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És a nossa Fé!

A voz do leitor

«A nossa memória é tramada. Lembro um jogo da Liga dos Campeões: Barcelona x ? (raio da memória). Numa arrancada típica de Ronaldo, o fenómeno, a ser empurrado desde a entrada da área e dentro da dita. Ronaldo, um puro, de cabeça levantada, levou o lance ate o fim mas chutou para fora. No banco do Barcelona, [Bobby] Robson, aos saltos, lixado, faz o gesto de salto para a piscina. Um rei inglês disse a um nobre, a propósito dos piratas: "Meu caro, este Império não se fez só com nobres, também, e muito, com os piratas." Qualquer comparação com o futebol é pura coincidência.»

 

Leão de Queluz, neste texto do Pedro Oliveira

Nunca pensei dizer isto, temos de ser fortes: Marega esteve bem

Vamos lá a ver, não há aqui meias tintas: Marega fez bem, se não saísse de campo era mais um incidente que passava despercebido. No futebol há muito lodo, muita coisa a mudar, para o racismo não pode haver lugar. Para ontem. 

E não está aqui em causa que não haja insultos nos estádios, que seria do futebol sem palavrões de um adepto inflamado? Eu não os uso e até devia, tem a ver com um regrar muito pessoal. Mas estou mais que habituada a ouvir, ou fazer que não ouço, insultos no estádio. Tanto vernáculo para usar e recorre-se a sons simiescos? Leiam Bocage, está lá bem aplicado o português a ser usado. 

Falando em Marega, e nos mal entendidos que já pululam por todo o lado, ninguém pede que deixem de o insultar, Marega enquanto adversário é detestável, um provocador, quem não pensou já cobras e lagartos do avançado do Porto? A questão é que a raça não tem nada a ver com o assunto. Insulte-se por igual, não se meta o racismo na equação. Por que há-de estar o que se diz condicionado mais à cor da pele que ao comportamento provocador ou à camisola que usa em campo? Não faz sentido, e quanto mais cedo se interiorizar que não há lugar ao racismo em lado nenhum, melhor para todos. 

Quanto às teorias bacocas de racismo bom ou racismozinho que surgem sempre nestas alturas, são lixo, não há nada a ter em conta ali. 

Aproveito para recordar que Balotelli ameaçou sair do campo em Novembro, num jogo frente ao Verona, por motivos semelhantes. O resultado foi que o líder da bancada de onde vinham os insultos racistas foi banido até 2030. Sublinho que Balotelli não precisou de  sair do campo para haver consequências.  

Reitero: Marega esteve bem. 

Evitar o pântano desportivo

O projecto desportivo da Direcção do Sporting falhou.

Plantel globalmente fraco, treinadores em série, bancadas despidas de adeptos, descrença generalizada dos sócios, distância pontual assinalável para os nossos rivais, tudo somado não é o Sporting a que nos habituámos nos últimos anos.

Confesso que esperava mais de Frederico Varandas e da sua equipa. Um Presidente com conhecimento do futebol, domíno da gestão desportiva e assertivo. No entanto, nada disso aconteceu.

Lamento muito que Frederico Varandas tenha desperdiçado a oportunidade de contratar um catedrático como Jesualdo Ferreira, para estabilizar a equipa e trabalhar os futuros craques provenientes da Academia, optando, antes, por um monitor como é Silas, que está longe de preencher os mínimos olímpicos para treinar o Sporting.

As sucessivas oportunidades falhadas impõem, pois, neste momento, uma clarificação.

A Direcção, se pretende levar o mandato até ao fim, precisa de renovar a confiança junto dos associados do clube. O contexto assim o pede. Doutro modo, iremos cair num pântano, processo que será bastante doloroso e comprometerá ainda mais o clube.

Pódio: Neto, Luís Maximiano, Jovane

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Rio Ave-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Neto: 17

Luís Maximiano: 17

Jovane: 15

Eduardo: 14

Bolasie: 14

Borja: 14

Battaglia: 12

Sporar: 12

Plata: 11

Idrissa Doumbia: 11

Ristovski: 11

Wendel: 11

Camacho: 10

Coates: 9

 

O Record e A Bola elegeram  Neto  como melhor em campo. O Jogo optou por  Luís Maximiano.

