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És a nossa Fé!

Sempre o Record a desinformar

Para o Record, Nelson Semedo custou ao Barcelona € 50 Milhões, ao qual acrescem € 5M por cada 50 jogos, aparentemente sem limite para esta componente variável.

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Curioso, porque o comunicado de venda diz algo completamente diferente.

Para os que consideram que é apenas uma questão de interpretação, também deixo o comunicado do Lindelof, para que se perceba com clareza a desinformação com que este pasquim nos brinda diariamente.

Vergonhoso...

Record: quem te viu e quem te vê

Isto de se andar pelo Twitter tem que se lhe diga. Pelo menos dá matéria prima para umas linhas aqui, num sítio sério e recomendável.

Primeira situação- um jornalista do Record "twittou" o seguinte: "Excelentes arranques de #FCPorto e #Benfica. Vitórias justas, sem espinhas. Dragões arrasadores, águias sólidas. Temos campeonato. Cool!".

Claro que vários sportinguistas vieram a terreiro pelo que esse jornalista teve de justificar-se dizendo que só se referiu aos que jogaram hoje e, enfastiado, comentou com desagrado que "já não há pachorra". É verdade, mas enquanto os sportinguistas sentirem que o jornal, em muitas situações, é discriminatório e persecutório relativamente ao Sporting, usando dois pesos e duas medidas no tratamento jornalístico relativamente a outro(s) clube(s), até por questões comerciais pois embarcou na lenga lenga dos 6 milhões de adeptos e achando que assim vende mais umas centenas de jornais, só podemos estar atentos e críticos. E denunciar os atropelos sempre que a manipulação, tão em voga em certos jornais desportivos, nos atinja. Enquanto nos lembrarmos, entre outras coisas, disto:

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Este apagar do símbolo do Sporting Clube de Portugal, intencional, legitima a desconfiança sobre os desígnios do jornal e dos seus responsáveis. Na altura (2011), apenas gerou uma desculpa esfarrapada do então diretor Alexandre Pais. Mas a desigualdade de tratamento desde então não melhorou, pelo contrário. Portanto, que os jornalistas do Record não se surpreendam quando os sportinguistas os criticam. Primeiro, porque não estão livres da crítica, como qualquer outro profissional, e depois porque existem razões fundadas para o fazermos. No caso dou o benefício da dúvida, mas elogiar o arranque de Porto e Benfica, sem falar na vitória do Sporting, a única fora na condição de visitante... 

 

Segunda situação- num twitt do Record lê-se, a propósito do jogo com o Braga e a formação seixalíada: "Fotogalerias - Os jovens da formação lançados por Rui Vitória: Diogo Gonçalves aumenta a lista".

Patético título e enganador. Apenas porque faltou dizer que a jovem promessa do Seixal entrou aos 91 minutos, ou seja, nem deu para tocar na bola. Grande lançamento... ainda se deve estar a ouvir o estrondo da queda do rapaz. Isto é que é formação!

Uma sugestão ao jornal 'Record'

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Amigos do Record: simpatizo com o vosso jornal, que leio com regularidade quase diária, e respeito o trabalho que fazem, por vezes em circunstâncias nada fáceis - sem prejuízo de discordâncias pontuais que já tenho assinalado aqui.

É nesta qualidade de leitor atento que venho sugerir-vos uma alteração de método nas classificações que costumam atribuir aos jogadores no final de cada partida. Faz pouco sentido avaliá-los só com notas de 1 a 5: é uma margem demasiado curta para percebermos as subtilezas da actuação de cada um, num desporto em que muitas vezes o segredo do sucesso (ou do insucesso) está nos pormenores.

Reparem no que sucede hoje na página 6 da vossa edição impressa: todos os jogadores titulares da equipa das quinas recebem nota 3 pelo desempenho nos 120 minutos da partida disputada ontem frente ao Chile, que terminou 0-0 e acabou por ser desempatada com penáltis, favoráveis à selecção sul-americana. Mas alguém acredita que William Carvalho e Cédric, dois gigantes ontem no relvado, mereçam ser contemplados com a mesma nota que o desastrado José Fonte, o inábil André Gomes ou o perdulário André Silva? Claro que não.

Sugiro-vos portanto que alterem a vossa bitola. Adoptem a que vigora nos diários vossos concorrentes (A Bola e O Jogo), que avaliam os jogadores de 1 a 10. Não precisam de pagar direitos de autor: nenhum deles foi pai da ideia. E há que assumir sem complexos nem preconceitos que a concorrência tem por vezes melhor critério que nós. É o caso.

