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És a nossa Fé!

Primeiras impressões

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Quatro jogos disputados em 15 dias para três competições. Saldo: quatro vitórias. Com 17 golos marcados. Por Bas Dost (6), Bruno Fernandes (4), Diaby (4), Nani (2) e Jovane.

As primeiras impressões contam muito. As que Marcel Keizer já deixou em Alvalade não podiam ser melhores. Para enorme satisfação do 12.º jogador - ou seja, de todos nós.

Estamos sempre a aprender

Já comentei, numa referência deixada pelo Pedro Azevedo, que não gostei nada das declarações do Tiago Fernandes, e hoje mais uma vez as suas palavras vieram dar-me razão. As falsas modéstias, por vezes, transformam-se em arrogâncias, que levam geralmente a maus resultados. Tratando-se de alguém sem provas dadas no futebol profissional, dizer que não precisa de aprender nada, que se sente perfeitamente preparado para treinar Porto, Benfica e qualquer outro clube de Portugal, revela  algo que não fica bem e sobretudo que não se adequa à "escola do Sporting", nem ao espírito de quem se diz criado na cultura sportinguista.

Que tenha sorte em Chaves é aquilo que lhe desejo, mas que entenda também que em qualquer profissão estamos sempre a aprender.

A voz do leitor

«Somos, e continuaremos a ser por muitos mais anos, o clube com mais títulos no futsal em Portugal. [Temos] o maior de todos os records: estivemos três anos(!!!) sem perder um jogo para o campeonato na fase regular! Feito único em Portugal (quiçá em toda a Europa) e provavelmente irrepetível!

 

Jorge Santos, neste texto do Pedro Azevedo

Faz hoje um ano

 

Íamos jogar com o Astana para a Liga Europa: assim ditou o sorteio. 

«Para trás do fim do mundo», como aqui assinalou o João Caetano Dias a 11 de Dezembro de 2017.

Comentários adicionais:

«A Aeroflot faz a coisa por 439,25€ (no Rumbo), ida e volta. Mais o excesso de bagagem, que com o friozinho que lá vai estar, é preciso levar uma camioneta de cobertores...», informou o Edmundo Gonçalves.

«O que mais me preocupa com esta eliminatória (num intervalo de uma semana) é a deslocação a Tondela pelo meio», observou o Filipe Moura.

«Mas não era suposto estarmos na Liga Europa? Essa equipa de ciclismo fica para lá do paralelo do Afeganistão... será Ásia?», questionou o Pedro Oliveira.

Os prognósticos passaram ao lado

Sim, incrivelmente, os prognósticos passaram ao lado. Não por falta de optimismo de quem aqui veio antecipar o resultado do Sporting-Aves, mas por manifesta falta de pontaria. Muitos anteviram uma vitória leonina por 4-0, parecendo quase copiarem uns dos outros, mas ninguém foi capaz de registar por antecipação o 4-1 final.

Lamento, até porque esta temporada tem estado superior às anteriores na quantidade de palpites certos cá no blogue. Veremos se na próxima ronda os vaticínios voltam a acertar no alvo.

E agora sem Wendel?

Se esta pergunta surgisse há umas semanas atrás, iriam concerteza dizer que estava maluco ou a abusar em determinadas substâncias que fazem mal ao raciocínio, e temos muitos exemplos por aí...

Mas feita a pergunta agora, parece realmente que uma peça importante do 4-3-3 de Keizer se avariou e importa substituir.

E por quem ?  Por Bruno César, um jogador que sempre vi mais como médio central do que nas laterais ? Por Acuña adiantando Bruno Fernandes ? Por Miguel Luís, que teve a sua oportunidade com Tiago Fernandes ? Por Nani passando para uma zona mais central ? Uma nova oportunidade para Misic ? Por Petrovic adiantando Gudelj ? Por quem ?

Não falando em nomes como Adrien e F. Geraldes, para mim havia um jogador que encaixava como uma luva no modelo de Keizer. Um jogador rápido, objectivo, intuitivo, com visão de jogo, titular do Farense, meia-leca com muito talento, Ryan Gauld.

