Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Politicamente incorrecto*

Hoje em dia as idas aos estádios são politicamente correctas. Independentemente de algumas turbas de adeptos que, às vezes, não se controlam e dão mau nome ao desporto e a equipa que apoiam, o facto é que o futebol tornou-se, na verdadeira acepção da palavra, um desporto de massas e, mais importante que isso, de famílias.

Actualmente, é comum verem-se famílias inteiras, com filhos pequenos e mulheres,  na festa do futebol. Mas nem sempre foi assim. Nas minhas memórias de infância retenho que o deporto-rei e as idas ao estádio eram uma coisa de gajo onde, tipo clube do Bolinha, “menina não entra”. Nessa altura, ninguém se preocupava com a ASAE e fazia parte da tradição ir às roulotes para comer uma sandes de coirato ou de presunto e beber umas minis antes do jogo.

Comecei a ir ao estádio, ao velhinho Alvalade, muito cedo e sempre em família. Na altura, ainda não tinha, obviamente, idade para beber álcool e comer a sandes da roulote, mas fui acompanhando essa tradição até à altura, em que, por volta dos meus 16 anos, entrei na idade adulta. Confesso que a primeira vez foi horroroso. A cerveja soube-me mal e o coirato era duro, duro... Mas, como fazia parte  da tradição, lá aguentei estoicamente.

No estádio, ainda não havia os “stewards” e a segurança era feita por agentes da autoridade tipicamente anos 70/80: barriga proeminente, bigode farto, homens que gostavam de ir ao estádio pelas comezainas e pela bola. O povo era sereno, já dizia um político da época, e ir ao futebol era um programa de homens, para homens. Por isso, era normal entrarem garrafas de 1920 (lê-se mil nove e vinte pf...), aguardente Barrocão e, nos mais sofisticados, whisky martelado made in Odivelas.

Tínhamos sempre uma sorte bestial (ironia, claro) e apanhávamos estas personagens que, entre o final da primeira parte e o início da segunda já insultavam estoicamente a mãe do árbitro, gritavam Sporting com uma voz muito arrastada e ficavam cheio de calores, mesmo que estivéssemos em pleno Janeiro. Foi no Estádio que aprendi as minhas primeiras asneiras e onde perguntei ao meu pai o que queria mesmo dizer a palavra começada por “p”...

Um dia, um destes grupos que bebia mil nove e vinte pela tampa da garrafa, que era passada de mão em mão, virou-se para trás e ofereceu-nos um trago. Entre as desculpas das crianças e o não bebo álcool, o meu pai lá se safou ao suplício desta partilha pouco higiénica.

No resto, os jogos passavam-se dentro da normalidade possível. Havia uns que ganhávamos, outros que não. Mas todas estas experiências, boas ou nem tão boas quanto isso, serviram para que, cada vez que ia ao Estádio, me sentisse em família. Mesmo quando tínhamos à nossa frente aqueles “familiares” de que temos vergonha. No final do jogo, vencedores ou derrotados, sóbrios ou ébrios, éramos todos Sporting.

 

*Artigo publicado hoje no jornal do Sporting

Assembleia Geral do Sporting

O seguinte texto surgiu na forma de comentário no blogue «A Norte de Alvalade» por um leitor identificado por «JPS» :

 

« A AG de Sábado começou com o habitual pedido da Mesa da dispensa da acta da anterior AG, documento de 26 páginas e de pouco interesse prático, atendendo que é do conhecimento de todos o desfecho da referida AG. Um largo conjunto de sócios opôs-se a esta dispensa, (vá-se lá saber porquê, sendo contudo um direito que lhes assiste), obrigando a uma votação. Feita a votação, perdidos 45 minutos neste experiente dilatório, uma maioria de cerca de 60% aprovou a dispensa da votação. Na primeira intervenção, Bruno de Carvalho sobe ao palco e proclama a ausência de democracia no Clube em virtude da dispensa da leitura da acta, fazendo tábua da votação e mostrando a todos qual é o seu conceito de democracia.

 

Imediatamente a seguir, apresenta uma lista de 8 questões ao presidente do Sporting. A última das quais era «qual é a data a partir da qual o Sporting entrará em ruptura de tesouraria e deixará de cumprir os seus compromissos». Godinho Lopes, estoicamente, no meio de insultos e gritaria por parte dos apoiantes de Bruno de Carvalho, responde a todas elas. As respostas não são do agrado do último, que regressando ao palco diz que as perguntas não são dele mas de todos os sportinguistas e lamenta não lhe ter sido respondida uma única questão, pese embora todos termos acabado de as ouvir.