Parece-me a ocasião propícia para tal mudança: estamos no defeso futebolístico, antes do início de uma nova temporada. Ponderem nisto. E recebam as minhas saudações desportivas.

Há razões que a razão desconhece

Há coisas que não entendo de todo nas notas que os jornais atribuem aos jogadores. Hoje, por exemplo, o diário Record reabilita Jefferson, ontem claramente o pior jogador do Sporting frente ao Rio Ave, atribuindo-lhe nota 3 (em 5), claramente positiva. A mesma nota que atribui a Paulo Oliveira, Gelson Martins e Adrien, por exemplo. E apenas um patamar mais abaixo do que o 4 atribuído pelo mesmo jornal a Rui Patrício.

Para mim é incompreensível como um jornal desportivo mantém uma gama classificativa tão reduzida como esta, que leva dois terços dos jogadores a receberem nota 2 ou 3. Sem distinguir, portanto, as verdadeiras diferenças dos desempenhos que tiveram em campo. Eu se fosse responsável editorial do Record ampliava este critério, passando a atribuir notas de 1 a 10 - aliás à semelhança do que fazem os outros jornais.

Mas o que de todo não entendo é como foi possível enaltecer o medíocre Jefferson do jogo de ontem, dando-lhe nota positiva. Há razões que a própria razão desconhece.

A entrevista de que todos falam

Recém-chegado a Lisboa, liguei a televisão ontem à noite durante não mais de cinco minutos. Em três canais de notícias, os habituais programas de debate sobre futebol. De que se falava em qualquer destes programas? Da entrevista com Bruno de Carvalho publicada ontem de manhã no Record. Não na enésima "publi-entrevista" de Luís Filipe Vieira ao diário A Bola, tão previsível e ritual a abrir o ano como a bênção Urbi et Orbi do Papa.

Bastaram-me esse minutos a zapar pelos três canais para perceber qual das duas resultou num êxito mediático. A do Record, única que realmente merece o título de entrevista. Não a do outro diário, auto-apresentada como "conversa com um Luís Filipe Vieira muito sereno, fruto da estabilidade social em que o Benfica está a viver e de uma planificação que coloca os encarnados a salvo do improviso", conclui antes de começar que "o Benfica sabe o que quer, para onde vai e como vai", e arranca com esta espantosa pergunta: "Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016"?

Não admira que ninguém tenha falado dela.

Como utilizar um miúdo 15 anos e achar que se fez tudo bem.

Inqualificável o que o jornal Record fez ontem. Dois jornalistas deste diário desportivo, armados em pides,  tratam de vigiar a conta no twitter de um miúdo de 15 anos, apenas e só porque o mesmo é filho do presidente  do conselho de arbitragem. Este miúdo, ter sempre isto presente, falamos de um miúdo, ingressou na academia do Sporting na presente época. Na altura a máquina de propaganda benfiquista logo tratou de aproveitar este facto para atacar Fontelas, usando sem qualquer pudor um miúdo de 15 anos. Ontem dois jornalistas do Record inquiriam o miúdo e rejubilavam por terem descoberto um tweet deste miúdo (não paro de o repetir) onde o mesmo utiliza a já gasta e completamente em desuso expressão “ver a luz a arder”. Um dos jornalistas fez questão de se vangloriar de ter efectuado um print do tweet “Então pois. Já ando nisto há muitos anos” disse em resposta ao colega que lhe pediu “print nisso”. Poucos minutos depois estava plasmado no record Online e a máquina de propaganda benfiquista fez o resto. De salientar que no twitter pouca expressão teve, antes dos próprios jornalistas o difundirem.

É este o estado de podridão em que vivemos no desporto. Jornalistas, pessoas adultas, a devassarem completamente a vida de um miúdo, a transcreverem tweets de um menor de idade sem qualquer pejo, sem qualquer ideia do que deve ser o respeito pelos outros. Há que deitar achas, muitas achas para incendiar o ambiente em semana de derby. Depois, claro, culpam-se os adeptos, as claques violentas e os dirigentes desportivos.

Vemos, ouvimos e lemos

Alguma alminha por aí capaz de explicar-me em que medida exactamente é que esta notícia do Record é relevante? porque é que no dia em que Rui Patrício é nomeado para a Bola de Ouro há um site de um jornal português que considera de absoluta pertinência e essencial essa informação de que "indianos dizem que Rui Patrício não merece estar nos nomeados"?

