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És a nossa Fé!

Arquivo do Passado

Sou um coleccionador nato, desde antiguidades, pinturas, fotografias, porcelanas, selos, moedas e tudo quanto se relaciona ao futebol, em geral, e ao Sporting, em particular. Infelizmente, a maior parte do meu vasto sortido futebolístico encontra-se armazenado por falta de espaço; uma mala cheia de camisolas oferecidas por jogadores, uma rede com cerca de 20 bolas autografadas por equipas, centenas de galhardetes e medalhas, bilhetes de jogos, cartões, etc. . Aos poucos vou localizando alguma coisa e a propósito da série iniciada pelo José da Xã, «Eu estive lá», deparei com alguns ingressos de ordem diversa, entre os quais este convite para assistir ao Sporting 3 Paços de Ferreira 1, no dia 6 de Junho de 1993. O Sporting era então treinado por Sir Bobby Robson e encontrava-se em 3.º lugar na tabela classificativa. Naquele dia alinhou de início com: Rogério Peres, Carlos Jorge, Paulo Torres, Nelson, Peixe, Filipe Ramos, Luís Figo (Yordanov 57m), Cadete, Juskoviak, Capucho e Porfírio (Balakov 45m). Os marcadores foram Yordanov, Capucho e Cadete.
Curiosamente, o que mais me recordo dessa data não é o jogo em si, mas sim um episódio que ocorreu na Tribuna. Estava eu em conversa com o Hilário quando surge o central holandês Stan Valckx, extremamente enervado, porque o presidente foi ao balneário e impediu-o de se equipar. Aparentemente, o Stan fez um comentário durante a semana relativamente aos prémios de jogo que não agradou a Sousa Cintra. 

Os nossos ídolos (17): Carlos Lopes

Carlos Lopes terá sido o maior dos nossos exemplos como atleta. Campeão dos campeões, colocar aqui o seu palmarés daria um ror de páginas, tal a extensão das suas vitórias.  

 

Conheci e corri com o Carlos Lopes numa altura em que este corredor andava (leia-se corria!) a treinar para as olimpíadas de Montreal. Estávamos em finais de 1975. E a primeira vez que eu vi o Carlos ao vivo foi num fim de tarde frio e chuvoso, desse mesmo ano de 75 e foi uma emoção que jamais esquecerei. O nosso atleta corria, acompanhado de outros grandes nomes do atletismo sportinguista e nacional (o Fernando Mamede era um deles!), à volta do velhinho Estádio José de Alvalade apenas para aquecer. Trinta voltas era mais ou menos o limite.

Seguidamente era vê-lo ainda na pista de cinza a correr, finalmente a sério, naquele seu passo quase impossível de acompanhar. O Professor Mário Moniz Pereira de cronómetro na mão ia dando indicações dos tempos e o Carlos já quase não corria, simplesmente voava.

Semanas mais tarde embrenhei-me também no grupo de atletas que aqueciam ao lado de Carlos Lopes. Ninguém tinha a veleidade de correr a seu lado no aquecimento. Os mais novos ficavam cá atrás, na cauda. Mas valia a pena estar ali.
Só a presença deste atleta ali naqueles longos aquecimentos incutia nos mais jovens um respeito formidável, se bem que Carlos nunca usasse o seu estatuto de campeão. Foi sempre um homem educado e bom companheiro.


Foram momentos felizes, esses, em que tive o privilégio de correr ao lado no nosso maior atleta olímpico. Com ele aprendi algo que ainda hoje mantenho como raiz da minha vida: espírito de sacrifício. Retirando dos treinos pouco convivi com o Carlos - eu não passava naquela altura de pouco mais que um gaiato - mas percebi que ali estava não só um homem na verdadeira acepção da palavra, mas sim um vencedor nato e um enorme leão. Um exemplo!
E durante o resto da minha vida, que não passou claramente pelo atletismo, segui com ansiedade as suas corridas. Ri com as suas imensas vitórias e chorei com alguns (poucos) desaires.

Nunca olvidarei aquela maratona ganha nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984. De tudo o que Carlos ganhou essa foi talvez aquela que ele mais mereceu.

 

Anos mais tarde encontrei-o num café na baixa pombalina. Apeteceu-me meter conversa, falar de outros tempos, mas tinha a certeza que ele jamais se recordaria de mim. No entanto, eu jamais esquecerei o deste nosso imenso campeão.