 

A AG prossegue para a aprovação do orçamento. Os apoiantes de Bruno de Carvalho sobem ao palco e falam de tudo menos do orçamento. Acusam o presidente de ser mentiroso. Bruno de Carvalho sobe ao palco pela 3.ª vez e é o único que fala sobre o orçamento. Quando alguém chama a atenção para o facto de o número de associados ter aumentado na última época, os apoiantes de Bruno de Carvalho gritam violentemente MENTIRA, MENTIRA, MENTIRA, apesar dos números serem bem claros no orçamento. Teme-se o tumulto.

 

Segue-se o complexo de Odivelas. Pese embora todas as virtudes da operação para as modalidades, os apoiantes de Bruno de Carvalho não desarmam. Não são contra a operação mas são contra o protocolo. Invocam riscos jurídicos, mesmo depois de um sócio que é vereador da CM de Odivelas os ter desmontado.

 

Durante esta discussão, um sócio sobe ao palco criticando violentamente o presidente por não falar nas AGs aos sócios, mesmo depois do presidente ter respondido a todas as questões. Na mesma frase, este sócio acusa a Mesa da AG dizendo que é uma vergonha que o presidente disponha de 30 minutos para falar, quando o tinha acabado de acusar de não querer falar.

 

No fim, Bruno de Carvalho sobe ao palco pela 5.ª vez, invocando a defesa da honra. A Mesa da AG faz-lhe vontade. Em palco, Bruno de Carvalho, falando pela 5.ª vez aos sócios, acusa a Direcção e a Mesa da AG de não deixarem que ele se exprima em Assembleia Geral e volta a proclamar a falta de democracia no Sporting.

 

É este o Sporting que temos ».

 

Observação: Mais uma vez os interesses do Sporting invocados para justificar acções e discursos, reduzindo a nada o uso da razão, em prejuízo da Instituição que clamam defender. Triste e lamentável !   

 

O Europeu visto por Rui Santos (1)

Devemos ter visto dois Campeonatos da Europa diferentes, o Rui Santos e eu. Só isto explica a minha perplexidade ao ler o texto que ele publicou na passada sexta-feira no diário Record (sem hiperligação disponível). Um texto que, logo pelo título, deixava adivinhar todo o seu propósito: «... E, então, as charretes?!» Tanto sinal gráfico - reticências, um par de vírgulas, ponto de interrogação seguido de ponto de exclamação - para dizer tão pouco. A intenção do autor, como fica bem claro logo nas primeiras linhas, é desvalorizar o que os jogadores e a equipa técnica da selecção nacional conseguiram no Euro 2012. Esquecendo-se ele da grelha de análise que utilizou para avaliar o desempenho português no Campeonato do Mundo da África do Sul, quando o seleccionador era outro. Mas essa comparação fica para outro texto a publicar aqui no decurso desta semana...

 

O texto está repleto de falácias, na habitual lógica de "achismo" cultivada pelo autor, que demasiadas vezes considera dispensável alicerçar as suas opiniões em factos. Eu acho que isto, eu acho que aquilo...

Felizmente não falta comentário de qualidade nos órgãos de informação portugueses para o público poder separar o trigo do joio. Reparem no que Rui Santos, de dente afiado e em estilo jocoso, se apressou a escrever logo a 7 de Junho, 48 horas antes da nossa tangencial derrota frente à selecção então vice-campeã da Europa, a Alemanha: «Lá fomos então, com o folclore do costume, rumo ao Euro’2012. Partimos em ambiente de festa e euforia, como se tivéssemos chegado com um troféu na bagagem. O circo montado, com o melhor pano na tenda, e o país pendurado na asa do avião. (...) Não é fácil combinar excursionismo com profissionalismo. Esta direcção da FPF ainda não fez nada que travasse a ideia de que, para os jogadores, a Selecção Nacional não é mais do que o recreio dos clubes. E a culpa não é totalmente deles, que são induzidos a pensar assim.»

 

Que quereria ele dizer com isto no próprio dia em que Portugal regressava a um dos maiores palcos do futebol mundial? Estaria a confundir esta presença portuguesa na fase final do Europeu com a desastrosa campanha de qualificação conduzida inicialmente por Carlos Queiroz, o técnico que ele mais admira? Só o próprio comentador saberá responder. O facto é que, no rescaldo do desafio da meia-final, após a selecção das quinas ter chegado muito mais longe do que ele imaginara, Rui Santos escreve um dos artigos mais lamentáveis da sua carreira (o tal com as charretes em título).

Escreve o quê?

Isto: «Portugal foi eliminado pelos espanhóis. Sem mácula, em razão da melhor meia hora de tempo extra realizada pelo adversário. Nada de surpreendente, pois.» Quem não tenha visto o jogo é capaz de acreditar. Sem saber que Portugal foi eliminado só nas grandes penalidades após o prolongamento...

