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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - 6 factores de que não nos podemos queixar

Após 43 jogos realizados, é tempo de fazer um balanço daquilo que tem sido a nossa época e de contabilizar uma série de factores que se têm vindo a conjugar no sentido de um desfecho favorável para as nossas cores:

 

1) Estrelinha da sorte: uma incrivel hecatombe dos presumíveis favoritos tornou-nos cabeças-de-série no "play-off" de apuramento para a Champions. Independentemente disso, o sorteio foi-nos extremamente favorável, colocando o Steaua Bucareste no nosso caminho. Conquistado o 3º lugar na fase de grupos seguimos para a Liga Europa, onde até agora apanhámos os "colossos" Astana e Viktoria Plzen, este último eliminado pelo Steaua (2-2 em Bucareste e 1-4 na Republica Checa) na ronda imediatamente anterior àquela que com eles disputamos (voltaram a encontrar-se no Grupo G da Liga Europa, tendo os checos vencido em casa, por 2-0, e perdido fora, por 3-0).

No campeonato, se é certo que tivemos um "azar dos Távoras" no jogo do Bonfim, não há como escamotear que a estrelinha esteve connosco pelo menos nos seguintes jogos: Setúbal em casa, Rio Ave fora, Tondela fora, Porto em casa e Benfica fora. 

 

2) Apoio massivo dos adeptos: os nossos adeptos têm marcado presença assiduamente, em Alvalade e nos jogos fora, criando uma imensa onda verde de entusiasmo sempre pronta a catapultar a equipa.

 

3) Arbitragens: um penalty assinalado a nosso favor nos últimos minutos do jogo em Alvalade, contra o Vitória de Setúbal e duas precipitações dos auxiliares que levantaram a bandeirola em Moreira de Cónegos e em casa, contra o Braga, jogaram a nosso favor. Noutros tempos, na Luz teria sido apitado pelo menos mais um penalty contra nós. Em sentido contrário, um critério disciplinar muito rigido e desigual do romeno Ovídio contra o Barcelona, que nos retirou alguma intensidade, e uma inqualificável arbitragem por parte de Luis Ferreira e do vídeo-árbitro Manuel Oliveira, em jogo contra o Feirense disputado em Alvalade, pese embora termos conseguido vencer.

 

4) Concorrência: um Porto incapaz de competir agressivamente nos mercados de Verão e de Inverno, a aproveitar o leque de emprestados e um Benfica com a "cabeça debaixo da areia" na sequência do caso dos emails e a cortar nos custos constituiram uma oportunidade histórica para o Sporting.

 

5) Plantel com mais soluções da 1ª Liga: apesar dos erros da época anterior (só Dost é titular), a Estrutura ofereceu a Jesus um plantel muito competitivo, num misto de experiência (Mathieu, Coentrão, Doumbia, Montero), valores consolidados (Acuña, André Pinto, Battaglia) e jovens promessas (Bruno Fernandes, Piccini, Ristovski, Misic, Wendel), para além de ter mantido a anterior espinha dorsal formada por Patrício, Coates, William, Gelson e Dost (só Adrien saiu).

 

6) Poucas lesões: uma época com tantos jogos poderia ter graves consequências em termos de lesões, dado até o histórico de alguns jogadores, mas Coentrão e Mathieu têm-se aguentado bem e, para além de alguns pequenos problemas envolvendo Bas Dost, William e Gelson, a época tem corrido sem grandes contrariedades a esse nível.

 

Posto isto, pedir o título de campeão nacional é perfeitamente ajustado ao nosso orçamento e a todas as condicionantes internas e externas.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Eu show Bruno

O normal no futebol é os jogadores, à medida que se vão integrando nas suas equipas, irem melhorando. No Sporting, não! Ristovski começou por ser um promissor lateral direito, bom a defender e a dar profundidade atacante. Ontem fez um jogo profundamente mau e promete não saír do banco tão cedo. Outro caso paradigmático é o de Ricardinho, a.k.a. Ruben Ribeiro. Estreou-se com um número de magia frente ao Aves, mas desde aí não tirou mais nenhum coelho da cartola e os adeptos aguardam com crescente ansiedade, para não dizer agonia, que um qualquer sortilégio o coloque no lugar privilegiado para alardear a sua superior visão de jogo, o camarote. Bryan Ruiz é mais um exemplo do atrás exposto. O costa-riquenho só não piorou na concretização - também era impossível - e ontem até contribuiu com uma assistência para o primeiro golo da partida, mas o seu impacto no jogo ficou-se por aí, continuando a anos-luz daquele sósia que aterrou em Alvalade na temporada 15/16.

 

Jorge Jesus decidiu finalmente fugir à rotina (ou retina, eu sei lá!!!) e dispôs a equipa num 4-3-3. Bom, na verdade, e dadas as características de Ruben Ribeiro e Bryan Ruiz, a coisa acabou por transformar-se num 4-5-1, com o inconveniente de, mesmo em acção defensiva, os alas não fecharem o seu flanco, abrindo assim verdadeiras autoestradas para os jogadores do Astana percorrerem. Coentrão ainda foi colocando algumas portagens no caminho, obrigando os cazaques - sem Via Verde - a desacelerarem nas suas imediações. Já com Ristovski, os adversários penetraram a seu bel-prazer, assim ao modo de "nada a declarar".

 

Rui Patrício parece ter compreendido os postes, seus recém-aliados: em momentos-chave dos últimos 4 jogos, o guarda-redes viu por 4 vezes a bola beijar os ferros da sua baliza, recusando-se sempre a entrar. André Pinto é o novo Paulo Oliveira, versão 2.0, revelando a mesma sobriedade defensiva e similar dificuldade em iniciar a construção. A seu favor, apenas o ser mais alto. Mathieu fez um jogo contido, de poupança de esforços (e de cartolinas amarelas).

 

Salvou-se o meio-campo central: Palhinha, mais recuado, sempre impetuoso sobre a bola, mostrou ser um jogador a considerar. Foi pena Jesus tê-lo tirado cedo no jogo, não fosse desgastar-se em vão e deixar de ser uma opção para ... a bancada. Assim, entre a falta de ritmo de Dost, motivada pela lesão na grelha costal, e a grelha que Palhinha costuma usar para fazer uns churrasquinhos em dia de jogo, JJ decidiu-se pela opção epicurista (ou será epi-"corista"?). Battaglia fez lembrar o Exterminador Implacável do início da época, destruindo e galgando léguas com a bola, naquele seu estilo de membro da estafeta de 4x100 metros, pese embora entregue demasiadamente a bola no pé, como testemunho da sua boa vontade, em vez de a passar e desmarcar-se. Bruno Fernandes pintou mais alguns Rembrandts e vestiu o seu melhor cazaque de gala (2 golos, um deles, magistral, a mais de 30 metros), mas também soube pôr o fato-macaco para servir a equipa à direita, compensando o desvario de Ruben Ribeiro, durante a primeira parte. Voltou à ala, algures durante a segunda parte, mas aí já foi o complicómetro de JJ a funcionar, juntando William - não entrou propriamente bem - a Palhinha e Battaglia no centro. À medida que a época avança, pese embora mude constantemente de posição, mais se entende que Bruno tem qualquer coisa a mais que todos os outros. É a qualidade de recepção, é o passe, é o remate quase sempre enquadrado, enfim um "show" de bola.

