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És a nossa Fé!

De Senhor, meu caro Jorge Jesus

Passámos um jogo que nos andava "entalado". Nas duas últimas temporadas perdemos pontos em casa com o Tondela. Não é, de longe, o melhor clube da Primeira Liga, mas era uma espécie de malapata que nos estava atravessada. É bom relembrar que bastaria uma vitória há dois anos ao Tondela e o tão ambicionado título teria acontecido. 

Mas, mais do que vencer o Tondela, mais do que finalmente vencer um jogo pós-Liga dos Campeões, o que mais saliento é o discurso de Jorge Jesus após o jogo. Ponderado, sereno e com os pés na terra. É fundamental manter o registo. O Sporting não pode embandeirar em arco quando faltam tantas jornadas e tantos problemas pela frente. E é preciso perceber de uma vez que o nosso foco é só um: o Sporting Clube de Portugal. Focados no nosso trabalho, nos nossos jogadores e no muito que temos que fazer. 

Vamos a isso Mister. Seguimos #Juntos. 

 

Missão cumprida

Missão cumprida na Hungria, frente a uma autêntica selecção de sarrafeiros, que parecia jogar mais com os cotovelos do que com os pés - ensanguentando as caras de Pepe e Cédric. O jogo não foi bonito, mas o que interessava era a vitória. Conseguida aos 48', com golo de André Silva e assistência de Cristiano Ronaldo. Passamos a depender apenas de nós próprios para atingirmos o Campeonato do Mundo de 2018.

Destaque para o facto de a selecção nacional ter entrado hoje em campo com três jogadores titulares do Sporting (Rui Patrício, Fábio Coentrão e Gelson Martins) e outros três formados na Academia de Alcochete (Cédric, João Moutinho e Ronaldo). A melhor escola futebolística do País e uma das melhores da Europa.

Com Ronaldo tudo se torna mais fácil

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Cristiano Ronaldo marcou mais três golos pela selecção nacional. O primeiro, num magnífico pontapé de bicicleta, é uma obra de arte.

Com ele em campo, parece sempre tudo mais fácil. Foi dos pés dele que começou a nascer a goleada desta noite: a equipa das quinas, jogando no estádio do Bessa, derrotou as Ilhas Faroé por 5-1.

Uma vez mais, CR7 supera um recorde pessoal: desta vez ultrapassando a marca estabelecida por Pelé - o melhor futebolista de todos os tempos, único a sagrar-se campeão mundial em três décadas diferentes: 50, 60 e 70.

Com os três de hoje, Ronaldo leva já 78 golos marcados. Mais um que o astro brasileiro. Está agora a seis do maior marcador europeu de sempre a nível de selecções: o lendário goleador húngaro Puskas.

Mas esta goleada teve outro grande protagonista: o nosso William Carvalho, numa das suas melhores exibições de sempre ao serviço da selecção. Marcou um golo (de cabeça) e fez assistência para outro. Em excelente forma.

Com esta vitória Portugal dá mais um passo importante rumo ao Mundial de 2018 que vai disputar-se na Rússia. A próxima etapa será já no domingo, frente à Hungria.

 

 

ADENDA: A selecção nacional entrou hoje em campo com sete jogadores formados no Sporting.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Vitória SC x Sporting 0-5 (o Penta é nosso!)

Em plena cidade berço da Nação, o Sporting revelou-se (a)fundador das naufragadas pretensões vimaranenses, saqueando reiteradamente as redes da baliza de Miguel Silva, estreando o penta de golos para o campeonato. Perante uma ruidosa massa adepta que imprimiu um vibrante apoio à equipa da casa, os leões souberam circular bem a bola, unir-se, ser solidários (uma equipa) e beneficiaram da sua superior capacidade individual e da extrema inspiração de Bruno Fernandes. Ainda não estavam jogados 3 minutos e já este, ainda longe da área, aplicaria um forte remate que levou a bola a entrar lá onde a coruja dorme, ou dormia, pois foi acordada por este potente e colocado remate que lhe desfez o poleiro do lado esquerdo. Bruno teria ainda, durante a primeira parte, duas soberanas oportunidades de golo que viria a desperdiçar. Bas Dost não, e o placar subiu para 0-3 ao intervalo. 

