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És a nossa Fé!

O melhor da jornada

Grande jornada do lexicólogo Jorge de Sousa, portista de gema. Na sexta ajudou a roubar ao Vitória de Setúbal um golo de bola dois palmos dentro da baliza, em benefício de um jogo de sofás da capital do móvel. No Domingo, alto lá que o Rio Ave saía da casca e foi preciso mandar um dos centrais para o balneário mais cedo. Sempre na brecha.

William ou Geraldes a guarda-redes?

Escrever rascunhos de porta aberta é um bocado disparatado. É dar trela a toda essa gente que sabendo contar pelos dedos o número de jogadores por linha já se acha esperto, mesmo que nem no "Football manager" consiga ser campeão Europeu. O dasafio com o Mónaco, onde as peças estavam no lugar, até nem correu mal, mesmo que seja precipitado embandeirar em arco; os outros, é evidente que têm servido para teste, às vezes apenas à inteligência posicional dos jogadores em situações que lhes são estranhas. Só lamento que Jesus não tenha posto o Wlliam Carvalho à baliza só pelo gozo que daria ouvir o banzé - pois haverá quem duvide ser Francisco Geraldes muito melhor do que ele como guarda-redes?

É favor aguardar

Quis ser fotografado a ler o "Ensaio sobre a cegueira" no banco? É esperto, o rapaz; pelo menos sabe fazer alusões. Há quem diga que o outro ao lado dele na foto estava a ouvir Mozart.

Se bem me lembro, a última vez que houve um entusiasmo assim tão esperançoso por um jogador foi com Chicabala. Ou no ano passado, os lampiões com Carrillo.

O que tem Geraldes para dar além das "coisas bonitas, coisas bonitas" que já fez? Wait and see, como diria o outro que não era cego.

Última hora! Tudo sobre!

A verdade é que nem Napachacha Sellevava, pelo Rubin Kazan, nem Artur Baptista da Silva, pelo Sporting, negaram a existência de negociações - essa é que é essa...

Todavia, louvado nos meus conhecimentos sobre os meandros da bola e na credibilidade das minhas fontes, ambos nada inferiores ou menos desabonados que as dos papagueadores futeboleiros da TV, estou em condições de assegurar que o Ruiz em causa é o Bryan e não o Alan. Continuemos, pois, a dar a merecida atenção aos orgãos (o intestino grosso é um orgão...) de comunicação social "desportivos."

À vista de todos

Este joguito de fim-de-festa com o México acabou por dar azo a curiosas ilações.

Nele apresentou-se em todo o seu esplendor a nata dos selecionados lampiónicos e o resultado foi exemplar. O magyar Pizzi (na imortal frase de Ribeiro Cristóvão) substitui André Gomes sem que se notasse a diferença, o que não é curriculum mas cadastro. 

Já Nelson Semedo fez toda a diferença em relação a Cedric. Foi ele que ofereceu o golo ao México e no fim exibiu cândido espanto quando lerpou o segundo amarelo ao chutar a cara de um adversário. Para compensar, o seu colega de equipa Jimenez, que no caso alinhava com as cores mexicanas, também foi para a rua exactamente pelos mesmos motivos. Um hábito de impunidade é difícil de alterar, está bem de ver.

A outra molécula lampiónica foi Eliseu, habitual esfregador de bancos, elevado a titular graças ao horror da natureza ao vazio, cujo melhor feito foi marcar um livre a jardas do travessão para aplauso sincero de Fernando Santos e gáudio dos comentadores.

Até uma criança - desde que não infectada pelo sectarismo púrpura - verificou que Danilo e André Silva, pelo Porto, Patrício, Adrien, William e Gelson, pelo Sporting, (e, do lado mexicano, Herrera e Layun) estão a anos luz da fancaria lampiónica, cujo valor de mercado tende a ser residual, por mais "mendices" que se artimanhem.

Logo, a pergunta que ressalta com este jogo é: como pode ganhar campeonatos uma equipa cujas melhores jóias são estes pechisbeques?  Pelo que se viu, no campo não foi, portanto, ficou à vista que outros agentes hão-de ter mostrado a sua influência.

O vazio e o nada

O futebol é um jogo desmedidamente complexo, com insondáveis dificuldades metafísicas. Por isso só um espírito catedrático e de apurada sofisticação conceptual alcançará as subtilíssimas razões que levaram o abstracto André Gomes a permanecer em campo 115', todas elas, como é obvio, incompreensíveis à mente dos gentios que hesitam entre achá-lo uma inutilidade ou um trambolho.  Quem sabe se um dia se comprenderá o que faz ele na vida.  

Messi quer vir para o Sporting

Todas as alturas são boas para não ler aquilo que se chamam de "jornais desportivos" (nem são jornalísticos, nem falam de desporto...), mas esta altura é ainda melhor. Começou a "silly season" com "notícias" plantadas pelos "empresários" - são aspas a mais mas isto é tudo o "newspeak" de "1984" em que uma palavra significa o seu contrário.

