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És a nossa Fé!

Prognósticos antes do jogo

O jogo contra o Ajax já ficou para trás (a propósito: o Ajax goleou ontem o Cambuur por 9-0 na Liga holandesa). 

O que interessa agora é o desafio de logo à noite. Na Amoreira, contra o Estoril, com início marcado para as 20.30. 

No campeonato 2017/2018, fomos lá derrotados por dois a zero. Numa partida que nos afastou da corrida ao título dessa época.

E hoje, como vai ser? Qual o resultado? Quem irá marcar?

Aguardo os vossos prognósticos.

A voz do leitor

«Saiu o Pedro Mendes, [saiu] o Pedro Marques e agora o Luiz. Sobra-nos um ponta-de-lança (Paulinho) e um avançado que não joga na área (TT). Resta-nos confiar que Rúben Amorim sabe o que está a fazer. Até ver, não tenho razões para desconfiar, mas confesso que ficava mais sossegado com mais uma opção no plantel. Ainda por cima, o Luiz Phellype já mostrou saber marcar golos. Não é um prodígio, mas é eficaz.»

 

Jô, neste texto do Francisco Chaveiro Reis

Amanhã à noite na Amoreira

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O plantel é curto, o plantel é curto, o plantel é curto... Já tinha dito que o plantel é curto? Se alguma dúvida ainda existisse sobre esse facto, a realidade do Sporting post-Famalicão, marcada por lesões e impedimentos, veio demonstrar à evidência tal situação. Até mesmo com alguns requintes de sadismo.

Diz o senso comum que um plantel, para poder corresponder aos objectivos duma época como aquela que o Sporting enfrenta, deveria ter um mínimo de 25 elementos: três guarda-redes, dois por posição de campo, dois polivalentes. Considerando Tabata e TT os polivalentes, então neste momento faltam três: dois defesas centrais e um ponta de lança. Mas dois destes três têm de ser mesmo diferenciados, esqueçam Quaresma, Ivanildo, Pedro Marques, Sporar, qualquer um dos emprestados. Faltam mesmo um "Mathieu" dextro cá atrás e um "Bas Dost" lá à frente para os momentos de aflição. Com quilos, centímetros,  atitude e... e aqui é que a porca torce o rabo... enquadramento no balneário e no orçamento.

Falei em "Bas Dost", podia ter falado em "Slimani" (não do original, que conquistou o seu "el-dorado") mas as características pretendidas têm muito mais a ver com as do neerdelandês (acho que é assim que agora se diz), não falei em Barcos, Doumbia, Castaignos ou Spalvis. Entulho não, obrigado.

Aquele Sébastian (lindo nome) Haller dava muito jeito. Custou quanto ao Ajax?

 

Por muito que Rúben Amorim esteja certo a falar do projecto e da equipa B, a verdade é que se existe por lá qualidade que até poderia ser útil no futuro próximo noutras posições, naquelas não vejo que exista. Temos de recuar até aos sub23 para encontrar dois jovens com pinta, Gilberto Batista (17 anos) e Sogklund (18), e ainda mais atrás, nos juniores, Frobenius (18).

Amorim sabe que o melhor que havia em Alcochete nos 17-20 anos de defesas centrais e pontas de lança já os tem na equipa A. Falo de Gonçalo Inácio e Tiago Tomás. 

Mas é aqui que estamos, é com este plantel que contamos, é com estes jogadores que temos de ganhar ao Estoril e ao Marítimo no imediato e chegar a Janeiro com os objectivos intactos.

O jogo com o Ajax demonstrou que Matheus Nunes, Paulinho e Porro são mesmo de classe "Champions". Com Adán, Coates, Palhinha e Sarabia, está quase o onze feito. 

 

Na defesa há que reformular o lado esquerdo, órfão de Nuno Mendes. Todos os golos do Ajax nasceram daquele lado. Feddal está numa péssima condição e precisa de descanso urgente, Vinagre tem de reflectir no que se passou e voltar mais forte. Se calhar com Esgaio e Nuno Santos daquele lado. Matheus Reis a defesa central do lado esquerdo? Francamente, ainda não percebi o que Amorim vê no Matheus Reis.

E porque não Ugarte, com Palhinha a trinco, ou Palhinha com Ugarte a trinco?

 

No meio-campo é questão de rodar jogadores.

