Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coates evita tombadela fatal

Na antecâmara do jogo, a Assembleia Geral do Sporting foi uma espécie de Festival do Escanção. Quem tome o que ali foi dito pelo seu Face "value" arrisca-se a ficar num estado de embriaguez permanente dos sentidos que não augurará nada de bom. Como tal, degustei e absorvi o (pouco) que foi de interesse e deitei fora tudo o resto...

 

Aprendi o valor do silêncio com o ruí­do. Por isso, remeti-me ao silêncio. Quis compreender o que ali se tinha passado.

 

Aldous Huxley - autor de "Doors of Perception" - dizia que depois do silêncio, o que mais se aproximava de expressar o inexprimí­vel era a música. Coincidência ou não, um dia depois, estava ainda eu neste estado de espí­rito quando me entra pela televisão o Festival da Canção. Hoje, enquanto assistia à  Nossa vitória em Tondela, lembrei-me dele: o Sporting ganhou e, como cantou, nos 3 minutos da praxe (não havia um presidente de AG por perto a ameaçar "cortar-lhe" o microfone ao fim de 1 minuto), a doce Catarina Miranda - canção nº5 da primeira eliminatória (espero que a vencedora final) - "não há nenhuma necessidade, hoje para sorrir eu não preciso de (mais) nada". Afinal, (en)cantar no campo é a verdadeira essência do Sporting, o clube do GRANDE e para sempre RESPEITADO João Rocha. Está dito e da forma como quis dizer, pois, parafraseando o autor de "Austrália", "quem koala consente". 

 

Vamos ao jogo: triste pelas últimas narrações que ouvi na TV decidi testar uma nova modalidade. Assim, tirei o som da televisão e liguei o meu Spotify, mais a coluna JBL. Tinha duas pré-selecções à escolha: música brasileira ou pop/rock. Optei pela primeira. 

 

A equipa foi basicamente a de sempre, com a novidade(?), face à ausência de Coentrão, de o sonolento Bruno César ter entrado em vez do sonolento Bryan Ruiz (nesse caso implicaria o recúo de Acuña), voltando JJ, uma vez mais, a privilegiar o 4-4-2 em vez de um bem mais confortável 4-3-3. A pergunta que faço é a seguinte: este último sistema, dada a acumulação de jogos, não pouparia a equipa a um maior desgaste? Estavam decorridos 12 minutos quando Miguel Cardoso abriu o marcador para o Tondela. Gilberto Gil cantava "aquele abraço". Ao som de "Burguesinha", de Seu Jorge, Acuña tirou um adversário do caminho e centrou para a cabeça do em boa hora regressado Bas, que "dostou".

 

Ao intervalo, a SportTV mostrava um anúncio da Bet.pt com um senhor com 3 olhos na face, certamente inspirado no surrealismo de Salvador Dalí...

 

Para dar sorte, mudei o som para a Playlist pop/rock. Doumbia entrou em campo quando tocava "Like a Rolling Stone", de Dylan, Mathieu foi expulso à toada de "The whole of the moon", dos Waterboys e Piccini, hoje irreconhecível, fez o seu habitual atraso arrepiante reconhecível para Patrício quando entoavam os acordes de "God only knows", dos Beach Boys.

 

Estávamos já na compensação dos descontos - os tondelenses ficaram compreensivelmente insatisfeitos, mas Capela estava só a compensar os 4 minutos que Luis Ferreira nos havia sonegado na primeira parte contra o Feirense - quando ao som de "The Unforgiven", dos Metallica, Coates ocorreu a um desvio de Dost, entretanto deflectido para o poste por um defesa do Tondela, e marcou o golo da vitória, o seu 4º da época. Uff!!!

 

Liguei o som da televisão. Em conferência de imprensa, Jorge Jesus, a propósito do apoio das claques, endereçava os parabéns à do Boavista(!?), por ter tido uma atitude que lhe ficou na "rotina". Voltei a desligar o som ao aparelho. E dei graças a Deus por não ter ficado com azia, tal o refluxo de ácido gástrico que o meu estômago deve ter produzido até ao golo salvador.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (Bas esteve nos 2 golos, Acuña seria uma boa alternativa pela combatividade, Patrício pela fiabilidade de sempre - só traído por um desvio da bola em Mathieu)

tondelasporting.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sobretudos de leão para cazaques muito curtos

Com VAR ou sem VAR, Doumbia arrisca-se a passar à história como o melhor marcador de golos mal anulados pelos árbitros, à semelhança do ocorrido com Montero na época 2013/14, em que o colombiano, depois de um início fulgurante, viu prolongada a seca de golos com 3 golos mal invalidados.

 

A envolvente ao jogo foi feita de diversas contradições: uma partida da Liga Europa disputada na Ásia Central(!); um frio glaciar num país que faz fronteira com outro cuja capital se chama Tashkent ("tás quente", Uzbequistão); um estádio fechado e climatizado com 13º positivos, quando a temperatura exterior apontava para os menos 20ºC; um relvado sintético aprovado pela UEFA para competições a este ní­vel. Enfim, todo um cardápio de boas desculpas (a do vento não dá sempre), caso a coisa não tivesse corrido de feição...

 

Depois de uma primeira parte menos conseguida, com um golo muito consentido logo no começo, o Sporting, impulsionado pelo magnífico Bruno Fernandes, controlou o jogo a seu bel-prazer. É certo que durante muito tempo Acuña e Bryan Ruiz foram dois corpos estranhos, emperrando a movimentação leonina, mas a categoria do médio maiato foi permitindo que a equipa leonina fosse chegando com assiduidade à baliza do Astana. Aos 17, 23, 35 e 43 minutos, Bruno Fernandes protagonizou lances que, ou se perderam por má finalização dos seus colegas, ou suscitaram grandes paradas por parte do competente guardião Eric. Noutra ocasião, aos 40 minutos, após um canto marcado por si, Coates cabeceou e, na recarga, Doumbia marcou, com o árbitro francês a descortinar uma infração que mais ninguém viu.

  

Para o segundo tempo, Jorge Jesus deixou a táctica "à italiana" no balneário. Aos 48 minutos, após um centro de Gelson, um defensor cazaque meteu a mão à bola na sua área. "Penalty" convertido em golo por - quem havia de ser? - Bruno Fernandes. Dois minutos depois, Acuña foi à linha e centrou para Gelson finalizar com êxito. Mais 6 minutos e Bruno Fernandes, na esquerda, centrou de bandeja para Doumbia que desta vez não perdoou.

 

Com 3-1 no marcador, o caxineiro Coentrão, um peixe fora de água - ou não fosse o Cazaquistão o maior país do mundo sem costa marítima - foi rendido por Battaglia (recuou Acuña e Bryan Ruiz deslocou-se para a ala esquerda) e Montero, acabado de entrar para substituir Doumbia, na primeira vez que tocou na bola, arrancou a expulsão do defesa Logvinenko. Surpreendentemente, Ruiz, originário da Costa Rica, ficou em campo, o que lhe viria a permitir falhar a já habitual oportunidade de baliza aberta...

 

A jogarmos com mais um, entrámos em modo de poupança. O resto do jogo assemelhou-se a um "meinho", letargia só abanada pelas ocasionais arrancadas de Gelson ou de ... Bruno Fernandes.

 

Em resumo, uma vitória justa e que talvez só peque pela escassez dos números, embora Rui Patrício tenha sido providencial, durante a primeira parte, ao evitar um segundo golo cazaque que certamente tornaria a nossa missão mais difícil. Boas exibições também de Piccini, de William e Acuña (segundo tempo) e de Doumbia, para além de Gelson e Bruno, o melhor em campo.

 

Jorge Jesus não está isento de algumas decisões polémicas: a inclusão de Bryan Ruiz como "10" não resultou de todo, não se entendeu porque, com o jogo resolvido, não lançou Rafael Leão no lugar do costa-riquenho e, finalmente, perdeu uma excelente oportunidade de limpar o cadastro disciplinar de diversos jogadores (Bruno Fernandes incluido), não se compreendendo a razão porque não o fez.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (Gelson seria a minha 2ª opção)

astanasporting.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Realidades paralelas

Num célebre filme sobre as transformações na Alemanha, pós perda da influência soviética (Good bye, Lenin!), uma familia do leste de Berlim (antiga RDA) tenta esconder da sua ortodoxa matriarca - acabada de sair de um prolongado coma e ainda convalescente - a recente queda do Muro, recreando todo um mundo paralelo. Antes, já Kusturica tinha explorado o tema da realidade alternativa, no extraordinário "Underground", onde um secretário do Partido Comunista Soviético mantinha num subterrâneo, sequestrados, uma série de cidadãos russos que lá se tinham refugiado durante a 2ª Grande Guerra, aquando da invasão pela Alemanha de Hitler. Já tendo a guerra terminado há muito, esse facto fora convenientemente escondido desses seus camaradas, cujo único elo de ligação com o exterior era esse membro do partido. O hilariante da situação é que, um dia, alguns cidadãos decidem ousar subir à superfície onde acabam por encontrar "alemães" - figurantes de um filme sobre a Guerra que está a ser rodado naquele momento - acabando por matá-los, confundindo assim a ficção com a realidade.

Toda esta parábola introdutória vem a propósito das 3 realidades alternativas (ou 3 jogos paralelos) a que hoje assistimos no Dragão. A primeira destas "realidades" foi o jogo visto por Luis Freitas Lobo: o comentador da SportTV conseguiu vêr o Sporting a jogar com 5 defesas, nunca entendendo que Ristovski, embora com preocupações defensivas, foi sempre mais ala do que lateral direito - este foi Piccini, enquanto no flanco oposto muitas vezes Coentrão também se adiantava, formando-se ocasionalmente uma linha de apenas 3 defesas - , de forma a libertar o ainda convalescente Gelson (que actuou numa posição mais central) das constantes subidas e descidas por este corredor; outra "realidade" foi a forma como João Pinheiro viu a partida: na óptica do árbitro, qualquer toque sobre um jogador do Sporting raramente foi merecedor de falta. Assim foi, logo no início, quando Ristovski foi carregado por Alex Telles, em falta que se iniciou dentro da área portista e que terminou já fora da mesma, prosseguindo na não observação de uma falta clara sobre Gelson nas imediações da área do FC Porto, para não referir as inúmeras infrações cometidas sobre Bruno Fernandes que passaram sem punição ou a desigualdade do critério disciplinar; finalmente, tivemos a  "realidade" segundo Jorge Jesus: este conseguiu transformar um 6-2 em oportunidades para o Porto numa injustiça de um resultado que "deveria ter terminado 2-2 ou 3-3".

