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És a nossa Fé!

O Euro visto por mim

Do alto da minha sapiência futebolística e munido do meu diploma de nível 0 (zero) de treinador de futebol, agora que saímos bem vivos (diria até que ressuscitados) do grupo da morte, com um conhecimento acumulado de mais de 50 (cinquenta) anos a ver futebol ao vivo e nas pantalhas, cá vai a minha análise a esta fase de grupos, concretamente ao grupo onde a selecção portuguesa se exibiu:

Começou bem o grupo comandado pela dupla Santos (o Fernando e a santinha) com uma vitória expressiva, veio a confirmar-se agora, até porque um resultado por três de diferença numa fase final duma competição destas é já considerado uma goleada. Vitória tardia que não tínhamos entendido muito bem, até vermos a Hungria empatar com a França e a poderosa Alemanha empatar (esteve a perder por duas ocasiões) com os magiares. Tivessem ficado por resultado igual e não viajaríam até Sevilha para defrontar a Bélgica.

Isto confirma a teoria popular (o povo tem sempre razão) de que candeia que vai à frente alumia duas vezes e "desconfirma" a do meu amigo Maia, cigano, que diz que os da sua etnia não gostam de ver bons princípios aos filhos, ou até a de todos nós que em miúdos jogávamos à bola na rua defendíamos, quando o muda aos seis e acaba aos doze estava a correr mal, que o primeiro milho é dos pardais.

Foi esse milho que deu respaldo e energia para a equipa resistir e ressurgir depois de um tornado que apareceu com nome de Alemanha e lhe infligiu uma derrota pesada, que chegou a ter contornos e previsão de tragédia, mas que no final, sendo mau, não foi assim tão mau como a exibição. A coisa poderia ter sido pior e tememos todos por isso. Verificou-se que a teimosia, não sabemos se do Fernando se da santinha, que parece que eles às vezes não se entendem e é preciso invocar outros postos na hierarquia, desta vez tinha passado os limites, ao colocar em campo um team onde pontuaram alguns elementos, como hei-se dizer... lentos? Apáticos? Ausentes? Incompetentes? Escolham, façam-me o favor, ou juntem tudo, estejam à vontade.

A gente sabe que era a Alemanha que estava do outro lado, que vinha de uma derrota com a França, que precisava de ganhar, isso tudo, mas havia necessidade de insistir com algumas das vacas sagradas? Vamos lá ver, que andou até agora o William Carvalho, que esteve quase toda a época a aquecer o banco do Bétis, a fazer a titular que o João Palhinha não tivesse feito ontem muito melhor? Dizem as más línguas que Palhinha andou mais ontem em dois túneis que o inútil WC nos dois jogos anteriores e eu tendo em concordar. E a insistência no Rafa, que tem ar de bom rapaz, mas não chega; E continuar com Bernardo Silva, que continua a ser uma nulidade na selecção? Há coisas que só mesmo o Fernando e a santinha conseguirão entender, mas certamente não conseguirão explicar.

Mas a Alemanha viu-se à rasca para empatar com a Hungria, dirão os leitores. Pois viu! Mas quem viu o jogo, viu uma Alemanha a pressionar e os húngaros a fazer dois remates e a marcar dois golos. Durante todo o jogo alugou-se meio campo, mas na bola o que conta é a eficácia, porque se contassem outras teorias quaisquer, como nós ganhámos à Hungria e os outros apurados empataram, a gente é que devia ter ficado em "primeiros"!

Bom, o homem e a sua adjunta (a ordem dos factores é arbitrária) lá deram o braço a torcer, a custo que segundo consta são ambos teimosos que nem mulas, salvo seja, e fizeram uma autêntica revolução para este jogo com a França! Mas ó pá, Edmundo, só mudaram dois! Pois! E tenho pra mim que quem escolheu o Renato rastafari foi a santinha, que o Fernando não arriscaria tirar o diesel WC para meter o nitro. Já a entrada do jovem Moutinho, não tenho quaisquer dúvidas que foi obra exclusiva do Fernando. Vocês viram o mesmo que eu quando tocava o hino, a força que ele fazia com a mão onde ele guarda a santinha? Até ela estava esbafurida ao perceber que há um treinador no Mundo que prescinde de Bruno Fernandes num onze!

