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És a nossa Fé!

A calendarização da Taça da Liga

Por muito que agora o Sporting até a tenha ganho, para mim a Taça da Liga será sempre uma prova secundária no calendário futebolístico nacional. Prova essa que motiva paragens injustificadas da principal prova, o campeonato nacional, e reagendamentos desnecessários de jornadas durante a semana, como acontece agora. Parece-me óbvio que esta solução não agrada a ninguém - implica paragens desnecessárias para clubes que não estejam na "final four" e sobrecarga de jogos para os outros.

Para evitar todos estes inconvenientes, julgo que se deveria passar a jogar a fase de grupos da Taça da Liga em Agosto, no início da época, antes do arranque do campeonato. Arranque este que tem sido cada vez mais antecipado, para alturas em que muita gente ainda está de férias. (Em Espanha, por exemplo, o campeonato só começa em Setembro.) O campeonato começaria duas semanas mais tarde do que o que tem começado, e nessas duas semanas jogar-se-ia a fase de grupos. Quanto à "final four", a melhor altura para a realizar seria entre o Natal e o Ano Novo. A Taça da Liga disputar-se-ia assim em alturas de férias, como uma competição alternativa, o que talvez até lhe trouxesse um interesse suplementar.

Taça da Liga

O troféu que conquistámos no sábado chama-se Taça da Liga. Seja qual for a empresa que a patrocine. Tal como a Taça de Portugal é e será denominada sempre assim: Taça de Portugal. E a primeira Liga - a competição profissional que designa o campeão - será sempre o campeonato. Seja a NOS ou outra marca qualquer a patrociná-lo.
Faço por isso um apelo aos adeptos do Sporting para deixarem de chamar "taça da carica" ou "taça Lucílio" ou outra designação depreciativa a esta competição que acabamos de vencer. De forma inequívoca e sem batota, como é nosso timbre.

A "Lucílio" foi a da mentira, a da batota, a da era pré-VAR.

A do Benfica.

Taça da Liga: três palavras

Passada que foi a conquista da Taça da Liga três palavras convém reter:

 

- Lastimável

Lastimável a narração dos jogos feita pela RTP.

Nem os jornalistas, nem tão pouco os comentadores de serviço, conseguiram descortinar numa primeira análise aquilo que em casa todos vimos: o golo em fora-de-jogo do Porto e o penalty do jogador do Setúbal.

(Não falo sobre o penalty, claro, que foi cometido pelo Danilo, no jogo contra o Porto, pois não vi esse momento do jogo)

 

- Vergonha

Vergonha a actuação dos árbitros. Felizmente existiu vídeo-árbitro, caso contrário em momento algum teríamos vencido este troféu.

Lucílio Baptista esteve sempre presente.

 

- Coragem

Coragem dos jogadores William Carvalho e Coates e do treinador na marcação das grandes penalidades contra o V. Setúbal.

Hoje giro eu - Tempo de compensação

Na final da Taça da Liga, tendo o jogo sido interrompido durante 4 minutos e 36 segundos para consulta do VAR, o árbitro, Rui Costa, deu 5 minutos de desconto. Houve várias paragens para assistência a jogadores lesionados e 4 substituições (as outras duas não tiveram impacto pois foram efectuadas ao intervalo).

Hoje, no Belenenses-Benfica, o árbitro, Bruno Paixão deu 5 minutos de compensação. Houve menos paragens que no jogo do Sporting e mais substituições no segundo tempo (6). O lance de VAR durante os descontos demorou 36 segundos, pelo que se compreende que o jogo tenha sido prolongado esse tempo. Exactamente quando se esgotavam esses segundos adicionais houve a falta. Nada a dizer sobre a actuação do árbitro.

Considerando que existe uma recomendação para que cada substituição deva ser compensada em 30 segundos e mesmo dando de barato que as paragens para assistência a jogadores foram idênticas em ambos os jogos (2 minutos), então chegamos à seguinte conclusão: mais uma vez, nada a dizer sobre a actuação de Bruno Paixão, cumpriu com a lei; na final da Taça da Liga, considerando as 4 substituições (4x30 segundos=2 minutos) e a assistência a jogadores (2 minutos) ficaram a faltar ao jogo 3 minutos e 24 segundos...