Alucinações à parte, vamos ao jogo que todos nós pudemos observar: o Sporting raramente conseguiu ter posse e trocar a bola dentro do meio-campo adversário. Ao fim de 2/3 toques, a nossa equipa era sufocada pela entreajuda da defesa e miolo portistas e perdia a bola. Isso foi criando um ascendente do Porto, o qual só não se materializou mais cedo no marcador devido à acção de Rui Patrício e a alguma inépcia dos avançados portistas.

Bruno Fernandes jogou demasiadamente recuado, desgastando-se sem sentido, na posição "8" (terminou a "trinco" !!!). Alinhando longe de uma zona de maior influência, parecendo fora da sua melhor forma e muito vigiado pelo par de médios portista, Bruno não conseguiu ser o motor de jogo que a equipa precisava. Sem ele a equipa definhou, ficando muito dependente da velocidade e capacidade de drible de Gelson. Este foi conseguindo encontrar espaços, mas quando procurou tabelar com Doumbia encontrou neste um par de tijolos impossível de cimentar algo de positivo. 

As substituições também não melhoraram a equipa. Ruben Ribeiro, quando não entretido a entregar a bola ao adversário, por vezes nas imediações da sua própria área, recreava-se com toques de praia a fazer lembrar aquele "free-styler" que um dia Jorge Gonçalves trouxe da Costa da Caparica para Alvalade para animar os intervalos dos jogos. Por fim, quando, isolado, teve a oportunidade de visar a baliza de Casillas, assustou-se e entregou a bola a um jogador dos andrades. Montero bem que poderia ter sido enquadrado no lote das realidades alternativas, pois não há memória de ter tocado na bola, nos cerca de 10 minutos em que esteve em campo. Bruno César ainda assim foi o melhor dos substitutos, ele que só jogou 7 minutos.

A nossa defesa teve o seu bom comportamento habitual, embora Mathieu tenha estado no lance do golo, devido a um mau alívio.

Acuña mostrou a sua qualidade de lutador, bem como a insuficiência já conhecida enquanto desequilibrador. Battaglia e Ristovski não deslumbraram e o melhor foi mesmo Rui Patrício, providencial em 3 lances: duas "manchas" e uma defesa extraordinária, em vôo.

O realizador deste filme continua no reino da invenção: depois de uma derrota atribuida ao vento, criou agora uma nova realidade paralela, feita de um placebo ilusório para que os "pacientes" (adeptos leoninos) se sintam bem. Eu também tenho uma: na minha, o treinador não é o Dr. Feelgood (nem o Professor Pardal), não "muda as características(!?)" dos jogadores, não vê ameaças onde podem haver oportunidades (se as alternativas estiverem minimamente rodadas, o que não é o caso) e as suas soluções não são o problema. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

portosporting.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - o canário na mina do carvão

A expressão "o canário na mina de carvão" deriva de uma prática antiga dos mineiros. Levado o canário para a mina, se este morresse era um sinal para os mineiros de que os níveis de monóxido de carbono estavam elevados, ou seja, havia um perigo iminente.

Na antevisão deste jogo, os sinais de alerta foram mais do que evidentes: a direcção insistiu na apresentação de uma proposta de revisão estatutária, em Assembleia Geral, que já se sabia iria dividir os sócios. Nesse transe, após uma reunião algo tumultuosa, o presidente ameaçou demitir-se. A equipa já vinha mostrando alguma falta de ideias e de fulgor. Faltavam Dost e Gelson. O treinador, em vez de moralizar aqueles que podia utilizar - e já depois dos episódios Wendel e Lumor - , entrou numa espiral de choradeira que incluiu um "Gelson e Dost são mais de 50% da equipa", chegando ao ponto de inventar os números de Gelson, dizendo que era o segundo melhor marcador e o melhor assistente (duplo erro, esse jogador é Bruno Fernandes) para melhor reforçar a sua argumentação. Depois, os jogadores, alegadamente, precisavam de tempo e treino para conhecerem as ideias de jogo do treinador e poderem jogar, mas Ruben Ribeiro entrou logo na equipa. Ah e tal, é porque é "avançado", explicou JJ, mas Rafael Leão, o único ala disponível com as características que Jesus precisa, continua fora das convocatórias. E assim, criando problemas e focando-nos em excesso neles, em vez de procurarmos soluções, lá nos deslocámos à Amoreira, curiosamente para defrontar uma equipa apelidada de "canarinha". Ele há coisas...

A manhã e início de tarde até começou bem para o clube. O Sporting provou uma vez mais ser a maior potência desportiva nacional, conquistando de uma assentada mais duas taças dos campeões europeias, mérito da aposta que o presidente tem feito nas modalidades, da organização da secção e da raça e querer dos atletas. 

Talvez por osmose, a nossa equipa de futebol continua a querer mostrar ser a mais eclética do mundo. Nos últimos jogos, ao vêr a circulação da bola, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, em sucessivas basculações, sem profundidade nem remates, esperando uma oportunidade para servir o "pivot" Dost, parecia-me que estávamos a ressuscitar o Andebol de 11. Noutros jogos, como referi neste espaço pela primeira vez a propósito da partida do Bessa, alguns jogadores pareciam tão amarrados que a coisa assemelhava-se a assistir a uma partida de Xadrez, com os peões a bloquearem-se mutuamente e tudo a ficar dependente das torres, porque "bispos", felizmente, não é para nós. Jogos houve onde a qualidade tenística de um jogador fez a diferença, como aconteceu na quarta-feira, quando Mathieu aplicou uma raquetada, um vólei, com o seu pé esquerdo. Pelos vistos para Vela é que não temos muito jeito, pois caso contrário ter-nos-íamos adaptado sem problemas aos conhecidos ventos do Estoril. Assim, fomos de vela. Lá está, a preparação é meio caminho para o sucesso. Em contrapartida, a equipa mostrou aptidão para o hóquei em campo, em especial o costa-riquenho Bryan Ruiz, tal a quantidade de cantos curtos que marcou, após ter entrado no relvado para, incompreensivelmente, substituir o até aí melhor jogador em campo do lado leonino, o lateral Fábio Coentrão. Enfim, muito jeito para várias modalidades, mas o futebol jogado é muito pouco...

Uma equipa rápida não é, necessáriamente, aquela que tem jogadores rápidos. Velocidade de pensamento e de execução, essa sim, é essencial. E o Estoril colocou isso em prática hoje, com Lucas Evangelista e Ewerton em grande evidência. Notou-se que a equipa da linha preparou bem melhor os lances de bola parada, nomeadamente, os cantos, resultando daí o seu primeiro golo. Nada que não pudesse ter sido trabalhado na ventosa Alcochete. De seguida, caímos no engodo de uma manobra de diversão criada por um avançado canarinho, que arrastou com ele Coates, deixando um estorilense na cara de Rui Patrício, o qual ainda defendeu a primeira tentativa, mas nada podia fazer para evitar a recarga. Talvez as coisas tivéssem sido diferentes, caso Bruno César não desperdiçásse uma oportunidade escandalosa e chegássemos ao intervalo a perder por dois de diferença.

No início do segundo tempo - já com Montero no lugar de Battaglia - perdemos vários golos. A equipa parecia determinada a dar a volta ao jogo, com William a comandar superiormente as operações. Fábio Coentrão subia proeminentemente pelo seu flanco, sempre na origem de lances de perigo, mas eis que, subitamente, e após o vilacondense ter sido admoestado com um cartão amarelo, Jesus decide tirá-lo do campo. Foi o canto do cisne. Com um Doumbia trapalhão, um Montero ausente do jogo, lento a executar e incapaz de jogar entrelinhas, um Ruben Ribeiro que engasga o jogo, flectindo sempre para o superpovoado miolo do terreno e um desinspirado e muito cansado Bruno Fernandes, a equipa, perdida a explosão que ia tendo pelo flanco esquerdo - até porque, concomitantemente, Acuña, hoje muito interventivo, recuou para lateral - perdeu a chama. Restava-nos Bryan Ruiz, mas este, no registo a que recentemente nos vem habituando, parece estar a executar bolas paradas com a bola em movimento...

Mathieu ainda tentou repetir (por duas vezes) a gracinha contra o Vitória de Guimarães, mas a sorte do jogo também não esteve connosco. São Patrício ainda evitou dois golos certos, mas já nada havia a fazer. O Estoril, bem preparado para as contingências deste jogo, foi um vencedor justo. Não sei se foi o adeus ao título, mas temo que esta derrota traga alguma desmobilização. De uma forma autofágica, como tão bem disse o Pedro Correia, continuamos a dar tiros nos pés. Não quero desprezar a equipa da Linha, mas hoje quem perdeu fomos nós. Sózinhos! Erros meus, má fortuna, a sina do costume...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fábio Coentrão

estorilsporting.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo de duplos

Era uma vez um gaulês recém-chegado a Alvalade. Alguma imprensa apresentava-o como cansado de duras batalhas travadas no país vizinho. Diziam que era alto, tosco, lento e atreito a lesões. A realidade mostrou-se diferente da percepção que a leveza ou preguiça criou no imaginário dos comentadores desportivos deste país à beira-mar plantado. É verdade que acertaram na sua compleição física - tem cerca de 1,90m -, mas Mathieu (é dele que estamos a falar) revelou-se como um homem ainda ambicioso e comprometido com o projecto do Sporting e um jogador extremamente rápido e de excelente técnica. Hoje, na ausência de Bas Dost e perante a inoperância de Doumbia e de Montero, o francês liderou o assalto ao castelo de Guimarães como se fosse o duplo perfeito do holandês. Posicionou-se no centro da área e com grande frieza "dostou", aplicando uma raquetada com o seu pé canhoto que colocou a bola no fundo das redes de Douglas, respondendo na perfeição a um cruzamento proveniente da esquerda, de Acuña.

Mathieu não foi o único duplo em campo. William, jogando numa nova posição (com Battaglia nas suas costas), imitou Adrien (embora ainda lhe falte remate) e Coentrão personificou o Coentrão de tempos idos, quando jogava no rival. Coincidência ou não, os três foram os melhores jogadores do Sporting esta noite, embora Acuña - excelente vólei a fazer lembrar o Zidane da final da Champions, aos 73 minutos - e Bruno Fernandes - o nosso jogador mais influente correu kilómetros e jogou fora da sua posição natural em claro sacrifício pela equipa - também tenham estado acima da média. Nos substitutos, Bruno César foi o que teve mais impacto no jogo.

