05 Fev 17
ver o jogo sem estar a ver o jogo
Pedro Boucherie Mendes

Por boas razões ontem não deu para ver o clássico. 
Mas deu para ir vendo no Live Score e no Twitter. 
E para ir testemunhando o nervoso dos benfiquistas em meu redor. 
Apesar de racionalmente ser-lhes favorável que o Porto perdesse, pareciam gostar de cada vez que o Sporting sofria um golo, numa mistura de nervoso miudinho, odiozinho de sempre ao SCP e (sobretudo) alívio por verem que o Sporting não ficava mais perto deles nem que fosse por algumas horas. 


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23 Jan 17
O desamparo aprendido
Pedro Boucherie Mendes

Desamparo aprendido (ou Learned helplessness ) é uma teoria da psicologia comportamental desenvolvida por Martin Seligman. Em traço grosso é uma tentativa de postular cientificamente aquilo que podemos designar por “eh pá por mais que tente, não vale a pena”. Ou seja, perante novas situações adversas o individuo não acredita que venha a ser capaz de as superar, porque em situação passadas a coisa correu mal. O exemplo do estudante que tem tido más notas e não acredita que valha a pena estudar ou esforçar-se porque jamais conseguirá subir a média é um exemplo de Desamparo Aprendido.
É aqui que o Sporting é fraco. O Sporting, perante perdas de pontos impostas pela arbitragem, não acredita que venha a ser capaz de vencer o próximo jogo porque os jogadores acham (inconscientemente) que por mais que corram e batalhem, lá virá um amarelo cirúrgico, lá virá um fora de jogo mal tirado, lá vira um golo anulado.
Os dirigentes, do presidente ao assessor, ficam frustrados porque sabem que nada podem fazer a não ser manifestar a sua frustração ruidosamente. Em Portugal está criada uma religião assente no dogma “só os maus perdedores se queixam da arbitragem” que obviamente faz incidir esses holofotes do “mau perdedor” naqueles que se queixam. A coisa é tão ridícula que mesmo que os fundamentos da queixa sejam evidentes, o problema está na queixa e o “culpado” é o queixoso, não aquele ou aqueles que a motivaram.
Se os profissionais do Sporting – do presidente ao segurança do parque do estacionamento – acreditarem que se pode quebrar o ciclo do Desamparo Aprendido, ou seja que mesmo sendo roubados podem ganhar o jogo seguinte, as coisas ficam mais fáceis, como aliás se viu na época passada.  
JJ tem razão quando vê a origem da crise na arbitragem do jogo com o Benfica. Mas o resto é muito fruto disto, do Learned helplessness.


P.s. Já agora, e antes do fim da época,
pode ser que algum jornalista lhe venha a perguntar pelo psi brasileiro que veio com ele do Benfica e se foi embora este ano.


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20 Dez 16
o índice Gonçalo Guedes
Pedro Boucherie Mendes

Ainda que ache que o Sporting (e Porto) não tenham tido a mesma compreensão arbitral que o Benfica, ou seja o pender a decisão em caso de dúvida, é importante ver as coisas como elas aparentam ser. 
E Gonçalo Guedes é um bom ponto de referência. O jogador do Benfica, que provavelmente não é o mais talentoso do campeonato, tem sido de uma entrega, disponibilidade e capacidade física que merece bem a nossa atenção. E elogio. Ou bem que há poção mágica no Seixal (e não, não estou a insinuar ilegalidades), ou bem que se trabalha melhor a parte física no Benfica. Eu gostava de saber porque não vejo Gelson ou qualquer outro dos nossos extremos/avançados com a pujança física de GG.
A sucessão de lesões no Benfica indicia qualquer coisa e essa coisa (não sei, não sou especialista) pode ser um grau de exigência que outros clubes (sem tantas lesões) não têm tido. Pode ser muita coisa, mas pode ser porque se carrega mais no físico. 
Apesar de o Benfica ser claramente mais fraco como equipa e até se encolher quando joga com adversários do seu nível (Napoles, Sporting ou Porto), onde interessa (nos mil e um jogos pequenos) é mais eficaz que os outros. O índice Gonçalo Guedes mereceria uma melhor análise por parte de quem percebe disto. 

p.s. Já agora, o facto de alguém se queixar de qualquer coisa (como das arbitragens, mas podia ser do BES, da qualidade do Frango Assado no Pingo Doce de Telheiras ou do vento) não implica que seja um queixinhas. Pode dar-se o caso de ter razão. 


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23 Out 16
Perguntas da bancada
Pedro Boucherie Mendes

Caro JJ,

 

Não dá para meter o Semedo a defesa direito e o Douglas a emparelhar com o Coates?

 

Caros consócios,

 

Vinha Deus nosso senhor à Terra e perguntava-vos: querem trocar JJ por algum outro treinador da nossa Liga? Digam e será feito.

