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És a nossa Fé!

O "International Board" da FIFA aprova tecnologia

Uma decisão histórica foi hoje tomada pelo «International Board» da FIFA, o órgão responsável pelas regras do futebol: numa reunião em Zurique, foi aprovada a tecnologia na linha da baliza, com efeito no Mundial de Clubes 2012 em Tóquio, na Taça das Confederações 2013 e no Mundial 2014. Dois tipos de tecnologia serão utilizados, o «Hawk Eye», baseado na utilização de diversas câmaras, e o «Goalref», que utiliza um campo magnético e uma bola especial.

 

Os argumentos em prol desta inovação são bem conhecidos, o que não evita que esta decisão da FIFA seja menos controversa. Não hesito em adiantar a minha discórdia, não tanto pela implementação dos referidos meios para os fins citados, mas muito mais pelo precedente. Entendo que a beleza do futebol, e a discussão que a sua imperfeição provoca, é parte integral do espectáculo, sustentado exclusivamente pelo ser humano, quer seja ele atleta ou árbitro. A partir do momento que se começa a depender em meios tecnológicos, esse componente natural vai desaparecer e, com ele, tudo aquilo que desperta a paixão do mundo pelo jogo. Com o precedente estabelecido e concretizada a satisfação de todos aqueles que são adeptos da medida, muito em breve surgirão outras semelhantes exigências. Uma qualquer tecnologia para o fora-de-jogo, para a grande penalidade, para a determinação da falta, etc., etc., etc.. Por que não eliminar o árbitro completamente e substituí-lo por um robô situado a meio  campo com visão grande angular que dê cobertura ao rectângulo inteiro? No processo, os confrontos entre árbitro e jogador ou treinador também seriam eliminados, porque ninguém se atreverá a discutir com uma máquina que não tem sentimentos e que é incapaz de errar. Não é difícil de prever que a próxima exigência vai ser a utilização de vídeo para rever certos lances de maior grau de dificuldade e sensibilidade. Além de tudo mais, não acredito que a bola especial que terá que ser utilizada no sistema «Goalref» não precipite problemas, tanto com o controlo como com a trajectória. O segundo sistema tem outro componente incontornável: em competições do alto nível internacional, não existirá esse problema, mas assim que for implementado nos campeonatos domésticos, fica por explicar quem vai providenciar as câmaras indispensáveis para o sistema funcionar e, sobretudo, quem vai assumir a despesa. O jogo é o jogo, e não podem existir regras para umas provas e não para outras. Seja o que for, terá, logicamente, que ser implementado globalmente. Nada mais faz sentido.

2012/2013

1ª Jornada – V.Guimarães vs. Sporting
2ª Jornada – Sporting vs. Rio Ave
3ª Jornada – Marítimo vs. Sporting
4ª Jornada – Sporting vs. Gil Vicente
5ª Jornada – Sporting vs. Estoril
6ª Jornada – FC Porto vs. Sporting
7ª Jornada – Sporting vs. Académica
8ª Jornada – V. Setúbal vs. Sporting
9ª Jornada – Sporting vs. SC Braga
10ª Jornada – Moreirense vs. Sporting
11ª Jornada – Sporting vs. Benfica
12ª Jornada – Nacional vs. Sporting
13ª Jornada – Sporting vs. Paços Ferreira
14ª Jornada – Olhanense vs. Sporting
15ª Jornada – Sporting vs. Beira-Mar
16ª Jornada – Sporting vs. V. Guimarães
17ª Jornada – Rio Ave vs. Sporting
18ª Jornada – Sporting vs. Marítimo
19ª Jornada – Gil Vicente vs. Sporting
20ª Jornada – Estoril vs. Sporting
21ª Jornada – Sporting vs. FC Porto
22ª Jornada – Académica vs. Sporting
23ª Jornada – Sporting vs. V. Setúbal
24ª Jornada – SC Braga vs. Sporting
25ª Jornada – Sporting vs. Moreirense
26ª Jornada – Benfica vs. Sporting
27ª Jornada – Sporting vs. Nacional
28ª Jornada – Paços De Ferreira vs. Sporting
29ª Jornada – Sporting vs. Olhanense
30ª Jornada – Beira-Mar vs. Sporting
Se por acaso eu estiver incontactável, experimentem conferir o calendário.