A pior exibição da época

Pelo menos foi o que disse Silas depois do jogo. Referia-se obviamente ao período em que está à frente da equipa, mas para mim foi mesmo a de toda a época. Valeu o emprestado, limitado mas sempre esforçado Bolasie para repetir o que fez na Vila das Aves: do nada cavar um penálti e assim evitar a derrota.

Com um plantel tão desequilibrado como o do Sporting, quando faltam três dos quatro melhores jogadores num campo difícil como o de Vila do Conde seria sempre de prever dificuldades. Mas quando mais uma vez se altera o modelo de jogo e o onze em posições chave, então está-se mesmo a pedi-las.

Do 5-3-2 contra o Portimonense com Battaglia e Wendel a médios mais recuados, passámos para um 4-3-3 com Doumbia e Eduardo nas mesmas funções. Não há equipa que aguente tanta alteração, tanta improvisação, tanta falta de articulação entre colegas. Sucederam-se passes para jogadores marcados em cima e de costas para a baliza, passes para ninguém, centros para lado nenhum.

SIlas já veio dizer que não se demora cá muito, quando quiserem pega nas malas e vai à sua vida. O plantel também sabe isso mesmo, a mensagem já não passa e a equipa transforma-se num bando que corre e luta sem critério. Ontem o Coates lá foi para rua mais uma vez na tentativa de travar adversários lançados pelo seu lado, onde o Ristovski anda sempre em parte incerta e foi responsável por mais um golo (já perdi a conta aos lances por alto perdidos por ele esta época ao segundo poste que dão origem a golos ou centros para golo), não sem antes tentar fazer por ele o trabalho dos onze e quase conseguir um autogolo. Se no caminho perdesse a bola, como normalmente acontece, seria mais um contra-ataque bem perigoso do adversário.

Pelos vistos com a saída de Bruno Fernandes deixou também de haver definição sobre quem marca livres e penáltis: fica à mercê de quem agarra na bola com mais força.

Enfim, que bom seria se a temporada acabasse já. Mas ainda falta muito. O Braga (terceiro com mais um ponto) realmente descobriu um magnifíco treinador que de parecido com Silas tem a falta de habilitações mas conseguiu em pouco tempo transformar aquela equipa que entrava para perder fora de casa contra os grandes e ganhar cinco vezes seguidas aos mesmos, o Rio Ave (quatro com manos três pontos) e o Guimarães (sétimo com menos oito) jogam bem e são adversários a considerar na luta pelo pódio. 

E voltamos também à questão de andarmos a emprestar e vender jogadores a clubes que acabam por competir connosco por posições importantes no acesso às competições europeias: Palhinha e Esgaio no Braga, Dala e Mané (que ontem teve azar no remate que daria a nossa derrota) no Rio Ave. Dá que pensar, de facto.

SL

Ristovski, um homem em fúria

2020.02.16.jpg

Ontem, passou na RTP Memória, um dos meus filmes preferidos; "12 Angry Men", doze homens em fúria (na tradução portuguesa) ou doze homens e uma sentença (na tradução brasileira).

O filme conta a história de um miúdo de 18 anos, acusado de assassinar o pai, através das "certezas" e das dúvidas dos doze jurados que o podem absolver mas que, também, o podem condenar à morte.

Parece culpado mas afinal estava inocente, como Ristovski, como poderia ele tirar dali aquela bola com o avançado mergulhador e cavador de expulsões a empurrá-lo com os dois braços?

artigo (não premium) do Observador com a crónica do jogo e as imagens

 

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 
 

Da péssima exibição em Vila do Conde. Foi muito melhor o resultado (1-1) do que o desempenho do Sporting em campo, esta noite, no Estádio dos Arcos. Com um golo sofrido quando estava decorrido apenas um minuto após o apito inicial, na sequência de um lance que fez tremer toda a organização defensiva da nossa equipa, que terminou o jogo com menos posse de bola, apenas cinco disparos à baliza e só um canto conquistado. O Rio Ave teve o dobro dos remates e o triplo dos remates enquadrados.