Como se podem uniformizar estes critérios? E em que medida a nota de Rui Costa será prejudicada por este erro? 

Entre Lucílio e Rui Costa

Este título era-nos devido há nove anos.
Apesar disso, esteve quase a acontecer novo escândalo irreparável na final disputada em Braga. A diferença entre Lucílio e Rui Costa - ninguém duvide - chama-se vídeo-árbitro. O tal que o avençado Carlos Janela, os comentadores da cartilha lampiânica e os responsáveis editoriais do jornal A Bola combateram com denodo e determinação.

Seis ideias extraídas da Final

O fim de semana desportivo trouxe ao Sporting a primeira Taça da Liga, mais conhecida na tribo leonina (eu incluído) como Taça Lucílio Baptista ou taça da Carica.

Vi o jogo todo e deste retirei meia dúzia de ideias:

1 – A equipa leonina deu uma parte de avanço ao adversário. Não fosse o VAR e provavelmente estaríamos aqui a discutir outros assuntos;

2 – O Sporting, para conquistar este troféu, ganhou somente um jogo, por seis a zero, ao União da Madeira. Os outros quatro jogos corresponderam a empates;

3 – O futebol praticado pela nossa equipa varia entre o muito bom (a segunda parte da Final!) e o muito mau (a primeira parte);

4 – É certo que prefiro maus jogos mas ganhar do que ver a equipa praticar bom futebol e perder, pois o que conta é o resultado, mas nem sempre será assim;

5 – Jorge Jesus confia demasiado numa variante que não controla. Chama-se sorte. A questão é saber o que acontecerá quando esta deixar de existir;

6 – Se continuarmos a jogar desta forma dificilmente traremos o caneco do campeonato para Alvalade. Seria bom que JJ percebesse isso quanto antes.

Pela verdade, contra a batota

Eles, em 2009, comemoraram uma vitória fraudulenta. Sabiam que a Taça da Liga lhes tinha sido entregue de bandeja com uma arbitragem de lesa-desporto e mesmo assim festejaram como se não houvesse amanhã. Nada de estranhar: dizem-se desportistas mas convivem com a batota sem sobressaltos de consciência.

Nós podemos gabar-nos de ter esperado nove anos para festejar o mesmo título. Mas foi conquistado de forma limpa e digna, com honestidade, sem torcer a verdade desportiva. Como é nosso timbre.

Este é um dos muitos motivos que me fazem sentir tanto orgulho por ser do Sporting.

Todos a queriam

Arrancada a ferros ou não, não quero saber. Como diria a Teresa Guilherme "isso agora não interessa nada". Jogámos pedras, na Pedreira, dizem uns. As finais só as safámos nos penáltis, rematam outros. Sim, foi isso tudo mas "ca sa lixe". Festejo. E cheio de ganas por mais. Ambicioso. Ganhar leva a ganhar mais e nós ganhámos o troféu que todos queriam. Sem se pouparem aos esforços usaram as melhores armas para conquistá-lo. Não conseguiram. Não, isso só nós, no entanto ao lutarem por isso dignificaram a competição. Valorizaram ainda mais o nosso título. 

Qual taça da carica, qual quê? Para a história ficará isto: uns apanharam-nos pela frente e ficaram para trás. O Porto, que ainda não tinha caído nas competições internas, connosco foi ao tapete na meia-final da prova. Sofrida? Sim. Mas vitoriosa! Outros ficaram-se pelo caminho, batidos por aqueles que batemos na final.

Ganhar leva a ganhar mais. É coisa de hábito. Talvez por isso um tipo tenha tendência para relativizar, desvalorizar, até, a proeza de ontem, em vez de lhe dar valor. Afinal, a coisa é estranha. Nos últimos anos fomo-nos habituando a perder.

