Clube de Macau, ter desfilado em Alvalade no cinquentenário do Clube e ser grande amigo do Dr. Brás de Medeiros, Presidente do Sporting Clube de Portugal.

Vicissitudes várias impediram, antes da reactivação de 2009, que se pudesse reconstituír a história do Sporting Clube de Macau desde o princípio.

 

- Actualmente quais são as relações entre os dois clubes?


ACJ: São boas. Temos tido um excelente interlocutor no Presidente Godinho Lopes que tem sabido manter com esta filial um contacto relativamente constante. Inclusivamente concedeu a um jornal de Macau uma entrevista, coisa que me parece ter sido pioneira.

 

- Entende que o SCM pode servir de ponte para que o SCP venha a conquistar investidores no mercado chinês?


ACJ: Eu por mim entendo que sim, e acho que a R. P. da China também o entende porque foi ela que politicamente criou em Macau o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial com os Países de Língua Portuguesa.

Tive nos anos 90 uma experiência pessoal que me mostrou o quão inteligentes e visionários sãos os líderes chineses e, se o projecto que, nessa altura, foi tão bem acolhido em Pequim não andou para a frente, com um mercado assegurado de sete milhões de consumidores, foi porque um parceiro sediado em Portugal achou que queria exportar para a China em vez de fazer uma parceria. Por isso, há 20 anos que sei do que falo, mas não tenho nenhum poder de decisão, apenas 20 anos de reflexão.

 

- O SCM tem escola de jogadores?


ACJ: Não, Macau é um território demasiado pequeno cujos terrenos valem ouro e portanto não se afigura que Macau possa ter mais do que os campos que tem, cuja luta que travamos é para que sejam de relvado sintético uma vez que a carga de utilização intensiva é completamente incompatível com o relvado natural. Assim sendo, entra-se num ciclo vicioso onde a formação a partir da idade adequada – os 5/6 anos – não existe, nem existem competições infantis ou juvenis.

 

- Qual é o maior patrocinador do SCM?


ACJ: É o Hotel Casino M.G.M. mas contamos também com o BNU, embora seja necessário fazer uma tremenda ginástica para podermos ano a ano continuar.

 

- Qual o campeonato que o SCM disputa na Região Administrativa e Especial de Macau?


ACJ: O SCM ascendeu à segunda divisão do futebol local depois de um campeonato constituído por 6 jogos, isto é, um campeonato a uma volta. Daí que um dos objectivos do SCM seja contribuir para pôr alguma ordem na organização do futebol em Macau.

 

- Os vossos equipamentos deram nas vistas. Onde são fabricados e quem os desenha?


ACJ: Macau tem coisas curiosas que vale a pena contar para que se compreenda o pragmatismo e criatividade chinesas. Os nossos equipamentos são fabricados na China, e o agente que recebe as encomendas de todos os clubes é um jogador veterano. Curiosamente, como não é possível sequer haver sedes de clubes e equipas, então há um outro senhor que é roupeiro de todas as equipas que jogam em Macau e que assegura a recolha e a entrega do equipamento no dia do jogo e fornece água, pelo que tudo se resolve deste modo.

Quando ao design do equipamento do Sporting, sou eu que o desenho.

 

- Como presidente do SCM, qual a sua maior ambição ou satisfação no futuro?


ACJ: Gostaria naturalmente que o SCM fosse campeão da primeira divisão, o que agora já se torna muito difícil, pois há equipas que contam com milhões e têm jogadores estrangeiros para um campeonato que qualquer distrital em Portugal venceria. Deu-se uma inflação de equipas, divisões e jogadores profissionais sem que isso reflicta um nível mais elevado do que, por exemplo o Fátima, que sem dúvida seria sempre campeão em Macau.