O jogador que mais me desapontou foi Ristovski. Não porque eu não prefira Piccini, mas porque o macedónio falhou naquele único item em que o achava superior ao italiano: dar profundidade ao jogo. Também Ruben Ribeiro não esteve bem, empastelando bastante o jogo colectivo.

A noite de Alvalade ficou ainda marcada por uma ausência, um fantasma que pairou permanentemente sobre o relvado. Refiro-me ao nosso ala, Gelson Martins (e não Fernandes), cuja velocidade teria ajudado a desbloquear mais cedo a resistência vimaranense. Presente, e bem presente fisicamente, esteve o Daniel, mais o seu fervoroso e indomável espírito de leão, a quem dedico esta crónica, com o desejo de que possa ainda assistir a muitas e muitas jornadas gloriosas do seu/meu/nosso clube.

A equipa pareceu cansada, no seu 37º jogo da época. JJ diz que jogamos à italiana. Ainda tive esperança que tal envolvesse a Monica Bellucci, mas infelizmente não, é só mesmo aborrecido. Valeu a costela de Dost (a que não saiu lesionada) que há em Mathieu. E assim assumimos, à condição, o primeiro lugar do campeonato, numa noite em que Jesus mostrou sentido de Lumor ao confirmar a contratação do ex-portimonense. Nesse transe, só faltou ao treinador leonino, depois de ter referido a incapacidade do clube em contratar um jogador "assim-assim", dizer que o ganês foi comprado na Loja dos 300. Menos mal, pelo menos Lumor não terá pressão.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu

mathieu.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - o Carteiro toca sempre duas vezes

Na antecâmara da partida para a Taça CTT, duas ideias me assaltaram o espírito: a primeira, relacionava-se com as declarações de Jorge Jesus no final do jogo anterior, a contar para as meias-finais. Nessa Conferência de Imprensa, Jesus queixara-se de que faltava velocidade à equipa. Eu discordei. Afinal de contas, ultrapassar um Ferrari Vermelho não está ao alcance de qualquer um. A segunda, prendia-se com o facto de a Liga ter disponibilizado a tecnologia do VAR para a "Final Four": um desperdício de dinheiro, pensei eu na altura, porque para o nosso primeiro jogo o Vídeo-Árbitro havia ignorado aquilo que dez milhões novecentos e noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove (10.999.999) portugueses viram e, para a final, tinha sido designado o árbitro que em Alvalade, contra o Chaves, não aquiescera aos sucessivos apelos que lhe chegaram ao ouvido para que fosse apontada uma grande penalidade por falta sobre Gelson. Em suma, umas grandes "encomendas".

Em Taça dos CTT, o carteiro Dost não poderia faltar. O carteiro toca sempre duas vezes e o holandês também, ainda que o último toque tenha sido já após o horário de expediente. Bas Dost é cada vez mais um investimento seguro, um certificado de aforro, com rendimento garantido. Nessa linha, carimbou 2 selos num envelope de Correio Verde com destino a um código postal de Setúbal. Dost devia ser elevado a sí­mbolo de promoção dos Correios: nunca falha, entrega a sua correspondência sempre a tempo, faz horas extraordinárias se necessário e ainda distribui abraços por todos com que se cruza no caminho.

Com a Via Verde activa, e sem portagens em dívida, a comitiva leonina não necessitou de visitar um balcão dos Correios, a Taça foi entregue na Tribuna. Tal como este Postal, mais Vale tarde que nunca e, à  11ª edição, lá ganhámos o troféu. Curioso é o facto do vencedor crónico desta competição patrocinada pelos correios portugueses nunca ter optado por receber a sua correspondência mais sensível através da segura Caixa do Correio CTT...

Agora o jogo em si: na primeira parte, Jorge Jesus levou um banho táctico de José Couceiro. Um golo sadino logo aos 4 minutos, marcado por Gonçalo Paciência (o tal que JJ não queria ver em campo), deixou a equipa leonina à beira de um ataque de nervos. William provou mais uma vez não ter intensidade para segurar um meio campo a dois (a 3, fá-lo bem) e Coates cometia erro sobre erro. Sem meio campo e com o Vitória a pressionar bem à frente, a nossa equipa desorientou-se e poderia ter chegado ao intervalo a perder por mais.

Na segunda parte, Jesus mexeu logo de iní­cio, colocando Battaglia para dar músculo ao meio campo e Acuña para dar profundidade (retirando os inoperantes Ruben Ribeiro e Bryan Ruiz). Um exemplo de como, com um passo atrás, se pode dar dois em frente. Após uma primeira oportunidade do Vitória (49 minutos), o Sporting teria a sua primeira ocasião, desperdiçada por Coates à  boca da baliza. Desde aí­ e até aos 64 minutos, o Sporting pressionou muito, com Montero finalmente a encontrar espaço entre linhas. Eis senão quando JJ voltou a mexer, substituindo o colombiano (não jogava desde o início de Novembro e poderia estar no limite) por Doumbia e perdemos a ligação ao ataque. Até aos 75 minutos, com o costa-marfinense posicionado ao lado de Dost e Bruno Fernandes fora do centro da acção (desviado para a direita), o jogo tornou-se incaracterí­stico.

A partir daí,­ jogámos mais com o coração do que com a cabeça. A táctica tornou-se um efectivo "tudo ao molho e fé em Deus". Ganhávamos com facilidade a bola a meio campo e despejávamo-la  sucessivamente para a área setubalense. Num desses lances, e após insistência de Bas Dost, a bola foi desviada com a mão sobre a linha de golo por Tomás Podstawski. Depois de visionadas as imagens, dez milhões novecentos e noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove (10.999.999) portugueses aperceberam-se logo que foi "penalty", vídeo-árbitro incluí­do. Rui Costa - como São Tomé, "ver para crer" - teve dúvidas e foi consultar as imagens. Mesmo a ver continuou indeciso. Demorou tanto tempo que na cabeça de todos estava a repetição da rábula do jogo contra o Chaves. Em todo o processo perderam-se 4 minutos e 36 segundos, mas ficou para todos evidente a importância do recurso ao VAR. 

Bas Dost, chamado a marcar a grande penalidade, não perdoou, marcando o seu primeiro da noite. Com tantas substituições, jogadores lesionados, simulações e atrasos na reposição de bola, o árbitro não deu qualquer compensação adicional e o jogo chegou ao fim.

A partida decidiu-se nas penalidades e, uma vez mais, fomos mais eficazes. Marcaram Dost (pela segunda vez), Bruno, Mathieu (outra boa exibição, alternativa para melhor em campo) e Coates e William (mérito deles que não se escondem e mostraram nervos de aço) que Jesus entendeu voltar a chamar para marcar. Falhou Tomás Podstawski, o do "penalty", que não tinha sido expulso (duvidosa decisão, embora houvesse uma mão de Trigueira por detrás). Ganhámos a competição com 10 "penalties" (só um no tempo regulamentar) na Fase Final e apenas uma vitória nos cinco jogos disputados. Mas, nos livros da história, o que constará é que o Sporting venceu a Taça da Liga de 2017/18, o 3º troféu da era Bruno de Carvalho.

No final, JJ disse que há gente com "sapos na garganta". Eu estou muito feliz, quero sempre que ganhemos e não desprezemos qualquer competição, Taça da Liga incluí­da. Já era do Sporting muito antes de Jesus ser o nosso treinador e continuarei a sê-lo enquanto tiver saúde, que é coisa que meio maço de tabaco consumido a ver estes jogos não garante de todo. Por isso, desejo ardentemente que este dia seja o primeiro (de glória) do resto das nossas vidas desportivas.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost 

taçadaliga.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Chiclete, mastiga e deita fora

"E como tudo que é coisa que promete

a gente vê como uma chiclete

que se prova, mastiga e deita fora, sem demora"

- Chiclete, Taxi

 

Infelizmente, o Porto venceu o jogo. E de goleada! Pelo menos, esse foi o resultado do jogo visto por Luis Freitas Lobo. O mesmo jogo em que um Martins (Gelson) é durante todo o jogo chamado Fernandes (obrigado Pedro Correia!!) pelo narrador de serviço. Mas, não é que uma imagem vale mais do que mil palavras e eu estou a ver os jogadores do Sporting a festejar no relvado! Confusos? É simples: perdemos a partida dos comentadores, mas ganhámos o jogo real. E esse ainda é o que conta, a não ser que as regras desta competição sejam insólitas. Esperem lá, tendo em conta que estamos a falar da Taça da Liga...

O jogo iniciou-se com um "penalty" claro cometido por Danilo sobre Bas Dost, mas o AVARiado decidiu que se tratara de um acasalamento fortuito, sem intenções comprometedoras. O Sporting estava bem no jogo e a saída do mesmo Danilo, lesionado logo aos 9 minutos, era um bom prenúncio. Logo de seguida, Bruno Fernandes respondeu a uma excelente iniciativa de Fábio Coentrão e só Alex Telles evitou que os leões inaugurassem o marcador.

Subitamente, deixámos de jogar. O nosso meio campo deixou de funcionar e os alas não conseguiam dar a profundidade necessária. Com isso, o nosso jogo mastigou-se. Uma maçada, um empastelamento provocado por processos adinâmicos e previsíveis que retiraram espontaniedade aos jogadores e pela ausência de Bruno Fernandes na sua posição natural de organizador de jogo ("10"). O Porto começou a ganhar faltas no nosso meio campo, beneficiando da envergadura dos seus avançados. Numa transição rápida, acabaria por chegar ao golo, mas este viria a ser bem invalidado, por fora de jogo. Para agravar as coisas, e diminuir ainda mais a velocidade da nossa saída de bola, Gelson saiu aleijado numa coxa.

O segundo tempo foi pior. Jesus, que lançara Battaglia para render Gelson, desposicionou ainda mais Bruno Fernandes (até aí um "8"), colocando-o sobre a direita. Com o seu jogador mais influente (10 golos, 11 assistências e 12 participações decisivas) fora de posição e o recém-chegado Ruben Ribeiro a ocupar o seu lugar, ficámos sem acasalamento com Dost e sem possibilidade de explorar convenientemente a ausência de Danilo e o espaço entrelinhas. Em boa verdade, o ex-vilacondense saiu tarde (rendido pelo regressado Montero) e num momento em que a única parte do seu corpo que ainda estava oxigenada era... o cabelo.

Bruno ainda teve dois momentos em que se amotinou e procurou a zona central. Instantaneamente, causámos perigo. Após um canto, uma vez mais, Coentrão centrou e Coates cabeceou para a trave. Foi sol de pouca dura.

