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És a nossa Fé!

Os impunes

O blog “oficioso” do Benfica decretou ontem, depois de aturada “investigação” (hehehe, peço desculpa), que nada de nadinha vai acontecer ao Benfica, nem na justiça desportiva (hehehe, peço desculpa outra vez) nem na civil. O blog onde os adversários são insultados diariamente, com toda a espécie de adjectivos, onde todos os comentadores e autores são anónimos, é onde se pratica a forma mais ignóbil da cartilha: Lançam umas postas de pescada muito indignadas, para inglês ver, e com isso pretendem afirmar a sua independência em relação à actual direcção. Têm sempre muitos exclusivos, a piada que isto tem, usam e abusam de interjeições exclamativas, que de forma natural são muito bem aceites por quem os lê. A adoração de que são alvo nas imundas caixas de comentários, onde a boçalidade domina, revela a cepa da maioria dos adeptos daquele clube. Mas o mais curioso, ou não, ou não, é que um dos vários “anónimos” que escrevinha naquela imundice, que passa por ser um, senão o maior, analista técnico-desportivo, deste triste panorama em Portugal, escreve, orgulhoso, que nada vai acontecer ao Benfica porque… bem, porque a justiça desportiva acabou de decretar a absolvição do Porto e seus dirigentes, no famoso processo do Apito Dourado. Uma verdadeira pescadinha de rabo na boca, os que no passado tanto criticavam, e bem, a forma como o Porto conseguiu a maioria dos seus títulos, agora que pelos mesmos processos, senão piores, também ganham, servem-se de uma absolvição, um mero acto administrativo, depois da justiça civil já há muito ter decretado como ilegais as escutas onde se baseava toda a acusação, para justificar os seus próprios actos e poder afirmar que nada lhes acontecerá.

Dúvidas houvesse, que não há, este Benfica é de facto o herdeiro natural do Porto dos anos 90 e 00. Limpinho, limpinho.

Comissão Arbitral

Por hipótese académica, vamos imaginar que na empossada Comissão Arbitral existia um nomeado que na sua página de facebook tinha a seguinte frase: "Sou do Sporting e isso me envaidece..." Pior, era imaginar que no dia seguinte à tomada de posse da Comissão Arbitral, o presidente do clube rival era castigado.

 

Lógico que isto seria uma coincidência mas... 

 

Na verdade isto não é ficção, como seria de esperar o membro supra mencionado não é adepto do SCP. 

 

Saudações Leoninas

Tratar da vidinha

Não que fosse difícil, não o era claramente, mas acertei na data da “entrevista” que Luís Filipe Vieira concedeu ao jornal A Bola. Uma amena cavaqueira, onde logo no começo o senhor que faz as perguntas avisa, com recato mas também com indisfarçável orgulho, que as seguintes 7 páginas nos trazem a já tradicional entrevista ao presidente do Benfica de início de ano. Avisa-nos deste modo que estamos perante um serviço que lá pela travessa da queimada julgam ser imprescindível aos seus leitores. A conversa de café discorre leve e serena, com o senhor Delgado talvez embevecido com as prontas e desenvoltas respostas de LFV às suas inoportunas questões, não consegue contraditar o entrevistado com questões absurdas e que pouco interesse teriam para os dedicados e fies leitores. No cenário idílico e prazenteiro, sinónimo de excelentes festividades naturais desta época, tivemos acesso a um diálogo entre alguém que não tem coragem nem ordem para importunar gente crescida e gente crescida com respostas para não ser incomodado. Com direito a várias fotos de estadista, naturalmente sobressai uma foto central onde acidentalmente aparece o patrocinador das camisolas do clube, A Bola resolve auxiliar ainda mais este patrocinador com uma legenda gorda com alusão a viagens aéreas de sonhos (ainda, presumimos, restos da quadra festiva). Com souplesse passa por cima de assuntos vários que poderiam trazer questões delicadas associadas, mas que raio, estamos numa conversa de café, com sonhos a levantarem voo, não havia claro qualquer necessidade de ali introduzir questões que pudessem manchar a dignidade do jornal. Assim ficamos todos a saber que por opção do presidente do Benfica o famoso kit que é oferecido a todos os árbitros que, sortudos, vão à luz participar na festa, já não possuem um jantarinho para 4-pessoas-4, em doses individuais. O maroto do garoto impede assim a magnanimidade do líder encarnado, por que a cortesia era simplesmente isso, uma cortesia de centenas de euros. Vai também haver um hotel do Benfica (como já li no twitter, sem elevador, para os convidados serem levados ao colinho). De resto temos os lugares comuns de serem superiores a todos, humildes e trabalhadores. De não agitarem nem maldizerem o futebol luso, como o garoto, porque não devemos chafurdar na lama pois inadvertidamente podemos estar a impedir negócios multimilionários que se perspectivam para o novo ano que agora começa. Amiúde o senhor que coloca as questões fala de saídas de alguns jogadores, questões essas prontamente respondidas com ar, mas ar do aceitável, daquele que não permite contraditório. São deste modo preenchidas 7 páginas da edição de hoje d`A Bola. No fim o senhor que coloca as questões, rendido ao esplendor que ilumina o líder que tem na sua frente, poisa a pena e exulta com a cabeça entre as orelhas; entrevista difícil mas perfeita, o objectivo foi cumprido, aprende Diamantino.