Tudo bem, percebo quem não queira embandeirar em arco, também sei que somos apenas "Campeões de Inverno", estou com os pés assentes no chão; mas estou também com o poeta, que esse é que sabia da coisa. Dizia ele que "primeiro estranha-se, depois entranha-se". E a memória tenho-a entranhada com aquelas imagens dos nossos, todos eles dentes, de espumante na mão, correndo pelo campo, saltando para as cavalitas do que está logo ali ao lado, posando para a fotografia de família, debaixo de intensa chuva de confetis brilhantes.

A conquista da Taça da Liga foi sofrida mas nada, em tempo algum, sofrível. Ganhar leva a ganhar e é coisa de hábito. Habituem-se!

Pódio: Bas Dost, Battaglia, Bruno

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-V. Setúbal - na final da Taça da Liga - pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 18 

Battaglia: 17

Bruno Fernandes: 17

Rui Patrício: 16

Acuña: 15

Mathieu: 15

William Carvalho: 15

Fábio Coentrão: 14

Piccini: 13

Coates: 12

Doumbia: 11

Rúben Ribeiro: 10

Bryan Ruiz: 9

Montero: 9

 

A Bola e o Record elegeram Bas Dost como figura do jogo. O Jogo optou por Battaglia.

Do caneco

Não vi o jogo. Tive uma festa e só cheguei a casa lá para as três da manhã. Fui seguindo o resultado pelo telemóvel. Pelo que vi e li, parece que continuamos sem dar abébias no campeonato do "jogaram como nunca, perderam como sempre". Joguemos bem ou mal, ganhamos. Parece que a coisa esteve cheia de simbolismos: ganhámos aos gajos que nos tinham ganho há dez anos na final, também nos penáltis; ganhámos graças a um penálti que não teria sido marcado sem o vídeo-árbitro, do qual fomos os grandes promotores, sendo que perdemos a final "Lucílio" há nove anos graças a um penálti que ficará como um dos maiores gamanços de sempre do futebol nacional; o gajo que fez o penálti devia ter sido expulso e não foi, o que lhe permitiu depois falhar o seu penálti final; contra a história, o Rui Patrício não defendeu nenhum penálti; o penálti decisivo foi marcado pelo William; ganhámos uma taça (chame-se da carica ou lá o que se quiser chamar) que nunca tínhamos ganho. O pessoal aí não tem medo de equipas que jogam muito bem e depois perdem. Tem medo é de equipas que não se percebe porque ganham, mas ganham. Assim é que é bonito. Por mim, é para continuar. Sejamos nós capazes disso.

PS - Alguém que me lembre só uma coisa: não foi esta mesma presumível equipa da treta contra quem jogámos ontem que eliminou o Benfica desta mesma taça?

"Não o ofendi, pois não?" e outros acontecidos

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Qual Camões, prolepsevarei para depois analepsar.

Ia começar pelo penalty (não) marcado de Coates a Casillas.

Vou começar por um diálogo num quiosque onde, habitualmente, não vou, com um vendedor que não me conhecia.

- Bom dia, queria o Record, por favor

- E quer, também, o Monopólio do Benfica?

- (foi aí que eu disse a frase do título) não o ofendi, pois não?

Rimo-nos e chegámos à conclusão que somos sportinguistas e que os gajos são seis milhões mas  os monopólios do Sporting já tinham ido todos e os do Benfica ainda lá estavam.

Como sempre nestas ocasiões, aconteceu um "espere aí que talvez se arranje, vou ao saco do Dr. Antunes".

O Dr. Antunes é um sportinguista que viaja muito mas não prescinde dos jornais em papel. Do saco onde já estavam um Expresso, um Público de sexta (por causa do Y) e outras coisas que não consegui ver, sacou-me o Monopólio, "eu depois arranjo outro para o Dr. Antunes, só vem cá buscar isto na quarta-feira".

Obrigado, caro quiosqueiro sportinguista, obrigado Dr. Antunes, voltemos, então, ao penalty de Coates.

Parece-me que Casillas não está em cima da linha de baliza mas eu não vejo muito bem (uso uma pala), digam-me, está adiantado ou não? Dever-se-ia ter repetido o penalty?

Quem diz Coates, diz William de tudo o mesmo se diz, onde uns vêem luto e dores, outros descobrem cores (o verde e branco, claro) do mais formoso matiz... é que a carreira de William não foi toda a falhar penalties, recordo um decisivo, com Tanaka, João Mário ou Slimani em campo, que William foi chamado para converter aos noventa e tal minutos de jogo e marcou.