Só para esclarecer de uma vez por todas como se fabricam "notícias":

O "Record" intitula com "Benfica e Sporting atentos a jovem promessa do Santos" uma peça que começa assim: "Benfica e Sporting, através dos seus intermediários no Brasil, já terão sondado os representantes de Guilherme Nunes..." Tradução: os olheiros de ambos os clubes no Brasil fizeram uma ou duas perguntas ao agente do moço, que é para isso que estão avençados. A fonte desta sensacional revelação é o site a.tribuna.com.br. Vamos lá ver o que diz. Sob o título: "Promessa desperta interesse de três times da Europa" a tónica da "notícia" é posta na atenção despertada no Olympique de Marselha acerca da qual, é dito a dado passo: "O estafe do atleta está ciente do desejo desta equipe do Velho Continente."

"Estafe" né? Se calhar diz-se "istafi" no sotaque santista - ou seja o agente do moço. Pronto, ateou-se a bicha de rabiar e os pategos foram atrás. Também, coitados, é preciso encher chouriços. Vai ser assim durante os próximos meses.

Acordem-me, por favor, só quando começar a pré-temporada.

 

PS - Ainda em tempo: "A Bola" [quadrada?] também dá a notícia, podia lá pssar ao lado de tão tremenda caixa... Grande técncia jornalística: picar o que vem em sites. ***bocejo***

Para memória futura

Apraz registar quão memorável foi o desafio de Sábado passado entre o Sporting e o Rio Ave: terá sido a primeira vez desde há muito, e decerto nesta temporada, que o Sporting ganhou jogando mal. Este sucesso é uma banalidade noutras paragens, e geralmente lisonjeado como prova de estoicismo, de notável compostura defensiva ou mesmo de predestinação, e não raras vezes devedora da argúcia dos árbitros em descortinar penalties ou em calibrar o rumo do jogo com a expulsãozita de um adversário mais afoito, mesmo que não rebente com o joelho de Adrien. A nós raríssimas vezes tem calhado tal sorte e a última vez que exibimos o confrangedor futebol de Sábado o Braga puniu-nos com o desfecho adequado. O dito árbitro, valha a verdade, também se irritou muito com a injustiça que via no placard e no último quarto de hora tudo fez para repor a moral do jogo, bufando vigorosamente cada vez que uma das avezinhas tombava e mostrando amarelos se gemesse na queda. Mas nem assim – o futebol é uma caixinha de surpresas, como diria o outro.

O profeta da desgraça

Houve Pirlo, claro, cujo apogeu viu-se no dia 24 de Junho de 2012. No desafio entre a Itália e a Inglaterra, Pirlo jogando como dizem que Manolete lidava as feras, quase sem mexer os pés, executou 146 passes, dos quais 80% (117) foram bem entregues. Nessa tarde mágica, a inteligência de Pirlo, que era a de estar sempre no lugar certo no instante exacto, metamorfoseou-se numa espécie de presciência sobrenatural, que consistia em vê-lo atrair a si os percursos da bola, devolvendo-a depois ao jogo, ao futebol, ao universo, em perfeito estado de mansidão e domínio. É provável que nas próximas décadas nunca mais se volte a ver prodígio igual. Isto para dizer que àqueles que se limitam a serem apenas excelentes jogadores e não semi-deuses do futebol, como Adrien Silva, arcar com a posição 8 exige muito suor, ânimo e discernimento. Porque sobre as suas qualidades naturais ele mostra estas aptidões, Adrien é uma peça insubstituível no Sporting. Alarmante é que saíndo Adrien entra Elias. Ora aqui está um que tem uma habilidade especialíssima: a de conseguir ser o buraco negro simétrico da estrela Pirlo. Por malas-artes e não menos má-fé, em qualquer momento do jogo Elias consegue posicionar-se criteriosamente longe do percurso da bola. Durante a segunda parte com o Feirense, na atmosfera de naufrágio que se começou a respirar, quedei-me fascinado, como o passarinho pela cobra, pelo serpenteio de Elias no estreito perímetro em que se acoita. Com a deliberada persistência de um coveiro ele vai descarnando uma clareira no meio do campo e, sempre a esbracejar com toda a gente, desorientando os parceiros, que não sabem o que fazer nem como vencer tamanho vazio. Elias não é passivo, pelo contrário, de mansinho, mostra-se como um Iago, activamente aplicado em destruir o jogo do Sporting. Já me garantiram que ainda por cima lhe pagam como a qualquer outro jogador.

Coisas e loisas

O primeiro golo do desafio é o retrato da época: não se marcam penalties na Luz à equipa da casa. Se houvesse dúvidas, a cena repetiu-se na segunda parte.
Quanto ao Sporting, tanto este como o outro golo do adversário têm a assinatura de Zeegelaar. O melhor presente de Natal que poderíamos receber era que este bandalho nunca mais envergasse a camisola do Sporting.
Bem estiveram os adeptos locais a fazerem do relvado um caixote do lixo. É a sua índole.

Um mouro no castelo

Um amigo vimaranense convidou-me a ir lá acima ver o Sporting. Já sabia que no D. Afonso Henriques se passavam coisas singulares, mas não estava preparado para o que assisti. Não me surpreendeu a bancada nascente à cunha de arreganhados adeptos locais, ao arrepio do lastimável espectáculo televisivo proporcionados pelas bancadas nascentes de todos os outros clubes que não são “grandes”.

