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És a nossa Fé!

A única recordação que tem do pai…

Na passada sexta-feira (10 de Nov.) quando cheguei a casa da minha mãe, um pouco antes das 20.00h, estava ela a ver o programa de fim de tarde da SIC.

Nesse programa estava a Júlia Pinheiro a debater o drama dos fogos florestais, do passado mês de Outubro. Tinha vários convidados: o Secretário de Estado da Agricultura, dois empresários da região, sendo um deles presidente de uma associação e uma senhora cuja habitação foi destruída pelo incêndio.

Dizia a senhora, que mais do que o drama de não ter habitação, pois tratava-se de primeira habitação, era o facto de ter perdido todas as memórias que uma casa de família, que passou por três gerações, comporta.

Tendo ela perdido o pai quando tinha sete anos, as suas memórias dele eram, para além daquelas que ficam de uma criança com aquela idade, as fotografias que tinham ficado e que agora, por via do acontecido, tinham sido todas destruídas pelo fogo. Todas não, houve uma excepção, aquela que não ardeu por essa senhora a trazer sempre consigo: o Cartão de Sócio do Sporting Clube de Portugal do pai.

Esta é única memória fotográfica que ficou do seu pai.

Descobrir o Palácio numa sapataria...

 «Como a condessa de Sucena, proprietária do Palácio Foz, era cliente da sapataria Benigno Linares, sócio do Sporting, Retamosa Dias induziu-o a falar com ela. E, como conta Eduardo de Azevedo, resultou do facto facilitarem-se as negociações empreendidas por Carlos Basílio de Oliveira para a instalação do Sporting nas dependências do antigo Ritz. Ao fim de oito anos, em 1941, sem qualquer indemnização, o Sporting foi compelido a abandonar o Palácio Foz, para que nos seus espaços se instalassem os serviços do Secretariado Nacional de Informação (SNI), sob o comando de António Ferro.

 

O Sporting sempre se debateu com a dificuldade em encontrar um edifício que se adequasse à instalação da sua sede. Inerente à escolha da localização da sede sempre esteve ligada a questão da falta de centralidade do clube e a necessidade de aquela se instalar num local de fácil acesso para toda a massa associativa.

Em 1931, para se ganhar tempo e instalar o Sporting num local mais central, arrendaram-se duas salas no 5º andar do n.º 13 da Praça dos Restauradores, junto ao cinema Eden. Entretanto, o presidente Oliveira Duarte (...), intentava a solução, negociando com o Club Monumental a obtenção para o Sporting daquelas instalações. O contrato não se consumou e as diligências orientaram-se para uma casa na Avenida da Liberdade. Aconteceu então que Álvaro Retamosa Dias anunciou a possibilidade de se arrendarem as dependências do antigo Ritz, no Palácio Foz, propriedade da condessa de Sucena.

As aspirações “leoninas” viriam a concretiza-se e, em 1933, o Sporting instalava a sua sede social nas sumptuosas dependências do Palácio Foz. Correspondeu à permanência de oito anos na sede social do Palácio Foz um período áureo de desenvolvimento integral do Sporting.»

 

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 90

Como tudo começou

Cristiano Ronaldo foi ontem coroado pela FIFA como o Melhor Jogador do Mundo em 2017.

Sendo um jogador a quem se reconhece uma vontade inaudita para o trabalho, o seu trabalho, convém não esquecer o talento. E quando se fala no seu talento futebolistico retenho sempre o seu primeiro golo.

Este golo.

 

Se o Pedro Correia me autorizar vou, no dia de hoje, recuperar este seu texto:

 

«Golo de CRISTIANO RONALDO

Sporting - Moreirense, 3-0

7 de Outubro de 2002, Estádio José Alvalade

 

O melhor jogador do mundo, formado na academia leonina, começou com pé direito a sua extraordinária carreira como profissional do futebol. De verde e branco. Muitos de nós ainda nos lembramos de testemunhar ao vivo este fantástico golo do jovem atacante, então com apenas 17 anos.

O astro madeirense era ainda júnior de primeiro ano quando se estreou como titular da equipa principal à sexta jornada do campeonato 2002/03, disputada no histórico Estádio José Alvalade. O Sporting, campeão em título, derrotou o Moreirense neste encontro, em que Ronaldo marcou dois golos.