E isto: «Ser a quarta melhor equipa da Europa representa 'missão cumprida' e um estímulo para o futuro. Mas nada mais senão isso. Os excessos à chegada foram iguais aos excessos da partida.» Não sei onde foi ele buscar essa despromoção portuguesa ao quarto posto: como não há jogo para atribuição dos lugares 3º e 4º, Portugal ficou ex-aequo em terceiro, juntamente com a Alemanha.

E ainda isto: «Portugal fez um Campeonato da Europa muito positivo, mas longe do brilhantismo que nos querem agora impingir.» Ser a terceira melhor selecção da Europa não basta para este mestre do comentário esférico lhe reconhecer brilhantismo.

 

Eis o ruissantismo no seu melhor. Ou pior, conforme as opiniões.

A quilómetros de distância do que Santiago Segurola, um dos mais prestigiados jornalistas desportivos espanhóis, escreveu na diário Marca: "Portugal é uma equipa admirável pelo seu rigor táctico, o seu impressionante desempenho atlético e a sua velocidade, representada especialmente por Cristiano Ronaldo e Nani, duas balas em cada extremo do campo."

Ou do que escreveu Bruno Prata, hoje mesmo, no jornal Público: «Depois de ontem se ter visto a demonstração de superioridade da 'Roja' no Estádio Olímpico de Kiev, ficou claro que a verdadeira final foi o Espanha-Portugal, o que é o melhor elogio que se pode fazer à equipa treinada por Paulo Bento. De facto, ninguém como a selecção portuguesa foi capaz de criar tantos problemas à campeoníssima Espanha.»

Sob um título que diz tudo: «A verdadeira final foi com Portugal».

Avisem o Rui Santos, por favor. Tenho a impressão que só ele não percebeu. Talvez por andar demasiado preocupado com as charretes.

Reparos finais sobre o Euro 2012

Será este o meu último escrito sobre o Campeonato Europeu, mas não queria abandonar a temática sem alguns reparos finais. Quer seja sustentado por facto ou mera opinião, existem sempre certas questões ou pessoas que provocam discussão, e este Euro 2012 não sofre por falta de material.

 

1. Reconheço que qualquer lista dos «melhores» é sempre muito subjectiva, não obstante as assumidas melhores intenções do painel que a determina. Nos 23 que foram seleccionados, ao risco de ser acusado de «puxar a brasa à minha sardinha», sinto alguma dificuldade em aceitar que Gerrard da Inglaterra ou Busquets da Espanha tenham tido uma prestação superior a João Moutinho ou até a Miguel Veloso. O alemão Neuer foi opção sobre Rui Patrício, mesmo tendo sofrido mais dois golos, e Cesc Fàbregas aparece na lista como um dos melhores avançados, quando se sabe bem que ele é médio e jogou como médio no Euro, não obstante a sua posição mais avançada no terreno. Participaram outros reais avançados nesta competição que mereciam reconhecimento.

 

2. Fernando Torres, sempre como suplente, acabou por ser considerado o melhor marcador da prova com três golos, empatado com cinco outros jogadores, incluindo Cristiano Ronaldo, porque apenas jogou 190 minutos no torneio. Na final, entrou a 15 minutos do fim, o que lhe permitiu marcar o seu terceiro golo e, então, assegurar a distinção de «melhor marcador».

 

3. Fica a ideia que quando os astros estão em linha, tudo sai bem. Contra Portugal, Gerard Piqué marcou a primeira grande penalidade da sua carreira profissional. Dá para imaginar a «tempestade» de críticas, se tivesse falhado. Na final, David Silva, não exactamente uma máquina de fazer golos - marcou seis esta época pelo Manchester City - executou aquele belo lance de cabeça para o primeiro golo da Espanha. Gostaria de saber se foi o primeiro do género da sua carreira.

 

4. Um caso para mim fascinante e difícil de dissecar: O lateral direito espanhol Álvaro Arbeloa, formado no Real Madrid e regressado ao Clube depois de ter andado por diversos outros, não passa de um defesa mediano que compromete frequentemente a sua equipa e não lhe concede qualquer profundidade ofensiva digna de registo. Por variadas circunstância e, sobretudo , por José Mourinho não ter os jogadores da sua preferência para a posição, jogou com alguma regularidade na equipa madridista e, mais recente, marcou presença no Euro como titular. Dá para compreender que o sistema de jogo da selecção espanhola, nomeadamente a meio campo, serve bem para compensar as suas insuficiências, mas fica no ar a interrogação se na Espanha, com o seu vasto leque de talentos, não existe um outro lateral direito superior. Claro, quando tudo corre bem... 

