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És a nossa Fé!

Bom ou mau sinal?

Tenho acompanhado a pré-época do Sporting aqui no blogue bastante angustiada, esta série de derrotas não augura nada de bom. Será que vamos entrar numa nova época de desaires, que nos deixam como que anestesiados, de tanta impotência? Ou será que acontece o contrário, ou seja, quando for a sério, a equipa entra a matar?

O meu marido animou-me, dizendo algo do género: mais vale perder na pré-época e começar a ganhar depois, do que o contrário.

OK, vamos “acarditar”. E esperar que os responsáveis pela nossa equipa saibam o que andam a fazer (por vezes, dão mesmo a impressão de que não fazem ideia).

Se serve de consolação, diga-se que o Bayern, a participar num torneio na China, com o pomposo nome de “International Champions Cup”, também começou mal a sua pré-época, perdendo 3:2 com o Arsenal. Nos noventa minutos regulamentares, não foi além de um empate a uma bola, perdendo depois na marcação de grandes penalidades. E, se serve para aumentar a consolação, Renato Sanches falhou o seu penálti.

Acho que chega para um sorrisinho…

Salada Russa

A conversão da Rússia já era.

O milagre de Fátima passou a ser a vitória de Salvador Sobral no Grand Prix Eurovision de la Chanson. Um certame que, este ano, foi boicotado por um país: a Rússia!

 

Mas parece que um tal Tetra também se deu por influência do centenário de Fátima.

Hmmm... Tetra-Tetris: Rússia?

 

Pelos vistos, o Benfica, que cilindrou o Guimarães, é o único clube, pelo qual Nossa Senhora está autorizada a intervir.

 

Já nem D. Afonso Henriques nos vale! Mas quem precisa do fundador da nação, quando se tem uma geringonça? Desde que ela tomou conta dos destinos cá do burgo, é um fartar vilanagem:

2016 - Campeões Europeus de Futebol

2017 - Vencedores do Eurofestival

 

E em 2018, graças a Nossa Senhora e à geringonça, havemos de ser Campeões do Mundo!

Onde? Na Rússia!

 

- E o Sporting será finalmente campeão.

- Cala-te!

Faz tão bem!

O jogo de ontem não foi transmitido pela RTP internacional, mas felizmente houve um canal alemão que o fez: o RTL Nitro. Nunca a seleção portuguesa teve este estatuto e faz muito bem ouvir o comentador alemão Markus Kavka referir-se aos nossos jogadores como "os campeões europeus", ou "a seleção campeã da Europa".


É certo que, apesar de uma certa força inicial, os húngaros se tornaram inofensivos, depois de sofrerem os dois primeiros golos, mas é igualmente isso que define uma boa equipa: Portugal dominou o jogo. Markus Kavka fartou-se de nos elogiar. Portugal jogou como se estivesse destinado a voos mais altos.
Esperemos que sim!

A angústia do árbitro perante o golo

Hoje, dia de jogo da nossa seleção, aproveito para falar de um antigo árbitro da FIFA: o suíço Urs Meier (eu já explico a ligação). É muito conhecido na Alemanha, já que, depois de terminada essa sua carreira, em 2004, inciou uma outra, como comentador do canal ZDF, ao lado de Jürgen Klopp (o famoso treinador do Dortmund, que está, neste momento, em Liverpool) e, por vezes, Franz Beckenbauer. Enquanto Jürgen Klopp analisava o desmpenho das equipas, Urs Meier funcionava como expert de arbitragem.

 

Du Bist Die Entscheidung.jpg

 

Recentemente, o suíço surpreendeu ao publicar um livro de auto-ajuda, com o título: TU és a decisão - agir rapida e resolutamente (tradução minha e literal do alemão). Urs Meier baseia-se na sua experiência como árbitro de futebol e defende a tese de que devemos confiar mais no nosso sexto sentido. O primeiro capítulo intitula-se precisamente: "Como usar a intuição numa decisão" e inicia-se assim:

 

"Quartos-de-final do Campeonato Europeu de 2004. Minuto 89 do jogo Inglaterra contra Portugal. 1:1 no marcador."

