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És a nossa Fé!

Francisco Geraldes

Outra grande partida do jovem da nossa formação emprestado ao Rio Ave na vitória fora de casa, por 3-1, que a equipa vilacondense acaba de arrancar ao Tondela, num estádio sempre difícil. Como bem sabemos.

Francisco Geraldes foi carregado em falta, conseguindo o penálti de que resultou o primeiro golo da turma forasteira - muito bem treinada por Miguel Cardoso - e teve intervenção decisiva no segundo golo com um passe rasgado que funcionou como assistência.

Grande exibição num jogo que foi emotivo até ao fim. Merecida vitória dos verdes-e-brancos de Vila do Conde, com golos de Pelé, Guedes e Ruben Ribeiro.

O dia seguinte

José Ribeiro, Record: «O triunfo do Sporting em Vila do Conde (1-0) valeu muito mais que os três pontos no sentido em que a equipa leonina ultrapassou adversidades que há um ano a atiravam ao chão com alguma facilidade. Não foi apenas a lesão prematura de Mathieu (29') ou a boa acção do VAR (69') que anulou a Bruno Fernandes o golo festejado. Foi essencialmente a capacidade dos jogadores em correrem atrás daquilo em que se tornara difícil acreditar: a vitória.»

 

Rogério Azevedo, A Bola: «O leão entrou em campo como se fosse um gatinho abandonado. Nem parecia ser o leão, vice-rei do campeonato. Era, apenas e só, sombra de si próprio. Esfomeado, mas sem garra para ir em busca de comida; talentoso, mas deixando o talento a 350 quilómetros de distância; esforçado, mas aparentando pouca força para rugir e mostrar as poderosas garras. Teve ainda o azar de ter como adversário um rio pujante, que ia destroçando as margens que o oprimiam e que esteve quase-quase a ser verdadeiro mar.»

 

Rui Miguel Gomes, O Jogo: «Não foi um resultado justo. Não o foi, mas paradoxalmente acabou por ter um travo a prémio para Jesus, pela forma como foi remediando a equipa, deixando-a mais próxima de tirar um triunfo a ferros, mesmo que a estrelinha de Rui Patrício fosse dando alento ao colectivo, que andou perdido durante meia partida.»

 

Dos jornais de ontem

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Rui Patrício foi guardião do(s) Arco(s) do Triunfo

A haver justiça no futebol - e (ao longo dos anos) ninguém melhor do que um sportinguista sabe que não há -, o Rio Ave teria ganho este jogo disputado no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde. Com 22 remates (contra 7) e 58% de posse de bola, a equipa vilacondense magistralmente treinada por Miguel Cardoso foi superior ao Sporting, mas acabou por perder a partida. O causador deste paradoxo foi o "arqueiro" (denominação brasileira para guarda-redes) Rui Patrício: duas defesas, uma em cada parte, qualquer uma delas candidata ao prémio de melhor "parada" do campeonato - indo buscar a bola ao ângulo superior, lá bem onde a "coruja dorme" - para além de outras duas bolas, defendidas por puro instinto, acabariam por ser os momentos-chave que permitiram ganhar tempo para a entrada em cena do inevitável carteiro Dost, o qual com uma cabeçada mortífera selou uma dificílima vitória leonina. Não foi uma questão de sorte, mas sim de talento, inspiração, trabalho e preparação de Rui, o Homem Elástico, que deu uma resposta cabal a quem possa ter considerado exagerado o meu comentário aqui.

O Rio Ave entrou bem, contornando sem problemas a tentativa de pressão à saída da sua área por parte dos avançados e médios leoninos, a qual de tão trôpega se assemelhava ao jogo da "cabra cega". 

Jesus errou quando lançou apenas dois médios centro no desafio. Não só Bruno Fernandes se desgastou sem sentido, num desdobramento constante entre defesa e ataque, como William, uma vez mais, mostrou que contra boas equipas não tem a intensidade suficiente para jogar nesse sistema, passando a maior parte do tempo num universo paralelo ao do portador da bola. A solução estava no banco e chamava-se Rodrigo Battaglia. A equipa melhorou bastante com o argentino em campo, especialmente quando passou a jogar à frente de William. Foi daí que irrompeu numa cavalgada, por sugestão de Acuña, que terminaria num centro de régua e esquadro para a cabeça do holandês voador.