Na segunda parte, a diferença entre as equipas foi ainda mais abissal. Os leões viriam a ter inúmeras ocasiões de golo, concretizando apenas duas, por Bruno Fernandes (outra vez!!!) e pelo capitão da nau leonina, Adrien Silva. No entretanto, Acuña, Iuri Medeiros, Gelson Martins, Piccini e, sempre ele, Bruno, falhariam outras boas oportunidades. Para amostra do Vitória apenas um equívoco de Piccini que, involuntáriamente, assistiu Raphinha, o qual não conseguiu superar o imbatível Rui Patricio. Assim, em vez de um justo 1-12, tivemos um resultado final de 0-5, o suficiente para nos despedirmos de Guimarães com uma "manita".

O árbitro estava a fazer uma exibição razoável quando, a meio da segunda-parte, começou a "meter àgua", provavelmente por osmose com a claque vitoriana que insistiu em untar Coentrão. É hábito dizer-se que no melhor naperon, perdão Macron, cai a nódoa e assim foi quando Hugo Miguel decidiu dar uma cartolina amarela a Adrien, apenas por este ter evitado atropelar um vimaranense prostrado aos seus pés, pedindo clemência. Já as duríssimas entradas de Celis, sobre Coentrão e o seu calcanhar de aquiles, e Bruno Fernandes (acho que lhe acertou no corpo todo) passaram sem qualquer admoestação. Em vez de consultar o Vídeo-árbitro, proponho que visite o consultório de um bom oftalmologista...

Vamos então aos protagonistas:

 

Rui Patricio - o guardião da virtude leonina continua inviolado. Defendeu com as unhas um remate com selo de golo desferido por Raphinha, mas não consta que daí tenha resultado uma ida à pharmácia. O jogo terminaria com Rui a não voltar a ser importunado, motivo pelo qual não teve "manitas" a medir para atacar um sarrabulho, uns rojões, bem regados de vinho verde, terminando com um bom toucinho que o deixou no Céu, tudo iguarias regionais que ameaçam ser tradição para sossego da nossa alma.

Nota:

 

Piccini - parece que com ele o imprevisto está sempre à espreita. Estava a realizar uma belíssima exibição, subindo com segurança e propósito pelo seu corredor, quase marcando um golo, não fora a boa defesa de Miguel Silva, quando subitamente teve mais uma falha de memória, à semelhança da vivida na Vila das Aves. Ainda assim, e porque Rui defendeu, merece uma boa nota, além de uma receita de Memofante, claro.

Nota: Sol

 

Coates - o Ministro da Defesa continua a controlar na plenitude as Forças Armadas leoninas. Insuperável durante todo o tempo, não permitiu que a sua área fosse invadida por atacantes vimaranenses, ajudado pelo patrulheiro, o sentinela Battaglia que é sempre um descanso para um defesa. 

Nota: Si

 

Mathieu - o gaulês parece que joga de luva branca, com uma "souplesse" extraordinária. É craque, dotado de um pé esquerdo muito bom e resolve a maioria dos problemas com uma aparente enorme facilidade. Além disso, a sua rapidez permite à linha defensiva subir mais uns metros, juntando mais a equipa. Saiu antes do fim do jogo, aparentemente lesionado, pondo em causa a "souplesse" do meu coração.

Nota: Si

 

Coentrão - nas duas primeiras arrancadas pelo seu flanco foi, primeiramente, carregado em falta junto à linha de fundo em lance donde resultaria o segundo golo do Sporting. Seguidamente, assistiu Bas Dost para o 0-3. Ainda teve tempo e engenho para oferecer um golo ingloriamente desperdiçado por Acuña. Defensivamente, teve o melhor jogador vimaranense pela frente (Raphinha), mas nunca lhe concedeu grandes veleidades. A sua melhor exibição até agora.

Nota: Si

 

Battaglia - o homem não dá uma bola como perdida, é uma autêntica carraça. Com ele em campo, os centrais jogam de cadeirinha. Na sua presença, o único que faz "farinha" é ele: mói e mói e mói, tanto que até dói (aos adversários) só de ver. Atente-se ainda para um importante passe de ruptura que isolou Coentrão pela esquerda, em lance donde resultaria o terceiro golo leonino, desmentindo as criticas de excessiva lateralização.

