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És a nossa Fé!

Svilária Moreira, não passes com ele à minha rua

svilária

Ao fim de tantos jogos de ser tua

Amaste outro, casaste, foste ingrato;
Vi-te passar com ele à minha rua
Abracei-me a chorar ao teu retrato
Vi-te passar com ele à minha rua
Abracei-me a chorar ao teu retrato

Podia insultar-te quando te vi

Ferida neste amor supremo e farto
Mas vinguei-me a chorar, chorei por ti
Por entre as persianas do meu quarto
Mas vinguei-me a chorar, chorei por ti
Por entre as persianas do meu quarto

Casaste! sê feliz, deus te proteja
Não te desejo mal, e tanto assim
Que não tenho ciúmes nem inveja
Como o teu homem teve de mim
Que não tenho ciúmes nem inveja
Como o teu homem teve de mim

Mas olha, meu amor, eu não me importa,
Antes que fosses dele eu já fui tua
Podes sempre bater à minha
Porta
Mas não passes com ele à minha rua
Podes sempre bater à minha
Porta
Mas não passes com ela à minha rua.

Banda sonora

 

O paradoxo de Abryanlene

DSC_3444 (2)

Quando Jerry B. Harvey criou o paradoxo de Abilene, estava longe de imaginar que anos depois esse mesmo paradoxo seria aplicado no "soccer" do país mais ocidental da Europa.

Numa bela tarde em Alcochete terá acontecido o seguinte:

Bryan, o capitão da selecção da Costa Rica, equipa-se e esquece-se de colocar as caneleiras, o treino começa, Raul José repara que o jogador está sem o protector de canelas e comenta com Jorge Jesus:

- Ó JJ, já viste c' o gajo não traz o preservativo das canelas, suspendemos o tipo ou quê?

- Falamos com o presidente, o Bruno é que sabe.

- Ó presidente, o Bryan foi treinar e esqueceu-se das caneleiras, suspendemos o gajo ou quê?

- É pá, tu é que te chamas Jesus e eu é que tenho de fazer milagres? Tu e o Raul querem suspender, suspendam, estão como os gajos de Coleman ou quê? Primeiro queriam ir todos para Abilene, depois já ninguém queria ir... se não sabem o que decidir, não decidam nada.

Tanto quanto nós, sócios e adeptos, sabemos terá sido mais ou menos isto que aconteceu.

Com tantos comunicados, bocas, ironias e postas no facebook sobre irrelevâncias, o que aconteceu com Bryan Ruiz? Alguém explica?

Bibliografia (em vídeo)

Sopas de cavalo descansado

roubo

As sopas de cavalo cansado com vinho do Porto são muito mais saborosas.

Imaginem o que era A Bola reconhecer que tinham existido dois penáltis, por assinalar, contra o Benfica (eu sei é preciso muita imaginação).

Foi o que o Jogo fez, o jornal oficioso do FC Porto, reconhece que Fábio Veríssimo e o VAR não viram (ou viram e não lhes apeteceu assinalar) dois penáltis a favor do Belenenses.

Como cantavam a Ivone e o Camilo: "Este país é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso, anda tudo a fazer pouco da gente, da gente".

Patrício, Varela e Svilar

Começo com uma auto-citação:

"Neno explica bem a questão que se está a passar com Bruno Varela, ele (Neno) frangou num jogo da Taça e foi afastado da equipa, num jogo depois Silvino (adjunto de Mourinho) sofreu 7 golos e Alvalade e continuou".

Hoje é dia analisarmos o nosso Sporting mas, também, pode ser dia de olharmos de forma global para o fenómeno futebol, especificamente, para a ingrata posição de guarda-redes.

Passei muitas tardes e noites em Alvalade a criticar (numa das vezes quase cheguei a "vias de facto") quem ao meu lado assobiava Rui Patrício.

Acabei de reviver esses momentos, ao ver um miúdo a frangar.

Já "mataram" Bruno Varela, não façam o mesmo a este; errar faz parte do processo de crescimento.

O pior estádio do mundo

Seria fácil não escrever aquilo que vou escrever mas acredito que os prognósticos se fazem antes dos jogos.

É antes dos jogos acontecerem que temos de antecipar os problemas.

Vou recuar ao programa da Antena 1, Grandes Adeptos, de 2017.10.02, na parte final deste programa, o comentador benfiquista (sr. Telmo Correia) diz esta frase: "esperemos que esteja assim na selecção" (cerca do minuto 37) comentava-se a excelente exibição do Rui no Sporting vs. Porto.