O primeiro tornou-se inesquecível. Para ele e para nós. O futuro Bola de Ouro recebeu a redondinha a meio-campo, com um passe de calcanhar de Toñito, e correu com ela, caminhando para a glória. Deixou três adversários pelo caminho e fuzilou o guarda-redes forasteiro, desencadeando calorosos aplausos e entusiásticas expressões de euforia em todo o estádio. Era o prenúncio de um dos mais brilhantes destinos já registados no desporto-rei. Com a nossa marca de origem.

"Minha Nossa Senhora! Que golo magistral de Cristiano Ronaldo!", exclamou o narrador do jogo, em vibrante e espontânea homenagem à capacidade técnica do jovem funchalense, que não escondia a pressa em tornar-se monarca coroado do reino do futebol.

"Quem viu, viu; quem não viu, visse!": podemos dizer isto hoje, ao recordar este golo, parafraseando António Oliveira. No final da temporada, despedimo-nos do velho estádio, que viria a ser demolido, e de Ronaldo, que rumou a Manchester. Por uma quantia tão ridícula que devia envergonhar quem tratou desse negócio: só 8,2 milhões de euros chegaram aos cofres leoninos, como depois se saberia.

Mas essa é uma história triste, que não me apetece aprofundar agora. Fiquemo-nos pela feliz memória daquele golo inicial do adolescente de raízes modestas que não tardaria a ser conhecido nos mais recônditos recantos do globo.»

Portugal – Suíça

Ontem, no jogo que nos apurou para o Mundial’18 na Rússia, estiveram em campo pela equipa de Portugal:

- Um Imperador, um pouco ausente;

- Um Rei, William Carvalhosoberbo!;

- Dois príncipes, João Mário e André Silva;

- Nove Infantes, uns mais activos que outros;

- Um bobo, Eliseu – por ter sido o único jogador de Portugal a ver um, desnecessário, cartão amarelo.

 

Observação:

No jogo de ontem estiveram em campo dois jogadores do Sporting (Rui Patrício e William Carvalho) e dois jogadores do Benfica (Eliseu e Seferovic).

 

Pergunta:

Tendo os dois jogadores disponibilizados pelo Benfica actuado ontem, um em cada equipa (um por Portugal outro pela Suíça), por quem estariam os adeptos deste clube a “torcer”?

Frases eternas (6)

[Esperando que esteja enganado.]

«O Sporting jamais será campeão sem um homem seu na arbitragem.»

Sousa Cintra, 1992

 

E complementa:

«Já não sou virgem nisto, pouco tenho a aprender no futebol e sei muito bem o valor dos falsos ponta-de-lança que o Benfica e F. C. Porto têm espalhado por todo o edifício da F.P.F.»

 

In: História dos 50 anos do desporto português. - A Bola, Lisboa, 1995

Sim… três seria demasiado!

Não vi o último jogo do Sporting, mas acreditando nas crónicas fizemos um jogo de… trampa!

Dizem que o resultado terá sido o mais correcto, porém… parece que houve um penalty, no período de descontos, que ficou por assinalar.

Sim, nos últimos minutos, já tinha havido um com o Setúbal e outro com o Feirense.

Foi por ter existido essas duas grandes penalidades que não foi marcada esta terceira? Terá havido alguma recomendação em sinal contrário?

«-Cuidado, o Sporting já tem penalties que cheguem no final do jogo. Vejam lá a vossa vida?»

 

Já assistimos, neste campeonato, às orientações da FIFA em matéria de fora de jogo «em caso de dúvida beneficiar o ataque» serem deturpadas naquilo a que se refere a uma determinada equipa:

«- Golo!

- Golo!? Não, não marques já, deixa ver! Espera, espera! O gajo não fez a depilação e tem um pêlo à frente. É fora de jogo! Um pêlo! Clarinho, não é golo!»

 

Agora não sei, parece que as orientações da FIFA naquilo que no campeonato português será por certo:

«Os defesas adversários nos últimos minutos podem, livremente, abalroar qualquer jogador do Sporting.»

Será assim?

Não comprometeram nem prometeram…

Quando andei na escola primária tive sempre a mesma professora, excepto num curto período em que esteve doente e foi substituída por um professor.

Quase quarenta anos depois, olhando para esse período vejo a Prof.ª Lurdes como uma óptima professora e uma excelente senhora. Apesar de nesse tempo os professores ainda poderem bater nos alunos, por algum disparate feito, ela nunca o fez, contudo, já o professor, "o filho-da-mãe" do professor, que nesse longo curto período a substituiu, por qualquer razão de somenos importância deu a conhecer a dureza da régua a todos nós. Rai's o partam!!!

