19 Fev 17

Há coisas que não entendo de todo nas notas que os jornais atribuem aos jogadores. Hoje, por exemplo, o diário Record reabilita Jefferson, ontem claramente o pior jogador do Sporting frente ao Rio Ave, atribuindo-lhe nota 3 (em 5), claramente positiva. A mesma nota que atribui a Paulo Oliveira, Gelson Martins e Adrien, por exemplo. E apenas um patamar mais abaixo do que o 4 atribuído pelo mesmo jornal a Rui Patrício.

Para mim é incompreensível como um jornal desportivo mantém uma gama classificativa tão reduzida como esta, que leva dois terços dos jogadores a receberem nota 2 ou 3. Sem distinguir, portanto, as verdadeiras diferenças dos desempenhos que tiveram em campo. Eu se fosse responsável editorial do Record ampliava este critério, passando a atribuir notas de 1 a 10 - aliás à semelhança do que fazem os outros jornais.

Mas o que de todo não entendo é como foi possível enaltecer o medíocre Jefferson do jogo de ontem, dando-lhe nota positiva. Há razões que a própria razão desconhece.


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03 Jan 17

Recém-chegado a Lisboa, liguei a televisão ontem à noite durante não mais de cinco minutos. Em três canais de notícias, os habituais programas de debate sobre futebol. De que se falava em qualquer destes programas? Da entrevista com Bruno de Carvalho publicada ontem de manhã no Record. Não na enésima "publi-entrevista" de Luís Filipe Vieira ao diário A Bola, tão previsível e ritual a abrir o ano como a bênção Urbi et Orbi do Papa.

Bastaram-me esse minutos a zapar pelos três canais para perceber qual das duas resultou num êxito mediático. A do Record, única que realmente merece o título de entrevista. Não a do outro diário, auto-apresentada como "conversa com um Luís Filipe Vieira muito sereno, fruto da estabilidade social em que o Benfica está a viver e de uma planificação que coloca os encarnados a salvo do improviso", conclui antes de começar que "o Benfica sabe o que quer, para onde vai e como vai", e arranca com esta espantosa pergunta: "Qual foi o momento mais feliz do seu ano desportivo de 2016"?

Não admira que ninguém tenha falado dela.


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06 Dez 16

Inqualificável o que o jornal Record fez ontem. Dois jornalistas deste diário desportivo, armados em pides,  tratam de vigiar a conta no twitter de um miúdo de 15 anos, apenas e só porque o mesmo é filho do presidente  do conselho de arbitragem. Este miúdo, ter sempre isto presente, falamos de um miúdo, ingressou na academia do Sporting na presente época. Na altura a máquina de propaganda benfiquista logo tratou de aproveitar este facto para atacar Fontelas, usando sem qualquer pudor um miúdo de 15 anos. Ontem dois jornalistas do Record inquiriam o miúdo e rejubilavam por terem descoberto um tweet deste miúdo (não paro de o repetir) onde o mesmo utiliza a já gasta e completamente em desuso expressão “ver a luz a arder”. Um dos jornalistas fez questão de se vangloriar de ter efectuado um print do tweet “Então pois. Já ando nisto há muitos anos” disse em resposta ao colega que lhe pediu “print nisso”. Poucos minutos depois estava plasmado no record Online e a máquina de propaganda benfiquista fez o resto. De salientar que no twitter pouca expressão teve, antes dos próprios jornalistas o difundirem.

É este o estado de podridão em que vivemos no desporto. Jornalistas, pessoas adultas, a devassarem completamente a vida de um miúdo, a transcreverem tweets de um menor de idade sem qualquer pejo, sem qualquer ideia do que deve ser o respeito pelos outros. Há que deitar achas, muitas achas para incendiar o ambiente em semana de derby. Depois, claro, culpam-se os adeptos, as claques violentas e os dirigentes desportivos.


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26 Out 16
Vemos, ouvimos e lemos
Paula Caeiro Varela

Alguma alminha por aí capaz de explicar-me em que medida exactamente é que esta notícia do Record é relevante? porque é que no dia em que Rui Patrício é nomeado para a Bola de Ouro há um site de um jornal português que considera de absoluta pertinência e essencial essa informação de que "indianos dizem que Rui Patrício não merece estar nos nomeados"?

A sério? Isto é um site muito lido lá India, já percebi, e cá também? é daqueles sites que toooda a gente vai ler a correr quando quer saber notícias do futebol e ninguém me avisou?

É que se for isso prometo penitenciar-me e passar a ler o Sportskeeda ou lá o que é, com todo o afinco, todos os dias ao pequeno-almoço. Mas expliquem-me. De preferência em português, obrigada.

 

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23 Jun 16

Estes são dias em que as transmissões diárias dos desafios do Campeonato da Europa permitem separar o trigo do joio. Ficamos a saber quem é que, no enxame de comentadores e "analistas" dos jogos, entende mesmo de futebol e quem não percebe patavina.

Neste segundo lote destaca-se aquele que é talvez o palrador máximo da pantalha. Fala na proporção inversa do que sabe. Ainda há dias, como se estivesse numa conversa de café, declarava que o problema da selecção nacional é "eles correrem pouco". E concluía, contemplando a própria imagem num monitor de estúdio e repetindo sempre cada frase para preencher tempo de antena: "Deviam correr mais, deviam correr mais..."

 

Entre os que percebem realmente de futebol destaco alguém que não costuma pavonear-se nas televisões. Refiro-me a José Ribeiro, editor-chefe do jornal Record. Na edição de hoje, este jornalista explica de forma consistente e credível por que motivo jogadores como João Mário e William Carvalho renderam muito mais na segunda parte do Portugal-Hungria do que na primeira.