 

Urs Meier enche quatro (!) páginas (as primeiras deste livro) com esse minuto 89, em que ele assinalou uma falta contra Portugal, da qual resultou um golo de Campbell. O árbitro suíço anulou esse golo, porporcionando assim que Portugal passasse à meia-final por penáltis. Foi uma das piores decisões da sua vida, diz ele, porque, apesar de realmente ter havido uma falta de John Terry sobre o nosso guarda-redes Ricardo, ele não a viu! Confessa que estava em má posição e a confusão na grande área portuguesa era enorme, numa amálgama de vinte jogadores. Mesmo assim, ele quebrou uma regra dos árbitros que diz "só apitar o que se vê" e anulou o golo! Baseado na sua intuição! Quando a bola entrou na baliza e os ingleses festejavam, enquanto os portugueses reclamavam desesperados, Urs Meier notou que John Terry, em vez de se juntar ao regozijo dos seus colegas, olhou para ele. E a sua intuição disse-lhe: se o jogador olha para mim, numa altura destas, é porque tem a consciência pesada. E anulou o golo apenas baseado nisso.

 

Mais tarde, o vídeo do lance provou que houve falta. Mas também provou que era impossível Urs Meier tê-la visto. O árbitro teve problemas com a FIFA, um jornal inglês divulgou o seu endereço eletrónico e ele recebeu 16 000 emails de protesto, ameaças de morte inclusive. Deu por terminada a sua carreira ainda nesse ano.

 

Urs Meier proporcionou a primeira final portuguesa num Campeonato da Europa. E o minuto 89 do jogo entre Portugal e a Inglaterra fica eternizado e descrito ao pormenor neste seu livro.

Evidências

Não é só A Bola, Pedro! A RTP também entra no jogo.

 

Ontem, Pizzi veio garantir, em conferência de imprensa, que os jogadores do Benfica vão colaborar com os jogadores do Porto nos jogos da seleção, mesmo estando o derby à vista!

 

Como?

É preciso vir garantir uma coisa dessas perante os jornalistas? E é notícia de Telejornal?!

 

Pois foi com esta não-notícia que o serviço público de televisão, no seu principal noticiário, se referiu ontem aos jogos da nossa equipa de todos, dando largos minutos de tempo de antena a Pizzi e às suas bombásticas declarações.

Serenidade

Aproveito esta palavra utilizada pela Marta Spínola, a fim de responder ao repto lançado pelo Pedro Correia. Serenidade não resolveria todos os problemas do Sporting, mas penso que daria uma grande ajuda. E a serenidade teria de vir do Presidente!

 

Confesso que estou desiludida, acima de tudo, com Bruno de Carvalho. Digo isto, não para o desanimar, muito menos para o ver pelas costas. Nunca fui de opinião de que os problemas se resolvem substituindo pessoas, acredito mais no diálogo e na reflexão (mais uma palavra “roubada” à Marta Spínola). Claro que isso pressupõe que as pessoas estejam dispostas a dialogar e a refletir.

 

Bruno de Carvalho começou muito bem, não podia mesmo começar melhor. Ele foi o novo Presidente certo na altura certa. Porém, não sei se foi pela euforia criada na excelente época passada, se foi por problemas pessoais (não pretendo especular, apenas procurar razões) tem causado muita agitação no clube.

 

Que esta época tenha começado com alguns solavancos, é natural, depois dos talentos que nos deixaram. E também não é segredo nenhum que os árbitros tomam decisões, no mínimo, polémicas. Mas, por isso mesmo, é que o mote deveria ser a serenidade. Reclamar também é legítimo, mas é preciso saber reclamar, o que é bem diferente de insultar, ou mesmo provocar rixas!

 

Desde o episódio com o Presidente do Arouca, em Alvalade, a situação do clube piorou, foi mesmo a partir daí que o Sporting começou a descarrilar sem controlo. E culminou com a ida de Bruno de Carvalho aos balneários, em Chaves. Pelo meio, tivemos publicações, no mínimo, desaconselháveis, nas redes sociais. Haverá outros problemas, nomeadamente técnicos, cuja complexidade não sei avaliar e acredito na opinião dos meus colegas, quando dizem que Jorge Jesus tem vindo a cometer erros. Entendo, no entanto, que é dever do Presidente cuidar para que haja sossego e harmonia, independentemente da eficácia do treinador. Bruno de Carvalho tem feito o contrário!