 

5. É justo que para o vencedor vão as honras. A Espanha venceu a final de modo categórico e os panegíricos não escasseiam. Para trás fica uma prestação muito discutível neste Europeu. Empatou com a Itália na fase de grupos, venceu a Croácia por 1-0 graças à arbitragem e arrasou a inábil República da Irlanda por 4-0. Venceu outra muito inábil França por 2-0 nos quartos-de-final e Portugal, nas meias-finais, como é conhecido. Venceu, indiscutivelmente, mas não deslumbrou e, na minha opinião, não enalteceu o futebol a jogar sem avançados. Dá para pensar que se todos os outros reproduzirem esse tipo de estratégia, os avançados irão desaparecer do futebol. Vejamos, mesmo com talentos inferiores, Portugal alinharia com os seus normais quatro defesas e, à frente deles, Moutinho, Veloso, Meireles, Custódio, Hugo Viana ou Rúben Micael e fica então para discussão se, numa das alas, haverá espaço para Nani ou Ronaldo. Provavelmente o primeiro, porque o jogador do Real Madrid defende menos e, por essa revolucionária nova óptica, goleadores são dispensáveis. É caso para Paulo Bento e todos os restantes seleccionadores reflectirem profundamente. 

Os nossos ídolos (2): Ivaylo Stonmenov Iordanov

 

Pedem-me para falar de ídolos. Tenho vários: todos do Sporting, com a excepção de um mito vivo italiano que um dia destes trarei aqui. Não é, hoje, o dia dele. Não é fácil escolher um grande ídolo verde e branco. Podia falar de Sá Pinto e de tudo o que ele simbolizou na minha juventude: coração, rebeldia, paixão por uma causa, intempestividade, raça. Podia falar da classe de Valckx, Luisinho, André Cruz, Douglas ou Balakov. Da entrega de Filipe, Duscher ou Oceano. Tudo nomes que levo para a cova, posso-vos garantir. Mas há um que me fez chorar, gritar, viajar, passar chuva, frio, correr o país de comboio, autocarro, trepar vedações para erguer lá no alto um punho cerrado de raiva pelos golos que marcava. Todos de raiva e com muito coração.

Eu tenho uma admiração gigantesca por Iordanov. Um búlgaro tosco que Sousa Cintra um dia se lembrou de ir buscar. Estava longe de ser tecnicamente brilhante, mas representou tudo o que gosto num jogador que sabe dessas limitações: raça, amor ao clube, respeito pelos sócios, entrega, capacidade de sofrimento. E que sofrimento passou ele. Do desastre à doença, da travessia no deserto dos títulos, ele mostrou que era possível dar a volta, superar adversidades internas e externas, criar um balneário forte. Querer vencer. Foi ele que nos deu aquela extraordinária e quente tarde no Jamor contra o Marítimo, talvez a primeira grande conquista presenciada pela minha geração. Foi ele que não descansou, mesmo com a doença a apoderar-se, enquanto não ganhou o campeonato para poder, lá em cima da glória, terminar a carreira. Foi ele que abraçou o leão do Marquês e fez ver a este país a verdadeira dimensão do Sporting Clube de Portugal.

Era ele que, ganhando ou perdendo, aplaudia cada deslocação fora, porque sabia que esse esforço colectivo era também uma dedicação por ele partilhada. Iordanov, os topos sul e norte, a central e a nova: uma só mística, uma só dedicação, um só símbolo no peito. Nunca, na mítica espera à porta da 10A - e que hoje tanta falta às vezes faz - Iordanov foi apupado. Era sempre aplaudido, mesmo quando perdíamos. Eu só tenho duas camisolas de jogadores do Sporting guardadas e uma delas está assinada pelo Iordanov, o mesmo capitão que me deu a honra de assinar o bilhete de Vidal Pinheiro. Da boca dele, ouvi então: "no Sporting até jogava de graça". Obrigado por tudo, campeão.

Só sai se o Sporting quiser

 

Podíamos ter ficado sem o Ricky van Wolfswinkel, melhor marcador dos leões na última temporada, porque o seu contrato prevê que o jogador possa sair, contra a vontade do clube, mediante o pagamento de 22 milhões de euros. Mas isso era em Junho e Junho é passado. Essa mesma cláusula de rescisão é válida apenas nos meses de Junho até 2015, ano em que termina o vínculo em questão. Quer isto dizer que o avançado holandês só deixará Alvalade se os leões assim o entenderem. Ou seja, até 30 de Junho, os interessados poderiam ter levado o jogador por 22 milhões. Mesmo que a SAD não estivesse disposta a transferir o jogador, era obrigada a fazê-lo. Agora, pensamos que vamos ter o Ricky a "comê-los".