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03 Out 16
O homem com mais sorte do mundo?
Pedro Boucherie Mendes

 

 

Será Rui Vitória o homem mais sortudo do mundo? Talvez, mas talvez não seja apenas isso.
Há qualquer coisa no treinador do Benfica de desconcertante. Tem um aspecto entre o simpático e o indiferente, é pouco activo no banco, desinteressante nas conferências de imprensa e nas entrevistas, insosso nas opções e a sua equipa espelha isso mesmo. Desde o ano passado, e a seguir ao choque das primeiras jornadas, que o Benfica joga um futebol feijão frade com atum. Chato, indefinido, maçudo mas de uma eficácia terrível porque no fim lá chega o golo, ou os golos. É como se nos pusessem o feijão frade com atum à frente e por acaso até nos apetecesse comer aquilo.
Sempre que Vitória tenta ir além daquilo que sabe, sempre que “inventa”, dá-se mal. O que podemos dizer é que tem a esperteza de retroceder muito rapidamente, numa conduta defensiva e pouco audaz, mas que é recompensada por vitórias atrás de vitórias atrás de vitórias, com golos fabulosos, golos que é só empurrar, golos que resultam de lances estranhos, golos caídos do céu, auto-golos e golos-golos.
Definir o futebol do Benfica, tri-campeão e principal favorito ao título, é complicado e trabalhoso. Acho que essa é uma das partes que pica JJ, essa falta de afirmação e hubris no modelo, que (para ele JJ) são tão essenciais quanto as vitórias.
Mas Rui Vitória tem algo mais que creio lhe é dado por um agudo sentimento de sobrevivência. Enquanto JJ não tem medo de nada e até tem gosto na vertigem, RV deixa-se estar sossegadinho no seu canto porque sabe que à mínima será posto a andar. Por isso roda guarda-redes (sabe que a administração precisa de vender Ederson ou até Júlio César); por isso aposta em Horta, Nélson, Guedes, José Gomes (porque sabe que Vieira está apaixonado pelo Seixal), por isso vai dando chances a Carrilho (porque sabe que para Vieira o Sporting não se pode ficar a rir), por isso faz avançar Luisão (porque sabe que os fogos se começam a combater com prevenção). RV também já percebeu que o Benfica é um clube grande e influente e que haverá muita decisão de arbitragem dúbia que pingará para o seu lado. Acho que também é por isso que arrisca pouco, como acho que esse é um dos factores que JJ ainda não incorporou, esse de que o espectro Benfica assombra mais a malta de apito que o espectrozinho Sporting.
Vejo aqui muita inteligência emocional no treinador do Benfica, um homem que do meu ponto de vista faz e fez mais pelo clube do que se calhar os adeptos, ocupados a odiar JJ, julgam.
Rui Vitória tem beneficiado de um Porto desorientado (mas que mesmo assim lhe ganhou em casa) e de um Sporting tão excitado tão excitado que atrai para si todo o tipo de atenções, esquecendo-se o próprio Sporting que está longe de ter mesmas as armas do Benfica.  
Mais do que sortudo, RV parece-se ser o mais sensato e ladino homem no futebol português actual. E isso é meritório.


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29 Set 16
a nossa champions
Pedro Boucherie Mendes

Nunca tive muita paciência para a fase de grupos da Champions. Ou se é tubarão e a passagem acaba por estar quase garantida, ou tudo pode acontecer. E não tenho paciência, porque há um fingimento geral em relação a isso.
Vejamos. Distracções, penalties duvidosos, livres directos, bolas na trave, jogadores inspirados que fazem a exibição de uma vida, tudo entra em campo nesta altura e acaba por nivelar a coisa, mais do que se suponha, entre não tubarões. Neste sentido, as equipas portuguesas (não sendo tubarões), precisam de sorte e de a saber procurar. Desde logo no sorteio, em seguida na ordenação das jornadas e na sua ligação à jornada doméstica e à forma e adaptação dos reforços. Com tudo isto no tabuleiro, pronto para ir ao forno, irritam-me os comentadores, adeptos e teóricos que acham que se pode concluir muita coisa acerca da equipa. Porque todos fingem que a Champions é importante na vida dos clubes portugueses, como fingem que as equipas dos nossos grupos são do melhor que há. Não é, como JJ já disse várias vezes e não são. O Besiktas por exemplo é uma péssima equipa, como é o Légia, ou o Brugge. O Leicester nada tem a ver com o Real ou o Dortmund e mesmo o Napoles está a dois mil quilómetros de ser um colosso.
No fim do dia, o que interessa mesmo é ganhar a liga nacional e ir para o Marquês (ou avenida dos Aliados). Todos o sabem, do segurança que está na cancela da Academia ao presidente, mas todos alinham nesta coisa mais ou menos parola de que os clubes portugueses têm pergaminhos na Champions. Não têm. O que acontece é que em alguns anos têm mais sorte que outros e vão passando a fase de grupos até serem comidos por um tubarão. É ir ver o sorteio do Porto que ganhou a  final do Mónaco e aquela sorte do golo do Costinha em Manchester ter sido validado.
Para que me percebam melhor, o apuramento é fundamental por causa da massa e da visibilidade que dá aos atletas (para os vender), os pontos são precisos pela massa extra, mas a partir de determinada altura é cerrar os dentes e acender velinhas para não levar uma coça que fará os adeptos dos outros clubes gozarem com o nosso. É pensar pequeno? Eu chamo-lhe damage control e gestão das expectativas, porque muito do nosso futebol se joga fora de campo. Ou no campo, sem ter a ver com o jogo em si. Rui Vitória deixa André Horta a titular (e tira Sálvio) e faz subir Carrillo porque a ideia é mostrá-los no mercado. Adrian Lopez joga porque pode ser que faça um golo que lhe suba a cotação. É também isto a nossa Champions.
Eu acho que não estou sozinho neste encarar de Champions como algo exógeno aos objectivos da época. Acho que se nota nos nossos jogadores (dos três grandes). Pressente-se que eles sabem que não terão nenhuma hipótese de vencer aquela competição e se entregam à sorte do jogo. Se marcarem primeiro, tanto melhor. Se não o empate serve. A derrota? Se não for por muitos, também está bem… Viu-se no pós-jogo de Madrid, mas também no pós-Besiktas, um conjunto de bons rapazes muito bem pagos, mas que de equipa e sistema de jogo nada têm. Se o Real é de facto bom, embora só tenha jogado minimamente nos últimos 10 minutos, pintarem o Besiktas como grande equipa já é gozar. Mesmo o Leicester, enfim…
Curiosamente Gelson ou Gonçalo Guedes (como Renato o ano passado) pareceram ter outra atitude, mais esfomeada. A ver vamos…

