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És a nossa Fé!

Hoje giro eu - A doutrina de Jesus

Jorge Jesus pode ter alguns defeitos, mas a verdade é que doutrina entre os treinadores portugueses. Andava Rui Vitória desesperado - na indefinição entre o 4-3-3, modelo táctico que lhe tinha dado bons resultados em Guimarães, e o 4-4-2 com alas bem abertos, legado e fórmula de sucesso de JJ nos dois anos anteriores - quando decidiu adoptar (chamemos-lhe assim) a inovação que, entretanto, Jorge Jesus introduzira no Sporting: João Mário na ala, partindo daí para movimentos interiores, criando superioridade numérica no meio-campo. Estávamos em 2015 e o recurso a Pizzi, jogando no corredor direito, viria a valer um campeonato. Antes, colocara Guedes e Gaitán nas alas, na Luz contra o Sporting (Pizzi a "8"), e o resultado tinha sido desastroso...

Ontem, em jogo da Taça da Liga frente ao Braga, Rui Vitória experimentou pela primeira vez este ano o 4-3-3 (os entendidos dirão que é um 4-2-3-1), com Krovinovic a fazer de Bruno Fernandes, mais uma vez replicando tardiamente (em 15/16 ainda foi a tempo) o que JJ vem fazendo desde o início da época. Este detalhe é importante porque RV tinha Gabigol disponível para fazer de Jonas e preferiu metê-lo numa ala. Não será tão fácil, no entanto, este modelo vingar e por uma simples razão: Jonas, o segundo avançado no modelo 4-4-2, é só o melhor jogador do Benfica e por uma larga margem. Assim sendo, como coabitar Jonas neste sistema? A única solução seria abdicar do ponta-de-lança puro (Seferovic ou Jimenez) e deixar Jonas solto na frente, jogando com um meio-campo a 3 formado por Fejsa, Pizzi e Krovinovic, apoiados nas alas por Sálvio e Cervi (ou Zivkovic). Esta solução tem prós e contras. A favor, a idade de Jonas e a necessidade de poupá-lo a uma excessiva deriva por caminhos extenuantes longe da baliza; contra, o facto bem provável de o brasileiro render mais quando não é uma referência fixa na frente. Apesar de tudo, não me admirava nada que Rui Vitória testásse este modelo em Basileia.

Uma coisa é certa: com melhores ou piores resultados, Jesus doutrina. Que continue, mas desta vez de olhos bem abertos, sem soberbas e a dar o devido mérito aos seus jogadores (algo que tem sido uma realidade este ano).

 

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Não te deslumbres, Rui Vitória


"Se isto fosse fácil não seria para mim." 

10 de Agosto de 2015

 

"Vai jogar uma equipa, que somos nós, contra onze jogadores do Sporting, não sei se será uma equipa."

24 de Outubro de 2015

 

"Na minha lista de prioridades, primeiro estou eu, a minha família, os meus jogadores, o staff do Benfica. E lá para nonagésimo lugar vem o treinador do Sporting, depois de outros ex-colegas meus, das senhoras que nos fazem os pequenos-almoços, de um vendedor de pipocas numa festa onde estive e de um motorista que um dia me levou a Fátima."

15 de Maio de 2016

 

O homem com mais sorte do mundo?

 

 