No balanço final, JJ tentou diluir a estatística de remates do Rio Ave, esboçando uma comparação com o rugby, em vez de ter tido a humildade de reconhecer que levou um ensaio de táctica (o seu ponto forte) de Miguel Cardoso. Foi galo, não Gales, caro Jorge "jogam sempre os mesmos até estourarem" Jesus. Este, não deixará de marcar uma época pelo seu engenho, mas ontem salvou-se por ter melhores jogadores de campo e um guarda-redes de enorme categoria, o que fez toda a diferença.

Duas notas finais: uma para o VAR, que anulou (bem) um golo a Bruno Fernandes, ignorou (bem) uma possível penalidade (em caso de dúvida não sinalizar nada) sobre o mesmo jogador e sancionou (no limite) o golo de Dost (os braços não contam para o fora-de-jogo); última nota para o argumentário do senhor Nuno Farinha: o Sporting "só" ganhou 2 jogos nos últimos dois que disputou...  

 

As notas dos nossos jogadores, em escala musical:

 

Rui Patrício - É um pássaro? Um avião? Não. É o Super-Homem! Atrás da personalidade calma e avessa às luzes da ribalta de Rui Patrício - o Clark Kent leonino que vive em Alcochete - esconde-se um herói cujos super poderes estão a mudar a história do clube de Alvalade. Por detrás daquelas luvas, não há kryptonite que o ameace, nem vedetite que o afecte. Ele é a nossa FÉ!

Nota: Dó Maior

 

Piccini - Um dia negro na vida do italiano: o jogo estava a correr-lhe mal. Complicativo, perdia bolas à saída do seu meio campo e não conseguia chegar à linha de fundo adversária. E pioraria ainda mais, quando o músculo da sua perna esquerda rasgou. 

Nota: Mi

 

Coates - Ontem foi Ministro da Defesa, Secretário de Estado, Sub-Secretário e Assessor do Ministro. Tudo ao mesmo tempo. Um pronto-socorro, ou todos (4) em um ("e pluribus unum", lagarto, lagarto!!). Já se está a vêr a falta que nos vai fazer aquando da recepção à Juventus...

Nota:

 

Mathieu - O que esperar quando jogam sempre os mesmos? Eu sei, a pergunta é rétorica...

Nota:

 

Fábio Coentrão - O seu regresso a Portugal coincidiu com aquele seu novo estilo de "faz que vai, mas não vai", em que a linha de fundo adversária parece uma miragem. A defender também não esteve particularmente feliz no regresso à sua terra-natal. No entanto, coincidência ou não, com mais ou menos mialgia, como por magia ficou os 90 minutos em campo e não sofremos golos. Espera-se que se mantenha como talismã na terça-feira visto ser o único elemento da defesa disponível para esse jogo.

Nota:

 

William Carvalho - É o senhor Carvalho, quando Jesus o expõe a um meio campo a dois com Bruno Fernandes, ficando assim a nu toda a sua falta de intensidade defensiva. Mas, transforma-se no Sir William, quando tem por perto "pit bulls" do género de um Adrien ou de um Battaglia, momentos em que consegue libertar em todo o seu esplendor o perfume do seu majestoso futebol. 

Nota:

 

Bruno Fernandes - Repito aqui a ideia que tenho vindo a expressar desde o início da época: Bruno só tem cabimento num meio campo a 2, eventualmente com Battaglia. Refiro-me, obviamente, a jogos com boas equipas, como é o caso do Rio Ave. Desgastou-se, com pouco sucesso, num inglório vai-vém. Ainda assim mostrou a qualidade do seu futebol num passe açucarado a isolar Podence (que se atrapalhou), num centro para Dost (que chegou atrasado) e num remate colocado que bateu Cássio, onde alegoricamente lhe foi assinalado um fora-de-jogo.

Nota: Sol

 

Gelson - Em terra de pescadores, andou naufragado a maior parte do tempo. Sem conseguir dar à costa, acabou por se refugiar junto da frota pesqueira situada na orla inferior direita do mar vilacondense, onde recolheu abrigo junto de Piccini, primeiro, e depois de Coentrão.