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19 Set 16

 
Acosta, Liedson, Slimani. São muitas épocas a jogar com um ponta de lança carraça para os defesas; com Jardel pelo meio a fazer de excepção. Épocas para quem? Para nós, os adeptos que ontem não vimos nada disso.

Com justiça, JJ avisou que os novos jogadores não eram nem Slimani nem João Mário. De outro modo, seria Dost, ou André, ou Markovic no Inter ou no Leicester.

O que se passou ontem dá razão a JJ em não ter deixado que Adrien saísse. Imaginem que ele nem estava em campo…

Os golos do Rio Ave foram bem desenhados - mas a sorte esteve do lado deles. Não se marcam 3 golos de rajada sem fortuna. Isto não desvirtua o mérito, apenas para notar que aquela do André (ainda com 0-0) também podia ter dado golo. E sim, claro, também sei que se a vossa avó tivesse rodas seria táxi e também sei que o SCP já ganhou com sorte.
Para concluir – neste ponto – que é altamente duvidoso que RA volte a marcar três em tão pouco tempo e que o SCP os volte a sofrer.

 

Percebeu-se logo que iria ser um jogo terrível para nós. Rio Ave jogou bem e mereceu ganhar. Bem Capucho na leitura do jogo e melhor ainda os jogadores a interpretá-la. Pelo semblante de JJ ainda na primeira parte percebeu-se que nem ele “acarditava”. 


JJ é um personagem que anima o nosso futebol, suscita boas capas de jornais e animados debates. Gosto dele como sempre gostei. Como gosto de outros protagonistas com cromices. Qual é o problema de ele se achar o melhor? Para mim não há problema nenhum e mesmo que fiquemos em terceiro ou quarto, ainda bem que está connosco!

Claro que Campbell e André foram dois jogadores a menos no primeiro tempo, sobretudo porque não pressionaram alto ou altíssimo como queiram. Bruno César, cá para mim, foi vítima de circunstâncias.

Benfica, como já escrevi, é campeão e favorito. Os seus jogadores são menos ansiosos e têm mais experiência. Nota-se aliás o inverso no Porto. É a vida.

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15 Set 16
Questões laterais
Pedro Boucherie Mendes

 

Li um dia que o último lugar para onde qualquer aspirante a jogador quer ir parar é a uma das laterais da defesa. Levam com os extremos Ferrari do outro lado, são culpados de colocar avançados em jogo, ganham menos que os outros, correm que se fartam, muitas vezes o colega da frente não os ajuda, marcam poucos ou nenhuns golos e se são rápidos, são obrigados a ficar na linha de meio campo quando a sua equipa está em ataque num canto.  
A verdade é que se nota. No futebol mundial em quase todas as equipas o lateral é o pior jogador e, em muitos casos, quem lá está até era outra coisa até ser adaptado a lateral.
Não há grandes laterais no nosso futebol, mas do que vou percebendo não sei se não será de investir forte e feio nessas aquisições, ou até arranjar olheiros e técnicos especializados numa posição com enorme influência no jogo, a defender ou a atacar.
Moral da história, Jesus é tudo menos doido em querer comprar – porque quer acertar - sempre mais um lateral.

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13 Set 16

 