Bom, sinceramente espero que não se tenham zangado os dois, que vem aí a Bélgica e que escolham, têm até Sábado à noite, os melhores para a função. Por melhores quero dizer os mais capazes, não os com melhor estatuto, e não ter medo dos outros.

Se eles têm o Tintin, nós temos o Major Alvega!

 

Nota: Todos diferentes, todos iguais e o maior respeito pela opção religiosa de Fernando Santos. Procurei dar uma nota de humor, mal conseguido eu sei, ao texto, para aligeirar, que isto do futebol "não é um assunto de vida ou morte"...

 

A ver o Europeu (19)

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MISSÃO CUMPRIDA: VENHA A PRÓXIMA

Missão cumprida. Conquistámos ontem o quarto ponto no nosso Grupo F - mais um do que na mesma fase do Europeu de 2016. Desta vez empatando com a França em Budapeste, num início de noite muito quente e num estádio Puskás a transbordar de espectadores. Transitamos assim para os oitavos-de-final, a disputar domingo contra a Bélgica. Superando um grupo mais difícil do que aquele em que estivemos inseridos há cinco anos.

Neste desafio contra a selecção campeã do mundo e vice-campeã da Europa, em que fomos a melhor equipa no primeiro tempo, o golo inicial foi nosso. Marcado pelo suspeito do costume: Cristiano Ronaldo, que há dias se estreou como goleador contra a Alemanha e agora repetiu a proeza frente à França. Penálti muito bem convertido, aos 30', castigando derrube de Danilo pelo guarda-redes Lloris, incapaz de travar o pontapé certeiro de CR7.

 

Fernando Santos fez duas mudanças no onze titular: deixou de fora William e Bruno Fernandes, fazendo entrar João Moutinho e Renato Sanches. A equipa ganhou dinâmica e consistência com estas trocas. Ao contrário do que sucedera contra a Alemanha, equilibrámos o meio-campo e fechámos os corredores. Melhorou o jogo colectivo e diminuíram muito os erros individuais: desta vez não houve autogolos (como os de Rúben Dias e Raphael Guerreiro) nem elementos passivos na organização defensiva (como aconteceu com Rafa, transformado em medíocre espectador do quarto golo alemão).

Era dia de efeméride: fez ontem 37 anos que as duas selecções se haviam defrontado na meia-final do Europeu de 1984, ingloriamente perdida (2-3) pela equipa das quinas já no prolongamento, com dois golos do saudoso Rui Jordão. Mas não estava escrito nas estrelas que a história iria repetir-se. Desta vez registou-se um empate a duas bolas. Com Cristiano e Benzema, antigos companheiros do Real Madrid, a bisarem - cada qual para seu lado. Três dos golos resultaram de penáltis. CR7 no momento já mencionado e aos 60'. O francês, mesmo ao terminar a primeira parte (45'+2) e logo no recomeço (47'), desta vez em lance de bola corrida.

 

Melhores em campo?

Do nosso lado, uma vez mais, Cristiano Ronaldo: já fez cinco golos em três jogos, lidera a lista de artilheiros do Europeu e acaba de igualar o iraniano Ali Daei como rei dos goleadores da história do futebol ao nível das selecções (109, no total). Também superou o alemão Klose como goleador n.º 1 em fase finais de Mundiais e Europeus (soma agora 20).

Mas também Rui Patrício, gigante na baliza lusitana: protagonizou aquela que é até agora a melhor defesa deste Euro-2021, aos 68', desviando um tiro de Pogba e travando logo de seguida um pontapé de recarga. Confirma-se, onze anos depois: continua imprescindível como titular nesta posição.

Destaque igualmente para Renato Sanches, o melhor dos nossos médios ofensivos, justificando a condição de titular. E para o nosso João Palhinha, que jogou toda a segunda parte como médio defensivo com o mesmo grau de eficácia que bem lhe conhecemos do Sporting.

 

O seleccionador promoveu as mudanças adequadas. Viria a trocar Bernardo Silva por Bruno Fernandes, Moutinho por Rúben Neves, Nelson Semedo por Diogo Dalot (em estreia absoluta pela selecção nacional) e Renato Sanches por Sérgio Oliveira. Sempre com o objectivo - em grande parte conseguido - de nunca perder o controlo do meio-campo. Isto explica o facto de raras vezes os astros da selecção gaulesa (Mbappé, Dogba, Griezmann) terem conseguido criar desequílibrios. 

