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És a nossa Fé!

Já podemos falar do tal árbitro mal criado?

Curioso que jornaleiros e comentadeiros sempre prontos a repetir o eco não tenham sabido bem o que fazer no caso do árbitro que falou com o jogador como se fosse um pateta. Claro que o azar do árbitro foi ter os microfones da Sport Tv ali apontados, mas quero lá saber. Não se fala assim com ninguém em lado nenhum. Nem os pais com os filhos, nem os guardas prisionais com os detidos, nem os pastores com as ovelhas, quanto mais um árbitro com jogadores profissionais. O árbitro provou não saber estar. Demonstrou que só sabe exercer autoridade ameaçando. Abusou da autoridade. Intimidou. Foi um fraco. É sempre assim? Pior ainda! Substituam-se estes ditadorzecos de meia tigela que enchem os bolsos com as suas insígnias FIFA, UEFA e mais não sei quê, que agora pelos vistos são contratados pela media para dizerem banalidades ou exportados para a Grécia. Melhor fariam os jornais e os programas se fizessem um top semanal de quanto andam a receber os árbitros pelos jogos, incluindo (oh sim, incluindo…) ajudas de custos, alcavalas e quilómetros e senhas de refeição…
Esta muito portuguesa tendência para amochar até se perceber para onde sopra o vento, esta cobardia da maioria, este talento invulgar para assobiar para o ar até que passe o mau cheiro é um defeito terrível e infelizmente estruturante deste país. É o que o árbitro está à espera, em vez de pedir desculpas públicas e garantir que vai rever o seu procedimento. E o chefe dos árbitros? Que espera para anunciar que vai dar formação em liderança aos homens e mulheres do apito? Não basta os olhos fechados às negociatas e às transferências, agora também temos de fechar os olhos ao que se passou, fingindo que este árbitro continua digno de andar a ganhar muito dinheiro às custas dos clubes, dos adeptos e patrocinadores?

A renatosanchização do futebolista lusitano, versão pre época 2017

A renatosanchização do futebolista lusitano

Leio na imprensa desportiva que o treinador do Milan comparou André Silva a Van Basten. Hoje vejo um vídeo com os melhores momentos de André Silva no jogo de ontem (entrou aos 71’). Não marcou golo, não assistiu. Leio que o Juve vai buscar Cancelo para o lugar de Dani Alves. Que Mourinho quer André Gomes. Que há 100 clubes atrás de Renato Sanches, alguns dos quais em planetas fora do sistema solar. Que a Juve quer William. Que o Tottenham quer Adrien. Que o PSG pode chegar aos 30 milhões por Patrício.
Mas os nossos jornalistas dos desportivos são doidos? Não seria mais honesto, com os leitores, jogadores, agentes, dirigentes, escrever preto no branco que a) por mais talento que tenha, o jogador português jovem não tem pedal imediato para ligas mais fortes ponto final e b) com excepção de Ronaldo ou Pepe, os outros lusitanos fora da pátria – por melhores que sejam como Bernardo Silva é - não são jogadores de primeira linha nas suas equipas? O exemplo do pobre Renato Sanches, um jogador que é excitante, mas que tem zero cultura táctica e pouca maturidade, e que no ano passado nos jornais mais parecia a reencarnação do filho que Maradona e Pelé nunca tiveram, não chegou? 

Quando mais se entranha, mais se estranha

Inacreditáveis as declarações do presidente do Benfica, a tomar toda a gente por parvos, a começar pelos adeptos e sócios do clube. Desconhece que existam claques?! Ou que o estádio tenha sido interdito. Digam-me outro clube que tenha sido tetra campeão e que tenha passado uma pré-época sem um único jogo no seu estádio. Repito: a equipa que domina o futebol português não joga no seu estádio perante os seus adeptos porquê? O mais incrível é perceber-se que ninguém parece ter-se dado conta ou ter-se incomodado, do simples adepto ao sócio, passando pelo imigrante, ou claro pelos estagiários, repórteres, colunáveis, colunistas e demais figurões. A ideia com se fica é que para Vieira o que interessa são outras coisas, que me escuso a nomear. Para Vieira e para os benfiquistas.

