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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Uma surpresa que já tardava em chegar

Sporting 3 - Sp. Braga 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

17 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Conseguiu terminar um jogo sem sofrer golos, feito assinalável mesmo tendo em conta que os avançados bracarenses pouco ou nada fizeram ao longo de mais de 90 minutos, ficando de tal forma encadeados pela surpresa táctica de Marcel Keizer que pareciam estar a fazer um remake da goleada sofrida na última deslocação à capital. De tal forma assim foi que o guarda-redes brasileiro teve de inventar um momento de suspense, ao fintar um adversário na grande área, e fez a sua melhor defesa ao sair em voo para afastar um cruzamento quando o árbitro assistente já tinha assinalado fora de jogo.

 

Tiago Ilori (3,0)

Coube-lhe ser o central descaído para o flanco direito e cumpriu a missão com brio e sem excessivas dificuldades. A única excepção foi um alívio disparado contra um adversário que levou a bola a encaminhar-se para a sua grande área, felizmente a tempo de o problema ser resolvido pelo senhor do costume.

 

Coates (3,5)

Ministro da Defesa que se preze rende em qualquer sistema. E assim foi: o central uruguaio controlou todas as movimentações terrestres e aéreas, garantiu que nenhuma incursão pelo seu território surtiria efeito e chegou ao final do jogo com a rara recompensa de não ter sofrido qualquer golo. Algo que compensa perfeitamente que tenha estado menos afoito a integrar-se no ataque, ao ponto de nem sequer subir para a maioria dos lances de bola parada.

 

Borja (3,0)

Contratado para acautelar a saída de Acuña, eis que o lateral colombiano deu por si a tomar o lugar do indisponível Mathieu. Facto é que não comprometeu enquanto central descaído para a esquerda, combinando bastante bem com Acuña na hora de lançar contra-ataques.

 

 

Ristovski (3,5)

Grande beneficiário da nova táctica, o macedónio serviu-se da velocidade e rapidez de execução para fazer muitos estragos à ala esquerda dos visitantes. Tanto assim é que na primeira parte foi o principal fornecedor de Bas Dost, oferecendo-lhe aquele que deveria ter sido o primeiro golo do jogo. Depois do intervalo foi menos solicitado pelos colegas, destacando-se sobretudo nas missões defensivas.

 

Gudelj (2,5)

Começa a parecer que nenhum sistema de jogo se consegue adequar ao trinco que não é trinco sérvio. A companhia mais esclarecida de Wendel disfarçou os seus inconseguimentos na posse e distribuição de bola, tal como o poderio físico deu jeito perante adversários tão dados ao “full contact”, mas passa por ser o maior equívoco dos onze titulares do Sporting.

 

Wendel (3,5)

Foi o médio de transição por excelência, acelerando o jogo leonino de uma forma que há muito não se via. Pagou essa ousadia com inúmeras pancadas nas pernas, raramente punidas pelo árbitro Jorge Sousa, conivente com a experiência científica conduzida pelos visitantes em que procuravam apurar se os joelhos do médio brasileiro são capazes de dobrar ao contrário. Quando finalmente teve direito a descanso já estava o resultado feito e pela frente aparece o desafio de virar a eliminatória da Liga Europa em Espanha.

 

Acuña (3,0)

Já foi lateral, já foi extremo, já foi médio de transição e agora tornou-se qualquer coisa como um híbrido de interior e extremo-esquerdo. Serviu-se da sua técnica e domínio de bola para dar dores de cabeça à defesa contrária, mas o mais impressionante foi o modo calmo (ao ponto de parecer induzido por medicamentos) com que lidou com as decisões do árbitro e a cobertura dos adversários.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tão grande é o seu grau de confiança que perto do final do jogo tentou repetir o golo com que gelou o Estádio da Luz, esquecendo-se de que Tiago Sá é bastante mais promissor do que Svilar. Teria sido magnífico bisar, algo que já tentara minutos antes, com um remate de longa distância que saiu pouco ao lado do poste, mas a missão do capitão cada vez menos interino do Sporting estava cumprida. Aproximado da baliza adversária pelo novo sistema, Bruno Fernandes inaugurou o marcador logo na primeira parte, com outro livre directo bem cobrado ao ponto de até meter impressão. E, fruto das combinações com Ristovski e Diaby na direita, ainda serviu Bas Dost no lance do 3-0.

