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És a nossa Fé!

Sporting-Benfica, nesta sexta-feira à noite

Sim, sei que nas últimas décadas tem ocorrido uma "reforma cultural", e também no mundo do espectáculo futebolístico. Ainda assim, isto de haver o verdadeiro Clássico (que não derby, que não derby) Sporting-Benfica em plena sexta-feira à noite, lembra-me este hino imorredouro "La partita di pallone", com que Rita Pavone nos avisou. A gente vai à bola (e, repito, na sexta à noite, ainda por cima ...), a gente vai à bola, e nunca se sabe o que pode acontecer, os custos que a rapaziada pode ter que pagar. Cumpre-nos sopesar, isso da verdadeira importância da "taça" ...

(Abaixo, para os menos dotados no italiano, fica a transcrição do aviso:

Perché perché / La domenica mi lasci sempre sola / Per andare a vedere la partita / Di pallone / Perché perché / Una volta non ci porti anche me. / Chissà, chissà / Se davvero vai a vedere la tua squadra / O se invece tu mi lasci con la scusa / Del pallone / Chissà, chissà / Se mi dici una bugia o la verità. / Ma un giorno ti seguirò / Perché ho dei dubbi / Che non mi fan dormir. / E se scoprir io potrò / Che mi vuoi imbrogliar / Da mamma ritornerò. / Perché perché / La domenica mi lasci sempre sola / Per andare a vedere la partita / Di pallone /Perché, perché / Una volta non ci porti anche me / Una volta non ci porti anche me )

Hoje à noite em Alvalade

Hoje à noite e na sua casa, a equipa do Sporting entra em campo para ganhar mais um clássico e dar uma grande alegria aos milhões de sócios e adeptos espalhados pelo mundo.

Silas ainda não tornou pública a lista de convocados, imagino que seja mais ou menos a seguinte:


Guarda-redes: Luís Maximiano e Diogo Sousa.

Defesas: Ristovski, Ilori, Mathieu, Quaresma, Borja e Acuña.

Médios: Battaglia, Eduardo, Bruno Fernandes, Wendel e Doumbia.

Avançados: Plata, Camacho, Jesé, Bolasie, Luiz Phellype e Pedro Mendes.

 

Assim, enquanto esperamos pela noite de hoje, gostaria de vos perguntar o seguinte:

Silas à parte, e com os jogadores convocados, qual seria o vosso onze e qual a disposição do mesmo em campo?

SL

A voz do leitor

«É obra a forma como a equipa e o Clube têm seguido em frente, com tantos a desestabilizar, com interesses tão diversos: uns o regresso do Guru, outros a teta, outros a política da terra queimada com vista ao poleiro, outros a venda do Clube. A poucos, desta gente, interessa realmente o Sporting. Uma tristeza. Se as claques (ou parte ou alguns) pensam que desta forma conseguem alguma coisa, estão muito enganadas. As claques existem apenas, e só, para apoiar todas as equipas do Sporting Clube de Portugal, não para eleger ou demitir presidentes e direcções.»

 

JMA, neste meu texto

O que o árbitro quiser

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Semana exemplificativa do que é desporto nacional por estes dias.
Na sexta-feira, o Desportivo de Aves apanhou-se a vencer no Estádio da Luz. O árbitro, Carlos Xistra, conseguiu ver um penalty que permitiu o empate e catapultou o Benfica para a vitória.


Um par de horas depois, o Moreirense marca um golo contra o Porto e meia-dúzia de minutos depois prepara-se para fazer o 2-0 quando o árbitro, Artur Soares Dias, escolhe apitar antes da bola entrar, não dando hipótese ao VAR de averiguar se o golo seria legal ou não. O Porto apanha balanço e acaba por vencer o jogo.


Já no domingo, o futebol feminino deslocou-se ao Estádio da Tapadinha para defrontar o Benfica na primeira jornada da Taça da Liga em futsal. O Sporting vencia por 2-1, graças a um golo de levantar o estádio de Diana Silva, quando a árbitra, Catarina Campos, inventa um penalty de Carole Costa e acaba por expulsar a central Sportinguista. O Benfica acabou por empatar o jogo.

O domingo não fecharia sem mais um exemplo gritante. Na final da Taça da Liga, o Benfica atinge as cinco faltas a sete minutos do final. Um minuto depois, faz a sexta falta sobre Cardinal. Em qualquer outro lado do mundo seria livre direto para o Sporting. Mas no Pavilhão do Centro de Congressos de Matosinhos, o árbitro, Rúben Santos, assinalou a falta ao contrário. Na sequência do lance, o Benfica acaba por se adiantar no marcador e vencer a partida.