Que os nossos árbitros, observadores e dirigentes são permeáveis à pressão todos sabemos. Aliás considero que o principal primeiro mérito de Bruno de Carvalho foi ter percebido que a casa, qualquer que fosse, se tinha de começar a construir por aí, pela paridade do tratamento por parte dos árbitros. E conseguiu-o. Ninguém é campeão com a arbitragem a decidir contra nós em caso de dúvida. Formação, trutas no mercado, adeptos a encher o estádio não será suficiente se tivermos um árbitro que nos marca offsides, dá amarelos a eito e anula golos só porque tem medo do que lhe vão dizer os “observadores”.
É da vida que os mais fortes são mais favorecidos em processos conscientes e subconscientes por parte dos decisores. Basta ver como o BES construiu um império apoiado em nada nas barbas de reguladores e políticos. Prova que o SCP é considerado mais forte é estarmos a ter arbitragens que decidem a nosso favor em caso de dúvida. É claro que o Sporting teve quatro jogos até agora onde foi superior. Mas não tenho dúvida que noutros tempos os golos contra o Porto não teriam sido validados, nem este primeiro contra o Moreirense. Os lances são limpos e respeitam o espírito não escrito do “em caso de dúvida favoreça-se quem ataca”, mas são suficientemente rápidos para serem ambíguos, logo para que árbitros que cheirem a fraqueza do clube os pudessem ter anulado.
Tenho memória de épocas atrás de épocas de equipas fortes de verde e branco, que foram derrotadas por estes imponderáveis arbitrais que foram comendo pontinho atrás de pontinho, até que ficávamos a seis ou sete ao fim da primeira volta, com toda a desmotivação que isso implicou. Jornalistas e comentadores concluem logo que a época tinha sido mal preparada e mais não sei o quê, mas queria vê-los a ganhar a guerra das tiragens ou das audiências se houvesse um gremlin que domingo a domingo lhes sabotasse a gráfica ou desligasse os cabos da emissão “sem querer” – e vissem em simultâneo que nada disso acontecia aos seus concorrentes.
Por vezes fazemos tudo bem, mas somos vergados pelo factor exógeno, seja a ambiguidade da arbitragem, seja um aumento de impostos, seja um congelamento de rendas, o que for. Repetir que ganha o campeonato quem é mais forte etc é bordão que dá jeito mas que me dá alguma vontade de rir. Porque só ganha o campeonato quem é mais forte no campo e é ao mesmo tempo respeitado em campo pela arbitragem. Ou, vá lá, não prejudicado em caso de dúvida. Cautela com o excesso de ruído a propósito dos nossos putativos ‘benefícios’, muita cautela. Pelo tom nos programas de futebol sentado é evidente que os representantes de SLB e FCP consideram o SCP o alvo a abater. Não menosprezar esta retórica é da mais elementar cautela. Os árbitros também vêem programas de bola.

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01 Set 16
Agora que o mercado fechou
Pedro Boucherie Mendes

Tem alguma graça a exigência que já está a ser colocada no SCP, depois do fecho do mercado lhe ter dado quase unanimemente o troféu de campeão (do mercado). Tem graça porque a equipa perdeu dois elementos nucleares que têm o peso específico de cada um, o peso atribuível no equilíbrio da dinâmica colectiva e ainda – talvez mais importante – aquele factor xis que os jogadores que valem milhões têm e que os distinguem. Para quem não se lembra, o SCP demorou anos a libertar-se do fantasma de Liedson - que era tão especial que condicionou a equipa a um tipo de jogo que se revelou tão terrivelmente ineficaz sem ele que até ficámos em sétimo num dos anos seguintes.
Slimani era o primeiro trinco da equipa e João Mário, muitas das vezes até era o segundo (porque Teo não estava para isso e porque Bryan é outro tipo de pressão, mais macia). Quem voltar a ver os jogos da nossa selecção no Euro, em especial os quartos, meias e final, verá um João Mário de arte invisível mas de uma utilidade e maturidade táctica invulgares. O Sporting ganhou em Paços também porque Slimani, mesmo com a cabeça nas nuvens da liga inglesa, ganhou aquela bola gasta que haveria de servir para dar o golo a Adrien.
Slimani é um avançado rijo, combativo, com gosto de golo e de glória, ambicioso e determinado e com o pulmão de um toiro. Como diria JJ, ninguém veio dar uma trintena de milhões pelos que agora o SCP cá tem, pois não?
Dizer que o SCP é ‘obrigado’ a ganhar o título e ‘obrigado’ a bater-se de igual para igual com Real e Dortmund é um daqueles saltos lógicos próprios de uma mentalidade oito-ou-oitentista.
Aceitemos que o plantel do SCP é forte e potencialmente muito forte, mas no Benfica quase todos os jogadores foram campeões várias vezes e muitos deles são obviamente muito bons. Numa liga de ataque sistematizado como a nossa (em 95% dos jogos) não há ninguém como Jonas para a meter lá dentro, aparecendo vindo sabe-se lá de onde.
É nos joguitos cansativos, de sábado de chuva, no lusco-fusco, em campos onde há corneteiros, que os jogadores de milhões se têm de motivar e lutar para ganhar a adversários chatos que dão tudo por tudo. Não estou por dentro do processo de manutenção de uma equipa de futebol de topo, mas intuo que não deve ser nada fácil extrair rendimento total de um artista e de uma equipa numa sexta à hora de jantar na Choupana ou no Bessa, que sabe que na quarta vai jogar com o Dortmund. O desafio será esse. E não há muito tempo. Para ilustrar o meu ponto, no ano passado, a loucura saudável de Renato Sanches nesses jogos, a levar a equipa às costas, foi essencial para o Benfica ganhar esses joguinhos e o título. 
RS era alguém que não se poupava e foi esse o sortilégio do Benfica. Se Rui Vitória resolver o problema depressa, o Benfica será o principal candidato, acredito. 
Porquanto, dizer que o SCP tem obrigação de ganhar o campeonato é uma tolice. Tem a obrigação de fazer um grande campeonato, como o Benfica tem e o Porto terá ligeiramente menos. No fim ganhará apenas um, para acabar de forma óbvia, mas é jogo a jogo que a história se escreverá, para terminar de maneira ainda mais óbvia.