Nota:

 

Acuña - Em dia de turbulência só os homens de "barba rija" vão ao mar. O argentino não se atemorizou e lá foi lutando, contra ventos e marés, até descobrir a ponte - o seu conterrâneo Battaglia - para o caminho marítimo até à baliza de Cássio. Acabou a fazer-se valer da sua polivalência, recuando para defesa esquerdo após a lesão de Piccini.

Nota:

 

Podence - Marcado (nos tornozelos) pelos jogadores vilacondenses, raramente conseguiu traduzir a sua inegável dinâmica em algo de produtivo para a equipa, acabando substituido ao intervalo apenas porque Jesus não poderia substituir os outros nove.

Nota:

 

Bas Dost - Ganhou menos bolas pelos ares do que é seu (bom) costume e momentos houve em que pareceu meio perdido em campo, desnorteado com a saída de bola dos jogadores do Rio Ave. Mas, a confiança voltou e, à primeira oportunidade, "dostou". Antes, assistira Bruno para o golo que foi invalidado.

Nota:

 

André Pinto - Sem a autoridade de Mathieu, exibiu-se acima das expectativas, eventualmente mostrando que essas expectativas - que decorrem de "jogarem sempre os mesmos e..." - podem ser uma treta. Retirou um golo cantado a Dost, na primeira parte, e voltou a ganhar de cabeça numa bola parada ofensiva, na segunda parte.

Nota: Sol

 

Battaglia - Jesus colocou-o em campo após o intervalo, mas pareceu enjaulado atrás de William durante bastante tempo. Subitamente, JJ libertou-o desse jugo, posicionando-o à frente do "sir", e imediatamente se viu a sua influência no jogo, bloqueando passes e encontrando espaços vazios de onde assistiu (de pé esquerdo) Dost para o golo, o que nos deixa a seguinte interrogação: a qualidade de passe não era o seu ponto fraco?

Nota:

 

Doumbia - Poucos minutos em campo para alardear muito mais do que aquilo que já mostrara anteriormente, ou seja, um péssimo domínio de bola e uma habilidade natural para disfarçar/mascarar oportunidades de golo nas estatísticas (não constou). Parece ser um jogador útil apenas quando bem servido só tem de dar o toque fatal. Imaginar que pode jogar por detrás de Dost é pura utopia.

Nota:

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

  

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Os nossos jogadores, um a um

Vitória arrancada a ferros em Vila do Conde. Vitória imerecida, perante uma equipa que jogou melhor que o Sporting, pressionou mais, rematou muito mais e teve mais posse de bola.

Uma vitória só conseguida graças à excelente exibição de Rui Patrício, que impediu por quatro vezes a bola de entrar na baliza à sua guarda.

Jorge Jesus repetiu o onze titular da goleada frente ao Chaves, domingo passado, mas desta vez sem sucesso. O Rio Ave é uma equipa bem superior aos flavienses e dominou nas transições defesa-ataque perante um meio-campo leonino muito desguarnecido, com William Carvalho desamparado.

A entrada de Battaglia logo a abrir o segundo tempo melhorou o nosso jogo mas continuámos ineficazes no plano ofensivo. Até aos 85', quando Bas Dost conseguiu enfim o golo solitário que nos valeu três pontos.

Um resultado bem melhor do que a exibição. E muito melhor do que a derrota que ali sofremos faz agora um ano.

A figura do jogo, indiscutivelmente, foi Rui Patrício.

 

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RUI PATRÍCIO (9). Exibição muito próxima da perfeição. Com defesas extraordinárias aos 32', 48', 84' e 90'. Muito atento entre os postes, agilíssimo, com excelentes reflexos, evitou quatro golos.

PICCINI (6). Quase intransponível, sempre muito atento. Bons cortes aos 49' e 60'. Faltou-lhe ousadia nas incursões atacantes. Atravessava o melhor período neste jogo quando se lesionou com gravidade.

COATES (6).  Não comprometeu na manobra atacante e tentou marcar, sem sucesso, nas bolas paradas ofensivas. Não pareceu ressentir-se da troca de Mathieu por André Pinto como parceiro no eixo da defesa.

MATHIEU (4). Parecia longe da melhor forma logo desde início. E comprovaram-se os piores receios aos 28', quando se agarrou à perna, sentado no chão. Parece lesão complicada. Foi rendido por André Pinto.