Palhinha e Matheus Nunes não podem jogar sempre. Ugarte, Tabata e Bragança (duma fragilidade física evidente que o impede de chegar a outros patamares) têm de jogar mais, mesmo quando não entram no onze inicial.

No ataque há que pôr Sarabia a render. Só ele pode fazer esquecer Pedro Gonçalves enquanto o pé não desinflamar. Jovane mais uma vez provou que é um agitador para os finais dos jogos, não para titular. Como TT na maior parte dos jogos. Nuno Santos é como Neto, faz o que pode e a mais não é obrigado. Paulinho é.... intocável.

 

Temos então, amanhã à noite na Amoreira, um jogo bem complicado, num estádio que não deixa boas recordações.

Todos se recordam daquele dia em que estava muito vento, o presidente amuado tinha desertado, o mestre da táctica andava em roda livre, o Seymour Doumbia era ponta de lança, o Bruno César era extremo-direito, o Renan (ainda no Estoril) defendia tudo do outro lado, e enterrámos ali o campeonato.

 

Imagino então que Amorim convoque os seguintes elementos:

Guarda-redes: Adán e André Paulo.

Defesas Centrais: Neto,  Coates, Feddal e Matheus Reis.

Alas: Esgaio, Vinagre e Porro.

Médios Centro: Palhinha, Tabata, Bragança, Matheus Nunes e Ugarte.

Interiores: Sarabia, Jovane, Nuno Santos, Catamo (?)

Ponta de lança: Paulinho, Tiago Tomás.

 

Pelo que atrás referi, o meu onze seria assim:

Adán; Neto, Coates e Ugarte; Porro, Palhinha, Matheus Nunes e Esgaio; Sarabia, Paulinho e Nuno Santos.

 

Concluindo,

Amanhã o Sporting entra em campo na Amoreira para tentar aproximar-se da liderança da Liga.

Considerando o sistema táctico de Rúben Amorim, qual seria o vosso onze?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Avisei

6 de Agosto:

«Quanto ao plantel, é mesmo curto. Basta uma lesão de Coates e uma exclusão de Palhinha em simultâneo para a trave mestra ficar abalada. Andamos a jogar sem um central de pé direito há muito tempo.»

«Vieram Vinagre e Esgaio mas continuamos com carências no plantel. Falta-nos, obviamente, outro central que jogue preferencialmente com o pé direito. Neto - que nem tem jogado - é manifestamente insuficiente. Andarmos a jogar com três centrais esquerdinos é solução de recurso. Que tem os seus riscos, como se viu no golo do Braga na Supertaça.»

«No ano passado, que eu tivesse reparado, nunca ouvi o treinador dizer que o plantel era curto. Agora já disse, o que faz bastante diferença. É uma espécie de aviso, também aos adeptos cujo ânimo varia muito: tanto põem a equipa nos píncaros como a rasgam de alto a baixo, conforme os casos.»

 

11 de Agosto:

«Quantos avançados tem o Porto? Quantos tem o Benfica? Quantos tem o Sporting? Porto e Benfica precisam de colocar defesas lá na frente para dar a volta a jogos quando faltam golos? Basta responder a estas perguntas, creio, para se iluminar o dilema de Amorim neste início da nova época.»

 

(perdoem as autocitações...)

A voz do leitor

«Paulinho prova jogo após jogo que se estávamos a contar com golos da parte dele podemos "tirar o cavalinho da chuva" porque, à semelhança do que sempre fez noutros clubes, golos não é o seu departamento e quem custa 16 milhões não pode só pressionar defesas e fazer tabelas com os colegas.»

 

Leão do Algarve, neste meu texto

Santos, anda cá ver isto, n° cinco

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O Bom: 

- As arbitragens que nunca nos desiludem, no capítulo anterior escrevi: "Nas arbitragens, uns jogos são da caça (o Santa Clara) outros jogos são do caçador. Coincidência, é o Benfica que vai tentar caçar nos Açores, na quinta jornada". O caçador, caçou, à custa da verdade desportiva.

Não viram a falta para vermelho do guarda-redes do Benfica nem viram mais uma agressão de Diogo Gonçalves.

Ficou 0-5, ficou, só que antes do primeiro golo deveria ter sido marcado um penalty a favor do Santa Clara e deveriam ter sido expulsos dois jogadores do Benfica. A vencer por 1-0 e a jogar contra nove, o Santa Clara perderia por 5?

