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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - APAF de apito mudo ou Liga de ouvido surdo?

Ponto de partida: a Comunicação Social tem vindo a citar fontes da arbitragem que mostram o desconforto sentido pelo sector pelo facto de a Liga portuguesa há muito não melhorar as condições salariais dos árbitros.

Analisando os dados disponíveis na internet sobre esta matéria, obtive a seguinte informação:

1) um árbitro internacional (existem 9) recebe um valor fixo mensal de 2500 euros/mês;

2) por cada jogo da 1ª Liga, um árbitro recebe 1342 euros/mês, valores pagos em recibos verdes;

3) por cada jogo da 2ª Liga, um árbitro recebe 939 euros/mês, valores pagos em recibos verdes;

4) um árbitro internacional que apite por mês 2 jogos da 1ª Liga e 2 jogos da 2ª Liga tem um vencimento de 7062 euros;

5) por cada jogo da Champions ou da Liga Europa, um árbitro recebe 4800 euros, 5800 euros a partir dos quartos-de-final.

6) o Presidente da República recebe cerca de 6700 euros/mês.

 

Agora, os Leitores tirem as suas conclusões...

 

O árbitro não é o protagonista do jogo. As vedetas são os jogadores e ainda há pouco tempo vi na imprensa noticias que davam conta de salários de cerca de 2000 euros/mês pagos por clubes da segunda metade da tabela em termos de orçamento.

Ponderando estes dados e tendo em conta o valor relativo dos vencimentos, conclui-se que os árbitros são bem pagos.

 

Vem tudo isto a propósito das recentes declarações do presidente da APAF, senhor Luciano Gonçalves, anunciando que os árbitros iriam pedir dispensa dos jogos da Taça da Liga a serem disputados em Novembro e Dezembro, algo que a imprensa conotou com um braço-de-ferro entre a classe e Pedro Proença relacionado com a ausência de aumentos dos vencimentos dos árbitros nos últimos anos.

Luciano Gonçalves, no entanto, apenas referiu as declarações de dirigentes e comentadores sobre a arbitragem, bem como perseguições a que os árbitros estariam a ser sujeitos por parte de desconhecidos, tais como telefonemas anónimos para as suas residências, visitas às escolas dos filhos e aos empregos das mulheres, e outro tipo de pressões.

É evidente que estes factos são simplesmente abomináveis e que qualquer cidadão responsável deve repudiá-los e deles demarcar-se. As forças policiais têm a obrigação de proteger as pessoas e as familias deste tipo de acontecimentos e devem agir com prontidão. 

Por outro lado, é público e notório que a emotividade enerente às declarações dos dirigentes diminuiu bastante nos últimos tempos pelo que o timing desta escusa em apitar jogos surpreende. Esta é apenas uma face da moeda. A outra metade, onde não se nota evolução ao longo dos tempos, é que os dirigentes associativos do sector continuam a não entender o essencial. Para acabar a suspeição, é fundamental separar o trigo do joio. Nem todos os árbitros serão competentes, nem todos os árbitros saberão afastar as pressões e desempenhar o seu papel com equidade. Um árbitro pode dar mau nome a todos os outros se não houver a capacidade de o expurgar, algo aliás transversal a todos os sectores de actividade do país. Não compreender isto é de um corporativismo bacoco.

O próprio presidente da APAF já deu mostras de alguma falta de bom senso quando alegadamente pediu bilhetes baratos para um jogo do Benfica, em nome de uma instituição de beneficiência da qual é membro da Assembleia Geral, salvo erro. E isso foi notório porque não é possível a quem é líder associativo da arbitragem despir essa qualidade em qualquer momento, mais a mais atendendo o clima que se vive. Também porque, a serem verdadeiros os emails, logo o Benfica viu uma oportunidade no pedido, relacionando a oferta dos bilhetes com um processo onde Luciano Gonçalves seria testemunha de interesse.

Há uma investigação do Ministério Público e da Policia Judiciária em curso. Os alegados emails mostram uma clara preferência por determinados árbitros por parte de indivíduos que as autoridades deverão escrutinar que tipo de relação têm (ou não) com um determinado clube. O momento deveria exigir contenção, é o tempo da Justiça, e os bons árbitros deveriam compreender isso. Há que criar condições para que não haja pressões sobre a arbitragem, mas só vejo a classe indignar-se com o que é feito a jusante, as declarações de descontentamento dos dirigentes, nem tanto com toda a construção que permite que os árbitros possam ser condicionados (ou se auto-condicionarem) a montante, antes de o jogo principiar, algo visível nos alegados emails, onde se podem vislumbrar pedidos de ajuda a dirigentes com suposto poder, figurinhas tipo empresário do árbitro, etc.