 

Bas Dost marcou um bom golo de cabeça, perdeu outros dois e serviu na perfeição Bruno Fernandes para o terceiro da noite. Dost ainda teve tempo para ter uma lesão muscular numa coxa, a segunda da época, desempatando assim em desfavor da maleita na grelha costal

 

Acuña entrou após o intervalo, mas não brilhou. De destacar a estreia europeia de Rafael Leão. Aqueles arranques com a bola não enganam, está ali um diamante a necessitar de um bom lapidador.

 

Referência ainda para os árbitros de baliza: são um tipo de personagens da mitologia "platiniana" que entram para as estatísticas do turismo e, assim, ajudam as diferentes economias a crescer, para além de proporcionarem momentos de boa camaradagem e de convívio com a restante equipa de arbitragem. Na prática, têm a função de um placebo: não fazem bem nem mal, mas a UEFA fica contente de os ver lá. Hoje, um deles, não viu um jogador cazaque (em fora-de-jogo) tocar, estorvar e passar à frente de Rui Patrício, no momento do primeiro golo do Astana.

 

Nota final para o nosso habitual desleixo nos últimos minutos dos jogos que estamos a ganhar confortavelmente: ontem, essa indolência custou a Portugal 167 milésimas no ranking da UEFA...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Hoje giro eu - a família do meio

Com a equipa a jogar permanentemente só com 2 médios, Bruno Fernandes aparenta mais cansaço que uma mãe com um filho mais velho, nas semanas seguintes a ter gerado já tardiamente trigémeos. Mas, Jesus apostou em que a solução para o problema seria cansá-la(o) mais, quiçá porque se já se torna cada vez mais difícil chegar à frente para acasalar (com o pai Dost), impossível é voltar atrás (na decisão de gerar).

 

A solução seria empregar mais alguém para ajudar na lida da casa. William tira algumas folgas ao longo do mês e está mais envolvido como motor(ista), distribuindo os alimentos essenciais à sobrevivência da familia, conduzindo-a nas visitas ao médico e ajudando em todas as questões burocráticas que há para arbitrar, mas depois é preciso alguém que elimine os germes da loiça, desparasite de ácaros os tapetes e alcatifas, combata as bactérias e fungos que se acumulam nas esponjas de banho e que ajude a que os bebés cresçam saudáveis. Esse alguém poderia ser Battaglia (ou Palhinha ou Wendel).

 

Com o argentino ao serviço, haveria um xeque-mate* aos micróbios e a casa estaria sempre num maior aprumo, o que permitiria à "mãe" não entrar em depressão, ter alguma vida social e dar azo a alguma da sua criatividade, actividade essencial ao bem-estar do agregado familiar. 

 

Com 3 frentes sempre a solicitarem a presença da mãe, resta o consolo de que o filho mais velho já concluiu com aproveitamento os seus estudos. Uma ocorrência desta natureza na vida de uma familia deve suscitar o carinho, o apoio e o reconhecimento por parte dos amigos, sempre seus incondicionais adeptos, e de todos os conhecidos, que simpatizam com a sua "causa". O sucesso global desta empreitada familiar será a alegria de todos eles e de todos os que lhes se associem, que ficarão a torcer no sentido de que a gestão caseira corra pelo melhor.

 

*mate=chá, bebida mais popular da Argentina 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coates evita tombadela fatal

Na antecâmara do jogo, a Assembleia Geral do Sporting foi uma espécie de Festival do Escanção. Quem tome o que ali foi dito pelo seu Face "value" arrisca-se a ficar num estado de embriaguez permanente dos sentidos que não augurará nada de bom. Como tal, degustei e absorvi o (pouco) que foi de interesse e deitei fora tudo o resto...

 

Aprendi o valor do silêncio com o ruí­do. Por isso, remeti-me ao silêncio. Quis compreender o que ali se tinha passado.

 

Aldous Huxley - autor de "Doors of Perception" - dizia que depois do silêncio, o que mais se aproximava de expressar o inexprimí­vel era a música. Coincidência ou não, um dia depois, estava ainda eu neste estado de espí­rito quando me entra pela televisão o Festival da Canção. Hoje, enquanto assistia à  Nossa vitória em Tondela, lembrei-me dele: o Sporting ganhou e, como cantou, nos 3 minutos da praxe (não havia um presidente de AG por perto a ameaçar "cortar-lhe" o microfone ao fim de 1 minuto), a doce Catarina Miranda - canção nº5 da primeira eliminatória (espero que a vencedora final) - "não há nenhuma necessidade, hoje para sorrir eu não preciso de (mais) nada". Afinal, (en)cantar no campo é a verdadeira essência do Sporting, o clube do GRANDE e para sempre RESPEITADO João Rocha. Está dito e da forma como quis dizer, pois, parafraseando o autor de "Austrália", "quem koala consente". 

 

Vamos ao jogo: triste pelas últimas narrações que ouvi na TV decidi testar uma nova modalidade. Assim, tirei o som da televisão e liguei o meu Spotify, mais a coluna JBL. Tinha duas pré-selecções à escolha: música brasileira ou pop/rock. Optei pela primeira. 

 

A equipa foi basicamente a de sempre, com a novidade(?), face à ausência de Coentrão, de o sonolento Bruno César ter entrado em vez do sonolento Bryan Ruiz (nesse caso implicaria o recúo de Acuña), voltando JJ, uma vez mais, a privilegiar o 4-4-2 em vez de um bem mais confortável 4-3-3. A pergunta que faço é a seguinte: este último sistema, dada a acumulação de jogos, não pouparia a equipa a um maior desgaste? Estavam decorridos 12 minutos quando Miguel Cardoso abriu o marcador para o Tondela. Gilberto Gil cantava "aquele abraço". Ao som de "Burguesinha", de Seu Jorge, Acuña tirou um adversário do caminho e centrou para a cabeça do em boa hora regressado Bas, que "dostou".

 

Ao intervalo, a SportTV mostrava um anúncio da Bet.pt com um senhor com 3 olhos na face, certamente inspirado no surrealismo de Salvador Dalí...

 

Para dar sorte, mudei o som para a Playlist pop/rock. Doumbia entrou em campo quando tocava "Like a Rolling Stone", de Dylan, Mathieu foi expulso à toada de "The whole of the moon", dos Waterboys e Piccini, hoje irreconhecível, fez o seu habitual atraso arrepiante reconhecível para Patrício quando entoavam os acordes de "God only knows", dos Beach Boys.

 

Estávamos já na compensação dos descontos - os tondelenses ficaram compreensivelmente insatisfeitos, mas Capela estava só a compensar os 4 minutos que Luis Ferreira nos havia sonegado na primeira parte contra o Feirense - quando ao som de "The Unforgiven", dos Metallica, Coates ocorreu a um desvio de Dost, entretanto deflectido para o poste por um defesa do Tondela, e marcou o golo da vitória, o seu 4º da época. Uff!!!

 

Liguei o som da televisão. Em conferência de imprensa, Jorge Jesus, a propósito do apoio das claques, endereçava os parabéns à do Boavista(!?), por ter tido uma atitude que lhe ficou na "rotina". Voltei a desligar o som ao aparelho. E dei graças a Deus por não ter ficado com azia, tal o refluxo de ácido gástrico que o meu estômago deve ter produzido até ao golo salvador.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (Bas esteve nos 2 golos, Acuña seria uma boa alternativa pela combatividade, Patrício pela fiabilidade de sempre - só traído por um desvio da bola em Mathieu)

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Hoje giro eu - panorama zoológico

Na antecâmara de uma Assembleia Geral que, inesperadamente, ganhou contornos de plebiscito eleitoral, Pedro Madeira Rodrigues, citado pelo jornal O Jogo, exortou os sócios do Sporting a "serem leões e não carneiros". Depois do "Manual para Burros", fica praticamente completo o ramalhete do reino animal. Restará apenas saber onde enquadrar, no actual panorama zoológico que parece caracterizar o clube de Alvalade, a criatura de Deus que, não parando de emitir ruído e de estimular outrém a votar contra as propostas do Conselho Directivo, já afirmou não ter disponibilidade para estar presente na reunião magna leonina. Com o desejo, sincero, de que o clube não fique entregue à "bicharada"...