- A análise imparcial do jornal O Jogo, logo na primeira página afirma: "Amorim teve o melhor futebol do clássico", mais adiante na página 4, diz o óbvio: "Na sequência do canto, Pepe socou no rosto Coates. Seria penalty e cartão vermelho que passaram impunes". Um jornal engajado que diz preto no branco que os gajos do Porto não mereciam empatar.

- Leonardo Ruiz e o Estoril, um jogador que gostaria de ter visto jogar pela equipa principal do Sporting, um clube que neste momento ocupa o segundo lugar (podia ser primeiro não fossem as missas vermelhas).

- Bracali, guarda-redes do Boavista, precioso a impedir que o resultado se avolumasse, recompensado já nos descontos.

Ntep, Musa e Bracali eis a receita axadrexada para a conquista de um ponto.

- O golo de Díaz, há quem prefira atirar pedras à defesa, eu permito-me aplaudir um excelente golo

O Mau:

- As arbitragens que nunca nos desiludem, no capítulo anterior escrevi: "Nas arbitragens, uns jogos são da caça (o Santa Clara) outros jogos são do caçador. Coincidência, é o Benfica que vai tentar caçar nos Açores, na quinta jornada". O caçador, caçou, à custa da verdade desportiva.

Não viram a falta para vermelho do guarda-redes do Benfica nem viram mais uma agressão de Diogo Gonçalves.

Ficou 0-5, ficou, só que antes do primeiro golo deveria ter sido marcado um penalty a favor do Santa Clara e deveriam ter sido expulsos dois jogadores do Benfica. A vencer por 1-0 e a jogar contra nove, o Santa Clara perderia por 5?

- A arbitragem do Sporting vs. Porto quando O Jogo, logo na primeira página afirma: "Amorim teve o melhor futebol do clássico", mais adiante na página 4, diz o óbvio: "Na sequência do canto, Pepe socou no rosto Coates. Seria penalty e cartão vermelho que passaram impunes". Quando um jornal engajado que diz preto no branco que os gajos do Porto não mereciam empatar, o que mais podemos dizer?

- As mãos de Taremi, ora empurram, ora marcam golos, num caso a falta foi assinalado no outro, não.

O Vilão:

- Diogo Gonçalves a jogar feio, à Diogo Gonçalves, pontapeia um adversário no peito dentro da sua área defensiva mas o árbitro não viu na altura, nem VARificou depois, tudo tranquilo. 

Para quando ficar a fazer companhia a Taarabt (punido com dois jogos e 23 dias de suspensão)?

Pódio: Matheus Nunes, Paulinho, Porro

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Ajax pelos três diários desportivos:

 

Matheus Nunes: 17

Paulinho: 16

Porro: 15

Nuno Santos: 13

Adán: 13

Palhinha: 12

Sarabia: 11

Esgaio: 10

Neto: 10

Daniel Bragança: 9

Tiago Tomás: 9

Gonçalo Inácio: 9

Matheus Reis: 9

Feddal: 9

Jovane: 8

Vinagre: 7

 

O Jogo e o Record elegeram Paulinho como melhor jogador em campo. A Bola optou por Matheus Nunes.

A voz do leitor

«Confesso que não entendo porque é que os treinadores esperam todos 60, quase 70 minutos, para inverter o rumo das coisas quando o jogo não está de feição. É um mistério, para mim. Sobretudo agora, que há margem para substituir. Quando eram só três o risco de erro era muito maior.»

 

João Gil, neste meu texto

Quente & frio

Gostei muito do apoio incessante dos adeptos à equipa durante todo o tempo, ontem à noite, mesmo estando o Sporting já a perder por 0-2 logo aos 9' nesta nossa partida inaugural da fase de grupos da Liga dos Campeões, quatro anos depois da última participação na prova. Até no fim, copiosamente derrotados, os jogadores receberam aplausos que chegaram a comover o treinador. Isto sim, é apoiar. Num estádio com metade da lotação - máximo previsto segundo as regras actuais, ainda restritas devido à pandemia. 