 

Diaby (3,5)

Assentou-lhe como uma luva o papel de segundo avançado que tira partido da velocidade. Várias tentativas na primeira parte serviram de aquecimento para a jogada iniciada junto à linha de meio-campo em que suportou faltas de quatro adversários até ser derrubado na grande área do Sporting de Braga.

 

Bas Dost (3,5)

Ficou a dever a si próprio um hat trick que lhe devolveria a liderança isolada da lista de goleadores da Liga NOS, pois desperdiçou um passe para concretização de Ristovski e chegou atrasado a um bom cruzamento do macedónio. Nada disso apaga a forma gelidamente calma como marcou o pénalti e o posicionamento perfeito para desviar o cruzamento de Bruno Fernandes e fazer o 3-0. Teve direito a uns minutos de descanso e espera-se que na quinta-feira esteja cheio de força.

 

Luiz Phellype (2,0)

Ainda não foi nesta noite que justificou a contratação, preocupando-se mais com o contacto físico do que a bola.

 

Raphinha (2,0)

Mais um jogo pouco conseguido do extremo brasileiro, pouco eficaz no papel de avançado solto que interpretou durante um quarto de hora.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Entrou para que o departamento médico pudesse soldar as fissuras nas pernas de Wendel, o que não o impediu de ser o único suplente lançado por Marcel Keizer a deixar boa impressão, tanto nas missões defensivas como no lançamento de contra-ataques.

 

 

Marcel Keizer (4,0)

Única reclamação: não poderia ter antecipado a surpresa há alguns jogos, poupando-se a queda no abismo que levou decerto muitos dos 27 mil que se deslocaram ao Estádio de Alvalade a não saírem de casa sem levar um lenço branco? Certo é que o 3-4-1-2 cumpriu a missão de manietar o Braga e os destaques individuais encaminharam os leões para uma vitória contundente que no início da tarde de domingo ninguém adivinharia.

Zero

Na conferência de imprensa de ontem em Alvalade, onde desta vez não lesionou a mão, evitando dar murros na mesa, Abel Ferreira - ex-jogador do Sporting - lembrou-se de perguntar quantas vezes fomos campeões nos últimos 25 anos.

Apetece-me devolver-lhe a pergunta. Questionando-o quantas vezes, até hoje, foi o Braga campeão nacional de futebol.

E acrescentando que perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado.

Está tudo bem?

Isto agora demora um pouco mais a chegar a casa...

A resposta à pergunta que faço no título não faço a mínima ideia qual seja, mas sei que hoje não foi o Sporting dos últimos muitos jogos que esteve em campo. Hoje vimos um Sporting mandão, que não deu veleidades ao adversário e que fez uma exibição consistente, bem conseguida e de encher o olho.

Não sei se está tudo bem, mas sei que é este Sporting que todos queremos, a ganhar obviamente, mas não ganhando, deixando a impressão que tudo faz para vencer.

Aguardemos por quinta-feira, então, desejando que a péssima imagem deixada na primeira mão possa ser lavada com uma exibição igual à de hoje. Afinal, "basta" ganhar por dois...

Do 8 ao 80, o coração não aguenta

Ou de besta a bestial em três dias, Mr. Keizer.

Ja nem sei em que acreditar. 

O que sei é que este foi um dos melhores, se não o melhor desempenho da equipa do Sporting e com muito dedo do treinador. Centrais trocados com Ilori no seu lugar, do lado direito. Laterais assimétricos - um ataca, outro apenas defende. Diaby a fazer de segundo ponta de lança nas costas de Bas Dost. Gudelj e Wendel a médios, Bruno a tudo o resto: marcar, assistir, definir, recuperar, o melhor médio do Sporting de todos os tempos (pelo menos dos meus...).

Na quinta-feira aquela miséria...

E agora 3-0 ao Braga sem nenhuma defesa relevante do Renan e zero oportunidades de golo do Benfica do Minho.

Quanto é que vale afinal este Sporting?

Já não sei dizer...

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da goleada em casa contra o Braga, concorrente directo. Vitória concludente do Sporting neste jogo, parte dele disputado sob chuva intensa. Um jogo em que mantivemos claro domínio do princípio ao fim, derrotando uma equipa que não perdia desde a jornada 14 e que nas três épocas anteriores tinha sempre pontuado em Alvalade. Desta vez a nossa superioridade foi manifesta, o que se traduziu não só na exibição em campo (uma das melhores da temporada) como no resultado: 3-0. Três pontos muito importantes, que nos encurtam a distância relativamente à equipa que acabamos de derrotar: estamos neste momento a quatro pontos do pódio.