Balanço provisório: já cumprimos os mínimos. Oito presenças consecutivas em campeonatos da Europa, oito qualificações para os jogos a eliminar. Com um aliciante suplementar: desde 1996 que não marcávamos dois golos à selecção francesa.

Conclusões? Palhinha merece ser titular, Renato também. Dalot (52.ª estreia na selecção A promovida por Fernando Santos) justificou a convocatória de emergência, por João Cancelo ter testado positivo à Covid-19. Sérgio Oliveira merece igualmente nova oportunidade. E vai sendo tempo de apostar enfim em Pedro Gonçalves: o melhor marcador do campeonato português não pode continuar de fora.

 

França, 2 - Portugal, 2

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Brilhou entre os postes ao defender um remate que levava selo de golo, disparado aos 68' por Pogba. Já tinha confirmado estar na sua melhor forma aos 16', quando impediu Mbappé, isolado, de rematar com êxito. Um baluarte do onze nacional.

 

Nelson Semedo - Fez a sua melhor partida do Euro-2021 neste confronto com os campeões do mundo. Sem as falhas posicionais que havia revelado no jogo contra a Alemanha. Tinha missão difícil: cumpria-lhe policiar o irrequieto Mbappé. Foi bem-sucedido. Saiu lesionado aos 79'.

 

Pepe - Outra missão de enorme desgaste. Mas o internacional de 38 anos, campeão europeu, não virou a cara à luta neste dia em que cumpriu a 118.ª internacionalização. Mostrou-se atento às movimentações de Benzema. Bom nos passes longos. Terminou o jogo exausto.

 

Rúben Dias - Discreto. Não complicou nem procurou inventar. Mas aos 47' cometeu um deslize que nos saiu caro: deixou Benzema ganhar posição e rematar com sucesso, fazendo o segundo golo dos franceses. Tarda em mostrar o que vale neste Campeonato da Europa.

 

Raphael Guerreiro - Tinha ordem para subir pouco pela sua ala e seguiu à risca a orientação do seleccionador. Aventurou-se só pelo seguro, evitando abrir clareiras no flanco esquerdo. Melhor momento, aos 49': um passe teleguiado para Cristiano Ronaldo, que o capitão desperdiçou.

 

Danilo - Boa primeira parte, desta vez actuando sozinho à frente da nossa linha defensiva. Cumpriu a tarefa com zelo e determinação. E até ousou incursões às linhas avançadas. Num desses lances levou uma cotovelada de Lloris que gerou penálti e o forçou a abandonar o jogo.

 

João Moutinho - Novidade no onze titular português sete jogos depois, substituindo William. Deu segurança ao meio-campo, assegurando ligação à linha ofensiva. Tentou sem êxito, por duas vezes, o remate de meia-distância. Falta-lhe condição física para durar 90': saiu ao minuto 73.

 

Renato Sanches - Desta vez foi titular, chamado a render Bruno Fernandes. Aposta certeira de Fernando Santos: o médio ofensivo do Lille merece alinhar de início. Dinâmico, combativo, recuperou bolas, acelerou o jogo, deu luta constante a Kanté, seu adversário directo. Saiu aos 87'. 

 

Bernardo Silva - Melhorou um pouco relativamente à partida anterior, mas continua sem justificar a presença no onze titular. Isolado em posição frontal, falhou o ataque à baliza aos 41'. Bateu muito mal um livre aos 63', atirando-a para fora. Saiu aos 72'. Merece ficar no banco. 

 

Diogo Jota - Demasiado discreto, parecendo fatigado, o avançado do Liverpool perdeu uma oportunidade de se mostar em grande nível com a camisola da selecção. Conduziu bem um ataque aos 42'. Constantes trocas posicionais com Cristiano. Foi-se apagando sem tentar o golo.

 

Cristiano Ronaldo - Novamente o homem do jogo. Sem vacilar na marca dos 11 metros, marcou duas vezes de grande penalidade - uma das quais ocorrida quando protagonizava um lance de ataque junto à linha de fundo. Com a energia habitual, destacou-se até em missões defensivas. 

