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És a nossa Fé!

A influência árabe no Benfica

Sabida é a influência árabe na nossa história, e sua presença na toponímia e no léxico em geral. Muito importante na reflexão sobre o que é ser "português" foi a reclamação, mais ou menos mítica, do factor moçárabe, para muitos base desta propensão nacional para a mistura, a célebre miscigenação. Não é um blog desportivo o sítio para estar a perorar sobre o assunto. Mas acabo de ler este interessantíssimo breve artigo: "As influências do árabe na língua portuguesa e locais portugueses com nomes árabes", cheio de simpáticas curiosidade.

Algumas das quais serão preciosas para as nossas prestações na bancada (ou no sofá). Pois, como diz o artigo, "Muitos termos do calão português, do mais brejeiro ao mais indecente, têm origem no Árabe. Por exemplo Marafada (Mraa Khaina, ou mulher que engana), Mânfio (Manfi, desterrado ou proscrito) ou ainda Marado (Marid, ou doente)."

Mas mais interessante ainda, em termos da compita para os títulos, é algo que revela e que eu desconhecia: "Benfica (Ben Fiqa, filho da calmeirona ou da mulher alta)".

 

Desconto de tempo

Stromp-Sporting-2017-18-equipamento.jpg

Começa este fim-de-semana a segunda volta do campeonato de futebol. A equipa está a dois pontos da frente. Está invicta: leio hoje que isso só aconteceu por sete vezes na história e que apenas por duas vezes isso não teve como corolário o título. Para esta etapa da época tem a segunda melhor pontuação nos campeonatos da última década (um ponto menos do que há dois anos). Enfrentou uma liga dos campeões dificílima e jogou-a muito bem, com três excepcionais exibições (na Grécia, em Turim, em Alvalade com a Juventus) e três outros bons jogos, talvez a merecer melhor sorte final. Nessa campanha mostrando uma excelente armadura táctica, boa condição atlética e patenteando alguns excelentes jogadores. Contratou-se bem, os dois "veteranos" para a defesa recuperaram a condição física e mostram que vieram para somar, Piccini afinal é mesmo jogador. E se Acuña é mesmo competente, Bruno Fernandes foi uma jogada mais do que certeira. Com o plantel assim constituído a equipa está nas meias-finais das taças nacionais e na Liga Europa. Qual o ambiente geral após este "primeiro semestre"? Algum apoucamento dos feitos, muito martirizado pelo jogo menos conseguido em Alvalade com o Porto e com o engasganço na Luz. Críticas constantes ao entendimento táctico de Jesus. E a autoflagelação por causa da contratação de Alan Ruiz e alguns outros (os vizinhos de Carnide abasteceram-se com Douglas, "anteciparam-se-nos" no Gabigol, mostraram Seferovic e lamentam-se tão menos; ali a norte de Gaia pagaram 20 milhões por Oliver Torres e nem é assunto). Somos (um plural pois meto-me todo  neste caldeirão) mesmo insuportáveis.

 

O que desejo para o segundo semestre? Que ninguém ande por aí a dizer que "iremos comemorar para o Marquês". O título deverá ser comemorado no estádio de Alvalade, nossa casa. E se não coubermos todos temos as cercanias.

Os dizeres do tuga

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Detesto a expressão "tuga". E lembro-me da minha irritação quando um qualquer pateta atribuiu o cognome de "tugas" a uma das selecções nacionais que foi a uma fase final, já não recordo qual, de Europeu ou Mundial. O termo é usado sempre de forma pejorativa, por vezes com alguma bonomia simpática, quantas vezes com acinte. Mas que fique explícito, "ele" há tugas, infelizmente a adubarem a desagradável generalização. São eles aqueles nossos patrícios que cruzando Tanger na rota do sul logo se arvoram de uma qualquer superioridade, injustificada, sublinhada pela malandrice que julgam justificar como "desenrascanço". "Abaixo do equador se fica doutor", é o lema que os comanda, e logo o assumem quando se julgam mais próximos da tal linha imaginária. 