Ora a frase carregada de ironia queria dizer o quê... «espero que o Seferovic lhe marque três ou quatro golos em pleno estádio da Luz e que isso lhe sirva de motivação para repetir o mesmo no campeonato».

É este (penso) o sentimento do sr. Telmo Correia e, certamente, não estará só.

Amanhã muitos benfiquistas/lampiões vão ao Estádio da Luz para ver golos de Seferovic.

Eles, coitados, não têm culpa.

Quem marcou o jogo para esse estádio, tem.

Foi uma péssima escolha pelo que vimos acima.

Foi uma péssima escolha pois a maioria dos jogadores da selecção portuguesa que entrarão em campo amanhã são oriundos do Sporting ou do FC Porto, logo terão sempre a sensação de estarem a jogar fora.

Foi uma péssima escolha pela carga negativa que envolve aquela infra-estrutura de cimento inacabado e de lã de vidro displicente, foi ali que perdemos um Europeu para a Grécia.

Por todas as razões que apontei, anteriormente, é o pior estádio do mundo para se realizar o Portugal vs. Suiça mas esperemos que mesmo com toda esta carga negativa desnecessária, amanhã os nossos rapazes consigam vencer; é isso que esperamos, é isso que desejo.

Uma selecção de cromos

Pegando neste post de Pedro Correia e na minha caderneta de cromos da Panini (Liga Nos 2017/2018) vamos então a uma selecção alternativa; atenção que as definições dos jogadores são da inteira responsabilidade dos criativos, muito criativos a maior parte das vezes, da Panini.

Bruno Varela; seguro e atento entre os postes e determinado e veloz nas saídas.

Nélson Semedo; energia inesgotável, processos simples e voraz apetite atacante

José Fonte; porte atlético, poderio nas jogadas aéreas e compenetração a marcar

André Almeida, brioso, concentrado e carismático, fecha o corredor direito à chave

Fábio Coentrão, pé esquerdo requintado e condutor de muito e bom futebol leonino

Renato Sanches, um guerreiro de incontido espírito ganhador, verticaliza o jogo

André Gomes, retumbantes dotes no tratamento do esférico e qualidade de passe

Gonçalo Guedes, veloz com e sem bola, pressionante, concreto e de temível disparo

Bernardo Silva, um sobredotado humilde e com magia na hora de isolar colegas

Pizzi, mima a bola, desconcerta no drible e "inventa" passes de golo certo

Seferovic, em permanente movimento desmarca-se com classe e é matador

Nota: Estava limitado a utilizar jogadores (com ligação actual ou passada às "papoilas saltitantes") referenciados no "Top Aquisições" e no "Portugal Top Stars" [sim, para quem escreveu a prosa deliciosa que tiveram oportunidade de ler acima, o "guerreiro incontido" e o que "fecha o corredor direito à chave" fazem parte dos melhores dos melhores, Top Stars, Renato Sanches e André Almeida].

Como não consegui reunir onze jogadores portugueses inclui o avançado suiço num post futuro explicarei a razão.

Carcela ganhaaaaaaaaaaaaa!

Carcela (um ex-jogador do Benfica) joga em casa (em Atenas) pelo campeão grego (pote três) o desafiante do pote quatro, nem é necessário referir o nome, vence fora (na altura em que escrevo) por 0-3.

O comentador da RTP 1, HD, tem um espasmo, uma gritaria, um momento de felicidade e quase se engasga ao comunicar que Carcela ganhou um lance (minuto 58).

(esse lance não deu em nada... mas diz muito)

 

Indignidade e indignação

Portugal vs. País de Gales.

Um grupo de excursionistas de comboio vs. uma equipa de jovens responsáveis.

Uns miúdos que nos envergonham vs. um treinador envergonhado.

Comecemos pelo fim, pela última frase, foi penoso ver o embaraço de Rui Jorge.

Façam um exercício, tirem o som à televisão e vejam a "flash" de Rui Jorge; a linguagem não verbal diz tudo.

Foi patética a queda de Gonçalo Guedes, como português sinto-me envergonhado pela habilidade em "cavar" a falta.

Foi patética a forma como Gonçalo Guedes comemora o auto-golo do colega do País de Gales; é uma indignidade.

Um jogador indigno de se vestir de Portugal; um treinador vestido de indignação.

No futebol como na vida, vencer não é a única coisa que importa.

Rigor, s.m.