Para terminar, alguém avise o mister Jesus que já não é treinador do Benfica.

"O Jorge Jesus quer sempre ganhar", diz ele. Sim mister, mas dentro das regras, o Sporting, quer sempre ganhar, mas sem corromper os agentes do jogo nem praticar acções que são punidas pelos regulamentos.

Se Nelson estava atrás da baliza aquando da marcação dos penalties no jogo com o Porto e não devia estar, deve ser o Sporting, voluntariamente, a pagar a multa prevista no regulamento sem estar à espera de uma punição; tal como deviam ser outros a assumirem os "vouchers" que oferecem e os "emails" que enviam.

Estou irritado, pois claro que estou


Sporting conquistou o terceiro troféu nacional (a seguir ao campeonato e à taça) e – algo infantilmente – parece que falar do óbvio dá azar. E o óbvio é que a jogar assim dificilmente ganhará outro. A equipa está fatigada e nota-se muito stage fright. Ninguém parece querer assumir a responsabilidade agora que o diabinho Gelson está K.O. Tivesse Couceiro mexido mais cedo e encostado os nossos centrais lá atrás e hoje estaríamos a chuchar no dedo. A diferença de investimento nos plantéis é hilariante e mesmo assim só ganhamos ao penúltimo nos penalties, que não sendo lotaria, também não são mecânica dos fluídos como JJ quis fazer crer. Aliás o seu pequeno outburst sobre aqueles que duvidam que William saiba marcar penalties não me comove e acho que (a ser verdade) que tem garantidos 250 mil euros pela conquista da taça deve pelo menos fazer um desconto ao clube pelos miseráveis primeiros 45 minutos, nos quais levou um baile tático e estratégico do Vitória.
Bruno de Carvalho é quem menos merece estas exibições e este modo de ganhar assim meio coiso. Tem feito tudo pelo plantel, tudo pelo clube, nunca esquece os adeptos. Merece este troféu. Mas tenho a certeza que também ele se lembra que em 180 minutos apenas marcámos de penalty e que (ao contrário de anos e anos e anos) temos tido uma sorte incrível: ainda ontem o Setúbal podia ter marcado o segundo no início da segunda parte. Enfim, já passou, parabéns ao adeptos que estiveram em Braga, sempre com a equipa e parabéns ao staff e jogadores.

A la Fernando Santos

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Já cá canta a taça da liga, o 4º troféu doméstico mais relevante. O jejum tem sido grande e é natural, e saudável, o júbilo adepto. Até porque, ainda que sem a compensar, amansa um pouco a mágoa do esbulho anterior, já quase com uma década, esse que tamanho foi que causou esta desvalorização da para-sempre (?) "lucílio baptista". E, mais do que tudo, na esperança que seja a anunciação de um clube renovado na condição de conquistador de troféus de futebol sénior. Assim o seja. Foi um triunfo muito difícil, mesmo "à taça", uma mera vitória e quatro empates em cinco jogos. A la Fernando Santos, até naquilo do anúncio de Jorge Jesus "fiz a mala até ao dia da final". Assim o continue a ser.

 

O Vitória Futebol Clube, sito em e dito de Setúbal, é o meu segundo clube, coisas daquelas suas tão belas cores, ainda que dispostas não da forma absolutamente óptima, e da minha memória, encantada, daquela equipa de Big Mal, onde pontificavam Manuel Fernandes e, o então até ressuscitado, Rui Manuel Trindade Jordão. Assim confesso, neste blog sportinguista, este para mim inusitado balançar do coração durante o dia da final. Nisto do 100% sportinguista, e agora até sôfrego de vitórias, e a até inopinada descoberta de um excedente cardíaco, um algo mais sadino, coisa de um "a perder-se ... que seja com estes couceiros".