 

Gostei da excelente exibição do Ajax em Alvalade: foi sempre superior na técnica, na táctica, na velocidade, na condição física e anímica. O extremo brasileiro Antony e o avançado franco-marfinense Haller fizeram o que quiseram da nossa equipa - sobretudo o segundo, com uma estreia de sonho na Liga dos Campeões, com quatro golos em cinco oportunidades. Do nosso lado, nota positiva para Matheus Nunes, único que tentou quase sempre remar contra a maré, destacando-se com uma assistência primorosa no nosso golo, aos 33'. Em bom plano também Porro, com um par de oportunidades soberanas para marcar, e Paulinho, que a meteu duas vezes lá dentro embora só uma tenha contado.

 

Gostei pouco de ver Sarabia ausente do onze inicial da nossa equipa. O internacional espanhol tem 33 jogos de Liga dos Campeões - experiência muito maior a este nível do que o resto do plantel leonino. Não ignoro que chegou há pouco tempo, mas estas são as partidas em que profissionais com o seu currículo mais podem fazer a diferença. Quando entrou, já na segunda parte, perdíamos por 1-3 e o descalabro colectivo era praticamente irremediável. Também gostei pouco de confirmar aquilo que já havia escrito no És a Nossa Fé: temos um plantel demasiado curto para as exigências da temporada. Com Coates ausente por castigo e Pedro Gonçalves de fora por lesão, além da saída de Nuno Mendes, entretanto transferido para o PSG, há demasiadas pedras basilares fora do caminho. Ontem tínhamos no banco três jogadores da equipa B: João Goulart, Geny Catamo e Gonçalo Esteves. 

 

Não gostei de ver o Sporting entrar em campo com o desenho táctico de sempre, incapaz de adaptá-lo às características específicas da equipa adversária, finalista da Liga Europa em 2017 e semifinalista da Liga dos Campeões em 2019. Faltou um reforço na organização defensiva, que deixasse Palhinha menos desamparado nesse sector, faltaram instruções aos alas para recuarem no terreno e aos extremos para fecharem o corredor, faltou o realismo para se perceber que não é possível este Sporting desfalcado de alguns dos seus melhores valores jogar de igual para igual com o poderoso Ajax. 

 

Não gostei nada da exibição de Vinagre, péssimo: tem culpa óbvia nos dois primeiros golos e permaneceu demasiado tempo em campo (Matheus Reis rendeu-o após o intervalo). Nem dos erros defensivos globais: Feddal atravessa um mau momento, talvez devido a problemas físicos, Gonçalo Inácio, condicionado, não devia sequer ter alinhado de início (saiu aos 21', por aparente lesão traumática). Também foi demasiado óbvio que o Ajax estudou muito melhor o Sporting na preparação para o jogo do que o inverso: os holandeses surpreenderam a nossa equipa, neutralizando-a. Rúben Amorim chumbou no teste nesta sua estreia na Liga dos Campeões como treinador: goleado em casa por 1-5, a nossa segunda pior prestação de sempre nesta prova (pior só mesmo a derrota por 0-5 frente ao Bayern em 2009). 

Choque com a realidade

Entre o picado e o empapado inclino-me para o segundo. Sem dúvida.

Era feito em papa que estava o meu ego sportinguista quando ontem deixei a Alvalade. Afinal, com a mesma consistência da nossa equipa perante o bulldozer vindo das Terras Baixas que jogou sempre em cima de nós, com altivez e superioridade.

Não quero crucificar ninguém, claro que não. No entanto, perante aquela coça vergonhosa que sofremos em casa na estreia da maior prova de futebol do mundo, fui incapaz de aplaudir os nossos jogadores no fim daqueles 90 minutos infernais.

Também não os vaiei. Nunca o faço. Mas bater palmas à equipa pareceu-me o mesmo que espancar o meu amor próprio. E um tipo tem de se dar ao respeito para memória futura. 

O caminho faz-se caminhando (e, sim, tropeçando e caindo)

Caímos ontem. Caímos com estrondo. Em casa, ainda por cima. Ninguém me contou - eu estava lá.

E lá vão os rapazes de bestiais e bestas. Mas melhor seria que caíssemos na real - para não voltarmos realmente a cair. 

Não foi o FC Porto, de longe a equipa portuguesa com mais sucesso nas competições europeias, goleado em Liverpool há pouco tempo? E o SLB, que tem o pior registo de sempre na Champions, em derrotas e golos?  A grande verdade é que o nível da nossa Liga é baixo. E em vez de falarmos de futebol, temos de gramar com comentadores a branquear arbitragens e a lamber botas a dirigentes.

