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És a nossa Fé!

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça da Liga - a primeira que vencemos após duas frustradas presenças em finais deste certame. Ainda mais saborosa porque a final hoje disputada em Braga foi contra o V. Setúbal, precisamente a equipa que nos derrotou na versão inaugural desta competição. Vingámos essa frustrante derrota de 2008 agora num estádio que congregou mais de 20 mil adeptos leoninos, incansáveis no apoio aos jogadores treinados por Jorge Jesus. É oficial: somos os campeões de Inverno da temporada 2017/18.

 

Gostei da nossa segunda parte, em que dominámos por completo e só não marcámos mais de um golo devido à soberba exibição de Trigueira, o guarda-redes sadino. Os últimos 45 minutos desta partida contrastaram em absoluto com a apagada e até medíocre primeira parte do Sporting, em que sofremos um golo logo aos 4'. Entre os nossos jogadores que se revelaram decisivos neste volte face, destaco uma vez mais Bas Dost, o melhor de verde e branco. Foi ele o marcador do penálti que empatou a partida, aos 78', e lançou o onze leonino para o desempate após o apito final do árbitro. Foi também ele a fazer dois grandes remates aos 75' - um dos quais seria travado em cima da linha da baliza, com um braço, pelo defesa sadino Postawski, que devia ter sido expulso de imediato mas acabou por se manter em campo. Foi ainda Dost a converter a primeira das cinco grandes penalidades da ronda do desempate que ditou a equipa vencedora.

 

Gostei pouco que tivéssemos de esperar pelo desempate por grandes penalidades, repetindo-se o que já acontecera há três dias na meia-final frente ao FC Porto. Mas desta vez estivemos ainda melhor: nenhum dos nossos jogadores falhou no momento decisivo. Vale a pena deixar aqui os seus nomes, pela ordem da conversão dos penáltis: Bas Dost, Bruno Fernandes, Mathieu, Coates e William Carvalho. Pormenor a reter: o Sporting continua invicto nas competições internas disputadas nesta temporada.

 

Não gostei que o árbitro Rui Costa demorasse três minutos a reconhecer o óbvio: que Postawski tinha impedido a bola de entrar na baliza do Vitória ao estender o braço quase em cima da linha de baliza. Foi necessária a intervenção do vídeo-árbitro, que impôs a verdade desportiva. Mesmo assim o árbitro voltou a estar péssimo ao exibir apenas o cartão amarelo ao defesa sadino, que devia ter sido expulso.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte, com o lesionado Gelson Martins ausente do onze e Montero de regresso à titularidade dois anos depois. Entrámos nervosos, sem conseguirmos ligar os sectores nem ganhar segundas bolas. Consentimos um golo logo no início da partida e deixámos o Vitória impor o seu sistema táctico neste período, em que as nossas alas ofensivas nunca funcionaram e os adeptos leoninos, impacientes, já assobiavam os jogadores. Bryan Ruiz (reincidente na falta de intensidade) e Rúben Ribeiro foram os elementos com exibição mais negativa. O treinador reconheceu isto mesmo ao remetê-los para o duche ao intervalo, fazendo entrar Acuña e Battaglia para aquelas posições. Com vantagem para a equipa, como rapidamente se comprovou: a segunda parte foi de sentido único, apenas com o Sporting em busca do golo. Felizmente conseguido.

Do que estou a gostar no Sporting deste ano

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Ainda não demos oportunidade a ninguém para vir com a piadinha costumeira: "jogaram como nunca, perderam como sempre". Claro que ainda temos de passar pelo Edinho, a mais recente angústia sportinguista (só o Sporting para ter angústias deste género), a que se tem de juntar a velha angústia de termos perdido a primeira Taça Lucílio com estes mesmos cromos, há dez anos. Não se riam: ontem, quando vi o William avançar para marcar o último penálti, pensei: "boa Jesus, isto de o William falhar sempre o penálti não dura sempre. Hoje marca e acaba-se o trauma". Pois foi.

Por outro lado, o Bryan Ruiz marcou um golo decisivo.

Vitória de Setúbal

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A notícia do empréstimo de Wallyson ao Vitória de Setúbal, inscrita no normalizar das relações com aquele clube, é muito reconfortante. Aquilo que aconteceu no jogo do ano passado - foram noticiadas coisas gravíssimas, como o facto dos jogadores vitorianos terem comemorado uma vitória e ainda que elementos do banco vitoriano (da equipa médica, julgo recordar) mandaram umas "bocas" - ter causado o que causou foi um sinal de enorme instabilidade da nossa direcção. Um défice de inteligência emocional, como se diz agora. Ser enérgico não é ser desvairado. O ano passado o clube foi desvairado no pós-Setúbal. Este ano foi enérgico (à excepção de Fábio Coentrão - mas uma gaivota em terra não é tempestade no mar, como parece que diz o ditado).

 

O melhor prognóstico

O resultado do V. Setúbal-Sporting foi imprevisível para uma grande parte dos adeptos leoninos, que anteviam o nosso triunfo no Bonfim. Mas houve uma excepção à regra: um leitor deste blogue vaticinou acertadamente o empate a uma bola que acabaria por registar-se no termo do encontro.

Foi o leitor David, que aproveito para cumprimentar pela boa pontaria num jogo que nos correu tão mal.

Sofrer um penálti aos 94 minutos

São jogos como este que nos fazem perder campeonatos. Falhando muito à frente, tirando o pedal do acelerador antes do tempo, "defendendo" o magro 1-0 e cometendo uma grande penalidade ao cair do pano.

Foi o que sucedeu esta noite no Bonfim: quase nada esteve verdadeiramente bem. E quando quase nada está bem encurta-se muito a distância para quase tudo ficar mal.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coitus Interruptus

No final do jogo contra o Aves, Jorge Jesus queixara-se de que lhe faltava um jogador para acasalar com Bas Dost. Entretanto, chegou Fredy Montero, que ainda não pôde ser utilizado no Bonfim. Na sua ausência, Gelson Martins e Bruno Fernandes, constituíram, pelo perfume do seu futebol, um casal vistoso. Ainda na primeira parte, fruto do labor de ambos, o Sporting obteria o primeiro golo da noite.