Passo a citar, com a devida vénia:

«William transformou-se, durante a primeira parte, na segunda "vítima" de Moutinho (a primeira fora Danilo): como o médio do Mónaco não está a conseguir ser dinâmico, "esconde-se" em espaços muito recuados, originando redundância de posicionamentos e funções na primeira fase de construção. Portugal voltou a ressentir-se desse problema. (...) Há um jogo com Renato que, neste momento, nunca pode existir com Moutinho. [No segundo tempo] o jogo da selecção transformou-se. O corredor central passou a ter vida e dinâmica. João Mário cresceu para os patamares habituais, de craque. E finalmente viu-se uma equipa com argumentos para poder discutir resultados. Com William vigilante, a cobrir-lhe as costas, este duo dinâmico foi capaz de "queimar" linhas e levar a bola para a zona de finalização. Não foi por coincidência, foi pela acção directa de Renato. E mesmo "sem" André Gomes em campo, aqueles dois carregaram o jogo e levaram a bola para onde ela tinha de estar. Onde ela não chegava com Moutinho.»

 

Palavras de um atento e sábio leitor do jogo. Com ele é possível aprendermos alguma coisa. Com o outro, o tal que adora mirar-se no monitor, ninguém aprende nada.


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07 Jan 16
Curioso
Edmundo Gonçalves

Ontem o título era "Explosivo". Hoje é "Demolidor".

Há no entanto um demolidor que é implacável:

O "Sporting goleia em Setúbal".

O "Benfica esmaga Marítimo".

Pois... O Pina é que tem razão.

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07 Out 15
Redord(e)
Edmundo Gonçalves

"Nos termos e para efeitos do cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 al. a) do Código dos Valores Mobiliários, no seguimento do Comunicado emitido pelo Conselho de Administração da Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD (Sporting SAD), no passado dia 11 de Maio de 2015 e face à notícia hoje publicada no jornal Record intitulada “UEFA pode reter 2 milhões de euros”, vem o mesmo Conselho esclarecer o seguinte:

 

1. A Sporting Clube de Portugal, SAD tem vindo a cumprir as suas obrigações decorrentes do Acordo celebrado com o Club Financial Control Body da UEFA, no passado mês de Maio, o qual vigora até ao final da corrente época desportiva de 2015/16.

2. As sanções de retenção de verbas no montante de 2 milhões de euros e de limitação ao número de inscritos nas provas da UEFA apenas se tornariam efectivas caso o resultado negativo acumulado para o conjunto das épocas 2014/15, 2013/14 e 2012/13 fosse superior a 30 milhões de euros previstos.

3. Na época de 2012/13, a Sporting, SAD apresentou um prejuízo de 43,5 milhões de euros, na época seguinte de 2013/14 apresentou um lucro de 8,6 milhões de euros. Deste modo, para a época 2014/15, para efeitos de cumprimento das regras do Fair Play da UEFA e do break-even agregado das três épocas, seria suficiente um resultado positivo de 4,9 milhões de euros.

4. O resultado do exercício que findou em 30 de Junho de 2015 atingiu um valor positivo, significativamente superior aos acima referidos 4,9 milhões de euros, como é do conhecimento público, sendo que os valores apurados para efeitos de fair-play serão formalmente reportados à UEFA até ao próximo dia 15 de Outubro.

5. Face ao exposto e tendo sido cumpridos pela Sporting, SAD as regras do fair-play financeiro com referência às três últimas épocas desportivas, e tendo sido cumprido o acordo estabelecido em Maio, a Sociedade não será alvo de qualquer das sanções referidas no ponto 2.

6. A UEFA manterá a vigilância até ao final da corrente época, sendo posteriormente a Sociedade monitorizada, tal como todos os restantes Clubes participantes nas competições organizadas por aquela entidade.

Lisboa, 7 de Outubro de 2015
O Conselho de Administração"

 


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27 Set 15

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Um anónimo que assina "olha o cisco no olho" escreveu - neste post do Pedro Correia - o seguinte:

«'penálti' perdoado -
bola na coxa ou NÃO INTENCIONAL bola no braço !?!...
depois de ver éne repetições da jogada, continuo sem certezas absolutas, não juro, nem teimo, que a bola tenha ido, sequer, ao braço do jogador
- fora-de-jogo -
BEM ASSINALADO, visível desde a superfície lunar, se ao João Pereira e ao Sporting se aplicarem as XVII Leis do jogo»

Afinal o fora-de-jogo visível da superfície lunar não existiu como a imagem documenta já a mão na bola existiu e foi visível, como aliás, já tinha referido ontem.

Os árbitros portugueses devem ser leitores assíduos de Antoine de Saint-Exupéry para quem o essencial é invisível (L'essentiel est invisible pour les yeux. Cap.XXI, Le Petit [não, não é o treinador do Boavista] Prince) embora seja mais complicado do que parece, pois ele vêem o que não existe (o suposto fora-de-jogo de João Pereira) mas não vêem o que existe, a mão marota de Paulo Vinicius a impedir a bola de se ir aninhar no interior da baliza.

Mais à frente na obra citada, Antoine refere: Os homens esqueceram a verdade (Les hommes ont oublié [...] vérité) esquecer não esqueceram, digo eu, mas a alguns dá-lhes amanho viver numa realidade paralela, ver o que não existe e não ver o que existe; curiosamente, sempre com o objectivo de prejudicar o Sporting Clube de Portugal.

[imagem retirada do Record d' hoje p. 6]

 

 

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10 Set 15
Contrastes
Pedro Correia

O Record devia fazer melhor gestão das entrevistas. Após uma que pôs todo o País a falar dela conviria não ter publicado de imediato outra da qual ninguém falou.