SL

A voz do leitor

«Estou satisfeito por ver Wendel a render. Eu acreditei sempre nele e para mim era um mistério o porquê de não ser utilizado. Afinal, o porquê parece simples: num Sporting atacante e com futebol apoiado, Wendel tem tudo para brilhar. Num Sporting com poucas ideias e a pastelar a ver se alguma coisa acontece a partir de alguma inspiração individual dos seus jogadores, Wendel poderá não ser o ideal.»

 

Ângelo, neste meu texto

Faz hoje um ano

 

A propósito do Boavista-Sporting (1-3) da véspera, o Pedro Azevedo fez aqui, em 10 de Dezembro de 2017, um reparo crítico a Jorge Jesus:

«Destaque para os golos terem sido apontados por jogadores poupados no início do jogo em Barcelona, pormenor que JJ não deixou passar em claro na flash-interview, referindo-se aos críticos como "atrasados mensais". Independentemente da razão que lhe assista (afinal ganhou e a sua aposta provou-se correcta), JJ e a restante estrutura leonina poderiam sentar-se à mesa e entre os comensais ponderar abrir uma escola para alunos com necessidades especiais - tantos são aqueles já apelidados de "burros" ou "atrasados mensais" -, um modelo alternativo às escolas que Vieira pretende criar no Seixal... Mais humildade e menos adjectivação precisam-se, até porque tão importante como saber perder é saber ganhar e nós vamos ganhar.»

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo da Glória

O jogo iniciou-se com o Sporting a jogar a passo e o Aves de Mota a voar baixinho. Com Wendel e Bruno Fernandes muitas vezes em linha, aos centrais e a Gudelj faltava um médio que se aproximasse da bola e ajudasse na construção, a sua ausência fazendo com que o jogo fosse constantemente lateralizado e longe dos princípios impostos pelo novo treinador leonino. O jogo a um/dois toques não aparecia - bitoque de menos e bife nervoso e muito mastigado de mais - e o Aves aproveitava para contra-atacar sempre com grande velocidade, explorando preferencialmente o lado direito da defesa leonina e as costas de Bruno Gaspar (em tempo natalício, um Rei Mago sempre pronto a distribuir presentes). É que Marcel Keizer tentara criar um “joker” no meio-campo com o adiantamento do lateral, mas a estratégia estava a ter um efeito “boomerang”. Não surpreendeu assim que os avenses se tivessem adiantado no marcador, seguindo a velha máxima futeboleira de que melhor Defendi é (n)o ataque. Valeu que, na hora H, a Amilton faltou a consoante para dilatar o marcador. Já Renan foi herói, resistindo a cair, evitando que lhe picassem a bola por cima do corpo.

 

O Sporting sentia muitas dificuldades em ligar o seu jogo, mas um penálti desnecessário cometido por Vitor Costa sobre Diaby permitiria a Dost equilibrar as contas. Nesse transe, Mota perdeu os travões e deixou a sua equipa apeada. Coates – já ficara mal no golo - não se conformou, e acometido de uma recorrente gripe das aves (ainda consequência de um anterior contacto com o "galo" Griezmann em Madrid) isolou um avançado adversário. Desta vez, o lance acabaria nas malhas…laterais da baliza à guarda de Renan. A partida caminhava para o fim da primeira parte, quando Nani tirou um coelho da cartola e aplicou uma folha seca muito indigesta e que trouxe água no bico ao guardião das Aves, adiantando o Sporting no marcador.

 

O reatamento viu o Sporting fazer o terceiro: Bruno Fernandes rodopiou entre dois adversários e junto à linha lateral do lado esquerdo do ataque leonino centrou de canhota para Dost (goleadores assim são espécies em via de extinção) bater as Aves no seu habitat natural. Logo de seguida, Acuña foi expulso por acumulação de amarelos, ele que no primeiro tempo tinha mostrado ainda precisar de algumas lições adicionais de controlo de raiva, certamente a serem leccionadas numa viagem mais longa do que aquela entre Vila do Conde e o José Alvalade.  Curiosamente, em inferioridade numérica o Sporting jogou melhor, com maior aproximação entre os sectores e mais trocas de bola rápidas. Num desses lances, Bruno Fernandes (médio completo, outra ave rara) isolou Diaby sobre a direita e este teve tempo para flectir para dentro e assinar uma obra de arte digna do Renascimento de um grande Sporting, o quarto dos leões e que sentenciou a partida.