Lembro-me disso, agora mesmo, com o postal do Pedro Correia sobre o Diamantino como capacho da presidência benfiquista, em elogios mariolas expressos sob formato de entrevista, qual jornalista isento. Há anos ele treinou o Costa do Sol (de Maputo), antiga filial do Benfica e que com este clube mantém relações de proximidade - as quais, com toda a certeza, originaram a sua contratação. Lá acabou ele por expressar que no país são "todos ladrões". O governo considerou as declarações um "assunto de Estado" e ordenou a sua expulsão de Moçambique , por evidente desrespeito pelas instituições contratadoras e pela sociedade de acolhimento. Por "tuguismo", como por lá tanta vez se diz. É este Diamantino, tão célere na crítica ao alheio externo, que agora aqui se presta ao sabujo papel de falso entrevistador, tecendo loas ao seu patrono. Se foi uma vergonha para nós, residentes em Moçambique, pois estas coisas sempre servem para as tais generalizações "vocês, tugas...", continua a vergonha para nós, todos, a vermos a comunicação social permitir/contratar estes locutores de aleivosias. Estes "dizeres do tuga". Cá dentro, lá fora.

O footing do William

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Não percebo nada de bola, sou mesmo um treinador de sofá, vulgar de Lineu. Hoje sentei-me no tal sofá, em casa de um amigo que fez a loucura de assinar a BTV (acho que tem fidelização por meia dúzia de meses) só para ver o derbi. Ali beberiquei umas cervejas (Super Bock, nunca a malvada Sagres). Assisti ao footing do William, que deve ser em toda a história do Sporting o jogador com melhor imprensa. A dona da casa estava presente e a minha adolescente filha também: ainda assim dediquei-lhe os piores impropérios que sei, em português, em inglês (devido ao nome próprio) e em francês (porque é mais elegante). Se tivesse ele a graça de Elias, Didier Lang, Zandonaide ou Kostov e depois de um jogo destes era repatriado. Vi o Rui Patrício, que se tivesse a imprensa que o William tem já teria uma estátua gigante no lugar daquele austríaco Maximiliano, a borregar por três vezes, de forma inaudita. Vi o Polga renascido em formato Coates. Vi outro renascido, o Coentrão, a pedir para ser expulso por duplo amarelo desde o começo do jogo. Vi dois nórdicos, suevos ou alanos, não sei, a jogar futebol e a valerem por 11, o Bas Dost e o Mathieu. O que vale é que o Sporting tem um plantel vasto, que para além destes dois ainda tem bocados de Piccini e de Gelson. E um niquinho de um tal de Batalha. Tudo junto são para aí seis jogadores, que valem pelos 25 que os outros clube têm. O que vale ainda mais é que o Benfica tem a pior equipa desde há anos e um treinador mediano, em crise de estatuto. Senão nem sei o que teria acontecido hoje. Mas o pior de tudo, mesmo, foi o árbitro, gatuno. Como sempre.

Afinal?

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Eu sei que é dia de derbi. E que a "janela de Inverno" fervilha (a ver vamos, que isto de "entradas de Janeiro, saídas de sendeiro" - ok, ok, o André Cruz e etc, mas isso são as excepções ...). Mas, assim a modos que prelúdio para o dia, dá-me gozo isto do Carvalhal ter entrado no "melhor campeonato do mundo". Dois anos excelentes na II divisão (como antes se dizia), agora ascendendo ao Swansea. Um grande primeiro jogo - vitória que não foi com "dedo de banco", foi mesmo com "manápula de banco". Ok, ontem uma derrota com o forte Tottenham, mas algo excêntrica (também há erros de arbitragem "lá fora"). Enfim, o homem treinou o Sporting, nunca foi amado, nem confiado. E, afinal?!, deve ter algum valor para estar a fazer a carreira que está a fazer. Estou a torcer por ele.

E agora?