Durante o resto do tempo, os leões dominaram por completo: Acuña tentou por quatro vezes, sempre com a mira alta, Coates penteou de cabeça rente ao ferro e Bruno Fernandes isolou Gelson, o qual perdeu o tempo de remate. O maiato, incansável, ainda remataria ao poste, depois de um bailado monumental dentro da área sadina. Tudo corria bem até ao último reduto da virtude setubalense, mas havia sempre alguma inibição no momento da concretização. "Um golo é como um orgasmo", sentenciou o bibota, Fernando Gomes, aludindo ao êxtase que se apodera de um ponta-de-lança quando faz balançar as redes, pensamento hoje arredado da mente dos jogadores leoninos e, especialmente, do seu matador, Bas Dost. O excelente holandês, farto de esperar por alguém que combinásse consigo, proactivamente tentou acasalar com Bruno, em vez de fazer abanar o "véu da noiva", desperdiçando mais uma oportunidade flagrante.

O Vitória, que só ameaçara num lance de João Amaral, acabaria por marcar inesperadamente já nos descontos de tempo, provando o velho adágio de que "até ao lavar dos cestos é vindima". Edinho, de penálti, mais uma vez, não perdoou, à semelhança do ocorrido na Taça da Liga do ano passado, ameaçando tornar-se o carrasco de Jesus.

Apesar do frustrante empate, não atribuo responsabilidades ao treinador leonino. Quem me lê, sabe que demonstro sempre apreensão quando vejo prosápia a mais e alguma gabarolice, mas hoje Jesus terá sido o menos culpado. Afinal, pode pôr a equipa a jogar competentemente, a criar sucessivas oportunidades, mas não lhe cabe a ele marcar golos.

De positivo, para além de mais uma boa exibição de Bruno Fernandes - meu Deus, o quanto este jogador está acima de todos os outros... - de destacar a melhoria de forma de William Carvalho, irrepreensível esta noite no Bonfim.

Em conclusão: Bobby Robson, em 1993, afirmou que ao Sporting faltava "killer Instinct". Vinte e cinco anos depois é o que se vê. Podemos mudar de presidente, de treinador, de jogadores, mas enquanto não erradicarmos isso...

Nessa conformidade, lá voltámos a ficar atrás do Porto. Parece que só nos orientamos quando os temos como referência, como Norte, estrela Polar. Isso explicaria a razão pela qual Acuña passou todo o segundo tempo a visar a Ursa Menor.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 

 

De ter deixado dois pontos no Bonfim. Mesmo ao cair do pano, já no tempo extra, o Sporting sofreu um golo de penálti que empatou o confronto no Bonfim frente ao V. Setúbal. Estivemos uma hora a vencer 1-0 e a equipa pareceu satisfeita com essa margem tão tangencial. Inaceitável falta de ambição, nada própria de quem quer conquistar o campeonato.

 

De mais um empate (1-1) a soar a derrota. Após os pontos perdidos fora de casa contra o Moreirense e em Alvalade frente ao Braga, este tropeção no Bonfim pode prejudicar seriamente as nossas contas finais. Como sempre digo, é nestes confrontos com equipas do meio ou do fundo da tabela que os campeonatos se ganham e se perdem.

 

Da atitude passiva do treinador. Jorge Jesus viu perfeitamente o desgaste dos jogadores mas permaneceu teimosamente sem mexer na equipa até aos 85', quando enfim fez entrar Battaglia para o lugar de Rúben Ribeiro. Muito depois de o treinador do Setúbal, José Couceiro, ter começado a fazer alterações no seu onze titular. Espantosamente, as duas substituições seguintes do Sporting ocorreram já no tempo extra. Uma delas - absurda troca de Coentrão por Doumbia! - feita a escassos segundos do apito final, sem a mínima lógica.

 

Do sinal transmitido por Jesus. Ao trocar Rúben Ribeiro, médio ofensivo, por Battaglia, médio defensivo, o treinador indicou à equipa que estava satisfeito com o magro 1-0 e que a partir daí havia apenas de segurar o resultado. Erro crasso, como se comprovou. Equipa com aspirações ao título nunca se contenta com tão pouco. 

 

De Piccini. Teve um deslize inadmissível aos 41', quando atrasou a bola ao guarda-redes com frouxidão, quase permitindo a intervenção de um jogador setubalense, que ficaria isolado perante Rui Patrício. Valeu o instinto do melhor guardião da Europa, que se antecipou com rapidez, mas os adeptos sentiram um calafrio nesse lance. O italiano, que veio de uma lesão recente, aparenta má forma física. Jesus ainda mandou aquecer Ristovski, mas foi só para disfarçar.

 

De Rúben Ribeiro. Participou na construção do golo leonino, com um bom passe vertical para Gelson Martins, mas esgotou quase aí a sua intervenção positiva nesta partida, muito abaixo da sua prestação do passado domingo em Alvalade. Desta vez errou passes, mostrou-se mal posicionado, surgiu muito condicionado pela manobra defensiva adversária e desperdiçou uma das melhores oportunidades do encontro, num contra-ataque rápido aos 77', ao deixar-se antecipar quando o Sporting estava em superioridade numérica. Merece reponderação a sua actuação como titular.

 

Do descontrolo nervoso de Fábio Coentrão. Insultou claramente o árbitro Fábio Veríssimo (a linguagem labial não engana) mesmo ao cair do pano. Safou-se à justa de um vermelho directo. Nem parece de um profissional tão calejado.

 

De Mathieu. Como é que alguém com tanta experiência em estádios de futebol comete um penálti daqueles num momento tão decisivo, quando já não haveria hipóteses de recuperação? Hoje o francês custou-nos dois pontos. É muito. E pode tornar-se demasiado.

 

De Bas Dost. Mal servido pelos colegas, dispôs praticamente só de uma oportunidade após bom passe de Gelson Martins, aos 66'. Fez muita cerimónia e lateralizou em vez de fuzilar a baliza.

 

Dos  golos desperdiçados. Nem só o holandês esteve mal no capítulo da finalização: a equipa voltou a ser muito perdulária no momento do remate decisivo à baliza. Coates tentou cabecear, em vão, em lances de bola parada aos 11', 25' e 58'. Acuña procurou disparar várias vezes, mas sempre por cima ou ao lado - aos 43', 69' e 84'. Gelson também não foi feliz. Só cansaço físico ou também algum desgaste anímico?