FÁBIO COENTRÃO (6). Desta vez aguentou em campo a partida inteira. Mas já actuou em esforço nos últimos minutos. Cumpriu o essencial da missão ao policiar o seu flanco. Faltou-lhe progredir no terreno.

WILLIAM (6). Muito solitário a enfrentar a pressão do meio-campo adversário no primeiro tempo. Melhorou com a entrada de Battaglia. Foi um dos elementos mais pendulares. Faltou-lhe eficácia nos passes longos.

BRUNO F. (4). Voltou a ficar muito aquém daquilo que a equipa precisa para ganhar dinâmica e criatividade ofensiva. O melhor que fez foi um bom cruzamento para Bas Dost aos 47'. Substituído aos 82'.

GELSON (5). Correu muito, quase todo o jogo. Mas quase sempre de forma inconsequente. Muito marcado à frente, apoiou sempre a equipa quando recuava, ajudando a fechar os acessos à nossa baliza. 

ACUÑA (7). Fundamental na vitória ao participar na construção do golo. Recuou com frequência, em apoio a Coentrão. Forte disparo, aos 31', pouco acima da barra. Excelente passe no último minuto para Doumbia.

PODENCE (5).  Entrou muito bem na partida, com excelentes apontamentos técnicos, mas foi-se eclipsando a partir dos 20 minutos, dando a ideia de que não se recompôs de um choque. Saiu ao intervalo.

BAS DOST (7). Voltou a ser decisivo ao apontar o golo da vitória já perto do fim, o que sucede pela terceira vez nesta Liga. Ainda assistiu Bruno Fernandes num golo que acabaria invalidado por fora de jogo.

ANDRÉ PINTO (5). Aos 28', saltou do banco por lesão de Mathieu. Antes só tinha jogado seis minutos para a Liga. Sem grandes rasgos mas, apesar de dextro, não comprometeu na ala esquerda do eixo defensivo.

BATTAGLIA (7). Com ele em campo, a partir dos 28', a equipa ganhou intensidade, organização e consistência. Fundamental na jogada do golo, iniciada e quase concluída por ele ao assistir Bas Dost.

DOUMBIA (4).  Entrou só aos 82', substituindo Bruno Fernandes. Falta-lhe entrosamento com os colegas e alguma consistência táctica. No último minuto, bem servido por Acuña, falhou o golo.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da difícil vitória em Vila do Conde, por 1-0. Obtivemos três pontos num estádio onde o Benfica empatou e só o FC Porto até agora tinha conseguido triunfar neste campeonato. Três pontos arrancados quase a ferros, iam já decorridos 85', praticamente na única verdadeira oportunidade que tivemos ao longo de todo o jogo.

 

De Rui Patrício. Devemos ao melhor guarda-redes português os três pontos que trazemos hoje de Vila do Conde. Rui Patrício, de longe o melhor jogador que actuou nesta partida, fez quatro enormes defesas a remates que levavam o selo de golo. Aos 32', 48', 84' e 90'. Passam os anos e ei-lo sempre a crescer de forma entre os postes, dando inegável segurança à equipa.

 

De Bas Dost. Voltou a ser ele a fazer a diferença na nossa linha avançada. Quando é preciso decidir, decide mesmo. Muitos adeptos já desesperavam com o empate a zero que se mantinha aos 85', quando o holandês marcou o solitário golo da vitória coroando um excelente lance de contra-ataque, com a velocidade que se impunha. É a terceira vez que ganhamos quase no fim de um jogo nesta Liga - e sempre com golos de Bas Dost.

 

De Battaglia. Entrou só na segunda parte. Mas chegou a tempo de ajudar a organizar a equipa leonina, que fez um medíocre primeiro tempo. Contribuiu para trancar o nosso meio-campo defensivo perante as contínuas investidas do Rio Ave sem nunca descurar o envolvimento ofensivo. Foi decisivo no lance do golo, iniciado por ele numa boa tabelinha com Acuña e ao qual deu a melhor sequência assistindo Bas Dost.

 

De ter superado o fantasma do ano passado. Foi neste mesmo estádio que ainda no primeiro terço da Liga 2016/17 começámos a despedir-nos do triunfo que ambicionávamos no campeonato, saindo daqui com uma derrota por 1-3. Até por este motivo a vitória de hoje foi importante.

