Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

És a nossa Fé!

Algumas perguntas, algumas respostas

O Sporting saiu mais forte do clássico de ontem do que entrou?

Sim, sem a menor dúvida. As duas equipas proporcionaram aos adeptos portugueses, independentemente das simpatias clubísticas de cada qual, um dos melhores espectáculos desportivos ocorridos num palco nacional na última década e meia. Foi um jogo de emoções fortes, com elevada nota no capítulo técnico e que colocou permanentes desafios de ordem táctica aos treinadores. Foi um jogo em que a incerteza sobre o desfecho pairou até ao último dos 120 minutos (tempo regulamentar mais meia hora de prolongamento). É costume dizer-se nestas ocasiões que o futebol está de parabéns. É uma frase batida mas que tem plena validade no rescaldo desta eliminatória da Taça de Portugal com sabor a final antecipada. Tenho a certeza de que nenhum outro desafio deste certame será tão bom como este foi. Ao bater-se como se bateu, independentemente do resultado, a nossa equipa tornou-se mais forte, mais robusta e mais madura, pelo menos em resistência psicológica. É um ponto a salientar num plantel tão jovem (média de idades: 22,29 anos).

 

Falhámos um dos nossos objectivos da época?

Não há que hesitar: a resposta é sim. Perdemos contra um rival que conta com um plantel mais vasto e cuja qualidade ninguém pode negar - sobretudo contra um rival que tem um orçamento para o futebol que mais do que duplica o do Sporting nesta temporada. Mas a conquista da Taça de Portugal era a nossa principal meta, em termos realistas, para a época em curso dadas as limitações do plantel - em idade, experiência e nível salarial - em comparação com os dos nossos dois principais adversários e sobretudo tendo em vista o ponto de partida. Na pré-temporada, nenhum - repito: nenhum - comentador de futebol antevia que pudéssemos nesta fase estar em segundo lugar no campeonato, só a dois pontos do líder. E não esqueçamos: na época passada fomos afastados da Taça mais cedo ainda, a 21 de Outubro. Não devido a uma derrota tangencial contra o Benfica, em jogo disputado na Luz, mas aos pés do modestíssimo Moreirense. Há uma diferença abissal entre uma coisa e outra.

 

É verdade que o Sporting "não tem banco"?

Não: isso é uma falácia. Posta a correr na pré-temporada pelos apressadinhos do costume, que adoram conceder as faixas de campeão antecipado ainda antes de estalarem as castanhas do São Martinho. Com um plantel à partida mais limitado do que o das últimas épocas, o Sporting já demonstrou ter boas opções alternativas ao onze titular definido por Leonardo Jardim. Não por acaso, a reviravolta ocorrida com sucesso no mais recente desafio do campeonato, contra o Marítimo, e a quase-reviravolta ontem registada na Luz produziram-se em grande parte graças aos suplentes que o treinador leonino em boa hora mandou sair do banco. Alguns deles começam a tornar-se revelações desta temporada, com destaque para o jovem Carlos Mané, duas vezes chamado a relançar ou segurar o jogo sempre com êxito, aliás já sublinhado pela crítica da especialidade.

 

 

O Sporting pode queixar-se do árbitro no jogo contra o Benfica?

Sim, seguramente. Basta ler a apreciação unânime dos críticos de arbitragem no Tribunal do diário O Jogo, na edição de hoje: houve pelo menos uma grande penalidade perdoada ao Benfica, por braço do defesa André Almeida na grande área encarnada. E dois desses três críticos assinalam, sem hesitação, que Cardozo estava deslocado no momento em que recebeu o passe para o terceiro golo da sua equipa. David Borges, na SIC Notícias, chamou ontem a atenção para o facto de o lançamento pela linha lateral que originou o quarto golo do Benfica ter sido executado à margem das leis do jogo. Os títulos da imprensa, incluindo a mais insuspeita de simpatia pelo Sporting, não deixam lugar a dúvidas. "Dois penáltis por marcar a favor do Sporting", destacou o Record na capa da edição de hoje. "Duarte Gomes não assinala duas grandes penalidades contra o Benfica e deixa passar um golo em fora de jogo", titula o Correio da Manhã. E até Frederico, ex-defesa do Benfica, reconhece no Record que "Luisão derrubou Montero" na sua grande área. "Limpinho" foi uma palavra que felizmente desta vez ninguém usou.

 

Temos um problema de organização defensiva?

Parece-me que sim: basta reparar que sofremos nove golos nos últimos três jogos. Leonardo Jardim terá pedido ao presidente, entre os reforços de Inverno, um novo defesa central. É notório que a dupla Maurício-Rojo está longe de ser a ideal. Cabendo as maiores críticas ao argentino, talvez o nosso jogador com prestação mais fraca nesta eliminatória da Taça. Dos quatro defesas, só Maurício tem garantida a titularidade. Rojo é lateral esquerdo de raiz, e estará mais à vontade aí, mas nessa posição Jardim prefere apostar em Jefferson, que tem dado boas provas sobretudo em missões ofensivas, e também já utilizou Piris. Este, por sua vez, é lateral direito de origem, ameaçando assim o habitual titular, Cédric. Eric Dier, o mais promissor defesa central da nossa formação, revelou intranquilidade quando o técnico mais apostou nele, contra o Rio Ave e o Marítimo, o que aumenta as dúvidas em redor do nosso quarteto defensivo.

 

O treinador tem motivos para apostar em dois pontas de lança?

Sim. Quando isso aconteceu, com Montero e Slimani simultaneamente em jogo, a equipa subiu de rendimento. Nessas ocasiões Montero recua ligeiramente e a equipa beneficia da sua superior capacidade técnica na recuperação de bolas, nos confrontos individuais, nas simulações e na precisão de passe. O argelino é inferior tecnicamente ao colombiano, mas já demonstrou ter instinto de matador perante as balizas adversárias, com notável grau de eficácia (três golos) para quem não fez um só jogo enquanto titular. O 4-3-3 habitualmente utilizado por Leonardo Jardim ressente-se de imediato quando um dos elementos do meio-campo está em subrendimento - geralmente por cansaço de André Martins - o que aumenta as distâncias entre linhas e torna infrutíferas muitas das nossas manobras atacantes. Slimani fixo na frente com Montero como unidade mais móvel: esta pode ser a melhor solução do dispositivo táctico leonino para certas fases de diversos jogos.

40 comentários

Comentar post

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D