O Euro à venda

A triste e desmedida decisão de Michel Platini e do Executivo da UEFA de aumentar a prova para 24 equipas, destruindo, por essa via, o actual formato que tanto sucesso tem tido, aterrorizou prontamente os mais «cognoscenti» do jogo e, com o passar do tempo, está igualmente a penetrar a consciência pública. Em 2016, na França, todos os candidatos adicionais serão do calibre da República da Irlanda - a única equipa que demonstrou estar fora do seu «milieu» nesta competição - em vez de serem países como a Rússia, a Croácia e a Ucrânia, que apesar de não teram passado a fase de grupos, deram provas de que têm valor para contribuir significativamente para a estrutura qualitativa do Campeonato Europeu. O novo formato implica seis grupos de quatro equipas, com os primeiros dois classificados de cada grupo e os melhores quatro terceiros a qualificarem-se para os oitavos-de-final. O total de jogos passará para 51, comparados aos actuais 31, durante o mesmo período de 29 a 31 dias.

A diluição do espectáculo é inevitável. A fase de grupos será semelhante à da Liga dos Campeões, com excesso de «população» e insuficiência de talento futebolístico. Pelo sorteio, não será necessário um "expert" para prever quais os países que passarão para a fase seguinte. E tudo isto para que fim?... Não será, com certeza, para o enobrecimento da segunda mais importante competição do mundo, mas sim para tornar mais «apetitoso» o pacote de dividendos para os usuais «proxenetas» de fato e gravata - em alguns casos de saia e lenço de seda - ávidos pela «pescaria» suculenta.

O que tudo isto significa é que estamos perante o fim do tipo de campeonato que não serve apenas para preencher tempo e espaço entre a publicidade televisiva. O tipo de campeonato que galvaniza multidões por esse mundo fora, pela sua beleza, competitividade e imprevisibilidade. Estas considerações que a UEFA desvaloriza desatentamente, é mais do que negligência, é mais do que não compreender tudo o que é mais gracioso do jogo, com beleza sem ímpar, até génio, quando a oportunidade lhe é concedida. É, no final das contas, uma falha de enormes proporções em reconhecer como o futebol melhor pode existir e como tão subitamente se o pode colocar em grave risco.

 

Adenda: já depois de ter preparado este texto, Michel Platini anunciou a decisão do Comité Executivo da UEFA de modificar novamente a estrutura operacional do Euro. A partir de 2020, a competição deixará de ser realizada em apenas um ou dois países e pode vir a ser disputada em 12 ou 13 cidades espalhadas pela Europa. Em termos logísticos, e não só, é de antecipar acrescidas complicações para as equipas, mas ficou por explicar qual o exacto intento desta alteração e os supostos benefícios para os intervenientes e, sobretudo, para o futebol.

 

A ver o Europeu (13)

Nunca tinha acontecido. Ao revalidar o título de campeã europeia ontem à noite em Kiev, Espanha consegue uma proeza inédita: nenhuma outra selecção recebera até hoje dois troféus consecutivos ao nível da Europa. Com a vantagem acrescida, para os espanhóis, de serem também campeões do mundo: conquistaram o troféu há dois anos, na África do Sul, e são desde já os mais sérios candidatos à dobradinha no próximo Mundial, a disputar no Rio de Janeiro.

Também inédita foi a expressão numérica desta vitória. A selecção comandada por Vicente del Bosque goleou os italianos nesta partida disputada na capital ucraniana: 4-0. Nenhuma outra final de um Europeu tivera até hoje números tão expressivos, o que demonstra bem a superioridade espanhola perante uma equipa italiana irreconhecível. Montolivo, Cassano, Balotelli e tutti quanti nem pareciam os mesmos que três dias antes venceram e convenceram a poderosa selecção alemã, vice-campeã da Europa, com um futebol capaz de conjugar espectáculo com eficácia.

 

Buffon, Pirlo e De Rossi - que foram campeões do mundo em 2006 - não conseguiram desta vez marcar a diferença. Toda a equipa comandada por Cesare Prandelli parece ter entrado em campo já derrotada pelos espanhóis. Uma atitude totalmente diferente da revelada pela selecção portuguesa no desafio da meia-final. Ao contrário de Portugal, que em grande parte do encontro de 27 de Junho confinou a equipa adversária ao seu reduto, os italianos cederam todo o espaço aos homens de vermelho. Era precisamente o que os espanhóis queriam. Donos do meio-campo, retomaram o carrocel de passes que tanto gostam de cultivar e costuma produzir um efeito hipnotizante nos antagonistas.