O novo sistema

No seguimento de ter lido que Jorge Sousa obteve nota positiva após a sua paupérrima exibição no ultimo derby, não consigo não esconder a minha preocupação. Parece que impera um novo sistema e que após o apito dourado, temos agora o apito encarnado.

Resta saber quanto tempo vamos ter de esperar até serem tomadas medidas para punir quem adultera a verdade desportiva. Urge acabar com a impunidade de que certas figuras e instituições gozam, sob pena de, qualquer dia, nem valer a pena entrar em campo, tal é a viciação do jogo. É simplesmente nojento o clima que se vive atualmente no futebol nacional, e o triste é que parece que o mal veio para ficar. É que têm sido umas atrás de outras. Resta saber qual será a próxima

Manto de silêncio

Procuro na imprensa desportiva cá do burgo ecos da investigação multijornalística que está a abalar a Europa do futebol: o desvio para paraísos fiscais, designadamente as Ilhas Virgens britânicas, de centenas de milhões de euros em receitas publicitárias de craques da bola "aconselhados" por empresários do sector a ludibriar as autoridades tributárias.

Em vão: nem uma linha dedicada ao escândalo do Football Leaks. Só um doce e recatado manto de silêncio.

No pasa nada, hombre. As coisas são o que são.

A máquina de intoxicação (1)

16 de Maio:

«Slimani de saída do Sporting?»

 

10 de Junho:

«Slimani decidiu que quer sair já do Sporting»

 

17 de Junho:

«Slimani quer sair do Sporting»

 

17 de Junho:

«Slimani quer sair para outros campeonatos»

 

25 de Junho:

«Mais dinheiro não consegue convencer Slimani a ficar»

 

27 de Junho:

«Slimani incontactável nos últimos dias»

 

27 de Junho:

«Slimani não atende chamadas»

 

29 de Junho:

«Slimani "força" saída de Alvalade»

 

4 de Julho:

«Slimani está farto de Bruno de Carvalho»

 

5 de Julho:

«Slimani já treina, mas quer conversa privada com Bruno de Carvalho»

 

 

O sistema

Pois é Pedro, o sistema. E então quando envolve uma modalidade "periférica" e uma cidade "periférica", ainda fica mais autista. Dá-me a impressão de que ninguém se apercebeu, mas durante o fim-de-semana o ABC de Braga ganhou a Taça Challenge de andebol. O esquecimento deve ter que ver com o facto de o adversário na final ter sido o Benfica - se tivesse sido o Benfica a ganhar, o chavasco que não se faria... Isto não é um feito qualquer: até agora, só o Sporting tinha uma taça europeia (a mesma Challenge, de 2010) na modalidade. Isto prestigia mais o desporto português do que as passagens normalmente olvidáveis das equipas de futebol pelas competições europeias. Mas a quem é que interessa um troféu europeu numa modalidade de referência? Seja como for, dois grandes êxitos bracarenses.

Os comentadores do sistema

Ronda televisiva de ontem à noite. Em vez de sublinharem os méritos do Braga, diversas vozes sublinhavam apenas os erros do FC Porto. Incapazes de analisar o futebol para além do esquematismo dos "três grandes". Como se Portugal - e o futebol português - se circunscrevesse a Lisboa e Porto. E tudo o resto fosse paisagem dispensável.

Mais palavras para quê? São os comentadores que temos. Incapazes de se distanciarem do sistema. Porque fazem parte dele também.

A teia

Cabe na cabeça de alguém um clube apoiar financeiramente e de forma directa a formação de árbitros numa competição em que esse mesmo clube participa?