Aos vossos lugares

Acredito que venha a ser um campeonato terrível. Pela primeira vez em muito tempo, diria que os três grandes têm 33,3% de favoritismo. Só que este é o primeiro campeonato com vídeo-árbitro e ao mesmo tempo uma sede imensa por parte de alguns canais de toda a polémica e mais alguma (pelo simples facto de essa polémica ter retorno em audiências).
De uma coisa tenho a certeza, seja quem vença em Maio, os outros não lhe reconhecerão mérito por isto ou por aquilo.
O Benfica parece mais fraco, em especial porque vendeu o extraordinário Ederson. O Porto mais forte, porque o efeito Conceição é visível e pode ter o efeito de voltar a criar aquela alquimia do “à Porto” que lhes valeu em muitos momentos nas décadas passadas. Sobretudo, digo eu, o Porto tem laterais muito fortes, o que num campeonato de jogo de ataque em 90% dos jogos como o português é vital.
No nosso caso, acredito que Podence, se tiver uma pontinhazinha muito pequenina de sorte, se pode transformar na coqueluche. Aquela sua rapidez de execução ainda não é completamente entendida pelos colegas e há muitas bolas tipo passe de olhos fechados que se perdem. Ou então, caro Daniel, esquece isso do último passe e foca-te na baliza. Em paralelo, Gelson precisa de ser libertado do estatuto de estrela da equipa. Tem futebol para tal, mas não me parece ter feitio para isso, o que está a prejudicar a sua decisão no último passe, só camuflada por colinho geral dos adeptos e da imprensa. O nosso gigante Bas Dost é mesmo um holandês, sem estados de alma e vai metendo-a lá dentro. Acuña é reforço e finalmente temos um sul-americano que come a relva e não é obcecado por fintinhas e adornos. Gosto de Bruno Sampdoria, mas acredito renderá ainda mais quando se aperceber da especificidade do futebol lusitano. Doumbia vai meter mais de dez golos e algo me diz que Gelson Dala terá mais minutos do que pensava. Iuri é homem para nos resolver jogos mas para chegar ao patamar em que o deixam em paz para ele fazer as coisas à sua maneira, também precisa de sorte e (talvez) de pedalar mais nos treinos. Para já o seu objectivo número um deve ser não ser emprestado em Dezembro. Espero que Coentrão segure o corredor e que do outro lado se passe a mesma coisa e consigamos evoluir para lá do drama Jefferson/Marvin/Esgaio/Schelotto, tudo rapazes fantásticos, mas sem potência para uma equipa que pretende ser campeã.
É pena William ir embora. Vê-lo a passear classe como central contra a Fiorentina, a jogar com aquele ar enganador de quem está de férias, foi um regalo.  

Bruno, sempre o Bruno...

Um dos aspectos que me parece evidente nesta história dos e-mails entre dirigentes do SLB e malta ligada à arbitragem é que mais uma vez o maluco, o doido, o espalha brasas Bruno de Carvalho estava a ver bem o filme. Que filme era esse? Que a liga lusitana estava longe de jogar apenas na relva.
Há mais de quatro anos que na imprensa (sobretudo na desportiva) que BdC é visto como uma espécie de cromo que um destes dias acabará a trabalhar numa loja de fotocópias de um centro comercial e mesmo assim…
Em simultâneo, os elogios a Vieira, à “obra”, a Vieira, às gravatas de Rui Costa, a Vieira, ao pavimento da sala de massagens do Seixal ou ao modo como se cortam as unhas à águia abundam. O Benfica ganha no futebol e parece que sai um decreto de lei que obriga à vassalagem. Isto porque ao mesmo tempo temos de dançar ao som dos ensurdecedores assobios para ar sobre a contratação de cerca de aproximadamente 676 jogadores ao Nacional ou a Rio Ave, de terceiros guarda-redes que valem 10 milhões, de jogadores que tinham problemas nos dentes mas que agora já valem 15 milhões, de jogadores que iam ser vendidos por 890 milhões mas que afinal não. Por outro lado e pensando bem, que é a dívida do próprio ao BES ou a dívida do Benfica comparado com a intenção de inaugurar um Museu de Arte Contemporânea e uma plataforma para lançar naves a Marte no Seixal?