O Europeu visto por Rui Santos (4)

No princípio era Scolari. Já o seleccionador brasileiro que conduziu Portugal a vice-campeão europeu e ao quarto lugar no Campeonato do Mundo se havia retirado um ano atrás e ainda Rui Santos lhe apontava o dedo acusador em Setembro de 2009. Era a melhor maneira de afastar responsabilidades do seu amigo Carlos Queiroz, que conduzia rapidamente a selecção nacional ao descalabro. Sem vencer um só jogo em casa na atribulada campanha para a qualificação do Mundial de 2010, com opções tácticas que ninguém entendia, sem controlo no balneário, Queiroz andava à deriva. Mas o amigo comentador, sem o beliscar, limitava-se a chutar para trás: «Quando Scolari abandonou Portugal os sintomas de uma certa degradação qualitativa eram evidentes.»

 

Depois de uma lamentável presença na África do Sul da qual excluiu o sportinguista João Moutinho, com a selecção portuguesa sem marcar em três dos quatros jogos disputados, Queiroz iniciou da pior maneira a campanha para o Euro 2012. Com um empate em casa (4-4) com o modestíssimo Chipre, em Guimarães, a que assistiram só nove mil pessoas. Soaram as campainhas de alarme: após a euforia da era Scolari, os portugueses estavam divorciados da selecção.

 

E Rui Santos, criticava enfim o seleccionador? Nada disso: «Temos que responsabilizar os jogadores», acusou. E aproveitava até esta derrota para lançar o nome de Queiroz como futuro presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Porquê? «Carlos Queiroz pensa o futebol, em termos de organização, como poucos em Portugal.» Nunca o Tempo Extra foi tão extraordinário.

 

A campanha prosseguiu da pior maneira, com uma derrota na Noruega. Cinco pontos perdidos nos primeiros dois jogos, três anúncios de retirada precoce da selecção: Deco, Paulo Ferreira e Simão Sabrosa haviam anunciado que não voltariam a vestir a camisola das quinas. Eduardo, o guarda-redes titular, parecia uma sombra de si mesmo. Nani fora afectado por uma estranha lesão, nunca bem explicada. E Cristiano Ronaldo, sem esconder a desmotivação, causara alguns desmaios no clube de fãs do seleccionador com uma frase letal: «Perguntem ao Queiroz.» Queria dizer: perguntem-lhe pelas derrotas, claro. Só Rui Santos não perguntou.

 

Acossado, o seleccionador sacudia a água do capote: «Tendo em conta a estrutura amadora da Federação, as coisas correram muito bem [na África do Sul]», disparou Queiroz. Era a versão que lhe convinha. Mas não pegou.

 

O desnorte do seleccionador era tanto que chegou a dizer isto: «Portugal não merece ganhar um campeonato do Mundo.» Uma frase impensável na boca de qualquer outro responsável do futebol nacional. Convém ter memória.

 

Imperou enfim o bom senso: Queiroz foi afastado. E Paulo Bento não tardou a ser escolhido para o seu lugar, conduzindo uma boa campanha para o Euro 2012. Tudo mudou. Logo com vitórias contra a Islândia e a Dinamarca (ambas por 3-1). O novo seleccionador reabilitou Moutinho e Carlos Martins, convocou João Pereira, recuperou Cristiano, Nani e Postiga. Os portugueses aplaudiam.

 

Voltámos a ter selecção nesse mês de Outubro de 2010. Ronaldo falava por todos os jogadores ao dizer isto: «Tem sido bom trabalhar com Paulo Bento e isso reflecte-se no campo." Percebia-se bem.

 

Todos com Paulo Bento? Não. Havia quem lamentasse a saída de Queiroz. Quem? O mesmo que tempos antes, quando Portugal sofreu uma humilhante derrota frente ao Brasil, fechava os olhos a todas as evidências continuando a enaltecer o seleccionador amigo. Com frases assim: "Eu não duvido nunca das capacidades de Carlos Queiroz"; "Carlos Queiroz faz muita falta ao futebol português"; "É um treinador necessário a qualquer federação de futebol do mundo." Quase a roçar a idolatria.