As substituições não alteraram o "status-quo". Voltámos a mastigar e, desta vez, deitámos mesmo fora a possibilidade de ganhar o jogo no tempo regulamentar. Aliás, não fora a atenção de Patrício e poderia ter sido pior.

Sem demora, chegámos à lotaria das penalidades e aí dá muito jeito ter São Patrício. Rui defendeu dois castigos máximos bem marcados, ao contrário de Casillas que teve pelo menos uma oferta (de Coates). Valeu o remate ao poste de Brahimi para, ao segundo "match point", o ressuscitado Bryan Ruiz, incrivelmente, não falhar perante um Casillas com a baliza, perdão, a porta escancarada (para sair).

Num jogo em que as circunstâncias nos foram favoráveis, valeu o triunfo para evitar a "lapidação" de JJ na Pedreira. Quem nunca errou que atire a primeira pedra - dirá Jesus - , mas hoje as asneiras provenientes do banco foram demais. Até a decisão de pôr William - reconhecidamente um não especialista - a marcar o quinto e sempre potencialmente decisivo "penalty" foi para esquecer. Além disso, o nosso jogo assemelha-se cada vez mais a uma chiclete: mastiga, mastiga, enrola, enrola, faz balão e, um destes dias, ainda explode.

Destaques pela positiva para Fábio Coentrão (o melhor em campo), Piccini (abafou Brahimi), Coates (cortes providenciais), Mathieu (impressionante aquele lance, na primeira parte, ganho em velocidade a Marega) e, obviamente, São Patrício, o guardião da nossa FÉ.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fábio Coentrão

 portosportingtacadaliga.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Coitus Interruptus

No final do jogo contra o Aves, Jorge Jesus queixara-se de que lhe faltava um jogador para acasalar com Bas Dost. Entretanto, chegou Fredy Montero, que ainda não pôde ser utilizado no Bonfim. Na sua ausência, Gelson Martins e Bruno Fernandes, constituíram, pelo perfume do seu futebol, um casal vistoso. Ainda na primeira parte, fruto do labor de ambos, o Sporting obteria o primeiro golo da noite.

Durante o resto do tempo, os leões dominaram por completo: Acuña tentou por quatro vezes, sempre com a mira alta, Coates penteou de cabeça rente ao ferro e Bruno Fernandes isolou Gelson, o qual perdeu o tempo de remate. O maiato, incansável, ainda remataria ao poste, depois de um bailado monumental dentro da área sadina. Tudo corria bem até ao último reduto da virtude setubalense, mas havia sempre alguma inibição no momento da concretização. "Um golo é como um orgasmo", sentenciou o bibota, Fernando Gomes, aludindo ao êxtase que se apodera de um ponta-de-lança quando faz balançar as redes, pensamento hoje arredado da mente dos jogadores leoninos e, especialmente, do seu matador, Bas Dost. O excelente holandês, farto de esperar por alguém que combinásse consigo, proactivamente tentou acasalar com Bruno, em vez de fazer abanar o "véu da noiva", desperdiçando mais uma oportunidade flagrante.

O Vitória, que só ameaçara num lance de João Amaral, acabaria por marcar inesperadamente já nos descontos de tempo, provando o velho adágio de que "até ao lavar dos cestos é vindima". Edinho, de penálti, mais uma vez, não perdoou, à semelhança do ocorrido na Taça da Liga do ano passado, ameaçando tornar-se o carrasco de Jesus.

Apesar do frustrante empate, não atribuo responsabilidades ao treinador leonino. Quem me lê, sabe que demonstro sempre apreensão quando vejo prosápia a mais e alguma gabarolice, mas hoje Jesus terá sido o menos culpado. Afinal, pode pôr a equipa a jogar competentemente, a criar sucessivas oportunidades, mas não lhe cabe a ele marcar golos.

De positivo, para além de mais uma boa exibição de Bruno Fernandes - meu Deus, o quanto este jogador está acima de todos os outros... - de destacar a melhoria de forma de William Carvalho, irrepreensível esta noite no Bonfim.

Em conclusão: Bobby Robson, em 1993, afirmou que ao Sporting faltava "killer Instinct". Vinte e cinco anos depois é o que se vê. Podemos mudar de presidente, de treinador, de jogadores, mas enquanto não erradicarmos isso...

Nessa conformidade, lá voltámos a ficar atrás do Porto. Parece que só nos orientamos quando os temos como referência, como Norte, estrela Polar. Isso explicaria a razão pela qual Acuña passou todo o segundo tempo a visar a Ursa Menor.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

setubalsporting.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Bas Dost voou entre as Aves

"O Homem vangloria-se de ter imitado a vôo dos aves com uma complicação técnica que elas dispensam"

- Carlos Drummond de Andrade

 

Confesso o meu desapontamento inicial: se o futebol é o circo romano contemporâneo, a ausência de Lito Vidigal do banco de suplentes - mais aquela sua rotina acrobato-apalhaçada, de mergulho com cambalhota, aprimorada em Arouca - tira brilho a qualquer espectáculo. Mas, outros motivos de interesse rodeavam este jogo: o Monumento da Guerra Peninsular é bonito, mas está lá longe, no Porto, na Rotunda da Boavista, pelo que poder vê-lo ao vivo, metafóricamente, em forma de uma natureza-viva, onde onze leões poderiam estraçalhar onze águias (simbolo do Aves), seria sempre estimulante, mais a mais quando os contendores tinham em campo inúmeros jogadores habituados aos ares das academias de Alcochete e do Seixal, ambas parte integrante da Península de Setúbal. Só por ist(m)o já teria valido a pena pagar o bilhete. Também, na antecâmara do jogo, a Matryoshka russa que há em Jorge Jesus, e que parecia escondida, voltou a manifestar-se. A primeira boneca falou em reforços da direcção (Misic e Wendel), que não estariam prontos para jogar de imediato; a segunda, afirmou que se os grandes da Europa quisessem Wendel (para quem tácticamente o que Jesus ensina é chinês), ele não estaria em Alvalade (mesmo que por mais de 7 milhões de euros...); a terceira, referiu que nenhuma equipa grande, de Itália ou Portugal, quis Bruno Fernandes; a quarta disse que Ruben (Ribeiro) "é para ontem" (aqui deve ter pensado que chegava de desvalorizar os seus recursos humanos); a  quinta, sentenciou que só os jogadores poderiam julgar o seu trabalho; finalmente, aquela que interessa, a sólida, montou uma equipa suficientemente competente para vencer o Aves, embora sem brilhantismo.

A verdade é que Ruben Ribeiro, lutando contra a maldição do nº7, jogou de início e è meia-hora, após ter flirtado com meia equipa do Aves, "acasalou" com Bas Dost, aquecendo a noite fria de Alvalade. O golo foi um oásis, numa primeira parte em que o adversário voou mais alto, contrariando o sofisticado dispositivo táctico leonino. Com alguma sorte à mistura e São Patrício, a fé leonina mantinha-se incólume, na Companhia de Jesus, ou não fosse a Vila das Aves parte integrante do Concelho de Santo Tirso, um bastião jesuíta.

O segundo tempo mantinha a mesma toada até que Gelson foi carregado em falta na área avense. O inevitável Bas aproveitou para "dostar" o segundo e o jogo quase terminou aí, mais a mais porque JJ fez a alteração que se impunha e colocou Battaglia em campo para reforçar o meio campo leonino, substituição que cortou as asas ao adversário, o qual a partir daí não mais incomodou Rui Patrício. O "flying dutchman" completaria ainda o "hat-trick", numa jogada iniciada em Bruno Fernandes e continuada por Piccini.

Uma última e bem merecida nota de destaque para o holandês: Bas Dost pode não ser, 59 golos depois, o melhor ponta-de-lança treinado por Jorge Jesus, mas que (lhe) dá muito jeito, lá isso dá. E, já agora, também é um bom exemplo de humildade, de solidariedade, de partilha, de alguém que sabe que o colectivo é sempre mais importante do que os egos individuais e que é reconhecido a quem para si trabalha.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost

sportingaves.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Muita Piedade e um "Bonfim" para sair da cova

É dos livros, na Taça de Portugal, quando uma equipa das divisões inferiores defronta um "grande", a sua motivação é muito maior do que a do adversário. Se juntarmos a isso o facto de durante a primeira parte termos tido apenas Battaglia, do meio campo para a frente, a lutar pela bola, fica explicada a razão de um início de jogo paupérrimo com duas bolas nos ferros de Rui Patrício. Eu sei que o argentino é bom jogador, mas no mínimo ponham-lhe Bruno Fernandes à frente. Imaginar Bryan Ruiz a "8" é como esperar que o azeite se misture na água. O pior é que tudo se configura para que ainda venhamos a perder pontos à conta desta experiência. Diz o povo que à terceira é de vez e como já houve Paços e Cova da Piedade... Eu, cá para mim, a ter de inventar, prefiro que o Mestre faça a sua habitual rábula do defesa esquerdo.

Neste estado de coisas, após o intervalo, Jorge Jesus não perdeu mais tempo e fez entrar de uma assentada Bas Dost e Bruno Fernandes. Se Rui Costa era da Damaia, Bruno é da... Maia, subtil diferença no ponto de partida, mas o mesmo destino, o estrelato. Três fintas depois, o maiato marcava, de antologia, o primeiro da noite. A coisa parecia resolvida e a hora convidava ao regresso do remanso, mas após uma carambola na nossa área, o árbitro, outro Rui Costa, também ele uma estrela, recordista da "baixa de nota", assinalou penálti (1-1).

Nesse transe, oiço o comentador da SportTV dizer sobre Soares (do Cova da Piedade) que "alguém dizia, quando jogava no Portimonense, que iria fazer muitos anos de primeira divisão". Alguém? Quem? Um sujeito também dizia que eu ia ser melhor que o Yazalde, mas o problema é que não tinha predicados. Não há direito, está uma pessoa em cuidados e ainda tem de ouvir barbaridades destas...

O que vale é que há Bas Dost, mais que o abono da familia leonina, o homem que me faz baixar a (hiper)tensão: um canto de Acuña, um desvio de Battaglia e o holandês subtilmente a fazer aquilo que para ele é tão natural como respirar. Golo! 

Fim do jogo, começa o "Flash-Interview" e oiço Jesus dizer que procura um jogador para acasalar com Bas Dost(!?). Desligo a televisão e prometo a mim próprio que a partir de agora vou fazer como o Artur Jorge: ver os jogos ao som de música clássica. E não, Jesus, não será o Bolero de Ravel.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

covadapiedade.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Marítimo tenta, Sporting penta

Feito de Sporting hoje foi #Feito de golos! Uma manita sem VAR, com pés e cabeça...