Apita, apita


Já o escrevi variadíssimas vezes: o problema do nosso futebol é a arbitragem e em especial os que orbitam em redor. Mais do que estarem do lado do “nosso” clube e destacarem escutas ou mails, o que Record, Jogo, Bola e demais jornais deveriam fazer era publicar um top semanal, mensal e depois anual de quanto dinheiro ganham os árbitros a cada época.
Inclua-se o fee por jogo, mais as despesas, mais os quilómetros, mais o fee por jogo europeu, mais despesas de deslocação. Depois comparem com os vossos rendimentos e abram a boca de espanto. Já agora, adorava saber se são rendimentos tributados em IRS e a que taxa…
E podiam incluir uma lista dos árbitros, ex-árbitros, observadores etc cujos filhos aspiram a ser árbitros e por isso tiram cursos e alguns até andam a apitar jogos da 897ª divisão da associação da Raspa de Limão...  
Duvido que o vídeo-árbitro mude alguma coisa, porque o vídeo-árbitro só atende lances capitais. A faltinha a meio-campo, o amarelo aos dez minutos, o ataque interrompido por fora de jogo mal assinalado, a falta atacante a eito, a expulsão do técnico, tudo isso vai prosseguir para servir os interesses da malta do apito. Malta essa para quem é irrelevante saber se quem manda hoje é azul, encarnado ou verde, desde que eles (do apito) saibam a cor certa na era certa. 

O ano que vem

 

Na próxima época, Sporting e Porto estarão unidos num objectivo importante: impedir que o Benfica seja penta. A questão é meramente simbólica mas sabemos como essas são sempre as mais importantes. Para o Porto o desafio é maior e mais grave, o que poderá funcionar como motivação na medida em que cada jogo (do campeonato) poderá ser jogado como uma final. No Sporting, acredito, estaremos mais concentrados em ser campeão. 

O vídeo árbitro (VD) será o principal destaque da próxima Liga dê lá por onde der. A polémica vai ser imensa, com os programas das televisões a terem aqui um novo inimigo porque, como se calcula, o VD é bom quando beneficia a nossa equipa e mau quando nos falha.
Acredito que seja sobretudo o Benfica o clube a ser mais condicionado pelo VD. O segredo dos últimos títulos (pelos menos dos últimos dois) está (também) na generosidade arbitral para com a raça de Luisão, Fejsa e Samaris em campo. Agora que sabem que podem ser expulsos por vídeo talvez estes jogadores se resguardem. É também por este motivo que acredito que o Porto deveria vender Maxi e o Sporting Adrien. Da mesma forma que o VD actuará em penalties, gostaria que fosse activado em simulações dos mesmos, embora não sei se isso está previsto. Interessante notar que um treinador como JJ, adepto de futebol atacante, positivo e organizado possa beneficiar do VD e um treinador mais invernoso, resultadista e focado na batalha do meio campo como Rui Vitória possa ser prejudicado. O Porto terá de ter em atenção este “novo” futebol na formação do plantel e na aquisição de novos jogadores.

O futebol é muito diferente e espectacular hoje em dia (quando comparado com quando eu era garoto, há uns 30/35 anos) por dois motivos: a lei do fora de jogo permitir que a jogada seja legal quando o avançado está em linha e os guarda-redes não poder jogar com as mãos se a bola lhe é passada pelo defesa. Acredito que o VD venha a ter impacto similar.

Keep calm and deixem lá o JJ em paz.



Só quem nunca liderou equipas pode achar que isto é como nos desenhos animados em que há um tipo que manda e TODOS os outros baixam as orelhas e que basta estalar os dedos para tudo correr às mil maravilhas. O único problema do Sporting – e, desde há quatro anos, do Porto – é não ganhar o campeonato. Tudo o resto é acessório. A importância de saber se Castaignos é bom ou mau, se Hermes joga ou se Depoitre é barrete depende de se ganhar ou não. E só pode ganhar um por ano. E aqui não há árabes e chineses a descarregar camiões de dinheiro para reforçar as equipas.
As críticas a JJ são estranhas. Por exemplo, no ano passado fizemos a melhor pontuação desde que há campeonato em Portugal. Venderam-se Slimani e João Mário por valores absurdos. Portugal até foi campeão da Europa com quatro jogadores do SCP a serem decisivos.
Este ano a coisa não correu bem no princípio, mas poderia ter corrido melhor se todos tivessem tido mais tino. Era preciso ter atirado a toalha ao chão na primeira volta? E aqui incluo o presidente, o treinador E QUASE TODOS OS ADEPTOS, porque se calhar dava para ficar em segundo, a avaliar pelos empates que o Porto vem acumulando.  
Ou seja, calma lá com treinador novo que este está em curva de aprendizagem. Vencer em organizações, sejam clubes, restaurantes ou associações de remo não é magia nem feitiçaria. É preciso trabalho, talento, recurso e empenho, mas também é preciso permitir que o erro possa existir para ser diagnosticado e corrigido. E é preciso que os concorrentes o permitam. Se bem se lembram, e infelizmente, não temos sido assim tantas vezes campeões.  