 

Das ausências. Como se já não bastasse termos perdido Bruno Fernandes no final de Janeiro, entrámos em campo nesta partida sem três titulares absolutos: Acuña, Mathieu (ambos por lesão) e Vietto (por acumulação de cartões). Num plantel à partida tão desequilibrado e cheio de carências, isto tornou ainda mais complicada a vida para Silas neste primeiro jogo após ter conseguido o diploma de treinador de nível 3, que ainda não lhe permite assumir responsabilidades oficiais no banco, tanto na Liga portuguesa como nas competições europeias.

 

Do onze inicial. Se as ausências forçadas já limitavam a eficácia em campo, o técnico não facilitou a vida a si próprio ao excluir Battaglia dos titulares, optando pelo medíocre Idrissa Doumbia, e ao preferir Eduardo a Jovane para jogar de início. Opções que só viriam a ser rectificadas em situação de quase desespero, quando o Sporting já jogava com dez.

 

Da expulsão de Coates. Nem o facto de ser agora o capitão principal da equipa parece ter conferido maior estabilidade emocional ao uruguaio, que enterrou o Sporting no desafio da primeira mão ao cometer três grandes penalidades e receber um cartão vermelho. Desta vez aguentou 71 minutos em campo: já tinha um amarelo quando pisou Taremi em jogada perigosa perto da grande área leonina. E lá voltou a rumar mais cedo ao balneário, cedendo a braçadeira de capitão a Neto. Curiosamente, foi a partir dessa inferioridade numérica que tivemos o melhor período neste jogo, concretizado no empate aos 84'.

 

De Ristovski.  Outra péssima exibição do macedónio, que pareceu estar sempre no local errado à hora errada. Com responsabilidades directas no golo madrugador dos vilacondenses, ao deixar o defesa adversário Al Musrati - em estreia no plantel da casa - movimentar-se como quis e cruzar para assistir Piazón, Ristovski nunca mais acertou marcações e provocou diversos calafrios aos colegas ao perder a bola ou entregá-la aos rivais. Quando Silas, no fim do jogo, declarou que este foi o pior desempenho da equipa desde que substituiu Leonel Pontes, estaria certamente a pensar em larga medida no lateral direito.

 

De Wendel. Outro pesadelo ambulante no Estádio dos Arcos. Nunca foi o organizador de lances ofensivos de que o Sporting necessitava para se superiorizar ao Rio Ave. Lento, apático, frouxo, desistindo de disputar a bola, perdendo sucessivos duelos individuais, pareceu mais um espectador no relvado do que um protagonista a quem caberia a pesadíssima responsabilidade de fazer esquecer por momentos a ausência de Bruno Fernandes. A displicência em campo do brasileiro chegou a ser ofensiva para a grande maioria dos colegas da equipa. E para os adeptos, claro.

 

De Sporar. Apresentado como reforço no mercado de Inverno, o avançado esloveno acaba de cumprir o seu quarto jogo pelo Sporting sem um golo nem uma assistência. Desta vez nem andou lá perto. Desmarcou-se pouco e mal, pareceu pouco interessado em abrir linhas de passe e continua sem mostrar os supostos predicados que justificaram a sua contratação por um preço quase dez vezes superior ao do lesionado Luiz Phellype.

 

Do 0-1 ao intervalo. Sem importunar o  guarda-redes adversário, sem criar desequilíbrios, sem um fio de jogo ofensivo, parecendo conformada com a derrota tangencial, a equipa foi para o intervalo cabisbaixa. Não com a noção do dever cumprido mas do dever comprido, pois ainda faltavam 45 minutos. Felizmente o pesadelo diminuiu de intensidade na etapa complementar graças a um penálti cometido pelo Rio Ave na sequência de um bom lance de Bolasie, derrubado em falta por Borevkovic.

 

Da briga entre Bolasie e Jovane para a marcação do penálti. Os dois jogadores envolveram-se numa disputa pela posse da bola, ambos com vontade de converterem a grande penalidade. A missão acabou por ser confiada ao jovem caboverdiano, com manifesto sucesso. Mas subsistiu a dúvida: agora que Bruno Fernandes já cá não está, será que Silas ainda não definiu uma hierarquia entre os jogadores para estes casos?

 

Que o Braga esteja de novo à nossa frente. A turma braguista derrotou o Benfica na Luz, subindo ao terceiro lugar. Agora com mais um ponto do que o Sporting.