Estava absolutamente convicto de que o Sporting passaria na Liga dos Campeões. Uma grande desilusão, a qual só aceitei quando a Juventus marcou o segundo golo na Grécia, já depois de ter sofrido uma bola na barra e poste, que poderia ter provocado o empate final. A equipa fez uma excelente campanha num grupo "impossível": um excelente jogo em Atenas (apenas manchado pela tradicional má disposição dos adeptos), um mais-do-que-suficiente aqui contra os gregos; dois excelentes jogos contra a Juventus, em particular em Turim (mandámos na segunda parte), os quais poderíamos ter ganho; e dois jogos difíceis contra o insuportável Barcelona, sem deslustre. Para passar faltou maior capacidade de ... finalização. Isto não é dizer mal dos avançados, é constatar que para ombrear com os melhores - eram dois colossos - falta melhorar um pouco. Melhorar um pouco uma equipa boa, com bons jogadores, com algum (mas não muito) banco, e com muita táctica. Temos um magnífico treinador, prejudicado pelas "bocas" (próprias e alheias), as quais não nos devem apoucar a consciência de que é ... um magnífico treinador. 

 

Ou seja, para melhorar é preciso continuar nesta senda. Para melhorar na Europa é preciso fazer pontos no "ranking" da Europa, para evitar grupos tão ingratos como este. Mas para melhorar em absoluto é preciso manter esta equipa - dirigentes, treinador(es) - e um plantel condigno. As condições para isso são óbvias: é preciso um campeonato (pelo menos). Pois só isso acalmará as quezílias internas e a óbvia tendencial autofagia das nossas lideranças. Ganhar o campeonato é o degrau para continuar este crescimento, que tão bons frutos está a ter. 

 

Vai ser difícil. Porque isto é-nos tão óbvio como é ao "vieirismo" dominante. E o que se vem passando no ataque ao outro rival, ao F. C. Porto, mostra bem o quão difícil - fora do campo - será ganhar o campeonato. A ver vamos. Porque em termos de futebol, para título doméstico, temos tudo para o conseguir. Fará muita falta cabeça fria aos sportinguistas. (E menos golos falhados dentro de campo).

Ver-se-ão gregos.

juventus-logo.jpg

"Ver-se grego" é daquelas expressões que se conhecem, usam, percebem. Mas qual a sua origem? Procurei e foi no Ciberdúvidas que encontrei a melhor, mais atractiva, das propostas explicativas: 

 

"De Vasco Botelho de Amaral em Mistérios e Maravilhas da Língua Portuguesa (Livraria Simões Lopes, Porto, 1950):

"O grego foi sempre tomado na romanidade como coisa difícil. Na Idade Média era até frequentíssimo este dito, muito usado pelos que faziam transcrições ou traduções: "Graecum est, non legitur" – "É grego, não se entende". Ainda hoje se diz – "isto para mim é grego", ou seja, "não percebo nada disto". 

ver-se grego não deve provir de se tornar grego no sentido de se ver como natural ou habitante da Grécia. No entanto, o mistério em que sempre se tem envolvido o que é grego, por menos acessível ao comum das gentes, decerto influiu no facto de a palavra grego se haver aplicado aos ciganos, cuja origem tanto mistério encobre, mas que se julgaram oriundos do antigo império grego. Escrevi, por isso, no Glossário Crítico de Dificuldades que ver-se grego deve relacionar-se com os ciganos: "Supostos estes oriundos do antigo império grego, aos ciganos se chamou gregos. A sua vida cheia de dificuldades, perigos, aventuras, perseguições, deu lugar a que se veja grego quem sofra percalços ou se veja neles. Por um lado, a linguagem dos ciganos, o protótipo do ininteligível, por outro lado, a confusão de ciganos com gregos da Ásia Menor e a sua vida cheia de peripécias, de dificuldades do ciganear, tudo isto misturado é o que dará a origem do ver-se grego."

 

Bem, vem isto a propósito da Juventus. A "Velha Senhora" hoje ver-se-á grega. Se diante de algo ilegível (aliás, incompreensível) se diante de dificuldades próprias dos pobres ciganos (aliás, incontornáveis). A minha solidariedade para com os seus adeptos. Mas para o ano haverá mais ...