 

Da equipa do Rio Ave, bem treinada por Miguel Cardoso. Mesmo sem dois dos habituais titulares deu sempre boa réplica ao Sporting, dominou a primeira parte, teve mais posse de bola e rematou mais vezes. Merece ir longe no campeonato. E não merecia ter perdido este jogo.

 

Que não tivéssemos sofridos golos. À décima jornada, levamos apenas cinco sofridos. Mérito evidente da nossa defesa em geral e do nosso guarda-redes em particular.

 

De reforçar a nossa liderança em golos marcados fora de casa. Já levamos doze em cinco jogos.

 

De ver o Sporting na frente do campeonato. Liderança provisória, pelo menos até amanhã. Com 26 pontos, conseguidos em oito vitórias e dois empates.

 

 

 

Não gostei

 

 

Das preocupantes lesões de Mathieu e Piccini. O francês viu-se forçado a sair logo aos 28', devido a problemas musculares, e o italiano jogou os últimos dez minutos a passo, impossibilitado de correr. São duas baixas quase certas para o importante desafio de terça-feira em Alvalade frente à Juventus. Vão fazer-nos falta.

 

Da nossa primeira parte. Jorge Jesus repetiu o onze titular da goleada frente ao Chaves mas não há dois jogos iguais e neste a receita não funcionou. O nosso meio-campo jogou descompensado e com óbvios desequilíbrios nos primeiros 45 minutos. Pressionámos pouco e mal, em ritmo frouxo e com baixa intensidade. O panorama melhorou depois do intervalo, com a troca de Podence por Battaglia, que acolitou William como tampão no eixo do meio-campo, onde o Rio Ave imperava.

 

Da nossa deficiente construção ofensiva. Perdi a conta às bolas despachadas sem critério para o meio-campo adversário, em sucessivos brindes à equipa da casa.

 

De Bruno Fernandes. Uma vez mais, pareceu-me um elemento desgarrado da nossa organização colectiva. Restam poucas dúvidas que não rende muito na posição 8, em que actuou no primeiro tempo, complementando mal as movimentações de William Carvalho. Melhorou na segunda parte, quando Jesus o mandou avançar no terreno, mas falhou demasiados passes. Acabou por marcar um golo, no entanto invalidado por fora de jogo.

 

Dos assobios à equipa. Estavam decorridos pouco mais de 50 minutos quando os adeptos começaram a lançar impropérios bem sonoros aos jogadores. Nenhuma equipa é motivada desta maneira, como tantas vezes venho insistindo. 

Rescaldo do jogo de ontem

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Gostei

 

Dos três pontos. Vitória arrancada a ferros frente a um Rio Ave que nos tinha vencido na primeira volta e que não mereceu perder em Alvalade. Vitória apertada e tangencial, por um tímido 1-0. Foi o melhor que se arranjou, com bastante sorte, em noite de desempenho medíocre da turma leonina.

 

De Rui Patrício. Foi o melhor jogador em campo e o herói da sofrida vitória do Sporting nesta partida em que vestiu pela 400.ª vez a camisola verde e branca enquanto profissional, num percurso iniciado há dez anos. Fez defesas soberbas, sobretudo nos primeiros 25 minutos, impedindo pelo menos quatro vezes o Rio Ave de marcar. No final foi alvo de uma expressiva homenagem dos adeptos presentes em Alvalade. Homenagem mais que merecida.

 

De Alan Ruiz. Voltou a marcar, num golo de ressalto após uma soberba jogada de Gelson Martins. Iam decorridos apenas 20', totalmente contra a corrente do jogo, quando o Rio Ave dominava. O golo abriu expectativas que não se concretizaram. Mas o argentino voltou a ter uma exibição positiva, abrindo linhas de passe para os colegas e revelando uma dinâmica muito superior à das suas semanas iniciais em Alvalade.

 

Que não tivéssemos sofrido golos. Desde o desafio no estádio do Restelo, em que vencemos o Belenenses por 1-0, não chegávamos ao fim dos 90 minutos sem sofrer golos. Voltou a acontecer quase dois meses depois (a nossa visita a Belém ocorreu a 22 de Dezembro).