Também ao contrário do que sucedeu com os portugueses, os italianos revelaram-se demasiado permeáveis na defesa. Acabando por sofrer golos das mais diversas formas. David Silva, com apenas 1,70m, marcou de cabeça - proeza rara na carreira deste campeão mundial e bicampeão europeu. Jordi Alba - aposta ganha por Del Bosque ao sagrar-se o melhor lateral esquerdo deste campeonato - marcou como quis, após passe magistral de Xavi. Torres saltou do banco para marcar e dar a marcar ao também suplente Juan Mata, que (com perdão do trocadilho fácil) matou o encontro. E nem foi necessário o grande Iniesta mostrar-se ao seu melhor nível para a Espanha se passear no terreno quase como se estivesse sozinha em campo. Nada a ver com o bem disputado jogo inaugural das duas selecções, ainda na fase de grupos, em que o equilibrado confronto terminou num empate.

 

Para uma equipa atingir a excelência é necessário que o todo ultrapasse a soma das partes. Espanha, uma vez mais, atingiu a excelência. E esta selecção, sendo bem real, já se tornou lenda. No final, as imagens não podiam ser mais contrastantes: espanhóis em explosões de júbilo, italianos em lágrimas. No Euro 2012, só Portugal deu verdadeira luta aos espanhóis. Apenas os penáltis nos impediram de atingir a final, onde esta fatigada Itália não constituiria obstáculo de relevo para Rui Patrício, Pepe, Moutinho, Coentrão e Ronaldo. Mas é inútil entregar-nos a exercícios de especulação. "Na guerra, o essencial não é ganhar batalhas mas a vitória", ensinou Sun Tzu. Este sábio aforismo também se aplica ao futebol.

 

Final (ontem à noite): Espanha, 4 - Itália, 0

 

Apenas para dizer isto...

Se ainda existiam alguns cínicos quanto à excelente campanha de Portugal neste Euro 2012, a incontornável distinta exibição contra a Espanha que merecia ter sido coroada com vitória - tanto em termos de planeamento, estratégia e desempenho - espero que a final da competição os tenha elucidado de uma vez por todas. Se, mesmo assim, recusarem reconhecer esta irrefutável realidade, merecem ser ignorados perpetuamente na sociedade portuguesa.

Os nossos ídolos (1): PEDRO BARBOSA, um pouco mais de sol...

 

Conforme o Pedro anunciou aqui, coube-me a sorte alfabética (um karma que me persegue desde a escola) de inaugurar esta série dedicada aos “Ídolos” que marcaram os escribas deste blogue.

 

Acresce a este karma o outro karma, o de nunca ter sido dada a idolatrias. Nem sequer  nas idades em que somos mais tendentes a esses fervores. Sempre fui demasiado eclética, sempre gostei demais de demasiadas coisas, demasiados autores, demasiadas ideias. A humanidade sempre me pareceu  tão rica, tão contraditoriamente rica que regularmente  recusei a ideia de me  fixar num personagem, numa ideia, numa corrente.

 

Claro que a idade tinha que ter alguma vantagem e essa vantagem é a de podermos – e devermos – dar-nos ao luxo de começar a seleccionar o que realmente nos preenche e nos deve acompanhar no resto, que subitamente se anuncia, das nossas vidas. Começamos a recusar conhecer novos escritores, porque dificilmente leremos e releremos aqueles que amamos, começamos a recusar novas experiências musicais porque a nossa alma já está preenchida com replays e reinterpretações de sons que definitivamente já atribuímos a deus.

 

Neste reduzido universo em que me movimento, o do futebol é ainda mais reduzido.  A minha experiência futebolística sempre foi condicionada pelo conflito insanável de ter mãe sportinguista e pai benfiquista. Gostando comme il faut dos dois igual, a minha relação confessa com o clube ficou essencialmente reduzida ao ciclismo e ao hóquei em patins, modalidades em que se consegue sempre ser politicamente correcta.

 

Posto este fastidioso preâmbulo, a minha escolha para esta série recai no jogador que é simultaneamente o meu putativo ídolo  e a essência da alma lusitana, que só  Mário de Sá-Carneiro  conseguiu pôr a rimar. Um pouco mais de sol - eu era brasa/Um pouco mais de azul - eu era além/Para atingir, faltou-me um golpe de asa/Se ao menos eu permanecesse aquém...

 

Isso, estou a falar de Pedro Barbosa, titular do Sporting durante dez anos, quase tantos outros capitão da equipa. O mais inteligente dos jogadores que passou por este clube. O mais amado e o mais mal-amado.  Um ser capaz do mediano e do melhor superlativo. Um jogador que teve uma grande carreira e que passou ao lado de uma grandessíssima carreira. Uma leitura de jogo sempre perfeita, golpes de asa, necessariamente irregulares, má imprensa em geral, vítima dos mitos suburbanos a que nenhum jogador está imune.

 

Pedro Barbosa incorpora a genialidade lusa e o seu eterno estigma. A capacidade de ser grande e único e a irresistível tentação de não o confirmar consistentemente. O arauto do direito à genialidade e à preguiça. A eterna luta entre o direito à poesia e à afirmação da invencibilidade.

