Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Faz hoje um ano

 

Notícia da manhã no Sporting: Alan Ruiz ia ser dispensado. «Já vai tarde», limitei-me a comentar aqui.

 

Fora da espuma dos dias, o Pedro Azevedo deixava-nos uma das suas reflexões, de que destaco o seguinte trecho: «Nada é feito com a convicção necessária: temos o VAR, mas as comunicações não são acessíveis ao espectador/consumidor e os homens que analisam as imagens parecem muitas vezes desafiar o senso comum; queremos a independência dos decisores desportivos, mas pedimos a intervenção do Estado; existem indícios preocupantes provenientes dos emails, mas ninguém faz nada até as autoridades judiciárias se pronunciarem; alguém decide que os Campeonatos de Portugal passam a equiparar-se a Taças de Portugal e para, eventualmente, revertê-lo criam-se Comissões - dizem as fontes federativas, nascentes de fluxo de informação sem rosto -, mas não indicando um prazo para apresentação de conclusões. Tudo isto é, para ser simpático, demasiadamente amador.»

Há precisamente um ano, a 16 de Dezembro de 2017.

A voz do leitor

«Bruno de Carvalho é uma página que o Sporting virou e o presente e o futuro começam a ser construídos hoje. Como em outras crises, é importante retirarmos as devidas ilações da forma como aqui chegamos para não voltar a repetir os erros. Sairemos mais fortes se soubermos olhar para este processo como uma oportunidade para construir um Sporting em torno do desporto e desenvolvimento social, e menos em torno da política e achincalhamento das pessoas com opiniões divergentes.»

 

JHC, neste texto do António de Almeida

Bruno's way

Hoje no Pavilhão João Rocha e com o lider no quentinho do lar, Madeira Rodrigues previu e justificou o facto pela cobardia costumeira, representado pela irmã e pelo ainda mais extremista pai, a tropa de choque Brunista malcriada e trauliteira portou-se à altura, insultando e molestando alvos de estimação, e não se coibindo aqui e ali de ofender os orgãos sociais presentes, e de afirmar que não lhes reconhecem legitimidade e  que o sucesso duns será a derrota dos outros, em particular ao "Medico" nunca lhe irão perdoar.

Mais ao lado e a alguma distância estava o bando dos quatro (ou cinco ?), aqueles que podiam ter ponto final no descalabro no momento certo mas que resolveram ir até ao fim, até serem destituídos na Assembleia Geral mais concorrida de sempre. Dos discursos dos citados que pude ouvir, ninguém entende porque está ali, tudo uma cabala, tudo mal feito, ninguém tem culpa de nada, um porque estava com esgotamento, o outro porque não é de Direito, o terceiro não tinha o pelouro em causa, errarem todos erram, pegaram num clube na ruína levaram-no à glória e já agora que os actuais orgãos sociais esqueçam estatutos e regulamentos, os antigos e aqueles que o Bruno exigiu aprovar, e que mande tudo em paz não sem antes fazer uma grande homenagem aos melhores dirigentes de sempre. 

Muita gente a chegar, votar e sair, já sem grande paciência para estas cenas e se calhar a  pensar que amanhã terá de voltar a Alvalade ver o jogo contra o Nacional e cantar "O mundo sabe que". Eu lá espalhei os meus NÃOs pelas urnas e sentei-me um par de horas até não aguentar mais com a pobreza das intervenções.

E foi assim esta tarde em Alvalade. Espero que seja a última vez que me desloque ao João Rocha para tão triste fim. 

PS: Se calhar a irmã enganou-se na versão da música, a inglesa ilustrava bem melhor a prosa que foi ler.

"And now the end is near, 

And so I face the final curtain, 

My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain

I've lived a life that's full
I've travelled each and every highway
and more, much more than this
I did it my way

Regrets I've had a few
But then again too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption

I planned each chartered course

Each careful step along the by-way
And more, much more than this
I did it my way

Yes, there were times
I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all

And I stood tall
And did it my way
I've loved, I've laughed, and cried
I've had my fill, my share of losing

And now, as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way

I did it my way


For what is a man, what has he got?
If not himself then he has naught
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows I took the blows
And did it my way
Yes, it was my way

"

Oh Yes, Bruno´s Way !

SL

Iminente virar de página e encerrar um triste capítulo...

Cheguei há pouco de Alvalade. Registei-me, entrei na fila, exerci o meu direito de voto indiferente à “claque” que nas bancadas apoiava os sócios sancionados e saí. À entrada, perante o ruído dos apoiantes dos sócios sancionados, tive uma primeira impressão que a votação poderia ser renhida. À medida que observei atentamente o comportamento dos sócios, verifico que estava errado, tal como eu, a esmagadora maioria entra, vota e sai. Os ruidosos permanecem, há que dizer que reconhecer que desta vez não ultrapassaram limites nem estavam a insultar, pelo menos durante o tempo em que permaneci no pavilhão.

Hoje tive a certeza que os sócios querem paz, virar a página, encerrar um triste capítulo na nossa história e esquecer o passado recente, seguindo em frente. Veremos se após o apuramento dos resultados, que serão muito provavelmente esmagadores, será finalmente acatada a soberana decisão dos verdadeiros donos do clube, ou pelo contrário, iremos ter mais do mesmo, impugnações, providências cautelares, profecias de calamidades futuras sem um iluminado líder por parte da minoria que por mais barulho que faça, não passa disso mesmo e percebendo que não tem apoio, permanece barricada, recorrendo à guerrilha para tentar levar a água ao seu moinho…

 

P.S. – A partir deste post e até que os insultos deixem de ser utilizados como comentário, terei os posts em moderação. Tentarei não demorar muito na aprovação, mas agradeço a compreensão de todos, porque como é óbvio, não estou ligado à net em permanência. Não pretendo censurar quem quer que seja, muito menos os que discordam das minhas posições, nem tão pouco simpatizantes ou adeptos de clubes terceiros, desde que argumentem com respeito e elevação pelo próximo, num espaço que a todos pertence. Apenas viso terminar com a publicação de insultos que em nada dignificam os posts e muito menos o blogue.