 

 

 

Gostei

 

De Bruno Fernandes. Foi o jogador mais regular do Sporting, actuando como médio de ligação neste embate do Bonfim tal como já tinha feito em Alvalade. Foi ele a marcar o golo, aos 31', culminando uma bela jogada colectiva que em 14 segundos envolveu William, Rúben Ribeiro, Gelson Martins e ele próprio. Podia ter sido o início de mais uma goleada. Infelizmente, a equipa pareceu ter ficado satisfeita só com isto.

 

De Gelson Martins. Sempre inconformado, sempre em jogo, actuando nos limites da exaustão, fez hoje a quarta assistência para golo, servindo muito bem Bruno Fernandes. Foi ele também a projectar a equipa para o ataque, aos 77', naquela que foi a nossa segunda melhor jogada no desafio, a que Rúben Ribeiro esteve longe de dar a melhor sequência. E assistiu Bas Dost aos 86', isolando o holandês, que desperdiçou escandalosamente este brinde do colega. Saiu esgotado aos 90'+2', dando lugar a Podence. Substituição mais que tardia, que não aproveitou a ninguém.

 

De Coates.  Com um corte impecável, aos 74', impediu o V. Setúbal de marcar um golo que muitos já adivinhavam, num lance em que Rui Patrício já parecia batido. Era um sério sinal de alerta para o Sporting: alguma coisa precisava de ser alterada na equipa. Um sinal que Jesus não soube ou não quis interpretar.

Os melhores prognósticos

Houve algum excesso de optimismo na maioria dos prognósticos aqui feitos pelos nossos leitores e pelos meus estimados colegas de blogue no jogo anterior, em que recebemos o V. Setúbal em Alvalade. Mesmo assim, registaram-se dois vencedores: Octávio e Leão da Savana.

Estes leitores acertaram não apenas no resultado (1-0) mas no nome do marcador (Bas Dost). Dois outros anteciparam igualmente o desfecho da partida mas com menos pontaria ao prognosticarem quem marcava: DD e Leão de Quiosque.

Este nosso campeonato dentro do campeonato promete...

Os nossos jogadores, um a um

Estreia em casa do Sporting num jogo que começou muito bem, com meia hora de grande pressão da nossa equipa, confinando o Vitória de Setúbal ao seu reduto defensivo, sem dar qualquer hipótese à turma visitante de sair da sua área com a bola controlada.

Infelizmente tanta pressão traduziu-se em várias oportunidades mas nenhuma delas deu golo. Bas Dost, Acuña e Gelson Martins quase chegaram lá mas ou viram a intenção gorada por boas intervenções do guarda-redes sadino ou atiraram demasiado por cima ou demasiado ao lado.

Na segunda parte repetiu-se o filme - logo a partir do minuto inicial, quando um bom remate de Adrien embateu na barra ao ser desviado por um defesa. Dost elevou-se bem após um canto, mas o cabeceamento parou nas mãos do guarda-redes. Mathieu, com muita classe, tentou um remate de bicicleta que não chegou a trair Pedro Trigueira. E Doumbia, que rendeu um fatigado Podence, falhou em três ocasiões. Parecia que os jogadores recitavam em campo o poema "Quase", de Mário de Sá-Carneiro: faltava-lhes um golpe de asa.

O nó só foi desatado a quatro minutos do fim pelo suspeito do costume: Bas Dost. Ao ser carregado em falta dentro da área, o holandês foi chamado a converter o penálti e não defraudou as expectativas dos 42.415 espectadores que ontem à noite acorreram a Alvalade.

Vitória tangencial, mas os três pontos ficaram garantidos: isso é que interessa. Só foi pena termos esperado tanto pelo golo tranquilizador numa partida em que voltámos a manter a nossa baliza inviolada. Mérito da defesa, em que se destacou Mathieu - para mim desta vez o melhor em campo, com um desempenho próximo da perfeição.

 

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RUI PATRÍCIO (5). Noite tranquila do nosso guarda-redes, apenas ensombrada por uma saída em falso dos postes aos 38', no único lance que levou algum perigo à nossa baliza. Nem sempre esteve bem na reposição de bola.

PICCINI (6). Esforçou-se muito, até porque dois terços dos lances ofensivos eram conduzidos pelo seu flanco, e procurou combinar bem com Gelson. Bom cruzamento aos 17'. Grande cruzamento aos 77', isolando Bruno Fernandes.

COATES (7). Volta a exibir a classe que tinha evidenciado nas épocas anteriores: a parceria com Mathieu está a funcionar. Atento e concentrado, corte providencial aos 75'. Nunca hesitou em ir à frente. Numa dessas ocasiões, foi derrubado em falta dentro da área sadina - um penálti que ficou por marcar.

MATHIEU (8). Confiante e dinâmico, simples mas muito eficaz nos seus processos. Imprime velocidade e precisão ao início do processo atacante. Dobrou Jonathan sem problema. E marcou presença nas bolas paradas ofensivas. Numa delas esteve muito próximo de conseguir um golo acrobático.

JONATHAN SILVA (5). Rendeu Coentrão, poupado para o desafio de terça-feira frente ao Steua, e revelou-se intranquilo nesta missão. Com mais vontade que talento. Falhas na articulação com Acuña, o que não admira: foi o primeiro jogo oficial dos dois argentinos juntos.

BATTAGLIA (6). Faz jus ao apelido: é um batalhador. Designado para substituir William, sai desfavorecido na comparação. Melhorou na segunda parte, ao avançar no terreno: transporta bem a bola e pressiona os adversários, revelando espírito leonino. Protagonizou um bom lance de ataque aos 48'.

ADRIEN (6). Ressentiu-se da ausência de William, oscilando no seu desempenho em campo. Melhor a pressionar e organizar jogo, menos bem na precisão do passe. Melhor momento: um remate forte e bem colocado no minuto inicial da segunda parte que acabou por embater na barra. Saiu aos 69'.