 

 

Não gostei

 

Da exibição leonina. Prestação medíocre do Sporting, ressalvando-se o caso de Rui Patrício. O onze de Jorge Jesus mostrou-se abúlico, triste, sem dinâmica nem chama. Parece uma equipa em pré-temporada, com escasso fio de jogo e deficientes ligações entre vários dos seus membros. Foi talvez o pior jogo do SCP em casa nesta época oficial, como de resto as bancadas iam sublinhando com assobios e vaias. Mau espectáculo, mau desempenho, más perspectivas para o resto da temporada.

 

Dos primeiros 25 minutos. O Rio Ave esteve imparável no período inicial da partida, em que podia ter-se adiantado com larga vantagem no marcador. Valeu-nos Rui Patrício para travar o ímpeto ofensivo da equipa de Vila do Conde.

 

De Jefferson. Não têm conta os passes falhados, as bolas transviadas, as jogadas sem pés nem cabeça congeminadas pelo lateral brasileiro, que fez perder definitivamente a paciência aos adeptos leoninos. Este Jefferson 2016/17 nem na equipa B tem lugar.

 

De Schelotto. Ataca razoavelmente, centra com relativa precisão mas é um susto a defender. Desposicionado, sem capacidade de recuo, sem conseguir desequilíbrios, força pelo menos um dos centrais a estar sempre de sentinela para atenuar os estragos. Voltou a acontecer nesta partida.

 

Da entrada tardia de Podence. Depois de se ter revelado um dos melhores elementos em campo na jornada anterior, desta vez só entrou aos 65'. Devia ter jogado mais tempo, até porque voltou a mexer com o jogo, ao contrário do que sucedeu com o primeiro suplente utilizado, Bryan Ruiz, que não adiantou nem atrasou - como de resto já estamos habituados.

 

Da lesão de Adrien. Tocado com gravidade duas vezes, à segunda o nosso capitão viu-se forçado a abandonar o campo. Não disputará a próxima partida, no Estoril - da qual já estava aliás afastado por acumulação de cartões amarelos.

 

Das contas erradas. É um absurdo os altifalantes do estádio anunciarem em parangonas bem sonoras a presença de 40.053 pessoas nas bancadas, como desta vez aconteceu, quando qualquer espectador presente em Alvalade percebia que este número estava longe de bater certo.

 

Fotografia minha, tirada esta noite em Alvalade

Prognósticos antes do jogo

O Sporting recebe o Rio Ave este sábado, a partir das 20.30, esperando nós que possa redimir-se da derrota sofrida no estádio dos Arcos na primeira volta, quando iniciámos um inesperado percurso descendente. Como se os jogadores estivessem fartos de mostrar bom rendimento em campo após o malogrado brilharete frente ao Real Madrid.

Bruno Esteves será o árbitro desta partida, em que teremos pelo menos dois jogadores à queima com amarelos: Adrien e Bruno César.

Quais são os vossos prognósticos?

"O caminho faz-se caminhando" (ou a enorme evolução do presidente)

"Neste momento o Sporting Clube de Portugal é um “corpo” coeso, único, sólido, que caminha num só sentido, que luta pelos mesmos ideais e que tem um só projecto: ser sempre o Grande Sporting Clube de Portugal! Sabemos honrar o nosso passado, construir o presente e juntos iremos conquistar o futuro. Nós, os mais de 3,5 milhões de sportinguistas que, mesmo por vezes feridos, nunca deixaremos de ser o Rei da selva. E que selva ainda é o desporto português."

"Depois de fazer tremer o Santiago Bernabéu, um jogo menos conseguido onde uma primeira parte com 15 minutos de desconcentração colectiva ditou uma inesperada derrota. O Rio Ave, pela eficácia nesses 15 minutos, mereceu vencer. Também tenho de deixar um registo positivo para a equipa de arbitragem que fez um bom trabalho."

"Sexta-feira vamos encher Alvalade!"

"Este ano estamos na luta em todas as frentes e TU foste convocado para todas! Porque TU é que dás vida ao nosso Clube!"

 

Excertos da comunicação de Bruno de Carvalho no facebook, ontem, segunda-feira, 19-09-2016.

O dia seguinte

Paulo Alves, A Bola: «13 é o número do azar mas o Sporting apenas se pode queixar de si mesmo para o tropeção com estrondo que ontem deu em Vila do Conde. 13 foi o número de jogos que o leão esteve sem conhecer o sabor da derrota na Liga: ontem não conseguiu passar em casa do Rio Ave, foi surpreendido e totalmente dominado na primeira parte por uma equipa desinibida e ciente do que pretendia fazer.»