 

Os jogadores estão revoltados. Jogam mal e/ou desinteressadamente. Penso que é a sua maneira de protestar, de fazer greve. Os jogadores do Sporting estão em greve! Eu sei que eles ganham muito bem, mas há sempre um limite para aquilo que estamos dispostos a aceitar. E, pelos vistos, eles pensam que esse limite foi ultrapassado… Há que procurar as razões! Espero que os responsáveis do clube saibam encontrar um novo caminho e dar novo alento à equipa. Apesar de todas as desilusões, nas últimas semanas, e parafraseando Luís Aguiar Fernandes, tudo isto não quer dizer que já não há nada por que lutar: há lugares para conquistar e uma imagem para limpar.

Confiança no futuro

É depois de golpes como o de ontem à noite que se torna cliché dizer que é preciso ter confiança no futuro. E se torna difícil arranjar essa confiança, quando estamos há quinze anos à espera de um campeonato e constatamos que ainda não será desta…

 

Não quis, porém, deixar de mencionar uma vitória do nosso clube, apesar de ter sido num torneio de sub-12, pois participou o sobrinho de uma amiga minha de juventude. Foi em Kuala Lumpur, igualmente ontem, 18 de Dezembro.

 

Torneio Kuala Lumpur.jpg

 

Tinha perdido o contacto com a Elsa, quando vim para a Alemanha em 1992, mas recuperei-o há cerca de dois anos através do Facebook, claro está. Reencontramo-nos, pouco depois, em V. N. de Gaia, onde eu morei e onde ela continua a morar. Durante a conversa, ela falou-me no sobrinho, Martim Marques, que quer fazer carreira no futebol e que joga «lá no teu clube». Enfim, estamos nos arredores da cidade do Porto…

 

O Martim Marques, que joga na posição de extremo-esquerdo, é novo demais para ter assistido a um campeonato ganho pelo Sporting. Mora em Aveiro, onde treina no Gafanha, mas desloca-se todos os Sábados a Lisboa, a fim de usar e servir a camisola que, apesar dos desaires, tanto amamos.

 

Martim Marques.jpg

 

O miúdo que, na próxima fotografia, aparece a dar o autógrafo da praxe, depois da vitória na Malásia, tem um sonho para o próximo ano, em que completa os treze: entrar na Academia Sporting. A família apoia-o e, embora a sua vida passe a ser ainda mais complicada, caso o sonho se concretize, espero que o Martim se torne num grande futebolista e assista a muitos campeonatos ganhos pelo Sporting, alguns, quem sabe, com a sua ajuda…

 

Martim Marques (3).jpg

 

Nota: o texto e as fotografias foram publicadas com a autorização da família do Martim Marques.

Bundesliga

Dortmund Nov 2016.jpg

 

Permitam-me uma pausa para falar de algo que não tem a ver com o Sporting (a não ser por se tratar de um clube que foi seu adversário, há pouco tempo). E porquê? Porque há várias épocas que a Bundesliga não andava tão interessante, devido ao domínio incontestável do Bayern de Munique.

 

Ontem, o Bayern perdeu o primeiro lugar ao ser batido por 1:0 pelo... Dortmund (por acaso, o meu clube favorito, neste país onde vivo). A crise está aberta no clube bávaro, o treinador Carlo Ancelotti encontra-se em dificuldades e, apesar de Pep Guardiola ter sido bastante criticado enquanto esteve à frente de uma das melhores equipas do mundo (havia quem dissesse que a sua tática não se adequava ao futebol alemão) o certo é que o clube nunca esteve em tão maus lençóis durante a sua regência.

 

Assim se aproximou o Dortmund novamente do topo da tabela, contacto que parecia ter perdido, devido a uma fase menos boa. Encontra-se agora em 3º lugar (embora empatado em pontos com o Colónia e o Hertha Berlim), a 3 pontos do Bayern e a 6 do líder.