 

Palhinha - Tardou, mas apareceu. E merece ficar no onze titular. Fernando Santos chamou-o ao intervalo para render Danilo, lesionado. O campeão nacional cumpriu com distinção. Na recuperação, no desarme, no passe de ruptura. Dois carrinhos consecutivos aos 71'. Excelente.

 

Bruno Fernandes - Só entrou aos 72', rendendo Bernardo Silva. Continua muito longe do fulgor a que nos habituou no Sporting e no Manchester United. Perdeu bolas aos 89' e aos 90'. Fez um corte temerário aos 90'+2 que deu a sensação de poder gerar penálti. Tem decepcionado.

 

Rúben Neves - Em campo desde o minuto 73, com a missão de substituir João Moutinho, cumpriu no essencial. Pausando o jogo, segurando a bola, ligando sectores, transmitindo tranquilidade numa altura em que a equipa precisava dela. 

 

Diogo Dalot - Estreia absoluta na selecção A do ex-defesa portista, recém-sagrado vice-campeão europeu sub-21. Entrou aos 79' para o lugar de Nelson Semedo, preenchendo a lateral direita, e cumpriu no essencial.

 

Sérgio Oliveira - Último a entrar em campo, estavam decorridos 87'. Rendeu Renato Sanches, já muito desgastado, e teve como missão essencial contribuir para fechar o nosso corredor central. Assim aconteceu.

A ver o Europeu (18)

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AS AVES AGOIRENTAS VOAM PARA SEVILHA

Quando Portugal venceu a Hungria, no nosso jogo inaugural do Campeonato da Europa, logo houve quem se apressasse a desvalorizar esta vitória dizendo e escrevendo que tínhamos derrotado "a equipa mais fraca" do certame. 

Eis a mentalidade tuga no seu pior. A vontade de deitar abaixo é tanta que nunca falta quem invente pretextos para transformar vitórias em empates ou até em derrotas. 

Afinal mais ninguém foi capaz de derrubar a Hungria. A França, campeã do mundo, empatou com eles. A Alemanha, anterior campeã mundial, também não conseguiu melhor do que um empate frente aos húngaros, apesar de actuar em casa: na partida que terminou há pouco, a selecção magiar deu luta aos alemães até ao fim. E só fica pelo caminho por ter tombado contra nós no primeiro jogo.

As aves agoirentas andam com azar. Agora terão de esvoaçar até Sevilha: é lá que a selecção nacional vai disputar os oitavos-de-final do Euro-2021. Desta vez contra a Bélgica, n.º 1 do ranking da FIFA. Jogo a jogo, como Rúben Amorim tão bem nos ensinou.

 

ADENDA: A Dinamarca chega aos oitavos com duas derrotas em três jogos. E a Inglaterra é apurada tendo marcado apenas dois golos - menos cinco do que Portugal.

Prognósticos antes do jogo

A França entra hoje em campo já com o apuramento garantido para os oitavos-de-final do Campeonato da Europa, mas não contemos com facilidades: é natural que a turma gaulesa, que perdeu connosco a final do Euro-2016, queira a desforra. E não deixará os créditos por mãos alheias, com tantos craques à disposição: Pogba, Mbappé, Griezmann, Benzema, Lloris, Varane, Kanté, Giroud, Dembélé.

Mais logo, a partir das 20 horas, vão portanto defrontar-se em Budapeste a selecção campeã da Europa (a nossa) e a selecção campeã mundial (França). Confronto de gigantes. Tudo pode acontecer, desde o nosso primeiro lugar no Grupo F até à eliminação. Podendo um empate bastar para rumarmos aos oitavos - ou até uma derrota tangencial, isso já depende das contas. Porque à mesma hora disputa-se o Alemanha-Hungria. Em Munique, vantagem competitiva da turma germânica, que tem actuado sempre em casa.

Quais são os vossos prognósticos para este Portugal-França?

Porque não joga quem está melhor?

Texto de João Rafael

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Fernando Santos levou-nos a uma conquista inédita em 2016, com um conjunto de jogadores muito inferior, em qualidade, quando comparado com o actual. Tivemos a sorte que não tivemos em 2000 e 2004; os deuses da bola já estavam em dívida para connosco. O que não lhe dá crédito infinito.