Nota:

 

Adrien Silva - menos exuberante que o seu colega de meio-campo, foi subindo de produção ao longo do jogo, começando a entrar no ritmo certo das jogadas e marcando o último golo após uma gloriosa jogada de tique-taque de toda a equipa, um hino à escola de Formação do clube, lance em que estiveram também, em particular evidência, Gelson e Iuri. Queremos mais deste Adrien, o nosso capitão.

Nota:

 

Acuña - começou na esquerda, mas a meio da primeira parte mudou-se para a direita. Assistiu Bas Dost para o segundo do dia. Falhou incrivelmente, na segunda-parte, uma finalização. Mais letal na bola parada do que em jogo corrido, foi substituido por Iuri Medeiros por volta da hora de jogo.

Nota: Sol

 

Gelson - simétrico de Acuña, começou na habitual faixa direita, mas cedo partiu para a esquerda. Deu literalmente cabo dos nervos ao lateral vimaranense, passando-o vezes sem conta, por dentro e por fora, como uma enguia. Tem de definir melhor e não pode falhar um golo isolado perante o guarda-redes.

Nota:

 

Bruno Fernandes - a melhor qualidade de remate vista em relvados portugueses desde Carlos Manuel e Maniche (o que não era alto, louro e tosco). Alia essa característica a uma visão esplêndida do jogo, que lhe permite tomar quase sempre a opção que a equipa precisa, guardando ou passando a bola ou arrancado com ela em drible ou em profundidade. O debate sobre a sua melhor posição está concluido. O veredicto é: qualquer uma, desde que jogue. O melhor em campo.

Nota: Dó Maior

 

Bas Dost - duas oportunidades, dois golos. O que mais se pode pedir a um ponta-de-lança? À atenção da Porto Editora, incluir, numa próxima edição, um novo verbo que seja sinónimo de marcação de golos: Dostar. Ontem, não destoou, dostou 2 vezes. Ele dostou e o adepto gostou!

Nota: Si

 

Iuri Medeiros - substituiu Acuña e desta vez aproveitou a oportunidade que Jesus lhe concedeu. Falhou um golo fácil, pós assistência de Gelson, mas redimiu-se ao assistir Adrien para o quinto. Pareceu mais solto e menos preocupado em querer mostrar logo tudo, provavelmente porque lhe deram um pouco mais de tempo de jogo (30 minutos).

Nota: Sol

 

Jonathan - substituiu Coentrão já com o jogo resolvido e não comprometeu, envolvendo-se nos movimentos atacantes, sem necessitar nem da garrafa de oxigénio, nem do desfibrilhador que habitualmente partilha com Bruno César.

Nota:

 

André Pinto . muito pouco tempo em jogo para uma avaliação.

Nota: -

  

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

 

Talvez não tenham percebido

Ofuscados todos pelos 5-0, uma barriguinha cheia como há muito se não via, talvez não tenhamos percebido que nas camadas jovens obtivemos boas vitórias na respetiva jornada inaugural.

Em juniores vencemos o Alcanenense por 2-0. E em Juvenis tivemos uma vitória folgada por 5-0 frente ao Caldas. Lembro que na época transata, apenas não fomos campeões em iniciados. 

Em breve teremos o futsal, o hóquei, o andebol e o voleibol, já no nosso pavilhão. E as leoas, que são um grande motivo de orgulho para todos os sportinguistas, começam a sua participação no mais alto escalão europeu na próxima semana. Não se esqueçam e marquem nas vossas agendas o dia 3 de setembro para irem a Coimbra para apoiar o Sporting feminino na luta pela Supertaça. Depois da inesquecivel final do Jamor, a Supertaça.

Cultura de vitória, com esforço e dedicação. Na próxima 4a feira teremos o jogo da época, contra o Steua de Bucareste. Se mantivermos a classe e a competência demonstradas hoje contra o Guimarães, então acredito que a fase de grupos da Champions está ao alcance do Sporting. Importante pelo encaixe financeiro que permite e pela montra para o mercado que possibilita. Citando uma figura histórica, "eu acardito". Bom domingo 

A formação, uma vez mais

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 Foto Miguel Pereira/Global Imagens

 

A melhor notícia do jogo de ontem foi a revelação de Gelson Martins como finalizador ao conseguir o primeiro bis da sua carreira. Os dois golos que marcou acabaram por ser cruciais para sairmos ontem de Vila das Aves com os três pontos iniciais deste campeonato.