Nos vários exercícios que tinhamos que fazer um era quase sempre obrigatório - o ditado. Depois, de acordo com os erros que tivéssemos dado, levámos como «trabalho de casa» (a sigla TPC é para mim posterior) as palavras difíceis – aquelas palavras que tínhamos errado - as quais deviamos repetidamente escrever.

 

Olhando para o jogo de ontem, encontro algum paralelismo com o que descrevo.

Um grupo de alunos, ou melhor – jogadores -, que fizeram um ditado, isto é – um jogo -, e que deram erros.

Assim, nada melhor do que terem que fazer as «palavras difíceis».

E que «palavras difíceis» seriam essas?

Não sei, não sou a Prof.ª Lurdes (isto é – o Jorge Jesus) para o dizer!

Aquilo que eu vi foi pouco discernimento nos nossos jogadores e a baliza adversária desviar-se e baixar-se a qualquer remate por nós efectuado.

 

Posso estar a ser injusto, por certo estou, afinal de contas esta equipa não comprometeu.

Sim, não comprometeu, mas também... não prometeu.

Isso preocupa-me!

Eles disseram

“Os jogadores só têm que olhar para si. Conseguimos o objectivo, vencer. Se depois os outros ajudarem um bocadinho… melhor, é um dois em um.”

Jorge Jesus

 

"Isto é o Sporting, temos que ganhar todos os jogos"

Mathieu

 

in: Record, n.º 14026 de 17-09-2017

Porque hoje é quarta-feira (4)

1 - Quando aqui falei do grupo em que está o Sporting na Liga dos Campeões, disse que os jogadores teriam que ter uma de uma de duas atitudes:

"- Passarinhos - se assim for estamos... tramados;

- Passarões - respeitando o adversário mas com uma atitude positivamente arrogante, dominadora."

Pois ontem tiveram as duas.

Por afazeres profissionais não pude ver a primeira parte, aquela em que os jogadores foram «passarões», pelo que só vi a segunda, a dos «passarinhos».

Apeteceu dizer, desculpem o vernáculo: “Que m… é esta!?!?”

Felizmente estava 3 – 0 ao intervalo…

 

2 – Vi a segunda parte na «associação» da aldeia, a colectividade. Estava o Sporting a fazer o jogo mole que fez na segunda parte, sem, contudo, que do adversário viesse algum perigo. Até que entra um «pachuço» - uma ave de mau agoiro – e “rinhonhó-rinhonhó” bola na trave e… na jogada seguinte golo dos gregos.

Caraças, pá…

Pooossssa, "pachuço" d'um raio! - pensei eu.

E a ave de mau agoiro continua… “rinhonhó-rinhonhó” e… novo golo dos gregos. “E vão empatar” – continuava o “pachuço” - ave de mau agoiro que por certo teria saído do “Café” onde se assistia ao outro jogo.

Rai’s partam o homem...

Felizmente o árbitro terminou o jogo.

 

O Henrique, um amigo, que a meio da segunda parte, entusiasmado com o resultado, tinha ido a casa vestir a camisola do Sporting, ao assistir àquele final de jogo, “viu as coisas mal paradas” e ainda pensou que seria ela que estava a dar azar. Mas não, a camisola do Sporting nunca dá azar. Ganhámos!!!

 

P.S.: Doumbia é, indiscutivelmente, o avançado da Liga dos Campeões!

Vieira e o apito para a história

Ao ler o texto de Ricardo Roque sobre o falecimento da sócia n.º 4 do Sporting, Maria de Lourdes Borges de Castro, lembrei-me de uma outra referência do nosso clube, Jorge Vieira, que, durante muito tempo, foi o sócio n.º 1.

Jorge Vieira, sucessor de Francisco Stromp, capitão da seleção nacional nas Olimpíadas de Amesterdão de 1928 e figura maior do futebol nacional teve uma outra particularidade que muitos, por certo, desconhecerão: foi o primeiro árbitro internacional do futebol português.

 

«Jorge Vieira tornou-se, aos 23 anos, o primeiro árbitro internacional português, apitando em Bilbau, um jogo de desforra entre a Espanha e a Bélgica [10 de Outubro de 1921].

 

Estava nos hábitos do tempo (1921) haver jogadores de grande categoria - como Francisco Stromp, Cosme Damião, Ribeiro dos Reis e Cãndido de Oliveira - a arbitrar jogos, normalmente os mais difíceis.