 

Quem então falava deste modo, abdicando do espírito crítico, hoje diz coisas como estas: «Paulo Bento tem um modelo de jogo muito conservador»; «Esta selecção não é a única do futebol português»; «Nós não ganhámos nada. Se o Paulo Bento pensa que o futebol começou com ele, está muito enganado».

Em termos de coerência ficamos definitivamente conversados.

A Geração Academia de Alcochete

 
A Geração Academia. Portugal tinha no Euro 2012 dez jogadores formados pela Academia Sporting. Destes, cinco eram titulares e dois deles os melhores jogadores da equipa. 
O caminho seguido ao longo das últimas décadas merece uma reflexão séria, tanto a nível interno como do futebol português. 
O Sporting nos últimos vinte anos ganhou dois campeonatos e nesses dois anos, 2000 e 2002, a formação teve uma influência diminuta. 
 
Formação
                                                                                               
Em 2000 
Jogadores titulares - Beto
No plantel - nenhum que jogasse um mínimo de 10 minutos  
Em 2002
Jogadores titulares - Beto e Hugo Viana
No plantel (com alguma utilização) - Ricardo Quaresma
Como se pode comprovar, a formação leonina não foi sinónimo de conquista de campeonatos. Então porque existe uma aposta tão forte? O Sporting sempre foi, mesmo nos anos de "vacas gordas", um clube formador. Os adeptos leoninos identificam-se com esta prática. É uma questão de identidade. É esta a filosofia que todos os clubes deviam seguir. E somos muito bons a fazê-lo. Nos últimos dez anos, no entanto, o paradigma mudou. Durante anos o clube formou grandes jogadores, mas a equipa não estava dependente deles. Na última década, também devido à falta de liquidez financeira e a uma péssima gestão desportiva, a aposta foi clara nos jogadores da formação. Foi mesmo graças aos "miúdos" que o clube foi lutando pelo título e foi quatro anos seguidos à Liga dos Campeões. Aqui saltam rapidamente vários pensamentos e teorias. Lembro-me muito bem que os comentários dos "especialistas" da televisão e jornais eram e passo a citar: "um clube de miúdos não ganha campeonatos", "o Sporting para ser um clube ganhador tem de investir em jogadores experientes", "o Sporting devia seguir o exemplo de Benfica e Porto", "os miúdos deviam fazer a passagem para o futebol profissional fora de Alvalade", "este não é o caminho para um clube com a grandeza que tem o Sporting" e etc
 
A visão do Sportinguista: 
Por um lado:
 
Como é que um clube que todos os anos forma óptimos jogadores não é campeão mais vezes? Porque ao longo dos últimos anos as políticas desportivas foram as erradas. Houve uma falta de visão gritante e um aproveitamento que podia ter sido glorioso foi apenas suficiente. Não se pode formar Cristianos Ronaldos e Figos e não ser campeão pelo menos uma vez. Não se pode apostar cegamente nos jogadores provenientes de Alcochete e não lhes fornecer uma equipa estruturada, sustentada e com líderes. Não se pode entregar a braçadeira a um miúdo sem carácter. Tem de existir o máximo aproveitamento possível dos "nossos" jogadores mas tendo sempre a preocupação de a responsabilidade não estar sobre os seus ombros. Além da categoria futebolística, os restantes jogadores do plantel têm de ser, também, uma mais valia "paternal". Têm de ser vistos com respeito e com admiração. OguchiRinaudo e Schaars entram directamente para este patamar. É este o caminho. Na época passada assistiu-se a um choque com o passado recente. Foi refrescante. Foi fundamental. O investimento foi grande e trouxe com isso um maior endividamento. O que agora é criticado por muitos Sportinguistas foi pedido durante anos. Curioso. Foi muito importante a vários níveis: dotar o plantel de jogadores com categoria internacional, trazer esperança à massa adepta e fazer um choque com o passado mais recente. Ao contrário do que se disse e escreveu esta nova etapa não significava minimamente uma mudança cultural no clube. E aqui cultural está relacionado com o facto de sermos um clube formador. Aqui o que estava em causa era uma filosofia errada. Não temos capacidade para manter por muitos anos os jovens por nós formados e por isso não conseguimos jogar com 7-8 ao mesmo tempo e sermos campeões com regularidade. Neste ponto o Barcelona é um caso à parte. O presente e o futuro é conseguir fazer uma mescla. A partir de agora a forma como os "miúdos" entram na equipa vai de encontro ao que sempre defendi para o Sporting. Já não é preciso contratar 18 jogadores. Esse trabalho está feito, e bem feito. Agora é simples. O normal início dos jogadores no futebol profissional faz-se na equipa B passando gradualmente para a equipa A. As posições carenciadas ou que não consigamos formar dentro vai-se contratar cirurgicamente fora.
Por outro lado:
Eu quero continuar a ser um clube formador. Um clube que aposta nos jogadores por si formados. Mas para isso o futebol português também tem de querer. Não pode ser só o Sporting a ter jogadores da formação a jogar com regularidade. As leis existentes em Portugal são totalmente contra quem quer apostar no jogador Português. São totalmente contra quem quer apostar na formação. Se observarmos os campeonatos que se equivalem ao nosso apercebemo-nos rapidamente de uma diferença abismal. Existe uma clara aposta, tanto ao nível dos clubes como das federações locais, no jogador nacional. Ver por ex. campeonatos Holandês e Francês. Em Portugal, tirando o Sporting nos últimos anos, ninguém aposta/joga com os jogadores portugueses. As excepções existem, mas são raras. Os jogadores estrangeiros, os empréstimos destes e o refugo dos grandes ditam as leis. Os jogadores com 18-21 anos são raros, para não dizer inexistentes, no nosso campeonato. Isto tem de mudar. O futebol português tem de mudar. 
 