A sério? Isto é um site muito lido lá India, já percebi, e cá também? é daqueles sites que toooda a gente vai ler a correr quando quer saber notícias do futebol e ninguém me avisou?

É que se for isso prometo penitenciar-me e passar a ler o Sportskeeda ou lá o que é, com todo o afinco, todos os dias ao pequeno-almoço. Mas expliquem-me. De preferência em português, obrigada.

 

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Aprender com quem sabe

Estes são dias em que as transmissões diárias dos desafios do Campeonato da Europa permitem separar o trigo do joio. Ficamos a saber quem é que, no enxame de comentadores e "analistas" dos jogos, entende mesmo de futebol e quem não percebe patavina.

Neste segundo lote destaca-se aquele que é talvez o palrador máximo da pantalha. Fala na proporção inversa do que sabe. Ainda há dias, como se estivesse numa conversa de café, declarava que o problema da selecção nacional é "eles correrem pouco". E concluía, contemplando a própria imagem num monitor de estúdio e repetindo sempre cada frase para preencher tempo de antena: "Deviam correr mais, deviam correr mais..."

 

Entre os que percebem realmente de futebol destaco alguém que não costuma pavonear-se nas televisões. Refiro-me a José Ribeiro, editor-chefe do jornal Record. Na edição de hoje, este jornalista explica de forma consistente e credível por que motivo jogadores como João Mário e William Carvalho renderam muito mais na segunda parte do Portugal-Hungria do que na primeira.

Passo a citar, com a devida vénia:

«William transformou-se, durante a primeira parte, na segunda "vítima" de Moutinho (a primeira fora Danilo): como o médio do Mónaco não está a conseguir ser dinâmico, "esconde-se" em espaços muito recuados, originando redundância de posicionamentos e funções na primeira fase de construção. Portugal voltou a ressentir-se desse problema. (...) Há um jogo com Renato que, neste momento, nunca pode existir com Moutinho. [No segundo tempo] o jogo da selecção transformou-se. O corredor central passou a ter vida e dinâmica. João Mário cresceu para os patamares habituais, de craque. E finalmente viu-se uma equipa com argumentos para poder discutir resultados. Com William vigilante, a cobrir-lhe as costas, este duo dinâmico foi capaz de "queimar" linhas e levar a bola para a zona de finalização. Não foi por coincidência, foi pela acção directa de Renato. E mesmo "sem" André Gomes em campo, aqueles dois carregaram o jogo e levaram a bola para onde ela tinha de estar. Onde ela não chegava com Moutinho.»

 

Palavras de um atento e sábio leitor do jogo. Com ele é possível aprendermos alguma coisa. Com o outro, o tal que adora mirar-se no monitor, ninguém aprende nada.

Redord(e)

"Nos termos e para efeitos do cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 al. a) do Código dos Valores Mobiliários, no seguimento do Comunicado emitido pelo Conselho de Administração da Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD (Sporting SAD), no passado dia 11 de Maio de 2015 e face à notícia hoje publicada no jornal Record intitulada “UEFA pode reter 2 milhões de euros”, vem o mesmo Conselho esclarecer o seguinte:

 

1. A Sporting Clube de Portugal, SAD tem vindo a cumprir as suas obrigações decorrentes do Acordo celebrado com o Club Financial Control Body da UEFA, no passado mês de Maio, o qual vigora até ao final da corrente época desportiva de 2015/16.

2. As sanções de retenção de verbas no montante de 2 milhões de euros e de limitação ao número de inscritos nas provas da UEFA apenas se tornariam efectivas caso o resultado negativo acumulado para o conjunto das épocas 2014/15, 2013/14 e 2012/13 fosse superior a 30 milhões de euros previstos.

3. Na época de 2012/13, a Sporting, SAD apresentou um prejuízo de 43,5 milhões de euros, na época seguinte de 2013/14 apresentou um lucro de 8,6 milhões de euros. Deste modo, para a época 2014/15, para efeitos de cumprimento das regras do Fair Play da UEFA e do break-even agregado das três épocas, seria suficiente um resultado positivo de 4,9 milhões de euros.

4. O resultado do exercício que findou em 30 de Junho de 2015 atingiu um valor positivo, significativamente superior aos acima referidos 4,9 milhões de euros, como é do conhecimento público, sendo que os valores apurados para efeitos de fair-play serão formalmente reportados à UEFA até ao próximo dia 15 de Outubro.