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sobretudos de leão para cazaques muito curtos

Com VAR ou sem VAR, Doumbia arrisca-se a passar à história como o melhor marcador de golos mal anulados pelos árbitros, à semelhança do ocorrido com Montero na época 2013/14, em que o colombiano, depois de um início fulgurante, viu prolongada a seca de golos com 3 golos mal invalidados.

 

A envolvente ao jogo foi feita de diversas contradições: uma partida da Liga Europa disputada na Ásia Central(!); um frio glaciar num país que faz fronteira com outro cuja capital se chama Tashkent ("tás quente", Uzbequistão); um estádio fechado e climatizado com 13º positivos, quando a temperatura exterior apontava para os menos 20ºC; um relvado sintético aprovado pela UEFA para competições a este ní­vel. Enfim, todo um cardápio de boas desculpas (a do vento não dá sempre), caso a coisa não tivesse corrido de feição...

 

Depois de uma primeira parte menos conseguida, com um golo muito consentido logo no começo, o Sporting, impulsionado pelo magnífico Bruno Fernandes, controlou o jogo a seu bel-prazer. É certo que durante muito tempo Acuña e Bryan Ruiz foram dois corpos estranhos, emperrando a movimentação leonina, mas a categoria do médio maiato foi permitindo que a equipa leonina fosse chegando com assiduidade à baliza do Astana. Aos 17, 23, 35 e 43 minutos, Bruno Fernandes protagonizou lances que, ou se perderam por má finalização dos seus colegas, ou suscitaram grandes paradas por parte do competente guardião Eric. Noutra ocasião, aos 40 minutos, após um canto marcado por si, Coates cabeceou e, na recarga, Doumbia marcou, com o árbitro francês a descortinar uma infração que mais ninguém viu.

  

Para o segundo tempo, Jorge Jesus deixou a táctica "à italiana" no balneário. Aos 48 minutos, após um centro de Gelson, um defensor cazaque meteu a mão à bola na sua área. "Penalty" convertido em golo por - quem havia de ser? - Bruno Fernandes. Dois minutos depois, Acuña foi à linha e centrou para Gelson finalizar com êxito. Mais 6 minutos e Bruno Fernandes, na esquerda, centrou de bandeja para Doumbia que desta vez não perdoou.

 

Com 3-1 no marcador, o caxineiro Coentrão, um peixe fora de água - ou não fosse o Cazaquistão o maior país do mundo sem costa marítima - foi rendido por Battaglia (recuou Acuña e Bryan Ruiz deslocou-se para a ala esquerda) e Montero, acabado de entrar para substituir Doumbia, na primeira vez que tocou na bola, arrancou a expulsão do defesa Logvinenko. Surpreendentemente, Ruiz, originário da Costa Rica, ficou em campo, o que lhe viria a permitir falhar a já habitual oportunidade de baliza aberta...

 

A jogarmos com mais um, entrámos em modo de poupança. O resto do jogo assemelhou-se a um "meinho", letargia só abanada pelas ocasionais arrancadas de Gelson ou de ... Bruno Fernandes.

 

Em resumo, uma vitória justa e que talvez só peque pela escassez dos números, embora Rui Patrício tenha sido providencial, durante a primeira parte, ao evitar um segundo golo cazaque que certamente tornaria a nossa missão mais difícil. Boas exibições também de Piccini, de William e Acuña (segundo tempo) e de Doumbia, para além de Gelson e Bruno, o melhor em campo.

 

Jorge Jesus não está isento de algumas decisões polémicas: a inclusão de Bryan Ruiz como "10" não resultou de todo, não se entendeu porque, com o jogo resolvido, não lançou Rafael Leão no lugar do costa-riquenho e, finalmente, perdeu uma excelente oportunidade de limpar o cadastro disciplinar de diversos jogadores (Bruno Fernandes incluido), não se compreendendo a razão porque não o fez.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (Gelson seria a minha 2ª opção)

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Hoje giro eu - Ranking GAP

Quase a entrar na 5ª competição desta época (Liga Europa), o Sporting disputou até agora 40 jogos - 22 para o Campeonato Nacional, 8 para a Champions, 5 para a Taça de Portugal e 5 para a Taça da Liga - obtendo 24 vitórias (60%), 11 empates (27,5%) e 5 derrotas (12,5%), com 78 golos marcados (1,95 por jogo) e 29 sofridos (0,73).

 

Classificações (Estatísticas ofensivas):

 

1) MVP: Bas Dost (83 pontos), Bruno Fernandes (66), Gelson (49);

2) Influência: Bruno Fernandes (35 contribuições para golo), Bas Dost (31), Gelson (23);

3) Goleador: Bas Dost (25 golos), Bruno Fernandes (10), Gelson (9);

4) Assistências: Bruno Fernandes (11), Gelson (8), Acuña e Podence (7).

 

Notas: Bruno Fernandes contribuiu em 44,9% dos golos; Bas Dost marcou 32% dos golos.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva):

 

  G A P Pontos
Bas Dost 25 2 4 83
Bruno Fernandes 10 11 14 66
Gelson Martins 9 8 6 49
Doumbia 7 1 1 24
Marcus Acuña 5 7 3 32
Sebastian Coates 3 3 2 17
Jeremy Mathieu 3 1 2 13
Rodrigo Battaglia 2 2 2 12
Bruno César 2 0 1 7
João Palhinha 2 0 0 6
Fábio Coentrão 1 3 3 12
Iuri Medeiros 1 1 1 6
William Carvalho 1 0 2 5
Bryan Ruiz 1 0 1 4
Fredy Montero 1 0 0 3
Mattheus Oliveira 1 0 0 3
Rafael Leão 1 0 0 3
Adrien Silva 1 0 0 3
Daniel Podence 0 7 2 16
Cristiano Piccini 0 2 4 8
Ruben Ribeiro 0 1 1 3
Ristovski 0 1 0 2
Alan Ruiz 0 0 2 2
autogolos 2 0 0  

Hoje giro eu - Bruno e o futuro

Hesitei muito em escrever este texto. No actual estado de coisas, o risco de ser mal-entendido é muito grande. Meço a temperatura à blogosfera leonina e sinto-a a ferro e fogo, dividida, radicalizada, ainda que os pratos da balança estejam fortemente inclinados a favor dos prosélitos de Bruno de Carvalho. Não me revejo na linguagem empregue em muitos comentários e não penso que seja esta a imagem que um clube como o Sporting deva passar à nossa sociedade e, por isso, sinto ter o dever de sair da minha zona de conforto e de dizer o que penso, esperando que esta minha acção seja compreendida como uma critica construtiva, como um apelo a uma serena reflexão que se traduza num futuro melhor e mais harmonioso para o clube e seus adeptos.