 

Pedro Rocha, O Jogo: «O Sporting abanou e, num ápice, encaixou três golos, abrindo caminho para uma vitória incontestável dos vilacondenses. Evaporavam-se assim os elogios granjeados na última partida da Liga dos Campeões e a tal possibilidade de repetir um início de campeonato tão bom como em 1993/94, sob o comando de Bobby Robson, com cinco vitórias seguidas.»

 

Rui Dias, Record: «Nada fazia prever o que ontem sucedeu em Vila do Conde, onde o Sporting sucumbiu com estrondo numa fase em que a penosa derrota em Madrid estava a ser aproveitada como exemplo da qualidade do futebol exibido. Quatro dias depois de colocar em xeque o campeão da Europa, a equipa de Jorge Jesus sofreu um KO impensável frente ao Rio Ave, que não precisou de um milagre para operar a grande surpresa.»

A margem de manobra

Creio que nestas horas depois do jogo com o Rio Ave ter terminado, já todos dissemos de nossa justiça e dissemos o que nos vai na alma leonina.

Admito que esta derrota talvez nos traga algo de positivo, quanto mais não seja fazer-nos perceber, a alguns de nós mais entusiastas, que não ganharemos(íamos) os jogos todos. E nos faça perceber também que nem sequer é necessário isso acontecer para sermos campeões. Talvez esta derrota venha finalmente colocar as pedras no seu devido lugar, já que me parece que, apesar do que transparece, haja na cúpula uma inversão de papéis que não me agrada absolutamente nada. Essa assumpção de hierarquia deverá, presumo, ter acontecido logo depois do jogo, no balneário. Não haverá o erro comunicacional pós-Guimarães, mas tenho para mim que as consequências serão muito mais devastadoras, ou se quiserem mais consequentes, para não ser tão trágico.

Não gostei que o treinador se tivesse colocado à margem da má exibição da equipa. Ficava-lhe bem assumir a sua quota-parte no estampanço. Jesus tem que aprender que no Sporting somos solidários nas vitórias e nas derrotas e deve-lhe ser dado cada vez mais tempo para estar na academia e menos em frente aos microfones, já que "burro velho não aprende línguas" e será impossível impedi-lo de se "esticar" quando o deixam à solta em frente a jornalistas. 

Assim, é com o "chipe virado", que iremos todos novamente encher Alvalade, na próxima sexta às nove da noite, demonstrar-lhe, a ele e aos jogadores, que o melhor património do Clube são os seus sócios e adeptos, que, alguns deles, fazem das tripas coração para adquirirem o seu lugar no estádio e terem as quotas em dia e não renegam nunca o seu apoio entusiástico ao Clube, nas suas mais diversas modalidades.

E é esta massa anónima, que tão entusiasticamente defende as nossas cores, que merece o empenho de quem está lá dentro, usufruindo do privilégio de jogar num dos melhores clubes do mundo e de, cumulativamente, ser principescamente pago por isso.

Na sexta, não exigiremos mais que o empenho que faltou ontem. A entrega e a clarividência que estiveram arredadas, devem voltar para ficar.

E não se exige menos que uma vitória clara! Assim mesmo: Exigência é uma palavra que nunca poderá andar arredada deste Clube e desta equipa e palmadinhas nas costas e frases inconsequentes como "há que levantar a cabeça", devem ser eliminadas do léxico sportinguista, de vez.

É que, podendo ser campeões sem para isso necessitarmos de ganhar todos os jogos, a margem de manobra é ainda assim curta, num campeonato tão disputado.

Creio que ontem se esgotou o momento parvo a que tinham direito.

Vamos lá a ver se atinamos, pode ser?

Os nossos jogadores, um a um

Foi visível o cansaço após a desgastante partida de quarta-feira, para a Liga dos Campeões, frente ao Real Madrid. Cansaço físico e sobretudo cansaço anímico. Jorge Jesus tentou hoje mexer na equipa, fazendo entrar quatro novos titulares: nenhuma dessas mexidas funcionou. Sem rotinas, os reforços continuam muito aquém daquilo que deles pretendemos.