O modo não sei quê.

O Sporting tinha a oportunidade de ganhar mais dois pontos a cada rival. Para quê? Porque é melhor estar ou ficar a 8 do que a 10, porque o Sporting nunca desiste de tentar ser campeão, porque o Sporting joga sempre para ganhar e porque até pode ser que dê para ficar em segundo ou (matematicamente) em primeiro. Enfim coisas que pelos vistos não têm importância nenhuma a avaliar pela segunda parte de ontem.
Porque o que se viu foi um jogo marcado para uma hora esquisita (aquele por-do-sol naquele sítio deve ser assim todos os anos por esta altura, fica a dica para o ano que vem), com JJ aos berros o tempo todo e uma equipa em modo não sei quê.
Este modo "não sei quê" é o principal problema do Sporting desde há décadas. É o modo "pronto este ano já não vamos lá", o modo "eh pá nunca mais acaba a época", o modo "não temos hipótese", o modo "já não tenho pernas para isso". Este modo está entre o bloqueio mental, a preguiça, a falta de atitude ou simplesmente a incapacidade. E neste modo, os jogos ganham-se, empatam-se ou perdem-se, numa espécie de filosofia Lili Caneças de encarar a vida que, como se sabe, defende que é bom estar vivo porque isso significa não se estar morto. 
Não fosse Podence ser rato nos últimos minutos, fazendo o Arouca perder tempo a fazer faltas e talvez desse empate numa daquelas carambolas típicas de últimos minutos.
A pergunta que os sportinguistas que trabalham no departamento de futebol, de presidente a jogadores, passando pelo Securitas da porta, é se esse empate teria sido justo ou injusto. 

ver o jogo sem estar a ver o jogo

Por boas razões ontem não deu para ver o clássico. 
Mas deu para ir vendo no Live Score e no Twitter. 
E para ir testemunhando o nervoso dos benfiquistas em meu redor. 
Apesar de racionalmente ser-lhes favorável que o Porto perdesse, pareciam gostar de cada vez que o Sporting sofria um golo, numa mistura de nervoso miudinho, odiozinho de sempre ao SCP e (sobretudo) alívio por verem que o Sporting não ficava mais perto deles nem que fosse por algumas horas. 

O desamparo aprendido

Desamparo aprendido (ou Learned helplessness ) é uma teoria da psicologia comportamental desenvolvida por Martin Seligman. Em traço grosso é uma tentativa de postular cientificamente aquilo que podemos designar por “eh pá por mais que tente, não vale a pena”. Ou seja, perante novas situações adversas o individuo não acredita que venha a ser capaz de as superar, porque em situação passadas a coisa correu mal. O exemplo do estudante que tem tido más notas e não acredita que valha a pena estudar ou esforçar-se porque jamais conseguirá subir a média é um exemplo de Desamparo Aprendido.
É aqui que o Sporting é fraco. O Sporting, perante perdas de pontos impostas pela arbitragem, não acredita que venha a ser capaz de vencer o próximo jogo porque os jogadores acham (inconscientemente) que por mais que corram e batalhem, lá virá um amarelo cirúrgico, lá virá um fora de jogo mal tirado, lá vira um golo anulado.
Os dirigentes, do presidente ao assessor, ficam frustrados porque sabem que nada podem fazer a não ser manifestar a sua frustração ruidosamente. Em Portugal está criada uma religião assente no dogma “só os maus perdedores se queixam da arbitragem” que obviamente faz incidir esses holofotes do “mau perdedor” naqueles que se queixam. A coisa é tão ridícula que mesmo que os fundamentos da queixa sejam evidentes, o problema está na queixa e o “culpado” é o queixoso, não aquele ou aqueles que a motivaram.
Se os profissionais do Sporting – do presidente ao segurança do parque do estacionamento – acreditarem que se pode quebrar o ciclo do Desamparo Aprendido, ou seja que mesmo sendo roubados podem ganhar o jogo seguinte, as coisas ficam mais fáceis, como aliás se viu na época passada.  
JJ tem razão quando vê a origem da crise na arbitragem do jogo com o Benfica. Mas o resto é muito fruto disto, do Learned helplessness.