Durante 70’ sentei-me hirto e calado como a estátua da Mumadona, no meio dos sócios vitorianos, um pouco estranhado com a crescente inquietação mais do que resignação, à medida que o Sporting marcava e falhava golos óbvios, e até com a voz atrás de mim que se queixou de Gelson: “este [substantivo interjectivo regional] é um Messi, [substantivo interjectivo regional]!” O ambiente era de compostura e persistência, como quem aguarda um milagre sem cepticismo.

O terceiro golo do Sporting foi um frango por depenar, mas da bancada só se exclamaram uns resmungos, não mais pungentes do que o habitual linguajar nortenho. O meu amigo informou-me que aquele mal-estar deve-se ao facto de Douglas, o titular, não ser muito apreciado, já que o suplente é um miúdo de 21 anos natural da cidade e das escolas do clube que brilhou no fim da época passada, além de ter o hábito de cantar com as claques do Vitória.

Tranquilo com o resultado e o relógio, distraí-me com devaneios antropológicos: como reagiria esta mole ansiosa se o Vitória marcasse um golo? William Carvalho fez o favor de desencadear a experiência. Do penalti em diante soaram incessantemente as trompetas de Jericó e a voltagem gerada na bancada electrizou os rapazes de branco, até então muito amorfos. Desde que me lembro que vou ao futebol, mas nunca me fora dado ver uma bancada marcar dois golos por intermédio dos jogadores.

Claro que o meu espírito positivista encontra explicação menos mística para o que me foi dado ver: Pedro Martins percebeu onde o Sporting era mole e com um par de substituições abriu uma cratera no nosso meio-campo. O problema tem nome, mas como é tão impronunciável como o do demónio, temo estar a ver a obra do diabo por todo o lado.

No tempo dos mitos - Júlio Fernandes

Concentrado e de poucas palavras todos o tratávamos por Sr. Júlio. Com Pedro de Almeida (que só voltaria de Angola depois do 25 de Abril), Manuel de Oliveira, Valentim Baptista e Lídia Faria eram pouco menos que semi-deuses entre nós, uns chavalitos.

Isto numa era mesosóica, anterior ao Fosbury flop.

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Um pequeno drama que afinal foi épico

O momento crucial do Sporting X FCP de ontem acabou por acontecer cerca dos 20’ da 3ª parte, já estávamos nós nas bifanas.
Antes assistíramos a dois episódios decisivos, em tudo contrários à tradição troiana do Sporting em que um qualquer cavalo de pau traz desagradáveis surpresas na barriga.
Nos primeiros 20’ viu-se Danilo a comer Ruiz com arroz, André André a entupir Adrien e o FCP a marcar um golo contra a nossa defesa de palas nos olhos, encadeado pelo sol. Um ou dois ajustes de fine tunning de Jesus e passámos a mandar no jogo.
Nos 15’ iniciais da 2ª parte o Sporting reduziu o meio campo do Porto a um bando de canários (que lindo amarelo traziam eles vestido, em vez do habitual padrão de barracas de praia); entra então em cena o canoro Tiago Martins, apitando faltas, faltinhas e faltolas, cada vez que os nossos recuperavam uma bola, até virar a corrente do jogo.
Em face destes dois contratempos deu-se um fenómeno extraordinária em Alvalade: a equipa recompôs-se com maturidade, tino e segurança e nunca nas bancadas estivemos com o coração nas mãos como era nossa antiga sina. Todos tinham a cabeça no lugar, todos sabiam o seu lugar no campo e até o hamletiano Zeegalaar, que hesita e procrastina cada vez que lhe calha a bola nos pés, dava mostrar de saber o que fazer. Os jogadores do Sporting ressudavam tranquilidade, determinados em serem campeões como se o final do campeonato fosse já amanhã.
Só na conferência de imprensa Jorge Jesus revelou a verdadeira provação que a equipa viveu durante a semana: sempre debaixo de fogo do mercado de transferências com cada um dos jogadores alvo dos agentes-snipers; um ambiente de deixar as cabeças à roda, os nervos em franja e descontrolar o ânimo do mais austero.
Os piadéticos que peroram sobre as “vicissitudes do jogo” e especulam sobre o que deveria ter acontecido depois de tudo ter acabado, já sabíamos que eram tolos graças ao aforismo: “os diletantes discutem táctica, os profissionais falam de logística.” Também já se sabia que o futebol tem a forma de um iceberg: o que se vê no jogo resulta da enorme massa de treino escondida dos olhares.
Por isso as declarações de Jesus converteram esta simpática vitória num épico insuspeito.

Assim foi temperado o aço

Sem disfarçar com os tafetás destas ocasiões que ofendem a verdade e diminuem a memória: Mário Moniz Pereira era frio, duro e ambicioso. E foi assim que conseguiu industriar uns rapazes de aldeia a serem campeões - e dar-lhes uma vida que na infância nem em sonhos...
Venha quem faça melhor.

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