 

E por falar em líder, essa é a segunda grande surpresa: o RB Leipzig, que na época passada jogava na 2ª divisão, lidera agora a Bundesliga!

 

Foto RTP

 

Adenda: o Sábado é o dia principal das jornadas da Bundesliga e os dois jogos a realizar hoje em nada vão modificar o topo da tabela.

O meu pai é melhor do que o teu!

Embirro com expressões do género: «foi assim que aprendi, tive quem me transmitisse valores»; ou «em minha casa, sempre houve educação». Como se fosse uma virtude própria e não pura sorte! Expressões destas são, no fundo, uma forma de discriminar os outros, levada a cabo por gente que normalmente se vangloria de não discriminar, porque, afinal, em sua casa «transmitiram-se valores».

 

Tive acesso, através de uma notícia, a um texto publicado na página do Arouca no Facebook. É difícil de classificá-lo, de tão rasca e insultuoso, onde se fala de um presumível ser, de quem se duvida ser humano, que tenta desafiar uma «família unida e feliz». O seu autor deve julgar-se muito nobre e esperto, um verdadeiro virtuoso das palavras, mas apenas demonstra a sua ignorância e pobreza de espírito.

 

Não vou aqui referir todos os insultos contidos no texto. Quem quiser ler, só tem de clicar no link dado. Mas vou falar de um tipo de insulto que, na minha opinião, é do mais rasco que há e só demonstra a arrogância, baseada num grande complexo de inferioridade, de quem o faz.

 

«Passou por experiências animalescas traumáticas na sua infância»; «Diz-se, ainda, que devido à infância animalesca e traumática passada num país distante, procura sempre o Pai no fim dos compromissos, mesmo que o seu digno Pai não se encontre em sítio algum».

 

Eu não faço ideia que tipo de infância o Presidente Bruno de Carvalho teve. Nem quero saber. Isso é assunto dele e de mais ninguém. É legítimo criticar, com argumentos válidos, opções de vida ou tipos de comportamento. Mas não o é achincalhar por supostos traumas de infância. Faz-me lembrar quem insulta apontando problemas mentais, ou alguma doença psicológica. Alguém escolhe ter uma doença? Desculpem, mas é o mesmo que insultar uma pessoa por ter cancro, ou ter sofrido um ataque cardíaco! Demonstra muita baixeza e infantilidade.

 

Ao autor do texto, que, pelos vistos, ainda não saiu da fase «o meu pai é melhor do que o teu», apetece-me dizer: cresce e aparece!

 

 

Ainda em relação ao jogo contra o Dortmund

Declaro que também gostei da atitude da equipa. Não é vergonha nenhuma perder por 1:0 no estádio do Dortmund, em noite de casa cheia (lotação esgotada, com 65.849 espectadores). Mas, tal como o Pedro Correia, lamento a dicotomia: «bons desempenhos frente ao Real Madrid e ao Borussia Dortmund alternados com fraquíssimas exibições frente ao Rio Ave, Tondela e Nacional» (nos comentários). Esperemos que esta situação se modifique.

 

Quanto à transmissão do canal ZDF, tenho a realçar a atitude muito fair-play do jornalista responsável pelo acompanhamento do jogo, que, sem esconder a alegria que lhe proporcionava a vantagem do Dortmund, elogiou o Sporting e a sua Academia (não lhe fixei o nome, peço desculpa, nem o encontro no link da ZDF).

 

Resta-me dizer que espero que consigamos passar à Liga Europa. Sempre é melhor chegar aí longe, do que soçobrar, nos oitavos-de-final da Champions, no primeiro embate com um dos grandes.

O que nos espera...

O canal alemão ZDF vai transmitir em direto o jogo entre o Dortmund e o Sporting.

 

Depois de ter começado muito bem, o Dortmund passa por uma fase mais fraca, na Bundesliga. Mas todos sabemos que, se o Sporting continuar a jogar como nas últimas semanas, facilmente apanha 3 ou 4 secos. Não quero lançar um mau agoiro sobre o jogo, mas também não adianta esconder a verdade.

