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És a nossa Fé!

Obrigado, Campeão

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Para além de amigo, o João é o meu maior ídolo em todo o universo do Sporting, clube que é muito mais do que só futebol. Sei bem o amor que o João tem pelo Sporting, a dedicação que 21 anos de casa transmitem, a difícil superação das lesões, a defesa intransigente dos interesses das várias equipas que orgulhosamente capitaneou, a noção do exemplo que é para os mais novos, a sensatez das suas palavras nas vitórias e nas derrotas, o prazer em estar juntos dos núcleos pelo país fora, a disponibilidade e a humildade para estar com quem o abordava para uma fotografia, um abraço ou uma palavra. E sei a mágoa que ele deve estar a sentir por terminar uma carreira tão brilhante de títulos e de sportinguismo sem poder vir a jogar no Pavilhão João Rocha, por quem ele tanto se bateu e em cuja campanha de angariação de fundos tão empenhadamente se envolveu.

O João sabe pela minha boca que ele é o meu maior ídolo no Sporting e não exagero se disser que é um dos maiores ídolos da história do Sporting, hoje que faz 110 anos. Faltam-me as palavras para lhe agradecer tudo o que deu de leão ao peito, tudo o que nos deu, tudo o que transportou com a sua raça, dedicação, devoção, categoria e respeito pelo símbolo e pelos sócios. Que o Sporting o aproveite e valorize daqui em diante, respeite e dignifique o que representa, e não nos desiluda como já fez no passado a tantos símbolos eternos que ficaram esquecidos na história.

Obrigado, Campeão. Um abraço sempre amigo.

Os melhores golos do Sporting (40)

 

Golo de RICARDO SÁ PINTO

Gil Vicente-Sporting (0-3)

23 de Janeiro de 2005, estádio Cidade de Barcelos

 

Depois de Iordanov, Ricardo Sá Pinto. Nem podia ser outra a sequência, ou não fossem os meus dois grandes ídolos de juventude, dois grandes capitães, dois lutadores incansáveis pela nossa camisola. O Sá até tinha algo mais com que me identifico particularmente: mau feitio nas derrotas, dureza em cada lance e uma outra raiva incontida quando marcava.

Não quero dar publicidade a quem levou com ela, até porque de repente vêm-me à memória momentos muito mais inesquecíveis com o Sá Pinto no centro. A vitória na Taça contra o Marítimo, o banho de bola em Paris na Supertaça contra o Porto, o triplete que veio ganhar depois dos anos em Espanha, ou a celebração em frente à nossa Juve quando demos três ao Beitar Jerusalém e nos apurámos pela primeira vez para a fase de grupos da Champions. O Sá já não era jogador do Sporting mas não deixava de ser nosso.

E assim continua. Por isso a minha escolha nesta série vai para um golo dele. Não é um golo qualquer, mas uma resposta ao infortúnio das lesões, aos que o queriam enterrado para o futebol, os que já não acreditavam nas alegrias que ainda nos podia dar. Barcelos, 23 de Janeiro de 2005. Sá Pinto renasce depois de um par de anos com lesões graves. Quase na linha de fundo faz um chapéu ao guarda-redes aos 61 min. Era o seu segundo nesse jogo, depois de um tiro fora da área aos 29 min. Tudo com muita classe, altivez, orgulho, paixão e talento, tudo num só jogo, tudo num só golo. Aquele festejo num misto de alegria e cerrar de dentes, o punho fechado e o braço levantado de raiva.

Tínhamos acabado de passar para primeiro à condição, ainda à espera do resultado do Porto. No final dessa época chegámos à final da UEFA com uma grande campanha do Ricardo Coração de Leão. É verdade, perdêmo-la e todos chorámos nesse dia. Ele de certeza que também. Acontece que o Sá Pinto nunca perdia, só às vezes é que não ganhava. Tal e qual como o Sporting.

Os melhores golos do Sporting (2)

 

Golo de IORDANOV

Sporting-Marítimo (final da Taça de Portugal)

10 de Junho de 1995, Estádio Nacional

Não é certamente o golo mais bonito que vi marcado por um jogador meu, do meu clube, com a minha camisola. Mas é o golo mais importante da minha vida de Sportinguista. A seca de títulos durava há 8 anos (Supertaça 1987) e o Jamor vestiu-se de verde e branco para receber uma das melhores equipas do Sporting das últimas décadas, com Figo, Balakov, Carlos Xavier ou Sá Pinto.

Era 10 de Junho de 1995 e jogávamos contra o Marítimo de Everton, Heitor e Alex. Antes de começar, um cão atira-se ao braço de Vujacic que joga com uma ligadura e me fez temer pela sorte. O Sporting é um clube a quem tudo acontece, mas a tarde de calor estava demasiado perfeita para nos vergarmos às nuvens negras.