Matías Fernández a caminho da Fiorentina

Muito embora ainda não exista algum comunicado oficial, parece certo que o argentino que optou pela nacionalidade chilena está a caminho da Itália. No último ano de contrato com o Sporting e considerando o excessivamente povoado meio campo da equipa, era de esperar que surgisse uma saída. Não será uma transferência consensual no universo sportinguista, pelo grande valor do atleta quando joga ao seu melhor nível. Entre opções de treinadores, questões de ordem táctica que o colocaram frequentemente a jogar fora da sua posição mais natural e a recorrência de lesões, nomeadamente ao serviço da selecção do seu país, Matías Fernández tem registado um percurso muito irregular no Sporting e, diga-se, muito aquém das expectativas. Chegou ao Villarreal por cerca de 9 milhões de euros em 2006, depois de ter sido votado o melhor jogador da América do Sul. Foi transferido para o Sporting em 2009 por 3,6 milhões de euros e 20% do lucro de uma eventual transferência. É caso para dizer que, apesar do seu excepcional talento, Matías dá prejuízo aos clubes por onde passa. Desconhece-se o valor deste provável negócio com a Fiorentina, mas não surpreenderá que seja por uma verba inferior ao seu custo de há três anos. A realidade é que o Sporting não tem estado em boa posição para valorizar activos e considerando que, em Janeiro de 2013, ele ficará livre para assinar por quem desejar a custo zero, mais não será de esperar. 

Adenda: O Sporting já enviou participação à CMVM, indicando existir um «acordo de princípio» mas não menciona os valores da transferência.

O que dizem eles

«Desde que a A BOLA TV continue a apoiar o Benfica, o maior de todos os clubes ao cimo da terra, obviamente que vão contar com o meu olhar atento e cirúrgico. Apostar no Benfica só irá trazer lucros... Aliás, imponho como condição para me tornar adepto do vosso canal televisivo se a quantidade de notícias relacionadas com o Benfica for substancialmente maior do que aquelas sobre os outros clubes».
 -    Fernando Alvim    -
Observação: Se o historial do periódico desportivo fundado por Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo em 1945 servir de alguma indicação, é de antecipar que o animador do programa Prova Oral, na Antena 3, vá estar colado «cirurgicamente» ao ecrã televisivo 24 horas por dia, 7 dias por semana, e sem ter que impor, como condição, aquilo que já é a notória política editorial do jornal. A bem dizer, com a Benfica TV a funcionar, a necessidade de mais do mesmo, noutro canal, ilude o bom senso. 

Os nossos ídolos (16): Manuel Fernandes

Começo com uma pequena revelação, que serve como uma espécie de registo de interesses: sou sportinguista desde sempre e era um pouco fanático em miúdo. Em vez de desenhar casas, árvores, carros e aviões, os meus desenhos eram quase invariavelmente sobre o Sporting, os jogadores do Sporting e o estádio do Sporting (o velhinho José Alvalade). No meio disto tudo tinha vários ídolos, entre jogadores, treinadores (Malcolm Allison à cabeça) e dirigentes (João Rocha, claro), mas um fazia a diferença: o capitão Manuel Fernandes.

O "Manel", como muitos lhe chamam no clube, nasceu em Sarilhos Pequenos, em 1951, mas cresceu e fez-se futebolista para criar grandes sarilhos aos nossos adversários, em especial ao rival de sempre. Quem se pode esquecer dos seus quatro golos no célebre jogo dos 7-1, a 14 de Dezembro de 1986? Eu nunca esquecerei.

Manuel Fernandes começou no futebol profissional ao serviço da extinta CUF (em 1970) e acabou a carreira no Vitória de Setúbal (em 1988). Pelo meio jogou doze anos no Sporting, vários deles como capitão e ao lado de figuras como Rui Jordão, Vítor Damas, António Oliveira, Manoel, Virgílio ou Keita. Manuel Fernandes era único. Com um apetite insaciável pelas redes adversárias e um faro único pelos golos, foi sempre injustiçado nas chamadas à selecção nacional. Um jogador que fez 433 jogos com a camisola do Sporting e marcou 256 golos apenas vestiu a camisola das quinas 31 vezes (marcou nove golos)!? Quem sabe onde teríamos chegado naquele Europeu de 1984 se o Manuel Fernandes estivesse num onze onde cabiam e brilhavam Jordão e Chalana, entre muitos outros?