Sete meses depois

2111616a385009a82c95e388dbdb91b9.jpg

 

Há sete meses exactos, o Sporting bateu no fundo. Qualquer reflexão que possa hoje fazer-se nunca poderá escamotear este dado factual.

Parece ter sido muito mais tempo atrás, mas a verdade é que só decorreram sete meses. A 15 de Maio de 2018, ainda em estado de choque perante o que acabáramos de saber (e não tínhamos visto muitas das imagens mais chocantes, nem havia então qualquer inquérito judicial em curso), percebemos de imediato que uma linha de fronteira fora cruzada. Uma linha que tornava irrisórios todos os debates e todas as fracturas anteriores: entrava-se numa etapa diferente, que pelos piores motivos punha o Sporting nas bocas do mundo do futebol e nada nos augurava de bom. Uma linha que estabelecia um nítido contraste entre um núcleo de valores civilizacionais do qual um cidadão bem formado jamais abdica e a total ausência deles.

 

Um Verão escaldante

Superámos, em larga medida, essa dura provação.

Isto deve-se, desde logo, a um restrito conjunto de sportinguistas que vale a pena nomear. Com destaque para a Mesa da Assembleia Geral, integrada por Jaime Soares, Eduarda de Carvalho e Diogo Orvalho. Este trio suportou todos os enxovalhos, todos os insultos, todas as ameaças - tenaz na sua intransigente vontade de devolver a decisão aos sócios: até este elementar direito esteve para nos ser sonegado. Em paralelo, aos cinco elementos que aceitaram integrar a provisória Comissão de Fiscalização: João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa, Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira. E também, claro, aos membros da Comissão de Gestão que orientou o clube e a SAD leonina naquelas precárias semanas entre a inédita assembleia geral de 23 de Junho que sufragou a destituição do Conselho Directivo e o acto eleitoral de 8 de Setembro.

Por mim, nunca deixarei de lhes estar grato.

 

Regeneração tranquila

Falta, enfim, fazer uma referência a Frederico Varandas, não o primeiro mas o principal pilar desta regeneração tranquila que o Sporting tem conhecido. Sem procurar os holofotes mediáticos, sem declarações rimbobantes, teve o mérito de se propor encabeçar um novo ciclo no clube. Enquanto outros se resguardavam e faziam cálculos, no momento mais difícil, ele deu um passo em frente e declarou-se pronto para o justo combate: havia que reerguer esta centenária instituição de utilidade pública a que nos orgulhamos de pertencer.

Escolheu o melhor dos lemas: "Unir o Sporting". Recebeu uma maioria de votos expressiva em Setembro. Viu o segundo candidato mais votado, João Benedito, endossar-lhe o apoio na própria noite eleitoral - um gesto que só engrandeceu o nosso antigo capitão de futsal, glória desportiva do clube. E nada fez nem disse desde então que traísse o feliz mote que apresentou aos eleitores. Pelo contrário, o Sporting está hoje mais mobilizado, mais coeso, mais unido. Triunfa na frente futebolística, continua a singrar nas modalidades, procura a estabilidade financeira consciente de que haverá novos cabos das tormentas a dobrar no horizonte. 

 

Um lema e um rumo

Não ouvimos de Varandas, nestes três meses, uma palavra que dividisse hostes, apenas frases cirúrgicas destinadas a congregar os sportinguistas. Sem retórica balofa, sem exposição constante, sem qualquer obsessão de arregimentar tropas nem de cavar trincheiras. Desta forma, transformou o benefício da dúvida que muitos lhe deram, tendo ou não votado nele, em apoio declarado e confiante neste último trimestre de 2018. Alguns acusam-no de falar pouco. Mas se havia coisa que sobrava, no Sporting pré-Varandas, eram palavras. No desporto, como na vida, nenhuma meta credível se alcança com incontinência verbal.

Para um clube que há sete meses bateu no fundo, este era o caminho que se impunha. "Unir o Sporting": mantenha-se o presidente leonino fiel ao lema que escolheu para a campanha no mais desolador Verão de que há memória em Alvalade e saberá sempre qual o rumo a seguir. 

Faz hoje um ano

 

Um tal Janela pontificava há um ano nas pantalhas, assumindo-se como o puxa-saco dominante do Benfica. Mais tarde se saberia que era o mentor e cabecilha das cartilhas lampiânicas, que alguns comentadores como Diamantino chegavam a soletrar penosamente defronte dos ecrãs e outros, do Guerra ao Ventura, papagueavam quase em coro em diferentes canais.

O sujeito fez tão tristes figuras na sua sabujice à pandilha de Vieira que acabou por ser corrido dos locais onde o acoitavam. Mas o tempo futuro ainda não chegara. A 15 de Dezembro de 2017, andava o peralvilho na berra, fiz aqui um pequeno inventário dos louvores e hossanas entoados por esse tal.

Coisas como esta, involuntariamente cómicas: «O Benfica entrou nesta época no top ten dos clubes da UEFA.» Num ano marcado pelo pior início de temporada do SLB neste século, ao ser afastado das provas europeias, da Taça de Portugal e do comando do campeonato ainda antes do Natal, e pela pior prestação de sempre de uma equipa portuguesa na Champions, protagonizada pela turma ainda treinada por Rui Vitória, única que nas competições da UEFA disputadas na época 2017/2018 congelou nos zero pontos.

Não se confirma que o fulano estivesse a fazer o pino ao proferir tamanho dislate.