 

Não pude ver o jogo, fiquei-me pelo seu "resumo alargado", já a desoras. Desses 20 minutos, mostra de um verdadeiro jogo de taça, com o "mais pequeno" a jogar de igual para igual, como deve ser, retirei três coisas, porventura oriundas desse meu travo sadino. No Vitória está um belo ponta-de-lança, filho do nosso antigo treinador Domingos Paciência (esse que foi abalroado pelo "sistema", numa época marcada logo à entrada pelos oito pontos roubados nos três primeiros jogos, convém sempre lembrar), e pena é que pertença aos quadros do pérfido Porto. A jogar assim temos homem, também ele, a la Fernando Santos, para a campanha russa - e, já agora, que esta não seja napoleónica. Ou seja, que não se soçobre, já em Moscovo, nos penáltis. Repito, belo e pujante avançado, pérola rara no futebol português. 

 

E um guarda-redes à porta da lenda. Pedro Trigueira engatou uma bela exibição. Mas o lance do nosso penálti é, nesse caminho das lendas futebolísticas, uma injustiça. Pois o homem fez duas assombrosas defesas a bons remates à queima-roupa e ainda iria fazer uma terceira, o que o colocaria, em definitivo, no panteão. Feito que decerto seria monumentalizado por uma qualquer "instalação" videográfica, pedestal mui contemporâneo a colocar em praça da cidade, porventura ali perto do Arco Zeca Afonso, coisa muito nessa linha. Enfim, e para nós ainda bem, o seu colega Podstawski, muito humanamente, precipitou-se, deitando a perder a taça ao clube e roubando a imortalidade ao guarda-redes.

 

O terceiro detalhe é sobre o video-árbitro, que todos os benfiquistas e tantos portistas abominam. Permite erros, convoca decisões discutíveis? Sim, a perfeição é impossível. Mas fica provado, numa final ainda para mais, que ajuda e muito à competência das decisões. Mas permite também uma outra conclusão: há excesso de críticas aos árbitros. Eu  não sei como foi a arbitragem deste jogo (o resumo não mostra grandes erros mas isso não chega para ajuizar). Mas mostra, detalhadamente, o lance do penálti. Em particular há uma câmara atrás da baliza com ângulo suficiente para abarcar o campo. O guarda-redes e o defesa estão praticamente encaixados, os braços e as mãos praticamente paralelos (Podstawski vai ter insónias por uns bons dias). Entre eles e o árbitro, que estava cerca do topo da grande área, há uma verdadeira fileira de jogadores. O lance é rapidíssimo e imensamente agitado (a tal proto-lenda Trigueira). Assim sendo, é mais do que natural, até mesmo obrigatório, que o árbitro ou não tenha visto a infracção, pensando que era defesa do guarda-redes, ou que tenha tido dúvidas - e, nos penáltis, em caso de dúvida protege-se o defesa, mandam os mandamentos (ao contrário dos foras-de-jogo). Ainda assim, apesar de tudo isso, vejo críticas ao árbitro, quase luciliando-o. Caramba, mesmo tendo marcado o penálti e mesmo tendo o Sporting ganho a taça. Quando aprenderemos que as críticas excessivas minoram a consistência e os efeitos das críticas certeiras (e tantas há a fazer)?

 

Quanto ao Sporting? Viva a Taça. Que era objectivo, menor mas objectivo. O jogo da equipa parece curto para os outros objectivos - talvez seja do Inverno, apesar deste não ter vindo tão duro, como se sabe pela seca. Nada como o futebol glamouroso e dominante de há duas épocas, com um plantel então herdado pelo treinador quando o de agora é por ele escolhido, e assim tão transformado. Mas o que é certo é que aquela equipa teve 7 pontos de vantagem e, estuporadamente, deitou-os fora. Que esta deste ano, tão mais cinzentona, pesada, tão menos artística e explosiva, seja menos perdulária, mais utilitária. E ganhe. A la Fernando Santos. Com o "click" do Fernando Santos.

 

É o que espero. Que desejo. E que o Vitória assegure a manutenção. 