Terça-feira, mais um jogo onde o Benfica se encontra a perder em casa e o árbitro, Artur Soares Dias, a "mando" de Rui Costa perdoa a expulsão a Rúben Dias. Como nenhum outro resultado é permitido em Portugal, o Benfica acabou por vencer o jogo.

Amanhã joga-se o derby da cidade de Lisboa. Um jogo histórico do qual Coates foi afastado por um árbitro, Tiago Martins.

Ferran Soriano escreveu um livro chamado “A bola não entra por acaso” e é bem verdade. Infelizmente, em Portugal, o resultado não é ditado pelo mérito, nem pela sorte do jogo ou pela estrelinha de campeão. O resultado é o que o árbitro quiser!

Não chamem "derby" ao clássico

Não há jogo mais clássico no futebol português do que um Sporting-Benfica. É um disparate chamar-lhe derby, preferindo uma expressão inglesa (aliás originalmente relacionada com corridas de cavalos), desgraduando-o desse nobre patamar de clássico.

Um disparate ainda maior quando proferido por sportinguistas. Ao justificarem a designação derby por envolver "duas equipas da mesma cidade", cometem dois erros: equiparam o Sporting-Benfica a um Boavista-FC Porto; e esquecem que o Sporting não é um clube de bairro, nem de cidade: como o nome indica, é um clube de Portugal.

Vamos lá deixar-nos de estrangeirismos. Se este jogo não for um clássico, nenhum outro é.

A voz do leitor

«Enquanto se mantiver este estado de coisas, nenhuma direcção do SCP alguma vez terá sucesso. Nunca é de mais lembrar que o nosso saudoso João Rocha conquistou, no seu mandato, 1200 títulos desportivos, mas apenas três campeonatos de futebol. Coincidências, certamente! Ou então o homem era super-competente em tudo menos no futebol sénior...»

 

Implacável, neste meu texto

Começamos bem

Nos últimos dez dias, ainda a aquecer os motores neste início do nono ano de existência do nosso blogue, registámos 82.222 visualizações. Mais de oito mil visualizações diárias.

Caso para dizer, sem falsas modéstias: entrámos bem em 2020.

Os "engripados" e o inimputável

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Os "engripados" do Sado tiveram força e energia suficientes para forjarem uma falta inexistente contra Coates (encenação premiada com cartão amarelo para o nosso central, cortesia do árbitro Tiago Martins) que deixa o uruguaio fora do clássico de Alvalade e para darem sarrafada no Vietto, provocando-lhe uma lesão que vai demorar semanas a sarar.

Esta pantufada, aos 61', não foi sancionada com cartão: seria o segundo, mais que merecido, mas o dono do apito decidiu manter em campo o "engripado" Pirri - assim se chama o fulano que causou uma luxação na articulação tíbio-peroneal de Vitto (forçado a sair de Setúbal em muletas). Esse que já tinha sido amarelado aos 32', por derrubar Bruno Fernandes dentro da grande área sadina. O nosso capitão, aliás, chegou ao fim do jogo a coxear - também ele vítima da robustez física dos "engripados".

 

Espero que Bruno ainda possa defrontar o Benfica depois de amanhã e que o Acuña recupere da mialgia que o afastou do Bonfim. Caso contrário actuaríamos sem quatro pedras nucleares deste depauperado Sporting 2019-2020.

Isto enquanto um tal Rúben Dias voltou a exibir a sua inimputabilidade nos relvados portugueses, ao ser-lhe perdoado um segundo amarelo, no desafio dos quartos-de-final da Taça de Portugal, por falta ostensiva contra um jogador do Rio Ave. Cortesia, desta vez, do senhor Soares Dias, que alguns - vá lá saber-se porquê - proclamam como "melhor árbitro português".

 

O que escrevem hoje os especiaistas em arbitragem sobre o caso?

Jorge Coroado: «Rúben Dias empurrou Taremi. Lance antidesportivo, cortando jogada prometedora. Livre por assinalar e amarelo por exibir.»

José Leirós: «Erro duplo. Era livre directo que não assinalou e devia ter exibido o amarelo pois [Rúben Dias] empurrou deliberadamente e cortou jogada de ataque.»