 

 

Gostei

 

Do resultado, vendo bem. Dos três jogos que fizemos contra o Rio Ave nesta época, o que teve desfecho menos desfavorável acabou por ser este - único disputado fora de casa. Menos mau, afinal de contas, do que as derrotas caseiras para o campeonato (2-3), a 31 de Agosto, e para a Taça da Liga (1-2), a 26 de Setembro.

 

De Jovane e Plata. Voltaram a saltar do banco e voltaram a fazer a diferença para melhor. Trazendo mais acutilância, velocidade e ritmo ofensivo ao Sporting. Jovane, que rendeu Camacho aos 56', destacou-se sobretudo por converter de forma impecável a grande penalidade - primeira a beneficiar o Sporting desde a partida de Bruno Fernandes. Estavam decorridos 84' e este remate certeiro valeu-nos o pontinho que trouxemos de Vila do Conde.

 

De Max. Outra partida muito positiva do nosso guarda-redes. Sem culpa no golo, quase à queima-roupa, e com defesas dignas de registo aos 16' e aos 90'. Foi o melhor do Sporting neste jogo.

 

Que Francisco Geraldes figurasse na convocatória. Infelizmente o médio criativo formado na Academia de Alcochete, agora regressado ao Sporting com 24 anos após sucessivos empréstimos, não saiu do banco. Tal como Pedro Mendes, o goleador por quem Silas suspirava até ter sido finalmente inscrito para as competições internas, há poucas semanas, e que afinal parece não contar para as opções do técnico.

Eu vou às roulottes, ó palhaço!

A gente sabe que quando dizes que o Sporting que tu encontraste era um clube de roulottes, não te referias à situação económica que encontraste, que essa não era tão má como a pintam, porque afinal gastaste quase 50 milhões de euros em paus de sebo que mais não fazem do que engordar a folha salarial da SAD e que de mais-valias que pudessem criar é uma imensa miragem, já que nem um deles vale a ponta de um corno!

Do que tu não gostaste, palhaço, foi de encontrar os sócios e adeptos em torno do clube, engajados, a "dar a vida" por ele. E esses que davam e continuam a dar a vida pelo Sporting são aqueles que vão às roulottes, às tascas ali à volta e que vestem a camisola sem perguntar o que lhes dão em troca. São aqueles que lá estão, faça sol ou faça chuva, que bebem umas imperiais e comem umas bifanas e uns couratos e que pagam as suas quotas, alguns com sacrifício, e que compram o seu bilhete de época com o subsídio de férias, deixando-as um pouco menos confortáveis para si e para os seus, para dar o seu apoio ao clube do coração.

Eu sei que isto incomoda. É chato, como diria o outro, ver o "povão" metido a querer mandar num clube de aristocratas e de gente "bem", mas vai-te habituando.

Estás por dias.

Vais ser corrido por indecência e má figura e por manifesta e clarividente incompetência e, vejam bem, falta de jeito. Se não entendeste, eu envio-te uma folha excel.

Saudações Leoninas da malta das roulottes.

Futebol? Fácil, fácil... - II

Hoje missão cumprida. Uma equipa pequena, fora de casa joga sempre para o pontinho. Por vezes até consegue ser bafejada pela sorte e regressar a casa com os 3 pontos.

Uma equipa treinada por Jorge Silas não pode ser considerada equipa grande. Um dirigente que recorre a jogadores por empréstimo que nada acrescentam, como Jesé Rodr~´iguez, Bolasie ou Fernando, não é dirigente de equipa grande.

Reforço de jogadores medíocres como T. Ilori, C. Borja, Eduardo, Doumbia, V. Rosier, Sporar ainda está em período de merecer o benefício da dúvida, não ajudam a construir um plantel de equipa grande, eventualmente servem a alguém pelas comissões que as transferências sempre geram.

Mas ainda pior que a presente época, é a falta de confiança no futuro próximo. A pergunta que coloco aos sócios do S.C.P. é: confiam que o presidente Frederico Varandas e Hugo Viana vão inverter o rumo seguido até aqui? Que a próxima época será melhor que a actual? Que vamos ter os nossos jogadores emprestados de regresso? Desde logo João Palhinha, que hoje marcou no estádio da Luz. Que vamos deixar de contratar entulho e despachar os pinos que estão a mais no plantel?