GELSON MARTINS (7). Os colegas usaram e abusaram dele, canalisando quase todo o jogo ofensivo para os pés do médio-ala que rompia a defesa pelo lado direito. A articulação com Piccini nem sempre resultou e faltaram ataques pelo corredor central. Mas foi ele sempre o mais acutilante e criativo. Só falhou o golo.

ACUÑA (7). Rendeu menos do que prometia por falta de automatismos com Jonathan, seu parceiro de flanco. Mas cumpriu no essencial, sobretudo na firmeza e pontaria dos seus pontapés em lances de bola parada (um deles, aos 54', teleguiado para a cabeça de Bas Dost). Deu lugar a Bruno César aos 64'.

PODENCE (6). A pressão alta inicial do Sporting muito se deve ao jovem atacante, desta vez como titular atrás de Dost. Começou da melhor maneira, com dois excelentes cruzamentos logo aos 2'. Variou os flancos, causou sempre problemas aos sadinos, mas foi perdendo fulgor. Substituído aos 64' por Doumbia.

BAS DOST (7). Tentou muito e acabou por conseguir. Na primeira parte, a bola raras vezes lhe chegou em condições ou foi interceptada pelo guardião. Fez duas quase-assistências para golo, de calcanhar para Acuña e de cabeça para Doumbia. Acabou por ser ele a resolver, de penálti, aos 86'. Missão cumprida.

BRUNO CÉSAR (4). Rendeu Acuña aos 64'. Mas sem vantagem para a equipa. Tal como o argentino, entendeu-se mal com Jonathan. Não conseguiu criar desequilíbrios. E ainda foi brindado com um cartão amarelo, por desnecessária rudeza na abordagem de um lance defensivo. Muito distante do seu melhor.

DOUMBIA (5). Estreia oficial do marfinense pelo Sporting. Entrou com visível vontade de mostrar serviço, acelerando a frente atacante. Mas com menos acerto que vontade: falhou três ocasiões de marcar. Em todas esteve muito perto de o conseguir: numa delas, de costas para a baliza, teria dado o golo da jornada.

BRUNO FERNANDES (6). No lugar de Adrien desde os 69', confirmou-se como candidato a titular no onze. Muita capacidade técnica, bem revelada aos 77' numa dificílima recepção de bola na sequência de um passe longo. Útil na organização de jogo, sobretudo no eixo ofensivo. Merece maior utilização.

Rescaldo do jogo de ontem

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Gostei

 

Dos três pontos conquistados esta noite em Alvalade.  Vitória sofrida mas mais que merecida da nossa equipa nesta estreia em casa, por 1-0, frente ao V. Setúbal. O golo tangencial, marcado por Bas Dost a quatro minutos do fim, foi recebido no estádio com um imenso suspiro de alívio. O essencial estava conseguido: outra etapa superada, continuamos na frente.

 

Do segundo jogo consecutivo sem sofrermos golos. Nem na Vila das Aves, há uma semana, nem desta vez em Alvalade: o nosso reduto defensivo parece ser a componente da equipa que mais melhorou em comparação com a última época. Mudança crucial: nenhum clube conquista o título sem uma defesa sólida.

 

Dos primeiros 20 minutos, de alta rotação leonina. Verdadeira entrada de Leão, com intensa pressão do Sporting sobre o V. Setúbal, que permaneceu confinado ao seu meio-campo. Com Piccini e Gelson Martins pela direita, Acuña à esquerda e Podence entre o eixo e a ala direita, em constantes trocas posicionais, construímos pelo menos três lances que poderiam ter dado golo: aos 2' (Dost permitiu defesa), 7' (Acuña rematou ao lado) e 8' (Gelson atirou sobre a baliza).

 

De Bas Dost. Podia ter marcado muito mais cedo. Logo aos 2', após soberbo cruzamento de Podence. E de cabeça aos 54', na sequência de um canto, quando se elevou bem mas permitiu a defesa do guardião sadino. Mas nunca desistiu. Foi ele que sofreu o penálti e marcou o respectivo castigo, levando o Sporting à vitória, aos 86'. Golo inaugural do holandês neste campeonato. O primeiro de muitos, assim esperamos.

 

De Acuña. Continua a dar boas provas, conquistando os adeptos. Hoje voltou a fazer uma exibição muito positiva, sobretudo nos lances de bola parada, que saem quase sempre com perigo dos seus pés. Só lhe faltou acertar mais a pontaria na hora de rematar à baliza.

 

De Mathieu. Partida perfeita do internacional francês, que se afirma como um valor seguro no nosso eixo defensivo. Ao ponto de parecer já que faz parceria há longo tempo com Coates, seu companheiro naquela zona do terreno. Confiante, veloz, jogando sempre de cabeça levantada, transportou bem a bola a partir da defesa, abriu linhas de passe no momento ofensivo e nunca deixou desguarnecido o seu reduto, fazendo cortes oportunos aos 42', 67' e 78'. E aos 63' quase marcou, num pontapé acrobático, à ponta de lança. Voto nele para melhor em campo.

 

Do nosso banco. Ao contrário do que sucedeu há um ano, desta vez temos mesmo reforços. E a equipa não quebra o rendimento no momento de ocorrerem as substituições, como ficou bem patente neste jogo, sobretudo quando Jorge Jesus mandou trocar Podence por Doumbia e Adrien por Bruno Fernandes. Sem quebra de qualidade.

 

Do excelente ambiente no estádio. Éramos 42.215 em Alvalade, quase todos a puxar pelo Sporting. Atmosfera festiva de um sportinguismo sempre renovado, sem desfalecimentos, época após época. Nunca deixamos de acreditar na nossa equipa.

 

 

Não gostei

 

Do 0-0 ao intervalo. Tantas oportunidades desperdiçadas começavam a exasperar os espectadores. Ao ponto de alguns jogadores, como Jonathan Silva, começarem a ser assobiados por alegada lentidão de processos em campo. Não havia necessidade de tanto sofrimento. E os assobios eram dispensáveis.

 

Que o empate a zero só fosse quebrado a quatro minutos do fim. Ao contrário da jornada anterior, em que o golo surgiu cedo, desta vez a espera foi muito mais longa. Alguns adeptos já desesperavam.