Levar um banho de bola de um finalista da Champions (em 2019) não é grave. Grave é não saber aprender com os erros. Por isso, aqui deixo algumas lições que me parecem importantes:

1. A Equipas como o Ajax, que têm ambições na Champions, estudam os adversários ao pormenor. Ontem, viu-se que estudaram o Sporting minuciosamente e exploraram as suas fragilidades, desde o primeiro minuto - falta de intensidade, lentidão de alguns jogadores a recuperar, alas desguarnecidas a defender. O Sporting, se estudou o Ajax, estudou pessimamente.  

2. A medicina desportiva é fundamental. A lesão de Gonçalo Inácio no início do jogo é um azar enorme, de que a equipa nunca recuperou (nem Amorim parecia preparado para gerir). Mas também levanta sérias questões, porque indica que o jogador não estava em condições de entrar em campo. E agora corremos o risco de o perder para o Estoril - e quem sabe outros jogos depois.

3. Perdeu-se algum tempo em encontrar alternativas aos jogadores mais influentes do plantel - ontem percebemos (já suspeitavamos) que a defesa se desmorona sem Coates. Encontraram-se boas alternativas a Porro e Palhinha, mas continuamos sem alternativas ao nível de Coates e Feddal, nem nada que se pareça. 

3. Os erros na gestão de activos pagam-se caros. Que falta fez ontem Domingos Duarte - um jogador de seleção literalmente despachado em desconto para o Granada - ou Merih Demiral - que de vendido ao desbarato passou a jogador da Juventus. E porque não aproveitar jogos como o de ontem para lançar jovens com potencial das camadas jovens como Goulart, em vez de "queimar"  Neto e Esgaio?

4. O scouting é fundamental. Antony, o jovem brasileiro que na estreia na Champions ontem desfez o lado esquerdo da nossa defesa, custou ao Ajax mais ou menos o mesmo que Paulinho. É preciso identificar talento mais cedo (e mais barato), em vez de ir comprá-lo (caro) ao Famalicão, que é um clube que tem muito bom scouting. O nosso próximo jogo é contra a equipa da Europa que melhor scouting faz (comprou Halland por 20ME, mais ou menos o mesmo que gastamos em Paulinho e Ugarte, e valorizou-o 5 ou 6 vezes).

5. Alguma coisa está a ser bem feita: Porro, Mateus, Paulinho, estiveram a um nível Champions, individualmente.

Não achava que éramos bestiais antes de ontem. Não acho que somos umas bestas agora. Caímos na realidade de que continuamos a cometer erros a muitos níveis - algo que os fanáticos deste ou daquele presidente se recusam admitir. Erros que urge corrigir. Como ontem ficou evidente, temos um longo - longuíssimo - caminho a percorrer até estarmos ao nível de um finalista da Champions.

Com trabalho e competência, chega-se lá. E alguma humildade, sem discursos de "isto antes tinha uma gestão de roulotte, agora é que é". Boa vontade não basta.

Afinal, o Brugge fomos nós

Era mais do que esperado que uma equipa de um campeonato periférico fosse goleada em casa, ontem. O poderoso PSG ia juntar, pela primeira vez, Messi, Neymar e Mbappé e o campeão belga pouco poderia fazer. Mas, na realidade o jogo deu um a um e nenhum dos mega craques marcou. Afinal, a equipa goleada seriamos nós por outra equipa de uma liga periférica ainda que com muita história.

skin in the game

Ontem o Sporting perdeu por quatro golos no seu estádio, com uma equipa melhor, mais arguta, mais capaz, mais rápida. Dias antes, o mesmo Sporting tinha vulgarizado o Porto, que por sua vez se bateu olhos nos olhos no estádio de um dos grandes favoritos da Campeões.

Como dizia Hemingway, ou talvez tenha sido um antigo baixista dos Pink Floyd, not so close to the ocean, not so close to the land. Aceitamos que uma cadeira não estrela um ovo ou que um tigre não serve de candeeiro, mas gostamos de acreditar que os humanos podem tudo. Porque haveria de Amorim montar uma equipa para ganhar a Champions com dois pedaços de cordel, um isqueiro e meio pacote de bolachas Oreo? Não pode ele verificar na pele que isto e aquilo não é bem assim e que talvez seja frito e cozido?  Até porque, como ele dizia, o jogo do campeonato a seguir é que é importante.