O Sporting começou a encontrar o caminho para a baliza do Marítimo ou, doravante, o caminho Marítimo para a baliza de Charles, explorando as debilidades do lado esquerdo da defesa insular. A equipa leonina estava um pouco à deriva, quando, aos 20 minutos, Coates, num passe longo, encontrou Gelson na direita do seu ataque e o ala, centrando de pronto, permitiu a Bas Dost avistar um Porto Seguro, um Porto Santo (600 anos depois), inaugurando assim o marcador.

A segunda parte iniciou-se a um ritmo electrizante. William desperdiçou um golo após canto de Bruno Fernandes e, na resposta, Fabrício Baiano pôs à prova Rui Patrício. Logo de seguida, Bruno Fernandes recuperou a bola e depois assistiu primorosamente Bryan Ruiz para golo (2-0). Bruno iniciava o seu recital...

Bas Dost, para o Sporting, e Gamboa, pelo Marítimo, tiveram também boas oportunidades, À hora de jogo, JJ lançou a dupla de argentinos (Acuña e Battaglia) para o lugar do costa-riquenho e de Podence, mas o ritmo não baixou. Acuña, mal entrou, fez um "lençol" sobre um avançado maritimista, mostrando que o "show" ainda não tinha terminado. 

Gelson ainda perderia o terceiro e, logo de seguida (71 minutos) saíria para dar lugar a Iuri Medeiros. Coentrão executou uma brilhante diagonal, lançou Bruno pela esquerda e o maiato assistiu para o bico da bota de Dost confirmar o terceiro da noite.

Bruno mostrava à saciedade que os motores italianos têm mais rotação e agora procurava o seu golo. Iuri avançou pela direita, atrapalhou-se, caíu, e na ressaca Bruno ousou visar a baliza. Charles sacudiu como pôde, mas Dost reagiu rápido e de cabeça fez o seu "hat-trick". O açoriano ainda perderia isolado (servido por Coates) o quinto, mas estava escrito que, por uma vez, seríamos nós a marcar no final de um jogo. Numa jogada quase a papel químico da que originara o quarto golo, Medeiros irrompeu numa diagonal, a bola ressaltou para Bruno e tudo foi igual, com a excepção de ter sido o pé esquerdo de Acuña e não a cabeça do holandês a pôr a bola dentro das redes do Marítimo.

Um dia antes ou um depois, foi mais uma noite de Gala do leão rampante. Esta foi a Gala de Reis e os honoris ficaram a cargo dos magos Bruno (o melhor em campo), Bas e Sebastián. 

 

maritimo.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sentimento agridoce

Sejamos justos, competições europeias incluidas, nenhuma equipa nos foi tão superior como o Benfica ontem.

A diferença esteve no meio campo: William Carvalho foi uma porcelana numa loja de elefantes encarnados e no seu raio de acção o Benfica partiu a loiça toda. Para além disso, a sua saída com bola foi quase sempre lenta e má e, tal como o Passe Social, não cobriu todo o território. Battaglia, embora mais intenso, também esteve longe de ser brilhante. A construção do nosso miolo assentava na areia e, talvez por isso, o argentino, ao tentar dar uma mãozinha acabou por ajudar a equipa a morrer na praia. Bruno Fernandes foi demasiadamente intermitente, apesar de ter mostrado a qualidade habitual quando teve a bola nos pés, com influência nas duas oportunidades de golo leoninas (uma concretizada) criadas na primeira parte . Acabaria, no entanto, por definir mal, já dentro dos últimos 10 minutos, falhando uma (para ele) assistência fácil para Dost que teria matado o jogo.

Adicionalmente, as substituições tiveram o condão de piorar a equipa: Bruno César foi menos intenso do que o desinspirado Acuña e a saída de Gelson - Bruno Fernandes derivou para a direita e Bryan Ruiz entrou para a posição anteriormente ocupada pelo maiato - retirou um outro tipo de protecção a Piccini. Coincidência ou não, o penálti ganho pelo Benfica começou num desequilíbrio causado na lateral direita da nossa defesa.

Com Rui Patrício a mostrar um nervosismo invulgar num ou outro lance, os defesas acabaram por ser os nossos melhores jogadores: Piccini fez um jogo enorme, salvando um golo cantado e mostrando um tempo de entrada aos lances perfeito, Coates e Mathieu foram imperiais pelos ares (contando muitas vezes com o apoio de Bas Dost) e Coentrão fez valer a sua experiência, conseguiu condicionar o perigoso Sálvio e ainda teve tempo para assistir Gelson para o único golo do Sporting. Contra si, apenas o facto de ter passado demasiado cartão aos objectos provenientes da bancada.

A linha avançada não esteve particularmente inspirada: Bas Dost sentiu-se mais orfão do que Oliver Twist na obra homónima de Charles Dickens, Acuña mastigou os lances como se fossem Torrão de Alicante e Gelson, o melhor atacante, marcou um golo e desperdiçou outro em cima do intervalo, mas foi uma sombra de si próprio no um-para-um.

Não podemos estar satisfeitos quando o adversário teve o triplo das nossas oportunidades de golo (9-3) e só o sortilégio do futebol, bem reflectido nos 3 quase-autogolos (dois do "especialista" Coates), nos fez saír da Luz com a divisão dos pontos. A verdade, dura e crua, é esta: o Sporting não perdeu o jogo - facto positivo -, mas desperdiçou a oportunidade de abrir um fosso para o rival. Por falta de capacidade, ou de ambição, acabámos a dar moral e esperança ao Benfica e a contribuir para a narrativa que, certamente, não deixaremos de lêr e ouvir nos próximos dias.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Piccini

benficasporting.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Um Acuña contra os Velhos do Restelo

Ser do Sporting é ter o privilégio de fazer parte de uma gesta magnífica, uma história de glória, integrar um conjunto de valores comportamentais que fazem parte da vida do clube. Mas é também a intranquilidade, o credo na boca, o fatalismo. Por isso, ou contra isso, se fez história: chegámos ao final do ano com as esperanças intactas em todas as competições nacionais e continuamos na Europa. 

O Rei Leão foi Acuña "Matata", o qual, agressivo, já após ter discutido amiúde com o árbitro e se ter pegado no calor da luta com Coentrão, recebeu uma bola perdida, contornou os médios adversários e mandou um pastel açucarado (sem canela, com o pé direito) que deixou o guarda-redes do Belenenses sem reacção. Não tivesse o nosso Ministro da Defesa, o uruguaio Coates, igualado o belga Svilar no topo dos melhores marcadores de autogolos da época 17/18 e certamente os Velhos do Restelo não teriam lançado os piores agouros sobre a nossa equipa.

O tédio da partida só foi desfeito pelos golos, pelos remates de Battaglia (primeira parte) e de Bruno Fernandes (segunda parte) e por um lançamento da linha lateral de Piccini para Rui Patrício, ao estilo "vintage" do italiano no início da época, que terá feito Jorge Jesus arrancar alguns pêlos da sua farta cabeleira. Viu-se muito pouco futebol e a culpa nem foi do nevoeiro que se fez sentir durante parte do jogo.

Para além de Acuña, Mathieu e Battaglia estiveram entre os melhores. Em sentido contrário, WC teve um jogo mau e continua longe do seu melhor (que é muito bom). Bruno Fernandes esteve vários furos abaixo do que já realizou e Podence foi quase inexistente. 

Acabou por ser um jogo "chato", que serviu essencialmente para desmoer o bacalhau com batata cozida e couve e o peru recheado com batata assada, as fatias douradas, as azevias e as filhozes. Os sonhos, não. Sonhos são para alimentar até ao fim da época. Depois, bebamos o champanhe.

belenenses sporting.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - É Natal, mas não abusem!

Pinto da Costa afirmou sentir saudades do tempo em que os jogos se decidiam dentro das quatro linhas. À beira de completar 80 primaveras, o presidente portista demonstra grande vitalidade e uma memória de elefante (não é "boca" ao marfim que veio de Angola) ao vir agora relembrar os seus tempos de menino e adolescente (uff!)...

O jovem ex-futuro títular das balizas encarnadas, Svilar, diz em A Bola que "não esperava que isto fosse tudo tão rápido". Ao verem a equipa ser eliminada da Champions, da Liga Europa, da Taça de Portugal e da Taça da Liga, tudo isto em apenas 17 dias, aposto que os adeptos do Benfica também não...

O advogado do Benfica, Dr João Correia, afirmou em entrevista à SIC, a propósito do caso dos emails, que "de tráfico de influência pode uma ou outra situação ser interpretada como tal". Importa-se de repetir? Será que a última linha de defesa passou a ser o desmontar da tese de corrupção? Se sim, é caso para se dizer que o Benfica passou a jogar em bloco baixo...

Em tempo natalício, por conseguinte, de boa vontade, o nazareno Ricardo Esgaio entendeu afirmar que "em termos de condições e métodos de trabalho, o Braga é tão grande como o Sporting". Eu diria ainda mais: após vê-lo recentemente em Alvalade, as pernas dos jogadores leoninos pareceram pequenas de mais perante a grandeza das entradas do nóvel lateral direito bracarense...

E é tudo. Um santo Natal para todos do "Tudo ao molho..." e não abusem...das rabanadas. Já de sonhos - e para os sportinguistas em particular - sirvam-se à vontade.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Piccini (en)cantou "à capela"

Contando com o nipónico Nakajima na frente, o caudal ofensivo do Portimonense foi um oceano pacífico. Não que o Oliver Tsubasa da equipa algarvia seja um mau jogador, antes pelo contrário, mas Piccini, o lateral direito leonino, esteve absolutamente imperial, controlando o japonês e, muitas vezes em simultâneo, o craque Paulinho, motor do jogo do time de Vitor Oliveira. Sem motor, o Portimonense foi de vela, expondo-se ao tornado Podence e ao ciclone Gelson. O trovão ("Thunder") Dost fez o resto.

 

Os nossos jogadores um-a-um (em escala musical):

 

Rui Patrício: Exceptuando o momento em que a nau do japonês Nakajima lhe apareceu à frente, não teve quaisquer sobressaltos. No resto do tempo, entreteve-se a aquecer os motores, pois a noite, fria, ameaçava ser a única inimiga deste experiente marinheiro. Sobrequalificado para tão singela missão, o nosso Rui bem poderia ter sido substituído por este Vosso humilde escriba, ou mesmo por um bidon, que daí não adviria mal maior para as nossas hostes.

