26 Jun 16

Acho que foi o Buda que disse: "o que tem de ser, tem de ser". Se não foi o Buda, foi Chalana, ou outro sábio assim do género. Pouco importa. O que importa é que é bem verdadeiro, sobretudo quando se trata do mister Fernando Santos. Santos tinha de experimentar todas as asneiras. Aquelas que toda a gente viu desde o início. Tinha de pôr Moutinho e Vieirinha durante três jogos, tinha de pôr Eliseu a jogar e tinha de não aproveitar o entendimento chave-na-mão que o trio William-João Mário-Adrien lhe garantia. Não vale a pena brincar: Santos é um empirista. Teve de experimentar para saber se era verdadeiro. É como aquela história do tipo que vê uma poia de cão no passeio, põe lá o dedo e depois... Bem, sabem o resto. E um empirista bem meticuloso: por exemplo, no caso de André Gomes, teve de experimentar quatro vezes.

 

E não se diga que o nosso homem não dá um toque pessoal a tudo. Finalmente, lá usou o famigerado meio-campo do Sporting. Mas em vez de aproveitar as suas capacidades ofensivas (de que ainda se viram uns vislumbres), aproveitou a suas capacidades destrutivas: pôs Adrien a secar Modric e William a secar Rakitic. E a verdade é que resultou. Resultou naquilo que Santos queria: um não-jogo de futebol, um catenaccio estratosférico. Modric e Rakitic não podiam fazer nada e o nosso meio-campo tinha ordens para não fazer nada. Foi assim que chegámos ao fim da primeira parte, altura em que Renato Sanches ainda não tinha entrado em campo mas já liderava a votação dos utilizadores do site da UEFA para melhor jogador em campo. Sim, os mesmos que há dois jogos elegeram Moutinho.

 

Na segunda parte, Santos lá meteu, finalmente, aquele que já então era o homem do jogo. Por mim, estava arrematada a equipa daqui para a frente. Enfim, talvez preferisse experimentar o Rafa em vez do Sanches, mas nem o Mendes nem o nacional-lampionismo o permitiriam. Fiquemos assim. E foi assim que o jogo ficou mais ou menos na mesma, até ao momento em que Santos fez a sua mudança de assinatura, certamente já em pânico pela vertigem que observava em campo: tirou um jogador ofensivo e pôs dois trincos. Mal visto: deixou de haver Adrien a marcar Modric e a Croácia quase marcou por duas vezes. Até que, com a Croácia toda na grande área portuguesa, Quaresma rouba a bola, mete em Ronaldo, que mete em Sanches, etc.

 

Na conferência de imprensa, Santos disse que "o João" (i.e. Moutinho) só não jogou por "problemas físicos". Fiquei em pânico. É isso, minha gente, isto ainda não acabou.


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2 comentários:
De Pedro Correia a 26 de Junho de 2016 às 21:23


De Francisco Gonçalves a 26 de Junho de 2016 às 21:41
Nunca julguei ser possível observar tanta asneira em tão pouco tempo de torneio.

Somos a seleção dos recordes: uns são batidos pela excelência do seu capitão; outros pela incompetência e subjugação de interesses do raio do engenheiro que quase despe o casaco, durante um jogo de futebol.

Haja paciência!


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