O "capitão" foi sempre digno de pertencer uma linha de goleadores do Sporting onde já figurabam Travassos, Peyroteo, Hector Yazalde, entre outros. Manuel Fernandes tem ainda outra característica importante: não gosta de vira-casacas. Ainda no ano passado, no decurso das eleições para a presidência do Sporting, disse que não achava normal que jogadores que foram parar ao FCP e ao SLB se intitulassem e fossem tratados como "figuras do clube". Concordo, quem vai já não volta.

Em miúdo consegui o autógrafo dele e da equipa toda. Há cerca de um ano tive a honra de o conhecer pessoalmente, apresentado pelo Presidente do SCP na tribuna de honra do Alvalade XXI. Só tive uma coisa para lhe dizer: "O Senhor é uma lenda viva".

Os nossos ídolos (15): Vítor Damas

Vítor Damas, um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre, nasceu a 8 de Outubro de 1947 em Lisboa e morreu prematuramente aos 55 anos, em Setembro de 2003. Este mítico jogador, senhor de inaudita elegância dentro e fora dos relvados, fez nada mais nada menos do que 444 jogos oficiais em dezanove épocas ao serviço do seu clube do coração. A sua ascensão à titularidade no primeiro escalão do futebol leonino coincide com a minha tomada de consciência “sportinguista”. Acresce que um guarda-redes destaca-se no campo não só porque se equipa de cor diferente, mas porque assume o solitário papel idiossincrático dum homérico contrapoder – cabe-lhe a missão de se transcender de corpo inteiro, incluindo as mãos, na obstrução do maior objectivo dum jogo que se joga com os pés: o golo. Assim se entende como ele é por natureza um cromo tão difícil, definição que encaixa como luvas no mítico guardião leonino.

Talvez seja por isso que, na perspectiva de uma criança, não só o ponta-de-lança mas também o guarda-redes adquiram tanta importância num jogo ainda difícil de interpretar: tratam-se afinal do primeiro e último reduto do exército no campo de batalha. Nesse sentido, tomar consciência do futebol com protagonistas como Yazalde e Vítor Damas foi um privilégio que sustentou o meu sportinguismo. Nas brincadeiras, “ser o Damas” era o privilégio de ser a antítese de Eusébio, o incontestável ídolo da época, que quando um dia lhe perguntaram qual a sua melhor memória do velhinho estádio de Alvalade, em vez de se referir aos seus golos ou vitórias, aludiu a uma extraordinária defesa do Damas ocorrida em 9 de Novembro de 1969 que então ocasionou a vitória ao Sporting por 1-0. Por estas e por outras é que Carlos Pinhão, histórico jornalista de A Bola, descreveu em manchete o mítico guarda-redes leonino como “o Eusébio do Sporting”. Foi sem dúvida um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre.

De facto, Vítor Damas distinguia-se entre os postes pela garra, intuição, agilidade e elegância. Mas fora dos relvados diferenciava-se por uma erudição na época invulgar no meio: sabia exprimir-se como poucos colegas, e a determinada altura manteve até uma crónica regular no jornal do Sporting - um traço que para mim fazia toda a diferença. 

Dizem que Damas era irreverente e que tinha "mau perder", que entre os postes era capaz do melhor e do pior de um jogo para o outro. Mas acontece que era um líder da equipa e que do coração sangrava verde e branco até  a última gota. Uma qualidade rara nestes tempos: foi desde menino que orgulhosamente envergou e dignificou a camisola verde e branca, com a qual toda a vida se bateu e com que veio a morrer e tornar-se para toda uma geração um verdadeiro ídolo. Assim, decidiu viver para sempre. Quantos contratos milionários isso não vale, Rui Patrício?

Famintos de títulos

Que bom que é ver um internacional holandês a chegar a Alvalade dizendo-se “faminto” de títulos. Na semana passada ouvimo-lo do nosso novo central, Khalid Boulahrouz, o profissional de 30 anos que já passou pelo Chelsea, Sevilha, Estugarda e Hamburgo e que recusou agora ir para o Fernerbahçe, mesmo com o clube turco a oferecer-lhe mais 500 mil euros por época do que lhe podia dar o nosso Sporting. É sinal de que alguma coisa começa a correr bem.

