12 Ago 17

O Sporting, na ausência de jogo vertical dos seus 2 médios centro, andou aos esses (de Azeitão) até Bas Dost "cavar" um penalty (televisivo) e a equipa conseguir derrubar a muralha de Setúbal. Faltou alguma qualidade individual (na finalização e no último passe) para dar corpo à boa exibição colectiva.

Couceiro tinha na manga uma ideia de jogo que, parecendo um 4-3-3, rapidamente evoluia para um sistema de 5 defesas, apoiados por 4 médios. Um conceito baseado nas linhas Maginot, mas com muito melhores resultados, dada a presença do panzer Arnold, a assegurar a defesa do terreno não coberto pelas famosas linhas, impedindo a entrada do "inimigo". A complementar o sistema, todo o tipo de jogo subterrâneo, obstáculos e postos de observação. Com tantas medidas de prevenção, natural foi o Vitória não ter realizado um único remate enquadrado à baliza de Rui Patrício.

Aparentando precisar de uma revisão urgente, como por toque de Midas, Arnold morreu e ressuscitou entre os 30:17 e 30:45 e entre os 38:30 e 38:55. Também fez questão de deixar bem claro que não se sentia nada bem aos 43:30. Bruno, o outro, mostrou (com)Paixão e mandou toda a gente para o balneário sem dar um segundo sequer de compensação. Antes, já obrigara a modificar toda a cartilha de Jesus para os livres, tal o numero de faltas que assinalara aos jogadores sportinguistas que tentavam atacar a bola, com esta ainda no ar. Estranhamente, mudou de critério quando Coates foi empurrado dentro da área sadina, naquilo que pode ser considerado (mais) um penalty televisivo e que constituiu a sua única incongruência técnica no jogo.

Para dizer a verdade, também foi coerente do ponto-de-vista disciplinar, na medida em que não acertou uma decisão. Ora, então confiramos: aos 34:00, Piccini agarrou um adversário na saída deste para o ataque sem sanção disciplinar; aos 57:00, Battaglia varrido por Arnold (que passou do registo de "inválido do comércio", quiçá também da indústria, rivalidades à parte, para o de destemido "Schwarzenegger" vitoriano) - Paixão? -, "No pasa nada"; aos 70:30, os mesmos protagonistas, agora um pisão ao argentino; aos 77:30, Willyan pegou Gelson de cernelha, mas Paixão, provavelmente a favor das tradições tauromáquicas, contemporizou, mantendo a sua produção industrial de asneiras. Notável!

Outro epifenómeno do jogo foi a tendência exageradamente altruista manifestada por Dost durante a segunda-parte. Assim, começou por assistir Podence aos 50:40, Acuña, aos 52:25 e 55:25, ninguém (!), aos 65:00, Doumbia, aos 67:00, 71:20 e 75:00. Sempre, sem que os favorecidos por tais presentes apresentassem resultados. Ainda temi que tentásse o penalty à Crujff, só para manter o registo...

Mas, vamos lá então à análise individual dos "cantores":

 

Rui Patrício: se no Domingo passado, durante o jogo, se rendera a uns Jesuítas, hoje atirou-se a uns salmonetezinhos, sendo apenas observado a repôr a comida, perdão, a bola. Por este andar, ainda vai obrigar o Dr. Varandas a impor-lhe um plano dietético. Como avaliar um jogador sem trabalho?

Nota:

 

Piccini: o seu melhor jogo de leão ao peito. Rápido a recuperar em terrenos defensivos, foi mais ofensivo do que nos tem vindo a habituar e também mais prático, concluindo normalmente as jogadas com cruzamentos. Como bom italiano, tem dotes de marinheiro aventureiro e, nesse transe, continua a navegar por rumos que, ás vezes, parecem inusitados, se bem que sem grandes naufrágios até à data.

Nota: Sol

 

Coates: o Ministro da Defesa decretou a grande-área leonina como "zona desmilitarizada". Edinho e os restantes vitorianos (?), obviamente, obedeceram. Um dos melhores em campo.

Nota:

 

Mathieu: observamos o francês, com aquele ar de quasi-reformado ancião à espera de meter os papeis para a Segurança Social, e caímos no engodo de nos esquecermos que está ali um irredutível gaulês sempre disponível para resistir ao VIII exército vitoriano. Até meter uma mudança a mais do que todos os outros em campo, Gelson incluido, e parecer um personagem da Velocidade Furiosa 245, a sequela. Alternativa a Coates e Dost para melhor em campo.