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11 Jul 16
Chegou o tempo da justiça?
Pedro Boucherie Mendes

Não será possível falar desta conquista da selecção portuguesa sem falar do Sporting, o único clube que aposta sistematicamente na formação desde há décadas. Ontem, na final que deu o título de campeão europeu ao nosso país, foram utilizados 14 jogadores. Dez foram formados no Sporting. Não há como discordar, porque até os portugueses aceitam os factos quando são concretos. O problema é que quando alguém lembrava isto – porque não foi a primeira vez que aconteceu - vinham logo as desvalorizações, sobretudo perguntando o que tinham eles ganho de leão ao peito.
Somos excepcionais no relativismo. Peritos naquilo no sublinhar o que nos interessa. A explosão de Renato Sanches – formado no Benfica – caiu do céu aos desvalorizadores do papel do Sporting na nossa selecção desde há muito. Ajudou ao relativismo e ao insulto a todos quantos lembravam o papel do nosso Sporting nisto tudo.
Um clube que formou duas Bolas de Ouro, e que ontem até teve duas medalhas de ouro no atletismo. O clube que deu a primeira medalha de ouro nos Olímpicos.  O clube que forma guarda-redes, defesas, médios e avançados que estiverem neste triunfo inaudito, o mais importante título colectivo do desporto em Portugal desde que há competições desportivas, ou seja, desde sempre.
Dito de forma mais grossa: se Portugal se baseasse na formação dos outros clubes, se calhar nem se teria apurado. Ou os sucessivos seleccionadores são doidos ou nunca nenhum quis experimentar levar jogadores que vieram de outras academias.
Benfica e Porto têm ganho muito mais que o Sporting no futebol profissional, sem dúvida a modalidade mais importante e valorizada ao nível global. Por erros vários, próprios e não só, o Sporting não tem sido tão eficaz. Mas nós os sportinguistas temos o direito a reivindicar que se houve gerações de ouro nas selecções do nosso futebol nas últimas décadas que ontem tiveram um magnífico corolário, quase tudo se deve ao papel da formação verde e branca.
Nós temos esse direito e os outros têm esse dever de verdade, de uma vez por todas.
Parabéns à selecção. Obrigado à formação do Sporting, jogadores, técnicos, dirigentes e funcionários.


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07 Jul 16
Não há volta a dar
Pedro Boucherie Mendes

Na vida tendemos a reparar no exótico e desprezar os certinhos. Na bola, que é muito vida, é igual. Nem William, nem Adrien, nem João Mário e muito menos Patrício são exóticos, pintosos, tatuagens, cabelo ao vento, golas levantadas, meia em baixo, ligaduras coloridas nos pulsos. São jogadores de equipa, futebolistas profissionais, que, percebe-se, levam a sério o jogo, o que o treinador lhes diz. Jesus dirá umas coisas e agora, no momento, Fernando Santos dirá outras. E eles obedecem, porque aprenderam a obedecer porque é assim que se deve fazer quando está em causa um valor maior, que é o da equipa.
A estratégia – de sucesso – de Santos passa por minimizar brilho (porque brilho é muitas vezes risco) e privilegiar eficácia, seja contenção, seja no ocupar do espaço, seja no soltar a bola para o lado, seja no fechar a ala, seja na anulação das forças contrárias.
Lê-se nas notas que os desportivos dão nos dias seguintes aos jogos que há muito de adepto em quem escreve. Doze ou quinze lances discretos e eficazes perdem sempre na comparação para uma corrida desenfreada e inconsequente, de cabelo ao vento. Defesas seguras nos momentos chave, sem gritos e insultos a seguir para os colegas, são defesas óbvias, desvalorizáveis. Jogadores que erram mas que não se deixam afectar e continuam no jogo sem voltar a errar, são jogadores que erraram e pronto. Jogadores que começam a defender na grande área do adversário, impedindo-os de construir, são jogadores que tiveram uma actuação “regular”. Jogadores mágicos (como João Mário) não fazerem um único truque e assim obedecerem às instruções e deixando palco para outros, são exibições “discretas”.
Um dos méritos de Fernando Santos tem sido o anular quase por completo do exótico no jogo da nossa selecção. Mérito porque levou a equipa à final e nos recorda que na vida para ganhar é preciso primeiro não perder. E sim, até a mim me irrita, que também gosto de futebol exótico. O nosso é um futebol entre o cauteloso, o burocrático e o expectante. Por isso, os jogadores que citei, e outros obviamente, merecem mais aplauso por saberem e quererem anular alguma da sua natureza em prol do colectivo.
O adepto é adepto e pronto e até pode achar que Xis não jogou nada e que o Y é que é bom. Mas quem é profissional na observação da bola deveria, quanto a mim, explicar melhor aos seus leitores os méritos desta dinâmica em que o individual, o contrato de milhões, a manchete, a glória da espuma dos dias é secundarizada em nome do emblema que defendem. Foi isso, esse método e disciplina, que nos levou à final.
Somos todos Portugal, mas há uns, no campo, que o percebem melhor que os outros. Haverá volta a dar?


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16 Mai 16

 

1. Vitória clara do Benfica em todas as frentes.

Tudo lhes saiu bem porque fizeram por isso. Acertaram nas aquisições (Mitroglou e Jimenez), na gestão das lesões e lesionados (muito bem feita a forma como Luisão demorou uma eternidade a ser curado e como Júlio César nunca recuperou) e na maneira como cerraram fileiras.