Dia após dia, semana após semana, a equipa compõe-se. Chegam reforços para lugares chave, vindos de bons portos para nos ajudar numa época decisiva para o futuro do clube. Já aqui escrevi o que penso sobre isso: o Sporting tem que voltar à Liga dos Campeões,tudo o resto pouco importa.

Talvez seja o momento para reconhecermos o que de bom têm feito Carlos Freitas e Luís Duque nestes meses. Estou certo que são hoje uma enorme mais-valia, como foram aquando do nosso último título, na construção de uma equipa à altura das melhores. Acho que ninguém duvida que temos jogadores para vencer, seja em que campo for.

Talvez não exista melhor prova disso do que as palavras do consócio Carlos Barbosa, até há meses vice da direcção do Sporting. Há uma semana fez-lhes um rasgado elogio, assim como à Academia que disse estar “blindada” aos problemas do clube. Por conhecer o Carlos Barbosa, por reconhecer a sua competência e o seu sportinguismo, queria só pedir-lhe, aqui no nosso blogue, que evitasse as críticas que fez logo na frase seguinte – ao presidente do nosso clube.

Digo-o apenas porque acredito que a equipa precisa de uma estabilidade que há muito não tem. E por saber que esta é a tal época decisiva. Acredito que o consócio perceberá este meu pedido. Até porque se chegar um dia à presidência vai querer para si o mesmo que lhe peço aqui e agora.

Recebido por email...

Diferenças entre Sportinguistas e Benfiquistas

 

Estavam 3 Benfiquistas e 3 Sportinguistas numa estação, à espera de comboio para irem a um jogo de futebol.

Os 3 Benfiquistas vão até à bilheteira e compram três bilhetes.

A seguir, vão os 3 Sportinguistas até à bilheteira, mas só compram um bilhete.

Os Benfiquistas ficam espantados e perguntam:

- Como é que vocês são três e só compram um bilhete? Vocês não têm hipótese de fazer a viagem e passar o mesmo bilhete para os três...

- Não se preocupem que vocês vão ver... (respondem os Sportinguistas)

 

Mal entram no comboio, os 3 Sportinguistas dirigem-se ao sanitário e apertam-se lá dentro o melhor possível, de maneira a fechar a porta.

Quando vem o revisor, pica os bilhetes dos Benfiquistas, vê a luz do sanitário acesa, bate à porta e diz:

- BILHETE, por favor!

A porta abre-se só com uma frincha, através da qual sai uma mão com o bilhete.

O Revisor agradece e segue.

Os Benfiquistas acham a ideia fantástica e decidem fazer o mesmo, na  viagem de regresso.

- Estes Sportinguistas são uns génios!!!! (dizem os Benfiquistas)

 

No regresso, os 3 Benfiquistas compram só um bilhete, mas os Sportinguistas não compram nenhum.

- Como é que vocês vão viajar sem bilhete? É impossível!

- Vocês vão ver, está tudo sob controlo - objectam os Sportinguistas.

Quando entram no comboio, os Benfiquistas espremem-se todos para dentro de um sanitário e fecham a porta.

Os Sportinguistas fazem o mesmo no sanitário ao lado.

Passado um minuto, sai um dos Sportinguistas, bate à porta do sanitário dos Benfiquistas e diz:

- BILHETE, por favor!

Eu estive lá (2) - Sporting - Real Madrid

Esta partida foi mais uma daquelas em que o Sporting fez tudo para ganhar. Deste jogo destaco o grande golo de Oceano, que não foi claramente suficiente para eliminarmos um Real Madrid onde pontuavam, entre outros, Buyo e Laudrup. Ganhámos por 2-1 mas havíamos perdido na primeira mão por 1-0, se a memória não me falha.

 

Alguns erros do árbitro ajudaram também o Real a ultrapassar o nosso Sporting, mas foi um dos grandes jogos que vi em Alvalade.