Nota:

 

Jonathan: os defesas laterais, geralmente, são dotados de grande velocidade. Algo está errado neste guião, porque o argentino parece uma tartaruga no meio de lebres. Por volta dos 56 minutos, Arnold, sempre ele (!), partiu 3 metros atrás e ganhou-lhe rapidamente outros 3. Ainda tentou de novo, passado pouco tempo, mas aí o homem das Pampas desarmou-o com o recurso a um carrinho, motor de busca (dos adversários a pé) que utiliza com frequência e que, pasme-se, parece ser autorizado nas regras do jogo. Tentou participar nas acções atacantes destruindo a reputação de Marcus Acuña e, dir-se-ia, de Bruno César, não fora a deste último já se ter perdido há muito. Ainda assim, não comprometeu defensivamente.

Nota:

 

Battaglia: titular pela primeira vez em jogos oficiais, demorou a entrar no jogo e esteve aquém do que mostrou na pré-época. Ainda assim, melhorou durante a partida continuando a ser uma máquina de recuperação de bolas e a mostrar os seus dotes na condução e protecção de bola. Lateraliza demasiadamente, o que faz a equipa ressentir-se  da ausência de jogo vertical por parte dos médios centro. Na segunda-parte, Jesus conseguiu descomplexá-lo e semeou o pânico na defensiva vitoriana numa incursão em que se pediu penalty, voltando àquele registo de todo-o-terreno que ainda o irá consagrar.

Nota: Sol

 

Adrien: a mesma alma e empenho de sempre, mas a inspiração simplesmente não está lá. Parece cansado de dois anos sem (práticamente) férias. Mas, é o nosso grande capitão e figura incontornável. Se não saír até final de Agosto, ainda o veremos a retornar ao seu (alto) nível. 

Nota:

 

Gelson: Nuno Pinto, o lateral esquerdo do Vitória, à hora que escrevo ainda se encontrava no relvado de Alvalade, não à procura do brinco, como outro saudoso ex-vitoriano, mas sim do Norte, tantas foram as vezes que Gelson (e também Podence) lhe trocou as voltas. De tal maneira que, a páginas tantas, ainda tonto e algo mareado, foi chocar contra as costas de Dost, ajudando a afundar a muralha sadina. Gelson, por vezes, parece um General preso no seu próprio labirinto, enredado numa espiral de truques, esquivas e enganos que constituem o seu futebol jogado ao ritmo do Tango argentino, num compasso dois-por-quatro (no caso, ele e Piccini contra 4 jogadores do Vitória). Precisa ser mais decisivo e poderia tê-lo sido logo aos 7 minutos, mas a bola perdeu-se por cima da barra. Ainda assim, não sabe jogar mal.

Nota: Sol

 

Acuña: o argentino esteve aquém do que já mostrou. Alguns bons cruzamentos, mas sem a acutilância e a rotatividade que já mostrou. Bem sei que Jonathan, só preso por um elástico lhe aparecia por perto a ajudar, mas pode e deve fazer muito melhor. Substituido (?) por Bruno César na segunda-parte.

Nota:

 

Podence: o electrão leonino com 1 minuto de jogo já passara Nuno Pinto por duas vezes, ameaçando o núcleo central vitoriano. "A Podence, a titularidade pertence" devia ser lema escrito cem vezes a giz na ardósia de JJ. Com o tempo melhorará a decisão, evitando o toque a mais na bola e a finta desnecessária, o que dará um outro fulgor às suas electrizantes actuações.

Nota: Sol

 

Bas Dost: o que levou o "carteiro" a assistir tanto os seus colegas na entrega de "correspondência" ainda agora me intriga. Por seis vezes, tal Rowan a pedido de MacKinley, levou a carta a Garcia, mas os "guerrilheiros" leoninos não estiveram pelos ajustes e incumpriram a missão. Acabou a decidir ele, como aliás quase sempre na época passada.

Nota:

 

Bruno César: o homem até é bom de bola, pensa bem, executa bem, remata bem. O seu problema é que o tempo não para, é um tique-taque permanente, e o brasileiro, a maior parte do tempo, "ta-qui-e-to", parado. Protagonizou, com o clone Jonathan e contracenando com Arnold, uma brilhante interpretação da fábula "a tartaruga e a lebre".

Nota:

 

Doumbia: o homem é um "bicho", é forte, não pára quieto e ameaça dar pesadelos a quem tiver que o marcar. Mas, a um avançado pedem-se golos e o costa-marfinense ontem desperdiçou 3.

Nota:

 

Bruno Fernandes: a sua entrada em campo alterou o perfil do nosso jogo. Conseguiu algumas vezes furar o cerco setubalense e, numa delas, quase dava em golo, ingloriamente perdido por Doumbia. Realizou as tais penetrações verticais que faltavam e adicionou desconforto à defesa vitoriana. Influente.

Nota: Sol

 

Tenor "Tudo ao molho e FÉ em Deus": BAAAAAAAAS DOOOOOOOST !

 


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