 

2. Rui Vitória teve a intuição certa e não parou o vento com as mãos.

O Benfica queria ver jovens na primeira equipa e RV seguiu com a intenção. Percebeu que era parte de uma equipa e percebeu como era importante para o Benfica SAD ter jovens a brilhar para serem vendidos. Ou seja, não amuou, não parou o vento com as mãos. Agradecida, a deusa Fortuna deu-lhe Renato e Lindelof e ainda lhe ofereceu Ederson.

 

3. Um excelente, silencioso e anónimo trabalho no Seixal.

Creio que ainda não foi feita justiça ao que se passa pelos lados do Seixal. Os jovens do Benfica revelam índices físicos e sobretudo de competitividade muito fortes. Basta ver como os jovens que Peseiro lançou no Porto nestas últimas jornadas são muito mais macios.

 

4. Benfica soube apanhar a esteira da media contra BdC.

A comunicação do Benfica também cometeu erros (todos cometem), mas percebeu a dada altura que podia fazer o que queria porque a media e muitos opinion makers detestam o estilo de BdC e JJ.
Ou seja, muito do desgaste ao presidente do SCP e ao treinador foi feito por jornalistas e opiniadores, que não suportam ambos. E assim, por exemplo, lances como a mão de Talisca ontem dentro da área ou os três pénaltis em Guimarães contra o Benfica são analisados como “lances normais de futebol”. Já sobre a exibição do Marítimo na penúltima jornada, coisa mais normal do mundo.
Se fosse ao contrário, haveria muito mais gasolina nesta fogueira.
A vida é mesmo assim e houve aqui mérito do Benfica ao perceber este ar dos tempos.
Atenção, não digo que os jornalistas tenham sido parciais ou incompetentes, apenas humanos e reactivos.

 

5. Benfica beneficiou da passividade do Porto.

Outro factor a favor do Benfica: em momento algum teve de se desgastar a defender-se do FC Porto. Até a vitória na Luz dos Dragões foi um cometa. Dois dias depois já ninguém se lembrava.

 

6. Hiper atenção da media em relação ao Sporting.

Fosse porque fomos eliminados na Champions, porque desprezamos as outras competições, porque Bruno isto, Jesus aquilo, Teo Gutiérrez aqueloutro, a venda de Montero não sei quantas, tudo serviu para colocar o foco em Alvalade. Culpa própria? Nuns casos sim, noutros não. No entretanto, Benfica ia-se erguendo e recompondo e nem as leaks do futebol leaks, o valor astronómico por Pizzi, o problema Tarabat, a péssima carreira da equipa B ou o estilo muito próprio de Pedro Guerra alguma vez tiraram verdadeiramente o Sporting da primeira página.
A dada altura até os vouchers se viraram contra Bruno e o ridículo processo dos 15 milhões contra Jesus. Com a media e a praça pública (redes sociais, conversas de café) ocupados com o Sporting e a dinâmica com o seu presidente, o Benfica deixou-se estar sossegado, e bem.

 

7. Um excelente campeonato… de duas equipas.

Com excepção dos dois grandes Lisboa e de dois ou três jogos do Braga, a verdade é que tudo o resto ficou a milhas de distância de outros tempos. Num campeonato com grandes Guimarães ou Setúbal, com duas “equipas sensação” e um Marítimo e um Nacional de outrora, nem SCP nem Benfica teriam feito tantos pontos. Aliás, mesmo o Arouca, brilhante quinto, nunca apaixonou ninguém.

 

8. Um challenger é sempre um challenger.

A verdade é que o Benfica não fez mais que a obrigação. O campeão é sempre o principal favorito. O Challenger tenta, mas não significa que consiga. Parabéns ao Benfica, portanto, que com o seu trio de avançados e um cerrar de fileiras cá atrás, desperdiçou menos pontos.
Mas o Sporting está muitíssimo mais perto. Deve-se aos jogadores, ao treinador, aos adeptos e em especial ao homem com o ar mais infeliz de ontem, o presidente Bruno de Carvalho

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01 Mai 16
O furacão Bruno
Pedro Boucherie Mendes

Amigos meus persistem em me perguntar como é que eu posso gostar de Bruno de Carvalho. O tom é entre o supreendido e o enojado, como se me estivessem a perguntar porque é que eu insisto em defender o Isis ou coisa que o valha. Eu lá digo, sem dar grande troco, que basta olhar para a equipa e a forma como joga, os treinadores contratados, as aquisições, os resultados, os recordes a serem batidos e por aí fora. 
Os meus interlocutores fazem sempre um pausa como se não tivessem ligado uma coisa à outra e a seguir, como boas pessoas humanas que são, desatam a criticar Bruno de Carvalho mais uma vez porque este escreve muitas vezes no Facebook. 
Para mim é ao contrário e não me canso de o referir: creio que a equipa responde embalada pelo frenesim de Bruno de Carvalho.

Admito sem problema que jogadores e técnicos já não possam com ele (embora eu ache que não), mas sei que as organizações que sejam challengers em países (latinos e tal) como o nosso, precisam de líderes frenéticos, carismáticos, que se imponham perante o exterior.