A visão do adepto nacional:
Rezar para que a Academia continue a dar frutos. Desejar que o Sporting continue a apostar na formação. Se não passamos a estar ao nível da Bélgica ou da Dinamarca. 

A Selecção Nacional sub-19 fez anteontem o primeiro jogo no Europeu da categoria. No onze inicial estavam 7 jogadores do Sporting. E não estavam lá: Ié, Mica, Chaby ou Iuri Medeiros..
                                                                                                                                                      Texto também publicado Aqui

Não nos devemos extremar pelo exagero absurdo

Já tinha dado por terminados os escritos sobre o Euro 2012, mas não resisti transcrever o último trabalho de Kiev do jornalista inglês James Lawton.

 

«Não nos devemos extremar pelo exagero absurdo. A conquista do título pela Espanha foi um feito notável e merecedor de louvores, mas não significa, de modo algum, que é a melhor equipa de todos os tempos. Na noite de Domingo, o futebol espanhol foi tudo o que desejamos ver, com todas as qualidades que esperamos que nunca desapareçam, mas não é digno da avalanche de panegíricos sensacionalistas que vieram então a público, na tentativa de nos convencer que acabámos de ver a melhor equipa na história do futebol. Lamentavelmente, parece não ser suficiente reconhecer excelência, sublinhar o mérito da Espanha naquela noite e a confirmação histórica de dois títulos europeus e de um mundial. Não satisfaz afirmar que Andrés Iniesta e Xavi Hernandez são dos melhores e mais influentes jogadores que o mundo já viu. No todo deste processo, surgiu também a infeliz necessidade de trair outras grandes provas e outras grandes equipas. O domínio da Espanha nestes últimos anos é indiscutível, justificando a confiança de todos aqueles que apreciam o seu estilo de jogo, mas os festejos pecaram pelo exagero e o fogo de artíficio elevou-se excessivamente, ao ponto do absurdo. O problema é que o absurdo tem duas vertentes. Uma delas é que a equipa das equipas não atingiria o auge da sua realização, sombreando todos os registos históricos, de forma tão frágil e perigosa como os heróis de Domingo à noite fizeram. Essa equipa, nunca correria o risco de ser eliminada na fase de grupos, salvo uma brilhante defesa, por instinto, de Iker Casillas e alguns duvidosos critérios da arbitragem, pela ameaça da Croácia. A indiscutível melhor equipa de todos os tempos não chegaria à final através da lotaria dos penáltis contra Portugal, num jogo em que a diferença foi apenas a metade do poste em que Cesc Fàbregas acertou, com o remate decisivo.

A analogia mais popular Domingo à noite era que a Espanha silenciou todos os seus críticos e registou uma exibição tão brilhante que daria termo à discussão. Mas onde estaria a Espanha se o penálti de Fàbregas não tivesse entrado na baliza depois de ter batido no poste? Decerto que teria regressado a casa com mil lamentos. Esta é uma das razões que leva a acreditar que é preferível ser mais moderado quando se clama distinções tão excepcionais. A outra é o Brasil de 1970. O Brasil de Pelé, Jairzinho, Gerson, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto e o esplêndido, mas frequentemente esquecido, Clodoaldo.