 

O Sporting pareceu estar a disputar o Jogo da Glória: ontem caímos num poço e só começámos a jogar depois de sermos ultrapassados no marcador. Ainda assim, a morte esteve ali bem perto. Depois, empatámos e lá voltámos à casa de partida (1-1), pela quarta vez desde que Keizer é o nosso treinador (a primeira em que saímos atrás). Os dados estavam lançados e fomos bonificando e avançando mais ainda. Até que, ultrapassados o Inferno e o Purgatório, já era certo que atingiríamos a Glória. Por fim, já sem emoção, desligámos e limitámo-nos a aguardar pelo inevitável desfecho. Mas atenção: o nosso peão chegou à frente, mas não passou a ser um camPEÃO. Todavia, o que se pode dizer quando o pior Keizer da época se traduz num triunfo por 4-1 contra a equipa que, por via de um Jamor de perdição, há meses atrás sovou a prima do mestre-de-obras que andou lá por Alvalade a que era amante de arte românica? Uma palavra final para José Mota: utilizou bons ingredientes e o cozinhado teria sido de primeira se não lhe tivesse faltado a mão (de Ronny?) no tempero. É o que dá abusar da canela(da)...

 

Tenor “Tudo ao molho...”: Bas Dost

sportingaves1819.jpg

Pódio: Bas Dost, Bruno, Diaby

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Aves pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 19

Bruno Fernandes: 19

Diaby: 16

Gudelj: 16

Nani: 16

Renan: 16

Mathieu: 15

Bruno Gaspar: 14

Wendel: 13

Bruno César: 12

Coates: 12

Jefferson: 11

Acuña: 10

 

O Jogo e o Record elegeram Bas Dost como melhor em campo. A Bola optou por Bruno Fernandes.

Armas e viscondes assinalados: Nem com um a menos se repetiu o Jamor

Sporting 4 - Desportivo das Aves 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

9 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,5)

Sabia que o último guarda-redes do Sporting a sofrer dois golos do Desportivo das Aves num só jogo é agora titular de um clube da Premier League, mas nem assim o brasileiro consentiu que a bola voltasse a transpor a linha de golo após o tento que abriu o marcador em Alvalade. Sem nada poder fazer para desviar o cabeceamento de Defendi, Renan Ribeiro cobriu bem o ângulo para evitar que Amilton fizesse o 0-2 num contra-ataque muito rápido, e voltou a dificultar a missão de Elhouini, servido por um péssimo atraso de Coates, mesmo antes de o intervalo chegar e de Nani selar a reviravolta. Manteve-se atento na segunda parte, encaixando remates perigosos e controlando o tráfego aéreo na sua grande área de jurisdição.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Ficou a dever o 5-1 a Bas Dost, sendo incompreensível como conseguiu cruzar mal ao ponto de os metros de avanço do holandês em relação à linha defensiva de nada servirem. Por essa altura já era evidente que o lateral-direito assumira o papel de coveiro de jogadas prometedoras, tão manifesta a sua incapacidade de conseguir desequilíbrios ou de sequer fazer chegar a bola aos colegas de equipa. Melhor defensivamente, distinguiu-se por um alívio milagroso que evitou um segundo golo capaz de levar a que também Renan Ribeiro fosse para o Wolverhampton. Muito pouco, ainda assim, para justificar titularidade (até a presença) numa equipa que luta para ser campeã.