Nota: Sol

 

Piccini: Com um olho na Ásia (Nakajima), a seu estibordo, e outro na América do Sul (Paulinho), ainda teve tempo para bolinar (45º), em diagonais zigue-zagueantes, até semear o pânico, por duas ocasiões, no último reduto das hostes portimonenses. Na segunda metade, optou por navegar à vista ("à capela", sem instrumentos), paralelamente à Costa, não deixando de surpreender pela velocidade da sua circulação. Hoje foi um "skipper" perfeito. O melhor em campo.

Nota: Dó Maior

 

Coates: O Ministro da Defesa acompanhou em terra a batalha naval, feliz por verificar que, rechaçada a ofensiva algarvia, a Armada leonina já fundeava na Praia da Rocha.

Nota:

 

Mathieu: O almirante gaulês foi absolutamente imperial na forma como organizou a defesa, não permitindo qualquer circum-navegação no seu território, através de rápidas manobras que puseram em sentido a Armada portimonense, às vezes "esfregando a realidade na cara dos seus adversários". Como comandante das forças no mar, liderou com grande classe a contra-ofensiva até à vitória final.

Nota: Si

 

Coentrão: Tendo a Armada portimonense optado por tentar flanquear o lado direito da Defesa leonina, o vila-condense, habituado desde pequeno a ventos e marés, não encontrou óbstáculos à sua navegação a bombordo.

Nota:

 

William: Situado no centro do conflito, o capitão (de Mar e Guerra) leonino soube controlar as ofensivas adversárias. Assegurada a vitória, retirou-se mais cedo, garantindo o descanso necessário para a próxima refrega que se aproxima: a batalha da Luz.

Nota:

 

Bruno Fernandes: Uma manobra menos bem conseguida aqui, outra ali, mas o que é certo é que foi ele a acertar o primeiro tiro na frota portimonense. Deslocando-se intrépidamente entre as forças portimonenses, chamando a si os adversários, criou as condições para que o "flying dutchman" terminásse com a batalha.

Nota: Si

 

Gelson: A leitura do vento é essencial nas manobras marítimas. O Sporting beneficiou bastante de saber aproveitar a velocidade a que se deslocava o ciclone Gelson, o que causou desequilíbrios que contribuíram para a vitória final. 

Nota:

 

Acuña: Nunca conseguiu aproveitar o espaço para navegar a bombordo, mesmo quando a nau algarvia que vigiava essa área foi abatida. Optou por manter uma prudente vigilância à(s) sua(s) costa(s).

Nota: Sol

 

Podence: Foi o tornado que começou a matar a esperança dos portimonenses. "Soprando" a uma velocidade vertiginosa, destruiu parte da Armada portimonense, abrindo espaços para a nau comandada por Bruno Fernandes e para a embarcação de Dost dispararem as estocadas fatais.

Nota: Si

 

Bas Dost: A sua embarcação, o "flying dutchman", foi a segunda a avistar terra, momento em que se ouviu o seu célebre trovão. Para não variar, chegou a bom Porto.

Nota: Si

 

Bruno César: Com as forças já muito avançadas no mar, à conquista da Praia da Rocha, ao brasileiro apenas lhe pediram que contivésse alguma derradeira tentativa de flanquear a ofensiva leonina, algo que fez sem particular brilhantismo, até porque o adversário nem sequer o tentou.

Nota: Sol

 

Battaglia: Com a Armada leonina já a ancorar terras algarvias, manteve-se prudentemente no mar, mordendo "as canelas" das já muito degradadas e erráticas embarcações portimonenses.

Nota: Sol

 

Bryan Ruiz - Sem tempo para brilhar

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Piccini 

 

sporting portimonense.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Vi(l)a Verde

Pela primeira vez nuns oitavos-de-final da Taça de Portugal, o Vilaverdense veio a Alvalade tentar retardar ao máximo o primeiro golo leonino. Nunca deixando de sair em contra-ataque, os forasteiros podiam até ter-se adiantado no marcador, caso o árbitro se tivesse decidido por assinalar um "penalty" numa jogada duvidosa protagonizada por Tobias Figueiredo. Com Alan Ruim e Iuri Marralheiros na equipa e a darem razão a JJ pelas sucessivas ausências nos eleitos (não lutam pela posse de bola), a primeira parte foi desinteressante e sonolenta, ainda que a barra tenha sido a nossa maior adversária, desviando cabeçadas de Petrovic (jogo competente) e de Tobias Figueiredo. Ainda assim, em cima da hora para o intervalo, Bryan ocorreu a uma solicitação de Alan e desviu a bola, a qual, após defendida pelo guardião da equipa minhota, ficou ali morta nos pés de Doumbia - já vira um golo seu ser anulado - que, com a baliza mais deserta do que o Guincho em dia de Inverno, não perdoou.

Na segunda parte, Doumbia chegaria ao "hat-trick", em lances onde demonstrou sentido de oportunidade. Comum a estes dois golos a acção de Gelson (Podence e Ristovski também foram influentes). Claramente a subir de forma, o extremo leonino viria a protagonizar o momento do jogo quando, solicitado por Doumbia, conseguiu passar entre dois defesas contrários, com velocidade e técnica, rematando colocado para o quarto da noite.

Via verde para a passagem aos quartos-de-final, com exibições agradáveis de Ristovski, André Pinto, Tobias, Bruno César e Petrovic e boas actuações de Battaglia e de Doumbia (é pena que fora de área não comunique bem com a equipa). Destaque principal para Gelson Martins, regressado à objectividade que se lhe pedia.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Xeque-mate

Confesso que este jogo me inspirava cuidados. Jogávamos num estádio tradicionalmente difícil para as nossas cores e o anterior jogo contra uma equipa de xadrez, em Moreira de Cónegos, não deixara bons augúrios. A acrescentar a isso, na hora de dispor as nossas peças no tabuleiro, sabemos que nunca podemos contar com os bispos, ou seja, temos logo menos 12,5% das armas disponíveis para o xeque-mate. Restavam-nos um Rei (Patrício), uma Rainha (Bruno Fernandes, a peça até agora com maior amplitude), duas Torres (Mathieu e Bas Dost), dois Cavalos (Gelson e Piccini) e oito voluntariosos Peões - dos quais três ficaram de reserva para futuros ataques/defesas - e com isso apresentámo-nos a jogo com a nossa FÉ.

De um lado da mesa, o consagrado Jesus, do outro o seu discípulo Simão, o zelote (ou zeloso) xadrezista boavisteiro. Um Grande-Mestre a lutar por reconquistar o título contra um membro dos "jaquinzinhos" (G15), aspirantes ao trono.  

O nosso Jesus começou por inventar: Battaglia ficou no banco, obrigando Bruno Fernandes a jogar longe da área adversária, perdendo assim influência, levando William a desdobrar-se em acções defensivas. Podence não acertava uma, não conseguíamos segurar a bola e o Boavista dominava a seu bel-prazer o miolo. Nos últimos 10 minutos da primeira parte, muito por influência dos movimentos em "L" (alternadamente verticais e horizontais) de Piccini, começámos a aproximar-nos do último reduto axadrezado. Estava a partida a caminho do intervalo quando Dost ganhou uma bola de cabeça, o peão Podence rodopiou como um pião vezes sem conta sobre um defesa, cruzou e o insuspeito Coentrão surgiu no lado oposto a cabecear para golo. Xeque-ao-Rei. 

Na segunda parte, Jesus mexeu cedo na equipa, entrando primeiro Acuña, depois Battaglia, para os lugares de Bruno César e de Podence. Os dois argentinos acabariam por ser providenciais: o extremo apontou o canto de onde resultaria o segundo golo, Batman recuperou inúmeras bolas em diversas zonas do terreno, permitindo à equipa respirar. Ainda houve tempo para uma decisão controversa do VAR - suspeito que os nossos Leitores benfiquistas, à semelhança do Freitas Lobo, tão categórico quanto ao fora de jogo de Dost em Paços, desta vez não se vão pronunciar pois o jogador axadrezado aparece na câmara numa diagonal à frente da bola - que permitiu ao emblema do Bessa aproximar-se, mas após jogada iniciada em Bruno Fernandes,  as Torres de Alvalade combinaram para o xeque-mate que pôs termo ao encontro.

Destaque para os golos terem sido apontados por jogadores poupados no início do jogo em Barcelona, pormenor que JJ não deixou passar em claro na "flash-interview", referindo-se aos críticos como "atrasados mensais". Independentemente da razão que lhe assista (afinal ganhou e a sua aposta provou-se correcta), JJ e a restante estrutura leonina poderiam sentar-se à mesa e entre os comensais ponderar abrir uma escola para alunos com necessidades especiais - tantos são aqueles já apelidados de "burros" ou "atrasados mensais" -, um modelo alternativo às escolas que Vieira pretende criar no Seixal...

Mais humildade e menos adjectivação precisam-se, até porque tão importante como saber perder, é saber ganhar e nós vamos ganhar.

Uma última nota, esta à margem do jogo, mas não do dia de ontem: pode ser apenas coincidência, mas dá-me a ideia de que quem contrapuser a conferência de imprensa de Ivo Vieira - após o Benfica x Estoril - com o "flash-interview" de Abel após o Sporting x Braga fica com uma parábola quase perfeita do que é o futebol português.

 

Os nossos jogadores um a um:

 

Rui Patrício - Invariavelmente, em jogos em que tem pouco ou nenhum trabalho, acaba por sofrer um golo estúpido ao qual é completamente alheio. No resto do tempo limitou-se a jogar (e bem) com os pés, fosse através de competentes pontapés de baliza ou por via de atrasos de colegas seus.

Nota: Sol

 

Piccini - (Madame) Butterfly está para Puccini como (o efeito) Bitterfly está para Piccini. "The Bitterfly effect" é um estado  que se apodera de uma pessoa e que a faz não reconhecer culpa própria sobre qualquer acção por si desencadeada. Felizmente que foi esse o caso do futebolista italiano, esta noite, no Bessa. Qualquer outro jogador teria ficado afectado com sucessivas perdas de bola e más decisões durante uns bons 25 minutos da primeira parte, mas não Piccini. À conta de ir culpando os companheiros, o vento, o corte da relva e a iluminação, o nosso lateral manteve a confiança no seu jogo e foi a primeira peça leonina a mostrar inconformismo com o empate e a levar a equipa para a frente com sucessivas cavalgadas durante a primeira parte, arrancando para uma exibição muito conseguida no resto do tempo, com grande equilíbrio entre os movimentos atacantes e os defensivos.