A Espanha deve ser elogiada pelo seu domínio nos últimos anos e pelos 90 minutos em que exibiu o melhor de si, mas não à custa da verdade, nem por falta de memória da equipa que conquistou o melhor Campeonato do Mundo de todos os tempos com inigualável magnificência, vencendo todos os seus seis jogos na final e marcando 19 golos - mais 11 do que a Espanha fez há dois anos, com mais um jogo.

A Espanha terá ficado temporariamente proprietária do futebol de hoje, mas isso não implica que a Nação que venceu três Campeonatos do Mundo em 12 anos deva ser deserdada.

Este Europeu fez-nos lembrar o enorme potencial do futebol, quando é jogado com determinação, inteligência e técnica. Sob o enorme peso das prioridades financeiras, o jogo levou uma transfusão de excelência e, por isso, devemos homenagear os mestres do futebol moderno, mas nunca à custa do outro modelo de magnificência tão bem ilustrado por Pelé e os seus lendários companheiros».

Sporting contrata jogador indiano


O Sporting emitiu um comunicado a anunciar a contratação do jogador indiano Sunil Chhetri, que vai jogar na equipa B. Sunil Chhetri tem 27 anos, é avançado, estava ligado ao clube Mohun Bagan e é o capitão da Selecção da Índia, com 33 golos em 58 internacionalizações. 

Comunicado do Sporting: «Este é um dia histórico, o Sporting Clube de Portugal acaba de lançar a sua marca no mercado indiano. Demos início a um conjunto de parcerias, ligadas na sua essência à formação. O Sporting Clube de Portugal é uma marca amplamente reconhecida, certificada e com uma vasta história de sucesso na formação, como ainda recentemente se constatou no Euro 2012 e foi amplamente divulgado pela imprensa internacional. Chegámos ao futebol indiano, visando o seu desenvolvimento, num mercado estimado pela FIFA em mais de 20 milhões de praticantes. Sunil Chhetri, capitão da selecção indiana de futebol, um ídolo naquele país, que simbolizará os sonhos de todos os jovens que ambicionam jogar na Europa e que irá integrar o plantel da equipa B. Com a nossa experiência na detecção e desenvolvimento de futebolistas de topo, estamos prontos para em conjunto com os parceiros locais encontrar as melhores soluções para acelerar o desenvolvimento do futebol na Índia e encontrar valores jovens que poderão vir a integrar outras etapas da formação. A demonstração da qualidade dos nossos serviços indexará positivamente o nosso valor comercial, num mercado que é hoje um dos mais emergentes do mundo».

O Europeu visto por Rui Santos (3)

Rui Santos falou sempre em tom muito crítico nas apreciações que foi fazendo à equipa portuguesa ao longo do Euro 2012. Mas abriu uma notória excepção: sobre Nélson Oliveira falou sempre bem. De tal maneira que nunca regateou um elogio ao jovem avançado do Benfica. O entusiasmo era tanto que só ele viu o que mais ninguém conseguiu vislumbrar.

É caso para lhe gabarmos a coerência. Mas nada mais há para gabar. Porque o Nélson Oliveira que deslumbrou Rui Santos não chegou a comparecer nos relvados deste Europeu. Não jogou bem nem mal - foi simplesmente irrelevante. Varela, que esteve menos tempo em campo, teve oportunidade de marcar um golo e falhar outro que tentou marcar. O jovem que tanto elogio mereceu ao quilométrico comentador da SIC Notícias nem andou lá perto. Percebeu-se melhor por que motivo Jorge Jesus nunca o colocou a titular durante o campeonato: pode vir a ser um jogador de grande nível mas por enquanto não passa de uma simpática promessa.

Não é assim, Rui Santos?

 

Parece que não.

Já a 9 de Junho, nos estúdios de Carnaxide, o seu entusiasmo era incontrolável logo após o jogo contra a Alemanha: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já o melhor ponta-de-lança português. Não temos melhor.» O raciocínio é tortuoso e até paradoxal, mas percebe-se a ideia. Faltou apenas sustentá-la em factos.