P.s. Já agora, e antes do fim da época,
pode ser que algum jornalista lhe venha a perguntar pelo psi brasileiro que veio com ele do Benfica e se foi embora este ano.

o índice Gonçalo Guedes

Ainda que ache que o Sporting (e Porto) não tenham tido a mesma compreensão arbitral que o Benfica, ou seja o pender a decisão em caso de dúvida, é importante ver as coisas como elas aparentam ser. 
E Gonçalo Guedes é um bom ponto de referência. O jogador do Benfica, que provavelmente não é o mais talentoso do campeonato, tem sido de uma entrega, disponibilidade e capacidade física que merece bem a nossa atenção. E elogio. Ou bem que há poção mágica no Seixal (e não, não estou a insinuar ilegalidades), ou bem que se trabalha melhor a parte física no Benfica. Eu gostava de saber porque não vejo Gelson ou qualquer outro dos nossos extremos/avançados com a pujança física de GG.
A sucessão de lesões no Benfica indicia qualquer coisa e essa coisa (não sei, não sou especialista) pode ser um grau de exigência que outros clubes (sem tantas lesões) não têm tido. Pode ser muita coisa, mas pode ser porque se carrega mais no físico. 
Apesar de o Benfica ser claramente mais fraco como equipa e até se encolher quando joga com adversários do seu nível (Napoles, Sporting ou Porto), onde interessa (nos mil e um jogos pequenos) é mais eficaz que os outros. O índice Gonçalo Guedes mereceria uma melhor análise por parte de quem percebe disto. 

p.s. Já agora, o facto de alguém se queixar de qualquer coisa (como das arbitragens, mas podia ser do BES, da qualidade do Frango Assado no Pingo Doce de Telheiras ou do vento) não implica que seja um queixinhas. Pode dar-se o caso de ter razão. 

O homem com mais sorte do mundo?

 

 

Será Rui Vitória o homem mais sortudo do mundo? Talvez, mas talvez não seja apenas isso.
Há qualquer coisa no treinador do Benfica de desconcertante. Tem um aspecto entre o simpático e o indiferente, é pouco activo no banco, desinteressante nas conferências de imprensa e nas entrevistas, insosso nas opções e a sua equipa espelha isso mesmo. Desde o ano passado, e a seguir ao choque das primeiras jornadas, que o Benfica joga um futebol feijão frade com atum. Chato, indefinido, maçudo mas de uma eficácia terrível porque no fim lá chega o golo, ou os golos. É como se nos pusessem o feijão frade com atum à frente e por acaso até nos apetecesse comer aquilo.
Sempre que Vitória tenta ir além daquilo que sabe, sempre que “inventa”, dá-se mal. O que podemos dizer é que tem a esperteza de retroceder muito rapidamente, numa conduta defensiva e pouco audaz, mas que é recompensada por vitórias atrás de vitórias atrás de vitórias, com golos fabulosos, golos que é só empurrar, golos que resultam de lances estranhos, golos caídos do céu, auto-golos e golos-golos.
Definir o futebol do Benfica, tri-campeão e principal favorito ao título, é complicado e trabalhoso. Acho que essa é uma das partes que pica JJ, essa falta de afirmação e hubris no modelo, que (para ele JJ) são tão essenciais quanto as vitórias.
Mas Rui Vitória tem algo mais que creio lhe é dado por um agudo sentimento de sobrevivência. Enquanto JJ não tem medo de nada e até tem gosto na vertigem, RV deixa-se estar sossegadinho no seu canto porque sabe que à mínima será posto a andar. Por isso roda guarda-redes (sabe que a administração precisa de vender Ederson ou até Júlio César); por isso aposta em Horta, Nélson, Guedes, José Gomes (porque sabe que Vieira está apaixonado pelo Seixal), por isso vai dando chances a Carrilho (porque sabe que para Vieira o Sporting não se pode ficar a rir), por isso faz avançar Luisão (porque sabe que os fogos se começam a combater com prevenção). RV também já percebeu que o Benfica é um clube grande e influente e que haverá muita decisão de arbitragem dúbia que pingará para o seu lado. Acho que também é por isso que arrisca pouco, como acho que esse é um dos factores que JJ ainda não incorporou, esse de que o espectro Benfica assombra mais a malta de apito que o espectrozinho Sporting.
Vejo aqui muita inteligência emocional no treinador do Benfica, um homem que do meu ponto de vista faz e fez mais pelo clube do que se calhar os adeptos, ocupados a odiar JJ, julgam.
Rui Vitória tem beneficiado de um Porto desorientado (mas que mesmo assim lhe ganhou em casa) e de um Sporting tão excitado tão excitado que atrai para si todo o tipo de atenções, esquecendo-se o próprio Sporting que está longe de ter mesmas as armas do Benfica.  
Mais do que sortudo, RV parece-se ser o mais sensato e ladino homem no futebol português actual. E isso é meritório.