 

Das oportunidades de golo desperdiçadas. Bas Dost (2' e 54'), Acuña (7' e 22'), Gelson Martins (22'), Adrien (46'), Mathieu (63') e Doumbia (66', 68' e 77'). Em alta competição não pode haver tanto desperdício.

 

Do abuso das acções ofensivas pela ala direita. Durante quase uma hora, a construção iniciava-se sempre da mesma maneira: passe de Rui Patrício para Piccini, o lateral direito a transportar a bola e a endossá-la a Gelson Martins, esperando toda a equipa que o médio-ala desequilibrasse com classe e centrasse com perigo. Tudo demasiado previsível e relativamente fácil de anular.

 

Do jogo inofensivo do V. Setúbal. A equipa treinada por José Couceiro apenas se preocupou em defender, colocando quase sempre todos os jogadores atrás da linha da bola. E não fez um ataque bem construído do princípio ao fim da partida.

 

Da ausência de William Carvalho. O nosso médio defensivo nem no banco se sentou: viu o jogo da bancada. Não para ser poupado para o jogo de terça frente ao Steaua de Bucareste, pois estará fora dessa partida para cumprir um castigo. Esta opção de Jesus indicia que William estará prestes a sair para o campeonato inglês. O Sporting vai ressentir-se: ele foi até agora um pilar indiscutível da nossa equipa.

 

Foto minha, tirada esta noite em Alvalade

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sporting x Vitória FC 1-0 (Bom Fim)

O Sporting, na ausência de jogo vertical dos seus 2 médios centro, andou aos esses (de Azeitão) até Bas Dost "cavar" um penalty (televisivo) e a equipa conseguir derrubar a muralha de Setúbal. Faltou alguma qualidade individual (na finalização e no último passe) para dar corpo à boa exibição colectiva.

Couceiro tinha na manga uma ideia de jogo que, parecendo um 4-3-3, rapidamente evoluia para um sistema de 5 defesas, apoiados por 4 médios. Um conceito baseado nas linhas Maginot, mas com muito melhores resultados, dada a presença do panzer Arnold, a assegurar a defesa do terreno não coberto pelas famosas linhas, impedindo a entrada do "inimigo". A complementar o sistema, todo o tipo de jogo subterrâneo, obstáculos e postos de observação. Com tantas medidas de prevenção, natural foi o Vitória não ter realizado um único remate enquadrado à baliza de Rui Patrício.

Aparentando precisar de uma revisão urgente, como por toque de Midas, Arnold morreu e ressuscitou entre os 30:17 e 30:45 e entre os 38:30 e 38:55. Também fez questão de deixar bem claro que não se sentia nada bem aos 43:30. Bruno, o outro, mostrou (com)Paixão e mandou toda a gente para o balneário sem dar um segundo sequer de compensação. Antes, já obrigara a modificar toda a cartilha de Jesus para os livres, tal o numero de faltas que assinalara aos jogadores sportinguistas que tentavam atacar a bola, com esta ainda no ar. Estranhamente, mudou de critério quando Coates foi empurrado dentro da área sadina, naquilo que pode ser considerado (mais) um penalty televisivo e que constituiu a sua única incongruência técnica no jogo.

Para dizer a verdade, também foi coerente do ponto-de-vista disciplinar, na medida em que não acertou uma decisão. Ora, então confiramos: aos 34:00, Piccini agarrou um adversário na saída deste para o ataque sem sanção disciplinar; aos 57:00, Battaglia varrido por Arnold (que passou do registo de "inválido do comércio", quiçá também da indústria, rivalidades à parte, para o de destemido "Schwarzenegger" vitoriano) - Paixão? -, "No pasa nada"; aos 70:30, os mesmos protagonistas, agora um pisão ao argentino; aos 77:30, Willyan pegou Gelson de cernelha, mas Paixão, provavelmente a favor das tradições tauromáquicas, contemporizou, mantendo a sua produção industrial de asneiras. Notável!

Outro epifenómeno do jogo foi a tendência exageradamente altruista manifestada por Dost durante a segunda-parte. Assim, começou por assistir Podence aos 50:40, Acuña, aos 52:25 e 55:25, ninguém (!), aos 65:00, Doumbia, aos 67:00, 71:20 e 75:00. Sempre, sem que os favorecidos por tais presentes apresentassem resultados. Ainda temi que tentásse o penalty à Crujff, só para manter o registo...

Mas, vamos lá então à análise individual dos "cantores":

 

Rui Patrício: se no Domingo passado, durante o jogo, se rendera a uns Jesuítas, hoje atirou-se a uns salmonetezinhos, sendo apenas observado a repôr a comida, perdão, a bola. Por este andar, ainda vai obrigar o Dr. Varandas a impor-lhe um plano dietético. Como avaliar um jogador sem trabalho?

Nota:

 

Piccini: o seu melhor jogo de leão ao peito. Rápido a recuperar em terrenos defensivos, foi mais ofensivo do que nos tem vindo a habituar e também mais prático, concluindo normalmente as jogadas com cruzamentos. Como bom italiano, tem dotes de marinheiro aventureiro e, nesse transe, continua a navegar por rumos que, ás vezes, parecem inusitados, se bem que sem grandes naufrágios até à data.

Nota: Sol

 

Coates: o Ministro da Defesa decretou a grande-área leonina como "zona desmilitarizada". Edinho e os restantes vitorianos (?), obviamente, obedeceram. Um dos melhores em campo.

Nota:

 

Mathieu: observamos o francês, com aquele ar de quasi-reformado ancião à espera de meter os papeis para a Segurança Social, e caímos no engodo de nos esquecermos que está ali um irredutível gaulês sempre disponível para resistir ao VIII exército vitoriano. Até meter uma mudança a mais do que todos os outros em campo, Gelson incluido, e parecer um personagem da Velocidade Furiosa 245, a sequela. Alternativa a Coates e Dost para melhor em campo.