Uma vez mais deixo um apelo ao presidente Frederico Varandas. Antecipe eleições e vá a votos na próxima Primavera.

A voz do leitor

«Com a equipa que Cintra deixou teríamos disputado o campeonato, ido à Liga dos Campeões e estaríamos hoje a lutar pelo título. Peseiro - qual dos que se seguiram fez melhor? -, Bas Dost, Nani, Montero, Raphinha, Domingos Duarte, Ivanildo, entre outros, foram considerados dispensáveis e gastámos 40 milhões em jogadores vulgares como Rosier ou este Fernando surreal.»

 

JG, neste meu texto

Amanhã à noite em Vila do Conde

Amanhã à noite em Vila do Conde a equipa do Sporting Clube de Portugal entra em campo para defrontar a equipa local e consolidar o 3.º lugar na Liga, já que o principal concorrente a esse posto tem a derrota bem... ia a dizer vendida, mas fico-me pelo certa.

Silas ainda não divulgou a convocatória, que deve ser mais ou menos a seguinte:

Guarda-redes: Luís Maximiano, Diogo Sousa e Hugo Cunha;

Defesas: Coates, Ilori, Ristovski, Luís Neto, Rosier e Borja;

Médios: Eduardo, Battaglia, Wendel, Doumbia e Miguel Luís;

Avançados: Camacho, Plata, Bolasie, Jovane e Sporar.

Assim, gostaria de vos perguntar o seguinte:

Silas à parte, e com os jogadores convocados, qual seria o vosso onze e qual a disposição do mesmo em campo?

No meu entender, e cada vez entendo menos, entre a confusão técnico/táctica/estratégia seja o que for de Silas e as ausências forçadas daqueles que resolvem muita coisa, poderíamos entrar em campo com um onze equilibrado e capaz de conseguir um bom resultado (ou seja, evitar a derrota).

Max; Risto, Coates, Neto e Borja; Battaglia, Doumbia e Wendel; Bolasie, Sporar e Plata.

SL

Armas e viscondes assinalados: Reviravolta baseada numa lógica de “contra trintão, trintão e meio“

Sporting 2 - Portimonense 1

Liga NOS - 20.ª Jornada

9 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,5)

Voltou a mostrar-se à altura das ocorrências, e mesmo no golo do Portimonense quase conseguiu desviar para fora da baliza o remate do trintão colombiano Jackson Martínez, apenas um dos vários elementos do plantel do penúltimo classificado que lutariam pela titularidade no Sporting. Minutos depois impediu o 0-2 que transformaria Alvalade num cenário de livro de Dante, e na segunda parte aplicou-se com denodo à neutralização dos tão fugazes quanto perigosos contra-ataques da equipa visitante. Se melhorar no jogo de pés talvez possam deixar de “soprar” notícias sobre a aquisição de guardiões veteranos estrangeiros livres do apelido Viviano.

 

Ristovski (2,5)

Aproveitou o 3-5-2 com que Silas dispôs a equipa perante o an-te-pe-núl-ti-mo classificado da Liga NOS, sabendo que a vitória garantiria o regresso ao lugar do pódio que, parafraseando um génio incompreendido do futebol português, é “muito bom para a situação actual do Sporting”. Muito subido na ala direito, tirou partido da velocidade e de uma atitude competitiva mais apropriada a outros tempos, só que... não combinou particularmente bem com os colegas, não centrou por aí além e em nada contribuiu para sossegar os ânimos de um estádio só ligeiramente mais composto e menos amorfo do que na última jornada em casa. Manteve-se em campo até ao fim, sem brilhar, mas con a vontade de fazer qualquer coisa intacta. Prova de que a sorte nem sempre protege os audazes foi a falta de direcção do seu remate de longa distância.

 

Coates (3,0)

Uma ou outra fífia sem consequências de maior impede melhor avaliação do melhor capitão que o Sporting tinha naquele estádio, e não necessariamente só no relvado. Talvez chegue o dia em que voltará a manter as redes imaculadas, mas por enquanto vai fazendo o que está ao seu alcance. Já não é pouco.