 

Pedro Barbosa, um dos nossos. Sempre.

 

PS: E, disse ele recentemente, só marcou dez ou onze penalties na sua longa carreira. E nunca falhou nenhum.

João Almeida bate recorde nacional

João Almeida, atleta do Sporting em representação de Portugal nos Europeus de Helsínquia, alcançou este domingo o tempo de 13.56 segundos, nos 110 metros barreiras, e retirou seis centésimos ao anterior recorde nacional, tendo ainda superado em quatro centésimos os mínimos olímpicos para Londres 2012. Afirmou o atleta: «Foi uma promessa cumprida, o que é difícil numa estreia em grandes competições como é este Europeu».

A ver o Europeu (12)

O presidente da FIFA, como o Rui Gomes já aqui assinalou, lembrou-se agora de criticar o recurso aos penáltis como forma de decidir qualificações para fases seguintes de torneios ou mesmo a conquista de alguns dos mais prestigiados troféus internacionais no futebol. Salvo melhor opinião, Joseph Blatter escolheu uma péssima ocasião para o efeito. Diz ele que as grandes penalidades são "uma tragédia" e fazem perder "a essência do futebol enquanto jogo colectivo". É inaceitável que fale assim poucos dias após um dos melhores golos do Campeonato da Europa ter sido marcado precisamente de penálti, pelo excelente Andrea Pirlo, campeão do mundo em 2006, actual campeão de Itália pelas Juventus e um dos mais fantásticos jogadores do Euro 2012, que termina hoje, em Kiev, com o jogo Espanha-Itália.

 

"A arte de jogar com os pés": foi desta forma certeira que El País qualificou o talento de Pirlo, único jogador até agora eleito o melhor em campo em três partidas deste Europeu. As palavras impressas no jornal espanhol, apesar de terem sido escritas antes das declarações de Blatter, parecem ter sido especialmente dirigidas para ele: "Apesar de ser um desporto de equipa (...), o futebol exige um gesto egoísta por excelência, um momento de glória pessoal, uma jogada para a posteridade, a fim de [um jogador] passar à condição de celebridade. Não é nada simples encontrar um momento tão solene e tão íntimo sem atraiçoar a condição de futebolista solidário admirado em todo o mundo."

Pirlo teve o seu momento nesse terceiro penálti contra os ingleses que deu ânimo aos italianos e destroçou psicologicamente a equipa adversária. Segundos antes, a squadra azzurra afundava-se naquele dilacerante embate dos quartos-de-final terminado num empate nulo. Segundos antes, o guarda-redes inglês Joe Hart parecia imbatível. A grande penalidade marcada "à Panenka", que eleva um simples penálti à condição de obra de arte, virou o destino da partida e tornou Pirlo um sério candidato à Bola de Ouro de 2012 (único dos mais cobiçados troféus ainda não conquistado por este ex-campeão europeu pelo Milan que também venceu o Mundial de Clubes em 2007). Tem a certeza de que um penálti é uma tragédia, senhor Blatter?).

 

Mestre da finta em espaço curto, especialista em passes longos que produzem soberbas variações de flanco, dotado de uma excepcional visão de jogo, Pirlo assume-se como comandante natural da selecção italiana - algo que falha noutras equipas. E voltou a ser fundamental na concludente vitória italiana das meias-finais contra a favorita Alemanha, conduzida à vulgaridade pelos seleccionados de Cesare Prandelli. Nesse jogo, disputado dia 28 em Varsóvia, a Itália não se limitou a ganhar: também deslumbrou pelo seu futebol inteligente e requintado. Com dois grandes golos de Balotelli, na sequência de excelentes passes de Cassano e Montolivo. E poderia ter ampliado a vantagem no festival de golos perdidos ocorrido na segunda parte, com Marchioso e Di Natale a falhar de forma tão clamorosa como Cristiano Ronaldo no último minuto da nossa meia-final disputada com os espanhóis.

Os espanhóis - que o presidente da UEFA, Michel Platini, pretendia desde o início ver na final disputada mais logo no estádio olímpico de Kiev - não terão tarefa fácil contra a equipa que mais tem corrido neste Europeu, sob arbitragem de Pedro Proença. Andrea Pirlo sabe, de facto, pensar com os pés. E consegue pôr o resto da equipa a pensar como ele.