O Mundial de 2018 foi péssimo (para um campeão europeu) e o apuramento para este Euro também não foi espectacular: ficámos em segundo, atrás da Ucrânia, e isso colocou-nos na rota de Alemanha e França. Mas, muito honestamente, há coisas que não compreendo: porque não jogam os jogadores em melhor forma?

Bernardo, aos 15 minutos, estava cansado; William e Danilo parecem dois velhinhos de 80 anos; Bruno Fernandes, que comanda uma das melhores equipas do mundo, com números astronómicos, anda sempre perdido em campo porque é utilizado fora de posição.

 

O problema não está em perder com a Alemanha.

É alguma vergonha? Não, não é.

A questão tem a ver com a maneira como se perde, denotando, aqui e ali, falta de de organização e, sobretudo, de adaptação às vicissitudes do jogo.

Os quatro golos dos alemães foram praticamente iguais! Qual a razão para isto não ser corrigido logo após o primeiro golo, recuando Danilo para central e juntando Bruno Fernandes a William?

Temos dos jogadores que melhor tratam a bola, a nível mundial, e o nosso sistema de jogo passa por... não ter bola! Como se não bastasse, os dois médio-centros são pouco agressivos na recuperação da mesma. Nesta circunstância, Palhinha e Renato faziam um serviço muito melhor!

Bruno nas costas de CR7 para visar a baliza, como tanto gosta.

 

Mas concordo que há portugueses que gostam de torcer a faca e provavelmente até cantarão "A Marselhesa" na quarta-feira... 

 

Texto do leitor João Rafael, publicado originalmente aqui.

A voz do leitor

«João Mário foi a grande contratação do campeonato passado. Do carrossel de novas estrelas que aterraram em Portugal no ano passado, campeão vencedor de um grande título internacional que é bom, só mesmo João Mário. É um jogador que só é menorizado por certa crítica por ser do Sporting. Os principais clubes rivais em Portugal bem andaram atrás dele e as TVs quase o davam como certo em ambos, a certa altura, mas foi o Sporting que o trouxe de volta. Em boa hora.»

 

João Gil, neste meu texto

A ver o Europeu (17)

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MODRIC DE TRIVELA

Dois jogos muito diferentes, esta noite. Partida intensa em Glasgow, onde se disputou o Escócia-Croácia. Jogo táctico e pausado em Wembley, palco do Inglaterra-República Checa.

No primeiro, ambas as selecções disputavam os três pontos: nenhuma tinha garantido o acesso aos oitavos. No segundo, estavam tranquilas: já sabiam que iriam passar. O que se reflectiu na qualidade do jogo, arbitrado por Artur Soares Dias.

Schick, o astro checo, desta vez ficou em branco. Aos 28, Holes obrigou o guardião inglês à defesa da noite com um disparo de meia-distância. No outro lado, Kane manteve o jejum de golos. Ao contrário de Sterling, que marcou aos 12', fixando o resultado. Com assistência de Grealich, um dos melhores extremos esquerdos deste Europeu.

 

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Em Glasgow, a emoção andou à solta. A Escócia tinha uma hipótese remota de qualificar-se, mas precisava mesmo de vencer. Chegou a empatar por McGregor, aos 42', após golo inaugural de Vlasic (17').

Depois do intervalo, o rolo compressor croata entrou em acção. Liderado pelo capitão Modric, que aos 35 anos mantém intactas as qualidades que há muito lhe conhecemos. Foi ele a desatar o nó, com um golo de sonho: rematou forte e muito bem colocado, de trivela, sem hipóteses de defesa. Era o minuto 62', a Croácia carimbava passaporte para os oitavos. De canto, aos 77', Modric ainda viria a assistir Perisic para o terceiro golo. 

Há jogadores que, só por si, justificam que acompanhemos o Euro-2021. Este é um deles.

 

Inglaterra, 1 - República Checa, 0

Escócia, 1 - Croácia, 3

Sim, eu apoio a selecção

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Não idolatro treinador algum. Nem sequer Rúben Amorim. Nem Pep Guardiola.

Mas recuso ler uma vitória por 3-0 contra a Hungria da mesma forma que uma derrota por 2-4 contra Alemanha. Usando exactamente as mesmas palavras e os mesmos argumentos. Só porque não ou só porque sim.