Com líderes mansos ou "civilizados" que têm o azar ou a circunstância de não obter resultados que o exterior valorize, as nossas organizações tendem a relaxar e a facilitar. Godinho Lopes, simpático e afectuoso, deixou o clube no rumo do sétimo lugar, conservando sempre a simpatia e o bom trato.  

É o que tem acontecido com o FC Porto: esqueceu que agora é challenger (o Benfica domina) e relaxou (PdC está muito mais manso ou "civilizado") e anda pelo terceiro lugar. O Benfica domina o futebol português e como tal LFV pode manter-se nos bastidores, enquanto que há uns que pelejam por ele.

Bruno de Carvalho tem um estilo próprio que é o estilo apropriado em culturas latinas de quem é challenger e quer ser dominante. Não concorre ao prémio de "dirigente que os outros clubes acham que é um bom dirigente". É chato e irritante, mas macacos me mordam se não leva a sua avante. A sua intuição é a principal força motriz do clube nesta altura, acrescento.

Se BdC não fosse assim, é provável que o (suposto) penalty de Coates sobre Aboubakar tivesse sido marcado e/ou alguns dos nossos golos anulado por faltinhas e ou foras de jogo mirabolantes. Porque era isso que acontecia sempre, nos últimos larguíssimos anos.
As equipas de arbitragem e seus dirigentes são fracos e permeáveis ao ruído e à pressão. Não devia ser assim? Não, não devia, mas é assim e BdC sabe-o. Ele sabe que as arbitragens "iguais para todos" são fulcrais para se ganharem títulos e por isso é que os massacra, porque sabe que um Sporting por baixo será sempre prejudicado. 

O Sporting até pode ficar em segundo, que poucos sportinguistas ficarão desiludidos com o que vivemos nesta temporada no campeonato. 
Vivemos um Sporting dominador e favorito que em nenhum dos jogos em que deixou pontos não merecia ser o vencedor. 
As derrotas com o União e o Benfica podiam perfeitamente ter sido vitórias e os empates parvos que tivemos foram isso mesmo: parvos.

 


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24 Mar 16
A importância do amor
Pedro Boucherie Mendes

  

Há mesmo pessoas que fazem a diferença. Na vida de cada um, nas circunstâncias, onde for.
O amor de Bruno de Carvalho ao Sporting – um amor incontrolável – faz dele um dos principais protagonistas do nosso clube nos últimos anos.

É uma evidência desportiva que o nosso clube foi o mais mal gerido na era das SADs. Talvez também tenha sido o mais mal gerido do ponto de vista empresarial.

Foi de certeza o mais mal gerido do ponto de vista dos afectos e da relação com os seus apoiantes.

Eu sou do tempo dos 18 anos sem ganhar o título. Ser puto e adolescente sem cheirar o título não é fácil, mas estaria a mentir se dissesse que me custou. Não custou. E não custou, porque sócios e adeptos nunca desmobilizaram. Nós nunca deixámos de ser do Sporting e de sentir o clube, ainda que ficássemos em terceiro, e depois em quarto, vezes sem conta.
O nosso amor pelo Sporting manteve-se sempre e por isso continuamos rodeados por sportinguistas por todo o lado, alguns dos quais nunca sequer foram campeões.

Até presidentes como Jorge Gonçalves ou Sousa Cintra eram sportinguistas até ao osso. Fartaram-se de fazer disparates, mas a verdade é que esse futebol dos anos 80 e 90 era um futebol inclinado. Depois, veio um Sporting engravatado que até foi campeão. Mas com o passar dos anos, qualquer coisa se foi perdendo.

O nosso novo estádio, por exemplo, parece uma oportunidade perdida. Aquele relvado nunca foi bom, dizem que por causa das sombras. Aquele fosso não lembra a ninguém.

O novo estádio é a melhor metáfora do que passamos no Sporting: uma distância física e emocional entre a equipa – e quem mandava e escolhia a equipa – e os sócios e adeptos.

Até que chegou Bruno de Carvalho. É evidente que se excede e que por vezes parece em roda vida, mas a única coisa que lhe falta fazer é mesmo corrigir aquele fosso no estádio.
Voltamos a ser levados a sério pelos nossos adversários, tivemos grandes treinadores e aquisições que resultaram. A nossa formação domina a equipa principal e a selecção. Nas modalidades ganhamos e crescemos.


Mas é sobretudo entre nós que se nota a diferença. O que devemos a Bruno de Carvalho é o amor pelo Sporting, tal como o amor de antigamente. Acham pouco? Eu não acho. Eu acho que é tudo.