O meu dicionário da Lello dá-me alguns exemplos de rigor; rigor matemático: exactidão rigorosa; rigor das leis: aplicação inflexível, rigor de um raciocínio: forma exacta.  

Uma entrevista de Manuel Andrade (vale a pena ler na totalidade) fez-me recordar um tema que já abordei aqui.

«Entrei na cabine, equipei-me e o Augusto Silva manda-me ir a jogo como avançado-centro. Imagine, só tinha 18 anos e ia jogar com o FC Porto.

Aos 15 minutos, perdíamos 2-0. O central que me marcava chamava-se Guilhar, bastante incomodativo, sempre a chamar-me nomes e a beliscar-me. Não embarquei nesses esquemas e marquei três golos. Ou seja, um hat-trick. Mas um hat-trick de verdade não daqueles que se ouve falar agora a torto e a direito. Um hat-trick de verdade são três golos seguidos. Como este do Belenenses-FC Porto, de 0-2 para 3-2. Há jogadores que marcam o 1-0, depois o 4-1, finalmente o 6-2. Isso não é hat-trick. Hat-trick são três golos seguidos.»

Crónica de uma morte desanunciada

2017-08-24 (2)

Comecei por um título inspirado em Gabriel García Márquez e é por esse caminho que vou.

Há um episódio delicioso na vida de "Gabo", contado por Carlos Fuentes; Dezembro de 1968, dirigem-se os dois, de comboio, de Paris para Praga, onde os espera Kundera: «chegámos de madrugada a Praga, esperava-nos na estação Kundera, que nos levou, a Gabo e a mim, a uma sauna, quando pedimos um duche para tirarmos o calor, Milan conduziu-nos ao rio Ultava e empurrou-nos, nus como minhocas, para a água congelada. Recordo o comentário de Gabo quando saímos roxos do rio: "Por um instante Carlos, julguei que íamos morrer juntos na terra de Kafka"».

O que tem isto a ver com o jogo de ontem?

Tudo.

Por muito que hoje ufanemos, houve um momento, ontem, que nos sentimos como minhocas em água congelada.

Nada. com o Nacional da Madeira.

Nada a ver, ontem, desceu em mim um espírito (uma fé) e comecei a rever um jogo acontecido há dez anos e uns meses na Madeira com o Nacional da Madeira.

Houve um gajo qualquer do Nacional que marcou um golo, vamos para o intervalo a perder.

Penalty a favor do Sporting, Liedson falha.

Nus, minhocas, água congelada.

Qual quê; troca de Carlos, sai Martins, entra Bueno e o improvável goleador aponta quatro golos, Liedson redime-se do penalty falhado e o Sporting vence o Nacional na da Madeira com o mesmo resultado que ontem venceu em Bucareste.

Há pesadelos que se transformam em sonhos.

(à atenção de Barcelona, Juventus e Olimpiakos).

Para terminar, não fui só eu, não fomos só nós, sportinguistas, a recear, o pior, ontem, a Bola, até já nos tinha embrulhado em papel negro, estavam preparados para anunciar a nossa morte, tiveram que a "desanunciar".

 

A suta, o trabalho, um ângulo de análise

Convido-os a analisar, detalhadamente, este vídeo.

As pessoas menos habituadas à subtileza da língua portuguesa vão ouvir ali uns palavrões.

Jorge Sousa manda o guarda-redes para a baliza, "vai p´ra suta da baliza" (a suta é um instrumento que mede os ângulos) diz ainda: "estou a brincar com quem? Trabalho! A brincar com quem? Trabalho!" repete com convicção.

A arbitragem é um trabalho.

Mais à frente, neste jogo, Jorge Sousa expulsa o lateral esquerdo do Sporting com um vermelho directo... por palavras.

Vai p' ó trabalho, Jorge; apesar de tudo o Sporting derrotou os fingidores de Massamá (1-2).

A impagável revelação de Tonecas Três Érres, parte final

- Ia para Alvalade ver o nosso Sporting ser campeão, ia festejar.