No primeiro, correspondendo da melhor maneira a um passe longo de Acuña, todo o mérito lhe pertence: corre para a bola, tira de forma impecável o defesa adversário do caminho e dribla o guarda-redes ao rematar para o ângulo mais improvável. No segundo, bastou-lhe estar lá, na posição habitual do ponta-de-lança, e aproveitar da melhor maneira um ressalto que resultou de um lapso defensivo. Mas o facto é que não tremeu ali bem perto das redes - longe disso. Foi quanto bastou para se confirmar como o homem do jogo.

Alguns colegas de blogue, traduzindo a habitual opinião do "tribunal de Alvalade", preferiram Acuña neste partida. Voltamos à velha questão da eficácia versus nota artística. O argentino parece até à data a nossa melhor contratação desta temporada mas a verdade é que teve três oportunidades para decidir e em todas elas esteve quase. Apenas quase. Na primeira, aos 21', permitiu uma grande defesa do guarda-redes Adriano. Na segunda, aos 46', levou a bola a tocar na barra. Na terceira, aos 75', chutou à figura do guardião do Aves.

Quando foi preciso sentenciar o jogo, a solução estava afinal na cantera leonina. É a conclusão a que sempre chegamos no Sporting. E que explica, em grande parte, por que motivo tantos de nós continuamos a sair em defesa aberta da formação. Reafirmo o que penso sobre a matéria: entre piscar o olho à bancada com jogadas vistosas e a simples eficácia do golo, prefiro esta. Porque é a única a dar-nos títulos.

O primeiro golo. A primeira vitória.

João de Vila Franca marcou o primeiro golo do Sporting.

 

«Nos finais de 1906, a população atlética do Sporting ampliar-se-ia (...). Era, enfim, a oportunidade de o Sporting, cuja primeira notícia surgiria na imprensa, muito discretamente, apenas a 23 de Dezembro de 1906, regularizar as suas actividades desportivas, resumidas a treinos durante o período de construção e organização das suas instalações. O pontapé de saída em Fevereiro de 1907. No dia 3. Num torneio de futebol (...) organizado pelo CIF, disputado no Campo de Alcântara, propriedade do clube que os Pinto Basto tinham fundado, na senda do Clube Lisbonense. Como primeiro adversário, o Cruz Negra, fundado em 1905, com campo atlético na Luz e dispondo, então, de um grupo de jogadores de certo modo tido como dos melhores de Portugal. (...)

O encontro entre o Sporting e o Cruz Negra, que “teve a presenciá-lo numerosa e ruidosa assistência, entre a qual se viam bastantes senhoras”, foi arbitrado por Pinto Basto (o introdutor do futebol em Portugal). O Sporting perdeu por 1-5. O primeiro golo “leonino” foi marcado por João de Vila Franca. Que era também um óptimo jogador de ténis.

 

Só em Maio, igualmente a 3, se disputou o jogo da segunda “mão”. E os sportinguistas, com uma equipa renovada - (...) oito dissidentes do Sport Lisboa, que tinham ajudado a fundar em 1904 e que abandonaram (antes de o clube se fundir com o Benfica, (...)) fascinados por poderem, enfim, contar com instalações dignas de verdadeiros futebolistas - ganharam. Para espanto de todos. E, num jornal da época, pôde ler-se: “O jogo desenvolveu-se com ofensivas alternadas. Por intermédio de uma passagem oportuna de Frederico Ferreira ao avançado Félix da Costa, este obteve um ponto, largamente aplaudido pela falange ‘leonina’. Ao cabo de uma exibição meritória, o Sporting acabou por vencer por 3-1. (...) Por parte do Sporting, salientaram-se Fritz [que apesar do nome poder não sugeri-lo era português de gema, chamava-se Júlio Nóbrega Lima, mas que, pelo cabelo exageradamente louro, tipo teutónico, era conhecido por essa alcunha], a defesa, Vila Franca e Shirley, nos avançados, e Borges de Castro, no eixo da linha de médios, onde se mostrou trabalhador e destemido, com um final de jogo prejudicado pelo grande número de ferimentos nos joelho.”»