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08 Set 15

O jornal Record lançou hoje um comunicado onde confirma o que já sabíamos. Fica agora tudo dito sobre esta personagem:

«Ontem, no programa Prolongamento, da TVI 24, o sr. Pedro Guerra referiu que Jorge Jesus teria dito em off aos dois jornalistas de Record, José Ribeiro e Alexandre Carvalho, autores da entrevista que o nosso jornal publicou na sua edição de domingo, que "o Benfica não é comparável ao Sporting", que "a estrutura do Sporting não existe" e que "no Sporting as coisas são todas muito..." [n.d.r.: não se percebeu onde queria chegar Pedro Guerra com esta frase].

Em momento algum (em on ou em off) Jorge Jesus fez qualquer tipo de comparação entre a ‘grandeza’ do Benfica e a do Sporting. Acrescenta-se que, em momento algum, Jorge Jesus se referiu à estrutura do Sporting em off. A única vez que falou sobre o assunto foi em on, declarações que estão reproduzidas nas páginas do nosso jornal. "O FC Porto tem uma estrutura de 30 anos; o Benfica tem uma estrutura de 6 anos; o Sporting tem uma estrutura que só agora está a começar a ser preparada para estes desafios…" [pág. 9, da edição de 6 de setembro de 2015].

Nem José Ribeiro nem Alexandre Carvalho conhecem ou alguma vez falaram com o sr. Pedro Guerra. Nesse sentido, não se percebe de onde é que surgiram as supostas ‘informações’ (e nunca as aspas funcionaram tão bem como aqui) que o senhor em causa levou para o programa da TVI 24.

Agora, caberá ao sr. Pedro Guerra provar nos locais próprios a veracidade das insinuações que dirigiu aos jornalistas de Record, colocando em causa o jornal e a ética dos seus profissionais.»


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06 Set 15

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O Record está de parabéns. Na semana em que assinalou o aniversário da entrada em funções de António Magalhães como director, conseguiu o exclusivo que certamente a concorrência mais cobiçava: uma longa entrevista com Jorge Jesus. A primeira na imprensa desde que o treinador rumou ao Sporting.

São proezas como esta que definem o prestígio dos títulos jornalísticos. E o Record faz justiça a Jesus, concedendo-lhe nada menos de dez páginas da edição de hoje - mais a manchete, com o título "Posso fazer no Sporting o que fiz no Benfica".

Esta é a ideia forte da entrevista: o mais prestigiado técnico a trabalhar no futebol português, durante o diálogo travado com os jornalistas José Ribeiro e Alexandre Carvalho, deixa bem evidente que não pensa noutra coisa senão num Sporting vencedor. Quer chegar à final da Liga Europa e fará tudo para celebrar o título do campeonato português em Maio de 2016.

"No Benfica, houve um ano em que fui campeão [2009/10] e fiquei 28 pontos à frente do Sporting. 28? Isso não existe... Não quero esse Sporting, quero o do passado, que orgulhe os adeptos, que os faça saber que pode não ser campeão, mas que vai disputar o título até ao fim. Isso vai."

Uma entrevista para ler com atenção. Da primeira à última linha.


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17 Mar 15

Há coisas que tenho dificuldade em entender na imprensa desportiva. Uma delas é a das classificações atribuídas aos jogadores após cada desafio. Fico muitas vezes com a sensação de que vimos jogos totalmente diferentes.

Voltou a acontecer-me esta segunda-feira ao pegar no Record. Nani é ali brindado, na página 6, com nota 1 - a mesma que foi atribuída a Carlos Mané («quase não se deu por ele»), Tanaka («não teve bola para tentar o que quer que fosse») e André Martins («refrescou o meio-campo»).

Mal queria acreditar. Nani com nota igual a André Martins e inferior a Slimani, que mereceu um 2 por «ter dado trabalho aos centrais»?

 

Luís Avelãs - um jornalista por quem tenho consideração - foi o responsável pelas notas, justificando assim a de Nani: «Ainda menos em jogo que Carrillo [nota 2]. Aliás, por vezes, até deu a sensação que não estava nos Barreiros. Teve um outro pormenor, mas passou ao lado da partida.»

Como é possível escrever isto se Nani foi responsável directo pelo melhor lance do jogo - precisamente aquele que viria a decidir o desfecho da partida?

E como é possível escrever - como escreveu o editor-chefe José Ribeiro na crónica do jogo publicada na página 4, também do Record de ontem - que o Sporting «não contou com Nani, a fazer talvez a exibição mais fraca desde o regresso ao clube»?

 

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Consolidei a minha impressão inicial: teremos visto jogos diferentes.

No jogo que eu vi, partiu dos pés de Nani - da arte incomparável de Nani - a simulação perfeitamente temporizada que desposicionou a defesa anfitriã e o passe milimétrico para a grande área, onde Jefferson recebeu a bola e viria a ser carregado em falta, originando o penálti convertido por Adrien.

Bastaria este lance - excepção numa partida insípida e lenta - para que Nani merecesse melhor classificação, como aliás logo salientei aqui.

 

Estaria eu equivocado?

Talvez não, como verifiquei na página 7 da mesmíssima edição do Record. Na sua excelente rubrica "Visto à lupa", Rui Malheiro analisa o jogo ao pormenor.

Passo a transcrever, com a devida vénia, as linhas que dedicou a Nani. Os sublinhados a negro são da minha responsabilidade. 

 

«Capaz de sair a jogar com qualidade, o Sporting soube explorar os corredores laterais, através de Nani, Carrillo e Jefferson, sempre solícito a buscar a profundidade, como também o corredor central, onde Nani, extremamente incisivo a procurar o espaço interior e a proporcionar passes de ruptura, e João Mário, superlativo a pressionar, recuperar, conduzir, constuir e romper, mas a quem faltou uma melhor tomada de decisão em zona de definição, fizeram a diferença.»

«Um livre no corredor central, apontado por Nani, está na origem do penálti que define a vitória do Sporting. O internacional português, perante a passividade do adversário, apesar de ter oito jogadores num espaço muito curto à entrada da área, soltou um brilhante passe de ruptura que descobriu a desmarcação de Jefferson nas costas de João Diogo e Marega.»