Faz algum sentido que árbitros dependam financeiramente, para conseguirem atingir os seus objectivos, de um clube e anos depois esses mesmos árbitros poderem ter um papel fundamental, ao ter que tomar decisões que vão influenciar de forma decisiva o trajecto desse mesmo clube? Que essa formação de árbitros seja dada por um árbitro, António Rola, que já teve, ou mantém, ligação profissional ao clube benfiquista?

Faz sentido haver jornalistas contratados pela UEFA que indicam, como frase a gravar no autocarro da selecção nacional durante o europeu em França, o slogan do benfica quando contratou Rui Vitória?

Faz sentido haver jornalistas que festejem golos do benfica quando estão no desempenho da sua actividade profissional?

Faz sentido um presidente de um clube afirmar sem rodeios que mais importante que contratar bons jogadores são as pessoas que se conseguem meter nos lugares chaves da organização do futebol luso?

Faz sentido que todas as decisões de um órgão sejam, passados uns meses e depois dos castigos serem cumpridos, totalmente revogadas e nada aconteça?

Faz sentido que clubes que competem com o benfica mantenham dependências financeiras com esse mesmo clube e que os resultados registados nos seus jogos sejam uma verdadeira anormalidade?

Faz sentido a não utilização de alguns jogadores mesmo sem ligação oficial ao benfica nos jogos contra este clube?

Faz sentido presidentes e treinadores de alguns clubes quase festejarem derrotas do seu clube com o benfica e ficarem desoladíssimos quando perdem contra o Sporting? 

Faz sentido a protecção aos jogadores do benfica ao longo deste campeonato onde nem um vermelho directo ou por acumulação registaram? Mesmo perante agressões nítidas?

Faz sentido haver jornalistas que ocupam cargos de direcção em jornais desportivos, que fazem questão de mostrar a quem quiser e disso fazem gala, o seu ódio primário ao Sporting? 

Fazem sentido os textos encomendados, escritos por esses mesmos jornalistas, a tentar promover um jogador apenas para servir o interesse e necessidade absoluta do benfica em vendê-lo para não entrar em falência?

 

Durante 30 anos tivemos em Portugal o domínio de um clube, todos sabemos como foi conseguido esse domínio. Com estratagemas de fruta e café com leite, com agressões físicas e intimidações, esperas em garagens e a elevação de um bando de criminosos a figuras de proa, guarda pretoriana dos que ocupam as cadeiras do poder. Foi durante este reinado de terror - que vive hoje o seu estertor e vive-o como o deve viver, a caminhar para o seu ocaso,  a saque e sem que ninguém tenha coragem, muitas vezes física, de sequer se candidatar a eleições - que este clube conseguiu 90% dos seus títulos. 

Pois bem, foi este o modelo que o benfica achou por bem copiar. Sabemos que quase sempre a cópia nunca é melhor que o original, mas aqui isso pouco interessa. Durante anos foram tecendo a teia de interesses englobando estruturas federativas e da Liga e trouxeram uma novidade, o completo e quase unânime controlo da comunicação social desportiva. Assistimos hoje a situações verdadeiramente vergonhosas a cada jornada e nada, absolutamente, é investigado, ou sequer questionado, por parte da imprensa dita especialista em futebol. Assistimos a pseudo-jornalistas, muitas vezes com um claro défice comunicacional, com assento regular em infindáveis programas de futebol, a fazer o papel para o qual foram designados, branquear e proteger. Limitar danos e impor uma narrativa para que passe a ser a única verdade.

Quando entramos em campo não defrontamos apenas 11 jogadores de um adversário. Defrontamos um sistema implementado com o objectivo de nos destruir. Defrontamos privilégios em vigor há décadas. Teias de interesses que extravasam em muito o mundo do futebol. Amizades, melhor, compadrios, entre pessoas que deviam, pelos lugares que ocupam, defender um interesse contrário, mas que actuam para benefício próprio.

Lutamos contra organizações que sugam até ao tutano o negócio do futebol, acenando com milhões quando sabemos que tudo não passa de um esquema e que o fim é sempre o mesmo, com a falência do clube, quando todos à sua volta se ficam a rir de bolsos cheios de comissões.

Todos gostamos de ganhar, é para isso que jornada a jornada lutamos. Mas para ganhar não vale tudo (máxima do ainda líder portista e seguida pelo líder benfiquista). Há quem não se importe de apoiar um clube que assenta as suas vitórias na generalidade destes processos. Mas é isso que nos diferencia; No Sporting não queremos ganhar de qualquer maneira e a qualquer custo. Queremos ganhar de forma limpa e justa e tenho a certeza que o iremos conseguir.

A verdade prevalecerá.

Casa de apostas

Vamos lá apostar:

1 -  Quando sai o castigo a Slimani?