Nota: Si

 

Coates - Não teve um jogo muito conseguido. Provavelmente acusando algum desgaste mental, tal a atenção que lhe tinha sido requerida em Barcelona, onde de resto realizou uma excelente exibição, o uruguaio mostrou falta de tempo de entrada aos lances, o que lhe motivou uma cartolina amarela na primeira parte e a culpa no golo do Boavista, na segunda. Nada disto abala, do meu ponto-de-vista, a tremenda confiança que temos nele, mesmo que hoje se tenha limitado a ser um peão no tabuleiro axadrezado (onde só pode haver duas Torres).

Nota:

 

Mathieu - "Souplesse" e Mathieu andam de tal forma ligados que por vezes imagino se não terá sido para caracterizar o gaulês que a expressão foi criada. Na sua área, resolve qualquer problema com uma facilidade extraordinária, seja através de um providencial corte de carrinho, de um subtil desvio de cabeça, parecendo que tem uma varinha mágica sempre disponível para fazer face a qualquer problema. Com estilo, muito estilo, e calma. Aliás, imagino-o a mudar um pneu sobresselente, sem sujar um dedo, ou a encontrar o ponto de cozedura ideal do peru de Natal, sem suar. O tipo de "cool dude" que encontramos num Paul Newman ou num Steve McQueen. Como se tudo isto já não fosse praticamente inalcançável a qualquer comum mortal, aventurou-se duas vezes no ataque e com muita cabeça esteve na origem dos dois golos de Bas Dost. O melhor em campo.

Nota: Dó Maior

 

Fábio Coentrão - Primeiro, dizia-se que não aguentava um jogo completo. Depois, que não era o jogador influente de outros tempos. Apostado em evidenciar que tudo isto não passava de mitos urbanos, o vilacondense agora dura 90 minutos e, imagine-se, até já marca e de que maneira: em cima do 3º minuto de compensação do primeiro tempo - período em que o imaginário popular já o via caído no relvado, entubado e com diversas mialgias de esforço - eis que Coentrão lá estava, oportuno, a corresponder a um centro perfeito de Podence, inaugurando assim o marcador.

Nota: Si

 

William - Devido à arriscada táctica que JJ trouxe para o primeiro tempo, foi nesse período um verdadeiro dois-em-um, assegurando a devida protecção aos seus centrais. A entrada de Battaglia trouxe-lhe tal alívio que praticamente deixou de se ver no relvado, remetendo-se provavelmente a um merecido descanso, tal a intensidade do esforço despendido no primeiro tempo. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - A sua actuação saíu prejudicada pela posição em que JJ o colocou em campo. Desgastado por missões que não são aquelas em que se sente como "peixe na água", nas aproximações à área adversária os remates saíram-lhe sempre frouxos. Em todo o caso, ainda teve tempo para deixar uma nota artística quando repetiu, no mesmo lance na grande-área do Boavista, uma roleta. 

Nota: Sol

 

Gelson Martins - Mais rectílineo e acutilante do que vinha sendo hábito, embora não tenha tido influência nos golos, protagonizou o momento artístico do jogo quando dançou entre quatro boavisteiros, a todos ultrapassando, acabando por ser travado à margem da lei pelo último homem, o defesa Rossi, em lance que o árbitro não puniu com o cartão vermelho. Uma jogada à craque!

Nota: Si

 

Bruno César - Durante a primeira parte, foi dos jogadores mais esclarecidos, procurando sempre dar linhas de passe aos colegas, encontrando muitas vezes espaço na meia esquerda do ataque leonino. Infelizmente, os centros saíram-lhe sempre desajustados e um pouco antes da hora de jogo Jesus substituiu-o.

Nota: Sol

 

Podence - Como classificar um jogador que protagonizou um sem-número de más decisões até ao último minuto da primeira parte, momento em que sacou um coelho da cartola, rodopiou vezes sem conta sobre um pobre defensor boavisteiro e concluiu com uma assistência que Fábio Coentrão classificou como "só tive de empurar"? O futebol e os seus sortilégios. No xadrez do Bessa, Podence foi um (cam)peão que fez xeque ao rei boavisteiro.

Nota: Sol

 

Bas Dost - Dost rima com "post" e eu vou gostar de "postar" que fiquei muito feliz de ver Bas voltar a "dostar". O carteiro ("postman", ou será "dostman"?) Dost raramente falha a entrega. Ontem, foram mais dois "selos" para a colecção. São dezasseis até ao momento...

Nota: Dó Maior

 

Acuña - Ainda mal tinha entrado no jogo e, após um canto por si executado, chegámos ao segundo golo. No resto do jogo ajudou a defender a vantagem duas vezes conquistada, assegurando-se de que não a voltaríamos a perder. Ofensivamente está a faltar-lhe aquele "punch" do início da época. 

Nota: Sol

 

Battaglia - O jogo entrava numa fase electrizante e Jorge Jesus fez sinal a Battaglia de que iria render Podence. Recuperou imensas bolas, em diferentes zonas do terreno, com destaque para uma ganha à saída da grande-área adversária, lance em que, posteriormente, assistiria Bruno Fernandes, o qual, cansado, desperdiçaria a oportunidade. Com ele em campo, qualquer veleidade do Boavista caiu por terra ou não fosse ele o nosso Batman, o vigilante de Alvalade City.

Nota:

 

Bryan Ruiz - Rendeu o esgotado Bruno Fernandes aos 85 minutos, não tendo estado tempo suficiente sobre o relvado para lhe poder ser atribuida uma nota. Ainda assim, saúde-se mais uma presença, ele que procura a melhor condição e ritmo de jogo.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Monsieur Mathieu 

boavistasporting.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Apocalypse Nou

Ao contrário do que muitos poderão pensar, apocalipse não significa o "fim do mundo", mas sim a revelação de coisas que permaneciam desconhecidas. Nesse sentido, Jesus exibiu hoje ao mundo, em Camp Nou, a "táctica dos 3 defesas", a qual mantivera no segredo dos deuses desde o início da época.

Estando Patrício entre os postes, Piccini, Coates e Mathieu formaram o trio defensivo, com Ristovski a fazer toda a ala direita (em teoria, está claro) e Acuña a ala esquerda, sendo que o argentino jogou sempre a partir de uma posição mais recuada que o macedónio. William, Battaglia e Bruno César completaram o quinteto do meio-campo e Bruno Fernandes e Alan Ruiz ocuparam as posições mais adiantadas no terreno. Um 3x5x2 com boa vontade, dadas as características dos "atacantes".

A equipa culé pareceu baralhada e, na verdade, durante a primeira parte apenas por uma vez incomodou a baliza de São Patrício, quando Luis Suárez iludiu a marcação do seu compatriota Coates e surgiu na cara de Rui, o qual executou a "mancha" com maestria. É certo que no ataque fomos uns gatinhos, os nossos jogadores não causando mais do que uns arranhões nos blaugrana (dois remates de Bruno Fernandes e uma arrancada voluntariosa de Battaglia aos 21 minutos), exceptuando o amorfo Alan Ruiz, subitamente despertado de uma prolongada letargia para, irresponsavelmente, marcar violentamente o tornozelo de um jogador da cidade condal, num lance em que o árbitro foi bondoso ao apenas o punir com o cartão amarelo, em vez de lhe conceder um prematuro duche escocês.

Para a segunda parte, JJ tentou arriscar mais um pouco, retirando o inoperante Alan - um jogador "sem cabeça" nunca poderia ganhar bolas pelo ar - e o arrítmico Ristovski e colocando Bas Dost e Gelson Martins, alterando posteriormente o seu sistema para o habitual 4x3x3, pós troca de Bruno César (só dura 60 minutos) por Fábio Coentrão . O treinador leonino acabaria traído pela desatenção fatal de marcação, de Gelson, no canto que deu origem ao primeiro golo do Barça (57 minutos) e pelo falhanço de Dost na cara do golo, após centro excepcionalmente executado por Bruno Fernandes (61 minutos).

Tempo ainda para uma grande parada de Rui Patrício, a remate de Messi, para nova perdida de Dost (desta vez assistido por Coentrão) e para mais um momento de infelicidade (Mathieu) que resultou em novo auto-golo (Coates já havia "marcado" em Alvalade).

Destaques pela positiva para Coates, Bruno Fernandes, Patrício e Piccini, exactamente por esta ordem (decrescente) e pela negativa para Ruiz, William e Dost (um ponta-de-lança não pode deixar de marcar pelo menos uma daquelas oportunidades).

O árbitro, proveniente da Escócia, esteve globalmente bem, mas ficaram dúvidas sobre a legalidade do desvio de Digne na área do Barcelona, durante a primeira parte, naquilo que pareceu um "vintage penalty", conservado e maturado em cascos de carvalho e tudo.

 

Barcelona-Sporting.jpg

 

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - "Pasteleiro" Dost e a nata dos goleadores

Durante 30 minutos só houve uma equipa no relvado. O Belenenses, durante esse período, limitou-se a correr atrás da bola e a grande-área leonina mais parecia um gigante Adamastor, a aconselhar a prudência recomendada pelos Velhos do Restelo. No entanto, à passagem da meia-hora, os leões começaram a confundir circulação de bola com gestão de esforço, o jogo empastelou e a equipa de Domingos levantou a cabeça e viu que a vida poderia ser mais do que a versão escravizante da mesma que o Sporting até aí lhe tinha imposto.

Valeu ao Sporting a eficácia de Bas Dost. O holandês marcaria aos "pastéis", na execução perfeita de uma grande penalidade, o golo 50 pelo Sporting, número redondo conseguido em apenas 15 meses de actividade e que perspectiva a sua futura colocação entre a nata dos goleadores leoninos.

Jesus montou um esquema de apenas dois médios interiores, preterindo Battaglia em detrimento de um segundo avançado, no caso Podence. Na tentativa de que a equipa não perdesse a batalha do meio-campo o plano de jogo do treinador leonino pareceu conter instruções a Acuña para que este jogásse mais interiormente do que é costume, constituindo-se muitas vezes como o terceiro homem do miolo.

JJ acertou desta vez nas substituições, desde logo quando mandou entrar Battaglia (retirando Podence), aos 60 minutos, alteração que lhe permitiu retomar o controlo do meio campo e que conduziu William a uns últimos 30 minutos vibrantes em que impulsionou o Sporting para a frente.

Quem é fã dos Monty Phyton sabe que a vida de Bryan decorre paralelamente à de Jesus e que ambos têm Belém como indelével ponto de partida. Vem isto a propósito da estreia oficial em Alvalade, esta época, contra o Belenenses, do costa-riquenho Ruiz, em jogo que marcou o regresso da equipa de JJ à liderança do campeonato da 1ªLiga. Assim, Jesus não foi insensato, não deixou o jogador mirrar e, agora, fica à espera que ele o cubra de ouro.