 

Coates (2,5)

Dizer que não foi a melhor noite da carreira do central uruguaio é pouco. O golo do Desportivo das Aves teve o seu aval, tamanha a liberdade que permitiu a Defendi, mas também abusou da sorte em contactos com adversários na grande área e fez um passe disparatado a Renan que poderia ter levado a um pesadelo semelhante àquele que viveu na final da Taça de Portugal. Claro que a isto pode contrapor uma sucessão de cortes providenciais e de outras resoluções de problemas, bem como uma incursão pelo meio-campo adversário (em trocas de bola com Bas Dost) menos  fútil do que é habitual, ainda que tão pouco frutífera quanto as anteriores. Mas a ele exige-se sempre mais. 

 

Mathieu (3,0)

Forçado a trabalhar muito na fase inicial de construção de jogadas, devido à apertada vigilância que os adversários impuseram ao meio-campo leonino, o francês deu o que tinha. E ainda lhe sobrou muito para fazer cortes e antecipações que evitaram maiores dissabores ao Sporting.

 

Acuña (2,0)

Viu dois amarelos, o segundo dos quais por derrubar um adversário que se iria isolar, e deixou os colegas com menos um em campo durante quase 40 minutos. Já não seria grande cartão de visitas, mas a parte pior é que a sua exibição ficou mais marcada pelos conflitos com a equipa de arbitragem (sobretudo o fiscal de linha a quem terá declamado alguns dos mais belos versos da poesia em língua castelhana), e pelas picardias que lhe valeram o primeiro amarelo, do que pelo futebol praticado. Tendo recolhido mais cedo ao balneário, talvez tenha podido assistir ao prolongamento da final da Taça Libertadores da América.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo totalmente manietado pela táctica do Desportivo das Aves, demorando a ganhar espaço. Conseguiu-o sobretudo na segunda parte e revelou-se útil na missão de não se reparar tanto na inferioridade numérica dos jogadores verdes e brancos.

 

Wendel (3,0)

Vítima de uma entrada a puxar para o assassino, mesmo que nem sequer sancionada com falta, o jovem brasileiro regressou ao relvado com uma ligadura e com prioridade na ordem de substituições, sendo descansado por Marcel Keizer quando se tornou evidente que estaria tocado. Até então fizera o possível para assegurar circulação de bola no meio-campo. Mas não tão bem quanto nos jogos anteriores.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Chamar assistência ao passe que fez para Nani antes do 2-1 poderá ser uma tecnicalidade, mas o cruzamento perfeito, tirado da cartola mesmo junto à bandeirola de canto para Bas Dost cabecear para o 3-1, tal como o passe rápido e cheio de efeito que serviu Diaby no 4-1, são obras de arte só ao alcance de um grande jogador. Tão eficaz a construir como solidário a defender, voltou a provar que o melhor jogador da última temporada não se encontra num retiro espiritual tendo deixado um sósia no seu lugar.

 

Nani (3,0)

Marcou um golo magnífico, num remate de fora da área que não perde mérito por ter beneficiado do toque num adversário, daqueles golos que dá valor ao preço que se paga para ver um jogo. Foi o ponto mais alto de uma noite em que andou muitas vezes desaparecido, foi pouco influente na equipa e poderia ter saído mais cedo para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Diaby (4,0)

Podia ter entrado na história do jogo mais cedo, pois dominou bem a bola dentro da grande área do Aves e rematou com muita força, só que a bola tentou furar as redes pela parte de fora. Precisou de esperar pelo lance em que foi abalroado quando procurava servir Bas Dost de cabeça, valendo o pénalti que permitiu o empate. E mais tarde selou o resultado final, pouco depois da expulsão de Acuña reavivar fantasmas de jogos passados, controlando muito bem a bola oferecida por Bruno Fernandes, flectindo rapidamente em direcção à baliza e fazendo um remate indefensável. Saiu do relvado com a sensação do dever cumprido.

 

Bas Dost (4,0)

O grau de confiança de Bas Dost ficou patente na firmeza com que agarrou a bola quando o árbitro ainda se dirigia para os monitores nos quais reviu várias vezes a falta sobre Diaby. A mesma confiança que lhe permitiu cobrar a grande penalidade de forma simples e eficaz, ou que serviu para cabecear como mandam as regras o cruzamento inesperado que Bruno Fernandes lhe endereçou. Sendo certo que talvez abuse do tempo que passa longe da baliza, nomeadamente em combinações com os colegas, não ficou longe de somar uma assistência para golo à contabilidade, descobrindo o recém-entrado Bruno César em boa posição para marcar.