Se não tiver estado suficientemente alerta que me desculpem, mas não vejo o presidente da APAF indignar-se com uma suposta lista com informações sobre a vida amorosa dos árbitros, um pedido de esclarecimento sobre o papel de ex-árbitros e sua relação com os clubes e os actuais árbitros, o papel de um ex-nomeador dos árbitros ou as avarias do VAR que prejudicaram a imagem de Nuno Almeida. Também não o vejo indignar-se com a UEFA ou a FIFA, por não termos tido árbitros portugueses nas fases finais das últimas grandes competições internacionais por selecções...

Este não é o momento de reivindicações. Este é o momento para limpar definitivamente o sector, criando um conjunto de regras e procedimentos - o tal Código de Ética do agente desportivo - que permita aos árbitros estarem tranquilos, poder decidir em consciência e prestigiarem-se perante a opinião pública. Que se proíbam todas as situações de conflito de interesses - especialmente que se esteja atento ao papel de observadores e delegados ou ex-delegados da Liga - e que quem as infrinja seja severamente punido, seja quem fôr, seja de que clube fôr. Mas, sobre isto, Luciano Gonçalves nada diz... 

 

Fontes:http://www.maisfutebol.iol.pt/liga-afinal-quanto-ganham-os-arbitros

http://apitonacional.com.br/noticias/salario-arbitros-europa.html

https://tvgolos.pt/quanto-ganha-um-arbitro-futebol-portugal/

Hoje giro eu - De noite se faz luz sobre o dia

Começo por dizer que me estou "nas tintas" para as comissões que o Benfica paga de intermediação de jogadores (olho é para as nossas e vejo que neste mercado de Verão subiram face aos 2 "reports" anteriores), pelo que entendo que a nossa Comunicação não tinha de invocar publicamente isso, como se não fosse suficiente para nós a transparente divulgação do desagregado das transferências do mercado de Verão, isso sim um motivo de orgulho. É um tema do Benfica que, a preocupar alguém, deve ser os seus adeptos, o(s) regulador(es) e as autoridades, com o qual nós, sportinguistas, não temos de nos ocupar neste momento. Devo, no entanto, referir que ouvir (e vêr) Pedro Adão e Silva, no programa Aposta Tripla, da SportTV (onde gosto muito de Paulo Baldaia e, já agora, de Pedro Henriques, na minha opinião, o melhor comentador televisivo de futebol), "matar" o tema, dizendo que o Benfica paga mais comissões que os outros, porque vende mais - lá está aproveitando a "deixa" (supérflua) de Nuno Saraiva, que acabou por esvaziar mediáticamente a transparência do "report" do Sporting, o essencial - me deixou entre a incredulidade e a marcação urgente de uma consulta no otorrino. Passo a explicar: o facto de um clube vender mais, não justifica que pague quatro vezes mais comissões do que outro num determinado período, a não ser que tenha vendido ( e comprado?) também quatro vezes mais, o que manifestamente não foi o caso. Mais tarde, no mesmo programa, António Macedo, com igual leveza, diria que tinha pena que não fosse o Sporting a pagar mais comissões, mostrando não perceber isto. Uma coisa é achar que o tema não nos diz respeito - embora se possa ter uma opinião sobre ele - outra é tomarem-nos por lorpas e escamotear que o barómetro deve ser a taxa média de intermediação paga por um clube, algo que poderia futuramente constar nos Relatórios e Contas das sociedades desportivas. Adiante...

 

Rui Vitória diz que um clube tetracampeão não pode estar em crise, nessa situação estarão aqueles que não ganham há muito tempo. Eu fico muito contente com esta "crise" que vem assolando o Sporting esta época. Como o futebol é o momento, muito contente. Os adeptos do Benfica, por outro lado, também estão contentes porque ganharam nos últimos 4 anos. Antes assim, estamos todos contentes, exceptuando o Rui Gomes da Silva, aparentemente o único que está zangado. 