A voz do leitor

«Não entendo como é possível ainda existir a Juve Leo, não entendo por que razão não foi imediatamente proibida como Florentino o fez com os Ultra Sur, por menos de metade do que se passou em Alcochete. Não entendo qual é a dúvida, não entendo o que é preciso para as pessoas perceberem que a Juve Leo é um bando de fascistas que faz vida do tráfico de droga e de bilhetes de futebol.»

 

PPS, neste texto do Edmundo Gonçalves

Dia 15, os sportinguistas irão escolher um de dois caminhos... - II

Amanhã, sábado 15 de Dezembro pelas 14h30, os verdadeiros e únicos legítimos donos do clube irão decidir pela manutenção ou revogação das sanções aplicadas a quem causou graves danos ao prestígio, imagem e até funcionamento do clube, para satisfação do projecto pessoal.

Sempre que o Sporting precisa, os sócios comparecem massivamente, foi assim a 23 de Junho apesar dos insultos e ameaças de arruaceiros, seguramente que agora não será diferente. O grupelho dos letais que se dizem leais, está organizado, mobilizou os saudosistas através das redes sociais, mas no final do dia, acredito que irão receber o veredicto habitual.

Não é graças a eles, bem pelo contrário, que a equipa de futebol que tanto têm tentado perturbar, atravessa um bom momento. Voto pela manutenção das sanções, que nem considero gravosas por aí além. Agrada-me ver o clube no rumo certo. Viva o Sporting!

 

P.S. – Sobre o funcionamento da A.G. ver aqui.

Pódio: B. Fernandes, Miguel Luís, Montero,

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Vorskla pelos três diários desportivos:

 

Bruno Fernandes: 20

Miguel Luís: 18

Montero: 17

Acuña: 16

Carlos Mané: 15

Coates: 15

Petrovic 15

Salin: 15

Bruno Paz: 14

Pedro Marques: 14

Ristovski: 14

André Pinto: 14

Jovane: 14

Thierry: 13

 

Os três jornais elegeram Bruno Fernandes como melhor em campo. 

Faz hoje um ano

 

Na véspera, tínhamos passado à fase seguinte da Taça de Portugal, goleando o modesto Vilaverdense por 4-0. Com três golos de Doumbia e um de Gelson Martins. E uma exibição para esquecer de Alan Ruiz: o argentino, que continuava a ser insistente aposta de Jorge Jesuscomo titular, saiu de campo sob assobios, ao minuto 60. Estava consumado o seu divórcio com os adeptos leoninos.

 

Reacções aqui no blogue,  nesse dia 14 de Dezembro de 2017:

«Via verde para a passagem aos quartos-de-final, com exibições agradáveis de Ristovski, André Pinto, Tobias, Bruno César e Petrovic e boas actuações de Battaglia e de Doumbia (é pena que fora de área não comunique bem com a equipa). Destaque principal para Gelson Martins, regressado à objectividade que se lhe pedia.» (Do Pedro Azevedo).

Eu dividi a análise dos jogadores habitualmente suplentes, utilizados neste jogo, entre os que aproveitaram a oportunidade e a desperdiçaram. Destaque meu para quem desperdiçou:

«Petrovic. Não justifica estar no plantel leonino. Na primeira parte foi incapaz de conter o contra-ataque adversário. E é pouco vocacionado para a construção ofensiva.

Iuri Medeiros. Muito aquém do que se esperava dele: é uma promessa que tarda em materializar-se. Raros pormenores de boa técnica não fazem um bom jogador.

Alan Ruiz. Péssimo. Não tem atitude competitiva, incapaz de interagir com os colegas, dá sempre a ideia de estar a fazer um frete em campo.»

A tribo do futebol!

No futebol tal como na política há também o conhecido "estado de graça" que corresponde a um determinado espaço de tempo em que faça o que o treinador fizer, bem ou mal, tudo é aceite com naturalidade e bonomia.

Ontem fui ver o nosso Sporting ganhar a uns toscos ucranianos que jogaram muito pouco. Tão pouco que obrigaram o Sporting a esforçar-se também pouco. Ou melhor a jogar o quanto baste para levar de vencida esta equipa oriunda de muito longe.

O actual treinador do Sporting vive assim o tal "estado de graça" de que falei acima. Estivesse o antigo treinador José Peseiro ou até o mais recente treinador do Chaves, Tiago Fernandes, na frente da equipa de futebol do Sporting e muitas críticas se escutariam por aquela escadaria fora, no final do jogo:

"Não jogamos nada!"

"Bruno a capitão onde já se viu após o que fez?"

"Aqueles putos têm muito que aprender"

Ao invés, para além da alegria estampada nos adeptos por mais uma vitória leonina, a maioria concordava com a forma como o treinador fez entrar jogadores novos, vindos das camadas mais jovens, dando-lhes uma oportunidade de se mostrarem, não só aos adeptos como à Europa, sempre tão sequiosa de novas estrelas.

Tudo isto para concluir que a “malta da bola” é realmente muito estranha (eu incluído!), pois o que hoje é verdade amanhã é uma enorme mentira. E vice-versa.

Não estou a dizer nada que não se saiba já há muuuuuuuuuuuito tempo (obrigado doutor Pimenta Machado). Todavia nunca o havia constatado de maneira tão vincada como ontem assisti!

É assim a tribo do futebol... Inconstante!

Vamos lá com calma

Quando vi nos ecrans e ouvi o rapaz do microfone a dar a "linha" do Sporting, disse para o amigo que estava ao lado e que ontem aproveitou uma das "borlas" da renovação do meu bilhete de época, que mesmo com aqueles, seria equipa para dar "um cabaz" àqueles rapazes ucranianos simpáticos, que já no jogo na Ucrânia tinham demonstrado ser muito fraquinhos. Não me enganei, felizmente, que apesar de a qualificação estar assegurada, sabe sempre bem ganhar e se não for de "afogadilhos" tanto melhor.