 

Neto (2,5)

Regressado à titularidade à boleia do novo amor de Silas pelo 3-5-2, procurou cumprir com o sistema táctico mas não conseguiu evitar que Jackson Martínez passasse pela sua área de jurisdição com manifesta e concretizada intenção de inaugurar o marcador. O castigo não se fez esperar: foi sacrificado ao intervalo, quando Silas trocou o 3-5-2 por mais um dos ETNI (esquema táctico não identificado) que nos últimos tempos têm sido avistados a pairar sobre Alvalade.

 

Mathieu (4,0)

Permitiu que o estádio fizesse uma viagem do tempo para temporadas que parecem extremamente distantes e tristemente irrepetíveis ao marcar aquele exemplar livre directo que relançou a equipa para a reviravolta. Exemplo máximo de inteligência, brio e vontade, o trintão francês empurrou o Sporting para a sua melhor versão possível, sendo tão acutilante a defender como criterioso a construir. Vê-lo cair no relvado, confirmando-se mais tarde uma lesão que o afastará até Março, levou a que todos os sportinguistas falhassem uma batida cardíaca. E tornou mais provável que a gestão de Frederico Varandas possa igualar ou superar mais um dos recordes dos tempos de Godinho Lopes.

 

Acuña (3,0)

Mesmo um todo-o-terreno como o polivalente argentino, decerto capaz de fazer boa figura caso lhe fosse substituir Harry Potter naquele jogo esquisito, sentiu notórias dificuldades de adaptação ao mais recente arrumo de Silas. Melhorou bastante na segunda parte, ao ponto de ficar ligado ao resultado positivo de uma coligação negativa de más ideias de jogo. Quis o acaso que estivesse na ala direita e capacitado para fazer o belo cruzamento para Jovane Cabral que deu origem ao autogolo que selou a reviravolta.

 

Battaglia (2,5)

Ficou perto de inaugurar o marcador, cabeceando pouco acima do poste na sequência de um canto, mas a sua principal missão era conter veleidades do contra-ataque do penúltimo classificado da Liga NOS. Cumpriu de forma tão incompleta quanto o resultado final permite concluir e, ainda que tenha um domínio de bola e inteligência táctica que aconselham a sua titularidade, mantém um défice de ritmo que torna a intenção de fazer regressar João Palhinha a melhor notícia que se consegue retirar das mais de dez páginas de amena entrevista de Frederico Varandas ao “Record”. Isso e, claro está, não haver qualquer referência a um regresso de David “justificativo de dois milhões a menos nos cofres” Wang, claro está.

 

Wendel (3,0)

Exasperou as bancadas com a atitude displicente na primeira parte, parecendo não raras vezes um daqueles empregados de escritório cuja única função assenta no transporte de copos de café. Melhorou bastante depois do intervalo e não raras vezes assumiu a batuta quando era preciso, até porque o maestro titular foi ver que tal se está no Brexit. Tem é de perceber que, não obstante pertencer à selecção olímpica brasileira, vencer continua a ser mais importante do que competir.

 

Rafael Camacho (2,0)

Ao contrário de Joaquin Phoenix, premiado com o Óscar de Melhor

Ator, o jovem extremo não convence  enquanto “joker”. Falta-lhe objectividade na hora do passe e do remate, e até alguma necessária  matreirice para ludibriar os adversários para entrar na grande área alheia.

 

Vietto (2,5)

Uma equipa como o Sporting dos nossos tempos não pode desperdiçar um recurso tão escasso quanto oportunidades claras de golo. Torna-se por isso preocupante que ninguém tenha ficado demasiado espantado quando o argentino permitiu a defesa do guarda-redes nipónico do Portimonense ao ser desmarcado por Sporar. Ficou perto de marcar num livre directo, mas não é Mathieu quem quer e sim quem pode. O que não impede que o amarelo recebido, e a consequente ausência na visita ao Rio Ave, sejam mais uma dor de cabeça.

 

Sporar (2,5)

Manteve a seca apenas porque um adversário teve má vontade suficiente para preferir fazer autogolo em vez de deixar o esloveno aproveitar a assistência perfeita de Jovane Cabral. Antes já tinha servido Vietto de forma tão perfeita quanto imperfeito foi o remate. Tarda apenas a fazer aquilo que justifica a presença de pontas de lança nos onzes.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou ao intervalo e contribuiu, no seu jeito algo desengonçado, para dar a ignição à alteração táctica promovida por Silas. Apesar de um remate calamitoso não servir de bom cartão de visitas, a assistência para o autogolo que rendeu três pontos ao Sporting constitui uma retoma ao estatuto de “salvador da pátria”.