In: Glória e vida de três grandes. s.l., A Bola, 1995, p. 13

Sempre a somar

Vendo os números, no fim do jogo, até parece demasiado fácil. Portugal acaba de alcançar mais uma vitória rumo ao Mundial de 2018: 3-0, na Letónia. Com dois golos de Cristiano Ronaldo (que assim sobe para 602 o total de golos na sua carreira) e o terceiro a cargo de André Silva.

Fácil, sim. Porque o seleccionador nacional Fernando Santos não inventou: mandou alinhar de início três jogadores do Sporting (Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins) e outros quatro formados em Alvalade (Cédric, José Fonte, João Moutinho, Ronaldo), além de fazer entrar depois outros dois ex-meninos da nossa Academia (Quaresma, Nani).

Nove, no total.

Assim é sempre a somar. Basta ter os melhores em campo.

Estive lá... e no domingo, ao Jamor, quem vai?

Estive lá, e só eu sei o que vivi em emoção. E depois, já muitos escreveram, e bem, sobre o assunto. Sobre andebol estamos conversados. Só ganhamos a Challenge e o campeonato nacional...falta a Taça de Portugal, já neste fim de semana. Mas, e domingo? Quem vai ao Jamor à final da taça de Portugal feminina? Eu vou lá estar. E lanço o repto a todos os sportinguistas para vestirem o Jamor de verde e branco...será um encanto! Aproveito para alargar a reflexão. A desilusão da equipa principal de futebol foi atenuada com sucessivas vitórias em diversas modalidades e escalões. Para se ver a importância que têm estes sucessos desportivos, basta ver o desdém com que os nossos adversários a eles se referem, numa espécie de "dor de corno" que lhes assenta muito bem. Por isso devemos apoiar tudo para ganhar tudo. Nem que seja ao berlinde. Cada êxito duma equipa do Sporting é uma espinha cravada na garganta dos nossos adversários. Efeito duplo: derruba-os e engrandece-nos. E é a partir de cada vitória destas que vamos gerando afirmação, atraindo atenção, criando simpatia, valorizando modalidades e atletas, ganhando poder. E colocamos a fasquia mais alta, tal alta que até pode contagiar aqueles que foram a tal desilusão. Se, no futebol, os nossos leões tivessem jogado com a determinação e o querer das nossas leoas, não estaríamos sujeitos a disputar o acesso à liga dos campeões, e teríamos porventura mais um título de campeões no museu do Sporting. Por isso devemos ir ao Jamor para fazer o que fizemos ontem em Odivelas do primeiro ao último segundo: apoiar incessantemente as nossas campeãs para a conquista da Taça de Portugal.

2016 em balanço (8)

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VITÓRIA DO ANO: FINAL DO CAMPEONATO DA EUROPA

Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.

Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos trouxe senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.

 

Como de costume, não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas. Um desses comentadores destacou-se mesmo por ir criticando sempre a exibição dos jogadores comandados por Fernando Santos.

”A selecção nacional está transformada no clube do Ronaldo”, começou por dizer (19 de Junho) o tal comentador, corporizando todos os Velhos do Restelo cá do burgo. Uma semana depois (26 de Junho) proclamava com gravidade perante das câmaras da estação televisiva que lhe serve de palco: “Nós ainda não entrámos no campeonato da Europa! Nós ainda não entrámos no campeonato da Europa!» Dias depois (2 de Julho), assinalava: “Nada do que aconteceu neste Campeonato da Europa deve ser considerado um êxito, bem pelo contrário.” A uma semana do jogo decisivo (3 de Julho), não encontrou nada melhor para dizer senão isto: “Eu só dou grande mérito a Portugal quando ganhar a final.” Ainda antes da final (6 de Julho), torcia pelos nossos adversários: “A França é uma equipa que me encanta.» No fim de tudo (11 de Julho), lá teve de meter a viola no saco, mas resmungando ainda: “A selecção nacional, na final, foi melhor sem Ronaldo do que com Ronaldo.”