 

De Bruno Fernandes. Outra grande exibição do capitão leonino, comandante do onze em campo. Foi ele a abrir o marcador, aos 34', marcando um livre directo de forma perfeita com um forte remate, muito bem colocado, ao canto superior esquerdo da baliza braguista. Foi também ele a fazer a assistência para o terceiro golo, com uma assistência em diagonal a partir da linha de fundo, servindo na perfeição Bas Dost. Os números não enganam: o médio criativo marca pelo terceiro jogo consecutivo, somando já 21 golos na temporada e sete assistências no campeonato. O homem da partida.

 

De Wendel. Vai subindo de rendimento a cada jogo, mostrando a sua extrema utilidade no onze titular do Sporting. Hoje esteve impecável ao ajudar Gudelj na formação de uma barreira intransponível no nosso meio-campo defensivo e criou constantes desequilíbrios, com posse de bola, nas transições ofensivas do corredor central. Saiu fisicamente debilitado, aos 82', após uma actuação esgotante, sob intensos - e merecidos - aplausos dos adeptos.

 

De Bas Dost. Regresso do ponta-de-lança aos golos - e logo a dobrar. Marcou primeiro, aos 50', de grande penalidade, e culminou a exibição aos 68' com um remate de primeira na grande área, aproveitando da melhor maneira um cruzamento de Bruno Fernandes. A forma como festejou este golo, transbordante de energia, contagiou ainda mais os adeptos no estádio: consumava-se assim o triunfo sobre o Braga, com indícios de que o melhor Sporting está de regresso. Quanto a números, também o avançado holandês mostra serviço: leva 21 golos marcados nesta época, 14 dos quais na Liga. Igualando o ponta-de-lança braguista Dyego Sousa.

 

De Diaby. Grande trabalho sem bola do avançado maliano, arrastando com frequência as marcações adversárias enquanto abria caminho às constantes incursões de Ristovski pelo lado direito (e aos cruzamentos procurando Bas Dost, aos 15', 17' e 66'). Aos 48', mostrando que também é bom de bola, correu 40 metros com ela, desembaraçando-se de sucessivos adversários e acabando por só ser derrubado em falta dentro da grande área do Braga. Foi o melhor lance individual do desafio. E talvez o mais decisivo: desse penálti, convertido por Bas Dost, resultaria a certeza de que já não deixaríamos fugir os três pontos.

 

Da nossa linha defensiva. Impecável exibição do reduto formado por Coates, Ilori, Ristovski e Borja, impedindo o Braga de construir situações de golo. Esta organização defensiva - com o lateral colombiano, muito consistente, fechando bem o corredor esquerdo sem arriscar incursões na ala, ao contrário do macedónio no corredor oposto, e a dupla Gudelj-Wendel ajudando a bloquear o caminho mais à frente - foi um dos condimentos essenciais para termos vencido de forma tão categórica. Pormenor raro: terminamos a partida sem sofrer qualquer golo. Não há coincidências.

 

Da rotação na equipa. Marcel Keizer, acertadamente, mexeu muito no onze inicial, fazendo entrar sete jogadores que tinham ficado fora dos titulares na quinta-feira, frente ao Villarreal: só Coates, Acuña, Bruno Fernandes e Bas Dost foram repetentes. Este refrescamento foi coroado de êxito: a equipa demonstrou uma desenvoltura física como há muito não se via e que contribuiu em larga medida para o domínio leonino em campo.

 

Da merecida homenagem a Peres ao intervalo. O nosso saudoso médio, duas vezes campeão nacional pelo Sporting e com um brilhante currículo igualmente ao serviço da selecção, mereceu ser evocado dias após o seu falecimento. Felizmente a exibição leonina neste jogo esteve ao nível da classe e da categoria de Fernando Peres.

 

 

 

Não gostei

 

Que Luiz Phellype ainda não tenha marcado pelo SportingEntrou hoje aos 70', substituindo Bas Dost. É verdade que já vencíamos por 3-0 e tínhamos reduzido a pressão ofensiva, mas o melhor que o brasileiro conseguiu foi um cabeceamento ao lado, no minuto 75.