- E não festejaste, não festejámos, nesse dia, mas festejámos depois, fomos campeões; sem de deter, Tonecas Três Érres, continuou a falar com os olhos azandingados a olhar-me como se eu não estivesse ali, desde esse dia nunca mais fomos campeões, Pedro, a culpa é minha, a culpa foi minha. Eu e minha mania de perder, de perder peso, disseste-o há pouco, eu era mais forte, o Sporting era mais forte, tornei-me fraco, com este ar musculadinho, esta mania do exercício, do detox, das colorias, da cevada, dos frutos vermelhos, vermelhos? Pedro... vou parar com essa merda toda, vou engordar por gosto, vou comer pelo nosso Sporting, vou recuperar cada um dos gramas que perdi, vou beber canecas de ceveja, vou comer entremeadas, que cada gole que beba seja um golo do nosso Sporting que todo o mal que me faça seja por um bem maior, sermos campeões.
Olhei o meu amigo e pensei que se ele estava pronto para se sacrificar eu não me ficaria, levantei-me e reapareci pouco depois com duas canecas de Super Bock mista com dois dedos de alva espuma,
- Tonecas, se te vais sacrificar pelo Sporting, estamos juntos, amigo, pela nossa amizade, por um Sporting campeão.
 
continuação (e terminação) deste post

 

In destino Delgado, uma questão de género

Todos nós temos o destino traçado na palma da mão, excepto Corto Maltese que o traçou ele próprio, com uma navalha.

Uns nascem com talento para escrever e trabalham-no, outros herdam-no, outros nem uma coisa nem outra mas inventam, inventam muito.

Continuo a ler jornais em papel.

Eu sei, estou a dar cabo da minha saúde.

Podia colocar um desafio aos leitores deste "blog", escrever um pequeno texto onde a propósito do resultado histórico de ontem, o triunfo de Portugal sobre a Escócia por 2-1 em futebol feminino, conseguissem:

1. Referir o nome do treinador de futebol masculino do Benfica.

2. Referir o Benfica.

3. Referir o FC Porto.

4. Não referir o campeão nacional de futebol feminino.

5. Não referir o vencedor da taça de Portugal de futebol feminino.

6. Não referir o clube que mais jogadoras "dá" para a selecção.

7. Não referir o nome da melhor jogadora em campo.

Estão desanimados?

É impossível, dir-me-ão.

Não é.

José Manuel Delgado num texto com 110 palavras (contando com os "a" os "as" os "se" e assim) conseguiu-o (p. 37 d' A Bola de 2017.07.24).

Enfim, as atitudes ficam para quem as toma.

Na pág. 4 do jornal referido, Filipa Reis, escreve a crónica do jogo considerando a sportinguista Diana Silva a melhor em campo, nota oito.

As outras atletas com contrato com o Sporting, tiveram as seguintes notas:

Patrícia Morais - sete

Ana Borges - sete

Carole Costa - seis

Tatiana Pinto - sete

Ana Leite - sete

Irrelevante para JM Delgado, uma questão de género, género lampião, cotevelite.

Felicidades para todas as jogadoras da nossa selecção de futebol feminino que continuem a fazer-nos sonhar.

 

O Eng. Dias, o Dr. Zacarias, o Sr. Malaquias e o Tobias

O Eng. Dias, como sempre, chegou atrasado ao Banco, a secretária cheia de papéis que quase ocultavam a placa "gerente". Berrou com o sub-gerente (o Dr. Zacarias) para que se apresentasse no gabinete.

- Ó Zacarias, vi lá fora aquele gajo que nos está sempre a aborrecer por causa do empréstimo, diz-lhe que foi indeferido e que não o quero ver mais por aqui.

- Claro que sim, Sr. Engenheiro, eu trato de tudo.

O sub-gerente sai do gabinete e chama o Tobias, um estagiário que completara o curso de formação bancária e que estava a dar os primeiros passoas naquelas lides.

- Tobias, o Sr. Rainier deve estar aí a chegar por causa do empréstimo, explica-lhe que foi indeferido.

O pobre Tobias, apanhado de surpresa, ainda tentou pedir ajuda ao Sr. Malaquias, o colega que tratava do crédito, mas Malaquias estava  com o telemóvel e a carteira na mão, de saída para o pequeno almoço.

- Sr. Rainier, lamento imenso mas o seu empréstimo foi indeferido.

- Não sejas estúpido, pá, já recebi uma carta da administração a dizer que foi tudo aprovado, traz-me o livro de reclamações, pá.

Entretanto em Alvalade, há uma reposição de bola pela linha lateral, Francisco Geraldes tenta marcar rápido, mas Piccini faz-lhe sinal para ter calma, o italiano coloca a bola em Adrien, este tem uma linha de passe para o lado, para o filho de Bebeto mas vira-se para trás e faz um passe de risco pelo meio de dois monegascos para William. William recebe (já rodeado pelos dois adversários) e atrasa para Tobias que recebe a bola sem perceber por que razão o gerente e o sub-gerente têm sempre de colocar o trabalho em cima do estagiário em vez de assumirem eles próprios as responsabilidades.