Frente a um Rio Ave em grande forma, que dominou o meio-campo e as alas ofensivas, esta noite sofremos três golos de rajada e saímos para o intervalo a perder 0-3. Jesus viu-se forçado a fazer duas substituições ao intervalo, o que atenuou o problema mas não o solucionou. Na segunda parte, limitámo-nos a marcar um golo - manifestamente insuficiente para virar o resultado.

Abrindo avenidas para a corrente ofensiva da equipa adversária e claudicando na hora do remate, quase sem conseguir verdadeiras oportunidades de golo, o Sporting sofreu a primeira derrota na Liga 2016/17 e colocou em risco a liderança do campeonato, que vinha assumindo isolado. Jesus tem muitos ajustamentos a fazer, já a pensar na partida contra o Estoril. E não lhe resta muito tempo: esse jogo vai ser já na sexta-feira.

 

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RUI PATRÍCIO (4). Três vezes batido, com responsabilidade no lance do segundo golo, foi uma sombra do que tem sido. Um caso aparente de quebra anímica após o confronto perdido in extremis no Santiago Bernabéu.

SCHELOTTO (4). Corre muito, mas desposiciona-se com frequência e perde a noção do espaço. Sucedeu hoje, uma vez mais, forçando os centrais a acorrer à dobra e a desguarnecer outras zonas. Faltou-lhe estabilidade.

COATES (4). Teve hoje a sua mais pálida exibição desta temporada, com responsabilidades em dois dos golos do Rio Ave: podia ter feito muito melhor. Também falhou nas tentativas de marcar, em lances de bola parada.

RÚBEN SEMEDO (5). O menos mau do nosso quarteto defensivo. Não isento de falhas, soube reagir melhor à adversidade, revelando maturidade competitiva. Tentou marcar, em situações de canto: não conseguiu.

BRUNO CÉSAR (3). Apanhado sucessivas vezes em contra-pé, o vilacondense Gil Dias fez dele o que quis na primeira parte, dominando por inteiro o nosso corredor esquerdo. Também a atacar não foi nada feliz.

WILLIAM CARVALHO (6). Uma das raras exibições a justificar nota positiva. Pelo que fez, sobretudo na segunda parte, em passes longos (12', 72' e 81'). Grande recuperação de bola aos 62'. Pareceu sempre inconformado.

ADRIEN (6). Foi hoje o melhor Leão em campo, apesar de acusar vestígios do enorme desgaste provocado pela partida de quarta-feira. Nunca desistiu de puxar pela equipa, como se verificou em dois grandes passes (42' e 51').

GELSON MARTINS (5). Soube a pouco a prestação do extremo leonino que brilhou no Bernabéu. Embrulhou-se em excesso com a bola e não conseguiu fazer a diferença. Melhor momento: a assistência para o golo. E vão três.

CAMPBELL (2). Sem pressionar à frente, sem se integrar na manobra defensiva, deixou Bruno César isolado na ala. Falta-lhe disciplina táctica - um aspecto a rever com urgência. Foi justamente substituído ao intervalo.

ALAN RUIZ (3). Ainda iludiu os adeptos, parecendo estar de pé quente, com um forte remate aos 8'. Mas apagou-se enquanto segundo avançado e andou perdido no eixo do terreno. Não regressou do balneário para a segunda parte.

ANDRÉ (2). Esgotou a actuação nesta estreia a titular da equipa com um remate bem colocado aos 21'. No resto do tempo em que permaneceu em campo mal se deu por ele. Pressionou pouco e mal. Saiu aos 73'.

BAS DOST (6). Jesus deixou-o no banco. Mas cedo se arrependeu, fazendo-o entrar aos 46'. O internacional holandês cumpriu os mínimos, marcando o nosso golo solitário. O segundo dele em dois jogos consecutivos.

BRYAN RUIZ (5). Substituiu Campbell. Sem brilhantismo, denotando fadiga física, mas com mais competência do que o compatriota. Teve intervenção directa no lance do nosso golo. Mas falhou outro, com a baliza à sua mercê.

MARKOVIC (3). Entrou aos 73', substituindo André. Correu bastante, mas pouco ou nada trouxe de útil à equipa. Viu um cartão amarelo ao tentar cavar uma grande penalidade mesmo à beira do fim.

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