 

Da "greve" de apoio à equipa feita pelas pseudo-claques. Destes apoiantes o Sporting não precisa. De todo.

 

Do vaivém de alguns jogadores, que tão depressa são titulares como ficam excluídos das convocatórias. Aconteceu desta vez com Miguel Luís e Jovane, que têm andado mais fora que dentro. Assim tardarão a ganhar rotinas e confiança.

 

Da ausência de Nani. Pelos motivos que já expressei aqui.

Nani não merecia isto

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O presidente ainda não falou: limitou-se a mandar dizer que só romperá o silêncio na próxima sexta-feira. Nem sequer emitiu duas frases de público alento aos jogadores e à equipa técnica antes do confronto de logo com o Braga. Ao menos para ajudar a compor as bancadas, que deverão estar bastante desguarnecidas. Tal como o plantel, agora sem Montero e sobretudo já sem Nani - decisivo para a conquista da Taça da Liga, há um par de semanas. Justificar a partida do nosso capitão, formado no Sporting e campeão europeu em título, pela necessidade de "poupar dinheiro" à SAD leonina, é culminar com uma pitada de inaceitável injúria este episódio tão pouco edificante.

Nani não merecia isto.

 

O silêncio, num momento destes, dá pasto a todas as especulações. Não falta portanto, entre os que são próximos de Frederico Varandas, quem se apresse a emitir mensagens contraditórias: por um lado sopram-se "notícias" para os jornais garantindo que o holandês está de pedra e cal; por outro, nas redes, já se conclui que o homem afinal não serve. Tudo e o seu contrário. É uma regra básica da comunicação: se quem devia falar se cala, alguém menos qualificado para o efeito acaba por preencher esse vazio.

Acreditam que isto possa dar saúde anímica à nossa triste equipa? Pois: eu também não.

Faz hoje um ano

 

Assembleia geral leonina. Uma reunião magna convocada subitamente por Bruno de Carvalho, a pretexto de fazer alterações aos estatutos e ao regulamento disciplinar do clube, mas que se transformou de modo ainda mais inesperado num plebiscito ao presidente do Sporting, por vontade do próprio, ao exigir que as alterações recebessem a aprovação de uma percentagem mínima de 75% dos sócios.

Dirigindo-se aos adeptos, Bruno de Carvalho exortou-os a «serem leões e não carneiros». Isto menos de um ano após ter recebido uma expressiva luz verde, ao ser reeleito para um segundo mandato por 90% dos votantes.

A pressão resultou: o presidente recebeu novamente 90%, culminando assim três semanas de tensão no universo leonino, com as atenções a desviar-se do rumo da nossa equipa principal de futebol, que nesse mesmo período perdeu a liderança do campeonato.

 

«O presidente introduziu um grave factor de perturbação no clube. A meio da época desportiva, num momento nada aconselhável para o efeito. É uma crise totalmente artificial. Mas não deixa de ser crise. A partir de agora Bruno de Carvalho só pode ser comparado com ele próprio. Bruno II versus Bruno I. Com o sucesso do primeiro mandato a funcionar como padrão de avaliação neste segundo mandato, dure o tempo que durar», escrevi aqui nesse dia 17 de Fevereiro de 2018.

 

«Aconteça o que acontecer, vou continuar a ser do Sporting. Essa é quase a única certeza. Seja qual for o resultado, creio que o Sporting sairá disto mais fragilizado do que estava há um mês, mas cá estaremos e são 111 anos de história e não 5 ou 17», observou o Rui Cerdeira Branco, escrevendo ainda antes de ser conhecido o resultado da votação.

 

«Bruno é um chefe da tal tribo, e precisa, porque quer, do apoio constante, do sufrágio semanal, heptassemanal até, do voto não por telefone (chamada de valor acrescentado ou sms) mas por aplauso, cântico, ululação. É disso que retira o seu ânimo, é esse o ânimo que quer ver e sentir nas hostes», referiu o JPT, em texto irónico, concluindo: «Só sairei do barco, desterrando-me talvez, se vier a saber que ele descura os nossos deuses: que prejudica o clube (como outros o fizeram antes dele, e por isso não lhes cuidamos dos túmulos); que compra jogos (algo contra o qual sempre nos batemos). Mas se ele não os trair, enquanto ele não os trair, a esses nossos deuses ... é o meu chefe.»