 

O bilhete da minha entrada foi este:

 

 
Este o filme: 

 

Do comentário futebolístico

Quando comecei a ver futebol, e a interessar-me pelas coisas do futebol, havia excelentes comentadores que faziam tudo já não digo para ser isentos mas para parecer isentos. O Carlos Pinhão era benfiquista mas escrevia como se o não fosse, o Vítor Santos era do Sporting, mas também escrevia como se o não fosse.
A partir de certa altura os órgãos de informação passaram a privilegiar os comentadores de emblema e cachecol. Houve até uma altura em que a palavra de ordem parecia ser esta: quanto mais fanático e sectário pareceres, melhor. Dava "boas audiências" e o resto não interessava.
Assim se formou uma geração de jovens espectadores fanatizados, cada vez mais sectários, incapazes de reconhecer mérito a uma equipa adversária, adoptando como lema frases do género "ou vai ou racha".

Tudo porque dava jeito às sacrossantas "audiências".


Eu, no entanto, sou do tempo em que conseguia aprender a ver e ler futebol pela voz ou pela pena de jornalistas do meu clube (o Fernando Correia, que felizmente se mantém no activo, é um excelente exemplo disso) ou de clubes rivais (e jamais esquecerei o Pinhão ou até o Alfredo Farinha da era pré-Vale e Azevedo).
Isso perdeu-se. E sou o primeiro a lamentar. Mas o que mais lamento é ver programas como Zona Mista pretenderem fazer a quadratura do círculo: conciliar o cachecol com a análise objectiva. Isto é um lapidar erro editorial de que o benfiquista João Gobern foi vítima ocasional, no final de Março, só porque não sabia que estava a ser filmado no momento em que o seu clube do coração marcava um golo e ele levantou os braços num impulso eufórico - algo que, suponho eu, qualquer um de nós no lugar dele faria caso fosse o nosso clube a marcar. Prepara-se agora, quatro meses depois, para assumir o emblema clubístico num programa também do canal público onde é obrigatório exibir cachecol. Talvez porque o anterior locatário da cadeira, Júlio Machado Vaz, não revelasse suficiente fervor encarnado. Assim se completa um círculo bem demonstrativo dos circuitos dominantes na opinião futebolística do momento...

 

Defendo uma clara delimitação editorial, sobretudo tratando-se de um canal com especiais responsabilidades de serviço público, como é a RTP. Pode e deve haver programas com adeptos de clubes. Mas por maioria de razão também pode e deve haver programas sobre futebol feitos por jornalistas, que não esquecem os seus deveres deontológicos de imparcialidade e rigor.

Confundir as duas coisas - informação e "entretenimento" - é o pior de tudo. E que acaba por ter os resultados que já se viram, com o Provedor do Telespectador da RTP, após "cerca de 103 reclamações" (deliciosa expressão...), a recomendar ao canal público a adopção de uma "carta de princípios" destinada a "tornar claros e concretos os deveres dos colaboradores, autores e jornalistas".

Deixem lá a Sónia Araújo usar o cachecol azul e branco quando o seu clube ganha o campeonato. Não queiram é cobrir o rigor informativo e a análise isenta com um cachecol.

Foto do Blog da Sónia Araújo

Figo e Peixe *

Vou cometer um crime de lesa-pátria sportinguista, mas sempre que (re)vejo o Figo lembro-me do Peixe. O primeiro tem a história que se sabe, o segundo tem uma história de que poucos se lembram.

Peixe ingressou no Sporting ainda como iniciado e cedo foi notado o seu talento. Foi campeão europeu de juvenis em 1989 e campeão mundial de juniores dois anos depois. Contemporâneo de Figo, o seu estilo de jogo era inconfundível: a sua rapidez e visão do jogo tornavam-no polivalente dentro das quatro linhas, podendo jogar como médio ou defesa.

Lembro-me de o ver a jogar no Estádio. Nos anos 90 fez história no Sporting, sendo considerado um jogador incontornável na equipa. Tudo parecia correr de feição a Peixe, mas erros de análise do seu empresário, que impediu a renovação do contrato com o Sporting, levaram-no a Espanha, onde jogaria apenas uns meses. Em 1995, regressa a Alvalade, mas por pouco tempo. Desentendimentos com a Direcção levam-no para o FC Porto. Desentende-se também a norte, passa ainda pelo Alverca, emprestado, SLB e União de Leiria, mas as lesões e as sucessivas incompatibilidades nos clubes onde se encontrava colocam um ponto final na sua carreira, aos 31 anos. Já ninguém se lembrava dele.