 

Eu julgo que o problema actual reside no conceito que Bruno de Carvalho tem de militância. Atente-se naquela sua afirmação de que prefere uma minoria ruidosa a (re)produzir chavões do que uma maioria silenciosa. Não sou hipócrita. Não combati, à minha dimensão, a cartilha benfiquista, que apelidei de "Cartilha de João de Deus dos pobres de espírito" ou "Alegoria da Caserna", para agora estar acefalamente a repetir os "dictats" que Nuno Saraiva semanalmente transmite aos microfones da SportingTV. Desde logo porque aquilo que critico na Cartilha é a inversão dos valores pelos quais se deve reger o desporto e, em particular, o futebol. Porque o desporto-rei é alegria, é paixão, não é a criação de desumanidade, algo que os grotescos textos de Carlos Janela abundantemente estimulam.

 

O Sporting tem de ser diferente. A sua grandeza reside na diversidade. Tal como os adeptos portistas quando ouvem Francisco J Marques - engraçada a consoante atribuida ao "middle name" do "investigador", assim ao jeito de um Edgar J Hoover - , também nós, sportinguistas, somos inteligentes e sabemos retirar as ilações devidas daquilo que ouvimos. E a maioria não gosta de ver sócios ou adeptos do Leão envolvidos em troca de correspondência com a nomenclatura benfiquista - é que uma coisa é ser oposição a Bruno de Carvalho, outra é ser oposição ao próprio Sporting. Como também não gosta de ver a necessidade de protagonismo dos Severinos/Zeferinos, "trava-linguas", que criticam cegamente, e de forma absolutamente parcial, o presidente. Não gosta e não se esquecerá, caso seja necessário afirmá-lo em futuros actos eleitorais.

 

Dito isto, vamos ao essencial: vejo com bons olhos a elaboração de um Código de Conduta (ou de Ética), à semelhança do que venho preconizando para todos os agentes desportivos, que balize os direitos e os deveres dos sócios. Assim sendo, a sua violação implicaria que o sócio caisse na alçada do Regulamento Disciplinar. A minha preocupação reside na redacção demasiado lata de alguns artigos e saber se da sua interpretação futura se podem criar constrangimentos à liberdade de expressão exercida de forma conscenciosa e urbana. É que não podemos nunca confundir a ofensa gratuita e mal-intencionada com a critica construtiva daqueles que, pensando pela sua cabeça, sempre souberam pôr os superiores interesses do Sporting Clube de Portugal acima dos seus interesses e/ou ambições pessoais, que sabem muito bem prevenir situações de conflito de interesses e que querem genuinamente contribuir para o engradecimento do clube.

 

Bruno de Carvalho tem obra muito meritória realizada, a nível de sustentabilidade, promoção do ecletismo e da inclusão social, mobilização dos adeptos, defesa intransigente do clube em todos os "fora" de decisão, construção do Pavilhão João Rocha, et caetera. Pode vir a ficar na história como um dos melhores e mais vitoriosos (futebol incluido) presidentes do Sporting. Mas, como homem inteligente que é (desenganem-se os que pensam o oposto), precisa de compreender os sportinguistas tão bem como soube entender os meandros do futebol português. A união do clube é importante, indiscutivelmente. Dir-se-ia até que dificilmente o clube poderia estar mais unido, tal o resultado do último plebiscito eleitoral. Não podemos é confundir união com unanimismo, até porque dessa forma estaríamos a castrar as ideias, a paixão e o entusiasmo de muitos de nós. Isso, só nos regimes totalitários é possível. E nós não queremos isso no nosso clube. 

 

BrunoDeCarvalho.png

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Feira da ladra

Concordo com Jorge Jesus, o VAR é uma "farramenta" (e não, uma ferramenta). Esta noite, em Alvalade, a visita da equipa da Feira foi uma farra...

 

Durante o jogo sonhei (com os olhos bem abertos) que estava numa feira: Rui vendia amuletos de São Patrício, Piccini era o pizzaiolo, Coates grelhava carne de vaca gaúcha maturada, Mathieu amassava a baguete francesa, Bruno César comia croissants, William era o operador do carrossel, Bruno Fernandes pintava Rembrandts, Gelson testava as motos do poço da morte, Bryan Ruiz permanecia na secção de antiguidades, Montero mostrava as novas fragrâncias, cheirinhos (a golo), Rafael Leão estava na banca (ou banco) das verduras, Battaglia engolia fogo, o recém-chegado ganês alegrava a multidão com o seu sentido de Lumor e Doumbia, na barraca dos tirinhos, entretinha-se a atirar ao alvo Caio Secco e vendia elefantes de marfim com a tromba para baixo. Este último pormenor (o da tromba para baixo) não augurava nada de bom. A adicionar a este sentimento, a expressão que se podia observar nas pessoas que rodeavam a tenda da cartomante mostrava que a sina lida não tinha sido auspiciosa. 

 

Por momentos, e dado os últimos pormenores que vislumbrei, detive-me na suspeição de que o sonho afinal poderia virar pesadelo. Um pesadelo com nome próprio e apelido: Luis Ferreira

 

O árbitro protagonizou um erro no protocolo do vídeo-árbitro (ou será ele próprio um erro de protocolo, confesso que não percebi). Sugestionado pelo VAR (Manuel Oliveira), Luis Ferreira anulou um golo limpo de Doumbia (que, por ironia, assistido por Montero, finalmente tinha acertado com a baliza) por considerar uma alegada falta (de Bruno Fernandes), tão, mas tão anterior ao lance de golo, que se diria ocorrida no milénio passado, porventura aquando da nossa fundação. Para além da alegada falta não ter sido clara, esta, a ter existido, aconteceu antes do início do movimento atacante que resultou em golo. Logo, uma péssima decisão, aos 18 minutos de jogo.

 

Não ficaria por aqui o árbitro do encontro: aos 29 minutos, William tentou passar a bola na área e esta foi interceptada deliberadamente com a mão (baixou-se para interceptar a bola) por Tiago Silva, jogador dos fogaceiros. Luis Ferreira (desta vez não reviu as imagens) ouviu o VAR e mandou seguir. Um "penalty" por marcar...

 

Ainda na primeira parte, o árbitro apitou (mal) para "penalty" favorável ao Sporting. Após consultar o VAR anulou a sua decisão. O problema foi o tempo que gastou nestas "demarches" todas. Ora, revejam comigo: o golo anulado implicou que a partida esteve parada 2 minutos e 48 segundos (entre os 18:00 e os 20:48), a revisão do "penalty" não assinalado custou 30 segundos (entre os 29:30 e os 30:00), finalmente a análise da possível grande penalidade, mais a lesão de um jogador feirense, manteve o jogo parado por 4 minutos e 42 segundos ( entre os 43:08 e os 47:50). O homem do apito tinha dado 5 minutos de desconto (já vimos que deveria ter dado 8, sem falar de outras paragens para assistência de jogadores), mas acabou por abreviar a coisa para uns míseros 3 minutos e 30 segundos (houve jogo entre os 47:50 e os 51:20), sonegando quatro minutos e trinta segundos ao jogo. Se não acreditam, vejam as imagens. O senhor precisa tanto de uma reciclagem como de umas aulas de aritmética. É obra!!! 

 

Perante isto, Luis Ferreira até poderia ter feito (que não fez) uma exibição de final de Champions na segunda parte, que mesmo assim não mereceria deste Vosso autor uma nota melhor que DÓ MENOR. Sem dó nem piedade...

 

Para além destes incidentes, o Sporting protagonizou um Festival de Futebol...e de golos perdidos. Caio Secco negou o golo aos leões, com enormes defesas, aos 7, 12, 13, 28 e 41 minutos. Doumbia por mais 3 vezes e Bryan Ruiz falharam sozinhos outros golos cantados. E assim, perante todas estas contrariedades, chegámos injustamente ao intervalo com o nulo no marcador.