Nota:

 

Jonathan: os defesas laterais, geralmente, são dotados de grande velocidade. Algo está errado neste guião, porque o argentino parece uma tartaruga no meio de lebres. Por volta dos 56 minutos, Arnold, sempre ele (!), partiu 3 metros atrás e ganhou-lhe rapidamente outros 3. Ainda tentou de novo, passado pouco tempo, mas aí o homem das Pampas desarmou-o com o recurso a um carrinho, motor de busca (dos adversários a pé) que utiliza com frequência e que, pasme-se, parece ser autorizado nas regras do jogo. Tentou participar nas acções atacantes destruindo a reputação de Marcus Acuña e, dir-se-ia, de Bruno César, não fora a deste último já se ter perdido há muito. Ainda assim, não comprometeu defensivamente.

Nota:

 

Battaglia: titular pela primeira vez em jogos oficiais, demorou a entrar no jogo e esteve aquém do que mostrou na pré-época. Ainda assim, melhorou durante a partida continuando a ser uma máquina de recuperação de bolas e a mostrar os seus dotes na condução e protecção de bola. Lateraliza demasiadamente, o que faz a equipa ressentir-se  da ausência de jogo vertical por parte dos médios centro. Na segunda-parte, Jesus conseguiu descomplexá-lo e semeou o pânico na defensiva vitoriana numa incursão em que se pediu penalty, voltando àquele registo de todo-o-terreno que ainda o irá consagrar.

Nota: Sol

 

Adrien: a mesma alma e empenho de sempre, mas a inspiração simplesmente não está lá. Parece cansado de dois anos sem (práticamente) férias. Mas, é o nosso grande capitão e figura incontornável. Se não saír até final de Agosto, ainda o veremos a retornar ao seu (alto) nível. 

Nota:

 

Gelson: Nuno Pinto, o lateral esquerdo do Vitória, à hora que escrevo ainda se encontrava no relvado de Alvalade, não à procura do brinco, como outro saudoso ex-vitoriano, mas sim do Norte, tantas foram as vezes que Gelson (e também Podence) lhe trocou as voltas. De tal maneira que, a páginas tantas, ainda tonto e algo mareado, foi chocar contra as costas de Dost, ajudando a afundar a muralha sadina. Gelson, por vezes, parece um General preso no seu próprio labirinto, enredado numa espiral de truques, esquivas e enganos que constituem o seu futebol jogado ao ritmo do Tango argentino, num compasso dois-por-quatro (no caso, ele e Piccini contra 4 jogadores do Vitória). Precisa ser mais decisivo e poderia tê-lo sido logo aos 7 minutos, mas a bola perdeu-se por cima da barra. Ainda assim, não sabe jogar mal.

Nota: Sol

 

Acuña: o argentino esteve aquém do que já mostrou. Alguns bons cruzamentos, mas sem a acutilância e a rotatividade que já mostrou. Bem sei que Jonathan, só preso por um elástico lhe aparecia por perto a ajudar, mas pode e deve fazer muito melhor. Substituido (?) por Bruno César na segunda-parte.

Nota:

 

Podence: o electrão leonino com 1 minuto de jogo já passara Nuno Pinto por duas vezes, ameaçando o núcleo central vitoriano. "A Podence, a titularidade pertence" devia ser lema escrito cem vezes a giz na ardósia de JJ. Com o tempo melhorará a decisão, evitando o toque a mais na bola e a finta desnecessária, o que dará um outro fulgor às suas electrizantes actuações.

Nota: Sol

 

Bas Dost: o que levou o "carteiro" a assistir tanto os seus colegas na entrega de "correspondência" ainda agora me intriga. Por seis vezes, tal Rowan a pedido de MacKinley, levou a carta a Garcia, mas os "guerrilheiros" leoninos não estiveram pelos ajustes e incumpriram a missão. Acabou a decidir ele, como aliás quase sempre na época passada.

Nota:

 

Bruno César: o homem até é bom de bola, pensa bem, executa bem, remata bem. O seu problema é que o tempo não para, é um tique-taque permanente, e o brasileiro, a maior parte do tempo, "ta-qui-e-to", parado. Protagonizou, com o clone Jonathan e contracenando com Arnold, uma brilhante interpretação da fábula "a tartaruga e a lebre".

Nota:

 

Doumbia: o homem é um "bicho", é forte, não pára quieto e ameaça dar pesadelos a quem tiver que o marcar. Mas, a um avançado pedem-se golos e o costa-marfinense ontem desperdiçou 3.

Nota:

 

Bruno Fernandes: a sua entrada em campo alterou o perfil do nosso jogo. Conseguiu algumas vezes furar o cerco setubalense e, numa delas, quase dava em golo, ingloriamente perdido por Doumbia. Realizou as tais penetrações verticais que faltavam e adicionou desconforto à defesa vitoriana. Influente.

Nota: Sol

 

Tenor "Tudo ao molho e FÉ em Deus": BAAAAAAAAS DOOOOOOOST !

 

Iguais ao Boavista, piores que o Setúbal de Couceiro

Resultados do Sporting vs. Setúbal; duas vitórias, uma por 2 a 0 e outra por 3 a 0, cinco golos marcados, zero sofridos.

Resultados do Sporting vs. Boavista; duas vitórias, uma por 4 a 0 e outra por 1 a 0, cinco golos marcados, zero sofridos.

Resultados do Benfica vs. Setúbal; um empate e uma derrota, 1 a 1 e derrota por 1 a 0, um golo marcado, dois sofridos.

Resultados do Benfica vs. Boavista; dois empates, 3 a 3 e 2 a 2, cinco golos marcados, cinco golos sofridos.

Sporting, 12 pontos.

Benfica, 3 pontos.

A propósito disto.

Na época passada o Sporting foi superior a todas as equipas (se fossem contabilizados os resultados obtidos nos dois jogos como eliminatórias) nesta época o Benfica até conseguiu ser pior que o Setúbal.

Os melhores prognósticos

Grande exibição do Sporting no estádio do Bonfim, excelente vitória num campo tradicionalmente difícil, onde Porto e SLB já tropeçaram. Vitória que não surpreendeu os autores deste blogue e muitos dos nossos leitores. De tal maneira que houve três prognósticos certeiros.

Pedro Almeida Cabral antecipou o resultado, embora sem indicar os marcadores dos golos.

Também os nossos leitores Leão do Fundão e Pedro Wasari acertaram no 3-0 final, superando o nosso colega de blogue porque ambos apontaram Bas Dost como marcador de pelo menos um golo. Tal como veio a suceder.