 

Este foi o jogo que eu vi.

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23 Jan 15

Afiança o Record que Jonas supera Neymar. Pois o És a Nossa Fé adianta que Lima supera Messi e que Talisca supera Cristiano Ronaldo.

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05 Jan 15
Em bom português
Duarte Fonseca

A capa de hoje do jornal Record merece constar nos manuais de português:

 

"Melhor forma de homenagear Eusébio era ser campeão europeu"

 

Simplesmente delicioso.

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24 Set 14
Duplo critério
Pedro Correia

             

 

Reparem no tratamento editorial destas duas primeiras páginas.

 

Na primeira, a 17 de Setembro, noticia-se uma derrota do Benfica para a Liga dos Campeões, mas o tom é triunfal: a manchete, impressa em letras garrafais (acrescidas de ponto de exclamação), resume-se à palavra "incrível" ilustrada com o treinador Jorge Jesus a bater palmas. Tudo aqui sugere a vitória encarnada contra o Zenit. "Luz aplaudiu de pé o esforço das águias", reza a frase que antecede o título principal, logo seguida de outra, com citação de Jesus embevecido com "manifestação dos adeptos".

O Benfica perdeu 0-2 em casa. Mas ninguém diria.

 

Na segunda, a 18 de Setembro, noticia-se um empate do Sporting fora de casa, também para a Liga dos Campeões, mas o tom é fúnebre: a manchete, impressa em letras garrafais, grita ao leitor: "Dupla traição". Vemos três jogadores leoninos em atitude de desânimo. Tudo aqui sugere a derrota do nosso clube contra o Maribor. "Erro inacreditável dos centrais tira vitória ao leão", proclama a frase que acompanha o título principal.

O Sporting empatou 1-1 fora de casa. Mas ninguém diria.

 

Estas duas edições surgiram nas bancas com um intervalo de 24 horas. São de um jornal que muitos agora dizem "conotado com o Sporting". Não é verdade, como aqui se comprova. Se há coisa que nós, sportinguistas, não precisamos é desta imprensa "amiga". Bastar-nos-ia uma imprensa com critério editorial uniforme. Como nos bastaria uma arbitragem com critério técnico e disciplinar uniforme, que não beneficiasse nem prejudicasse ninguém.

São talvez aspirações utópicas. Por mim, não me cansarei de continuar a lutar por elas.


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10 Set 14

 

 

Há anos que não se via tanto frenesim sobre aquisições de jogadores, reais ou imaginárias, na imprensa desportiva. A coisa começou logo na abertura do defeso, a 17 de Maio, quando o Record anunciou: "Rotariu para o ataque". Do Sporting, apesar de o jovem Dorin Rotariu, de 18 anos, ser exibido com equipamento encarnado na capa do matutino.

Razão para esta manchete? O jornal esclarecia: "Sporting procura reforçar-se no estrangeiro". Como se um clube que gastou apenas cerca de 250 mil euros para contratar Slimani - considerado o melhor em campo em dois jogos do Campeonato do Mundo, Argélia-Coreia do Sul e Argélia-Rússia - precisasse de despender "no mínimo" um milhão para trazer este extremo-esquerdo do Dínamo que também pode adaptar-se a ponta-de-lança.

"A indefinição em redor do comando técnico não emperra a máquina leonina", elogiava o jornal, aparentando, a toda a largura da primeira página, estar garantido aquilo que não passava de uma hipótese. Mais de três meses depois, conclui-se que se tratou de um remate para golo que saiu ao lado. Algo que durante a silly season aproxima este matutino da selecção nacional: rematam muito e acertam pouco. Ou nada.

Aliás neste caso nem foi preciso esperar três meses: bastaram três dias.


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09 Set 14

 

Quantos exemplares de jornal se venderam este Verão à conta da baliza do Sporting? Nunca saberemos. Sei, isso sim, que Rui Patrício não deixou de constituir uma obsessão para certa imprensa. Quando a baliza era o problema número 1, bem real, de outros clubes (estou a lembrar-me do Benfica, por exemplo), algumas manchetes preencheram-se com problemas imaginários. Dando o passo maior que a perna, como bem ilustra este título bombástico do Record de 14 de Junho, que nem admitia a dúvida: dava-nos a certeza.

"Vagner eleito", berrava o jornal, garantindo que Marco Silva "já escolhera" o estorilense para nosso guarda-redes. Por sua vez, Patrício rumaria ao Mónaco sem olhar para trás.

Eis o jornalismo imitando as telenovelas. Com muita emoção, paixões à solta, cenas dos próximos capítulos - e uma relação muito distanciada com a vida real.

Cheguei a ter a sensação de que o director deste matutino se chamava Joaquim Rita. O mesmo que a 27 de Julho de 2013 declarou aos microfones na Antena 1: «É inevitável a saída de Rui Patrício.» Ou que se chamaria Rui Santos. O mesmo que a 7 de Maio de 2012 declarou na SIC Notícias: «Tenho a sensação de que o Rui Patrício não quererá ficar no Sporting.»

Golos na própria baliza. Sem a mínima hipótese de defesa.


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06 Set 14

A mudança de direcção no Record vai começando a produzir resultados, alguns imediatos e de puro bom senso. Um exemplo? O novo director, António Magalhães, informa hoje que o jornal deixa de ordenar a classificação do campeonato de acordo com o critério que der mais jeito ao Benfica e passa a seguir o regulamento das competições. Sem manhas de chico esperto. Altura, portanto, para voltar a comprar regularmente o jornal.