 

Jefferson (2,5)

Foi chamado ao jogo na sequência da expulsão de Acuña, e foi útil sem deslumbrar, numa eficácia desprovida de brilhantismo que ajudou a assegurar tranquilidade à noite dos mais de 35 mil que foram a Alvalade. Chegou para ser o melhor lateral da equipa.

 

Bruno César (2,5)

Entrou para o lugar de Diaby, mas com a verdadeira missão de substituir Wendel, por sua vez sacrificado para a entrada de Jefferson. Devolveu critério na posse de bola e ficou a centímetros de fazer o 5-1, num remate à entrada da grande área, após uma assistência de Bas Dost.

 

Marcel Keizer (3,5)

Estreou-se no Estádio de Alvalade com uma exibição que não foi isenta dos sustos a que os sportinguistas se devem ir habituando. Desta vez não obteve resultados tão positivos do meio-campo, mas os violinos da orquestra estiveram afinados quanto baste para assegurar bons momentos de futebol e um caudal de golos que coloca o Sporting à beira de ter o melhor ataque da Liga. Bem a reagir à expulsão de Acuña, ainda que a dois tempos, só pecou por não refrescar a equipa com a terceira substituição. Tanto Jovane Cabral como Montero poderiam aproveitar o balanceamento dos adversários para o ataque nos últimos minutos de jogo.

Vai mesmo de cernelha

A rapaziada aqui do blogue e alguns dos leitores que fazem o favor de perder tempo com os meus escritos, sabem da minha costela de "agricultor". Pois este fim de semana foi tempo, já que o trabalho que muitas vezes também se mete pelo meio o permitiu, foi tempo dizia, de me agarrar às árvores e tratar de lhes fazer a poda. Poderá ainda ser cedo, mas vocês não fazem ideia dos contentores de folhas que eu tenho que varrer... Assim, matam-se dois coelhos com uma cajadada apenas (espero que o senhor do PAN não venha aqui...).

Portanto, dois dias a dar na tesoura e no serrote, subir e descer escada, emolhar os resíduos, que a lareira agradece e ensacar os restantes verdes para enviar para o sítio certo, depois do duche de hoje a tentação foi refastelar-me no sofá e ficar na sorna em frente à lareira e ver a final da Libertadores e o Sporting na televisão, à vez. Mas como anda por aqui um anónimo com vontade de marrar que diz que eu não vou a Alvalade desde que há nova direcção e o meu stock de cernelhas está esgotado até final do ano, lá resisti ao chamamento do calor e do sofá, vesti a jaqueta, perdão, o polar, tirei o carro da garagem e fiz a curta viagem de Caneças até ao Ricardo Jorge, que é onde costumo estacionar.

Eu tinha vaticinado no passatempo do Pedro Correia, nos "prognósticos antes do jogo", uma vitória por 4-0, portanto ia confiante, principalmente depois das indicações que tinham vindo a ser dadas pela equipa. Oitenta e nove degraus depois, lá me sentei no meu lugar. Eu já aqui falei do mau pressentimento que tenho quando a malta canta "O Mundo Sabe Que" num compasso mais acelerado que o normal e hoje isso voltou a acontecer, de tal modo que se acabou a cantiga ainda a letra ia a pouco mais de meio, passe o exagero.

E o Aves fez jus a este meu mau pressentimento, entrando muito bem no jogo e tomando o comando das operações, de tal forma que na primeira meia hora só deu Aves, que marcou uma vez e poderia ter repetido a dose por duas ocasiões, dominou o jogo e fez os nossos andar, literalmente, aos papeis, enredados numa teia de onde raramente conseguiram sair. Depois houve o penalti, que foi ali mesmo à minha frente, mas eu não vi nada; Não quer dizer que não fosse, eu é que confesso que não vi mas acredito no VAR. Dost foi chamado a fazer aquilo que bem sabe e a minha esperança e a de 35 mil e qualquer coisa que lá estivemos hoje renasceu e a força interior de tanta gente, deve ter-se transmitido para Nani, que decidiu fazer uma obra de arte e nos levou para o descanso com um resultado enganador.