5. Face ao exposto e tendo sido cumpridos pela Sporting, SAD as regras do fair-play financeiro com referência às três últimas épocas desportivas, e tendo sido cumprido o acordo estabelecido em Maio, a Sociedade não será alvo de qualquer das sanções referidas no ponto 2.

6. A UEFA manterá a vigilância até ao final da corrente época, sendo posteriormente a Sociedade monitorizada, tal como todos os restantes Clubes participantes nas competições organizadas por aquela entidade.

Lisboa, 7 de Outubro de 2015
O Conselho de Administração"

 

Os nossos comentadores (não) merecem ser citados

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Um anónimo que assina "olha o cisco no olho" escreveu - neste post do Pedro Correia - o seguinte:

«'penálti' perdoado -
bola na coxa ou NÃO INTENCIONAL bola no braço !?!...
depois de ver éne repetições da jogada, continuo sem certezas absolutas, não juro, nem teimo, que a bola tenha ido, sequer, ao braço do jogador
- fora-de-jogo -
BEM ASSINALADO, visível desde a superfície lunar, se ao João Pereira e ao Sporting se aplicarem as XVII Leis do jogo»

Afinal o fora-de-jogo visível da superfície lunar não existiu como a imagem documenta já a mão na bola existiu e foi visível, como aliás, já tinha referido ontem.

Os árbitros portugueses devem ser leitores assíduos de Antoine de Saint-Exupéry para quem o essencial é invisível (L'essentiel est invisible pour les yeux. Cap.XXI, Le Petit [não, não é o treinador do Boavista] Prince) embora seja mais complicado do que parece, pois ele vêem o que não existe (o suposto fora-de-jogo de João Pereira) mas não vêem o que existe, a mão marota de Paulo Vinicius a impedir a bola de se ir aninhar no interior da baliza.

Mais à frente na obra citada, Antoine refere: Os homens esqueceram a verdade (Les hommes ont oublié [...] vérité) esquecer não esqueceram, digo eu, mas a alguns dá-lhes amanho viver numa realidade paralela, ver o que não existe e não ver o que existe; curiosamente, sempre com o objectivo de prejudicar o Sporting Clube de Portugal.

[imagem retirada do Record d' hoje p. 6]

 

 

"As mentiras de Pedro Guerra"

O jornal Record lançou hoje um comunicado onde confirma o que já sabíamos. Fica agora tudo dito sobre esta personagem:

«Ontem, no programa Prolongamento, da TVI 24, o sr. Pedro Guerra referiu que Jorge Jesus teria dito em off aos dois jornalistas de Record, José Ribeiro e Alexandre Carvalho, autores da entrevista que o nosso jornal publicou na sua edição de domingo, que "o Benfica não é comparável ao Sporting", que "a estrutura do Sporting não existe" e que "no Sporting as coisas são todas muito..." [n.d.r.: não se percebeu onde queria chegar Pedro Guerra com esta frase].

Em momento algum (em on ou em off) Jorge Jesus fez qualquer tipo de comparação entre a ‘grandeza’ do Benfica e a do Sporting. Acrescenta-se que, em momento algum, Jorge Jesus se referiu à estrutura do Sporting em off. A única vez que falou sobre o assunto foi em on, declarações que estão reproduzidas nas páginas do nosso jornal. "O FC Porto tem uma estrutura de 30 anos; o Benfica tem uma estrutura de 6 anos; o Sporting tem uma estrutura que só agora está a começar a ser preparada para estes desafios…" [pág. 9, da edição de 6 de setembro de 2015].

Nem José Ribeiro nem Alexandre Carvalho conhecem ou alguma vez falaram com o sr. Pedro Guerra. Nesse sentido, não se percebe de onde é que surgiram as supostas ‘informações’ (e nunca as aspas funcionaram tão bem como aqui) que o senhor em causa levou para o programa da TVI 24.

Agora, caberá ao sr. Pedro Guerra provar nos locais próprios a veracidade das insinuações que dirigiu aos jornalistas de Record, colocando em causa o jornal e a ética dos seus profissionais.»

A entrevista de Jorge Jesus

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O Record está de parabéns. Na semana em que assinalou o aniversário da entrada em funções de António Magalhães como director, conseguiu o exclusivo que certamente a concorrência mais cobiçava: uma longa entrevista com Jorge Jesus. A primeira na imprensa desde que o treinador rumou ao Sporting.