No ano passado, este grupo, esta malta e esta equipa técnica, devolveu o título de campeão nacional ao Sporting, dezanove anos depois do anterior. Pela minha parte, não me esqueço.

O dia seguinte

Pois eu continuo a acreditar em Amorim, e depois da sua conferência de imprensa ainda mais fiquei convencido disso. Quem quiser rasgar o cartão que rasgue, quem não quiser pagar quotas que não pague, quem não quiser ir à Amoreira que não vá, quem não quiser pagar o canal que dá os jogos da Liga ou da Champions que não pague (por acaso eu não pago os da Champions, porque a conta da NOS já é grande de mais, tenho que descobrir um tasco com aquilo), pois eu na Amoreira vou estar e em Dortmund só se não puder.  Cada um que faça o que quiser, apenas se lembre do que um Leão significa. 

No meu último post, eu dizia que "Vamos começar amanhã a campanha da Champions. Estou muito curioso para ver como é que o 3-4-3 do Sporting se vai comportar no confronto com equipas de futebóis que contam com jogadores fisicamente poderosos e estão habituados a esse modelo de jogo, se vai conseguir dominar os adversários como domina a nível nacional, reduzindo o Porto a dois remates enquadrados, ou se vai implodir como a selecção portuguesa no Euro contra a Alemanha."

E... implodimos mesmo...

 

Como nos grandes desastres de avião (ver a série Mayday) as causas acabam por ser sempre um conjunto de factores que confluem num resultado catastrófico.

Para mim foram as seguintes:

1. Patrão fora, dia santo na loja. Sem Coates ao comando, com Gonçalo Inácio e Feddal fragilizados fisicamente, a zona central da defesa foi sempre um passador para um Ajax de "tracção à frente".

2. Fantasma Ilori. Vinagre e Jovane primeiro, todos os outros que entraram depois estavam naqueles dias difíceis em que nada ou coisa nenhuma saía bem.

3. Modelo Amorim. O 3-4-3 não conseguiu de forma nenhuma aguentar o modelo Ajax, que ainda agora estou a tentar perceber se era um 3-2-5 ou outra coisa qualquer, alicerçado por meia dúzia de matulões que jogam imenso à bola, e que sempre conseguia reduzir o Palhinha à expressão mais simples que um 6 pode ter, a de polícia sinaleiro.

4. O eclipse da estrelinha. Por uns centímetros o golo de Paulinho foi anulado, um remate ao poste dum lado dá golo do outro coisa nenhuma. E um 2-3 depressa se transformou em 1-4.

 

Sendo assim, fica uma grande noite do Matheus Nunes sempre a cavalgar para a área contrária, grande jogo do Paulinho sempre a cavar faltas e a distribuir jogo e ainda com dois golos, um deles anulado, algumas arrancadas do Porro e... pouco mais.

Agora é mesmo dormir bem, treinar melhor e ir ganhar à Amoreira. E depois ganhar o jogo seguinte. E depois o outro também. E assim sucessivamente.

As grandes equipas não são as que passam ao largo das grandes derrotas, como os grandes barcos não são aqueles que não sofrem com as grandes ondas, são aquelas que dão a volta por cima e atingem os objectivos da época. Quem ganhou o campeonato no ano dos 7-1 infelizmente não foi o Sporting...

 

Já agora uma breve nota sobre o Sporting-Ajax da Youth League em Alcochete onde estive presente até quase ao fim, tive de sair após o penálti infantilmente falhado, um remate "à País de Gales" para o estacionamento depois do "Paulinho" da B ter permitido uma converseta para distrair dum tipo do Ajax.

Não conhecendo a média de idades das duas formações, o misto sub23-B apresentado pelo Sporting dominou do princípio ao fim (pelo menos até à minha saída), conseguiu articular bons lances de ataque aqui e ali, ganhou muitas das divididas, desperdiçou golos em série, desde o tal penálti a uma situação de contra-ataque 2:1, frente a um Ajax muito "levezinho", e transformou num empate a um golo o que podia ter sido uma vitória confortável. Ficou um belo projecto de defesa central de pé direito: Gilberto Batista, 17 anos, 1,87m, da Guiné-Bissau, no Sporting desde 2018. Rápido, raçudo, excelente saída a jogar, sempre de cabeça no ar para o passe curto ou longo, um jovem a rever.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

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