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03 Set 14

Ao que tudo indica, há uma possibilidade de podermos voltar a olhar para a capa do Record e não sentir aquela espécie de nojo e repugnância que, por vezes, certos répteis nos provocam. Um ano é muito tempo, mas suficiente para alguém perceber que não chega manha para recorde. Os Sportinguistas bem que se ergueram, et voilá, Record sem Manha. Parafraseando, quem se mete com o Sporting leva! Para já, para o Record, o benefício da dúvida. Os tempos são outros. Na verdade, já se respira melhor. Até na luz, como se viu.


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11 Ago 14
Manhas
João António

Estamos ansiosamente à espera de uma ... ou melhor duas entrevistas a dois jogadores dos nossos rivais, e que neste momento estão no apogeu da felicidade desportiva.

Por isso, Sr. Manha vou esperar sentado por entrevistas a este e a este, de quatro páginas a cada um ... 


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09 Jul 14

 

Ontem, a falta de sentido do ridículo abateu-se de forma estrondosa, em simultâneo, sobre dois jornais, o Record e a Bola. A propósito da morte de Alfredo di Stéfano, o primeiro põs em título, na capa, Di Stéfano, Morreu o ídolo de Eusébio, e o segundo, também na capa, Morreu Don Alfredo, O Ídolo de Eusébio.  A Marca disse, enaltecendo com comparativa modéstia a figura de Di Stéfano, que  Su muerte supone el adiós al jugador más importante de la historia del conjunto blanco y a uno de los grandes de la historia del fútbol mundial. Estivesse este jornal mais bem informado e tivesse, portanto, conhecimento das preferências de Eusébio e o título da notícia seria, por certo, semelhante aos do Record e da Bola. Tal carência informativa é partilhada com todos os jornais cujos títulos li, já que, em nenhum deles, o futebolista único ou quase único que di Stéfano foi é relacionado com o moçambicano. Falta de cuidado, é claro. Em lugar de irem ao que interessa, põem-se a divagar sobre a importância do homem para o futebol, para o Real Madrid, para Espanha, para o River Plate e para a Argentina e para toda uma série de minudências da mais absoluta irrelevância.  

 

A ideia extravagante de, com a distinção de primeiras páginas, atribuir o prestígio e a importância de alguém como o fenomenal jogador hispano-argentino à conta em que era tido pelo simpático Pantera Negra, que, como é óbvio, não tem nenhuma culpa nesta tolice, só pode ocorrer a espíritos  seriamente embotados por uma dose reforçada de fanatismo. A cegueira nacionalista, clubística ou uma mistura de ambas tão frondosamente exibida, nesta ocasião, pelas duas gazetas faz-me lembrar uma história que se contava nos tempos da guerra fria sobre a maneira como Estaline preparou as cerimónias do centenário da morte de Alexander Pushkin. Tendo sido decidido edificar um monumento que prestasse devida e grandiosa homenagem ao genial poeta russo, permanecia a indecisão sobre as particularidades da estátua que aí tomaria o lugar de maior relevo. Até que o Secretário-Geral do PCUS proferiu, com o desembaraço que lhe era tão peculiar, uma sentença definitiva:a estátua representá-lo-ia a ele mesmo, Estaline, lendo um exemplar de Eugene Onegin.


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20 Jan 14

 

Por vezes leio com estupefacção as apreciações jornalísticas de jogos que todos nós temos ocasião de ver. Chego a ficar com a impressão de ter visto desafios muito diferentes daquele que são relatados. O mesmo sucede com a análise do desempenho dos jogadores: alguns desses textos roçam o caricato por serem tão dissonantes com a realidade.

Fica a promessa: de vez em quando, com a regularidade possível, falarei disto aqui. E começo já hoje, com a inacreditável nota 1 atribuída na edição de ontem do Record a Marcos Rojo pelo seu desempenho no jogo do Sporting em Arouca. A mesma nota que é dirigida pelo jornalista Paulo Renato Soares ao inócuo Magrão face aos escassos oito minutos da sua presença em campo.

Não há o menor fundamento para uma nota tão baixa. Rojo, que é defesa, marcou o primeiro dos dois golos do Sporting e foi nesta partida o nosso jogador com mais remates, a par de Montero - segundo nos informa o mesmíssimo Record. O próprio jornalista que lhe dá esta "nota menos positiva" (notável eufemismo, como se no fundo não assumisse o juízo que elabora) escreve o seguinte sobre o argentino neste jogo: "Fez o primeiro golo do Sporting, com um remate de cabeça à maneira dos 'livros': de cima para baixo. Podia ter bisado, mas acabou por atirar a bola por cima da baliza."

Paulo Renato Soares procura justificar a nota mínima pelo facto de Rojo ter sido expulso "numa altura em que o empate ainda imperava". Esquecendo que só havia empate porque o argentino tinha marcado. Curiosa duplicidade de critério: Tinoco, do Arouca, recebeu nota 2 do mesmo jornalista apesar de também ter sido expulso por um árbitro obcecado em distribuir cartões amarelos por tudo e por nada num rectângulo de jogo transformado em lamentável lamaçal devido à chuva que não cessou de cair.

Os jornalistas têm direito à opinião, naturalmente. Mas é bom que saibam justificar o que sustentam. Para evitarem cobrir-se de ridículo. E - pior ainda - para evitar que os jornais onde trabalham passem a merecer também "nota menos positiva" dos seus leitores.


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14 Jan 14

Capas dos jornais desportivos de Portugal, Grécia, França e Espanha de hoje. Só um escapou ao mainstream e descobriu o Wally.

 

 

 

(Imagem via Filipe Caetano)


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09 Dez 13

Espero que te encontres de boa saúde, que tanta falta faz.

Escrevo-te para te dizer que hoje lembrei-me de ti quando passei no quiosque e a capa do teu jornal refulgia pintada de tons verdes. Pensei logo: “Olha, os benfiquistas que o comprem!”.