 

O Sporting entrou mais nervoso no segundo tempo e o critério disciplinar de Luis Ferreira também não ajudou. Aos 47, 52 e 54 minutos foram perdidas mais 3 oportunidades. Aos 61 minutos, mais uma "imoralidade": cartão amarelo a William, após uma normalíssima disputa de bola. JJ mandou avançar Rafael Leão e o jovem foi o talismã que quebrou a maldição do apito. Já consigo em campo, a bola beijou o poste de Patrício (ainda desviou) e ressaltou para fora. Aos 78 minutos, finalmente o golo. Confusão, bola bate na cara de Coates, ressalto para os pés de William e golo. Os leões cresceram e Montero - que perfume tem o seu futebol entrelinhas, que inteligência têm as suas movimentações! - , a passe de Gelson, estrear-se-ia a marcar neste regresso a Alvalade. O jogo acabaria a fazer jus àquilo que foi a sua tónica: Bruno Fernandes, isolado por Gelson, falhou na cara de Caio Secco.

 

Parece que todos sempre esperam que seja Bruno de Carvalho a quebrar o protocolo, mas afinal Luis Ferreira e Manuel Oliveira é que o fizeram esta noite, ajudando a que este autor considere que esta vitória foi contra tudo (má sorte, guarda-redes adversário) e contra todos (arbitragem infelicíssima incluida). É Carnaval, ninguém leva a mal!? (blague subtraída ao Nosso Leão de Queluz)

 

Tenor "Tudo ao molho...": William Carvalho

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Hoje giro eu - Campeões da Europa!!!

Portugal é CAMPEÃO DA EUROPA de futsal!!!

 

Num "remake" quase perfeito da final do Euro 2016 de futebol, o nosso melhor jogador (Ricardinho) lesionou-se, mas a cerca de 1 minuto do fim do prolongamento surgiu o golo da vitória (3-2). O nosso 1º campeonato europeu.

 

PORTUGAL!!!

 

Um pequeno GRANDE país é, simultaneamente, campeão da Europa em futebol e futsal. Parabéns a todos e, em especial, aos NOSSOS André Sousa, Pedro Cary, João Matos e Pany Varela.

 

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Hoje giro eu - Bruno de Carvalho convida sócios

O Sporting acabou de emitir um comunicado onde o presidente Bruno de Carvalho convida para duas sessões de esclarecimento distintas, no âmbito da AG do próximo dia 17, os sócios que fazem parte da lista por si publicada no Facebook (primeira sessão, dia 11) e jornalistas e comentadores (segunda sessão, dia 12).

Julgo que se trata de uma jogada política habilidosa, no sentido em que encurrala os sócios "convocados": se não comparecerem, darão azo ao surgimento de uma narrativa no sentido de que a sua posição contra as alterações era meramente táctica, visando apenas o desgaste do presidente, pois no fundo não quiseram ser esclarecidos; por outro lado, comparecendo, ficam com o ônus de uma eventual votação contra as alterações em AG, enquanto Bruno de Carvalho, qual Alexandre Magno, vincará a sua magnanimidade, humildade democrática e vontade de encontrar uma solução.

No entanto, desenganemo-nos: aquilo que foi, do meu ponto-de-vista, uma jogada táctica brilhante, acaba por ser um erro estratégico. Uma vez mais, o presidente elege uma minoria não representativa de uma percentagem significativa de votos, ignorando a sua vasta falange de apoio, aquela que sempre esteve com ele e a quem deve a(s) vitória(s) eleitoral(ais), a qual contém franjas de sócios que olham com muita tristeza para os acontecimentos desta última semana e onde residem dúvidas sobre a bondade das propostas 1 e 2 e, mais importante ainda, vêem ainda com manifesta incredulidade e estupefacção a intenção de Bruno de Carvalho em condicionar a sua continuidade ao leme do clube da aprovação com 75% dos votos das referidas propostas. Isto para não falar dos sócios que verão neste convite - embora erradamente, do meu ponto-de-vista, face ao seu propósito - uma diferenciação entre associados do clube.

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Hoje giro eu - Sporting semi-finalista da Champions de Ténis de Mesa

Ao perder hoje em França, por 3-2, contra o Stella Sport La Romagne, o Sporting qualificou-se (agregado 5-4) para as meias finais da Champions League de Ténis de Mesa.

Após uma primeira vitória de João Monteiro (regressado ao nosso clube esta temporada), a derrota de Aruna Quadri, na segunda partida, pelo parcial de 3-2, sentenciou o encontro, dada a diferença de "set points" (o Sporting vencera por 3-1 na primeira mão), critério de desempate em caso de igualdade no marcador.

Uma vez mais, e após a dupla vitória europeia no atletismo, o Sporting afirma-se como a maior potência desportiva nacional e uma das maiores europeias. Parabéns Leões!!!

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Realidades paralelas

Num célebre filme sobre as transformações na Alemanha, pós perda da influência soviética (Good bye, Lenin!), uma familia do leste de Berlim (antiga RDA) tenta esconder da sua ortodoxa matriarca - acabada de sair de um prolongado coma e ainda convalescente - a recente queda do Muro, recreando todo um mundo paralelo. Antes, já Kusturica tinha explorado o tema da realidade alternativa, no extraordinário "Underground", onde um secretário do Partido Comunista Soviético mantinha num subterrâneo, sequestrados, uma série de cidadãos russos que lá se tinham refugiado durante a 2ª Grande Guerra, aquando da invasão pela Alemanha de Hitler. Já tendo a guerra terminado há muito, esse facto fora convenientemente escondido desses seus camaradas, cujo único elo de ligação com o exterior era esse membro do partido. O hilariante da situação é que, um dia, alguns cidadãos decidem ousar subir à superfície onde acabam por encontrar "alemães" - figurantes de um filme sobre a Guerra que está a ser rodado naquele momento - acabando por matá-los, confundindo assim a ficção com a realidade.

Toda esta parábola introdutória vem a propósito das 3 realidades alternativas (ou 3 jogos paralelos) a que hoje assistimos no Dragão. A primeira destas "realidades" foi o jogo visto por Luis Freitas Lobo: o comentador da SportTV conseguiu vêr o Sporting a jogar com 5 defesas, nunca entendendo que Ristovski, embora com preocupações defensivas, foi sempre mais ala do que lateral direito - este foi Piccini, enquanto no flanco oposto muitas vezes Coentrão também se adiantava, formando-se ocasionalmente uma linha de apenas 3 defesas - , de forma a libertar o ainda convalescente Gelson (que actuou numa posição mais central) das constantes subidas e descidas por este corredor; outra "realidade" foi a forma como João Pinheiro viu a partida: na óptica do árbitro, qualquer toque sobre um jogador do Sporting raramente foi merecedor de falta. Assim foi, logo no início, quando Ristovski foi carregado por Alex Telles, em falta que se iniciou dentro da área portista e que terminou já fora da mesma, prosseguindo na não observação de uma falta clara sobre Gelson nas imediações da área do FC Porto, para não referir as inúmeras infrações cometidas sobre Bruno Fernandes que passaram sem punição ou a desigualdade do critério disciplinar; finalmente, tivemos a  "realidade" segundo Jorge Jesus: este conseguiu transformar um 6-2 em oportunidades para o Porto numa injustiça de um resultado que "deveria ter terminado 2-2 ou 3-3".