Inversamente, Figo foi construindo o seu percurso como jogador e fez-se um dos melhores do mundo. O Sporting não conseguiu segurá-lo e torna-se a nova coqueluche do Camp Nou, em 1995. Cinco anos mais tarde, o Barcelona não lhe perdoa a traição de ir para o Real Madrid. De Espanha ruma a Itália, terminando a sua brilhante carreira no  Inter de Milão.

Figo e Peixe. Dois sportinguistas com percursos tão diferentes. Cada um à sua medida e proporção, duas faces da mesma moeda. Pesando cada uma das palavras que vou dizer a seguir, o que aconteceu ao Figo poderia ter sucedido ao Peixe. Ou vice-versa. A história é feita dos vencedores, mas também aqui, às vezes, é bom lembrar os vencidos, que em campo e com a nossa camisola verde e branca nos deram muitas alegrias. É, naturalmente, a ambos que dedico esta crónica.

 

* Artigo publicado na edição de hoje do Jornal do Sporting

Polivalência «leonina» - Gonçalo Álvaro

Gonçalo Álvaro - fisioterapeuta do futebol profissional do Sporting desde Junho de 2004 - conquistou o título dos 500 metros de veteranos A no Nacional de pista, em canoagem, na competição que decorreu durante o fim-de-semana no Centro de Alto Rendimento em Montemor-o-Velho. Além do primeiro título nacional da modalidade para o Sporting, o polivalente fisioterapeuta «leonino» ainda se classificou em segundo lugar na final dos 1000 metros. O ecletismo do Sporting não tem limites!

Os nossos ídolos (14): Jordão

Se, nos anos 40, a geração do meu pai teve os 5 violinos – Jesus Correia, Vasques, Albano, Peyroteo e Travassos - a minha geração teve o trio de cordas (esta designação foi acabadinha de inventar, pode ser que pegue) que maravilhou adeptos: Manuel Fernandes, António Oliveira e Jordão.

Confesso-vos que me é muito difícil escolher entre estes três jogadores que, nos anos 80, formaram uma linha avançada inesquecível, mas pelo percurso, pela garra, pela tenacidade, pelas vitórias e pelo sportinguismo, inclino-me para o Jordão.

 

Falar de Rui Manuel Trindade Jordão é evocar tempos de glória que coincidem com o início do meu sportinguismo. Foi com Jordão na Equipa que celebrei o meu primeiro campeonato do Sporting, a minha primeira Taça e a minha primeira Super Taça (a época irrepetível de 1981/82). Natural de Angola, começa a sua carreira pelo Sporting de Benguela e desperta o interesse quer do slb quer do Sporting. Mas na Luz são mais assertivos e Jordão, apesar de Sportinguista de coração, joga pelos encarnados de 1971/72 a 1975/76. O sucesso alcançado no clube rival leva-o a uma curta experiência, mal sucedida, em Espanha (Zaragoza), para, finalmente, se estrear com a camisola do clube do seu coração (e nosso) na época de 1977/78, ficando em Alvalade durante nove épocas, até 1985/86 com a camisola nº 11. Como se em si mesmo, encerrasse, toda a Equipa.

 

Do baú das memórias de infância e adolescência recordo alguns jogos memoráveis em que Jordão fez a diferença: os 3-1 ao slb (três tentos de Jordão), o penálty marcado à Selecção da URSS que carimbou a entrada de Portugal no Euro 84 em França, os 2 golos na meia final deste campeonato europeu, em que Portugal perde com a França por 3-2 no prolongamento. Ou a festa do título frente ao Rio Ave em Alvalade, na época 1981/82, onde Jordão marcou cinco dos sete golos (7-1). Ou as muitas assistências feitas a Oliveira e Manuel Fernandes que permitiram ao Sporting ser grande.

 