Quente & frio

Gostei muito da conquista da Taça da Liga - a primeira que vencemos após duas frustradas presenças em finais deste certame. Ainda mais saborosa porque a final hoje disputada em Braga foi contra o V. Setúbal, precisamente a equipa que nos derrotou na versão inaugural desta competição. Vingámos essa frustrante derrota de 2008 agora num estádio que congregou mais de 20 mil adeptos leoninos, incansáveis no apoio aos jogadores treinados por Jorge Jesus. É oficial: somos os campeões de Inverno da temporada 2017/18.

 

Gostei da nossa segunda parte, em que dominámos por completo e só não marcámos mais de um golo devido à soberba exibição de Trigueira, o guarda-redes sadino. Os últimos 45 minutos desta partida contrastaram em absoluto com a apagada e até medíocre primeira parte do Sporting, em que sofremos um golo logo aos 4'. Entre os nossos jogadores que se revelaram decisivos neste volte face, destaco uma vez mais Bas Dost, o melhor de verde e branco. Foi ele o marcador do penálti que empatou a partida, aos 78', e lançou o onze leonino para o desempate após o apito final do árbitro. Foi também ele a fazer dois grandes remates aos 75' - um dos quais seria travado em cima da linha da baliza, com um braço, pelo defesa sadino Postawski, que devia ter sido expulso de imediato mas acabou por se manter em campo. Foi ainda Dost a converter a primeira das cinco grandes penalidades da ronda do desempate que ditou a equipa vencedora.

 

Gostei pouco que tivéssemos de esperar pelo desempate por grandes penalidades, repetindo-se o que já acontecera há três dias na meia-final frente ao FC Porto. Mas desta vez estivemos ainda melhor: nenhum dos nossos jogadores falhou no momento decisivo. Vale a pena deixar aqui os seus nomes, pela ordem da conversão dos penáltis: Bas Dost, Bruno Fernandes, Mathieu, Coates e William Carvalho. Pormenor a reter: o Sporting continua invicto nas competições internas disputadas nesta temporada.

 

Não gostei que o árbitro Rui Costa demorasse três minutos a reconhecer o óbvio: que Postawski tinha impedido a bola de entrar na baliza do Vitória ao estender o braço quase em cima da linha de baliza. Foi necessária a intervenção do vídeo-árbitro, que impôs a verdade desportiva. Mesmo assim o árbitro voltou a estar péssimo ao exibir apenas o cartão amarelo ao defesa sadino, que devia ter sido expulso.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte, com o lesionado Gelson Martins ausente do onze e Montero de regresso à titularidade dois anos depois. Entrámos nervosos, sem conseguirmos ligar os sectores nem ganhar segundas bolas. Consentimos um golo logo no início da partida e deixámos o Vitória impor o seu sistema táctico neste período, em que as nossas alas ofensivas nunca funcionaram e os adeptos leoninos, impacientes, já assobiavam os jogadores. Bryan Ruiz (reincidente na falta de intensidade) e Rúben Ribeiro foram os elementos com exibição mais negativa. O treinador reconheceu isto mesmo ao remetê-los para o duche ao intervalo, fazendo entrar Acuña e Battaglia para aquelas posições. Com vantagem para a equipa, como rapidamente se comprovou: a segunda parte foi de sentido único, apenas com o Sporting em busca do golo. Felizmente conseguido.

Francamente... primeiros 45m

Não sei como vão ser os segundos 45m, mas se isto é a nossa equipa custa muito a acreditar. Não jogámos absolutamente nada nesta primeira parte, não conseguimos ganhar uma bola dividida, jogar para o lado e para trás começa a ser um hábito já demasiado enraizado. Muita lentidão na reposição das bolas pelas linhas laterais... não conseguimos fazer uma jogada completa. Muito mau... mesmo muito mau. Remates nem vê-los, a não ser aquele remate do Montero, que mais parecia um ensaio de rugby... Por favor tenham brio, garra, e ponham em campo a vontade para mudar isto no segundo tempo.

De pais para filhos e de filhos para pais

Ela 16 anos, já campeã, portanto. Ele o responsável por esse estatuto, que quem sai aos seus não degenera.    

Toca o telefone. Atendo.

 

- Pai, olá. - Sem tempo para retribuir a saborosa presença, do outro lado logo oiço: Ganhámos, caramba!!!

- Pimba! Ganhámos. Estamos na final.