Como para dar razão a Pimenta Machado, o que foi verdade na primeira parte, foi mentira na segunda e apareceu um Bruno Fernandes que sabe-se lá por onde andou na primeira parte, que ninguém o viu senão nos inúmeros passes para os adversários que desatou a jogar à bola de tal forma que fez dois naturales que se traduziram noutras tantas chicuelina e verónica uma de Bas Dost e outra de Diaby que sentenciaram a corrida, perdão a partida. Quem não chegou às cortesias foi Acuña, que resolveu pregar um par de coices em dois adversários, que o fizeram regressar mais cedo ao touril, perdão, ao balneário.

Em resumo, uma goleada que estava por mim prevista, mas que o Desportivo das Aves fez por não merecer, dominando até aos curtos, perdão, na primeira parte, mas sendo atraiçoado pela eficácia da colocação dos ferros, perdão, na colocação dos remates dos nossos, que em cinco marcaram quatro e todos na borboleta!

É assim, às vezes fazem-se pegas de levantar a praça, perdão, exibições de levantar o estádio, outras o resultado acaba por ser melhor que a exibição. Ou seja, vai-se lá de cernelha! O que, apesar de tudo, não impediu uma saída em ombros.

 

Calhaus no caminho

No último post comparei este campeonato a uma maratona com um grupo de quatro bem adiantados relativamente aos demais e à espera dum deslize dalgum deles para reduzir o grupo e restringir os possíveis à vitória final. E que muito precisávamos do espírito de Carlos Lopes (um prazer revê-lo hoje em Alvalade) para triunfar ou ficarmos muito bem na "foto-finish", porque iríamos ter muitos calhaus no caminho.

Pois hoje saiu-nos um grande calhau, sob a forma duma equipa ao jeito "rotweiller" do José Mota, que já nos tinha destroçado no Jamor e que na 1ª parte fez supor o pior. Se calhar o jogo começou a mudar naquela cena canalha do Acuna que pôs o açaime a dois dos "rotweillers", mas que o pôs a jeito para a expulsão, essa pelos melhores motivos.

Valeu a classe extra daqueles poucos do plantel que a tem, os tais odiados "retornados" e "traidores" dos brunistas, Bruno Fernandes e Bas Dost, e as contratações do "homem dos tremoços" Sousa Cintra, Nani e Diaby, cada um com dois golos fenomenais. E com isso um resultado enganador para quem se quiser enganar.

Veio a conferência de imprensa e em vez de ouvir banha da cobra e delírios onanistas, oiço o careca de orelhas espetadas, Keizer,  com um discurso simples e directo, da arbitragem não quer saber, quer saber é das deficiências da sua equipa, do mal que jogou na primeira parte, do muito que tem de trabalhar para melhorar, de títulos e conquistas também não, mais à frente se há-de ver e se chegar à frente há-de ser campeão. 

"My Man !  I have a feeling..."  

Mas deixemos os sonhos, desçamos à terra, temos meia duzia de jogadores de classe extra, muito entulho no plantel,  muito trabalho a ter em Janeiro para tornar este Sporting num candidato aos lugares de topo.

Vamos a ver...

SL

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da goleada desta noite em Alvalade. Vencemos o Aves por 4-1. Um jogo que marcou a estreia do novo técnico leonino Marcel Keizer no estádio do Sporting. Um percurso ainda muito curto mas claramente promissor: já lá vão quatro desafios consecutivos a vencer - três dos quais com goleadas, como hoje aconteceu.

 

De Bruno Fernandes. O nosso médio de ligação em boa hora regressado a Alvalade no final de um dos defesos mais complicados de que há memória está também de volta à excelente forma a que habituou os adeptos na época passada. Hoje foi extremamente influente na vitória leonina, com assistências para os três golos marcados em lances de bola corrida - assinados por Nani (45'+2), Bas Dost (48') e Diaby (60'). A última, com um passe de mais de 30 metros, foi soberba. Merece ser considerado o melhor em campo.