a nossa champions

Nunca tive muita paciência para a fase de grupos da Champions. Ou se é tubarão e a passagem acaba por estar quase garantida, ou tudo pode acontecer. E não tenho paciência, porque há um fingimento geral em relação a isso.
Vejamos. Distracções, penalties duvidosos, livres directos, bolas na trave, jogadores inspirados que fazem a exibição de uma vida, tudo entra em campo nesta altura e acaba por nivelar a coisa, mais do que se suponha, entre não tubarões. Neste sentido, as equipas portuguesas (não sendo tubarões), precisam de sorte e de a saber procurar. Desde logo no sorteio, em seguida na ordenação das jornadas e na sua ligação à jornada doméstica e à forma e adaptação dos reforços. Com tudo isto no tabuleiro, pronto para ir ao forno, irritam-me os comentadores, adeptos e teóricos que acham que se pode concluir muita coisa acerca da equipa. Porque todos fingem que a Champions é importante na vida dos clubes portugueses, como fingem que as equipas dos nossos grupos são do melhor que há. Não é, como JJ já disse várias vezes e não são. O Besiktas por exemplo é uma péssima equipa, como é o Légia, ou o Brugge. O Leicester nada tem a ver com o Real ou o Dortmund e mesmo o Napoles está a dois mil quilómetros de ser um colosso.
No fim do dia, o que interessa mesmo é ganhar a liga nacional e ir para o Marquês (ou avenida dos Aliados). Todos o sabem, do segurança que está na cancela da Academia ao presidente, mas todos alinham nesta coisa mais ou menos parola de que os clubes portugueses têm pergaminhos na Champions. Não têm. O que acontece é que em alguns anos têm mais sorte que outros e vão passando a fase de grupos até serem comidos por um tubarão. É ir ver o sorteio do Porto que ganhou a  final do Mónaco e aquela sorte do golo do Costinha em Manchester ter sido validado.
Para que me percebam melhor, o apuramento é fundamental por causa da massa e da visibilidade que dá aos atletas (para os vender), os pontos são precisos pela massa extra, mas a partir de determinada altura é cerrar os dentes e acender velinhas para não levar uma coça que fará os adeptos dos outros clubes gozarem com o nosso. É pensar pequeno? Eu chamo-lhe damage control e gestão das expectativas, porque muito do nosso futebol se joga fora de campo. Ou no campo, sem ter a ver com o jogo em si. Rui Vitória deixa André Horta a titular (e tira Sálvio) e faz subir Carrillo porque a ideia é mostrá-los no mercado. Adrian Lopez joga porque pode ser que faça um golo que lhe suba a cotação. É também isto a nossa Champions.
Eu acho que não estou sozinho neste encarar de Champions como algo exógeno aos objectivos da época. Acho que se nota nos nossos jogadores (dos três grandes). Pressente-se que eles sabem que não terão nenhuma hipótese de vencer aquela competição e se entregam à sorte do jogo. Se marcarem primeiro, tanto melhor. Se não o empate serve. A derrota? Se não for por muitos, também está bem… Viu-se no pós-jogo de Madrid, mas também no pós-Besiktas, um conjunto de bons rapazes muito bem pagos, mas que de equipa e sistema de jogo nada têm. Se o Real é de facto bom, embora só tenha jogado minimamente nos últimos 10 minutos, pintarem o Besiktas como grande equipa já é gozar. Mesmo o Leicester, enfim…
Curiosamente Gelson ou Gonçalo Guedes (como Renato o ano passado) pareceram ter outra atitude, mais esfomeada. A ver vamos…

8 coisas sobre o jogo de ontem mais ou menos evidentes

 
Acosta, Liedson, Slimani. São muitas épocas a jogar com um ponta de lança carraça para os defesas; com Jardel pelo meio a fazer de excepção. Épocas para quem? Para nós, os adeptos que ontem não vimos nada disso.

Com justiça, JJ avisou que os novos jogadores não eram nem Slimani nem João Mário. De outro modo, seria Dost, ou André, ou Markovic no Inter ou no Leicester.