A voz do leitor

«No Bonfim entrámos em campo sem um único jogador da formação, entrando depois o Nani. Há 20 anos que tal não acontecia, mas o povo acha bem, continuando a caminhar o clube pelos trilhos da trivialidade que há muito tomaram o destino leonino. Depois admirem-se de um Djaló assinar pelo Milan por acreditar não ter oportunidades.»

 

Filipe Vaz Correia, neste texto do Duarte Fonseca

Ninguém adivinhou

A questão tornou-se irrelevante, mas queria apenas assinalar aqui que Marcel Keizer foi novamente capaz de surpreender os adeptos com a convocatória anunciada para o Sporting-Villarreal: face ao repto que lancei aos leitores, desafiando-os a anteciparem o onze titular, nem um foi capaz de vaticinar quem alinharia de início.

Aqui para nós, mais valia alguns desses jogadores não terem calçado. Começando por Bruno Gaspar (que cedo se lesionou) e Petrovic. Mas isso agora não interessa nada. Há que pensar já é no jogo contra o Braga.

Do vício de ir ao estádio. Golos precisam-se.

Esta época já estive apreensiva, esperançosa, animada qb com os infelizmente breves momentos de keizerball, apreensiva novamente, para voltar a estar mais triste que outra coisa qualquer. No estádio tudo foi triste na quinta, tudo.

Mesmo assim, amanhã não saberia estar noutro lado à hora do jogo. Não faz de mim mais nem menos que os outros, tenho o lugar pago e sei que estaria com o sentido no jogo estivesse onde estivesse. Não consigo não estar, nem quero. 

Sei que o futsal hoje já ganhou, fico contente, quero o Sporting sempre a ganhar. Por vezes vou ao pavilhão ver outra rapaziada das modalidades e admito que é muito diferente e mais feliz. Sente-se no público também. Mas é o futebol que me dói e vicia. Cada um vive o clube como vive.

Queria poder dizer lá para dentro - não me ouviriam, já sei - o que é para nós o clube, o jogo, o estádio, o verde às riscas. O leão rampante. Que não nos impressionam a nós que já vimos tantos outros por ali passarem, mas que são os nossos e é com eles que contamos e com quem queremos estar num só objectivo. Que sabemos reconhcer a raça, a eficácia, gostamos de ver bom futebol e é isso que esperamos época após época. O que é celebrar um golo do Sporting, que percebessem o que é um golo do Sporting para nós. Alguns o entenderão, quero acreditar que quase todos. Não tem a ver com profissionalismos e essa conversa formatada que se faz, isso já sabemos de cor nós também. É tudo muito diferente de há vinte anos, do jogo ao público, mas alguma coisa tem de passar para o lado de lá. 

Sou uma pessoa calada por natureza, vejo jogos quieta no meu lugar. Mas um golo faz-me levantar, gritar, aplaudir e urrar sem sequer pensar no assunto (tanto que celebrei efusivamente o belo golo de Raphinha, depois anulado, frente ao Moreirense. Mas enquanto não o foi, vibrei bastante). 

São golos que vos pedimos. 

Factual

Balanço dos 14 jogos orientados por José Peseiro antes de ser despedido:

 

9 vitórias

Contra Marítimo (2), Moreirense, V. Setúbal, Feirense, Qarabag, Vorskla, Loures, Boavista

1 empate

Contra Benfica

4 derrotas

Contra Braga, Portimonense, Arsenal, Estoril

 

24 golos marcados, 14 sofridos

 

..............................................

 

Balanço dos mais recentes 14 jogos orientados por Marcel Keizer:

 

5 vitórias

Contra Feirense (3), Moreirense e Belenenses

4 empates

Contra FC Porto (2), V. Setúbal e Braga

5 derrotas

Contra Benfica (2), V. Guimarães, Tondela e Villarreal

 

20 golos marcados, 17 sofridos

Carta aberta ao presidente Frederico Varandas

Caríssimo presidente Frederico Varandas, na minha qualidade de sócio do Sporting desde 1976, gostaria que se dignasse a nos dirigir, não serei o único sócio que o quer ouvir, algumas palavras.