A 13 de Junho, consumada a vitória contra a Dinamarca, parafraseou-se a si próprio. Nos mesmos termos paradoxais: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já neste momento o melhor ponta-de-lança português.» Em perfeito contraste (pasme-se) com os centrocampistas. «Sobretudo ao nível do meio-campo, há muito tempo que não tínhamos tanta falta de bons jogadores», afirmou no mesmo canal televisivo. Lançando um anátema simultâneo sobre Miguel Veloso, Raul Meireles e João Moutinho. Alguma lógica nisto? Absolutamente nenhuma. Mas tanto faz.

 

Ficaram por aqui os hossanas ao miúdo? Nem pensar. A 17 de Junho, consumada a vitória portuguesa sobre os holandeses, Santos insistia. Proclamando isto: «Eu sou um fã do Nélson Oliveira. Gosto muito do Nélson Oliveira.» E mais isto: «Nélson Oliveira é de facto um jogador que dá uma outra cara ao ataque português. Com ele o nosso ataque transforma-se.»

Cesse tudo o que a musa antiga canta que outro valor mais alto se alevanta. Deixo só uma perguntinha em jeito de remate: lembram-se quantos golos o "melhor ponta-de-lança português" marcou neste Europeu? Isso mesmo: não marcou nenhum.

 

As mulheres dos nossos jogadores (1): Frederica Sá Pinto

 

Como o Pedro relatou  aqui, reclamo a autoria moral desta nova série no nosso blog, sobre as mulheres dos nossos jogadores. Confesso-vos que a tentação da maldicência é enorme, mas até nisto o Sporting e os sportinguistas fazem a diferença. Podia apresentar as mulheres do jogadores como candidatas a misses e tentar ser irónico, mas o caminho não é por aí. As mulheres dos nossos jogadores merecem o mesmo respeito que os nossos ídolos, que tantas vezes suam as estopinhas em campo pelo Sporting. Apoiam-nos, dão-lhes a serenidade e estabilidade e são, como em qualquer família, as primeiras confidentes das dúvidas e incertezas dos nossos jogadores. O seu bom-senso faz a diferença e a falta dele também.

 

Ao iniciar esta nova série, que felizmente não ficou abrangida pela ordem alfabética do blog – ou pelo menos não foi falado – perverto ligeiramente as regras e falo aqui de Frederica Sá Pinto.

 

A mulher de Sá Pinto é a referência de estabilidade do nosso treinador. Deu-lhe duas filhas lindas, a Leonor e a Constança, e tem sido incondicional ao seu lado, acompanhando-o ao longo da sua carreira, primeiro como futebolista e depois como treinador ao longo de 17 anos de vida em comum.

 

Em declarações à Caras, em 2009, Sá Pinto revelava:”O segredo é amor, sinceridade, frontalidade, carinho. É importante haver um equilíbrio entre as personalidades, somos um pouco diferentes, mas complementamo-nos bem. Tenho a felicidade de ter uma família fantástica, com uma mulher e filhas maravilhosas. Estamos em perfeita sintonia." Isso reflecte-se em cada um e, no que a nós diz respeito, na forma como Sá Pinto encara o desafio de treinar esta nossa grande Equipa.

 

* Foto: Nuno Miguel Sousa (Caras)

«Ranking» FIFA

No mais recente «ranking» divulgado pela FIFA, Portugal recuperou o quinto lugar e, pela primeira vez na sua história, a selecção brasileira está fora dos primeiros dez (11.º). A subida de maior destaque deu-se com a Itália, que passou de 12.º para 6.º. Sei muitíssimo bem que este sistema de «ranking», que foi criado em 1993, obedece a uma computação com critérios muito específicos mas, à  primeira impressão, intriga como é que o Uruguai se posiciona em 3.º e a Inglaterra em 4.º. Isto não obstante, não compreendo nem aceito que jogos amistosos, nomeadamente de preparação, contem para esta computação. Se existir preocupação com esta consideração, uma qualquer selecção não pode arriscar fazer experiências com jogadores mais jovens ou menos utilizados nos jogos que são agendados precisamente para efeitos de trabalho preliminar, com o receio de descer no «ranking».