Fortunato Azevedo: «Rúben Dias empurra o adversário, atirando-o para fora do terreno. Clara conduta antidesportiva que devia ter sido punida.»

Duarte Gomes: «Rúben Dias empurra ostensivamente Taremi quando este se preparava para o contra-ataque. Segundo cartão amarelo por mostrar ao central do Benfica.»

 

Quando até Duarte Gomes reconhece que o tal defesa encarnado devia ter ido tomar duche mais cedo, meia hora antes do fim do jogo, percebe-se até que ponto o SLB continua a beneficiar do colinho em caso de necessidade.

São coisas como estas que vão transformando o futebol português numa anedota internacional.

 

Adenda: O treinador Carvalhal, que ainda há três semanas protagonizara uma cena de histeria, anunciando a intenção (não concretizada) de abandonar o Rio Ave em protesto contra a péssima arbitragem lusa, desta vez nem reparou no lance. Razão tinha o outro: isto anda tudo ligado.

Bom seria que no Outono estivesse em Pequim

Às segundas, quartas e sexta garante desejar paz no futebol e união no Sporting, às terças, quintas e sábados revela-se um Instigador de ódio e promotor de discórdias internas que só servem para esconder os seus inúmeros e sucessivos erros. Manso com quem manda no futebol português, ameaça arrancar cabeças a dirigentes do Vitória de Setúbal (pelo menos assim terá sucedido, tal como Sidónio haverá dito “morro bem” na Estação do Rossio). Não ter contribuído com o meu voto para que isto esteja a suceder ao meu clube em nada me alivia...

Se ele não existisse teria de ser inventado, não pelos mesmos demiurgos que criaram a sua candidatura, mas por alguém com outra qualidade criativa e literária. Talvez o saudoso Boris Vian, especialista em arrancar partes do corpo humano e autor de um romance que não se passa nem no Outono nem em Pequim. Tal como, na espuma dos dias de um verde tão desbotado quanto o das bandeirinhas de plástico espalhadas pelas bancadas na tarde do clássico, muitas vezes parece que o Sporting deixou de estar lá e, infelizmente, que os sportinguistas e o sportinguismo também se encontram em parte incerta.

A voz do leitor

«Temos de facto uma das melhores escolas de guarda-redes do mundo. Max mostrou um excelente jogo de pés (com aberturas teleguiadas), segurança entre os postes e até pontual brilhantismo, mas também Diogo Sousa (hoje suplente) está num nível extraordinário (espreitem um jogo dos sub-23 e verão).»

 

Leão de Quiosque, neste meu texto

O exemplo do Barcelona

Tudo bem que o Barcelona tem argumentos que o Sporting não tem - dificilmente algum treinador recusaria um convite do Barcelona (consta que só o Pochettino recusou). É mais fácil arranjar um treinador para o Barcelona que para o Sporting. Mesmo assim, a substituição de Ernesto Valverde foi exemplar de como deve ser feita uma substiuição de treinador a meio da época (vulgo uma "chicotada"). Foi anunciada a sua saída, e imediatamente a seguir foi anunciado o treinador substituto. Um treinador que é uma primeira e efetiva aposta, e não uma solução experimental interna "a ver se funciona". O Barcelona é um clube com ambições e que não tem tempo (e dinheiro, e pontos) a perder com Oceanos, Leonéis Pontes e Tiagos Fernandes (a propósito: alguém sabe o que é feito deste rapaz que, nas suas próprias palavras, percebia tanto de futebol?).

As substituições de treinador a meio da época são sempre de evitar. Se a situação está mesmo insustentável, mais vale mesmo assim ir aguentando o treinador enquanto se procura uma alternativa a sério do que estar a mandá-lo embora, devido a um estado de alma, para entregar a equipa a alguém sem capacidade.

Um pai como deve ser

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A  notícia está no Record, e será já do conhecimento de muitos. Mas aqui fica: um miúdo de nove anos, adepto do Atlético de Madrid, chorou aquando da recente derrota diante do Real  Madrid, naquele torneio das arábias. O pai escreveu-lhe esta carta (que abaixo transcrevo, traduzida, retirada do jornal). Um pai como deve ser. E seria bom que muitos dissessem também: "um vizinho como deve ser". Pois de Espanha também vem bom vento e bom casamento ...