São proezas como esta que definem o prestígio dos títulos jornalísticos. E o Record faz justiça a Jesus, concedendo-lhe nada menos de dez páginas da edição de hoje - mais a manchete, com o título "Posso fazer no Sporting o que fiz no Benfica".

Esta é a ideia forte da entrevista: o mais prestigiado técnico a trabalhar no futebol português, durante o diálogo travado com os jornalistas José Ribeiro e Alexandre Carvalho, deixa bem evidente que não pensa noutra coisa senão num Sporting vencedor. Quer chegar à final da Liga Europa e fará tudo para celebrar o título do campeonato português em Maio de 2016.

"No Benfica, houve um ano em que fui campeão [2009/10] e fiquei 28 pontos à frente do Sporting. 28? Isso não existe... Não quero esse Sporting, quero o do passado, que orgulhe os adeptos, que os faça saber que pode não ser campeão, mas que vai disputar o título até ao fim. Isso vai."

Uma entrevista para ler com atenção. Da primeira à última linha.

Nani no jogo que eu vi

Há coisas que tenho dificuldade em entender na imprensa desportiva. Uma delas é a das classificações atribuídas aos jogadores após cada desafio. Fico muitas vezes com a sensação de que vimos jogos totalmente diferentes.

Voltou a acontecer-me esta segunda-feira ao pegar no Record. Nani é ali brindado, na página 6, com nota 1 - a mesma que foi atribuída a Carlos Mané («quase não se deu por ele»), Tanaka («não teve bola para tentar o que quer que fosse») e André Martins («refrescou o meio-campo»).

Mal queria acreditar. Nani com nota igual a André Martins e inferior a Slimani, que mereceu um 2 por «ter dado trabalho aos centrais»?

 

Luís Avelãs - um jornalista por quem tenho consideração - foi o responsável pelas notas, justificando assim a de Nani: «Ainda menos em jogo que Carrillo [nota 2]. Aliás, por vezes, até deu a sensação que não estava nos Barreiros. Teve um outro pormenor, mas passou ao lado da partida.»

Como é possível escrever isto se Nani foi responsável directo pelo melhor lance do jogo - precisamente aquele que viria a decidir o desfecho da partida?

E como é possível escrever - como escreveu o editor-chefe José Ribeiro na crónica do jogo publicada na página 4, também do Record de ontem - que o Sporting «não contou com Nani, a fazer talvez a exibição mais fraca desde o regresso ao clube»?

 

Nani2[1].jpg

 

Consolidei a minha impressão inicial: teremos visto jogos diferentes.

No jogo que eu vi, partiu dos pés de Nani - da arte incomparável de Nani - a simulação perfeitamente temporizada que desposicionou a defesa anfitriã e o passe milimétrico para a grande área, onde Jefferson recebeu a bola e viria a ser carregado em falta, originando o penálti convertido por Adrien.

Bastaria este lance - excepção numa partida insípida e lenta - para que Nani merecesse melhor classificação, como aliás logo salientei aqui.

 

Estaria eu equivocado?

Talvez não, como verifiquei na página 7 da mesmíssima edição do Record. Na sua excelente rubrica "Visto à lupa", Rui Malheiro analisa o jogo ao pormenor.

Passo a transcrever, com a devida vénia, as linhas que dedicou a Nani. Os sublinhados a negro são da minha responsabilidade. 

 

«Capaz de sair a jogar com qualidade, o Sporting soube explorar os corredores laterais, através de Nani, Carrillo e Jefferson, sempre solícito a buscar a profundidade, como também o corredor central, onde Nani, extremamente incisivo a procurar o espaço interior e a proporcionar passes de ruptura, e João Mário, superlativo a pressionar, recuperar, conduzir, constuir e romper, mas a quem faltou uma melhor tomada de decisão em zona de definição, fizeram a diferença.»

«Um livre no corredor central, apontado por Nani, está na origem do penálti que define a vitória do Sporting. O internacional português, perante a passividade do adversário, apesar de ter oito jogadores num espaço muito curto à entrada da área, soltou um brilhante passe de ruptura que descobriu a desmarcação de Jefferson nas costas de João Diogo e Marega.»

 

Este foi o jogo que eu vi.

Duplo critério

             

 

Reparem no tratamento editorial destas duas primeiras páginas.