 

Desejo muito que o Sporting nos honre, que mostre, na televisão alemã, que sabe lutar e jogar futebol, que, como diz o Pedro Correia, nenhum verdadeiro Leão atira a toalha ao chão! Espero que Jorge Jesus encontre a verdadeira tática e que os jogadores estejam inspirados, com espírito de luta e, acima de tudo, que não tenham medo!

 

Não me deixem mal, rapazes!

 

FORÇA SPORTING!!!

Nós amamos-te!

Os trunfos da guerra psicológica

Desculpem insistir, mas, quanto mais penso na noite mágica de 10 de Julho de 2016, mais fico convencida de que muito daquele jogo se jogou fora do campo.

 

A final do Euro 2016 teve dois momentos decisivos, que Portugal, com uma perspicácia incrível, soube aproveitar em seu favor. O primeiro foi a entrada dura de Payet, que lesionou Ronaldo, um rude golpe para a equipa e para todos nós, que tanto sonhávamos com o triunfo. E, ironia do destino, foi mesmo aí que ele começou! Fernando Santos e Ronaldo souberam virar o feitiço contra o feiticeiro. A partir do momento em que o nosso capitão deixou o campo numa maca, desfeito em lágrimas, Portugal tomou conta do estádio de Saint Denis. Uma nuvem de mau agoiro passou a pairar em cima dos franceses, muitos se devem ter perguntando se tinham ido longe demais, naquela estratégia combinada de antemão (talvez com o árbitro). E tiveram mais dificuldades em superar o sentimento de culpa, do que os portugueses em compensar o golpe.

 

Quem pode imaginar o que se passou nos balneários portugueses, durante o intervalo? Não sou mosca, nem tenho qualidades de vidente, mas arrisco dizer o seguinte:

Ronaldo não estava, afinal, seriamente lesionado. Não seria lógico que ele assistisse à segunda parte do encontro no banco dos suplentes? Não o fez! Porquê? Porque, em conjunto com Fernando Santos, disse aos colegas: segurem o jogo, o mais importante é não sofrer golos, enquanto se desgastam os franceses e se força o prolongamento; nessa altura, Ronaldo aparecerá.

 

Durante a segunda parte, todos se perguntavam onde estaria Ronaldo, imaginando os cenários mais pessimistas. Sim, o comentador alemão da ARD, que nunca morreu de amores por ele, perguntava-se onde estaria, se já teria ido para o hospital… E lamentava não ter informações.

 

Quase no final dos regulamentares 90 minutos, aquela bola ao poste dos franceses dançou sobre a linha, mas não entrou - a confirmação de que, desta vez, a sorte estava do nosso lado. E, acabado o jogo, Ronaldo fez a sua entrada triunfal, de joelho ligado, mas pelo próprio pé!

 

A fénix renascia das cinzas, o segundo momento decisivo da noite! Nunca me esquecerei da surpresa que senti, quando as câmaras o mostraram. Ele e Fernando Santos davam o segundo golpe naquela guerra psicológica. E os franceses acabaram por capitular. Na segunda parte do prolongamento, foram eles que começaram a rezar pelos penáltis, não nós! Éder, o herói, teve sangue-frio, teve pontaria… Depois de ludibriar a defesa abananada de uma equipa de rastos.

 

Na sua guerra psicológica, Fernando Santos e Ronaldo correram muitos riscos. Mas o que tinham a perder?

 

Jogaram os trunfos certos, nos momentos certos. Tudo é psicologia, nesta vida.

Descalabro

Alemanha Euro 2016.jpg

 

Uma fotografia que retrata bem o descalabro da Alemanha neste Euro.

Boateng lesionado, com as suas "meias esquisitas"; colegas desorientados que tentam consolá-lo...

O jogador foi mandado para o campo, apesar da uma condição física desaconselhável? Ou teria ele próprio exigido jogar?

Acredito mais na primeira hipótese, não vejo Jogi Löw a ceder a exigências dos seus jogadores. E o gesto solidário e carinhoso de Kimmich em relação ao colega é, para mim, ilucidativo.

 

Fotografia daqui.