Cedo se viu que apesar da falta de entrosamento (natural) entre os nossos, era uma questão de tempo até entrar a primeira e foi o que aconteceu. E sempre que os automatismos funcionavam e a velocidade no último terço aumentava, o pânico no sector recuado (que muitas vezes foi toda a equipa) do adversário era evidente, bem como se notava a sua efectiva falta de jeito para a função.

Foram três na primeira parte, poderiam ter sido outros tantos e na segunda percebeu-se, com as substituições, que o treinador começou a gerir o esforço; Mas ainda assim, houve mais meia-dúzia de oportunidades que talvez por "verdice" dos protagonistas, não foram concretizadas.

Alguns apontamentos que me vieram ao pensamento durante o jogo:

- Há muito pouco tempo, na Ucrânia, com este mesmo adversário e com os melhores em campo (os disponíveis) estivemos a perder até quase ao final do jogo e fizemos uma exibição(?) miserável. Era treinador José Peseiro;

- Há muito pouco tempo estáva-se a pensar em aquisições em Janeiro por falta de soluções no plantel. Hoje parece que o treinador diz que intra-muros temos soluções. Não sei se lhe disseram que "não há pão p'ra malucos" ou se lhe disseram que é para apostar nos miúdos, ou se a opção é dele, mas eu gostei de ver o jogo a terminar com seis rapazes do alfovre e alguns deles, se os pais não começarem a "variar", apresentam já qualidades que os podem vir a tornar em titulares absolutos num futuro mais ou menos próximo;

- Vamos com uma média impressionante de golos marcados e se era inevitável identificar-me com o treinador (afinal a equipa vem ganhando e jogando cada vez melhor), depois da declaração na CI, com que me identifico totalmente, de que prefere ganhar por 3-2, do que por 1-0, relevando a essência do futebol holandês que eu confesso que aprecio, Kaiser está a encher-me as medidas;

- Com esta avalhanche de golos, espero que no dia em que apenas ganharmos por 1-0, não comecem a dizer mal do homem;

- Vamos lá indo com calminha, passo a passo e não embandeiremos em arco. Ainda falta muito para Maio e cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, apesar de que, confesso, começa também por aqui a crescer uma pontinha de esperança.

Domingo há mais. Esperemos que com golos, que é o que nos dá alegria!

Eu, o Varandas e o Keizer

IMG_2301.JPG

Aqui escrevi contra a mudança de treinador, e acima de tudo pela forma como o presidente Varandas - sobre o qual também antes expressara o meu desagrado - despediu Peseiro e demorou na contratação do seu substituto, considerando que o processo deveria ter sido pensado antes da mudança. E, em comentários avulsos no blog, fui resmungando sobre a pertinência de ir buscar um treinador estrangeiro, jovem de 49 anos (!), sem currículo particularmente relevante. E depois dei conta da minha pessimista expectativa, a de que no campeonato os velhos "lobos do campo", sabidos e rijos, como Vidigal ou Castro por exemplo, triturariam o futebol "romântico" que Keizer aparenta seguir. 

 

Pois até pode ser que isso venha a acontecer - o sofrível Aves de Mota soube bater-se. E é certo que nesta sucessão inicial de vitórias com resultados bojudos vários jogos foram com equipas relativamente fracas. Continua assim a ser provável que venham desaires no futuro. Mas é notório que tudo vai tão diferente. Do amargurado período Peseiro, ainda que este macerado pelo horrível Verão Quente de 18 e por lesões de jogadores cruciais (veja-se como o Bruno F. regressou, como Wendell foi recuperado ou como Gudelj é futebolista). E, estruturalmente ainda mais importante, como tudo vai diferente da rispidez do consulado jesuítico. Esse que estava verdadeiramente esgotado, e sobre o qual em 4 de Março botei aqui julgo que o modelo "Jorge Jesus", por mais acertada que tenha sido a aposta, e por mais competências, inegáveis, que o treinador tenha, não tem muito espaço para perdurar. Trata-se agora, para além de apoiar a sua equipa e esperar algum triunfo, de tentar encontrar "the next big thing". Um bom treinador, que potencie o modelo Sporting.

 

Ora vejo agora uma equipa tão mais liberta da inibidora tensão que presidente, treinador e adeptos, cada qual à sua maneira e com muito diferentes legitimidades, convocavam. E acima de tudo vejo um treinador, recém-chegado, com a determinação e confiança suficientes para colocar vários jovens vindos das escolas do clube. Uns destes vingarão no clube, outros seguirão as suas carreiras alhures, espero que com os sucessos possíveis. Mas têm agora um treinador que os considera o património do clube. E com eles nos alegra. Ou seja, Varandas encontrou (diz-se que por conselho de Jardim, e se for verdade está de parabéns por saber aceitar bons conselhos, como os dirigentes qualificados fazem) mesmo "the next big thing". Talvez onde não esperássemos, e por isso mesmo mais saboroso é reconhecê-lo. (E o melhor que podemos fazer é não lhe exigir já o título. Deixem "isto" medrar, sff.).

 

Mas recordo os meus resmungos contra Varandas e Keizer. Que não eram má-vontade, pois só desejo sucessos ao clube. Vinham da desconfiança,  da caturrice deste proto-idoso com manias que sabe. Assim, e depois de mais esta vitória, contra os simpáticos polacos ou ucranianos ou lá o que eram, com 6 ex-juniores (como se dizia antes) em campo, o Mané e mais 5 putos, sinto-me obrigado à penitência. Pública.

 

A qual é a devida a qualquer treinador de sofá idiota: como não tenho chapéu comerei agora este meu gorro (5 euros de material sintético), acompanhado de maionese de pacote. E viva o Keizer! E o Varandas!