Jordão foi muito mais do que um jogador do Sporting. Sofreu pelo Clube, era massacrado pelos adversários que não perdiam uma oportunidade para o deixar fora de campo. No Armazém Leonino desenterrei estas declarações de Jordão a falar das suas lesões: «A primeira foi em 1974, num Benfica-F. C. Porto, no Estádio da Luz, num lance disputado com o Gabriel: tropecei no calcanhar dele, caí desamparado, de tal forma que fiquei com a perna dobrada para trás. Meniscos, ligamentos cruzados, tudo fracturado. Apenas se safaram o ligamento anterior e a rótula. Levei mais de um ano a tentar recuperar. Em vão. Em Portugal não se fizera o diagnóstico exacto da lesão, tive de ir à Bélgica para se perceber que não sofrera apenas fractura de menisco! Fui operado de imediato, recuperei. Tinha 22 anos. Três anos passados, de novo no Estádio da Luz, aquele famoso lance com o Alberto, ao interceptar-me de forma violenta, acertando-me no pé de apoio, fracturando-me a tíbia da perna direita. Mais uma época de estaleiro. Depois de uma longa recuperação, reapareceria num jogo nocturno entre o Sporting e o Famalicão, e o José Eduardo, com uma entrada pelas costas, partiu-me o perónio da perna esquerda e os ligamentos da tibiotársica. Foram três lesões muito graves que, obviamente, me impediram de fazer coisas ainda mais bonitas no futebol...».

 

Nos dez anos com a camisola do Sporting, Jordão marcou 141 golos em 207 jogos! Por influência de Eurico e Manuel Fernandes acabaria a sua carreira no Vitória de Setúbal. E quando todos pensavam que estaria acabado, ainda foi chamado, uma última vez, para a Selecção das Quinas.

Afastou-se dos palcos e da ribalta do futebol. Dedicou-se à pintura com o empenho e a garra que se lhe conhece e que nunca abandonou. Dizem que pinta bem. Gostava muito de ter um quadro dele...

Dr. José Manuel Meirim: a decisão do CJ

Num post que publiquei intitulado «O que dizem eles», no qual comentei as declarações de algumas figuras públicas sobre a decisão do Conselho de Justiça da FPF, relativamente à proibição dos empréstimos no futebol português, citei esta do dr. José Manuel Meirim: «A decisão é clara e significa o fim da proibição ao cancelamento dos empréstimos». A minha observação: «E quem andar à chuva, molha-se. Foi necessário consultar um especialista em Direito para nos dizer isto? É evidente que o mais importante, pelos seus conhecimentos jurídicos, ficou por dizer, para não contrariar a maré ».

 

As comunicações electrónicas facultam um certo anonimato aos leitores, pelos seus comentários. Recebi um, identificando-se como José Manuel Meirim, e não obstante alguma apreensão da minha parte, quanto à sua genuinidade, transcrevo-o neste espaço e respondo:

 

«Não tenho por hábito interferir nas opiniões sobre a minha pessoa e afirmações. Por uma questão de reposição da verdade - os comentários são, na maioria das vezes, efectuados com total desconhecimento do contexto - devo acrescentar algo aos leitores e comentaristas deste blogue. A única pergunta que me foi feita pelos jornalistas - no desconhecimento dos fundamentos da decisão do CJ - só tinha aquela resposta. Não sou responsável pelo que me perguntam. Apenas sou responsável pelo que respondo. De todo modo, trazido a debate um denominado princípio da liberdade de trabalho, não vejo como o mesmo fica afectado com a proibição das cedências nos termos da norma da LPFP. Tal princípio funciona, em pleno, no momento em que os clubes que querem ser cedentes contratam os jogadores. A partir daí, com a liberdade de acesso ao trabalho assegurada, não vejo como a proibição da cedência, como configurada, ofende tal princípio. Se os clubes os contratam, porque não ficam com eles ? Obrigado. José Manuel Meirim».

 

Resposta:

 

Caro Dr. José Manuel Meirim,

 

Subscrevo inteiramente as suas palavras, não obstante o reparo algo derrogatório, e pelo que agora se verifica, injusto, que dirigi à sua pessoa, pela frase «no que ficou por dizer, para não contrariar a maré». Apenas a modo de explicação, esta crítica deve-se, fundamentalmente, à minha óptica pessoal e sportinguista há muito influenciada pelas anormalidades que ocorrem com exasperante frequência no futebol português, invariavelmente em seu detrimento e, colateralmente, do Sporting. Apresento-lhe as minhas sinceras desculpas pela incorrecta presunção, muito embora nunca tenha duvidado do seu real parecer no que diz respeito à essência jurídica da alegada «limitação de livre acesso a trabalho», assim noticiada como a principal justificação do Conselho de Justiça da FPF, ao dar provimento ao recurso apresentado pelo Benfica. Em última análise, a sua apreciação do caso corrobora a minha, por outras palavras.

 

{ Blogue fundado em 2012. }

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