"Gonzalo, filho, ser do Atlético é duro, vais entender isso. Fácil é ser do Barça ou do Real Madrid. Dá os parabéns ao Adrian ou a outro qualquer porque um dia vamos vingar-nos. 
O futebol é um sentimento. É um orgulho para mim que sintas tanto o Atlético. Mas o importante é estudar, amar quem te é mais próximo, ser uma boa pessoa ...
Não discutas por causa do futebol, ao fim ao cabo é uma maneira de nos divertirmos, de fazer amigos, de ser uma boa pessoa, que é o que me interessa, é dar os parabéns ao rival.
Se não fosse pelo Courtois teriam perdido, estamos mais perto do que eles pensam. Vais sofrer muito com o Atlético, mas quando ganharmos algo, vais desfrutar o triplo.
Adoro-te" 

Amar o Sporting

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Amar o Sporting é cultivar alguns dos valores que mais prezo. Ser fiel às origens, às tradições, à devoção clubística – antónimo de clubite. Praticar a lealdade em campo e fora dele, rejeitando golpes baixos. Gostar muito de vencer, sim – mas sem batota. Recusar ódios tribais a pretexto da glória desportiva. Nunca confundir um adversário com um inimigo, sabendo de antemão que o futebol (só para invocar o desporto que entre nós mobiliza mais paixões) é a coisa mais importante das coisas menos importantes, como Jorge Valdano nos ensinou.

 

Amo o Sporting pela marca inconfundível do seu ecletismo.

Os meus primeiros heróis leoninos, ainda em criança, eram Leões de corpo inteiro sem jogarem futebol. Foi o Joaquim Agostinho a brilhar nos Alpes e a vencer etapas na Volta à França depois de ter sido o maior campeão de ciclismo de todos os tempos em Portugal. Foi o António Livramento, artista exímio com um stick nas mãos, campeão europeu de verde e branco, além de campeão mundial a nível de selecções. Foi o Carlos Lopes, recordista absoluto do corta-mato europeu, brioso herói da estrada, medalha de prata nos 10 mil metros em Montreal, primeiro português a subir ao pódio olímpico, de ouro ao peito, naquela inesquecível maratona de 1984 em Los Angeles.

Amar o Sporting é abraçar o universalismo que fez este nosso centenário clube transbordar os limites físicos do País e galgar fronteiras. Conheci fervorosos sportinguistas nas mais diversas paragens do planeta. Nos confins de Timor, no bulício de Macau, na placidez de Goa – lá estão, com a nossa marca inconfundível, sedes leoninas que funcionam como agregador social naqueles países e territórios, assumindo em simultâneo uma ligação perene a este recanto mais ocidental da Europa.

 

Amar o Sporting é cultivar a tenacidade de quem nos soube ensinar, de legado em legado, que nunca se vira a cara à luta.

João Azevedo a jogar lesionado entre os postes, só com um braço disponível, enfrentando o Benfica num dos clássicos cuja memória perdurou através das gerações. Fernando Mendes, um dos esteios do onze que conquistou a Taça das Taças em 1964, alvo de uma lesão no ano seguinte que o afastou para a prática do futebol, mas capaz de conduzir a equipa, já como treinador, ao título de 1980. Francis Obikwelu, nigeriano naturalizado português e brioso atleta leonino que saltou da construção civil onde modestamente ganhava a vida para o ouro nas pistas europeias em 2002, 2006 e 2011.

Campeões com talento, campeões com garra, campeões inquebrantáveis – mas também campeões humildes, conscientes de que nenhum homem é uma ilha e um desportista, por mais aplausos momentâneos que suscite, é apenas uma parcela de um vasto arquipélago já existente quando surgiu e destinado a perdurar muito para além dele. Na Academia de Alcochete, no Estádio José Alvalade, no Pavilhão João Rocha, somos conscientes disto: ninguém ganha sozinho. Antes de Cristiano Ronaldo havia um Aurélio Pereira, antes de Livramento havia um Torcato Ferreira, antes de Carlos Lopes havia um Mário Moniz Pereira.

 

O desporto com a genuína marca leonina não cava trincheiras: estende pontes, transmitindo a pedagogia da tolerância e cultivando a convivência entre mulheres e homens de diferentes culturas, ideologias, crenças e gerações.

É também por isto que amo o Sporting: fez-me sempre descobrir mais pontes que trincheiras. O que assume relevância não apenas no desporto: é igualmente uma singular lição de vida.

 

Publicado originalmente no blogue Castigo Máximo, por amável convite do Pedro Azevedo.

{ Blog fundado em 2012. }

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