Armas e viscondes assinalados: Primeiro houve baile e depois houve debutantes

Sporting 3 - Vorskla 0

Liga Europa - Fase de Grupos 6.ª Jornada

13 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,0)

Voltou à baliza que nunca mais ocupara desde que saiu do estádio do Portimonense directamente para o hospital, superando as piores experiências das adolescentes britânicas na noite da cidade algarvia. Desta vez nada de mal lhe sucedeu, ao ponto de nem sequer sofrer golos. Algo que também não seria fácil, pois os ucranianos remataram muito pouco e quase sempre ao lado. No momento de maior (relativa) aflição saiu depressa e bem da grande área.

 

Ristovski (2,5)

Regressado de lesão, o macedónio recordou aos adeptos que garante maior apoio ao ataque do que Bruno Gaspar sem lhe ficar atrás na defesa. Ganhou algum ritmo que ainda manifestamente lhe falta e pôde descansar mais cedo quando Marcel Keizer decidiu conceder oportunidades à juventude leonina.

 

Coates (3,5)

Terminou o jogo com a braçadeira de capitão, entregue por Bruno Fernandes quando foi substituído, e o uruguaio mereceu a honra num jogo em que foi um dos três únicos titulares da recepção ao Desportivo das Aves que não tiveram direito a sopas e descanso. Mesmo tendo facilitado num lance da segunda parte que poderia ter sido melhor aproveitado pelos ucranianos, Coates não só acumulou os tradicionais cortes pela relva e pelo ar como deu início à jogada do segundo golo dos leões.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a demonstrar que os medicamentos genéricos podem ser tão eficazes quanto os de marca, contribuindo de forma decisiva para a nada habitual ausência de golos sofridos. Para a noite poder ser mais risonha bastaria que fosse mais expedito nas oportunidades que teve para marcar na grande área contrária.

 

Acuña (3,5)

Já tinha perdido perdão com palavras pela sua expulsão no jogo anterior, mas desta vez pediu perdão com actos, voltando a mostrar-se inflexível a defender e letal a atacar. Contribuiu directamente para o tento inaugural, destacou-se no um contra um e só não conseguiu ser mais decisivo porque os colegas desperdiçaram os livres e cantos que lançou com conta, peso e medida para a grande área contrária.

 

Petrovic (3,0)

Mesmo o cartão amarelo que recebeu, anacrónico num jogo de inequívoco domínio do Sporting, foi um sacrifício necessário para impedir uma incursão de Careca, o brasileiro que foi o mais perigoso de entre os ucranianos. Seguro a vigiar e punir as movimentações do adversário, o sérvio conquistou as bancadas com alguns toques de classe que nem parecem vir do mesmo jogador que falhou o 4-0 ao enviar para cima da barra uma bola que cabeceou à vontade. Mas não tanto quanto estava na primeira parte, sendo então capaz de saltar em falso e deixar o esférico seguir para longe.

 

Miguel Luís (3,5)

Permitiu a defesa do guarda-redes do Vorskla na primeira assistência que recebeu de Bruno Fernandes, mas à segunda oferta empurrou a bola para o fundo da baliza. Dificilmente poderia esperar melhor naquilo que pareceu um teste de aptidão à corrida pelo lugar do lesionado Wendel. Eficaz nas trocas de bola em que assenta o novo sistema de jogo leonino, o jovem da formação marcou pontos e deu por si rodeado de oriundos dos sub-23.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A assistência para o golo de Miguel Luís e a semi-assistência para o autogolo do defesa ucraniano que se antecipou à Montero foram dois dos melhores momentos de mais uma grande exibição do jovem que entrou no relvado como capitão. Ainda melhor foi a assistência de calcanhar desaproveitada por Miguel Luís, o passe de calcanhar que permitiu a Acuña cruzar para o 1-0 e as muitas combinações que infernizaram os adversários e ajudaram a que o resultado ficasse feito antes do intervalo. Saiu vinte e poucos minutos antes do fim, com a sensação de dever muito bem cumprido.

 

Carlos Mané (3,0)

Irrequieto ao longo do jogo inteiro, mesmo que isso tenha implicado foras de jogo e perdas de posse de bola, a esperança adiada da Academia de Alcochete demonstrou vontade de recuperar o tempo perdido. Não ficou nada longe de marcar, ainda que tenha preferido jogar para a equipa.

 

Jovane Cabral (2,5)

Não era a noite do habitual talismã quando salta do banco de suplentes. Alternou momentos em que pareceu perdido no relvado com períodos de hiperactividade pouco esclarecida. Sendo o mais rematador da equipa, nada melhor conseguiu do que um remate às redes laterais na primeira parte e do que permitir uma boa defesa ao guarda-redes ao receber uma assistência de Carlos Mané em posição frontal. Pode ser que no domingo recupere o hábito de saltar do banco para alterar o marcador.

 

Montero (3,5)

Atrapalhou-se ao ser isolado frente ao guarda-redes por Jovane Cabral, mas no lance do primeiro golo provou que é capaz de cabecear por instinto e a sua presença bastou para induzir um adversário a fazer autogolo. Sempre excelente a combinar com Bruno Fernandes, não merecia o extremo azar de sair de maca devido a uma bola dividida no meio-campo.

 

Pedro Marques (3,0)

O jovem avançado que está longe de ser titular indiscutível nos sub-23 teve direito a mais de meia hora de jogo devido à lesão de Montero e tudo fez para deixar marca. Campeão dos foras de jogo, podia ter marcado num cabeceamento por cima da barra e numa jogada de insistência dentro da grande área do Vorskla. Nada mal para um dos dois estreantes na equipa principal do Sporting.

 

Thierry Correia (2,5)

Voltou a somar minutos na Liga Europa, e sem estar isento de erros defensivos pode dizer que ficou a centímetros de juntar o seu nome à lista de marcadores na competição.