A minha maior ambição seria não apenas que, por algum milagre financeiro e de cooperação com o SCP, se pudesse entender o SCM como um verdadeiro embaixador do SCP. Eu sempre gostei de projectos ambiciosos. Sempre pensei grande porque vivo nas margens do mais populoso país do mundo e acho que isso tem uma importância fundamental. Até agora quis sempre ser útil ao Sporting Clube de Portugal. Caso o modo como sempre pensei não interesse, pô-lo-ei exclusivamente ao serviço do Sporting Clube de Macau, se para tanto tiver engenho.


jes

A minha pré-temporada

A minha pré-temporada foi terrível! Três semanas do encher e do esvaziar caixotes de tralha, toda a tralha: livros, objetos diversos, roupas, móveis, algumas pinturas... Em suma, uma mudança de casa é sempre uma odisseia. Três semanas sem net, a ler os jornais na vertical, totalmente cercado de caixotes, na lufa-lufa do encontrar um espacinho para colocar um pé e depois outro e acertar com os conteúdos de cada contentor. Três semanas de concentração absoluta na organização da nova colmeia, bem mais barata que a anterior - e daí esta briga. Ah, com um intervalo para o casamento do Eduardo Garcia da Silva, uma festa bonita e simpática, abrilhantada pela entrada surpresa de uma banda que tocou, em honra do noivo, a... Marcha do Sporting! Há intervalos mesmo giros, né?

 

(És a nossa fé!, estou de volta, hehe)

Este Sporting preocupa

Esta temática é de difícil abordagem pelo eminente consciencioso conflito entre o sentimento e o realismo. Não pretendo ser injusto para com Ricardo Sá Pinto - não obstante nunca ter sido um fã fervoroso seu, mesmo enquanto jogador - mas também não me é possível ignorar a precária evolução da equipa até este momento. Não sei que Sporting vai comparecer no domingo frente ao Olympiacos na primeira edição do Troféu Cinco Violinos e, mais relevante, diante do Vitória de Guimarães na primeira jornada da Liga, mas desagrada-me sugerir que quaisquer das versões que vimos nesta pré-época dão causa para preocupação. Acima de tudo, sinto enorme dificuldade em digerir as reflexões do treinador: «Fizemos um jogo de qualidade», e de Daniel Carriço: «Deixámos uma boa imagem», após o último embate do torneio de Huelva. Amistoso ou não, relvado ou não relvado, o Sporting afigurou-se mediocremente perante adversários de questionável qualidade. Pior do que isso, continua a exibir uma aflitiva insuficiência de consistência de jogo, ligação entre sectores, criatividade, profundidade e fluidez nas manobras ofensivas. A ingrata realidade é que a equipa, indiferente dos onze em campo, só esporodicamente tem exibido o calibre de futebol que lhe permitirá aproximar-se dos seus mais directos rivais e com condições para poder lutar pelo título.

O «coração de leão» de Ricardo Sá Pinto sempre foi uma «faca de dois gumes» e é por de mais evidente que o espírito de luta e entreajuda que ele incutiu nos jogadores na época passada terá de ser complementado por algo muito mais substancial para o Sporting tornar-se verdadeiramente competitivo - a não esquecer a final do Jamor. A pré-época é o período das experiências, de introduzir novos elementos ao grupo e de consolidar relações e sistemas, mas com o passar dos dias e dos jogos, também envolve a gradual implementação e aperfeiçoamento de um sistema fundamental - estratégico, tático e nuclear - que permita catapultar a equipa para a competição oficial que se aproxima, nas devidas condições. Para ser sincero, não vejo isto neste Sporting e é essa a causa da minha maior perturbação. Verifico já tendências pouco salutares - tanto no modelo de jogo como no que a opções concerne - um sistema tático que não poderá dar frutos com regularidade - especialmente perante a maioria dos adversários que se vão apresentar num enquadramento ultra-defensivo - e, sobretudo, um meio campo recheado de talentos, mas sem um aparente genuíno líder.