 

Na primeira, a 17 de Setembro, noticia-se uma derrota do Benfica para a Liga dos Campeões, mas o tom é triunfal: a manchete, impressa em letras garrafais (acrescidas de ponto de exclamação), resume-se à palavra "incrível" ilustrada com o treinador Jorge Jesus a bater palmas. Tudo aqui sugere a vitória encarnada contra o Zenit. "Luz aplaudiu de pé o esforço das águias", reza a frase que antecede o título principal, logo seguida de outra, com citação de Jesus embevecido com "manifestação dos adeptos".

O Benfica perdeu 0-2 em casa. Mas ninguém diria.

 

Na segunda, a 18 de Setembro, noticia-se um empate do Sporting fora de casa, também para a Liga dos Campeões, mas o tom é fúnebre: a manchete, impressa em letras garrafais, grita ao leitor: "Dupla traição". Vemos três jogadores leoninos em atitude de desânimo. Tudo aqui sugere a derrota do nosso clube contra o Maribor. "Erro inacreditável dos centrais tira vitória ao leão", proclama a frase que acompanha o título principal.

O Sporting empatou 1-1 fora de casa. Mas ninguém diria.

 

Estas duas edições surgiram nas bancas com um intervalo de 24 horas. São de um jornal que muitos agora dizem "conotado com o Sporting". Não é verdade, como aqui se comprova. Se há coisa que nós, sportinguistas, não precisamos é desta imprensa "amiga". Bastar-nos-ia uma imprensa com critério editorial uniforme. Como nos bastaria uma arbitragem com critério técnico e disciplinar uniforme, que não beneficiasse nem prejudicasse ninguém.

São talvez aspirações utópicas. Por mim, não me cansarei de continuar a lutar por elas.

Podia ter sido mas não foi (7)

 

 

Há anos que não se via tanto frenesim sobre aquisições de jogadores, reais ou imaginárias, na imprensa desportiva. A coisa começou logo na abertura do defeso, a 17 de Maio, quando o Record anunciou: "Rotariu para o ataque". Do Sporting, apesar de o jovem Dorin Rotariu, de 18 anos, ser exibido com equipamento encarnado na capa do matutino.

Razão para esta manchete? O jornal esclarecia: "Sporting procura reforçar-se no estrangeiro". Como se um clube que gastou apenas cerca de 250 mil euros para contratar Slimani - considerado o melhor em campo em dois jogos do Campeonato do Mundo, Argélia-Coreia do Sul e Argélia-Rússia - precisasse de despender "no mínimo" um milhão para trazer este extremo-esquerdo do Dínamo que também pode adaptar-se a ponta-de-lança.

"A indefinição em redor do comando técnico não emperra a máquina leonina", elogiava o jornal, aparentando, a toda a largura da primeira página, estar garantido aquilo que não passava de uma hipótese. Mais de três meses depois, conclui-se que se tratou de um remate para golo que saiu ao lado. Algo que durante a silly season aproxima este matutino da selecção nacional: rematam muito e acertam pouco. Ou nada.

Aliás neste caso nem foi preciso esperar três meses: bastaram três dias.

Podia ter sido mas não foi (6)

 

Quantos exemplares de jornal se venderam este Verão à conta da baliza do Sporting? Nunca saberemos. Sei, isso sim, que Rui Patrício não deixou de constituir uma obsessão para certa imprensa. Quando a baliza era o problema número 1, bem real, de outros clubes (estou a lembrar-me do Benfica, por exemplo), algumas manchetes preencheram-se com problemas imaginários. Dando o passo maior que a perna, como bem ilustra este título bombástico do Record de 14 de Junho, que nem admitia a dúvida: dava-nos a certeza.

"Vagner eleito", berrava o jornal, garantindo que Marco Silva "já escolhera" o estorilense para nosso guarda-redes. Por sua vez, Patrício rumaria ao Mónaco sem olhar para trás.

Eis o jornalismo imitando as telenovelas. Com muita emoção, paixões à solta, cenas dos próximos capítulos - e uma relação muito distanciada com a vida real.

Cheguei a ter a sensação de que o director deste matutino se chamava Joaquim Rita. O mesmo que a 27 de Julho de 2013 declarou aos microfones na Antena 1: «É inevitável a saída de Rui Patrício.» Ou que se chamaria Rui Santos. O mesmo que a 7 de Maio de 2012 declarou na SIC Notícias: «Tenho a sensação de que o Rui Patrício não quererá ficar no Sporting.»

Golos na própria baliza. Sem a mínima hipótese de defesa.

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