 


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09 Mar 16

 

Golo de ANTÓNIO OLIVEIRA

Sporting-Dínamo de Zagreb, Taça dos Campeões Europeus (3-0)

29 de Setembro de 1982, Estádio José Alvalade

 

No dia 29 de setembro de 1982 eu já tinha doze anos e vi o jogador que mais gostei de ver com a nossa camisola a marcar três golos ao Dínamo de Zagreb, numa das mais memoráveis noites europeias da história do Sporting.
No dia em que o seu pai morreu, António Oliveira, nosso jogador e também treinador (!) mete três na baliza do Dínamo. Na baliza estava o nosso futuro guarda-redes Ivcovic, mas essa é a parte que menos importa nesta minha história.
Nós íamos pouco ao futebol, porque era caro e longe e dava pouco jeito, mas a este jogo fomos. As equipas da Cortina de Ferro metiam medo, porque os julgávamos fortes como super homens e era sempre duvidoso que a nossa habilidade latina fosse suficiente. Eram tempos em que o jogador português de 1,80 era considerado um gigante e em que as equipas portuguesas tinham uma preparação física baseada em corridas no pinhal que durava metade de meia época.
O meu pai era da Beira Alta e por alguma razão dizia Uliveira. Nós aqui em Lisboa dizemos Óliveira, mas o meu pai dizia Uliveira, e fazia-o de forma que me divertia, recordo agora.
E gostávamos todos dele, do nosso Oliveira, que vimos a estrear a nossa camisola le Coq Sportif contra o Belenenses de Artur Jorge numa primeira jornada cheia de nevoeiro e frio, naquela época de 81/82, em que fomos campeões. A partir daí, o Uliveira (com Manuel Fernandes e Jordão) passou a ser o nosso jogador favorito.
Um golo do Sporting é uma explosão no coração. Três golos a uma equipa destas, pelo mesmo jogador e esse jogador ser o Uliveira/Oliveira foi inesquecível. Tanto que o escrevo aqui e até me surpreendo que ninguém o tenha feito ainda.
António Oliveira foi um jogador brilhante, um Figo-melhor-que-o-Figo, com feitio complicado e carácter marcado. Estes três golos são todos bons, embora o segundo seja o melhor. Ele avança pelo meio, faz uma tabela, tira um central da frente e remata mesmo antes do guarda-redes chegar a ele. Foi neste jogo que a frase “por cada leão que cair, outro se levantará” nasceu e este texto do Rui Tovar júnior explica isso melhor http://ionline.pt/413551?source=social.

Por falar nisso, há pouco tempo também descobri que é Rui Tuvar e não Rui Tóvar como creio que toda a gente diz. E aproveito para perguntar, afinal será Oliveira ou Uliveira?


Não sei, sei que o pai de António Oliveira morreu naquele dia e o meu morreria menos de dez anos depois. E que o pai do Rui, um grande sportinguista que aqui homenageio, também já se foi. Fica a nota e fica o golo, porque a vida só faz sentido com gratidão. Gratidão ao meu pai por ter feito sportinguista e, claro, aos grandes golos que me levou a ver com a camisola do Sporting, como estes três. E ao Oliveira - já agora, um nome que os meus filhos têm porque a mãe não lhes deu só a teimosia e o cabelo forte.

 

p.s. a placa com a frase que está no nosso estádio é de Maio (e reporta-se a algo que Oliveira disse a propósito de estar lesionado) e este jogo, lembro, foi em Setembro. Há muito poucas ocasiões em que a ficção faz mais sentido que a realidade. Esta é uma delas.


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19 Fev 16
A nossa Europa fica no Marquês
Pedro Boucherie Mendes

Vi o jogo enquanto fazia o jantar e não me pareceu nada de especial. Os alemães rápidos, a jogar em contra ataque (ou apostando em transições rápidas como se diz agora) e o Sporting entre o burguês e o distraído. Perdemos, podíamos ter perdido por mais um, mas também podíamos ter empatado.  Todos os jogos são para vencer e tudo o mais, mas nem sempre se consegue. No resto, é o seguinte:

  1. Treinador tem razão. Assobiar jogadores é tiro no pé e criar uma má relação entre a torcida e Teo não é a melhor das iniciativas. Podemos vir a precisar dele a sério, da sua ratice e finta curta, do seu sentido de oportunidade e da sua experiência.
  2. Prosseguem os double standards e isso irrita-me mais. O Sporting é vexado por comentadores e jornalistas de cada que perde, joga mal ou empata. É como se fossemos o Real Madrid, no sentido de termos o dinheiro do Real Madrid.
  3. Agrada-me ser do clube que irrita os agentes que rodeiam o jogo. Mas prefiro que tratem o meu clube com senso de justiça e exigência (mesmo que desproporcionada) do que se ajoelhem aos outros.
  4. Sim, jogamos mal e sim, aparentemente JJ desvaloriza a Liga Europa, e sim, talvez mereça o clube e mereça o treinador serem criticados por isso.
  5. Só que deve reter-se que o campeonato é, estrategicamente, muito mais importante na big, na small e na medium picture. Se jornalistas e comentadores despissem a casaca do cascar no Bruno, perceberiam que provavelmente é inteligente desvalorizar a Europa.
  6. Lembro que o Sporting não é campeão há muito tempo e nunca o foi nesta era de Internet/redes sociais/tv everywhere/fibra óptica em todo o lado.
  7. Um campeão de uma liga como a portuguesa cobra mais caro em torneios de pré-época, acede directamente à massa da Champions, vende jogadores mais caro, vende mais cativos, vende mais camisolas e vende, até, mais direitos de jogos de competições como troféu 5 violinos (ou outros que estejam na posse do clube).
  8. Ser campeão é subjectivamente imenso. Mas objectivamente também.

Um pouco como a aversão que a maioria tem ao presidente do clube e ao treinador: é tão objectiva como subjectiva.


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16 Fev 16
Sporting? Sempre.
Pedro Boucherie Mendes

Um primeiro post sobre o Sporting só pode ser assim: Viva o Sporting!

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