 

Gonzalo Plata (3,0)

É possível que seja mesmo um diamante por lapidar, sendo inegável que ninguém lhe pode apontar falta de coragem na hora do um contra um. Cada minuto que tem no relvado, ao invés do digno Bolasie e do inexplicável Jesé, é um oásis na péssima condução do futebol profissional leonino.

 

Idrissa Doumbia (2,0)

Regressou à equipa para colmatar a lesão de Mathieu, ainda que tenha sido Battaglia a juntar-se mais a Coates na cada vez mais caleidoscópica linha defensiva. Cumpriu sem deslumbrar, como é seu hábito nos dias bons.

 

Silas (2,5)

É mesmo necessário reconhecer-lhe mérito por desfazer os seus equívocos ao intervalo? Aproveitar jovens extremos que estão entre os raros projectos de futuro (sendo Maximiano já o presente) no plantel principal deveria ser mais evidente do que anda a ser para um treinador que ficou enfeitiçado pelos três centrais, mas não se lembrou que tinha um lateral-esquerdo com rotina de central no banco na hora de substituir o lesionado Mathieu. Formar um onze sem o francês, sem o castigado Vietto e sem o lesionado Acuña para conseguir um primeiro triunfo (ou um primeiro empate) ao terceiro jogo da época com o Rio Ave será um desafio interessante de seguir.

Prognósticos antes do jogo

Jogo complicado amanhã, a partir das 20.30. Temos a equipa desfalcada (Acuña com traumatismo num tornozelo e Mathieu com uma tendinopatia no pé direito) e o adversário - treinado por um antigo técnico do Sporting - tem vindo a fazer um excelente percurso no campeonato. Menos mau é jogarmos fora de casa: os nossos jogadores não terão assim de ouvir os urros de parte da curva sul que funcionam como tónico para as equipas adversárias nem arriscam levar com artefactos incendiários junto da baliza Vítor Damas.

Quais são os vossos prognósticos para este Rio Ave-Sporting?

Sporting: ingénuo e romântico

«Carácter e Cromos

O pior que pode acontecer a uma equipa é perder o seu carácter. Não me refiro ao «espírito ganhador ou perdedor», porque no fundo todas têm o primeiro, mais ou menos desenvolvido. Trata-se do carácter do qual se projecta esse espírito, do estilo e do ânimo com que se aspira ao triunfo, que em cada caso são diferentes. Perder esse carácter é, por outro lado, muito difícil em clubes que têm cerca de um século de vida. É preciso que decorram muitos anos em que o torpedeiam sistematicamente para que aconteça esse disparate, na realidade é uma tarefa pouco menos que impossível e disso se queixam frequentemente os treinadores e os presidentes, que queriam equipas mais aguerridas, ou mais «assassinas», ou mais broncas, ou mais ufanas, ou mesmo mais clementinas. Assim o carácter do Barcelona foi sempre artístico e frágil (…). O Valência é simultaneamente fanfarrão e inibido, isto é, inibe-se demasiado quando a fanfarra emudece (e não há nenhuma que dure um campeonato inteiro). O Athetic de Bilbao é temerário e obstinado e um pouquinho atormentado, como se jogasse a sua própria Liga contra o passado; a Real Sociedad é nobre e ingénua, parece surpreender-se sempre com as suas vitórias. A Juventus é muito fina e julga-se aristocrática, o Bayern de Munique é arrogante e pretensioso, o Ajax optimista e confiado e por isso improvisa, o Liverpool é voraz e impiedoso.

O [Real] Madrid é heroico e altaneiro e também artístico (…).» (*)

 

Como se extrapola esta caracterização para a realidade portuguesa?

A minha leitura é esta:

O Sporting é ingénuo e romântico.

O Benfica é batoteiro, quando ganha, e choramingas, quando perde.

O Porto é arruaceiro e colérico.

 

E vocês, como olham para os três principais clubes do futebol português?

 

 

(*) In.: MARÍAS, Javier - Selvagens e sentimentais : histórias do futebol. 1ª ed. Lisboa : Dom Quixote, 2002. pp. 77-78

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