 

Indiferente a esta e muitas outras aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.

Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.

E por que motivo o Euro 2016 figura aqui? Porque nos 23 seleccionados de Fernando Santos havia quatro jogadores do Sporting (todos titulares) e dez formados na nossa Academia.

Motivos redobrados para festejarmos o maior título de sempre do futebol português.

 

Vitória do ano em 2012: meia-final da Liga Europa (19 de Abril)

Vitória do ano em 2013: 5-1 ao Arouca (18 de Agosto)

Vitória do ano em 2014: eliminação do FCP da Taça no Dragão (18 de Outubro)

Vitória do ano em 2015: conquista da Taça de Portugal (31 de Maio)

Só mais uma coisa ainda sobre o último jogo

Gostava de dedicar os três golos inteirinhos ao senhor que, ao ver o meu cachecol, encetou a seguinte converseta:

- Vai ver o Sporting?

- Vou vou...

- E é para ganhar? A seguir à Europa nunca ganham! EHeHEEHHEEHeHEEHEHEHEHe!

Adorou o seu próprio número humorístico, tão fofo. Se pudesse cortava-o aos bocadinhos para ser muitos iguais. 

Depois ainda me contou uma das hilariantes piadas sobre Pedro Dias e o Sporting Campeão que circulam por estes dias.

Para que é que insistem? Tenho a idade que tenho, sou do Sporting desde que me lembro. Ainda há quem ache que surpreende com piadas sobre campeonatos não ganhos?

Afinal não lhe quero dedicar nada, a vitória é nossa e só nossa.

Um pequeno drama que afinal foi épico

O momento crucial do Sporting X FCP de ontem acabou por acontecer cerca dos 20’ da 3ª parte, já estávamos nós nas bifanas.
Antes assistíramos a dois episódios decisivos, em tudo contrários à tradição troiana do Sporting em que um qualquer cavalo de pau traz desagradáveis surpresas na barriga.
Nos primeiros 20’ viu-se Danilo a comer Ruiz com arroz, André André a entupir Adrien e o FCP a marcar um golo contra a nossa defesa de palas nos olhos, encadeado pelo sol. Um ou dois ajustes de fine tunning de Jesus e passámos a mandar no jogo.
Nos 15’ iniciais da 2ª parte o Sporting reduziu o meio campo do Porto a um bando de canários (que lindo amarelo traziam eles vestido, em vez do habitual padrão de barracas de praia); entra então em cena o canoro Tiago Martins, apitando faltas, faltinhas e faltolas, cada vez que os nossos recuperavam uma bola, até virar a corrente do jogo.
Em face destes dois contratempos deu-se um fenómeno extraordinária em Alvalade: a equipa recompôs-se com maturidade, tino e segurança e nunca nas bancadas estivemos com o coração nas mãos como era nossa antiga sina. Todos tinham a cabeça no lugar, todos sabiam o seu lugar no campo e até o hamletiano Zeegalaar, que hesita e procrastina cada vez que lhe calha a bola nos pés, dava mostrar de saber o que fazer. Os jogadores do Sporting ressudavam tranquilidade, determinados em serem campeões como se o final do campeonato fosse já amanhã.
Só na conferência de imprensa Jorge Jesus revelou a verdadeira provação que a equipa viveu durante a semana: sempre debaixo de fogo do mercado de transferências com cada um dos jogadores alvo dos agentes-snipers; um ambiente de deixar as cabeças à roda, os nervos em franja e descontrolar o ânimo do mais austero.
Os piadéticos que peroram sobre as “vicissitudes do jogo” e especulam sobre o que deveria ter acontecido depois de tudo ter acabado, já sabíamos que eram tolos graças ao aforismo: “os diletantes discutem táctica, os profissionais falam de logística.” Também já se sabia que o futebol tem a forma de um iceberg: o que se vê no jogo resulta da enorme massa de treino escondida dos olhares.
Por isso as declarações de Jesus converteram esta simpática vitória num épico insuspeito.

O grande jogo de ontem

Valeu a pena apostar num futebol de ataque. Apesar da boa réplica da turma antagonista, ficou ontem bem claro que só uma equipa merecia ter vencido o jogo. Precisamente a que acabou por triunfar.