Sporting 1 - Belenenses 0

Estádio muito cheio, claro, um dérbi, contra o 4º grande (ó Salvador, atenta bem nisto). Fui com o Miguel, meu afilhado, pastel. Aliás, ele e o cunhado dele, lagarto, levaram-me. É o 1º de Dezembro, cantou-se o hino, foi bonito e esteve bem. A sportinguista sentada exactamente à minha frente, acompanhada do seu pequenote e de uma amiga, é uma jovem senhora lindíssima, casaco branco cintado que lhe fica mais-que-bem, loura acobreada intensa - sim, intimidades que a vizinhança de bancada permite comprovar - que refulge. Raisparta, tivesse eu menos 20 anos (faria nada, claro, mas fica bem dizer isto) ... O Sporting é solidário e os nomes dos jogadores nas camisolas hoje estão em braille. O defesa do Beleneses quis ler o nome do Podence e foi penalti. Golo! Levanto-me e sento-me. Cabeceio na primeira parte - está visto, não devia ter bebido tantas imperiais com a entremeada debaixo do viaduto da segunda circular.  Ai que saudades, ai, ai, do nougat ao intervalo. E da queijadinha de Sintra. O meu querido pastel está há horas a chatear-me com o 1-3 do ano passado, que veio ver. E agora diz-me que os três golos (deles) foram "naquela baliza", a nossa da segunda parte. Joga-se. O casaco branco tão bem cintado agita-se, o cabelo ainda mais refulge. Os jogadores do Belenenses são rapazes jeitosos, esforçados, vindos do Atlético e do Oriental ("e do Olivais e Moscavide", completo), mas não jogam nada, já resmunga o referido pastel, ali ao meu lado. Cabeceio mais, acho que passo pelas brasas, estremunho-me com os assobios aos nossos, regresso ao sono, acho que um dos brunos (o carvalho?) falhou um golo, o brian também, que esse vi, mas mal, já por causa das ramelas. Saímos depressa, eles para um jantar, eu para o metro, para não ver o Porto-Benfica, antes do "até amanhã" o Miguel pede-me desculpa de me ter convidado para um jogo destes, eu respondo que o Sporting merecia ter empatado e que eles mereceram a derrota. Agora é ganhar ao Barça e ninguém nos segura até Kiev. Pois há quanto tempo não temos sorte? Daquela verdadeira sorte? Este Ano É Que É.

Zé Pedro, Homem do Leme

4_ZE-PEDRO.jpg

 

(É um postal escrito para o És a Nossa Fé, blog sportinguista, percebendo que alguns o podem entender desajustado).

 