Em Outubro de 1921, nas vésperas de um Espanha - Bélgica rodeado de grande expectativa, a União Espanhola solicita à União Portuguesa de Futebol a nomeação de um árbitro português.

Com apenas 23 anos de idade, o jogador do Sporting aceitou o convite, mesmo sabendo que era um jogo de desforra, pois em 1920, as duas disputaram o título olímpico, em Antuérpia. Venceu a Bélgica; a Espanha ficou em segundo lugar. Neste jogo foi ao contrário: venceu a Espanha. O ‘Diário de Notícias’ informa: “Nunca um match internacional de football despertou entre nós um interesse tão grande. A razão estava em ir arbitrar esse match um juiz português, tendo a Associação de Foot-Ball escolhido para desempenhar esse cargo Jorge Vieira, o magnífico back do SCP.

Um árbitro em ombros por ser... imparcial!

A escolha de Jorge Vieira levantou uma certa celeuma, havendo mesmo quem chegasse a aventar que Vieira não tinha competência. Os telegramas recebidos dizem que a vitória coube ao team espanhol por 2 goals contra 0, e acrescentam que vencedores e vencidos foram unânimes em reconhecer em Jorge Vieira competência e imparcialidade.”

‘O Século’, por seu lado, adianta: “O desafio de foot-ball entre a selecção belga que tomou parte nas Olimpíadas de Antuérpia, classificando-se em primeiro lugar e a espanhola, que se classificou em segundo, foi ganho pelos espanhóis por 2 goals a 0. O jogador português Jorge Vieira, que arbitrou o desafio, foi, no final levado em triunfo pela forma correcta e imparcial como se conduziu.»

In: Glória e vida de três grandes. A Bola, 1995, p. 34-35

 

Leitura complementar no jornal « i »

 

P.S.: Em 1984 ou 1985, tinha eu 12/13 anos, tive o prazer de, juntamente com o meu pai, tirar uma fotografia com Jorge Vieira, e uma outra com o eterno capitão Manuel Fernandes, num encontro do Núcleo de Sportinguistas de Coimbra que se realizou, creio eu, na Liga dos Combatentes – na rua da Sofia.

Era só um e chamava-se Peyroteo (4)

«Entrar com o pé direito, rapazes!...

 

Jogo no Estádio Alvalade contra equipa de alto valor, muito capaz de criar amargos de boca ao Sporting; o grupo adversário era tão bom como o nosso.

Na cabine, como habitualmente, muitas recomendações do treinador, dos técnicos da respectiva secção e, também, alguns conselhos, à meia voz, dados, gratuitamente, pelos “amigos” que (não se percebe como!) sempre conseguem entrar nas cabines, antes de começarem os jogos.

Aproxima-se a hora e alguém recomenda: -“Entrem com o pé direito, rapazes! Não esqueçam isto; pé direito!...”

A mim particularmente, também me fizeram a recomendação mas como até aquele momento sempre achei graça às superstições, pensei logo em fazer o contrário, mas nada disse.

Saímos da cabine e, junto à linha lateral, ouvia-se a mesma voz: “Entrem com o pé direito!...”

Eu, como pensara, disposto a brincar com o supersticioso, entrei no rectângulo com o pé esquerdo.

O desafio começou mal para o Sporting e para mim. Havia dez minutos de jogo e já perdíamos por 1-0. Eu não dava, na bola, um pontapé com jeito. Todos os sportinguistas desejavam o golo do empate e, possivelmente, outro a mais; porém, o avançado-centro nada conseguia.

O tempo ia passando até que a bola saiu pela linha lateral precisamente no sítio onde entráramos, e tal era o desejo de não perder tempo que fui fazer o lançamento da bola. Não sei porquê lembrei-me da recomendação… “entrar com o pé direito…” e da maroteira que fizera.

Quando o meu pé esquerdo ia a pisar o risco, num trocar rápido de passo, entrei com o pé direito!

Sabem o que aconteceu? Apenas isto: duas vezes a bola veio ao meu pé direito e foram dois golos seguidos!...

Resumo: O Sporting ganhou o desafio e eu – desde o lançamento da bola – fiz um bom jogo!

Não sei se a pessoa que, insistentemente, nos fez a recomendação, reparou no que fiz, mas certo é que nunca me falou nisso, talvez porque a superstição deixa de ter valor quando divulgada!»

 

Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 303-304

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