Será Rui Vitória o homem mais sortudo do mundo? Talvez, mas talvez não seja apenas isso.
Há qualquer coisa no treinador do Benfica de desconcertante. Tem um aspecto entre o simpático e o indiferente, é pouco activo no banco, desinteressante nas conferências de imprensa e nas entrevistas, insosso nas opções e a sua equipa espelha isso mesmo. Desde o ano passado, e a seguir ao choque das primeiras jornadas, que o Benfica joga um futebol feijão frade com atum. Chato, indefinido, maçudo mas de uma eficácia terrível porque no fim lá chega o golo, ou os golos. É como se nos pusessem o feijão frade com atum à frente e por acaso até nos apetecesse comer aquilo.
Sempre que Vitória tenta ir além daquilo que sabe, sempre que “inventa”, dá-se mal. O que podemos dizer é que tem a esperteza de retroceder muito rapidamente, numa conduta defensiva e pouco audaz, mas que é recompensada por vitórias atrás de vitórias atrás de vitórias, com golos fabulosos, golos que é só empurrar, golos que resultam de lances estranhos, golos caídos do céu, auto-golos e golos-golos.
Definir o futebol do Benfica, tri-campeão e principal favorito ao título, é complicado e trabalhoso. Acho que essa é uma das partes que pica JJ, essa falta de afirmação e hubris no modelo, que (para ele JJ) são tão essenciais quanto as vitórias.
Mas Rui Vitória tem algo mais que creio lhe é dado por um agudo sentimento de sobrevivência. Enquanto JJ não tem medo de nada e até tem gosto na vertigem, RV deixa-se estar sossegadinho no seu canto porque sabe que à mínima será posto a andar. Por isso roda guarda-redes (sabe que a administração precisa de vender Ederson ou até Júlio César); por isso aposta em Horta, Nélson, Guedes, José Gomes (porque sabe que Vieira está apaixonado pelo Seixal), por isso vai dando chances a Carrilho (porque sabe que para Vieira o Sporting não se pode ficar a rir), por isso faz avançar Luisão (porque sabe que os fogos se começam a combater com prevenção). RV também já percebeu que o Benfica é um clube grande e influente e que haverá muita decisão de arbitragem dúbia que pingará para o seu lado. Acho que também é por isso que arrisca pouco, como acho que esse é um dos factores que JJ ainda não incorporou, esse de que o espectro Benfica assombra mais a malta de apito que o espectrozinho Sporting.
Vejo aqui muita inteligência emocional no treinador do Benfica, um homem que do meu ponto de vista faz e fez mais pelo clube do que se calhar os adeptos, ocupados a odiar JJ, julgam.
Rui Vitória tem beneficiado de um Porto desorientado (mas que mesmo assim lhe ganhou em casa) e de um Sporting tão excitado tão excitado que atrai para si todo o tipo de atenções, esquecendo-se o próprio Sporting que está longe de ter mesmas as armas do Benfica.  
Mais do que sortudo, RV parece-se ser o mais sensato e ladino homem no futebol português actual. E isso é meritório.

Kill your darlings

Rui Vitória está feito um homem. Pelo menos, visto de longe, certo, era isso que queria dizer. Disse hoje no jornal do Benfica que João Gabriel e Pedro Guerra andam a meter água: que o título resulta do seu "trabalho apuradíssimo" e não dessa coisa de terem todos "dado as mãos". Cuidado. O homem não está apenas a renegar a inspiração evangélica que sopra da catedral: está também a dizer que vai cortar menos as unhas dos pés para se sentir mais alto. Estará o lampianismo messiânico em crise de identidade?

Os pedreiros levantam-se às 6

Estava a acabar de colocar o pacote do vinho na minha lancheira quando ouvi alguém dizer que o Rui Vitória tinha dito qualquer coisa sobre determinado assunto. Eram 6 da manhã. Havia já uma fila de estucadores e pintores ucranianos (todos eles foram médicos e engenheiros no seu país) que esperavam pela sua vez para entrar na casa de banho, e eu tinha de chegar à obra antes das 7. Os outros pedreiros já estavam dentro da carrinha do sub-empreiteiro à minha espera. É uma boa carrinha de 9 lugares onde cabem facilmente 14 pessoas. Não sejamos mal agradecidos. Há meses que o condutor diz isto. Sentei-me como Deus deixou no meio daquela multidão. Meti a lancheira entre as pernas, e comecei a sentir-me ligeiramente queimado com o calor da dobrada do almoço. Aguentei-me: trolha que é trolha, aguenta tudo. Acho que disse isto em voz alta, porque um dos outros gajos grunhiu qualquer coisa como «não se responde quando os rivais estão no chão». Abanei a cabeça, e devo ter dito que sim.