Antes do encontro, vários comentadores haviam antecipado que as hipóteses eram repartidas para ambos os lados. Essa antevisão não encontrou correspondência na realidade. A melhor equipa cedo deixou claro que tinha entrado em campo para sair vencedora e não admitia outro resultado.

Houve momentos emocionantes, reconheço. Mas em instante algum chegou sequer a suscitar-se a questão sobre o melhor onze em campo. Que foi precisamente aquele que viu a sua exibição coroada com um triunfo, aplaudido por portugueses de todas as regiões do País e residentes no estrangeiro.

Parabéns, pois, a quem venceu: a selecção olímpica portuguesa. Depois da Argentina, as Honduras. Isto promete.

A ver o Europeu (11)

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6 de Julho de 2016: pela segunda vez na história do futebol português, a selecção nacional ganha o acesso à final de um Campeonato da Europa. Uma conquista com todo o mérito naquele que foi o melhor dos nossos jogos neste certame, com uma vitória sem contestação frente ao País de Gales - selecção que vinha causando sensação, sobretudo desde que afastou a forte Bélgica nos quartos-de-final.

Portugal dominou em duas partes diferentes. Prioridade ao rigor defensivo nos primeiros 45 minutos, acautelando todas as vias de acesso à nossa baliza pelas faixas laterais, com controlo absoluto do centro do terreno. No segundo tempo o nosso domínio foi ainda mais evidente, sobretudo a partir do golo inicial, construído com um cruzamento perfeito de Raphael Guerreiro e concluído da melhor maneira com um cabeceamento fortíssimo de Cristiano Ronaldo, numa impulsão que deixou os centrais galeses no andar de baixo. Um golo excepcional.

Gareth Bale bem tentava remar contra a maré, mas teve de actuar sempre em zonas muito recuadas porque o tampão defensivo português nunca deixou de funcionar - contido, seguro e sólido. Joe Allen, muito pressionado por Adrien e logo condicionado por um cartão amarelo aos 7', foi uma sombra do que tem sido noutros desafios. Raras vezes o País de Gales chegou à nossa baliza. E quando o fez, sempre através de Bale, encontrou um Rui Patrício irrepreensível, confirmando ser um dos melhores guarda-redes europeus.

Atordoados pelo primeiro golo, aos 50', os galeses - em estreia num Campeonato da Europa - ficaram ainda mais abalados com o segundo, três minutos depois. Também com intervenção directa de Ronaldo, que recuperou e rematou, cabendo a Nani corrigir a rota da bola com precisão milimétrica.

Foram dois, mas podiam ter sido mais. Desde logo se o árbitro sueco tivesse assinalado uma grande penalidade claríssima cometida sobre Cristiano Ronaldo logo aos 10', com Collins a agarrá-lo dentro da área. Pela terceira vez somos prejudicados em lances deste género, após derrubes de Nani no jogo contra a Croácia e de Ronaldo no embate com a Polónia. Parece que os árbitros estão proibidos de apontar grandes penalidades a nosso favor.

No início eram 24 selecções, restam três neste Europeu. Ultrapassámos seis neste percurso até à final: Islândia, Áustria, Hungria, Croácia, Polónia e País de Gales. Falta saber quem será o último adversário, aquele que defrontaremos no próximo domingo em Paris. Alemanha ou França? Amanhã saberemos. Agora é tempo de festejar. Estes jogadores e este seleccionador que formam um grupo muito unido e com enorme força mental merecem que festejemos com eles.

 

Portugal, 2 - País de Gales, 0

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Revelou a segurança que sempre tem evidenciado neste Campeonato da Europa. Sem falhas nem grandes sobressaltos. Foi intransponível perante Bale: travou um bom remate do melhor jogador galês aos 77' e três minutos depois fez a defesa da noite ao defender um tiro desferido pelo mesmo jogador.

 

Cédric - Desta vez sem lapsos defensivos, cumpriu muito bem a missão de que foi incumbido, policiando com autoridade a lateral direita. Os seus centros neste jogo foram mais raros e com menos pontaria do que é habitual, mas o essencial foi feito. Justificou a titularidade, superando Vieirinha - escolha inicial do técnico.