Ontem ao meio da tarde vou ao café de sempre, aqui no bairro. Dois amigos, daqueles daquele antes, logo me chamam à mesa. O Paulo Morisson, que no início dos 80s andou anos com os Xutos por todo o país, diz-me que têm uma má notícia, e logo ma dá, isto de que "o Zé Pedro morreu". Surpreendo-me, que no último ano tenho estado encerrado em mim, lá num algures longe, e estive agora um mês e meio em Moçambique, voltei a semana passada, não soube sequer do espectáculo do Coliseu (ao qual teria ido, de certeza). Abato, ali na mesa do café. Não só como quando morrem os meus parcos ícones, o Lou Reed e talvez mais nenhum, a deixarem-me (ainda mais) sozinho. Mas porque agora tem sido uma revoada de mortos próximos, gente querida, conhecida, amigos, e há tão pouco ainda o João, meu irmão de pai e mãe diferentes, que não há maneira de parar de o chorar, (es)corram ou não os uísques. E também porque o Zé Pedro se ícone era próximo, aqui dos Olivais (ainda que do Norte), do Bairro Alto dos 1980s. Assim ele não divino mas herói, semi-divino, pois meio-homem, encontrável. E, mais do que tudo, terráqueo porque Zé Pedro é Xutos, aquele intangível afinal tangível que ecoou o "esse frio surdo / ... que te envolve ...", que ouviu "berras às bestas / que te envolvem" e soube que "todas as tuas explosões / redundam em silêncio" avisando que "a vida é sempre a perder", porque "nunca dei um passo que fosse o correcto / nunca fiz nada que batesse certo". Estou agora, já velho, a cumprir um texto, um meneio serôdio, nele meti um capítulo - que me dizem para cortar, que desajustado, mas não posso, que perderei todo o sentido - de propósito para me narrar/justificar numa almadia atascada no Zambeze, entre crocodilos, a trautear "e mais que uma onda, mais que uma maré / tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé / mas, vogando à vontade, rompendo a saudade / vai quem já nada teme, vai o homem do leme", o mais que se foda! que já me assomou na vida, e muitos, tantos, já foram. Por tudo isso, abato, frágil, velho, ali na mesa do café, este mesmo de onde o Driol partiu há semanas, e exactamente do mesmo, e a isto já o disse. O Paulo, e é natural que o faça, comovido que está, arranca com umas memórias do início do on the road dos Xutos. O Chico recebe notas no telemóvel, a notícia já é pública. Eu ouço um pouco e depois saio, até casa. A lembrar que puto de liceu vi Xutos com os Minas e Armadilhas. E também, um pouco, pois já nem sei bem com que amiga estava, o 1º de Agosto no Rock Rendez-Vous, mas também é certo que me lembro muito pouco de tudo o que passei no RRV, por razões que são mais que óbvias, mas ainda tenho, um pouco ainda, a memória do sentir "É amanhã dia um de Agosto / E tudo em mim, é um fogo posto / Sacola às costas, cantante na mão / Enterro os pés no calor do chão / E há tanto sol pelo caminho / Que sendo um, não me sinto sózinho". E tantos outros concertos, em Lisboa ou pelo país, até mesmo quando amigos me quiseram, mesmo sendo o puto que eu era, "road manager" - sem imaginarmos então que eu viria mesmo a ser, anos depois, um road manager em versão "mordomo" -, a apanhá-los num qualquer entroncamento ribatejano. E mais tarde, bem mais tarde, em Maputo, eu num abismo laboral, devido aos dementes lisboetas, mas feliz, feliz, pois no meio do desarranjo haviam enviado os Xutos - e no fim do espectáculo na Feira Popular, eu e o peculiar e vistoso Hernâni na primeira fila em X, como então se fazia, entro no camarim e o Kalu "estes gajos não gostam de rock?!", que o silêncio e a apatia haviam sido gerais, e eu a mentir, a dizer que ali era assim, mas claro que tudo era incompreensível para aquele público e o ZP no sorriso "vi-te na primeira fila", e eu claro que sim, pois seríamos apenas meia dúzia entre milhares a verdadeiramente ser "Xutos", naquele rock n'roll. Conheceramo-nos, mesmo, antes, ali numa massada de peixe no Mercado do Peixe, a Isabel Ramos ofertara o peixe, eu as bebidas, o Vitorino cozinhara, a delegação musical, enorme, e os convidados comeram. E acabáramos numa festa em casa da Nice, a Princesa de Pemba, porventura a mulher mais bela que eu conheci, que o Andrea andava pelas Etiópias, feita de propósito para os visitantes. E eu, só ali, abancados a conversar, a perceber que o sorriso do Zé Pedro não era matreiro, era mesmo sorriso. E saltei, para há dois anos, no Sol da Caparica, eu e a minha Carolina, princesa da minha vida, aos 13 anos, juntos aos 30 000 em X e ela, desiludida (repito, aos 13!), "pai, eles não tocaram a Maria", já ela, também, percebi, vinda do Maputo-Bruxelas, X.

 

Um postal destes num blog sportinguista, sobre clubes (e futebol)? Porque o Zé Pedro era do Benfica. Como o Kalu (seu companheiro, amigo, mano, camarada), diz, era do Porto, ele fez-se do Benfica, para o picar. Há muitos anos escrevi uma coisa sobre isso. Porque, de facto, os clubes são para isto, o clubismo é para isto. Só para isto, para nos picarmos fazendo-nos manos. E é por isso, até por isto, até por este só isto, mero futebol, que o Zé Pedro é o Homem do Leme. E mal vai quem não o percebe. E não o sente. Ao X.

 

 

A canelada no Danilo

AvesPortoDR1.jpg

No Aves-Porto, mesmo no fim, houve uma canelada no Danilo. Seria penalti (aka, grande penalidade). Ok. A gente até assobia para o lado, primeiro porque nos chegamos ao malvado ao Porto; em segundo, porque o malvado Porto de Pinto da Costa (desde os tempos do Pedroto até aos tempos sei lá de quem) fartou-se de ser beneficiado, décadas de insuportável roubalheira, e não merece qualquer simpatia. Dito isto, houve ali um penalti (aka, grande penalidade) que talvez desse golo (se descontarmos a angústia do marcador antes do penalti [aka, grande penalidade]), vitória do Porto e os tais pontitos que tanto jeito nos deu recuperar .