 

Aceita as minhas sinceras Saudações Leoninas,


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Descobri que o director do Jornal Record já arranjou maneira de colocar o clube de Carnide à frente do Sporting, na classificação. Será quiçá um tanto rebuscado mas... com aquele cavalheiro tudo é possível.

 


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08 Dez 13

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07 Dez 13

Entre os "pré-seleccionados" do jornal Record para o Mundial do Brasil, figuram oito jogadores do Sporting, quatro do FC Porto e seis do Benfica. Aqui não há empates.


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06 Dez 13

Se o Sporting ganhar o jornal Record vai ter um trabalhão para manter o Benfica em primeiro lugar na tabela classificativa. Não é impossível, mas vai exigir muita imaginação...

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03 Dez 13
Inacreditável
João António

Este moço é director de um jornal nacional !


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Para clarificar de vez a questão de quem lidera o campeonato, nada melhor que consultar e transcrever o regulamento da Liga.

O que diz sobre o critério a aplicar em caso de empate pontual?

 

Vem no artigo 13º, sob a epígrafe "Desempate em caso de igualdade de pontos":

 

«1.Para estabelecimento da classificação geral dos clubes que, no final das competições a disputar por pontos, se encontrarem com igual número de pontos, serão aplicados, para efeitos de desempate, os seguintes critérios, segundo ordem de prioridade:

a) número de pontos alcançados pelos clubes empatados, no jogo ou jogos que entre si realizaram;
b) maior diferença entre o número de golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes empatados, nos jogos que realizaram entre si;
c) maior número de golos marcados no estádio do adversário, nos jogos que realizaram entre si;
d) maior diferença entre o número dos golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes nos jogos realizados em toda a competição;
e) maior número de vitórias em toda a competição;
f) maior número de golos marcados em toda a competição.
(...)
3. Para estabelecimento de classificação dos clubes em cada jornada serão aplicáveis, para efeitos de desempate, os critérios previstos nas alíneas d), e) e f) do anterior n.º 1.»
 
Nada mais claro. Como Benfica e Sporting empataram (1-1, em Avalade) no único jogo entre as duas equipas até agora efectuado para o campeonato e não decorreu ainda o correspondente desafio em casa do adversário (ou seja, na Luz), aplicam-se as alíneas d), e) e f).
Em nenhuma delas o Benfica é superior.
Os dois clubes estão igualados em número de vitórias, mas o Sporting tem mais oito golos marcados e maior diferença entre golos marcados e sofridos (28-9, contra 20-8 do Benfica). O que justifica a presente classificação oficial.
 
Só o Record, teimosamente, insiste em não ver o óbvio.


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02 Dez 13
Correio da Manha
João Paulo Palha

Numa impagável nota do dia hoje publicada no Record, o seu patusco director, João Querido Manha, vem tentar explicar-nos os motivos por que este periódico coloca o Benfica à frente do Sporting na classificação do campeonato. Começando, a dado passo, por exercitar, descomplexadamente, a sua vis comica, ao informar-nos de que O Record nunca foi nem será um jornal seguidista ou acéfalo, conclui o nosso faceto plumitivo que este mesmo jornal considera o aditamento regulamentar uma aberração sem sentido. Depois de reconhecer que se trata de matéria regulamentar - é o próprio jornaleco que o diz, podemos abster-nos de argumentar sobre o assunto - vem o jornalista, astuciosamente, confidenciar-nos a sua esperança em que a Liga reconheça este erro de facto, reponha o bom senso e, permito-me imaginar, pratique uma longa série de actos de contrição pela despromoção do Benfica ao 2º lugar. O que o Record devia fazer era corrigir o que, quanto ao seu pitoresco director, são erros de facto do regulamento -  a confusão de conceitos é deliciosa - e apresentar-nos uma classificação depurada de todos os vícios e defeitos com que a tabela transtorna os seus anseios, modificando, por exemplo, o número de pontos correspondentes a vitória e empate, alterando radicalmente os critérios de desempate e, em geral, manipulando todos os dados pertinentes, por forma a dar a vitória às suas cores.

 

Nada disto, como é bom de ver, interessa para o que quer que seja. A mim tanto se me dá como se me deu que o Sporting esteja agora à frente ou em segundo, por mero efeito de um regulamento. O que eu quero saber é como é que isto vai estar depois da última jornada. O mais relevante de tudo parece-me ser a atitude do Record e do seu director, que se permitem considerar aberrantes determinadas normas regulamentares e, em consequência, se julgam no direito de prestar aos leitores informação que sabem não ser verdadeira.

 

Já agora e num esforço por seguir a artimanha de Querido Manha, sempre direi que, em minha opinião,a sua argumentação só colhe a partir do momento em que já tiverem sido disputados os dois jogos entre as equipas empatadas. De qualquer maneira, nem vale a pena discutir, a questão é regulamentar e, enquanto as disposições respectivas não forem alteradas, bem pode o panfleto vociferar que só cai no ridículo. E o que nós estamos a precisar de rir.

 

P.S. Só agora, depois de escrito este post, reparei que o José Navarro de Andrade tinha publicado um outro, muito semelhante no conteúdo e nalguns aspectos do estilo, sobre o mesmo tema. Depois de pensar um pouco, concluí que, atendendo, entre outras coisas, à completa independência dos co-autores do blogue, não haverá mal de maior em insistir nestas manhosices, excepto no que respeita à possível falta de paciência dos leitores para suportarem o meu texto depois de se deliciarem com o do José Navarro de Andrade. Portanto, imprimi potest. 


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01 Dez 13
Solidariedade
Alda Telles

O jornal Record está solidário com a narrativa de Leonardo Jardim e não assume a liderança do Sporting. Temos de dedicar um post ao João, Querido, Manha. 



Record online, 1 de Dezembro às 22:00


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28 Nov 13
The romantic record
Duarte Fonseca

Atente-se nas classificações difundidas no on-line dos desportivos nacionais.