Por desgostar de individualizar quando é o colectivo que não está bem, permitam-me apenas dois ou três reparos neste contexto. Parece-me óbvio - por muito que aprecie o talentoso jovem - que André Martins ainda não possui a maturidade competitiva para ser um titular indiscutível, em princípio, especialmente, na posição número dez. Pereirinha oferece maior consciência e experiência defensiva do que Cédric Soares, mas fica muito aquém deste quanto a profundidade ofensiva. Quase me custa admitir, mas Adrien Silva tem que constar nos onze, embora com função exacta ainda por definir. Um outro ajustamento terá de ser efectuado com os cinco centrais do plantel. Não faz sentido insistir em Daniel Carriço, em detrimento de Onyewu, salvo existir alguma agenda não esclarecida por parte da SAD. Viola é ainda uma incógnita, mas tenho grande fé de que Labyad vai ser a estrela do meio campo, não obstante não ser um natural número dez. O Ricky é um excelente jogador que se vai tornar ainda num melhor goleador, desde que seja bem apoiado e servido. Perante as probabilidades do futebol de hoje, é injusto e irrealista exigir que em duas ou três oportunidades por jogo, se tanto, ele as concretize todas. Por fim, Ricardo Sá Pinto terá que evoluir, como treinador, mais rápido ainda do que os seus jovens pupilos. Muito por uma equipa de futebol não se posicionar e movimentar como pedras do xadrez, ele terá que aprender que o actual 4x3x3 rígído que prefere perante a vasta maioria dos adversários não resulta, pela sua ineficácia e vulnerabilidade. Opto por não adiantar sugestões específicas - o que não seria difícil - e limitar-me-ei a explanar que o «segredo» reside no meio campo. Terá forçosamente de ter capacidade polivalente para reforçar a defesa e suplementar o ataque e, para esse fim, os atletas de eleição terão que ter essas exactas caracterísicas dentro de um enquadramento que se movimente em simultâneo. É imprescindível um médio versátil à frente da defesa - e não me refiro ao notório «trinco» - um médio com capacidade grande-angular e um criativo em apoio ao ponta-de-lança, todos em linha, complementados pelos alas/extremos a partir de uma posição mais recuada. Se fosse no xadrez, isto quase seria um 4x1x1x1x2x1, salvo em movimento. É imperativo que os três médios em linha sejam bons recuperadores de bola e com instintos e habilidade para a rápida impulsão ofensiva. Reconheço, desde já, que esta tese, como qualquer outra, é discutível, até porque nem todos nós temos a mesma leitura do jogo e, idem, para treinadores. De qualquer modo, indiferente dos detalhes do sistema, o meio campo é a chave do sucesso e é sobre ele que as maiores atenções devem recair. Dito tudo isto, ninguém mais do que eu deseja estar errado quanto às apreciações da equipa sob a liderança de Ricardo Sá Pinto, mas até provas em contrário as dúvidas residem.

 

Quando a presença na final vale por uma medalha


Clarisse Cruz é atleta olímpica. Com 34 anos, tem ocupação profissional a tempo inteiro e ainda consegue compaginar a sua actividade com os treinos como atleta do Sporting. Hoje, na eliminatória dos 3.000 obstáculos caiu. Ainda assim, arranjou forças para recuperar e para se classificar em 5º lugar, logo atrás de Marta Dominguez que já foi campeã olímpica. A respescagem por tempos para a final é a primeira medalha para atletas portugueses. Não é de ouro, nem de prata, nem de bronze. É uma medalha especial para os que nunca se deixam derrotar.

Olímpicos (7)

                             

 

1. Um duelo fantástico em perspectiva nos Jogos de Londres: Maria Sharapova e Serena Williams enfrentam-se amanhã na final olímpica de ténis feminino, em Wimbledon.

 

2. A figura do ano em Espanha é desde já Mireia Belmonte: segunda medalha de prata em dois dias consecutivos. Desta vez nos 800m livres. Não custa vaticinar que a natação será a partir de agora uma modalidade em expansão no país vizinho.

 

3. Michael Phelps soma e segue: acaba de conquistar a sua 21ª medalha olímpica, desta vez obtendo o ouro nos 100m mariposa - a sua modalidade favorita. Como termo de comparação, registe-se o seguinte: o supernadador norte-americano tem apenas menos uma medalha do que todas as que Portugal já conquistou em cem anos de participação nas Olimpíadas.

 

4. O atletismo começa enfim a marcar presença nestes XXX Jogos Olímpicos. Com más notícias para os portugueses: Marco Fortes falhou o acesso à final do lançamento de peso e Patrícia Mamona está fora da final do triplo salto. Nada demasiado surpreendente.