De facto a canelada não existiu. Eu não vi o jogo mas vi na internet imagens esclarecedoras, aconteceu uma jogada simples e uma reacção exagerada dos portistas, o tradicional choradinho, a ver se pega (durante o jogo) e, depois, as reclamações para ver se há recompensa em jogos futuros (os do Porto e os dos rivais). 

Mas, de verdadeiro facto, a falta existiu. As imagens que correram, transmitidas pela página oficial do Benfica, foram falseadas. Como se comprova nesta nota da TV Correio da Manhã. Ou seja, a página do Benfica distribui uma notícia que assenta na manipulação de imagens. Não é publicidade do Benfica, não é festividade do Benfica, uma qualquer iniciativa interna que apelasse à imaginação e criatividade dos seus empregados ou contratados. É uma peça que se insere na política de comunicação do clube. Assente na manipulação de imagens, na falsificação. O Benfica é uma empresa (os clubes andam todos ufanos porque são "cotados na bolsa", como se isso lhes significasse qualquer honorabilidade). E é também uma instituição de utilidade pública, o que lhe concede benefícios e reconhece prestígio. 

Imaginemos que se tratava de um caso similar noutro ramo de actividade. Uma grande empresa de comércio alimentar, de serviços médicos, de produção agrícola, etc., a divulgar (muito provavelmente a produzir) através dos seus departamentos de comunicação empresarial imagens manipuladas, falsificando dados sobre a sua concorrência. Seria um sururu. Mas como é "bola" o Estado (que concede o estatuto de utilidade pública) e o "mercado" (que se simboliza na bolsa) estão-se nas tintas para este aldrabismo empresarial/institucional. E a sociedade encolhe os ombros. Quanto muito os mais analíticos dirão o que é (ou deveria ser) óbvio - que o Benfica está a tentar descredibilizar ao máximo a tecnologia do Video-Árbitro, contra a qual tanto se insurgiram os seus avençados, funcionários e simpatizantes, temendo a redução do um qualquer favorecimento a que sempre aspiram.

Mas, de mais do que verdadeiro facto, isto é muito mais grave do que isso. A FPF, que vai sob tutela estatal, o Ministério que a tutela, bem como as gentes do mercado, assobiam para o lado (bem mais do que nós diante do penalti que não foi marcado). A rapaziada (e raparigada, que agora também conta) simpatizante apoia. É só "bola", vale tudo. E assim se faz esse tudo valer em tudo o mais.

A Bola

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Resultados em Directo

Portugal - Primeira Liga

26 novembro

16:00 Maritimo Estoril

18:00 Pacos Ferreira Sporting Lisbon

 

O sítio do jornal "A Bola" tem uma secção "Resultados em Directo". O Sporting é identificado assim. A mediocridade de Vítor Serpa e da sua equipa é repugnante. Não vale a pena dizer mais ...

Jorge Jesus

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Na sequência de dois excelentes jogos, feitos sob verdadeira maestria táctica e capacidade física, com a Juventus, uma "velha senhora" renascida das cinzas, com duas finais da Liga dos Campeões nos últimos 3 anos e seis scudettos seguidos, intercalados com boa prestação no campeonato português, o Sporting recebe o Braga, o quarto clube português, este ano com bom treinador - o ex-leão Abel - e um belo e alargado plantel. O Sporting joga relativamente bem, apesar da robustez e agilidade do adversário, cria algumas hipóteses de golo, negadas pelo bom guarda-redes adversário e, também, por algum desajuste na finalização. Um bom jogo de campeonato, ríspido, com alguma superioridade do 3º classificado do ano passado sobre o 4º classificado do ano passado - certo é que ambos as equipas apresentam vários jogadores novos em relação ao campeonato anterior, e o Sporting nisso mostra algumas das boas contratações conseguidas (lateral-direito, central, trinco, interior esquerdo, médio "volante", e até o ponta-de-lança suplente), mas não é ilegítimo lembrar a recente correlação de forças.