A próxima ronda de prognósticos incidirá num jogo muito especial: o Sporting-Benfica. Espero que seja uma das mais concorridas de sempre.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da nossa vitória em Setúbal, por 3-0.  Confirma-se: estamos a atravessar o melhor período da temporada. Com cinco triunfos consecutivos e nove desafios seguidos sem derrotas (25 pontos alcançados em 27 possíveis). Perante uma equipa que na Liga 2016/17 retirou cinco pontos ao SLB e quatro ao FCP.

 

De Bas Dost. O nosso ponta-de-lança marcou o terceiro golo - o seu 28.º neste campeonato. Suplantou já a marca de Slimani na Liga 2015/16 e está de momento isolado na corrida à Bota de Ouro. Muito bem posicionado, portanto, para conquistar o título de melhor artilheiro do futebol europeu.

 

De Bruno César. Outra grande partida do brasileiro, que hoje foi o melhor em campo. Partiu dele o cruzamento para o nosso golo inicial, logo aos 20'. Também foi ele a marcar o canto que originou o segundo golo, aos 55'. Infatigável, actuou em duas posições na ala esquerda e nunca deixou de disputar a bola.

 

De Alan Ruiz. Protagonizou o melhor momento do encontro do Bonfim, ao fazer um espectacular passe de trivela para Bas Dost, que só precisou de encostar o pé à bola, encaminhando-a para a baliza (61'). O argentino confirma-se como um imprescindível no onze titular do Sporting.

 

De Gelson Martins. Foi ele a desatar o nó, aos 20', quando o V. Setúbal tinha a partida equilibrada. Aproveitando um deslize da defensiva sadina, foi rapidíssimo ao movimentar-se na grande área, marcando o primeiro golo do Sporting. Protagonizou outros momentos de qualidade, como já nos habituou, neste regresso à titularidade após breve lesão.

 

De William Carvalho. É um dos elementos nucleares da nossa equipa, assumindo-se como pêndulo do meio-campo, onde consegue ganhar todos os confrontos individuais. Também muito eficaz na recuperação de bolas, viu o seu bom desempenho premiado com um golo de cabeça na sequência de um canto. O seu segundo golo neste campeonato.

 

Da nossa defesa. Mais um jogo sem sofrermos golos.

 

Do apoio dos adeptos. A equipa foi incentivada do princípio ao fim pelo entusiástico coro dos sportinguistas que compareceram nas bancadas do Bonfim.

 

Do teste superado. Bom ensaio geral para o próximo desafio - o do dérbi do dia 22 em Alvalade, que pode ser decisivo para o desfecho do campeonato.

 

 

Não gostei

 

Do cartão amarelo exibido a Marvin. Um lance de contacto junto à linha, semelhante a dezenas de outros, serviu de pretexto para o árbitro deixar o holandês fora da partida com o SLB. Manifestamente exagerado, este cartão. Aliás, aos 32' já tínhamos os dois laterais amarelados: pouco antes sucedera o mesmo a Schelotto numa jogada semelhante. Se vestissem ambos de encarnado e se chamassem Pizzi ou Samaris, nenhum deles teria visto o amarelo.

 

De Bryan Ruiz. Desta vez Jorge Jesus deixou-o de fora do onze titular, numa clara demonstração da perda de influência do costarriquenho, desligado da dinâmica colectiva da equipa. Lançado na partida aos 62', substituindo Gelson Martins, o n.º 10 falhou o golo quase à boca da baliza, após excelente passe de Podence (79'). Já no período extra, perdeu-se em dribles na grande área, acabando por endossar a bola à defensiva setubalense.

 

Que o nosso primeiro canto tivesse sido só aos 55'. Felizmente recuperámos o tempo perdido: esse canto deu em golo.

 

Que não tivéssemos igualado o resultado da época anterior. Há um ano, o Sporting foi ao Bonfim vencer por 6-0, na estreia de Bruno César como Leão. Desta vez parámos a um curto passo da goleada, talvez para evitar um desgaste suplementar na jogada que antecede o dérbi lisboeta. O SLB que se cuide.

Salmonetes ou charrocos?

Eu confesso que prefiro os segundos, pequeninos, fritinhos, acompanhados duma açorda de ovas, de um branco de Palmela... Mas chega de divagações, o que se pretende é analisar o jogo de ontem em Setúbal, cidade onde passei doze anos da minha vida profissional e onde tenho amigos e que está cada vez mais agradável de se visitar.

Ora bem, vamos à equipa escalada para o jogo. Se queremos efectivamente vencer esta competição, devemos demonstrar que o queremos mesmo e a melhor forma de o fazermos, é colocar a melhor equipa em campo a disputar as eliminatórias. Esteve bem Jesus no escalamento do onze inicial; Ainda admiti que colocasse Beto na baliza, mas as circunstâncias vieram dar-lhe razão, Patrício evitou com duas grandes paradas, dois golos feitos do(ao) Vitória. "Ah, o Beto poderia ter defendido também." Pois podia, mas não estava lá.

E com esta equipa em campo, apesar do desgaste do jogo de Domingo, esperar-se-ia um banquete de salmonetes, cozinhados de toda a maneira e feitio, assim a modos que rodízio. Nada mais falso! O futebol praticado foi mais que mediano, fruto também da boa réplica principalmente na primeira parte, por parte do adversário, mas mais por inépcia dos nossos. Ainda assim, por volta dos vinte minutos, oportunidade soberana, com uma grande penalidade a favor. Já estava a imaginar a travessa dos salmonetes, grelhados, a rirem-se p'ra mim. Pum! Pum! Dois tiros falhados na mesma jogada, o remate e a recarga. Mérito ou demérito? Sem ponta de dúvida, e apesar das probabilidades a favor do GR na marcação de uma grande penalidade serem ínfimas, foi grande mérito do homem da baliza e menos demérito de Adrien, que rematou bastante colocado. Já a recarga, é daquelas que tanto podia dar, como não dar. Não deu. O tão prometido banquete de salmonetes que se antevia com a abertura do marcador, ficou em banho-maria, já que, a exemplo de jogos anteriores, os nossos jogavam benzinho até à entrada da área, mas aí, apesar das belas manobras de Bas Dost em busca de um 10, com serviço para remate de meia-distância, o jogo morria.