Felizmente, há sempre quem tenha a cabeça no lugar...

Como os colaboradores e os leitores deste blogue já sabem, este Euro não tem sido fácil para mim, em terras germânicas. Uma campanha contra Portugal, por parte dos media alemães, que quase se pode apelidar de difamatória, cai como faísca em seara seca num país que, apesar de adorar as praias portuguesas, nunca gostou de Ronaldo, vá-se lá saber porquê.

 

Por isso mesmo, é com muito gosto que venho hoje aqui afirmar que há quem reme contra a maré. Porque, afinal, e como também já disse, eu gosto de viver na Alemanha.

 

Através de uma nossa colega de blogue, a Helena Ferro de Gouveia, tomei contacto com dois artigos do site da Stern que, para utilizar uma expressão alemã (adaptada a Português), "expuseram aquilo que me vai na alma".

 

Num deles, assinado por Tim Sohr, e mais focado na prestação da nossa equipa, rebate-se a ideia de que o futebol português carece de qualidade, elogiando as diferentes táticas: contra a Croácia, desgastar o adversário com uma defesa eficiente e dar o golpe perto do final; contra a Polónia, aguentar-se até à marcação de penáltis e ganhar; contra Gales, fazer valer a receita centro-cabeçada-golo. Mais simples e eficiente não há.

 

Tim Sohr acrescenta ainda que o 3-3 contra a Hungria, ainda na fase de grupos, persiste, até ao momento, como o jogo mais espetacular deste Euro.

 

Um outro artigo, de autoria de Finn Rütten, centra-se em Ronaldo, não encontrando razão para tanta má-língua. Aliás, Finn Rütten mostra-se apreensivo com o ódio que encontra nas redes sociais, perguntando: como se pode dizer odiar alguém, sem nunca sequer se ter falado com essa pessoa? E afinal, qual é o problema com Ronaldo? Com três golos e duas assistências, ele é, sem dúvida, um dos melhores jogadores deste Euro.

 

Finn Rütten chama ainda a atenção para as qualidades humanitárias do nosso melhor jogador (dando alguns exemplos, como o de dar sangue regularmente, ou pagar operações a crianças necessitadas) e, se admite que Ronaldo seja vaidoso, ou mesmo convencido, com gestos escusados em campo, pergunta porque é que os alemães, por outro lado, acham tanta piada ao sueco Zlatan Ibrahimovitch, que se deve ter banhado num pote de vaidade quando era criança.

 

Na Alemanha, como em todo o lado, há gente estúpida e gente inteligente; gente que vê e gente que não quer ver.

Assustador continua o facto de ser tão fácil manipular a opinião pública...

Alemães: disciplina a mais, aliada a censura?

Gosto muito das análises que o Pedro Correia faz dos jogos e dos jogadores, normalmente, coincidentes com a minha opinião. Acontece que, como já aqui referi, não sou perita em futebol, a minha presença neste blogue justifica-se, acima de tudo, pelo amor ao Sporting. Receio sempre que as minhas opiniões não tenham fundamento sólido, já que são baseadas em intuição. Porém, quando o Pedro Correia fala em falhas infantis dos alemães e no seu cansaço anímico que superou o cansaço físico, não posso deixar de pensar que as minhas observações e reflexões têm a sua razão de ser.

 

Os alemães são conhecidos pela sua disciplina e força de vontade, características aperfeiçoadas por Joachim Löw (vulgo Jogi Löw), pois Klinsmann (o selecionador que o precedeu), embora não esquecendo as suas raízes germânicas, concedeu à equipa um espírito mais solto, fruto das suas temporadas nos EUA (penso que até tem lá a sua residência oficial). Jogi Löw cultiva o rigor e a disciplina e, por isso mesmo, a Alemanha foi Campeã do Mundo há dois anos. Na minha opinião, porém, excedeu-se neste Euro 2016.