 

Também recuso recorrer a chavões, próprios das conversas de café.

Alguns exemplos:

- "Ah e tal, eu não apoio a selecção porque não estão lá a jogar os jogadores do Sporting." Mas se estivessem, quem fala assim já apoiava. São princípios de geometria muito variável. Não são os meus. Desde logo porque não confundo Clube com selecção.

- "Ah e tal, eu detesto a selecção porque é a do Mendes e não é de Portugal." Mas quando esta "selecção do Mendes" venceu o título europeu em 2016, maior proeza de sempre do nosso futebol, muitos dos que falam assim andaram a exibir bandeiras e a cantar o hino. Até neste blogue isso ficou patente, designadamente nas caixas de comentários.

- "Ah e tal, quando Portugal ganha é sempre com sorte." Levando este raciocínio à letra, concluímos então que não perdemos por erros próprios frente à Alemanha: só perdemos porque tivemos azar. O que não explica coisa nenhuma. E deixa o debate no grau zero.

 

Só para concluir, sem rodeios: eu apoio sempre a selecção.

Seja quem for o seleccionador.

Haja ou não jogadores do Sporting no onze titular.

 

No fim, aplaudo ou critico. Mas antes e durante estou sempre a apoiar.

Era assim com António Oliveira, com Humberto Coelho. Foi assim com Scolari, continuou a ser assim com Paulo Bento. É assim com Fernando Santos.

Será assim com o próximo seleccionador, chame-se ele como se chamar.

Até pode chamar-se Jorge Jesus, como alguns parecem desejar cada vez mais.

A voz do leitor

«Outra palermice que corre por aí é a da calculadora. Ganham o jogo e estão qualificados, não é preciso calcular mais nada. A calculadora era no tempo em que os checos tinham de ganhar à Suécia (ou vice-versa, já não me lembro) e em seguida Portugal tinha de ir ganhar à Alemanha; outra vez tinham de ganhar por 5 ou 6, já não me lembro contra quem, se no outro jogo a equipa A ganhasse por dois marcando pelo menos 5 golos.»

 

Miguel, neste meu texto

A ver o Europeu (16)

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JOGO ÉPICO DA DINAMARCA

Futebol do melhor no Campeonato da Europa: aconteceu hoje, protagonizado pela selecção da Dinamarca, com uma segunda parte de sonho em que cilindrou a Rússia, goleando-a sem apelo nem agravo em Copenhaga.

De quase afastada, após duas derrotas (frente à Finlândia e à Bélgica), ascende assim ao segundo posto no Grupo B, transitando para os oitavos com todo o mérito.

Confesso que fiz questão em ver este desafio tão decisivo para os dinamarqueses torcendo por eles desde o primeiro minuto. Desde logo como homenagem ao malogrado Eriksen, o craque da equipa, vítima de uma síncope no jogo inaugural. E por sentir que a Dinamarca foi alvo de uma clara injustiça ao ter de prosseguir aquela partida tão traumática com todo o onze destroçado animicamente: aquela derrota contra a Finlândia, nesse dia específico, foi uma das maiores injustiças a que já assisti no futebol.

Mas os deuses da bola às vezes escrevem direito por linhas tortas, como esta tarde se confirmou. A Dinamarca venceu e convenceu: marcou quatro e sofreu apenas um, de grande penalidade. Dois dos seus golos foram extraordinários - do melhor neste Euro-2021. O primeiro, aos 38', apontado por Damsgaard, jovem extremo da Sampdoria, foi um tiro indefensável que fez levantar o estádio, cheio com 38 mil espectadores. E o terceiro, aos 79', parecia um míssil - disparado pelo defesa Christensen, outra das figuras da partida. Os restantes foram marcados por Poulsen (59'), aproveitando um monumental brinde da defesa russa, e Maehle (82'), coroando um rápido-contra ataque. Selava-se assim um jogo épico da Dinamarca: tenho a certeza de que nunca será esquecido.

 

Aproveitei para acompanhar mais de perto o desempenho de Daniel Wass, ala direito de 32 anos que actua no Valência e estará sob a mira do Sporting. Na partida anterior, em que recebeu um amarelo, nada fez que me despertasse a atenção. Desta vez merece nota positiva sobretudo por dois momentos: o centro milimétrico que fez aos 29' para um disparo de Hojbjerg, e um lance bem construído na extrema direita, aos 54'. Mas confesso que nada vi de extraordinário: Porro e Esgaio, pelo menos estes, são superiores.