Havia ainda Beto que podia dar uma ajuda mas saiu à maluca da baliza, precisamente, na direcção errada.

Nesse dia ficou registado no livro de reclamações:

"O estagiário Tobias, Tobias Figueiredo é incompetente porque forneceu uma informação errada a um cliente".

Por baixo escreveu o Eng. Dias com a sua letra miudinha: "Tobias não tem capacidade de decisão, nem autonomia e a sua conduta negligente colocou em causa os altos valores pelos quais se rege esta instituição. Recomendo a sua não contratação após o estágio, à consideração superior".

 

A impagável revelação de Tonecas Três Érres

A vida às vezes dá-nos bofetadas e empurra-nos, outras acaricia-nos e puxa-nos.

O episódio que vou tentar colocar por escrito, é ao mesmo tempo uma bofetada e uma carícia, uma interrogação, uma certeza.

Um destino.

Estava sentado numa esplanada à beira (Azenhas do) Mar a tomar aquilo que em tempos foi definida como a água suja do capitalismo, com duas pedras de gelo e uma rodela de limão.

Olhava o mar e a areia e pensava em nada, pensava em tudo.

- Olhó Pedro, és mesmo tu... dá cá um abraço.

Confesso que demorei a identificá-lo, à minha frente estava o António Ramos Reis Ramalho, estava ele mas com menos trinta quilos dele.

- Tonecas, então, há quanto tempo não nos vemos, senta-te aí.

- Não nos vemos desde o dia 21 de Abril de 2002, lembras-te?

O meu cérebro começou a funcionar como um carro em marcha à ré, primeiro devagar, depois como um salto no tempo, caí naquele dia, numa tasca perto da Cidade Universitária, o Tonecas estava lá, todo vestido de negro com os seus imponentes 105 quilos, um rabo de cavalo e uns óculos escuros redondos.

- Claro que lembro, Tonecas, foi na rua do Colégio Moderno eu ia para Alvalade para ser campeão e tu ias para um concerto duns gajos belgas muito manhosos que ninguém conhecia na Aula Magna.

- Combinamos encontrar-nos no Bairro Alto, a seguir ao concerto mas a vida é feita mais desencontros que de encontros.

- Pois é, 15 anos...

- Sabes Pedro, mudei muito desde esse dia, lembras-te como eu era?

- Claro que lembro, eras mais forte.

Três Erres sorriu.

- Era mais forte mas era o Ramalho (tínhamos esta brincadeira desde putos, brincando com o apelido do Tonecas) era mais gordo. Pesava 105 quilos.

Enquanto conversávamos, sentíamos o cheiro do mar, pressentíamos as gaivotas que nos esvoaçavam, estávamos felizes por sermos amigos e por estarmos juntos, como todos os momentos de felicidade, aquele também acabou.

Acabou, numa forma de mancha castanha que se espachou malcheirosamente pela mesa, uma gaivota largara-se, ao contrário do Salvador Sobral não preveniu ninguém.

Ficámos como se estivéssemos num minuto de silêncio (sem palmas) não sei se passou um minuto, se uma hora, sei que acabara de presenciar um fenómeno qualquer, uma epifania.

Tonecas Três Érres, também conhecido, como António Ramos Reis Ramalho olhou-me, fitou-me profundamente e disse como se estivesse possuído por todos os Zandingas, os Bruxos de Fafe, os Nhagas e os Professores Alexandrinos do universo, disse ou melhor afirmou:

- Os pássaros só fazem merda, Pedro.

Mesmo que quisesse (e não queria) não conseguiria desmentir o meu amigo, a mancha castanha na mesa era a prova física, palpável e cheirável da razão que assistia a Tonecas.

- Hoje não nos encontramos por acaso, Pedro, lembras-te para onde ias há quinze anos, lembras-te como acabou o jogo?

 

(lembro sim, este "post" já vai longo e contarei o resto da história/da revelação oportunamente)

Fußball-Club Bayern München, pela primeira vez o clube alemão tenta contratar um jogador de futebol em Portugal

«O médio ofensivo André Cardoso, de 16 anos, está a ser assediado pelo Bayern para deixar o Sporting, clube pelo qual atua na equipa B de juvenis, a fim de rumar à Alemanha. Segundo o que o Maisfutebolapurou, um emissário dos alemães será enviado a Lisboa, nos próximos dias, para tentar levar a jovem promessa portuguesa para a Baviera.»

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