 

5. E acabo como comecei, chamando a atenção para outro duelo que promete emoções fortes: o confronto entre dois jamaicanos. Usain Bolt e Yohan Blake correm amanhã os 100m no estádio olímpico de Londres. O primeiro sagrou-se campeão nas Olimpíadas de Pequim e é recordista mundial, o outro tem a melhor marca do ano - correu a distância em 9,75 segundos. Os Jogos Olímpicos no seu melhor.

Academia de Alcochete vs. Academia APAF

Confesso que fiquei tão curioso com os relatos dos jornais desportivos que me dei ao trabalho de ir ao You Tube ver o resumo do Sporting B-Académica 1-2. Se o lance do golo que deu o empate aos de Coimbra é questionável - ou, pelo menos, permitiu um belíssimo golo do grande leão Carlos Saleiro... -, o penálti assinalado mesmo no final é uma vergonha tão grande que deveria levar ao afastamento imediato do homem do apito. Nas imagens é de tal forma evidente que o suposto prevaricador Arias sofre falta que o avançado da Académica se afasta do lance e fica estupefacto quando apontam para a marca de grande penalidade. A Academia APAF continua a provar que consegue dar conta da Academia de Alcochete.

Futeboling for Colombino

Sim, confesso, o título foi inspirado no documentário de Michael Moore.

Hoje as nossas armas serão outras, os pés e, especialmente, a cabeça.

Neste prestigiado troféu que se realiza em Huelva já participaram quatro equipas portuguesas: FC Belenenses, Vitória (de Setúbal) FC, SL Benfica e Sporting Clube de Portugal.

Apenas um saiu de Huelva com o troféu em forma de caravela renascentista, não preciso dizer quem foi, pois não?

Espero que este fim de semana possamos trazer mais uma caravela para o Mundo Sporting mas para isso é necessário inspirarmo-nos na edição de 2006 (a única em que participámos) onde despachámos primeiro o Sevilha por 4-2 (dois golos de Liedson) e na final vencemos o Huelva por 3-0 com mais um golo de Liedson e um improvável golo de Pontus Farnerud; o outro seria obtido pelo lateral Ronny.

Bons jogos, então, vamos a eles que nem "tarzões" ou melhor que nem Leões.

Olímpicos (6)

São uns exagerados, estes espanhóis: passam num ápice do oito para o oitenta. E vice-versa. Ainda há três dias mencionava eu aqui a depressão nacional que parecia ter-se abatido sobre nuestros hermanos por carência absoluta de pódio em Londres. Saltaram logo da depressão para a euforia com as duas primeiras medalhas entretanto ali obtidas. Nenhuma foi de ouro, mas bastou para soltar as hipérboles tão características do país nosso vizinho. Mireia Belmonte obteve a prata nos 200m mariposa e a canoísta Maialen Chourraut alcançou o bronze, proezas imediatamente classificadas de "históricas" pela entusiasmada imprensa espanhola.

Antes isso que nada, dirão alguns. Mas sobre a simpática nadadora de 21 anos (que podemos ver na fotografia que acompanha este texto) talvez não houvesse necessidade de escrever frases como estas, que recolhi de jornais embalados pela onda da euforia colectiva: "Uma rapariga de Badalona converteu-se na pessoa mais famosa de Espanha por causa de uma medalha, a primeira e mais desejada por nós, que premiava um heroísmo sem vítimas"; "Mireia é nossa madrinha de guerra, da nossa guerra"; "A sua forma de nadar deixou claro que a estratégia era uma e só uma: glória ou naufrágio".

Releio estas frases e questiono-me o que sucederia em Espanha se tivessem um Michael Phelps no lugar da loura Mireia. É que o campeoníssimo norte-americano acaba de conquistar na capital britânica a sua vigésima medalha obtida em Olimpíadas - desta vez o ouro em 200m estilos. Subiu mais uns degraus no Olimpo, pois. Cada vez mais inalcançável.