 

A classificação da FIFA: 1. Espanha / 2. Alemanha / 3. Uruguai / 4. Inglaterra / 5. Portugal / 6. Itália / 7. Argentina / 8. Holanda / 9. Croácia / 10. Dinamarca.

Conversas de lampião

Dois lampiões no balneário do ginásio:

 

- Então o nosso Benfica?

 

- Uma desgraça, uma desgraça.

 

- Sim, enquanto lá estiverem o Jesus e o Luís Filipe Vieira.

 

(Esperemos que estejam lá muito tempo...)

O Europeu visto por Rui Santos (2)

 

«Há melhores equipas [do que a portuguesa]. Algumas já ficaram para trás.»

Rui Santos, SIC Notícias, 17 de Junho

 

Às vezes questiono-me: e se o Rui Santos fosse seleccionador nacional? Certamente a equipa portuguesa não se teria apresentado em campo «com uma boa táctica mas falhando a estratégia», como ele considera que ocorreu no nosso jogo inaugural do Euro 2012, contra a selecção alemã. Faríamos mais e muito melhor do que fizemos nos últimos 12 anos, em que "só" marcámos presença em três meias-finais dos quatro Campeonatos da Europa entretanto realizados - em 2000, com Humberto Coelho ao leme da equipa, em 2004, com Scolari, e agora com Paulo Bento - e chegámos à final "apenas" uma dessas vezes, em 2004.

 

Dizem que Santos da casa não fazem milagres. Mas com o Rui seria diferente. Em vez de uma selecção onde «não há uma qualidade excepcional» já teríamos ido mais longe. O título europeu seria nosso, talvez até o título mundial. Se os espanhóis alcançaram semelhante proeza porque não nós também?

Paulo Bento devia ter escutado os conselhos dele na SIC Notícias antes daquele jogo contra os alemães, em que os então vice-campeões da Europa nos derrotaram por uma marca impensável: 0-1. O problema foi rapidamente detectado pelo arguto comentador: «Tivemos uma selecção horizontal e o Fábio Coentrão foi o único que teve um futebol vertical.» Simplesmente genial.

 

No jogo seguinte, a selecção nacional precisaria de «um sistema alternativo» para levar os dinamarqueses de vencida. Nada do 4-3-3 posto em prática pelo «sargentinho» que comanda desde 2010 a equipa nacional.

«Eu apostaria no Miguel Lopes para lateral-direito, encostaria o Miguel Veloso na esquerda e adiantaria o Fábio Coentrão para a frente, o Custódio seria uma boa opção para ser o médio eminentemente defensivo, o Raul Meireles, o Fábio Coentrão e o Nani a jogarem atrás dos pontas-de-lança que deveriam ser o Ricardo Quaresma e o Cristiano Ronaldo.» Tudo diferente do que se passou. Ou quase: pois Santos, condescendente, manteria Rui Patrício na baliza, assim como a dupla de defesas centrais.

E João Moutinho, que se revelou um dos melhores portugueses neste Europeu? «Moutinho desapareceria», alivitrou o sábio comentador, na pele de treinador de bancada, antes do jogo contra a Dinamarca. Sabendo de antemão, conforme confessou, que o «conservador» Paulo Bento não lhe daria ouvidos, optando pelo onze que perdeu com a Alemanha. «Um erro», a seu ver.

Mas a realidade tem o condão de perturbar as teorias, por mais excelentes que pareçam. Afinal o jogo correu bem a Portugal: acabámos por derrotar (3-2) os dinamarqueses, que antes tinham ganho à Holanda.

 

Ainda hoje me interrogo como conseguimos esta e outras vitórias sem Miguel Lopes a lateral-direito, sem Miguel Veloso a lateral-esquerdo, sem Coentrão adiantado, sem Custódio no lugar de Moutinho e sem Quaresma no lugar de Postiga.

O «sargentinho» tem muita sorte...

O que dizem eles

 

«Vamos arrancar para uma nova época com confiança e vamos contar com um plantel de enorme qualidade e com muitas soluções, um plantel que qualquer clube da Europa se orgulharia de ter».