Freddy Montero saiu do clube em final de contrato. A imprensa dá como certa a saída de Nani, facto ainda não comunicado pelo Sporting, estando ainda em cima da mesa a possível venda de Acuña, o mercado na Rússia apenas fecha dia 20. Por si só estes factos e rumores justificam uma palavra aos sportinguistas, mas surgem num contexto desfavorável, com a equipa de futebol protagonizando paupérrimas exibições, acumulando maus resultados.

Os sócios perderam a paciência com Marcel Keizer, que todos já percebemos, pode ser simpático, uma excelente pessoa, mas não tem capacidade para continuar a treinar o Sporting. A hora é sua, presidente, que já sabia ao que ia quando apresentou a candidatura ao cargo que ocupa, tendo sempre afirmado conhecer bem a casa e estar preparado. Pois bem, presidente, o tempo é de agir, rapidamente, antes que o quadro se agrave.

Enquanto sócio exijo respostas, não quero desabafos sobre estados de alma nas redes sociais sobre o que poderia ter mudado com esta ou aquela decisão do árbitro, com maior ou menor desempenho do jogador A ou B, porque já demos para peditório idêntico que não leva a parte alguma, por mais que algumas viúvas continuem por aí a carpir com esperança na ressurreição, está morto e enterrado, passemos à frente que tão reles defunto nem cera merece. A comunicação do clube não funciona, porque não informa, limita-se à publicação de comunicados de agenda horária de eventos e pouco mais. Até quando pretende manter este registo presidente Frederico Varandas? Como explica a fraca aposta nos jovens da formação, desde Janeiro, sabendo que uma das suas justificações para a opção por Marcel Keizer foi precisamente a aposta na formação? Chegámos ao cúmulo de ver entrar em campo a nossa equipa sem um único jogador da formação, algo que não acontecia há vários anos.

Por enquanto a sua presidência não está em causa, foi eleito em Setembro, ainda não teve direito a preparar uma época, mas quer mesmo arriscar as suas fichas mantendo a aposta em Marcel Keizer? Não será preferível uma solução tipo, Raul José ou outra que internamente encontre? E começar a preparar a próxima época, porque esta já todos percebemos estar perdida, o que face aos tristes acontecimentos que vivemos no início de época nem é assim tão surpreendente, mas como sabe os sportinguistas são optimistas por natureza, gostamos de confiar e confiámos em si quando nos disse que iriamos lutar pelo título, confiámos em si quando despediu o anterior treinador e escolheu o actual para revolucionar a qualidade do futebol praticado e apostar nos jovens da formação, hoje, vendo o quadro que temos à frente, tenho que lhe perguntar, valeu a pena, presidente?

Sou dos que ainda o apoiam presidente Frederico Varandas, na decisão de terminar com borlas para as claques, por não andar sempre a divulgar os estados de alma, como todos nós tem direito à privacidade, respeito-a, mas hoje o seu silêncio está ensurdecedor, não é possível continuar, algo menos que uma vitória amanhã diante do Braga e vitória no Villareal na quinta-feira, podem precipitar movimentos que já se adivinham por aí, colocando inclusivamente a sua presidência em causa. O que compreenderá, porque ao não tomar parte na solução, torna-se no problema, pois não é possível continuarmos a ver jogos miseráveis, acreditando que algo irá mudar. Sabemos que não existem milagres, sem alterar o rumo não é possível mudar de vida. A palavra é sua presidente, por enquanto ainda é, use-a...

Vai mesmo ter de falar

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Para já, é indispensável que Frederico Varandas comunique com os sportinguistas. Ao falar a 1 de Fevereiro, logo após o Sporting ter vencido a Taça da Liga, abriu um precedente. Não faz qualquer sentido permanecer em silêncio agora.

Quando se quebram as regras, altera-se a linha de rumo. E nada volta a ser como era antes: há que enfrentar as consequências.

Ao despedir um treinador à oitava jornada cedendo à pressão dos lenços brancos, o presidente abriu um precedente. De alto risco, como na altura referi.

Ao romper o silêncio num momento bom, o presidente passou a ter a obrigação de falar também nos momentos maus. Não é compreensível que proceda de outra forma.