 

Perto do final do jogo o Braga recupera da desvantagem que o Sporting merecidamente obtivera. Tivera uma nítida melhoria com as substituições feitas, face a uma adversário apoucado por duas substituições forçadas. Marca um golo de penalti, justo, e um outro em belo chuto sortudo, com desvio num defesa sportinguista. Ainda se empata, num penalti obtido devido a extremo de entrega de um jogador sempre acusado de falta de empenho e rapidez. No final o segundo Sporting empata com o quarto Braga 2-2. E segue em segundo lugar a quatro pontos do muito competente Porto deste ano, resultado de 8 vitórias e 3 empates até agora. 

 

O que dizem alguns feixes da bancada e dos sofás? Com Jesus nunca lá iremos, isto está uma desgraça, etc. e tal. Os resmungos e rumores da chicotada psicológica já se vão ouvindo, ainda em surdina. Eu sei que isto é futebol. Mas, caramba, é preciso vê-lo assim?

 

Repito-me, Este Ano É Que É! E com este JJ. Deixem-se de resmunguices.

 

Sporting da Ilha de Moçambique

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A Ilha de Moçambique foi considerada há cerca de 25 anos cidade património cultural pela UNESCO. Está, como em vários momentos da sua história, muito arruinada, ainda que venha recebendo alguma reabilitação. Na sua zona nobre existe a ruína da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique. Não é um edifício classificado, e a sua recuperação nunca teria grandes custos. Visitei a Ilha inúmeras vezes, quase 30, desde os anos 1990s. Sobre este assunto escrevi para Alvalade, bloguei, resmunguei, ironizei - nunca tive qualquer eco. E tão simbólico seria dinamizar um pequeno apoio para que o edifício viesse a ser recuperado, e utilizado pelo clube, filial do nosso Sporting Clube de Portugal. Os custos não seriam grandes, o bonito que seria ter a sede de um clube leonino - que continuou a funcionar nas zonas "populares", o chamado "macuti", casas de bloco ou pau-e-pique - no centro de uma cidade património mundial, a olhar o Índico. Ainda para mais onde desde há uma década o estado português estabeleceu um dos seus pólos de cooperação, o que teria facilitado alguma pequena intervenção. 

 

Agora voltei à Ilha, à qual não ia desde 2012. O edifício está mais arruinado. E dos vários símbolos antes existentes já só este sobrevive. É um requiem pelo Sporting Clube da Ilha de Moçambique? Talvez nem tanto. Mas é o fim de uma oportunidade bonita do sportinguismo. Pois há sempre quem prefira discutir a bola na barra num qualquer jogo dos sub-não-sei-quantos.

Requiem pelo fotojornalismo desportivo?

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Talvez por alguns dos meus grandes amigos serem fotógrafos. Talvez por um deles ser mesmo um fotorepórter desportivo, actividade que desempenhou durante anos … talvez por isso mesmo me surpreenda, e angustie, isto. Sim, a gente sabe que a profissão fotógrafo capotou nos últimos anos – as milhares de milhões de pobres “imagens” avassalaram as algumas Fotografias que os oficiais do ofício sabiam manufacturar.

No campo do futebol, nos campos de futebol, idem. É ver os espectadores, em vez de seguirem o jogo, distraídos com os seus telefones a “filmarem” e “fotografarem” o jogo, produzindo um patético lixo cuja única inocência é não ocupar espaço físico.

Enfim, vem isto a propósito do Sporting-Juventus de anteontem. Aos 69 minutos, vindo lá do canto da baliza, Rui Patrício fez uma defesa extraordinária – não exactamente espectacular mas absolutamente extraordinária, no que mostrou de capacidade técnica de controlo do seu espaço próprio, a baliza e a pequena-área. Fica-me, aos meus 53 anos, como aquela defesa do meu ídolo de sempre, Vítor Damas, no estádio de Wembley ao serviço da selecção nacional.

Procuro no google uma fotografia dessa defesa, várias buscas. Nada encontro a não ser esta imagem televisiva. É possível que alguma haja, mas não a encontrando facilmente, com as tecnologias digitais de agora, mostra bem que a reportagem fotográfica está desmoralizada.

E sigo, no tom do envelhecido, com as saudades dos tempos dos António Capela e Nuno Ferrari. Esses que, com outra tecnologia, teriam arrancado, e imortalizado, este voo de Rui Patrício. E assim teriam inundado capas e primeiras páginas de jornais de papel.

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  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D