 

De Bas Dost. Que mais dizer do goleador holandês? Esta noite voltou a facturar mais dois golos: o primeiro - de grande penalidade, aos 40' - permitiu desbloquear o jogo, que estava a revelar-se difícil para as nossas cores devido à boa organização táctica da equipa adversária e ao golo que sofremos cedo, logo aos 17'. No segundo tempo Dost voltou a marcar - com um cabeceamento perfeito - e subiu, com este bis, ao topo da lista dos artilheiros da Liga, contabilizando já oito. No total, leva 69 marcados no campeonato português desde que chegou a Alvalade. E em boa hora também ele regressou no Verão.

 

De Nani. Uma vez mais, exibição de pura classe do internacional leonino, campeão europeu em título. Autor do mais belo golo da partida de hoje, com um remate em arco, de pé esquerdo, ao apanhar o guarda-redes ligeiramente adiantado. É um prazer vê-lo actuar, comandando a equipa na transição ofensiva, com a sua perfeita visão de jogo e a sua claríssima noção de espaço.

 

Do futebol ofensivo dos Leões. Este Sporting está longe da perfeição, mas afinou a pontaria (quatro golos em cinco oportunidades, o que é notável) e acentuou a sua dinâmica, sobretudo no corredor central, muito mais consistente desde a chegada do novo treinador. Em quatro jogos, somamos 17 golos - quatro ao Lusitano Vildemoinhos, seis ao Qarabag, três ao Rio Ave e quatro agora ao Aves. Honrando as melhores tradições leoninas, já estamos em segundo lugar nas equipas com melhor ataque na Liga 2018/2019.

 

Dos quatro golos deste jogo. Pela primeira vez em oito meses marcamos tanto no campeonato - desde o Belenense-Sporting (3-4) da época passada, disputado em Abril.

 

De ver o Sporting manter a posição na tabela classificativa. Continuamos no segundo posto do campeonato, a escassos dois pontos do FC Porto, e apenas dependemos de nós para ascendermos à liderança após já termos feito duas das três deslocações mais difíceis, a Braga e à Luz. Quem diria isto apenas há quatro meses?

 

Da ovação à nossa equipa de judo durante o intervalo. Aplausos mais que merecidos aos novos campeões europeus da modalidade.

 

Da presença de mais de 35 mil espectadores em Alvalade. Apesar da hora, apesar da noite fria, apesar de amanhã ser dia de trabalho, apesar de à mesma hora haver a transmissão televisiva da final da Taça dos Libertadores, o nosso estádio estava muito composto. E ou me engano redondamente ou terá assistências cada vez maiores à medida que se confirmar como candidato ao título que nos foge há 17 anos.

 

 

Não gostei

 

 

Da nossa primeira meia hora. A equipa pareceu surpreendida pelo posicionamento do Aves em campo e deixou-se condicionar pelo golo sofrido, de bola parada, ainda nesta fase inicial da partida, em que a turma forasteira teve mais duas hipóteses de marcar. Só no último quarto de hora desse primeiro tempo começámos a impor o nosso ritmo e a comandar o jogo.

 

De Acuña. Continua com problemas disciplinares que o desvalorizam como profissional, protestando por tudo e por nada. Hoje recebeu um cartão amarelo à meia hora de jogo. Revelando dificuldades em travar o ala adversário, viu outro da mesma cor, aos 55', rumando mais cedo ao balneário e deixando o Sporting em inferioridade numérica durante mais de 35'. Primeiro jogador leonino expulso nesta Liga 2018/2019. Tem de rever a sua atitude em campo.

 

Da lesão de Wendel. Hoje muito marcado, o brasileiro teve uma exibição modesta. E acabou por sair de campo lesionado, aos 58'. Esperemos que não seja nada grave.

 

Do treinador do Aves, José Mota. Expulso por comportamento visivelmente incorrecto perante a equipa de arbitragem, decidiu uma vez mais dar (mau) espectáculo. Esquecendo que no futebol a sério os únicos artistas devem ser os jogadores.

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