Tal como não sou
treinador de bancada, também não sou Direcção sombra: posso (e devo) pensar pela minha cabeça e opinar à minha vontade, mas tenho em nome do bom senso de admitir que, tal como o treinador sabe do plantel coisas, muitas coisas, que eu desconheço, também a Direcção saberá do treinador coisas, porventura muitas coisas, que eu não sei (e se calhar nem devo saber). Sendo a legítima Direcção do meu clube, tenho de lhe conceder o benefício da dúvida. Gostei que o Domingos tivesse vindo para o Sporting, sou pela estabilidade das equipas técnicas, acho que a pressa é inimiga do bom trabalho ("depressa e bem, não há quem"), acho que as Direcções devem dirigir e os treinadores devem treinar, e sou, muito em especial, contra qualquer interferência da malta de cabeça quente, às vezes rapada, e sempre com muito pouca coisa dentro, nas decisões do Clube. Porém, se a decisão da saída de um foi devidamente ponderada e se justifica, e se a decisão da entrada do outro obedece à lógica simples e óbvia de recorrer à "prata da casa" para salvar o que puder ser salvo desta época, e aproveitar minimamente aquela que é, para todos os efeitos, uma grande equipa, então adeus Domingos e bem-vindo Sá Pinto, porque a vida continua e o que me interessa não são os treinadores, nem os jogadores, nem os directores - é o Sporting.