Bas Dost que marcaria, a centro, quem diria, de Marvin, com uma cabeçada primorosa, à ponta de lança.

Notou-se uma ligeira quebra em William e mais acentuada em Adrien, normais pela utilização sempre em alta rotação que têm tido, que se reflectiu num futebol mais mastigado a meio campo. Apesar disto, o sinal mais foi sempre dos nossos e o golo que haveria de aparecer foi sendo evitado pelo GR setubalense, que fez uma bela exibição. Isto leva-me a constatar que contra nós, os homens da baliza se agigantam. A sério, não tenho memória de um frango a nosso favor.

Resumindo, não houve salmonetes. Em contrapartida, houve um jogo suado, por vezes não muito bem jogado mas intenso e comprometido, mais como uma bela travessa de charrocos fritos, o que nos tempos que correm, não deixa de ser um belo pitéu.

 

Domingo há mais.

 

Dez notas sobre o jogo de ontem

 

1. Eficácia é a palavra-chave para superar obstáculos. Eficácia sem mais, esquecendo a nota artística. O Sporting foi eficaz esta noite, no estádio do Bonfim, frente ao V. Setúbal. Impunha-se cabeça fria, concentração máxima e vontade muito firme de seguir em frente na Taça de Portugal. Conseguimos superar a equipa comandada por José Couceiro, que deu sempre muito boa réplica, valorizando o espectáculo. Estamos nos quartos-de-final da competição. Objectivo cumprido.

 

2. Prefiro muito mais assim, quando Jorge Jesus não inventa. Lançar em campo os melhores, nas posições em que já existem rotinas e automatismos. Deixar os menos bons no banco, remeter os medíocres para a bancada. Ter a convicção de que não existem jogos menores, que permitam "poupar" jogadores. A Taça verdadeira é um dos nossos objectivos nesta temporada. Queremos conquistá-la. Para isso não pode haver "poupanças". Ainda bem que não houve.

 

3. O colectivo leonino vai adquirindo precisão mecânica. Mas há unidades que fazem a diferença - nenhuma tão destacada como Gelson Martins, que voltou a fazer uma excelente partida. O jovem internacional formado em Alvalade supera-se sempre a si próprio, com um fôlego inesgotável. Coube-lhe protagonizar as jogadas mais vistosas do desafio em movimentos da ala para o eixo do ataque que punham sempre em sobressalto a defesa sadina. Novamente o melhor em campo.

 

4. Eficácia e maturidade são qualidades complementares. Qualidades que ficaram bem patentes quando a nossa equipa superou bem o facto de não ter convertido uma grande penalidade, logo aos 21'. Adrien, artilheiro de serviço na marca dos 11 metros, bateu bem a bola, mas o guarda-redes sadino travou-a com a defesa da noite, impedindo logo de seguida o nosso capitão de fazer a recarga. Noutros tempos, o Sporting ficaria abalado com este desaire. Mas foi como se nada sucedesse: a equipa revelou robustez psicológica. Superando o teste da maturidade.

 

5. Outro teste superado: o do contributo de Bas Dost para esta equipa. Já ninguém tem dúvidas: o internacional holandês é mesmo reforço. Nenhuma defesa contrária está em sossego com ele em campo. Voltou a suceder esta noite: aproveitando um dos raros deslizes do bloco defensivo do V. Setúbal, o avançado marcou o golo que nos qualifica para os quartos da Taça. Um golo à ponta de lança, culminando uma excelente jogada que teve como protagonistas anteriores Adrien, Campbell e Marvin. E vão dez, nesta época, à conta de Dost. Apetece-me defini-lo com esta palavra: competência.

 

6. Se o holandês é mesmo reforço, o mesmo podemos dizer de Joel Campbell. O costarriquenho voltou a confirmar as boas qualidades já evidenciadas em partidas anteriores. Desta vez Jorge Jesus fez aquilo que se impunha, apostando nele como titular em vez do apático e desgastado Bryan Ruiz, mantido hoje no banco até ao minuto 72. A equipa ganhou dinâmica, velocidade e profundidade: Campbell parece o mais bem colocado para passar a jogar nas costas de Bas Dost. É bom confirmar que não houve só asneiras nas compras feitas no passado Verão.

 

7. Gostei de ver a actuação dos jogadores leoninos emprestados ao V. Setúbal. André Geraldes, como lateral direito, e sobretudo Ryan Gauld, como médio criativo. O jovem escocês que na época passada jogou no Sporting B destacou-se pela qualidade e precisão do passe, e pela capacidade de desmarcação. Num desses lances, aos 30', só foi travado in extremis por Rui Patrício, que voltou a merecer todos os elogios. Impõe-se a pergunta: porque não fazer regressar Gauld a Alvalade já em Janeiro?

 

8. O jogo foi bom, mas a hora a que se desenrolou foi péssima. Numa noite muito fria, a meio da semana, com início às 21 horas, como é possível atrair público aos estádios? A Federação Portuguesa de Futebol parece não apreciar grandes assistências nos desafios da Taça. Gostava de saber porquê.

 

9. Ultrapassar esta eliminatória da Taça de Portugal era fundamental para repor os níveis de confiança. Não tanto entre os jogadores mas na relação entre os adeptos e a equipa após o fracassado acesso à Liga Europa e a derrota tangencial no dérbi da Luz. Mantemos intacta a esperança de disputar a final do Jamor e não estamos a uma distância irreversível da equipa que lidera o campeonato, longe disso. Convém não esquecer: ainda há 63 pontos em disputa na Liga 2016/17.

 

10. Agora há que pensar no Braga. A turma minhota foi hoje eliminada da Taça de Portugal em casa, pelo "tomba-gigantes" Sporting da Covilhã, numa partida em que se escutaram apelos das bancadas à demissão do treinador José Peseiro. Será este o nosso próximo adversário no campeonato, já no domingo que vem. Ninguém imagina que seja um jogo fácil. Mas temos todos os motivos para confiar na obtenção dos três pontos. Eu não penso noutra coisa. Aposto que o mesmo sucede com vocês.

 

{ Blog fundado em 2012. }

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