Era a minha segunda final da taça no meu sítio de sempre: o muro na curva da Juve Leo. Tinha perdido a anterior para o Porto de Robson na finalíssima mas desta vez os astros estavam alinhados: um adversário mais acessível, novamente uma grande equipa, e um grande ambiente. E o último jogo de Figo e Balakov com a nossa camisola.

Mas não foi nenhum deles que brilhou. Foi Iordanov, o meu ídolo de sempre. Búlgaro tosco com uma alma daqui à lua, com um amor eterno ao Sporting que já aqui relatei. Marcou os dois golos de cabeça (aos 9 e aos 85 minutos), rematou aos postes, ensaiou bicicletas e pontapés à meia-volta. Correu, lutou, brigou, marcou, festejou e saiu em ombros. Foi, como sempre foi, um herói improvável, exemplar na dedicação ao meu, dele e nosso Sporting.

A minha escolha vai por isso para o segundo golo de Iordanov a 10 de Junho de 1995. O meu primeiro título ao vivo e a cores, o primeiro que a minha geração recordará na pele, com um golo a ditar o game over da longa seca, com um golo a fazer acreditar que era possível dar a volta.

Obrigado, Iorda. Sporting, sempre. 

 

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O espírito de Vidal Pinheiro

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Qualquer sportinguista sabe que hoje é um dia especial. Há 15 anos fomos campeões num jogo memorável, deitámos 18 anos de angústias cá para fora, invadimos as ruas de todo o país, enchemos praças, subimos a estátuas, corremos na berma da autoestrada, celebrámos no nosso estádio, entrámos relvado dentro, abraçámos os nossos jogadores. Um por um, gritando sempre e bem alto o nome do nosso Sporting. Tenho para mim que a minha geração se divide entre quem esteve e não esteve em Vidal Pinheiro. Desculpem a arrogância da memória, mas eu estive lá. Confesso que nunca me passou pela cabeça só festejar mais um título depois disso, mais uma razão para lembrar o espírito dessa equipa: raçuda, com ganas de ficar na história, espírito de entreajuda, a procurar a sorte quando lhe faltava o engenho, motivadora da curva sul e em comunhão com esta. É isto que nos tem faltado: substituir a ingenuidade dos "talentos" de Alcochete por gente combativa, mostrar raça onde ela parece não existir, jogar todos os domingos como se fosse o último, respeitar os sócios e entrar em cada pardieiro desta liga com eles em campo. Temos infantis a mais em lugar de seniores, temos mimados a mais em lugar de homens, temos tenrinhos a mais em lugar de raçudos. Importa por isso lembrar essa equipa que nos pôs a chorar de alegria faz hoje 15 anos: Schmeichel, Saber, André Cruz, Quiroga e Rui Jorge, Aldo Pedro Duscher, Vidigal, Pedro Barbosa, Ivone de Franceschi, Ayew e Alberto Federico Acosta. E como são 15 anos pensei que a imprensa recordasse isso, tão ciosa que é de efemérides com números redondos. Mas não. Houve quem preferisse lembrar os 21 anos de uma tragédia, menosprezando a nossa data. 

"O fair play é uma treta"

Respeito quem o faz, mas eu nunca dei os parabéns a qualquer vencedor do campeonato que não ao Sporting Clube de Portugal, e não vai ser agora que vou  abrir uma excepção. Muito menos agora. Não sou hipócrita e não gosto das vitórias dos outros nem cá nem lá fora. Não tenho qualquer tique de desportivismo, abomino o fair play no futebol, mas amo a rivalidade com o clube do outro lado da segunda circular. Jamais contribuirei para que ela desapareça. Como é evidente, não festejo segundos lugares. Até porque fomos gamados na liga, na taça e na taça da liga. O resto é conversa de lampiões. 

O meu futebol

Futebol não é desporto, é peregrinação. É culto clubístico, não ópera. É território de amor e ódio, não um passatempo de domingo à tarde, cheio de bons sentimentos primaveris. É bifana e não bife, é imperial e não vinho, é escárnio, maldizer e não uma mesa bem posta com toalha de linho branco. Futebol é choro nas derrotas do nosso clube e êxtase nas derrotas do nosso rival. É crença em dias melhores e tristeza que nos cala quando passamos por uma época como esta. Sou completamente racional em tudo na vida, menos na bola. Com a bola. A ver a bola. Aliás, para memória futura aqui vos digo: eu nem gosto de bola. Só gosto do Sporting e em particular que o clube do outro lado da rua perca sempre. São duas faces da mesma moeda. Duas almas gémeas. Separá-las é tirar futebol ao meu futebol. Até consigo dizer que os outros jogam melhor, apontar-lhes grandes jogadores, conceder a sua dimensão. Não me peçam é mais do que isto. Jamais lhes darei os parabéns pelo que quer que seja ou desejar-lhes boa sorte num jogo internacional. Recuso-me a ver jogos na televisão entre eles, quanto mais ir à bola com um deles. Não tenho peças de roupa daquela cor e abandonei o leite parmalat no dia em que o resolveram estampar nas camisolas. Está já em curso a mudança de operador de electricidade e, evidentemente, sou alérgico a sagres. Sou mais feliz quando perdem, quando choram e quando andam calados. No dia em que me tirem esta rivalidade tiram-me um dos lados bons da vida: o meu futebol. 