O que se passou ontem dá razão a JJ em não ter deixado que Adrien saísse. Imaginem que ele nem estava em campo…

Os golos do Rio Ave foram bem desenhados - mas a sorte esteve do lado deles. Não se marcam 3 golos de rajada sem fortuna. Isto não desvirtua o mérito, apenas para notar que aquela do André (ainda com 0-0) também podia ter dado golo. E sim, claro, também sei que se a vossa avó tivesse rodas seria táxi e também sei que o SCP já ganhou com sorte.
Para concluir – neste ponto – que é altamente duvidoso que RA volte a marcar três em tão pouco tempo e que o SCP os volte a sofrer.

 

Percebeu-se logo que iria ser um jogo terrível para nós. Rio Ave jogou bem e mereceu ganhar. Bem Capucho na leitura do jogo e melhor ainda os jogadores a interpretá-la. Pelo semblante de JJ ainda na primeira parte percebeu-se que nem ele “acarditava”. 


JJ é um personagem que anima o nosso futebol, suscita boas capas de jornais e animados debates. Gosto dele como sempre gostei. Como gosto de outros protagonistas com cromices. Qual é o problema de ele se achar o melhor? Para mim não há problema nenhum e mesmo que fiquemos em terceiro ou quarto, ainda bem que está connosco!

Claro que Campbell e André foram dois jogadores a menos no primeiro tempo, sobretudo porque não pressionaram alto ou altíssimo como queiram. Bruno César, cá para mim, foi vítima de circunstâncias.

Benfica, como já escrevi, é campeão e favorito. Os seus jogadores são menos ansiosos e têm mais experiência. Nota-se aliás o inverso no Porto. É a vida.

Questões laterais

 

Li um dia que o último lugar para onde qualquer aspirante a jogador quer ir parar é a uma das laterais da defesa. Levam com os extremos Ferrari do outro lado, são culpados de colocar avançados em jogo, ganham menos que os outros, correm que se fartam, muitas vezes o colega da frente não os ajuda, marcam poucos ou nenhuns golos e se são rápidos, são obrigados a ficar na linha de meio campo quando a sua equipa está em ataque num canto.  
A verdade é que se nota. No futebol mundial em quase todas as equipas o lateral é o pior jogador e, em muitos casos, quem lá está até era outra coisa até ser adaptado a lateral.
Não há grandes laterais no nosso futebol, mas do que vou percebendo não sei se não será de investir forte e feio nessas aquisições, ou até arranjar olheiros e técnicos especializados numa posição com enorme influência no jogo, a defender ou a atacar.
Moral da história, Jesus é tudo menos doido em querer comprar – porque quer acertar - sempre mais um lateral.

Os árbitros também vêem programas de bola.

 


Que os nossos árbitros, observadores e dirigentes são permeáveis à pressão todos sabemos. Aliás considero que o principal primeiro mérito de Bruno de Carvalho foi ter percebido que a casa, qualquer que fosse, se tinha de começar a construir por aí, pela paridade do tratamento por parte dos árbitros. E conseguiu-o. Ninguém é campeão com a arbitragem a decidir contra nós em caso de dúvida. Formação, trutas no mercado, adeptos a encher o estádio não será suficiente se tivermos um árbitro que nos marca offsides, dá amarelos a eito e anula golos só porque tem medo do que lhe vão dizer os “observadores”.
É da vida que os mais fortes são mais favorecidos em processos conscientes e subconscientes por parte dos decisores. Basta ver como o BES construiu um império apoiado em nada nas barbas de reguladores e políticos. Prova que o SCP é considerado mais forte é estarmos a ter arbitragens que decidem a nosso favor em caso de dúvida. É claro que o Sporting teve quatro jogos até agora onde foi superior. Mas não tenho dúvida que noutros tempos os golos contra o Porto não teriam sido validados, nem este primeiro contra o Moreirense. Os lances são limpos e respeitam o espírito não escrito do “em caso de dúvida favoreça-se quem ataca”, mas são suficientemente rápidos para serem ambíguos, logo para que árbitros que cheirem a fraqueza do clube os pudessem ter anulado.
Tenho memória de épocas atrás de épocas de equipas fortes de verde e branco, que foram derrotadas por estes imponderáveis arbitrais que foram comendo pontinho atrás de pontinho, até que ficávamos a seis ou sete ao fim da primeira volta, com toda a desmotivação que isso implicou. Jornalistas e comentadores concluem logo que a época tinha sido mal preparada e mais não sei o quê, mas queria vê-los a ganhar a guerra das tiragens ou das audiências se houvesse um gremlin que domingo a domingo lhes sabotasse a gráfica ou desligasse os cabos da emissão “sem querer” – e vissem em simultâneo que nada disso acontecia aos seus concorrentes.
Por vezes fazemos tudo bem, mas somos vergados pelo factor exógeno, seja a ambiguidade da arbitragem, seja um aumento de impostos, seja um congelamento de rendas, o que for. Repetir que ganha o campeonato quem é mais forte etc é bordão que dá jeito mas que me dá alguma vontade de rir. Porque só ganha o campeonato quem é mais forte no campo e é ao mesmo tempo respeitado em campo pela arbitragem. Ou, vá lá, não prejudicado em caso de dúvida. Cautela com o excesso de ruído a propósito dos nossos putativos ‘benefícios’, muita cautela. Pelo tom nos programas de futebol sentado é evidente que os representantes de SLB e FCP consideram o SCP o alvo a abater. Não menosprezar esta retórica é da mais elementar cautela. Os árbitros também vêem programas de bola.