Alucinações à parte, vamos ao jogo que todos nós pudemos observar: o Sporting raramente conseguiu ter posse e trocar a bola dentro do meio-campo adversário. Ao fim de 2/3 toques, a nossa equipa era sufocada pela entreajuda da defesa e miolo portistas e perdia a bola. Isso foi criando um ascendente do Porto, o qual só não se materializou mais cedo no marcador devido à acção de Rui Patrício e a alguma inépcia dos avançados portistas.

Bruno Fernandes jogou demasiadamente recuado, desgastando-se sem sentido, na posição "8" (terminou a "trinco" !!!). Alinhando longe de uma zona de maior influência, parecendo fora da sua melhor forma e muito vigiado pelo par de médios portista, Bruno não conseguiu ser o motor de jogo que a equipa precisava. Sem ele a equipa definhou, ficando muito dependente da velocidade e capacidade de drible de Gelson. Este foi conseguindo encontrar espaços, mas quando procurou tabelar com Doumbia encontrou neste um par de tijolos impossível de cimentar algo de positivo. 

As substituições também não melhoraram a equipa. Ruben Ribeiro, quando não entretido a entregar a bola ao adversário, por vezes nas imediações da sua própria área, recreava-se com toques de praia a fazer lembrar aquele "free-styler" que um dia Jorge Gonçalves trouxe da Costa da Caparica para Alvalade para animar os intervalos dos jogos. Por fim, quando, isolado, teve a oportunidade de visar a baliza de Casillas, assustou-se e entregou a bola a um jogador dos andrades. Montero bem que poderia ter sido enquadrado no lote das realidades alternativas, pois não há memória de ter tocado na bola, nos cerca de 10 minutos em que esteve em campo. Bruno César ainda assim foi o melhor dos substitutos, ele que só jogou 7 minutos.

A nossa defesa teve o seu bom comportamento habitual, embora Mathieu tenha estado no lance do golo, devido a um mau alívio.

Acuña mostrou a sua qualidade de lutador, bem como a insuficiência já conhecida enquanto desequilibrador. Battaglia e Ristovski não deslumbraram e o melhor foi mesmo Rui Patrício, providencial em 3 lances: duas "manchas" e uma defesa extraordinária, em vôo.

O realizador deste filme continua no reino da invenção: depois de uma derrota atribuida ao vento, criou agora uma nova realidade paralela, feita de um placebo ilusório para que os "pacientes" (adeptos leoninos) se sintam bem. Eu também tenho uma: na minha, o treinador não é o Dr. Feelgood (nem o Professor Pardal), não "muda as características(!?)" dos jogadores, não vê ameaças onde podem haver oportunidades (se as alternativas estiverem minimamente rodadas, o que não é o caso) e as suas soluções não são o problema. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

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Hoje giro eu - (São) Jorge e o Dragão

Desde o último fim-de-semana, todos temos vivido emoções muito fortes. Subitamente, e sem que nada o fizesse prever - bem, não será tanto assim, nós somos Sporting, não é? - uma tempestade se abateu sobre nós. Os ventos, ciclónicos, fizeram-se especialmente sentir na Amoreira e... no Campo Grande. Agora é hora de respirar fundo, de reparar os danos causados por tal intempérie e de tentar regressar a uma vida normal. Um tempo de bonança. Logo à noite, começaremos a reconstruir o nosso edifício. Que toda a raiva (e frustração) contida que temos dentro de nós se liberte de uma forma sublime e gloriosa, que não se consuma num fogo-fátuo. Enquanto a bola rolar no terreno de jogo não haverão facções, nem egos, só a causa que nos une: o nosso amor pelo ENORME Sporting Clube de Portugal. Que o nosso Jorge (Jesus) e os seus cavaleiros façam vergar o Dragão!

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Hoje giro eu - That's the spirit!

Ricardo, antigo guarda-redes internacional do nosso clube, declarou, em entrevista à agência Lusa, que o Sporting não irá jogar com 9 e que tem atletas de nível para substituir os lesionados Bas Dost e Gelson Martins. Como diria o saudoso António Silva, in "O Leão da Estrela", filmado no velhinho Estádio do Lima, "aí Leões!!!".

 

Entretanto, numa "avant-première" do jogo de amanhã, em andebol, o Sporting acaba de vencer o FC Porto, no Dragão Caixa, por 31-25. Excelente, rapazes! Grande Canela!

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Hoje giro eu - Bruno de Carvalho

Na história da humanidade nunca houve um homem que reunisse unanimidade. Nem Jesus Cristo, como bem sabemos. A vida é feita de diversidade. Gémeos à parte, não existem dois seres humanos idênticos. O mesmo se passa com outros seres vivos: plantas, animais, fungos, bactérias ou algas. Para além disso, os Homens, pela sua genética, pela educação e formação que tiveram, pelas experiências de vida, pela convivência em sociedade, têm personalidades e carácteres diferentes uns dos outros. Por isso, em clima de liberdade, tomam opções diferenciadas, independentemente de elas serem suportadas num real conhecimento das situações ou não. Desde pequenos ouvimos "não se pode agradar a gregos e troianos", exactamente porque é muito difícil ser consensual. Pelo menos, em vida, já que a morte, às vezes, parece ter o condão de branquear os defeitos e sublimar as qualidades. 

Bruno de Carvalho convive mal com a pluralidade de opinião. Entenderá que o seu trabalho enquanto gestor do Sporting - e já lá iremos - o devia pôr a cobro de quaisquer críticas. Porque, no seu ponto-de-vista, defende o clube até ao limite das suas forças, fisicas e psicológicas. Ele está na sua "cadeira de sonho", tem garbo em estar à altura do desafio e não admite falhar. Pensa pela sua cabeça, consulta apenas aqueles que intende o poderem ajudar e segue em frente. Até aqui tudo bem! É impossível a um decisor reunir com toda a gente. O tempo é uma variável muito importante nas organizações e um líder passa a vida a comprar tempo. Mais ainda quando preside a um clube que, há 5 anos atrás, não poupando nas palavras, estava na bancarrota. Por isso, tem toda a legitimidade de falar com quem quer e de ter o seu "inner-circle".

O que Bruno de Carvalho fez no Sporting não está ao alcance de qualquer gestor. Logo no início do seu primeiro mandato, no meio financeiro corriam rumores sobre o estado das negociações com o BES. Conversações duras, difíceis, das quais um dia talvez se saiba toda a história. Do impasse e do seu desbloqueio. Aí, Bruno foi heróico, não arrepiou caminho e conseguiu um bom "deal" para o clube, como aliás ficou demonstrado pela reacção de espanto e de alguma inveja do rival do outro lado da 2ª Circular. A passagem de um volume importante de passivo bancário para VMOCs iria permitir ao clube libertar-se do estrangulamento financeiro a que estava sujeito e poder, finalmente, respirar. Não sem ter de cumprir um rigoroso plano acordado com a banca, o qual pressupunha grande contenção de custos. Há 5 anos atrás, alguém pensar que se criariam condições para que hoje os custos com o pessoal triplicassem seria pura utopia, para não dizer caso de potencial internamento em ala psiquiátrica. Só quem está muito por fora do mundo empresarial poderá pensar que isto se fez facilmente. A esses, desafio-os a elencar um conjunto de grandes empresas que tenham subido dessa forma, e neste curto espaço de tempo, o seu orçamento.