 

Falando de futebol, o que eu vejo é que o Benfica não colmatou as saídas na sua defesa (baliza incluida) e que o seu meio-campo está em falência. Como resolver isso? Eventualmente, recorrendo a um terceiro médio - Krovinovic? - , o que lhe permitiria gerir o miolo do terreno de outra forma, mas como compatibilizar isso com Jonas, de longe o melhor jogador do clube (se não do Campeonato)? Poderá Jonas jogar sozinho na frente (o que significaria a saída de Seferovic ou Jimenez)? Se fosse benfiquista também me intrigaria porque Cervi não joga mais. De todas as opções nas alas é o jogador com maior entrega e rigor táctico, mas parece contar menos este ano.

 

Finalmente, a questão do vídeo-árbitro. Uma inovação que veio melhorar muito o futebol português, adicionando-lhe transparência. Há ainda alguma coisa a fazer, até do ponto-de-vista de meios tecnológicos para análise, mas já não há dúvidas que é um instrumento muito útil. Aqui também parece agora haver consenso, embora ainda recentemente no Bessa se tenha ouvido que a culpa era do VARela.

 

 

Ética - Isto só vídeo!!

A casa do futebol português continua a ser construida pelo telhado. Esta semana, ficámos a saber pela boca do ex-árbitro Pedro Henriques que o VAR não tem acesso às linhas de fora-de-jogo. Alegadamente, devido a problemas técnicos relacionados com a falibilidade dos actuais sistemas existentes no mercado, disse o próprio.

Não sendo o vídeo-árbitro autónomo numa das acções onde a sua visão mais pode influenciar o árbitro, acaba por ficar dependente das imagens da transmissão televisiva, creio.

Assim, ficamos sujeitos a apreciações feitas em cima de imagens aonde não aparecem em simultâneo as 2 linhas laterais (Benfica x Portimonense), não aparece a linha de fora-de-jogo (Benfica x Braga) ou ficam escondidos jogadores (Seferovic no Benfica x Braga).

Antes de descarregarmos a nossa bilis na realização televisiva da Btv, ou fazer juízo de intenção sobre a seriedade do realizador, deveríamos sim concentrarmo-nos no essencial: a Liga de Clubes, um dos reguladores do nosso futebol, permite que um canal de clube transmita jogos, em directo e em exclusivo, do campeonato nacional, algo inédito nos principais campeonatos por essa Europa fora. Obviamente, tal situação coloca suspeição em matéria de conflito de interesses e, por isso não é seguida por quem pensa o futebol pelas suas fundações (práticamente, o resto do Mundo). Nesta conformidade - e atendendo ao que Pedro Henriques agora suscitou de ausência de meios do vídeo-árbitro - todo este problema é exacerbado por haver um VAR. Já não se trata da probabilidade maior ou menor de serem retiradas imagens comprometedoras e do seu eventual impacto mediático, o que está aqui em causa são decisões que afectam o resultado de um jogo, pelas decisões que são tomadas no campo.

Sou (e serei) um defensor do VAR desde a primeira hora, mas há coisas no futebol português que carecem de compreensão. A FPF fez um esforço financeiro considerável (1 milhão de euros), a fim de dar os necessários passos para garantir a integridade das competições. O que tem feito a Liga para efectivamente regular? De que forma o tem partilhado com a opinião pública? Se os clubes não dão as necessárias condições, legislando no sentido da ausência de conflito de interesses, o que é que as pessoas lá ficam a fazer? Não se demitem? O salário é bom? Depois deixam-se expostos os Veríssimos desta vida, ficando sempre a porta aberta para que se discuta interminávelmente e tudo fique como dantes, no quartel de Abrantes.  

Eu já tinha avisado (http://sporting.blogs.sapo.pt/etica-o-video-arbitro-e-a-realizacao-3406126)...

 

VAR3.jpg

Colinhos e quinhentinhos

Enquanto Bruno de Carvalho persiste na campanha pelas novas tecnologias a favor da verdade no futebol, alguns trocam o vídeo-árbitro, de que nem querem ouvir falar, pelas caixinhas douradas.
É por isso que existe tanta desigualdade neste mundo. Enquanto uns pugnam pela verdade desportiva, outros batalham pela perpetuação da aldrabice que gerou colinhos e quinhentinhos.
Esqueçam, amigos azuis e encarnados. Esse tempo está em vias de acabar.

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