Os nossos ídolos (20): Ricardo Sá Pinto

 

Grave questão, de facto: como escolher um e apenas um ídolo do Sporting? A verdade é que não pode ser resolvida de uma forma racional. Resta a emoção. É difícil não se ser simpática com uma pessoa que tem a mesma idade, nasceu no mesmo mês (e no mesmo dia que José Alvalade, Wikipédia dixit), ama descabeladamente o mesmo clube, marca golos fantásticos, põe um estádio em êxtase. E tem tanta pinta, ainda por cima.

 

Começo por espalhar sobre a mesa, em confusão, recortes antigos de jornais, fotografias de Sá Pinto, de leões tiradas em África, uns apontamentos de poesia. Poesia? Para falar de um futebolista? Um nonsense? Não. “Vem-lhe o pressentimento; ele se lança / Mais rápido que o próprio pensamento / Dribla mais um, mais dois; a bola trança / Feliz, entre seus pés - um pé-de-vento!”, escreve o Vinicius e eu nem preciso de fechar os olhos para ver o Sá Pinto.

Sportinguista desde sempre, foi por ele que bati tantas vezes as pálpebras em adoração beata, rendida ao sortilégio do futebol no seu esplendor, impossible is nothing quando Sá Pinto estava em campo. “Fazer da palavra um embalo / é o mais puro e apurado / senso da poesia”, disse o Mia Couto. Que dizer de quem embala, transporta a esperança de tantos na ponta dos pés? O que Sá Pinto fazia com a bola é pura dança.

 

Estou convicta que a vida é uma espécie de casino: ganha-se ou perde-se na proporção do que se aposta. E Sá Pinto aposta tudo. Líder nato, teimoso, imprevisível porém leal, perigoso e por isso fascinante. Dou por mim, quase, quase, a tolerar-lhe defeitos – don’t mention Liedson - que não julgava capaz de aceitar.

 

Agora a sério. Há mais príncipes encantados a transformarem-se em sapos do que sapos a transformarem-se em príncipes encantados. Pois é, apesar dos sapos serem verdes e tudo, o que eu queria mesmo, o que eu queria muito, era que Sá Pinto, que não será o mais perfeito dos príncipes encantados porém é um grande treinador, fizesse jus ao seu apelido, Ricardo Coração de Leão, e conquistasse, não Jerusalém, mas o título. Não é pedir demais, right Ricardo?

Da Luz para as brumas

 

Paulo Bento esforçou-se o mais que lhe foi possível: fê-lo alinhar em quatro dos cinco jogos do Euro 2012. Esforçado escusado: o rapaz que nessa altura andou a ser levado ao colo pela imprensa de pigmento encarnado não marcou sequer um golo para amostra no Europeu - ao contrário por exemplo de Varela, que rematou com êxito tendo jogado bem menos. Nem era novidade: também no campeonato nacional, onde alinhou em 12 jogos, Nélson Oliveira não conseguiu marcar. Só mesmo alguém com eventuais problemas do foro oftalmológico era capaz de concluir o seguinte: "Potencialmente, Nélson Oliveira é já o melhor ponta-de-lança português. Não temos melhor."

Se os pontapés na lógica e na gramática de alguns comentadores marcassem golos, aqueles que fazem parte do clube de fãs da jovem-promessa-sempre-adiada-do-futebol-português ganhavam por goleada. Com frases como aquela que já citei e mais esta, exactamente na mesma linha: "Nélson Oliveira é de facto um jogador que dá uma outra cara ao ataque português. Com ele o nosso ataque transforma-se."

É lamentável que Jorge Jesus não tenha dado ouvidos às entusiásticas proclamações de admiração pelo "melhor ponta-de-lança português". O técnico encarnado deixou claro que não contava com ele para a nova temporada, o que levou o rapaz a marchar para as brumas da Galiza, onde "já é potencialmente" um dos melhores avançados desse potentado futebolístico chamado Deportivo da Corunha, recém-promovido à I Liga espanhola.

Vamos sentir saudades dele. E dos seus não-golos. E dos seus quase-golos. Afinal, algum mérito ele deve ter: não me lembro de, nos últimos anos do futebol português, alguém ser tão elogiado por ter conseguido tão pouco.

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