Faz hoje um ano

 

«O Sporting sempre primeiro», defendeu o José da Xã num texto aqui publicado faz hoje um ano. Concretizando desta forma:

«Nada na vida acontece sem um enorme esforço. Muito menos no Sporting onde toda a gente tem, e bem acrescente-se, opinião. Sabemos que muitos sócios têm para a palavra dedicação ao Sporting um significado diametralmente oposto aos interesses do clube. Mas faz parte da vida e mais tarde ou mais cedo a verdade virá ao de cima. Ao mesmo tempo há outros adeptos e sócios que olham para a nossa casa e sentem tal devoção que se sacrificam pelo clube, dando muitas vezes a cara por uma filosofia de vida sem dele receber a compensação devida. Finalmente sinto que este Sporting está serenamente a construir uma renovada identidade que nos levará mui brevemente à tão desejada glória

 

Numa óptica diferente, atestando o pluralismo do nosso blogue, o António de Almeida escrevia estas linhas também nesse dia 16 de Fevereiro de 2018:

«Se a condição para Bruno de Carvalho permanecer é retirar aos sócios o poder de criticar ou divergir livremente do rumo traçado pela direcção, se o cumprimento do mandato depende de ser aclamado em Assembleia Geral por uma massa acéfala, então que se vá. O Sporting Clube de Portugal é demasiado grande para ser utilizado como vaidade pessoal seja de quem for.»

 

No dia seguinte, realizava-se uma assembleia geral do Sporting. Com Bruno de Carvalho a lançar este repto aos sócios: ou votariam as alterações estatutárias que propunha por uma maioria de 75% ou abandonaria de imediato as funções, fazendo cair todos os órgãos sociais e lançando o clube numa enorme turbulência.

A voz do leitor

«Desculpem a pergunta, mas Keizer é treinador do SCP? É que a mim parece-me que não, e passo a explicar: na conferência de imprensa olhei para o senhor e não consegui ver nada que o identificasse com o nosso clube. Nem gravata verde, nem emblema, nem boné... Nada! Olho para outros, que mostram com orgulho o emblema no blusão. Dirão: isso é coisa menor. Eu direi: são estes pequenos/grandes pormenores que fazem a diferença.»

 

Pedro Wasari, neste meu texto

Muito obrigado, Montero e Nani

Segundo parece estão estes dois excelentes futebolistas de saída do Sporting, rumo a campeonatos menos exigentes mas muito interessantes em termos de fase final duma carreira e transição para outro tipo de vida.

Quer um quer outro tiveram momentos notáveis com a camisola do clube, e Nani é apenas o capitão de equipa, um dos expoentes máximos da Academia de Alcochete, e o porta-bandeira do ADN Sportinguista no plantel do clube e um exemplo para os jovens da formação.

Se calhar estamos mais uma vez como naquelas situações de divórcio de comum acordo em que ambas as partes sentem que o amor do outro já não é o mesmo que era quando eram mais novos e sendo assim sentem que podiam ser mais felizes noutro lado.  

Do lado do Sporting as saídas representam um alívio importante na tesouraria, pois trata-se de salários dos mais altos do plantel. Do lado dos futebolistas têm tempo para preparar uma nova época e para Nani se integrar numa nova realidade.

Nani e Montero são daqueles artistas da bola que tanto podem passar ao lado do jogo como podem dum momento para o outro fazer o que ninguém espera e resolver as situações mais complicadas. Golos fantásticos, únicos. E olhando para o plantel quem mais temos assim ? Bruno Fernandes, só. Cada vez mais vamos ser BF e mais 10 ? Ele não é o super-homem...

E em que posição fica Keizer no meio disto, quando sabemos que Nani tem sido substituido com frequência no decorrer dos jogos, a última vez no intervalo do jogo em casa com o Benfica, e Montero pouco tem estado disponível? Que responsabilidade teve ele, por acção ou omissão, nas saídas?

E os sócios? Como vão aceitar estas saídas, que parecem significar o atirar a toalha ao chão no que respeita aos objectivos da temporada?

Enfim, seria altamente conveniente que depois do jogo contra o nosso concorrente directo ao 3º posto, o Braga, e do fecho completo do mercado,  Frederico Varandas viesse esclarecer os sócios e dissipar as legítimas dúvidas que tudo isto merece. Incluindo o que quis efectivamente dizer no final da Taça da Liga sobre a qualidade do plantel e o que pensa agora, depois de todas estas entradas e saídas. 

Se explicar nós entendemos e podemos dizer melhor de nossa justiça. 

Mas voltando ao início, muito obrigado, Montero e Nani, e muitas felicidades para a vossa aventura americana.  

SL

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