Fez bem Bruno em chamar a si o futebol. O Sporting é o clube mais eclético português, mas nenhum clube grande resiste sem resultados no futebol. Visto que iria sempre ser julgado por estes, ao menos que pudesse dominar o processo. E começou bem, aliás, muito bem. Desde logo, porque escolheu o treinador certo. Leonardo Jardim foi o homem certo, na altura certa. Bom treinador, sem receio de apostar em jovens jogadores, com cara de poucos amigos, disciplinador, o madeirense conseguiu realizar um pequeno milagre com uma equipa de tostões quando comparada com as outras grandes potências, acabando em 2º lugar no campeonato após disputar o título quase até ao fim. Acresce que Bruno havia ascendido à presidência com a temporada de 12/13 ainda a decorrer e a equipa em 12º lugar no campeonato, ainda em risco de descida de divisão, com 27 pontos em 23 jornadas disputadas (num campeonato com 30), e com um goal-average negativo de 4 golos, algo inédito na história do clube. Quinze pontos nas sete jornadas que faltavam acabaram por nos catapultar para o sétimo lugar final, ainda assim a pior classificação de sempre do clube, o que não nos permitiu disputar as provas uefeiras no ano seguinte, com a consequente perda de receita.

Essa, senhores, foi a herança que Bruno recebeu.

Este período inicial terá sido o melhor do reinado de Bruno. O clube como que viveu um Renascimento. Floresciam novas ideias e a aproximação aos sócios, repito, a aproximação aos sócios era a mola propulsora do entusiasmo que animou o clube.

Entre outros factos destacaria aqui a inversão dos resultados negativos de exploração (menos 160 milhões de euros de prejuízos nos quatro anos imediatamente anteriores) para o primeiro lucro em seis anos de actividade, entrada na Champions League, campanha da Camisola 12, concentração das claques no Topo Sul, libertando mais lugares vendáveis no estádio, comemoração dos 50 anos sobre a vitória na Taça dos Vencedores das Taças, entrega nos orgãos reguladores do futebol e na AR de um pacote de reformas do sector, onde já se incluiam políticas em matéria de verdade desportiva, regulação da actividade dos empresários e dos fundos de investimento, medidas para a arbitragem, etc.

Os anos foram passando, houve a polémica saída de Marco Silva (com que concordei em substância, mas não na forma), a entrada de Jorge Jesus e nada voltaria a ser como dantes.

Com a entrada do ex-treinador encarnado, estalou a guerra com o Benfica. Em resposta aos primeiros sérios ataques que sofreu, Bruno de Carvalho definiu aí uma estratégia de ataque ao rival com base num conjunto de pressupostos que o tempo ainda não desmentiu, se é que não lhe tem dado abundantemente razão.

Vítima de vários contra-ataques, o presidente leonino procurou arregimentar as suas tropas. Aqui começou o desnecessário foguetório de directas e indirectas enviadas pelo presidente aos sócios através do Facebook. A partir daqui o conjunto das suas acções tornou-se bipolar. O bom-Bruno e o mau-Bruno que já aqui, em tempos, foquei.

Para abreviar, que este post já vai longo, chegámos a este horrível fim-de-semana e a esta lastimável segunda-feira. Não posso calar mais o que me vai na alma. Sinto-me traído! Em 2011, quando nenhum dos meus amigos e conhecidos apoiava Bruno de Carvalho (eles não me deixam mentir), eu votei nele. Suportei a estupefacção dos mais próximos, ciente de que o Sporting necessitava da energia, combatividade, liderança e espírito reformista de Bruno. O Sporting voltou a ser nosso passou a ser o lema após Bruno, finalmente, se ter legitimado em 2013. Ora, eu não vejo isso hoje. Vejo um presidente que diz que não gostou do comportamento da Assembleia, mas que não haveria qualquer problema em os sócios votarem contra as propostas de revisão estatutária - com o argumento de que à direcção apenas caberia pensar o clube e apresentar propostas e que a decisão final seria sempre dos sócios - para logo a seguir impor uma lamentável e inaceitável chantagem sobre os sócios, ameaçando demitir-se caso os novos estatutos e o Regulamento Disciplinar não sejam, em simultâneo, aprovados por um mínimo de 75% dos votos presentes numa Assembleia Geral marcada para o próximo dia 17.

Não foi para isto que votámos em Bruno de Carvalho. Os mandatos são para cumprir, a não ser que haja sinais inequívocos de má gestão, o que não me parece ser o caso. Um presidente tem de ser responsável, ter estaleca, aguentar ventos (não, não é da Amoreira) e marés e continuar ao leme. Porque é o presidente, o Comandante, "the last man standing", o último a desistir, a abandonar o "navio". Pensar que Bruno de Carvalho escolheu este timing para uma cisão destas proporções - num momento de fragilidade do rival, enfraquecido com uma série de casos que, incontornavelmente, estabelecem um debate na opinião pública - é algo impossível de aceitar. O presidente transmite a sensação de que se deixou abater emocionalmente. Não sei se é bem aconselhado, se ouve quem lhe dá bons conselhos, mas disparar na direcção dos sócios, exactamente aqueles que tinha conseguido contagiar, apenas porque não soube ou não conseguiu explicar convenientemente a bondade das suas propostas, é um autêntico hara-kiri para si e para o clube.

Concordo que esteja no clube para agir, não para andar a visitar todas as capelinhas. Não tenho a ilusão ou a vaidade que me oiça, nem me apoquenta que não me conheça. Eu quero é que o Sporting ganhe e que seja um clube sustentável (e sempre acreditei que agora seria possível). Isso, para mim, é muito mais importante do que eu ter razão. Os homens passam, o clube, desejavelmente, fica! Estávamos perto de atingir todos os nossos objectivos, mas parece que a sua atracção por tiradas escatológicas e o "Manual para Burros" levaram a melhor. É pena que um homem seja o maior inimigo de si próprio, que valorize tanto e ajude a vitimizar os, respectivamente, infra-um por cento e infra-dez por cento dos impreparados Severinos e Madeiras desta vida, que não compreenda o que é viver em democracia, que não perceba a riqueza de uma crítica construtiva, que viva obcecado com sensibilidades e grupos de opinião, que incompreensivelmente coloque "entre a espada e a parede" os sócios que lhe conferiram 90% dos votos há bem pouco tempo.

Numa altura decisiva da época ficamos suspensos por mais 12 longos dias. Uma vergonha, uma irresponsabilidade e um acto pouco próprio de um líder, o tal líder que já mostrou poder ser. O homem que já mostrou ser um competente gestor, simplesmente não consegue gerir o seu próprio ego.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - o canário na mina do carvão

A expressão "o canário na mina de carvão" deriva de uma prática antiga dos mineiros. Levado o canário para a mina, se este morresse era um sinal para os mineiros de que os níveis de monóxido de carbono estavam elevados, ou seja, havia um perigo iminente.

Na antevisão deste jogo, os sinais de alerta foram mais do que evidentes: a direcção insistiu na apresentação de uma proposta de revisão estatutária, em Assembleia Geral, que já se sabia iria dividir os sócios. Nesse transe, após uma reunião algo tumultuosa, o presidente ameaçou demitir-se. A equipa já vinha mostrando alguma falta de ideias e de fulgor. Faltavam Dost e Gelson. O treinador, em vez de moralizar aqueles que podia utilizar - e já depois dos episódios Wendel e Lumor - , entrou numa espiral de choradeira que incluiu um "Gelson e Dost são mais de 50% da equipa", chegando ao ponto de inventar os números de Gelson, dizendo que era o segundo melhor marcador e o melhor assistente (duplo erro, esse jogador é Bruno Fernandes) para melhor reforçar a sua argumentação. Depois, os jogadores, alegadamente, precisavam de tempo e treino para conhecerem as ideias de jogo do treinador e poderem jogar, mas Ruben Ribeiro entrou logo na equipa. Ah e tal, é porque é "avançado", explicou JJ, mas Rafael Leão, o único ala disponível com as características que Jesus precisa, continua fora das convocatórias. E assim, criando problemas e focando-nos em excesso neles, em vez de procurarmos soluções, lá nos deslocámos à Amoreira, curiosamente para defrontar uma equipa apelidada de "canarinha". Ele há coisas...