Aos 61', Wass foi substituído: já não estava em campo no melhor período da sua equipa. 

 

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Enquanto esta partida decorria, em Sampetersburgo disputava-se o Bélgica-Finlândia, outra partida do Grupo B. Já com os belgas qualificados mas sem facilitarem: dominaram por completo, remetendo os finlandeses ao seu reduto. 

A terceira vitória consecutiva belga neste certame foi natural. Já escrevi e reitero: estamos perante um potencial vencedor do Europeu. Menos natural foi vermos um excelente golo anulado por intervenção do vídeo-árbitro, aos 65': assistência de De Bruyne desmarcando Lukaku e este a fuzilar as redes. Ninguém entendeu a alegada deslocação que as imagens não comprovam. Merece alerta máximo: o absurdo critério do fora de jogo milimétrico anda a matar o futebol de ataque.

Mas aqui os deuses da bola voltaram a intervir. Após um autogolo do guardião Hradecky (74') na sequência de um canto, a dupla imparável voltou a dar nas vistas quase numa réplica do golo anulado: De Bruyne assistiu, Lukaku marcou. Fixava-se o resultado aos 81'.

Desta vez valeu.

 

Dinamarca, 4 - Rússia, 1

Bélgica, 2 - Finlândia, 0

Selecção não rima com meritocracia

Em agosto de 2019, afirmava o nosso seleccionador, de forma categórica, que indiscutíveis na Selecção só o Cristiano Ronaldo. 

Torna-se, por isso, difícil de compreender como é que o William Carvalho, após uma época sem ser opção no modesto Bétis, entra de caras no onze titular, por contraponto, por exemplo, com João Palhinha, que fez uma época altíssima no Sporting, ou até mesmo Renato Sanches, que até já pedia a titularidade no jogo anterior.

Fernando Santos é culpado, mas tem atenuantes. Na verdade, o engenheiro segue apenas o diapasão de outros seleccionadores que lhe precederam no cargo.

Quem não se recorda da maldade de António Oliveira, no Mundial de 2002, em que fez toda a fase de qualificação com Ricardo na baliza, que esteve sempre em grande nível, uma vez que Vítor Baía estivera lesionado praticamente a época inteira, e em pleno Mundial dá a titularidade de caras a Baía, que nada tinha feito para a merecer? Ou então, o que dizer de Luís Filipe Scolari, que começou o Euro deixando um super-Deco no banco, para dar a titularidade a um consagrado, mas em má forma, Rui Costa?

A verdade é que na selecção portuguesa, muitas vezes, os onze titulares não são os que estão em melhor forma. Salta à vista de qualquer adepto, menos do seleccionador, que ainda por cima tem sempre mais tempo livre do que ocupado. É, pois, uma pena que selecção não rime com meritocracia. 

Imbecis

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Depois destes dois jogos do Euro-2021, com Cristiano Ronaldo a marcar três golos e a dar mais um a marcar, ainda há (supostos) portugueses a desancar o homem nas cloacas sociais. 

Devem ser os mesmos que quando o vêem por aí, nos esporádicos regressos dele a Portugal, desatam aos gritinhos "Messi, Messi!"

Cambada de imbecis. Não merecem ser contemporâneos do melhor futebolista português de todos os tempos.

Talvez a nossa melhor época de sempre

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Liga dos Campeões Europeus de futsal.

Liga Europeia de hóquei em patins.

Campeonato nacional de futebol.

Taça da Liga de futebol.

Campeonato nacional de futsal.

Taça de Portugal de futsal.

Taça da Liga de futsal.

Campeonato nacional de hóquei em patins.

Campeonato nacional de basquetebol.

Taça de Portugal de basquetebol.

Taça de Portugal de voleibol.

Taça Federação de voleibol feminino.

Campeonato nacional de futebol de praia.

Campeonato nacional de râguebi feminino.

Supertaça de râguebi feminino.

Campeonato nacional de ténis de mesa.

Supertaça de ténis de mesa.

Campeonato nacional de corta-mato.

Campeonato nacional de corta-mato feminino.

Campeonato nacional masculino de pista coberta.