 

Bruno Paz (3,5)

O segundo e último debutante na equipa principal deu muito boa conta de si desde o instante em que ocupou o lugar de Bruno Fernandes. Robustez física, qualidade de passe e visão de jogo foram os requisitos para fazer figura em pouco mais de 20 minutos, pois assistências como aquela que fez para Thierry Correia não estão ao alcance de qualquer um.

 

Marcel Keizer (3,5)

Trocar oito titulares e mesmo assim chegar ao intervalo a ganhar por 3-0 é um sinal de que a sorte protege os audazes. Depois de ter visto a equipa dar baile aos ucranianos, optou por dar minutos aos jovens que convocara e chegou ao apito final com seis ‘made in Alcochete’ no relvado, para gáudio dos 25 mil que foram a Alvalade numa noite fria. Domingo há mais, e o treinador holandês terá  quase todos os titulares bem frescos para somar mais três pontos na recepção ao Nacional da Madeira.

Jogo terminou com seis da Academia

Pena haver apenas 25 mil pessoas no estádio. Certamente muitos mais sportinguistas gostariam de ter assistido a este Sporting-Vorskla, para a Liga Europa, apesar de a nossa equipa já estar classificada para os 16 avos de final da competição.

Oportunidade para Marcel Keizer, nesta sua estreia europeia ao serviço do Sporting, pôr a rodar mais dois elementos da formação leonina: o médio Bruno Paz e o avançado Pedro Marques. Somados a Jovane, Miguel Luís e Carlos Mané, e ao lateral Thierry Correia, suplente utilizado, foram ao todo seis os que terminaram este jogo com a marca de formação da Academia de Alcochete.

O resultado, 3-0, foi construído ao intervalo. Com golos de Montero, Miguel Luís (que se estreou a marcar pela equipa principal) e um autogolo da equipa ucraniana, que se manteve fiel à tradição: nunca até hoje um onze deste país foi capaz de vencer o Sporting.

 

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

 

SALIN. Há seis jogos que não acontecia: o Sporting terminou esta partida com as redes invioladas, em boa parte graças ao guardião francês, que retomou a titularidade e mostrou bons reflexos, nomeadamente ao sair da baliza aos 30', resolvendo por antecipação um problema que poderia complicar-se muito. Aos 34', num soberbo passe para Acuña, confirmou que sabe jogar com os pés.

ACUÑA. Tem sido alvo de medidas disciplinares por ferver em pouca água nas situações mais inconcebíveis. Mas não pareceu nada afectado pela recente expulsão no campeonato. Cobriu muito bem a lateral esquerda, como ficou patente numa corrida de 100 metros aos 63', em que levou a melhor sobre o extremo adversário. Participou na construção do primeiro golo.

MIGUEL LUÍS. Keizer pôs a equipa a jogar simples, num futebol de primeiro toque. Miguel Luís soube ser um fiel intérprete deste estilo de jogo. Exímio no passe, curto ou no longo, e nas tabelinhas com colegas, posicionou-se claramente como possível substituto de Wendel, entretanto lesionado. Coroou uma exibição muito positiva, como médio-centro, com um golo à ponta-de-lança aos 35'. A sua estreia a marcar na equipa principal.

BRUNO FERNANDES. Vem melhorando de jogo para jogo, reencontrando a sua boa forma da época passada. Hoje voltou a ter uma exibição muito positiva, empurrando a equipa para a frente e evidenciando pormenores técnicos que fizeram arrancar palmas espontâneas nas bancadas. Fez assistências para dois golos. Saiu aos 73', muito ovacionado.

CARLOS MANÉ. A maior parte dos ataques do Sporting no primeiro tempo foram conduzidos por ele, neste regresso à titularidade. Esteve em todos os golos: no primeiro, cabe-lhe o primeiro remate, de cujo ressalto resultaria o golo; participou na construção do segundo; inicia a movimentação que deu origem ao terceiro. Só lhe faltou marcar, também ele. Tentou, sem conseguir.

MONTERO. Protagonizou momentos de grande qualidade, nomeadamente na construção do segundo golo, que começa com uma recuperação de bola muito bem dominada pelo peito. Já tinha marcado, logo aos 17', aproveitando da melhor maneira um ressalto. E aos 44', movimentando-se bem na área, forçou um central ucraniano a fazer autogolo. Pena ter-se lesionado, talvez com gravidade. Forçado a sair aos 59'.

BRUNO PAZ. Grande estreia na equipa principal deste jogador que actuou como médio interior e teve apontamentos que fizeram lembrar o melhor Adrien. Em campo desde o minuto 73, por troca com Bruno Fernandes, foi autor de vários passes rasgados, sempre com perigo. Todos ficámos com vontade de voltar a vê-lo muito em breve na equipa principal.

 

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. Regressou à equipa após uma longa ausência por lesão: actuara pela última vez a 25 de Outubro. Percebe-se que esteve bastante tempo parado. Falta-lhe velocidade e algum discernimento nos centros. Acabou por ser substituído, essencialmente por precaução, aos 64'.

ANDRÉ PINTO. Sem brilhar, sem comprometer. Jogou certinho, como quase sempre faz quando salta do banco para render um dos centrais. Desta vez actuou no lugar que costuma ser ocupado por Mathieu, sem fazer esquecer o francês, nomeadamente no início da construção ofensiva. Continua sem fazer valer a sua altura nos lances de bola parada, lá à frente.

PETROVIC. Merece nota positiva por ter cumprido a missão táctica de que estava incumbido, como médio defensivo. Não é um transportador de bola nem um tecnicista, mas jogou concentrado e até foi capaz de levar algum perigo a zonas mais avançadas do terreno. Procura mostrar serviço.