2 - Para qual dos dois próximos jogos do Sporting o árbitro João Capela é nomeado? Para Guimarães ou contra o benfas?

As minhas apostas:

1 - O castigo a Slimani sai dia 3 de Março e vão ser dois jogos de suspensão.

2 - João Capela vai ser o árbitro do Sporting-benfica.

Um homem vulgar

O líder dos árbitros e do órgão que tem como função nomeá-los semanalmente, deu uma extensa entrevista a um jornal desportivo. Nada demais, a comunicação é uma das chaves do sucesso de uma organização, ficar fechado no seu casulo não é de todo a melhor opção. Mas falamos de Vítor Pereira, um árbitro que, curiosamente, quando no activo sempre se declarou sportinguista. Um Garrido dos tempos modernos. Conhecendo a personagem, de anteriores declarações, não seria de esperar afirmações muito diferentes das proferidas. Foi um ataque do início ao fim a quem defende mudanças estruturais na organização do futebol. Foi uma reacção corporativista de defesa dos interesses instalados. Não se coibiu de atacar frontalmente um dos clubes, por acaso actualmente em primeiro lugar do campeonato. Tomou partido declarado ao apoiar uma prática ilegal efectuada por um clube desse mesmo campeonato, tentando confundir deliberadamente a opinião pública, metendo ao barulho uma camisola e desse modo escondendo por um lado o que de maior valor tem a oferta (os famosos vouchers para jantar em família) e pior, desvalorizando uma prática que deve e tem que ser condenada por todos os dirigentes do futebol português. O líder dos árbitros veio assim, já que pelos vistos o presidente do Sporting na sua teimosia contra o sistema, ainda não se dobrou com os constantes avisos dos árbitros em campo, clarificar a posição dos árbitros; ou o Sporting pára com as suas ideias de renovação e mudança no futebol português ou as consequências serão ainda piores do que já está a acontecer. A partir deste fim-de-semana os árbitros têm, mais ainda, as suas costas protegidas. A mensagem foi clara. Deve manter-se o status quo, devem com as suas actuações lembrar e relembrar se tal for necessário, que aqueles que idealizam um futebol mais transparente, mais justo, com regras claras, que quem em Maio chegue em primeiro lugar o faça por ter sido o melhor em campo, devem ser travados nas suas intenções. Para o líder dos árbitros o sistema implementado deve manter-se e se possível conseguir excluir de vez aqueles que a ele se opõem. A 2ª volta do campeonato vai ser travada entre um clube, o Sporting, com 11 jogadores a iniciar os jogos. Contra teremos sempre a equipa adversária e o líder dos árbitros. À equipa arbitral nomeada para os nossos jogos cabe a tarefa de ou desempenhar as suas funções com responsabilidade e honra ou acobardar-se, pensar em futuros benefícios e seguir as ordens instituídas pelo sistema.

A mentira por sistema

Sexta-feira, um árbitro português sem a menor categoria para apitar desafios importantes validou um golo do Tondela ao Sporting marcado com a mão. Esta noite, um árbitro turco supostamente qualificado para apitar confrontos na Liga dos Campeões perdoou ao CSKA um penálti claríssimo, após um defesa russo ter desviado com a mão a bola que Slimani iria disparar para a baliza.

Há mãos a mais num jogo que só devia praticar-se com os pés e a cabeça. Motivos redobrados para dar razão a quem advoga a utilização imediata da tecnologia digital em prol da verdade desportiva nos estádios europeus e o sorteio dos árbitros ao nível das competições profissionais portuguesas.

Enquanto isso não acontecer, veremos a mentira sobrepor-se por sistema à verdade. Aconteceu há dias, aconteceu há horas, acontecerá sempre.

Balancete

Percebeu-se esta época que os novos donos dos cordelinhos residem ali para Carnide. A maneira como o Benfica ganhou este campeonato, sem mostrar jogo de jeito, mas mantendo-se sempre no primeiro lugar, mostra uma coisa: depois de 30 anos em que o "sistema" estava no Norte, agora está do outro lado da nossa rua. O ano passado não tenho dúvidas de que o Benfica mereceu ganhar o campeonato. Tinha grandes jogadores e jogava bem. Mas este ano chegou a ser penoso ver alguns dos seus jogos e a maneira como o "colinho" os foi resolvendo. O presidente do Sporting, por aquilo que vai dizendo, já mostrou que percebe onde está a nova sede do sistema. Mas isso não basta. É preciso fazer qualquer coisa para contrariar isso. Porque senão o presidente ficará como uma espécie de boca da verdade, tão correcta no que diz quanto inútil no que faz.