 

Bruno Alves - Escolha talvez inesperada de Fernando Santos para compensar a ausência de Pepe, com problemas musculares. Estreou-se no Euro 2016 com uma exibição em bom nível, sem revelar o menor temor face ao poderio físico dos galeses. Podia ter evitado o cartão amarelo aos 71'.

 

José Fonte - Melhora de jogo para jogo, exibindo cada vez mais qualidades. Hoje funcionou como o patrão da defesa nacional, num desempenho com maturidade e classe. Secou Robson-Kanu, que tinha sido um dos melhores galeses contra a Bélgica. E ainda foi à frente cabecear com perigo aos 71', após a marcação de um canto.

 

Raphael Guerreiro - Regressou em boa hora ao nosso onze titular após os problemas musculares que o afectaram. Foi um dos melhores em campo. Fechou bem o flanco e foi mais atrevido do que Cédric na manobra ofensiva. Grande tabelinha com Adrien aos 44'. E um centro perfeito aos 50': funcionou como assistência para o golo de Ronaldo.

 

Danilo - Substituiu William, ausente por acumulação de cartões. Começou algo intranquilo, deixando-se ultrapassar de quando em vez, mas melhorou a prestação à medida que o jogo aquecia. Essencial no processo defensivo, em que soube impor o físico. Quase marcou aos 78': o guardião galês segurou a bola junto à linha de golo.

 

Adrien - Neutralizou Allen no corredor central, condicionando-lhe a acção ofensiva: exerceu pressão constante e nunca desistiu da luta pela bola. Protagonizou o melhor lance da primeira parte, aos 44', num grande cruzamento para a cabeça de Ronaldo. Excelente recuperação aos 78': serviu Danilo e o golo esteve quase a acontecer.

 

Renato Sanches - Voluntarioso e com rasgos ocasionais, teve no entanto a sua mais apagada prestação neste Europeu. Nem sempre acertou nos passes e foi várias vezes ultrapassado junto à lateral direita: o processo defensivo ainda não é o seu forte. Arriscou o remate aos 73', mas atirou para a bancada. Saiu no minuto seguinte.

 

João Mário - Nova missão de sacrifício do médio, mais habituado a fazer incursões da linha para o meio. Cabia-lhe resguardar o flanco, numa segunda linha defensiva, tal como Renato na ala oposta. Fez uma boa tabelinha com Cristiano Ronaldo aos 16', rematando ao lado. Falhou uma recarga aos 65', com a baliza à sua mercê.

 

Nani - Exibição com duas faces. Mal se deu por ele no primeiro tempo, mas foi crucial no segundo ao apontar o golo que carimbou a nossa vitória e deu tranquilidade à selecção. Confirma-se: é intuitivo como poucos dentro da área quando joga de trás para a frente. Forte remate aos 65', bem colocado: novo sinal de perigo. Saiu aos 87'.

 

Cristiano Ronaldo - Com um golo soberbo abriu o triunfo português. E vão três no Euro 2016 e nove nas fases finais de Europeus, igualando a marca de Platini em 1984. Alvo de um penálti não assinalado aos 10'. Participou na construção do segundo golo. Podia ter marcado o terceiro de livre, aos 63': falhou por pouco. O melhor em campo.

 

André Gomes - Entrou em campo já com o resultado feito, rendendo Renato Sanches aos 74'. Pedia-se-lhe apoio ao processo defensivo e tentativa de criar situações de desequilíbrio na manobra ofensiva. Desempenhou com zelo - embora sem brilho - ambas as missões.

 

João Moutinho - Substituiu o fatigado Adrien aos 79' com a missão de continuar a estabelecer a ligação entre as linhas portuguesas mantendo o nosso controlo da faixa central, o que obrigava os galeses a transferir para as alas todo o processo ofensivo. Cumpriu.

 

Quaresma - Só entrou aos 87', rendendo Nani e deixando a impressão de que poderia ter entrado mais cedo. Mas ainda chegou a tempo de pôr a defesa do País de Gales em sentido com a sua capacidade de vencer confrontos individuais em áreas de alto risco para a equipa adversária. Associou-se com mérito à vitória.

 

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