 

Meia-final (jogada quinta-feira): Alemanha, 1 - Itália, 2

Ânimos exaltados na Assembleia Geral

Nunca se sabe se as assembleias gerais dos clubes servem para encontrar consensos, alternativas e enraizar a união entre os presentes ou se são pseudo ringues de boxe. Ontem, a Assembleis Geral do nosso clube não foi lá muito pacífica, com Bruno de Carvalho a dar a entender que nunca mais se acalma por não ter sido eleito presidente. Carvalho e o Presidente Godinho Lopes protagonizaram alguns momentos de tensão, com ofensas verbais. As ofensas levaram mesmo Daniel Sampaio, que presidiu aos trabalhos, a intervir, sendo ele também visado pelo Presidente Godinho Lopes que não gostou de ser repreendido. O Presidente tinha obviamente de se alterar quando as preocupações são transferidas da aprovação ou rejeição do orçamento do clube para perguntas sobre se este ou aquele jogador vai para outro clube do mesmo escalão. Enfim, o importante é que o orçamento de 2012/13 lá foi aprovado por 62,40% dos poucos sócios presentes, e que nem chegaram a duas centenas.

O que dizem eles

 

« Os penáltis são uma tragédia, porque escapam à essência do futebol. Torna-se um contra um. Vamos aguardar pelo que a comissão presidida por Beckenbauer pode desenvolver ». 

 

-    Joseph Sepp Blatter    -

 

Observação: Declaração do presidente da FIFA pela vitória do Chelsea, através das grandes penalidades, na final da Liga dos Campeões. O exacto mesmo aconteceu na meia-final entre o Real Madrid e o Bayern Munique e, mais recente, obviamente, no Euro 2012. Não dá para imaginar uma qualquer recomendação que a referida comissão possa apresentar como alternativa plausível. A antiga Liga Norte-Americana de Futebol (NASL) utilizava as grandes penalidades mas de modo diferente. O rematador assumia posse da bola à distância de 30 metros e tinha 5 segundos para rematar. Era permitido ao guarda-redes mover-se dentro da grande área e assim que tocava na bola, o lance terminava. Neste modelo, a vantagem era toda do guarda-redes. O jogador ou remata imediatamente ou tenta fintar, mas se a finta for morosa nunca chega a rematar, especialmente com o guarda-redes, por norma, a vir ao seu encontro. A FIFA, a exemplo de outras inovações implementadas por esta liga, nunca gostou do processo. Um outro cenário que já foi discutido, algures, é reduzir o número de elementos em campo no prolongamento. Em vez de onze, nove, oito ou sete. A «morte súbita» ou «golo de ouro», em que a primeira equipa que marca vence o jogo, durante os mesmos 30 minutos de prolongamento, já foi utilizada e não agradou. Uma hipótese que me ocorreu há muito, teria o número de remates certeiros como factor determinante. Ou seja, jogar-se-iam os 120 minutos como actualmente se faz e a equipa vencedora seria a que mais vezes acertou na baliza durante esse período. O aspecto que mais agrada desta fórmula, é que os jogadores teriam consciência da necessidade de atacar e rematar durante o jogo, caso venha a ser necessário o desempate. Penso que também reduziria imenso as táticas ultra-defensivas.  Admitindo que a FIFA não pretende regressar aos tempos da «moeda ao ar», outras alternativas viáveis iludem completamente. 

Manifesto pró-laranja, fulvo que te quero fulvo

1. Eu discordo do Alexandre Poço. Sou pelo equipamento alternativo dito laranja, que eu prefiro dizer «fulvo», amarelo tostado, próprio de animais de grande rusticidade e vigor, qualidades que tambem caraterizaram a nossa equipa no final da época que findou. O nosso símbolo é qual? O leão! O LEÃO, senhoras e senhores. Vejam a cor resplandescente daquela juba, aquele amarelado-sol, a pose leonina de Rei-SOL. Lembram-se dos leões do 'África Minha'? A sua imponência, a força da sua mancha fulva?

 

2. O dourado-alaranjado faz parte faz parte do nosso símbolo de forma impressiva. O leão do nosso emblema é da cor que sabemos. E não temos nada a lamentar a laranja mecânica, porque o que queremos é que esteja por detrás das camisolas alternativas uma equipa que seja uma máquina de jogar futebol. Que tenha a força e a determinação do leão - seja verdadeiramente leonina.

 

3. Esteticamente, também gosto delas. Acho um 'design' bem conseguido. Como alternativo, penso que vai ser um sucesso de vendas. Como alternativo, sublinho.

 

4. Não temos de ter medo da nossa raça. O verde é a nossa cor, o mar do nosso destino, o magnífico verde que Camões cantou. Mas o nosso símbolo é o leão. Ele deambula pelo magnífico campo verde, repousa nas sombras das ramagens verdes, quando os campos se tornam fulvos. E, quando avança para a presa, é o fulvo que domina a hora. A agressividade vem desse movimento guerreiro, agressivo e elegante ao mesmo tempo. O sol e o fogo presidindo à luta.  

Pág. 9/9

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D