JOVANE. Desta vez foi titular, mas esteve bastantes furos abaixo do que revelou em anteriores desafios. Demasiado agarrado à bola, definiu mal e rematou torto. Teve, no entanto, ocasionais bons apontamentos: aos 11', fez quase uma assistência para golo servindo Montero; aos 73', rematou para defesa apertada do guarda-redes. Nota positiva, apesar de tudo.

PEDRO MARQUES. Estreia na equipa principal. Já marcou presença em dez partidas do campeonato sub-23, tendo apontado três golos. Caiu demasiadas vezes em situações de fora de jogo. Tendência para mergulhar na área não parece favorecê-lo. Mas alguns pormenores revelam que tem potencial para actuar com mais regularidade no onze principal. Pode beneficiar da lesão de Montero.

 

semaforo[1].jpg

 

SINAL VERMELHO

 

COATES. Será talvez cansaço. O uruguaio tem revelado momentos crescentes de inaceitável desconcentração, além da falta de velocidade a que já nos habituou. Voltou a acontecer neste jogo, felizmente sem consequências graves, por exemplo ao falhar uma intercepção a Careca, forçando Petrovic a falta de cartão amarelo. É um dos elementos que está a pedir - quase a implorar - uma cura de banco.

THIERRY. Foi, dos três sub-23 que saltaram do banco, o único sem prestação positiva. Correu bastante, mas nem sempre com discernimento na definição do passe. Conduziu a bola aos 85' num lance que viria a disperdiçar quando tinha o colega Pedro Marques isolado a seu lado. Na manobra defensiva também não deslumbrou - longe disso. Parece faltar-lhe alguma humildade, sempre proveitosa para quem está em início de carreira.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Renascimento by Keizer

Num passado não tão longínquo, um jogo contra uma equipa menor na Liga Europa, do género de um Skenderbeu, um Astana ou um Plzen, seria um sofrimento. Entrando em campo sem 8 titulares e com Battaglia e Wendel lesionados (a quem hoje se juntou Montero), os dias anteriores seriam pródigos em desculpas antecipadas e desvalorização da competição uefeira, até porque já estávamos qualificados. Os miúdos dos Sub23 teriam sido convocados apenas para mostrar à Direcção que eram necessários reforços e a partida terminaria com uma derrota, um empate ou uma vitória tirada a ferros, tudo muito carpido e de modo a manter os adeptos permanentemente ligados ao desfibrilador. Nesse tempo, futebol era sinónimo de condicionamento e não de golo, e os artistas eram os treinadores e não os jogadores. O futebol como anti-futebol.

 

Algo mudou em Alvalade, pois Marcel Keizer na preparação do jogo começou a ganhá-lo e a conquistar os jovens que teve ao seu dispôr. Ele pediu-lhes que mostrassem que podiam ser opção e eles corresponderam, mostrando grande atitude. E, pormenor importante, num jogo europeu, terminámos o encontro com 6 jogadores made-in Alcochete, tudo isto sem sofrermos qualquer golo. Mantendo apenas Coates, Acuña e Bruno Fernandes na equipa inicial, o Sporting mostrou desde o início a qualidade do seu jogo interior. Miguel Luís e Bruno Fernandes iam trocando sistemáticamente de posição e baralhando as marcações do Vorskla, sempre com o apoio por dentro de um dos alas e com os laterais em simultâneo a darem profundidade e, com isso, a deslocarem adversários do centro do terreno. O maiato, hoje capitão, foi o maestro que pautou o compasso de todo o jogo dos leões: de calcanhar, começou por isolar Miguel Luís na cara do guarda-redes ucraniano para mais tarde servir Acuña no lance em que Montero inaugurou o marcador; depois, em jogada iniciada por uma recepção de bola prodigiosa de "El Avioncito", tabelou com Mané e ofereceu de bandeja para Miguel Luís concretizar; a finalizar a primeira parte, recebeu de Jovane e colocou na dividida entre Montero e Dallku para o terceiro da noite; já no segundo tempo, e imediatamente antes de ter sido poupado a mais esforço, brindou-nos a todos com uma roleta russa digna de causar um traumatismo ucraniano aos dois oponentes com quem dividiu o lance. 

 

Não se pense que o Sporting foi só o seu maestro. Já depois deste sair, a orquestra continuou a tocar boa música até ao fim, com destaque para Petrovic e os jovens Thierry Correia, Jovane Cabral e Pedro Marques, este último por duas vezes, os quais tiveram nos pés e na cabeça oportunidades para dilatarem o marcador, sinal de que hoje em dia os espectáculos são entendidos como longas-metragens e não como festivais de curtas. Para além destes, cumpre realçar o bom jogo de pés de Salin, a raça de Acuña (por vezes a complicar o que torna fácil), os desdobramentos de Miguel Luís e a classe e inteligência de Montero, hoje saído prematuramente dado o infortúnio de uma lesão no tornozelo. Bons pormenores também de Bruno Paz, na condução de bola e passe. Uma última menção para a diagonal para a área protagonizada por Pedro Marques nos últimos minutos do encontro, com dois adversários em cima, que não está seguramente ao alcance de muitos. Ficou-me na retina, até por não ser rotina (vêr esse tipo de movimento).

 

Respira-se um óptimo ar no balneário do Sporting e nota-se que os jogadores desfrutam em campo, sinal de que já foram conquistados pelos métodos de Keizer. Há uma cultura em que todos são importantes e cada jogo é valorizado e visto como uma oportunidade para quem joga menos. A vontade com que os miúdos entraram em campo mostrou à saciedade que sentem que o treinador conta com eles e que não estão a ser usados como uma chiclete que se prova, mastiga e deita fora (sem demora).