 

A Alemanha partiu para o torneio com a obrigação de o ganhar. Penso que Löw não admitia outro resultado e valeu-se, não só da disciplina férrea, como de sigilo absoluto sobre tudo o que rodeava os seus jogadores. Estranhei, desde o início, o facto de, na Alemanha, ninguém se atrever a criticar fosse o que fosse sobre a atuação da equipa. Os media elogiavam-na exageradamente, ao mesmo tempo que criticavam as outras, sendo Portugal, infelizmente, o “bombo da festa”. Apenas o comentador da ARD Mehmet Scholl, antigo jogador do Bayern e da seleção alemã (com raízes turcas) se atrevia a defender Portugal e Ronaldo, mas logo ouvia bocas menos amigáveis do jornalista que o acompanhava, Matthias Opdenhövel. Não eram atitudes bonitas e surpreenderam-me, pois os jornalistas alemães costumam ser isentos. Seria parte da tática combinada com Löw?

 

O primeiro jogo da Alemanha correu como planeado, vitória de 2-0 sobre a Ucrânia. Já o segundo trouxe problemas: 0-0 frente à Polónia (sim, empataram, tal como nós!). Houve cenas de desentendimentos durante o jogo, com Boateng a discutir com colegas. Todos se perguntavam: o que se passa com a seleção? Da parte de Löw, silêncio absoluto. Só passado dois dias, veio anunciar que todos os problemas estavam sanados (sem explicar quais haviam sido), declarações acompanhadas de imagens dos jogadores em plena harmonia.

 

O terceiro jogo também não foi famoso: 1-0 contra a Irlanda do Norte, e notava-se uma grande ânsia dos media em dizerem que a seleção havia recuperado a sua forma. Embora só tivessem ganhado por um golo, tinham tido oportunidades de sobra, diziam, podiam ter ganho por 3 ou 4 a zero. Estranhei, pois costumam apontar a Portugal o defeito de baixa concretização frente à baliza. Entretanto, surgiram rumores de jogadores lesionados, incluindo Boateng, acompanhados de comentários de que não havia problemas, pois a equipa médica fazia milagres!!!

 

O jogo com a Itália foi o descalabro que se viu. A Alemanha com um medo incrível e Boateng cometido com aparente vocação para ser polícia sinaleiro, sem esquecer aquela inacreditável reposição de bola feita por Neuer, que deve ter arrepiado milhões de germânicos. Pois no arrepio é que o Pedro Correia se engana (e o que torna tudo mais estranho)! Ninguém fala destes falhanços infantis (nem população, nem jornalistas), tão-pouco dos penáltis falhados por três grandes jogadores! É como se estes lapsos nunca tivessem existido. Pelo contrário! O tal jornalista Matthias Opdenhövel caracterizou este jogo execrável como “futebol tático ao mais alto nível” (no original: taktischer Fußball auf höchstem Niveau). Mehmet Scholl foi o único que se atreveu a criticar a equipa alemã, sendo inclusive bastante duro (e com razão), o que lhe valeu protestos enérgicos de Löw e dos seus colaboradores. Chegou-se a recear que Scholl tivesse de deixar a sua função de comentador da ARD, mas ele lá se desculpou e foi autorizado a ficar.

 

O jogo com a França dispensa comentários, resumido nas palavras de Pedro Correia: o cansaço anímico superava o cansaço físico na selecção alemã. Nesse dia, de manhã, eu tinha ouvido Löw na rádio (ouço sempre rádio ao pequeno-almoço) e impressionou-me o stress que senti na sua voz e nas suas palavras. Parecia mesmo que estava engasgado, aflito, medroso. E, em campo, os jogadores refletiram esse stress, em desespero por um golo e cometendo mais erros infantis (incluindo do capitão Schweinsteiger, ditando a derrota). Uma nota para Boateng, que jogou com umas meias esquisitas e teve de sair a meio, lesionado, o que me leva a pensar que já o estava antes do jogo e foi forçado a jogar. Mas não o posso confirmar, pois disso ninguém fala…

 

Treinador e jogadores sob grande pressão num sigilo absoluto a lembrar verdadeira censura. E tudo pareceu combinado com os media. Não me atrevo a dizer que lembrou outros tempos, gosto demais da Alemanha e do povo alemão atuais para afirmar uma coisa dessas.