A manhã e início de tarde até começou bem para o clube. O Sporting provou uma vez mais ser a maior potência desportiva nacional, conquistando de uma assentada mais duas taças dos campeões europeias, mérito da aposta que o presidente tem feito nas modalidades, da organização da secção e da raça e querer dos atletas. 

Talvez por osmose, a nossa equipa de futebol continua a querer mostrar ser a mais eclética do mundo. Nos últimos jogos, ao vêr a circulação da bola, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, em sucessivas basculações, sem profundidade nem remates, esperando uma oportunidade para servir o "pivot" Dost, parecia-me que estávamos a ressuscitar o Andebol de 11. Noutros jogos, como referi neste espaço pela primeira vez a propósito da partida do Bessa, alguns jogadores pareciam tão amarrados que a coisa assemelhava-se a assistir a uma partida de Xadrez, com os peões a bloquearem-se mutuamente e tudo a ficar dependente das torres, porque "bispos", felizmente, não é para nós. Jogos houve onde a qualidade tenística de um jogador fez a diferença, como aconteceu na quarta-feira, quando Mathieu aplicou uma raquetada, um vólei, com o seu pé esquerdo. Pelos vistos para Vela é que não temos muito jeito, pois caso contrário ter-nos-íamos adaptado sem problemas aos conhecidos ventos do Estoril. Assim, fomos de vela. Lá está, a preparação é meio caminho para o sucesso. Em contrapartida, a equipa mostrou aptidão para o hóquei em campo, em especial o costa-riquenho Bryan Ruiz, tal a quantidade de cantos curtos que marcou, após ter entrado no relvado para, incompreensivelmente, substituir o até aí melhor jogador em campo do lado leonino, o lateral Fábio Coentrão. Enfim, muito jeito para várias modalidades, mas o futebol jogado é muito pouco...

Uma equipa rápida não é, necessáriamente, aquela que tem jogadores rápidos. Velocidade de pensamento e de execução, essa sim, é essencial. E o Estoril colocou isso em prática hoje, com Lucas Evangelista e Ewerton em grande evidência. Notou-se que a equipa da linha preparou bem melhor os lances de bola parada, nomeadamente, os cantos, resultando daí o seu primeiro golo. Nada que não pudesse ter sido trabalhado na ventosa Alcochete. De seguida, caímos no engodo de uma manobra de diversão criada por um avançado canarinho, que arrastou com ele Coates, deixando um estorilense na cara de Rui Patrício, o qual ainda defendeu a primeira tentativa, mas nada podia fazer para evitar a recarga. Talvez as coisas tivéssem sido diferentes, caso Bruno César não desperdiçásse uma oportunidade escandalosa e chegássemos ao intervalo a perder por dois de diferença.

No início do segundo tempo - já com Montero no lugar de Battaglia - perdemos vários golos. A equipa parecia determinada a dar a volta ao jogo, com William a comandar superiormente as operações. Fábio Coentrão subia proeminentemente pelo seu flanco, sempre na origem de lances de perigo, mas eis que, subitamente, e após o vilacondense ter sido admoestado com um cartão amarelo, Jesus decide tirá-lo do campo. Foi o canto do cisne. Com um Doumbia trapalhão, um Montero ausente do jogo, lento a executar e incapaz de jogar entrelinhas, um Ruben Ribeiro que engasga o jogo, flectindo sempre para o superpovoado miolo do terreno e um desinspirado e muito cansado Bruno Fernandes, a equipa, perdida a explosão que ia tendo pelo flanco esquerdo - até porque, concomitantemente, Acuña, hoje muito interventivo, recuou para lateral - perdeu a chama. Restava-nos Bryan Ruiz, mas este, no registo a que recentemente nos vem habituando, parece estar a executar bolas paradas com a bola em movimento...

Mathieu ainda tentou repetir (por duas vezes) a gracinha contra o Vitória de Guimarães, mas a sorte do jogo também não esteve connosco. São Patrício ainda evitou dois golos certos, mas já nada havia a fazer. O Estoril, bem preparado para as contingências deste jogo, foi um vencedor justo. Não sei se foi o adeus ao título, mas temo que esta derrota traga alguma desmobilização. De uma forma autofágica, como tão bem disse o Pedro Correia, continuamos a dar tiros nos pés. Não quero desprezar a equipa da Linha, mas hoje quem perdeu fomos nós. Sózinhos! Erros meus, má fortuna, a sina do costume...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fábio Coentrão

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Hoje giro eu - Rigor

Por uma questão de rigor, e porque este espaço não é apenas um forum de discussão de ideias mas também pretende informar, devo dizer que, em rigor, a seguir a Dost, o melhor marcador da equipa é Bruno Fernandes (10 golos). Quanto ao melhor assistente absoluto, também, é Bruno Fernandes, com 11 assistências para golo. Jorge Jesus, erradamente, referiu ontem, em conferência de imprensa, Gelson Martins como o portador dessas estatísticas. O ala tem 9 golos e 7 assistências. Fica assim reposta a verdade dos factos, esperando que tenha sido apenas uma "gaffe", pois não quero acreditar que JJ não conheça as estatísticas de jogo.

Os ausentes não jogam, não vale a pena perder tempo a lamentá-lo. Importante é dar moral, confiança a quem vai para dentro do terreno de jogo e saber encontrar as soluções necessárias para que o Sporting se imponha na Amoreira. E isso é o mais importante, numa semana conturbada, marcada por um "timing" de marcação de uma Assembleia Geral inoportuno - porque não após o final da temporada? -, em que, com o Sporting já vencedor de uma Taça da Liga e líder do campeonato nacional, vemos o presidente do clube a ameaçar demitir-se e pedidos nas redes sociais a solicitar a demissão do presidente da AG. Que os nossos jogadores, no campo, saibam dar os tiros certos: não nos pés, mas sim nas redes da baliza de Moreira. 

 

Hoje giro eu - Querem um ala? Rafael Leão

Se a necessidade aguça o engenho, a ausência de Gelson Martins deve proporcionar o lançamento de uma jovem promessa. Não havendo no actual plantel mais ninguém capaz de assegurar velocidade pelos corredores, Rafael Leão é o "wild card" que Jesus pode lançar a qualquer momento. Com apenas 18 anos (só completa 19 em Junho), a pérola da Academia de Alcochete é um jogador que dá verticalidade ao jogo. Para além disso, tem uma óptima relação com o golo: em 13 jogos realizados como profissional, a que corresponderam 686 minutos de utilização, marcou 8 golos, uma média de 1 golo a cada 86 minutos. 

Campeão europeu de sub-17 em 2016 e já internacional sub-21, alto (1,88m), forte fisicamente, bom drible em progressão, movimentos diagonais para a baliza e eficácia no remate, Leão tem muitas parecenças com um antigo produto da nossa Formação: Cristiano Ronaldo.

Rafael é um grande desafio para Jorge Jesus. O jovem parece reunir todas as características que o treinador preza. Saiba JJ complementar a sua formação e destruir-se-á o mito sobre a sua inabilidade em potenciar e dar oportunidades a jovens talentos. A equipa parece precisar das qualidades de Rafael Leão. Tem a palavra o treinador.

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