Entre os destaques, sobressaíu Coates: o Ministro da Defesa, para além de ter bloqueado todas as tentativas de invasão do espaço defensivo leonino pelas forças de Domingos, ainda encontrou tempo e vigor para duas arrancadas até à trincheira azul, uma em cada parte, semeando o pânico no último reduto belenense. O uruguaio foi muito bem coadjuvado pelo seu Secretário de Estado, o gaulês Mathieu, complemento ideal na dissuasão da ofensiva adversária.

Também em relevo esteve Bruno Fernandes. Perdulário, falhou golos e passes diversos, mas fica ligado aos melhores e mais esclarecidos apontamentos do jogo do Sporting, nomeadamente o passe a isolar Podence na direita, em lance que acabaria por nos dar o "penalty", a finta, o levantar de cabeça e o passe a encontrar Acuña para uma oportunidade ingloriamente desperdiçada pelo argentino e, finalmente, a forma inteligente como chamou a si 3 adversários e ofereceu o golo em bandeja de prata a Bryan Ruiz.

Em resumo, jogo sofrido, mas com a compensação de, dado o empate verificado entre Porto e Benfica, termos agarrado os dragões na liderança do campeonato (para além de que o Benfica agora está mais longe). 

 

Os nossos jogadores, um a um:

 

Rui Patrício - As grandas querelas da humanidade têm usualmente Observadores no campo, a avaliar os danos causados por esses conflitos. Consta que o "marrazes" apresentará no seu relatório significativos desperdícios de munição, tal a má pontaria evidenciada pelas tropas leoninas perante o último reduto belenense. Do seu posto de observação (P.O.) limitou-se a apreciar as movimentações no terreno, pois as ofensivas da equipa de Belém jamais o incomodaram.

Nota: Sol

 

Piccini - É o "simplex" da equipa leonina. Aparenta uma enorme facilidade em qualquer movimento defensivo, seja fechar o espaço no meio quando tal é requerido, caír em cima do adversário junto à linha ou saír com a bola dominada da zona de pressão. Sempre sem complicar. Adicionalmente, mostrou instinto atacante, indo até à última linha de defesa adversária para executar cruzamentos ou assistindo primorosamente Bruno Fernandes pela meia direita, em lance que seria perdido nos pés de Acuña.

Nota: Sol

 

Coates - O Ministro da Defesa, em conjugação com o seu Secretário de Estado (Mathieu) e apoiado no General William, deu todos os meios às forças no terreno para que a refrega tivésse um saldo positivo para as nossas hostes, começando pela defesa intransigente dos 16,5 metros (grande-área) que constituíram a nossa inviolável última linha de defesa. Não contente com isso, ele próprio se juntou às tropas, devolvendo "granadas" adversárias com recurso a uma bicicleta e, por duas vezes, atacando mesmo as trincheiras inimigas, as quais, inibidas pelo factor surpresa, quase sucumbiam perante a sua acção. 

Nota: Si

 

Mathieu - A sua parceria com Coates faz pensar que actuam juntos há muitos anos, tal o grau de identificação que os une. No seu estilo em "souplesse", para o francês parece não haver tarefas impossíveis, mesmo que envolvam engolir 3 pastéis provenientes de Belém de enfiada, sem precisar de meter água na sua digestão. Um defesa central que é um centro cultural da arte de bem defender.

Nota:

 

Fábio Coentrão - Destacou-se por algumas arrancadas na primeira meia-hora, a lembrar o jogador que já foi noutros tempos. Cumpriu os 90 minutos e esteve menos tempo do que é costume deitado no chão, sinal de que se aproxima da sua melhor forma ou de que começa a mostrar compaixão pelo coração dos adeptos.

Nota: Sol

 

William Carvalho - Com as costas protegidas pelo intratável Battaglia, arrancou para o seu melhor período de jogo, os últimos 30 minutos. Aí, avançou em sucessivas cavalgadas pelo miolo do terreno, acções que deixaram em estado de alerta as defesas do sub-aquartelamento lampiânico, sitas ali para os lados do Restelo. Teve nos pés a rendição do exército oponente, mas falhou o remate final. Durante o resto do tempo especializou-se num novo tipo de passe: o Passe Social, simples, económico, mas que não abrange todo o território (a linha lateral, infelizmente, sim).

Nota:

 

Bruno Fernandes - Destacou-se pela forma como rompeu perante as linhas oponentes, solicitando colegas nos flancos a fim de melhor as contornar ou avançando em penetração até ao último reduto adversário. Esteve na origem de inúmeras oportunidades de golo e o que melhor se pode dizer dele é que, mesmo quando não especialmente inspirado, mostra sempre aquele toque distintivo de classe que o torna no maestro da organização ofensiva sportinguista.

Nota:

 

Gelson Martins - O seu jogo assemelha-se cada vez mais ao Bolero de Ravel, excepto na parte que Fernando Gomes, o "bi-bota", definia sentir aquando da obtenção de um golo (marca poucos para o futebol que tem no corpo). É uma música repetitiva, uma sucessão de partituras que regressa sempre a um ponto-de-partida, composta por uma batida forte e persistente que transforma o palco de Alvalade numa "rave" e que, se por um lado nos desperta os sentidos, por outro nos deixa à beira da insanidade.

Nota: Sol

 

Acuña - O argentino tem aquele estilo de nunca virar a cara à luta e de deixar o corpo no relvado. Ontem, apesar de as coisas não lhe terem corrido de feição, manteve-se fiél a esse padrão comportamental, embora tenha aparentado  incomodidade (compreensivelmente) perante os (injustos) assobios provenientes da bancada.

Nota:

 

Podence - Parafraseando o poeta Régio, Podence é "o átomo a mais que se animou", o ião que electriza as bancadas de Alvalade. Enquanto teve energia deixou a "cabeça à roda" à defensiva azul, nomeadamente - momento importante do jogo - no lance em que sofreu um "chega para lá" e que motivou a equipa de arbitragem a assinalar "penalty" a nosso favor. 

Nota: Sol

 

Bas Dost - A um ponta-de-lança exigem-se golos e o holandês não destuou, aliás "dostou", como de costume. No resto do tempo notabilizou-se pela renovada e vã tentativa de assistir companheiros em (suposta) melhor posição. Assim seria quando um defensor de Belém tentou clonar a mítica assistência de Secretário para Acosta e o deixou na cara do golo. Mas, em vez de rematar à entrada da área, preferiu contemporizar e assistir William.

Nota: Sol

 

Battaglia - Não se viu muito no campo, sinal de que imediatamente impôs respeito nos adversários, os quais preferiram percorrer caminhos bem distantes daqueles calcorreados pelo médio argentino. Ainda assim, quando testado, notabilizou-se nos desarmes. A sua entrada permitiu essencialmente extraír o melhor de William e isso, seguramente, foi positivo para a equipa.

Nota:

 

Bryan Ruiz - A classe, o virtuosismo, a elegância em movimento, qualidades bem visíveis quando perante a saída do guarda-redes belenense efectuou um chapéu brilhante, o qual acabaria por ser desviado na linha de golo por um defensor azul. Não deu golo, mas o perfume do seu futebol ficou bem patente nesse lance, bem como a sua incapacidade goleadora, "pormaior" que o vem mantendo afastado do estrelato à escala planetária.

Nota:

 

Bruno César - Apenas o tempo suficiente em campo para merecer o duche final.

Nota: -

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates (melhor em campo)

 

sporting belenenses.jpg

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Na Mata Real, Sporting deu dois "Paços" a caminho da coroação

Um jogo do Sporting não seria a mesma coisa se Jorge Jesus não realizasse uma substituição, a equipa caísse vertiginosamente e, em consequência, os adeptos fizessem fila para uma visita ao psicólogo. Menos mal, porque na capital do móvel os divãs devem ser mais em conta...

A partida até começou bem para a equipa leonina e, com 17 minutos jogados, já o Sporting perdera duas soberanas oportunidades de golo, através de Gelson e de Bas Dost. Em sequência, num lance de carambola que envolveu Bruno Fernandes, William, Battaglia, Mário Felgueiras, Dost e, outra vez, o guardião pacense, "Batman" daria a tacada final, colocando de cabeça a bola na rede.

O golo, mais do que tranquilizante, serviu de soporífero e o Sporting começou a jogar demasiadamente cedo para o lado e para trás, até que se chegou ao intervalo. No reatamento, algumas arrancadas de Battaglia ameaçaram abanar o jogo. Uma delas seria concluída por Bruno Fernandes com um remate ao poste. Até que Gelson - que tinha perdido um saco cheio de bolas por más decisões - decidiu desligar o complicómetro e com uma rotação surpreendente e tiro rápido apontou o segundo da noite.

Antes desse golo, JJ já tirara Acuña (substituído por Bruno César) e Battaglia saíra, aparentemente lesionado, embora a sua expressão corporal indicasse descontentamento, no que pareceu a repetição do episódio de Coentrão em Turim. Para substituir o box-to-box, Jesus realizaria o seu habitual número de suspense, colocando o ressuscitado Lázaro, perdão, Ruiz, dando nova vida a Bryan. A ideia inerente à entrada do costa-riquenho era controlar a bola, mas para tal seria necessário tê-la e nos últimos 15 minutos, de bola, o Sporting teve "bola". Assim, o treinador leonino adicionaria um jogador sem ritmo (estreou-se nesta época) e sem vocação defensiva a um desgastado e pouco intenso William e cedo se viu que iríamos sofrer. Pedrinho, aos 76 e 77 minutos, e Whelton, aos 81 e 84, ameaçaram as nossas redes - sempre sem qualquer oposição dos nossos médios - até que, finalmente, após enorme defesa de Patrício, sem grande alarido, o Paços falou Baixinho e marcou.

Os últimos 3 minutos terão sido pródigos em AVCs em muitos lares portugueses, com toda a gente, menos Jorge Jesus, a ver que a vitória poderia fugir, especialmente de cada vez que Mabil, o aditivado - ou o seu nome não se assemelhasse ao de uma conhecida gasolineira - jogador proveniente do Sudão do Sul, pegava na bola e avançava em velocidade.

No final, recuperámos dois pontos ao Porto e temos a possibilidade de passar a liderar caso ganhemos ao Belenenses e os dragões não vençam o Benfica, na próxima jornada. Essa esperança acabou por ser o melhor desta noite. 

 

 

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D