 

[Adenda ao texto original: peço desculpa por me ter esquecido do jogo dos oitavos, contra a Eslováquia, ganho pela Alemanha por 3-0, um jogo que recuperou a esperança na equipa. Como todos sabemos, porém, a Eslováquia não é uma potência futebolística e este resultado, além de ter sido mais ou menos esperado, em nada modifica o sentido da minha mensagem].

À laia de comparação

Não sou perita em futebol, por isso, costumo deixar as análises para os meus colegas de blogue que entendem muito mais disso. Porém, gostava de deixar aqui algumas notas sobre o percurso da nossa seleção neste Euro, fazendo ainda uma pequena comparação com os alemães (que, neste caso, ainda me estão atravessados).

 

Sim, a fase de grupos não foi famosa. Mas as regras eram claras: um terceiro lugar dava boas hipóteses de passar aos oitavos. Vencer todos os jogos, alcançando o número máximo de pontos, era mais bonito? Era. Mas não levávamos nenhuma taça para casa por tal proeza.

 

Tivemos de ir ao prolongamento no jogo contra a Croácia e passámos aos quartos sem ter ganho um único jogo nos regulamentares 90 minutos. E depois? O Quaresma marcou um verdadeiro "Golden Goal", já perto do fim, não dando à Croácia hipótese de conseguir o empate. É preciso mais eficácia?

 

Contra a Polónia, mais um empate que até teve de ser clarificado por penaltis. Pelo menos, não precisámos mais do que os cinco regulamentares, todos os jogadores escalados para os marcarem cumpriram a sua missão. Ao contrário dos alemães! Contra a Itália, houve três prestigiados jogadores alemães que falharam a sua grande penalidade: Müller, Schweinsteger e Özil. Ninguém fala disso, neste país. E, no entanto, quando o Ronaldo falhou o penalti contra a Áustria, todos se riram dele!

 

Estamos na final. Sem medo, por favor, seja qual for o adversário!

 

Força Portugal!

Coisas que não se compreendem

É a custo que escrevo este texto, pois gosto de viver na Alemanha, país onde me sinto bem há 24 anos. Além disso, dei, durante algum tempo, aulas de Português a alemães, em Hamburgo, sempre constatando que os germânicos adoram Portugal. Por isso, é-me muito difícil compreender a atitude dos comentadores futebolísticos alemães em relação à seleção portuguesa, neste Europeu.

 

aqui tive ocasião de referir que os alemães não gostam de Cristiano Ronaldo, acham-no convencido, possuidor de um ego descomunal e irremediavelmente sobrevalorizado. Mas os comentários sobre a seleção portuguesa ultrapassam, desta vez, os limites. Evito ao máximo criticar outros modos de ver, influenciados por culturas e mentalidades diferentes, mas não vejo razão para tanto exagero.

 

Os comentadores chegaram ao ponto de dizer que não se compreendia que uma equipa, que ainda não ganhou um jogo no tempo regulamentar de 90 minutos tivesse chegado às meias-finais (como se prolongamentos não fizessem parte de torneios deste género)! A reboque, aproveitam para criticar esta nova modalidade do Campeonato Europeu, que permite que tantos terceiros lugares sobrevivam à fase de grupos e que equipas do calibre da Espanha, Itália e Alemanha se defrontem a partir dos oitavos-de-final!

 

Arrasaram por completo o jogo entre Portugal e a Polónia, monótono, indigno de uns quartos-de-final, insinuando que uma equipa que se preze resolve as eliminatórias nos regulamentares 90 minutos (!) e desdenhando completamente da passagem à fase seguinte por penaltis!

 

Pois bem, ontem à noite, foi o que se viu…

 

Concordo plenamente com a análise do jogo feita pelo Pedro Correia. Porém, se tinha esperanças de que os alemães caíssem em si, elas dissiparam-se perante incrível golpe de rins. Não foi um jogo monótono, dizem eles, foi «futebol tático ao mais alto nível»! Os momentos dos penaltis? Foi um autêntico «policial futebolístico», de um «suspense de arrasar os nervos»!

 

Não estava à espera de tanta subjetividade por parte de comentadores e jornalistas germânicos. Mas, enfim, estamos sempre a aprender...

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