- Grande Sporting. E logo contra o Porto. Não vi o jogo. Como é que foi?

 - 0/0 nos 90 minutos e vitória nos penáltis que não consegui ver. Não tenho nervos para aquilo. 

- Pois, imagino. - E ri-se. Um riso, primeiro, alimentado na cumplicidade que temos; a seguir, fruto do festejo da vitória conseguida em Braga. Bela partilha. Belo riso.

Ainda eu embalado e contagiado pela alegria de ambos, e, de novo, novo acerto.  

- Mas o Patrício estava na baliza, não estava? 

- O guardião das nossas redes, sim, estava. São Patrício, filha. Monumental. Fez duas defesas que nos deram a passagem. Pôs a baliza do tamanho de uma de hóquei.

- Contra o Porto. Que bem que sabe, pai. E agora a final!

- É, mas falta ganhá-la. Não ganhámos nada ainda. Jogamos contra o Setúbal que nos tirou dois pontos na última jornada do campeonato. Foi também com eles que perdemos a primeira final da Taça da Liga.

- Pois...

Passado um ligeiríssimo silêncio, tempo suficiente para a devida reflexão, confirmo que nesta coisa do sportinguismo já nada tenho a ensinar, só a viver em família.

- Espero que na final de sábado a equipa não se esqueça desses dois pontos perdidos no campeonato e jogue contra o Setúbal completamente decidida a ganhar o troféu. Somos melhores e mais fortes que eles, pai. 

Feita a análise, mais uma interrogação.

- E se ganharmos a final?  

- É uma festa. Mais um título. - Respondo.

- Mas vamos esperá-los ao estádio, não vamos?

Da minha boca é uma gargalhada que sai, irreflectida e sonora. Mais que isso, num repente transformada em mero ruído de tão isolada. Só eu ria. Do lado de lá, nem um som. Mas há silêncios mais ruidosos que a assembleia de Alvalade a vaiar o Carrillo, por exemplo. E este era um deles. Do lado de lá da chamada, berrava-me a incredulidade de uma filha, toda ela condenando o comportamento do pai, que achou descabida, cómica, anedótica, até, a ideia de celebrar o feito da equipa com a equipa que apoia, pela qual sofre e ensinou a apoiar. 

Era inevitável. Paulatinamente a gargalhada apaga-se, e no seu lugar instala-se a memória dos festejos do último título que conquistámos e que pai, filhas e amigos festejaram no estádio, na nossa casa.

Estamos à beira de o repetir. De ganhar mais um título. Como diz o 'slogan' de ser o Campeão de Inverno. É com títulos que nos engrandecemos. Quantos mais títulos conquistarmos maiores ficamos. Todos os títulos contam. Todos devem ser celebrados. Estamos na final. Estamos a um jogo de ganhar mais um troféu.

Quero muito todos os troféus, a começar, já, pelo de sábado. Viva o Sporting Clube de Portugal.

Pódio: Coentrão, Rui Patrício, Coates

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-FCP pelos três diários desportivos:

 

Fábio Coentrão: 17

Rui Patrício: 17

Coates: 16

Mathieu: 16

Piccini: 16

Bruno Fernandes: 15

Bryan Ruiz: 15

Battaglia: 15

William Carvalho: 15

Bas Dost: 13

Rúben Ribeiro: 13

Acuña: 12

Gelson Martins: 10

Montero: 6

 

A Bola elegeu Fábio Coentrão como melhor jogador em campo. O Record optou por Bruno Fernandes. O Jogo escolheu Coates.

Factos


  • A melhor oportunidade de golo na meia-final de ontem foi do Sporting, naquele petardo do Coates, aos 64', que fez tremer o poste de Casillas.

  • O árbitro perdoou um penálti grosseiro e clamoroso de Danilo sobre Bas Dost logo aos 5 minutos de jogo.

  • Nuno Almeida perdoou ainda uma expulsão a Marega, que apertou o pescoço a Fábio Coentrão com manifesta agressividade e ficou impune.

  • Fomos mais competentes na marcação dos penáltis.

  • Estamos na final da Taça da Liga. O FC Porto foi afastado.

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