Campeonato nacional feminino de pista coberta.

Campeonato nacional de golbol

 

ADENDA: Sempre acreditei em novos títulos - até ao último, ontem: o de campeão nacional de hóquei. Como se comprova aqui e aqui.

Vamos com tudo, Portugal

Texto de Francisco Gonçalves

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Hoje [sábado], logo aos 4 minutos, quando o VAR anulou (bem) o golo ao lateral esquerdo alemão, Robin Gosens, dei por mim a pensar que iria assistir a uma Alemanha a jogar à Rúben Amorim contra um Portugal a jogar à Jorge Jesus. E comecei a temer o pior.

O sistema 3-4-3 alemão, com Joshua Kimmich a fazer de Pedro Porro e Robin Gosens a fazer de Nuno Mendes, recomendava que, da parte da selecção portuguesa, houvesse disponibilidade física e mental dos seus alas (Bernardo Silva e Diogo Jota) para contrariar as auto-estradas que aqueles dois jogadores alemães encontravam, nas suas consecutivas investidas ofensivas. Quem pagou as favas foram os laterais portugueses (Nélson Semedo e Raphael Guerreiro).

O sistema táctico da selecção portuguesa revelou grandes fragilidades que, porventura, já terão acontecido noutros jogos, só que ontem [domingo] quem estava do outro lado era uma selecção que, sem sombra de dúvidas, é das mais fortes da Europa, quiçá do mundo, e com um sistema táctico que toda a gente conhece, mas que poucos conseguem contrariar.

Já na nossa Liga era assim, nos jogos do Sporting Clube de Portugal.

 

Não é o momento de criticar o treinador, nem tão-pouco o empenhamento dos jogadores. Eles, tanto ou mais do que nós, desejam ir o mais longe possível na competição.

Contudo, vale a pena dizer que existem alguns jogadores em manifesto sub-rendimento e que existem outros, no grupo, em quem se deveria apostar, no sentido de tentar não deitar tudo a perder, no próximo jogo, contra a poderosíssima França.

Não é honesto atribuir as culpas todas a Nélson Semedo, nos lances de golo dos alemães. Bernardo Silva e mesmo Diogo Jota não estão vocacionados para grandes tarefas defensivas e, quando o fazem, trazem à evidência as suas debilidades no cumprimento dessas tarefas.

Todos acreditamos que Fernando Santos estudou previamente o adversário, portanto tinha obrigação de saber que todos os fundamentos da estrutura ofensiva dos alemães passavam por aquele quinteto atacante e o desenho da manobra era sempre o mesmo. Torna-se estranho que, mesmo tendo sidos estudados previamente, os alemães tenham conseguido marcar cinco golos (um deles foi muito bem anulado, mas apenas por centimetros) que são fotocópias uns dos outros.

 

Dos onze portugueses titulares contra a Alemanha, meia equipa manifestou níveis físicos deploráveis: Nélson Semedo, Raphael Guerreiro, Danilo Pereira, William Carvalho, Bruno Fernandes e Bernardo Silva. Se mesmo com frescura física nunca seria fácil ganhar à Alemanha, com tanta falta dela tornou-se impossível.

Nada está perdido. Mesmo que tenhamos de ser apurados na condição de um dos melhores quatro terceiros, não vem mal nenhum ao mundo. Em 2016, também foi assim e fomos campeões da Europa.

Independentemente de jogarmos, sempre para ganhar, a verdade é que, na próxima quarta-feira, quando entrarmos em campo, já saberemos se o empate serve para ficarmos apurados, ou não, dado que todos os outros jogos já terminaram, com excepção do Alemanha-Hungria. Diga-se que, se a Alemanha vencer o seu jogo, até a derrota pode não ser impeditiva dos oitavos-de-final.

Oxalá os dias que nos separam do próximo jogo sejam suficientes para que o nosso treinador fique convencido de que existem alterações que se impõem no onze inicial.

Jogue quem jogar, a selecção é de todos nós. Devemos ser solidários na vitória e na derrota e acreditar que todos os que compõem a comitiva portuguesa no Europeu querem e crêem que podem dar uma alegria a todos os portugueses.

Vamos com tudo, Portugal.

 

Texto do leitor Francisco Gonçalves, publicado originalmente aqui.

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