A carneirada

O Sporting está a organizar durante estes dias, acaba hoje, um congresso denominado The Future of Football. Participam diversos actores do mundo do futebol nacional e internacional. A cobertura por parte da comunicação social portuguesa é pouco mais que zero. Quando quiserem saber o que é o sistema, está aqui um exemplo.

Controlo de Doyenos

Para além da linda fotografia abaixo, vale a pena conhecer os primeiros passos do encantador casalinho: "Benfica e FC Porto vão testemunhar contra o Sporting no caso Doyen".

A coisa é muito simples: o maior aliado do Porto no início do seu domínio, nos primeiros anos da década de 80, foi o Benfica de Fernando Martins; o maior aliado na segunda vaga de domínio, nos anos 90, foi Manuel Damásio (Pinto da Costa chegou a ser presidente da Liga, pela mão de Damásio); agora é o que se vê, com Luís Filipe Vieira.

Vamos lá a acabar com a converseta benfiquista de que o Sporting foi, nos últimos anos, o lacaio do Porto. Sim, prestou-se a papéis do género, mas nunca a esta escala e de forma tão recorrente e decisiva.

O grão-duque

O Sporting é muitas vezes acusado de ter feito panelinha com Pinto da Costa. Não nego que o tenha feito, e isso é algo que não honra quem o fez. Mas nunca o Sporting escancarou as portas do sistema a Pinto da Costa como Manuel Damásio fez enquanto presidente do Benfica nos anos 90. Foi a aliança de Damásio com Pinto da Costa que deu origem à segunda grande vaga de domínio do futebol português pelo FCP. Agora, o Benfica, pela mão de Luís Filipe Vieira, volta ao local do crime. Acho que estamos conversados quanto a moralidade para acusar o Sporting de pactuar com o pior do nosso futebol.

 

É claro que há muito tempo que Benfica e Porto participam na panelinha da "bipolarização", cujo grande propósito é tornar o Sporting irrelevante. O Benfica sempre foi o clube do sistema desde os anos 60, com maior ou menor controlo do dito; o Porto criou o seu sistema local, que depois conseguiu expandir para o nível nacional, chegando mesmo a destronar o Benfica no topo dos meandros sistémicos. Podem rivalizar em muitas coisas, mas numa estão de acordo: o futebol português é deles, e o Sporting é um empecilho para a concretização disso. A coisa até parecia estar a correr bem nos últimos anos, com o Sporting a tornar-se efectivamente cada vez mais uma memória do passado, umas meras camisolas listadas a arrastarem-se por aí. A impertinência da actual direcção do Sporting foi recusar esse papel. Os meninos não têm gostado nada disso e têm-no feito saber. A materialização mais clara desta reacção é Luís Duque na presidência da Liga, uma coisa feita com requintes de provocação. A história é triste, mas tem uma vantagem: obrigou a mostrar onde estamos e quem está com quem. Como é que era a história das nádegas?

 

Quanto a Luís Duque, nem sei bem o que dizer. Percebo que ser processado pela direcção do Sporting, tenha esta ou não razão, é algo a que ele não poderia ficar indiferente. E seria mais do que suficiente para romper de forma bem violenta com a direcção. Mas uma coisa é demonstrá-lo através, por exemplo, da luta interna, de artigos de jornal, da constituição de uma equipa de oposição à actual direcção. Outra é oferecer-se para capacho de um projecto cujo óbvio propósito é arrasar o Sporting enquanto clube. Estamos esclarecidos.

A boca no trombone

Como a falta de memória é enorme no futebol português, vale a pena lembrar algumas das finas expressões que Luís Filipe Vieira endereçou a 26 de Novembro de 2011 ao agora putativo presidente da Liga de Clubes, conforme ficou provado em acórdão do Conselho de Disciplina da mesma Liga que em Julho de 2012 condenou o presidente do SLB a 45 dias de suspensão:

«Devias ter vergonha!»

«Era para isto que vocês queriam controlar tudo!»

«Era para isto que queriam que a gente controlasse a arbitragem!»

«Foste tu que me disseste que tínhamos que controlar tudo!»

«Não me faças falar, não me obrigues a pôr a boca no trombone!»

Segundo a participação de Duque, Vieira terá ainda declarado o seguinte naquela data, logo após a realização de um Benfica-Sporting:

«Não tens vergonha, chulo, bandido!»

«Não tens vergonha, vai jogar à bola, vai para o c...!»

{ Blog fundado em 2012. }

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