 

Record:

 

 

A Bola:

 

 

O Jogo:

 

 

E, já agora, a oficial, proveniente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional:

 


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12 Nov 13

Interessante esta luta dos dois diários desportivos de Lisboa. Tido como 'próximo' do SCP ou até 'sportinguista', o Record mudou de direção colocando à sua cabeça um conhecido jornalista benfiquista. O universo verde assumiu, de imediato, que o jornal se bandearia para o lado sul da segunda circular. Meia verdade e meia mentira.

Mentira, porque o jornal nunca foi tão próximo do SCP, quanto A Bola esteve e está próximo do SLB - mas era óbvio ser um canal bem mais acessível ao nosso clube do que o diário vermelhusco (e daí o equivoco). Verdade, porque, tendo esta imagem de 'sportinguista' presente, na guerra de audiências e de vendas com A Bola, a nova direção do Record quis libertar-se dela. O projeto da atual direção deste diário é, além de dar amplitude polidesportiva ao seu noticiário, 'comer' no prato tradicional de A Bola: o universo dos leitores benfiquistas. Uma resposta ao percurso inverso feito por A Bola, nos meses da crise que levou ao afastamento de Godinho Lopes da presidência do SCP.

Nesse tempo de brasa, a partir do outono de 2012, A Bola esteve particularmente atenta à luta interna no SCP, colando-se inteligentemente à oposição interna a Godinho e dando-lhe voz - no pressuposto correto de que a popularidade ascendente de Bruno de Carvalho lhe traria leitores, face ao alinhamento do Record de então pelo Sporting institucional. Enquanto o Record ouviu os defensores da linha institucionalista, A Bola deu palco aos defensores da linha brunista, nomeadamente à sua linha avançada, a mesa da AG. Desde esse momento, em que apostou forte, A Bola 'colou-se' ao Sporting de Bruno de Carvalho e... ganhou a aposta. Não sei se ganhou muitos leitores com isso - as imagens tradicionais demoram a ser ultrapassadas pelas imagens novas - mas mantém abertos os seus canais pró-brunismo (cujos partidários mais aguerridos não esquecem os tempos do Record 'pró-Godinho'). 

Mas o Record debate-se ainda com a afirmação da sua nova linha de equidistância e, logo, de aproximação ao SLB. Na primeira fase da nova direção 'sacudiu' a imagem tradicional, depois regressou um pouco a ela - talvez porque o resultado, em termos de vendas e de audiências, não tivesse sido muito brilhante. O Record, ao contrário do seu rival, não teve uma crise interna no SLB para tentar conquistar um novo quinhão de leitores. Por seu turno, A Bola foi-se mantendo no rumo que traçou, com sucesso, em Setembro de 2012: guardar os ganhos do 'tomar partido' e consolidá-los (até porque, até agora, não apareceu oposição visível à nova liderança, dado o consenso sobre o caminho seguido neste meses).

Interessante esta luta em volta do universo verde de leitores e de compradores de jornais desportivos.


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20 Set 13
Medo?
Duarte Fonseca

A capa do Record (foi o único desportivo que o fez) de ontem, alimentava a polémica de que o Sporting B, supostamente, teria "violado" os regulamentos da Liga de futebol. Aliás, referia, inclusivamente, que o "caso [já estava] na liga".



Mário Figueiredo, quando interpelado sobre o tema, respondeu o seguinte:


«No caso [do Sporting] foi o Santa Clara que pediu ao Sporting a alteração da data e a marcação da hora naquela sobreposição e o Sporting tinha a hipótese de recusar, porque o que está regulamentarmente previsto é a proteção das equipas B, mas abdicou, em seu prejuízo dessa faculdade de diferenciar as datas da equipa principal», afirmou Mário Figueiredo.


«Portanto, quando se fala que o Sporting podia incorrer numa infração de uma regra disciplinar não faz sentido. Não existe qualquer infração disciplinar, aliás a norma não contém qualquer sanção sobre o seu incumprimento, porque ela está sempre no âmbito da disposição do próprio clube que detém a equipa B», explicou o presidente da LPF.


Resulta claro destas declarações o seguinte:

 

- que a Liga não abriu nenhum "caso" ao Sporting b;

- que não foi o Santa Clara que colocou o "caso na Liga".

 

Quem terá colocado o "caso na Liga"?

Quem terá sido o manhoso do Record que despertou esta questão e com que objectivos?

Qual é a agenda deste Record?

 

Ganhamos 3 jogos em 4 e já anda tudo cheio de medo do Sporting?

 

Somos mesmo incríveis!

 

Força Sporting!


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19 Jul 13

Leio jornais desde criança. Em casa dos meus pais entravam pelo menos dois periódicos, dia após dia: de manhã o Diário de Notícias, à tarde o Diário Popular. Mais o Jornal do Fundão, uma vez por semana. E revistas - a Flama, o Século Ilustrado, às vezes a Vida Mundial.

Numa casa onde sempre se leu muito, havia espaço para tudo - livros e jornais. Onde não faltavam também os diários temáticos, com destaque para A Bola e o Mundo Desportivo. Ainda me recordo com orgulho dos recortes de textos do meu pai, como colaborador esporádico d' A Bola, então um dos monumentos da imprensa portuguesa.

Mantive-me como leitor d' A Bola durante a década de 80 e continuei a acompanhar o jornal até ao início da década seguinte, quando se assistiu à rotação geracional da direcção e da redacção, acompanhada da progressiva "benfiquização" da sua linha editorial.

 

Um dia, já não me lembro bem quando, cansei-me de vez. Foi um processo gradual, de crescente divórcio com aquele conteúdo que fui sentindo como permanente agressão a quem, como eu, não comungava da fé benfiquista.