-    Luís Filipe Vieira    -

 

Observação: Como já é seu (mau) hábito, o presidente benfiquista insiste no discurso sustentado por hipérboles, mas considerando que já anda em plena campanha eleitoral, é de esperar uma boa dose de sensacionalismo fortuito. Não surpreenderá ver novamente 22 ou 23 estrangeiros, onze dos quais sempre em campo, e com o «menino bonito» Nélson Oliveira a aquecer o banco ou, até, a bater à porta da equipa B, se Jorge Jesus evidenciar a mesma receptividade pelo jogador que se verificou na época passada. Com o acréscimo de contratações e associados, lá vai o passivo para os 500 milhões. Já faltou mais. Mas... muito mais importante e de sublinhar «não vai responder a provocações», algo semelhante à afirmação da época passada em que não falaria das arbitragens.

 

O homem mais solitário do mundo

O futebol permite imortalizar imagens que nos acompanham vida fora. Imagens de implacáveis derrotas e vitórias redentoras que nada têm a ver com a abstracta "justiça dos resultados" tantas vezes invocada em vão pelos comentadores da modalidade. Porque o que se joga num relvado, sobretudo numa competição com a amplitude de um campeonato do mundo, transcende largamente um resultado desportivo, tornando-se uma espécie de alegoria do destino humano. São momentos de glória e desespero que perpetuam famas, boas e más. Momentos como aqueles segundos finais desse fantástico jogo que foi o Gana-Uruguai, ontem disputado em Joanesburgo.

Os ganeses desejavam ser a primeira selecção africana a atingir as meias-finais de um Mundial. Os uruguaios, arredados desde 1970 de uma meia-final, ambicionavam resgatar o brilhante passado futebolístico do seu país, campeão mundial em 1930 e 1950. Motivações diferentes, mas suficientemente mobilizadoras para empolgar os atletas. Naqueles instantes, cada um deles transportava os sonhos de milhões.

Foi aí que tudo aconteceu. A pressão atacante ganesa rompeu a exausta defesa uruguaia: com o guarda-redes Muslera batido, Luis Suárez - a estrela da equipa - impediu duas vezes consecutivas a bola de entrar na baliza. Mas à segunda actuou à margem das leis futebolísticas.

 

Como se pode falar em "injustiça" no futebol? Neste jogo disputado com os pés, Maradona tornou-se um deus do Olimpo ao marcar com a mão contra a Inglaterra em 1986. Thierry Henry conduziu fraudulentamente a França ao Mundial da África do Sul ao meter também a mão à bola. E foi igualmente com as mãos que Suárez alterou o curso da história, impedindo o Gana - o primeiro país da África negra a tornar-se independente no ciclo pós-colonial - de chegar ao pódio mundial do futebol.

Tudo mudou naquele fragmento final do jogo. O árbitro português, Olegário Benquerença, assinalou o inevitável penálti. E todo o peso do mundo caiu de imediato sobre os ombros do ganês Asamoah Gyan, encarregado de o marcar. O destino decide-se numa fracção de segundos, em poucos centímetros de terreno. Como às vezes numa guerra mundial. Como às vezes no mais banal acto do nosso quotidiano. Se marcasse, Gyan veria o seu nome inscrito para sempre na galeria dos heróis; se falhasse, tornar-se-ia símbolo de fracasso a perdurar por gerações. Que o diga o guarda-redes Moacir Barbosa Nascimento, o guarda-redes que deixou entrar o fatal golo uruguaio na final do Maracanã, em 1950, ditando o traumático adeus do Brasil ao título na sua própria casa.

 

Gyan tomou balanço, partiu para a bola - e rematou à barra.

Nada mais havia a fazer.

Seguiu-se a roleta das grandes penalidades que sempre ocorre quando o desafio termina empatado, como este terminou (1-1). Mas era óbvia a vantagem do Uruguai: o falhanço anterior arrasara psicologicamente os jogadores do Gana, enquanto os sul-americanos se sentiam ungidos pela graça de Deus.

Levaram a melhor, claro.

No futebol, a fraude pode compensar: ganhou quem merecia perder. Mas o estranho sortilégio deste jogo passa também por isto.

O rosto de Gyan, devassado pelos grandes planos televisivos, era uma máscara de dor: uma etapa crucial da vida dele fechou-se para sempre quando aquela bola bateu na barra. Naquele momento, não havia ser humano tão fotografado no planeta. Naquele momento, não havia ser humano tão solitário no mundo.

 

Texto publicado faz hoje dois anos aqui, durante o Mundial na África do Sul

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