(originalmente publicado aqui)

Sporting, sempre

Totti, Maldini, Baresi, Giggs, Gerrard ou Zanetti são nomes tão imponentes que tudo o que se escrever sobre futebol depois deles faz pouco sentido para mim. Não é por serem ou terem sido dos melhores jogadores da história do futebol, é por serem ou terem sido dos melhores jogadores da história do futebol com a mesma camisola durante tantos anos consecutivos e sempre ao mais alto nível. O díficil não é chegar lá cima, é fazer uma carreira sempre no topo, passando por lesões graves, ofertas de milhões, travessias no deserto dos sucessos, mil e um treinadores, jogadores que entram e saem sem perceber sequer onde estão. Mas eles não. Sobem ao topo, carregam o clube, mostram-se quando é preciso, tornam-se maiores que a equipa, transportam a carreira aos ombros com orgulho e sem arrasto. Não é de melancolia pelo amor à camisola que falo, é de uma cultura de clube transportada  por jogadores que a sentem e não a querem deixar morrer. Sempre com o objectivo de serem os melhores em campo, de orgulharem os mais novos quando estes são chamados a fazer parte do mesmo onze, de tirarem os sócios de casa quando as coisas não correm bem. É isto que o Sporting não consegue perceber. A cantera, por melhor que seja, não serve de nada se não for para manter os melhores por anos suficientes para ganhar títulos. Gerar talentos para os vender ao virar da esquina tipo fábrica não faz de nós um clube com ambição: faz de nós um negócio de passes. Pôr miúdos bons na equipa principal é a nossa tradição, não ter paciência para os fazer crescer como grandes símbolos do clube tem sido o nosso maior erro. E não me venham com "as condições do mercado": o mercado será muito melhor quando os miúdos de hoje forem os campeões de amanhã. Aí sim, temos êxitos desportivos e bons negócios no ar. Até lá. 

Os nossos ídolos (2): Ivaylo Stonmenov Iordanov

 

Pedem-me para falar de ídolos. Tenho vários: todos do Sporting, com a excepção de um mito vivo italiano que um dia destes trarei aqui. Não é, hoje, o dia dele. Não é fácil escolher um grande ídolo verde e branco. Podia falar de Sá Pinto e de tudo o que ele simbolizou na minha juventude: coração, rebeldia, paixão por uma causa, intempestividade, raça. Podia falar da classe de Valckx, Luisinho, André Cruz, Douglas ou Balakov. Da entrega de Filipe, Duscher ou Oceano. Tudo nomes que levo para a cova, posso-vos garantir. Mas há um que me fez chorar, gritar, viajar, passar chuva, frio, correr o país de comboio, autocarro, trepar vedações para erguer lá no alto um punho cerrado de raiva pelos golos que marcava. Todos de raiva e com muito coração.

Eu tenho uma admiração gigantesca por Iordanov. Um búlgaro tosco que Sousa Cintra um dia se lembrou de ir buscar. Estava longe de ser tecnicamente brilhante, mas representou tudo o que gosto num jogador que sabe dessas limitações: raça, amor ao clube, respeito pelos sócios, entrega, capacidade de sofrimento. E que sofrimento passou ele. Do desastre à doença, da travessia no deserto dos títulos, ele mostrou que era possível dar a volta, superar adversidades internas e externas, criar um balneário forte. Querer vencer. Foi ele que nos deu aquela extraordinária e quente tarde no Jamor contra o Marítimo, talvez a primeira grande conquista presenciada pela minha geração. Foi ele que não descansou, mesmo com a doença a apoderar-se, enquanto não ganhou o campeonato para poder, lá em cima da glória, terminar a carreira. Foi ele que abraçou o leão do Marquês e fez ver a este país a verdadeira dimensão do Sporting Clube de Portugal.

Era ele que, ganhando ou perdendo, aplaudia cada deslocação fora, porque sabia que esse esforço colectivo era também uma dedicação por ele partilhada. Iordanov, os topos sul e norte, a central e a nova: uma só mística, uma só dedicação, um só símbolo no peito. Nunca, na mítica espera à porta da 10A - e que hoje tanta falta às vezes faz - Iordanov foi apupado. Era sempre aplaudido, mesmo quando perdíamos. Eu só tenho duas camisolas de jogadores do Sporting guardadas e uma delas está assinada pelo Iordanov, o mesmo capitão que me deu a honra de assinar o bilhete de Vidal Pinheiro. Da boca dele, ouvi então: "no Sporting até jogava de graça". Obrigado por tudo, campeão.

{ Blog fundado em 2012. }

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