Agora que o mercado fechou

Tem alguma graça a exigência que já está a ser colocada no SCP, depois do fecho do mercado lhe ter dado quase unanimemente o troféu de campeão (do mercado). Tem graça porque a equipa perdeu dois elementos nucleares que têm o peso específico de cada um, o peso atribuível no equilíbrio da dinâmica colectiva e ainda – talvez mais importante – aquele factor xis que os jogadores que valem milhões têm e que os distinguem. Para quem não se lembra, o SCP demorou anos a libertar-se do fantasma de Liedson - que era tão especial que condicionou a equipa a um tipo de jogo que se revelou tão terrivelmente ineficaz sem ele que até ficámos em sétimo num dos anos seguintes.
Slimani era o primeiro trinco da equipa e João Mário, muitas das vezes até era o segundo (porque Teo não estava para isso e porque Bryan é outro tipo de pressão, mais macia). Quem voltar a ver os jogos da nossa selecção no Euro, em especial os quartos, meias e final, verá um João Mário de arte invisível mas de uma utilidade e maturidade táctica invulgares. O Sporting ganhou em Paços também porque Slimani, mesmo com a cabeça nas nuvens da liga inglesa, ganhou aquela bola gasta que haveria de servir para dar o golo a Adrien.
Slimani é um avançado rijo, combativo, com gosto de golo e de glória, ambicioso e determinado e com o pulmão de um toiro. Como diria JJ, ninguém veio dar uma trintena de milhões pelos que agora o SCP cá tem, pois não?
Dizer que o SCP é ‘obrigado’ a ganhar o título e ‘obrigado’ a bater-se de igual para igual com Real e Dortmund é um daqueles saltos lógicos próprios de uma mentalidade oito-ou-oitentista.
Aceitemos que o plantel do SCP é forte e potencialmente muito forte, mas no Benfica quase todos os jogadores foram campeões várias vezes e muitos deles são obviamente muito bons. Numa liga de ataque sistematizado como a nossa (em 95% dos jogos) não há ninguém como Jonas para a meter lá dentro, aparecendo vindo sabe-se lá de onde.
É nos joguitos cansativos, de sábado de chuva, no lusco-fusco, em campos onde há corneteiros, que os jogadores de milhões se têm de motivar e lutar para ganhar a adversários chatos que dão tudo por tudo. Não estou por dentro do processo de manutenção de uma equipa de futebol de topo, mas intuo que não deve ser nada fácil extrair rendimento total de um artista e de uma equipa numa sexta à hora de jantar na Choupana ou no Bessa, que sabe que na quarta vai jogar com o Dortmund. O desafio será esse. E não há muito tempo. Para ilustrar o meu ponto, no ano passado, a loucura saudável de Renato Sanches nesses jogos, a levar a equipa às costas, foi essencial para o Benfica ganhar esses joguinhos e o título. 
RS era alguém que não se poupava e foi esse o sortilégio do Benfica. Se Rui Vitória resolver o problema depressa, o Benfica será o principal candidato, acredito. 
Porquanto, dizer que o SCP tem obrigação de ganhar o campeonato é uma tolice. Tem a obrigação de fazer um grande campeonato, como o Benfica tem e o Porto terá ligeiramente menos. No fim ganhará apenas um, para acabar de forma óbvia, mas é jogo a jogo que a história se escreverá, para terminar de maneira ainda mais óbvia.

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