Questões pós-dérbi

1. Isto é tudo um plano para manter o Vitória a treinador do Benfica, não é? E no fim levamos o caneco na mesma, não é?

 

2. Lá vi o Sanches jogar ao vivo pela primeira vez. O tipo é mesmo a fraude que a gente sempre disse que era, não é?

 

3. Quantas bordoadas por jogo pode dar o Sanches sem ver cartão ou ser expulso?

 

4. O Jesus faz aquele número do Teo só para nos chatear, não faz?

 

5. O Bryan Ruiz faz aqueles números em frente à baliza de propósito, não faz?

Dia de Jorge Jesus à luz da comunicação social (e) do benfica.

6h00 – Jorge Jesus acorda. Rui Vitória sente-se indignado por Jorge Jesus acordar a um horário que lembra as temporadas no benfica.

 

7h00 – Jorge Jesus toma o pequeno almoço pondo queijo vitória na torrada, Rui responde dizendo que não admite este tratamento de inferiorização por parte do antecessor.

 

8h00 – Jorge Jesus pega no carro metendo a primeira. Rui Vitória relembra que ainda há muito campeonato pela frente e que antes de sair de casa conseguiu meter mais 5 vezes a primeira do que JJ, esquecendo-se que efectivamente tinha engatado 8 vezes a marcha-atrás.

 

9h00 – Jorge Jesus começa o treino. Chama Gelson e Matheus para acertar pormenores tácticos. Sai capa adicional d’ A Bola, em letras gordas dizendo, Vitória na formação: Renato Sanchez no Man. United por 50 milhões de euros.

 

11h00 – Jorge Jesus dá uma conferência de imprensa falando do estado do campo. Rui Vitória entra atrasado (depois de pagar um bolo rei à equipa) referindo que não entra em jogos psicológicos, e que para batatais ele dará a resposta.

 

13h00 - Jorge Jesus come bifes de cebolada. Rui Vitória sente-se ofendido e denegrido por um colega de trabalho, dizendo que não aceita ser comido de cebolada.

 

15h00 – Jorge Jesus inicia o treino com marcação de penáltis. Rui Vitória dá uma entrevista dizendo que a sua equipa não precisa de penáltis para continuar na corrida do título, que ganham por mérito próprio, sendo exemplo disso a 15º Jornada.

 

17h00 – Jorge Jesus olha para o relógio e sorri. Rui Vitória sente-se desdenhado pelo colega de profissão, uma vez que o sorriso deste relembra-lhe os sete golos sofridos contra o Sporting esta época.

 

18h00 – Jorge Jesus dá o onze titular aos jogadores. Pedro Guerra fala na CMTV dizendo que  ao alinhar com estes jogadores ele, seguramente, está em PÂNICOOO.

 

20h50 – Jorge Jesus enaltece a qualidade do futebol praticado pelo Sporting. Rui Vitória recorda o minuto 70... e Gonçalo Guedes refere que não ganhou a melhor equipa, respondendo assim três vezes à pergunta “qual o seu grau de escolaridade?”.

 

22h00 – Jorge Jesus chega a casa e vai ver os resultados dos jogos do porto e do benfica. Rui Vitória fala em obsessão do treinador do Sporting com o benfica, dizendo que só ele pode ser obcecado pelo benfica, numa obsessão tão obsessiva que chega a ser obsessiva a obsessão que este homem obcecado, tem pelo Jesus.

 

(Qualquer semelhança com ficção é pura realidade.)

Caminharei

Dedicado ao Senhor Estrutura e ao simpático treinador do Atípico de Carnide:

 

Caminharei, caminharei...

 

Pela tua estrada, Estrutura.
Dá-me a tua mão, quero ficar
P'ra sempre junto de ti.

 

Senti-me só, só e cansado do mundo, 

Quando perdi o amor
Tantas pessoas vi, então, junto a mim;
Ouvi cantar assim:

 

Caminharei... 

 

Não entendia, mas fiquei a ouvir
Quando o Estrutura me falou,
Ele me chamava, precisava de mim
E eu respondi assim:

 

Caminharei... 

 

Não me importa se alguém ri de mim,
Ele certamente não sabe
Do grande dom recebido naquele dia
Quando eu disse ao Estrutura assim:

 

Caminharei... 

 

Às vezes estou triste, mas olho em redor
Descubro o mundo e o amor;
são estes dons que ele nos dá,
Volto feliz a cantar:

 

Caminharei...

 

{ Blog fundado em 2012. }

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