 

Não deixa de ser curioso que na quadra natalícia se esteja a assistir ao nascimento de um novo Sporting. Em época de Jesus (Cristo, não o "Lawrence" das Arábias), o protagonista desta mudança de paradigma é Marcel Keizer, o nosso Mona Lisa. Onde outros viam ameaças ou pediam meses, ele vê oportunidades e não perde tempo com vaidades ou minudências. A arte de transformar o complexo em simples é um dom só ao alcance de poucos e requer apurada inteligência. Keizer tem-na. Podemos nem ganhar o campeonato, mas a satisfação que hoje tiramos ao vêr um jogo do nosso clube mostra à evidência que o holandês foi o presente antecipado que o Pai Natal verde (o original, não o da Coca-Cola) nos colocou este Natal no sapatinho. Há 20 golos, 20 razões que justificam esta afirmação.

Então, até à próxima! (que agora vou tomar uma "túlipa".)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

vorskla liga europa.jpg

Vitória na Liga Europa

Bom, só isso já seria bom. Uma vitória que vale pontos e algumas centenas (?) de Euros.

Mas foi uma vitória com um misto de titulares e suplentes, dando descanso a outros titulares que muito bem precisam, e que na 2ª parte serviu também para lançar 3 jovens dos sub-23.

Por isso mesmo, não foi bom, foi óptimo.

Resultado à parte, se calhar o melhor seria tirar conclusões para o futuro próximo da nossa equipa, começando pelas piores:

- Más - Mais uma lesão, e logo do Montero. Que surgiu do nada, quando o jogador estava cheio de energia e moral pelos 1,5 golos marcados. Quantos meses ?

- Medíocres - Nenhumas, não se pode dizer que algum jogador tivesse desiludido. Mesmo Mané fez uma péssima primeira parte mas na segunda já fez as pazes consigo mesmo.

- Boas - Os 3 jovens lançados, em especial Bruno Paz, um belo transportador de jogo. Thierry tem que entender que se quer ser defesa direito tem de mudar o chip. Para passador já temos o Jefferson. P.Marques a verdade é que já o vi várias vezes e não me seduz, mas os pontas de lança amadurecem mais lentamente que os demais. 

- Óptimas - Encontrado o substituto de Wendell no imediato, o novo Adrien Silva do Sporting, chama-se Miguel Luis. Não perde uma bola, não falha um passe, e ainda consegue ter presença na área e marcar golos. Pedir mais o quê ? Agora é ganhar kms...

Para além disso, Keizer continua a escolher uma equipa que faz sentido para o momento actual, consegue replicar nela o modelo de jogo da equipa titular e também fazer substituições lógicas e no tempo certo. Que se pode pedir mais ?

Por mim, fico (muito) satisfeito.

SL

 

Quente & frio

Gostei muito do sexto jogo consecutivo do Sporting a ganhar - e oitavo sem perder. Foi esta noite, em Alvalade. Vencemos por 3-0 o Vorskla, que lá tínhamos derrotado por 2-1. Desta vez com golos de Montero e Miguel Luís, além de um autogolo de um defesa ucraniano. Seguimos em frente na Liga Europa, como já estava decidido antes desta partida, o que não impediu que tivéssemos desenvolvido uma toada ofensiva que certamente agradou a todos os adeptos, designadamente na primeira parte. Marcel Keizer continua a conseguir não apenas vitórias folgadas mas também boas exibições como técnico leonino: conduziu a equipa a cinco triunfos em cinco desafios - quatro dos quais por goleada. Com ele ao leme, o Sporting leva 20 golos marcados e apenas quatro sofridos. Imensa satisfação deu-me também hoje a estreia de Pedro Marques e Bruno Paz na equipa principal  - este último, sobretudo, causou excelente impressão. Nota importante: terminámos a partida com seis jogadores da formação, cinco deles sub-23: Miguel Luís, Jovane, Carlos Mané e Thierry Correia, além de Pedro e Bruno Paz. O futuro está assegurado.

 

Gostei  que aos 17' já estivéssemos a vencer, com um golo de Montero. O colombiano também teve participação no segundo, com uma recuperação que denotou mestria técnica e fez uma movimentação quase à boca da baliza, crucial para o terceiro. Considero-o o homem do jogo. Seguido de perto por Bruno Fernandes, que inicia a jogada do primeiro golo, assiste para o segundo e cruza para o terceiro. Grande exibição também de Miguel Luís, que se estreou a marcar pela equipa principal, apontando o segundo, aos 35'. Destaque ainda para Carlos Mané, titular na ponta direita e participante na construção dos nossos três golos.

 

Gostei pouco que não houvesse golos na segunda parte. A vitória foi construída no primeiro tempo e na etapa complementar limitámo-nos a gerir o esforço, com Keizer a fazer entrar Pedro Marques (aos 59') para o lugar de Montero, Thierry (aos 64') para o lugar de Ristovski e Bruno Paz (aos 73') para o lugar de Bruno Fernandes, hoje o capitão por ausência de Nani, que ficou a descansar (depois ficou Coates com a braçadeira). Também Mathieu, Gudelj, Diaby e Bas Dost foram poupados, já a pensar no desafio de domingo para o campeonato, em casa, frente ao Nacional.

 

Não gostei da lesão de Montero. O colombiano magoou-se e acabou por abandonar o campo transportado de maca, sob uma chuva de aplausos do adeptos. Justos e calorosos aplausos a um dos elementos de maior qualidade técnica do plantel leonino.

 

Não gostei nada de ver só 25.504 pessoas a acompanhar este desafio em Alvalade. Esta equipa do Sporting merece ter mais gente a incentivá-la nas bancadas. Ver quase vazia a zona do estádio que costuma estar reservada à Juventude Leonina é ainda mais desolador. Como se este grupo de adeptos, que tem por obrigação apoiar a equipa, estivesse a fazer uma espécie de greve. Com "apoiantes" destes bem podemos dispensar tal claque.

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D