O jornal perdeu um leitor assíduo, fiquei um par de anos sem acompanhar regularmente a imprensa desportiva. Até que, em meados de noventa, retomei o hábito, desta vez passando a ler com frequência o Record, que atravessava a sua melhor fase com um conjunto de jornalistas que pensavam bem, escreviam melhor, percebiam de futebol e abordavam o fenómeno desportivo sem prejuízo das convicções clubísticas de cada um.

Eram outros tempos, ainda longe da crise actual. Com grandes tiragens, presença contínua de enviados especiais nos mais diversos palcos desportivos e uma vontade indómita de conquistar leitores para destronar a monolítica liderança d' A Bola, que já então vivia sobretudo da inércia da fama, sem se adaptar aos novos desafios provocados pela radical alteração de hábitos de consumo.

Fui leitor regular do jornal durante seis ou sete anos - até essa equipa directiva se dissolver por circunstâncias várias e emergir uma outra que nunca me pareceu ter a mesma vitalidade. Mesmo assim, e na comparação com a concorrência, não tive dúvidas: o Record tornara-se o melhor título da imprensa desportiva portuguesa. E foi com essa certeza que voltei a comprar diariamente este periódico, nos últimos 18 meses.

 

Vem tudo isto a propósito do novo ciclo do jornal, hoje inaugurado, com João Querido Manha como director. Não me esqueço de que ele integrava a direcção que nos anos 90 me conquistou como leitor do Record - desde logo por não temer enfrentar aquele que era então, como ainda é hoje, o "papa" do futebol português.

Como leitor atento e regular, espero não ver doravante neste diário uma deriva benfiquista que desvirtue as solenes promessas hoje consagradas no novo estatuto editorial do jornal, que promete "abordar os acontecimentos exclusivamente pelo seu valor jornalístico", regendo-se por "critérios jornalísticos de rigor e isenção", e fazendo "uma distinção entre as notícias, a análise e a opinião".

É, portanto, uma saudação que aqui deixo ao novo director do Record. Com votos de bom trabalho e muito sucesso. E a certeza de uma exigente expectativa da parte de todos nós.


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26 Jun 13
"Prefeito" juízo
Pedro Correia

 

Quando o Sporting ganha, os sportinguistas festejam.

Verdade?

Parece que não. Há quem se intitule do Sporting e não goste de ver capas de jornais a relatar vitórias do nosso clube.

Um exemplo: ver o presidente a celebrar junto dos jogadores o título de campeão nacional de futsal, justamente conquistado pelo Sporting, é motivo de crítica em alguns blogues que se intitulam leoninos. Este, que garante estar "no seu prefeito (sic) juízo", não gostou de ver a fotografia de Bruno de Carvalho na capa do Record.

Preferia eventualmente que a capa do matutino pusesse em destaque Luís Filipe Vieira.

Preferia talvez que fosse o Benfica a ganhar e não o Sporting.

À falta de melhor assunto, a quem escasseiam argumentos, sobra isto. O que diz muito sobre a falta de envergadura intelectual e a convicção clubística de uma certa blogosfera alegadamente sportinguista, que azeda perante vitórias do clube só porque esses triunfos lhe roubam armas de arremesso contra a direcção eleita há três meses.

Como observa alguém na caixa de comentários desse "prefeito" post, "nem nas vitórias aprendemos que só unidos venceremos". É o primeiro comentário e também o único que merece ser lido. O resto é paleio rasca, rabiscado pelos cobardolas do costume - sempre os mesmos, sempre com a mesma gritante carência de neurónios.

Bate certo, para condizer com o blogue.


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09 Jun 13

 

Ah, estes títulos tão empolgados e empolgantes. Ah, estes arroubos jornalísticos que nos transportam aos tempos das justas medievais. Ah, este paralelo subliminar com São Jorge (Jesus) em liça contra o mítico e horrendo dragão. Ah, estas parangonas que criam a ilusão de que os pupilos do sportinguista com assento na Luz formam "a equipa de todos nós", prontos a fazer uma decisiva incursão em território adversário e a "saírem de lá como campeões", dignos herdeiros da Ala dos Namorados na batalha de Aljubarrota.

Esta edição de 9 de Maio do Record é das que me deixam mais nostálgico: sucedeu há tão pouco tempo e já suscita saudades. Pelo sopro épico que perpassa em cada frase. Pelo optimismo histórico que revela. Pela convicção que emana da tinta impressa: o técnico encarnado "só pensa em ganhar e fazer História".

Na época já extinta, o Benfica foi novamente a equipa que mais títulos venceu no futebol das manchetes. Em proporção inversa aos títulos que não conseguiu ganhar no futebol jogado. Merece os parabéns à mesma: parecer que vence custa quase tanto como vencer de facto.


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02 Jun 13

 

Estes tempos primaveris, caracterizados pela profusão de alergias, são pouco propícios a olfactos apurados. Talvez por isso, muitas vezes aquilo que se cheira não tem qualquer correspondência com a realidade. Que o digam as águias a que alude este berrante panegírico do Record de 22 de Abril: pensavam que lhes cheirava a título, mas afinal o cheiro era a esturro. Conclusão: a faixa de campeão foi parar a outros ninhos e elas ficaram depenadas. Um azar nunca vem só: depois de perderem o faro, depois de perderem o tino, perderam também o mais cobiçado troféu do futebol português. Pelo terceiro ano consecutivo.

Resta-lhes um prémio de consolação: são elas, de longe, as campeãs das manchetes. Valha-lhes ao menos isso.


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01 Jun 13

 

Há jornais que seguem uma orientação confessional. Como os jornais de paróquia. No caso dos 'desportivos', a crença em milagres não move montanhas mas produz manchetes em catadupa. Esta, por exemplo, dada à estampa no Record de 9 de Abril, dia em que se cumpriam 95 anos da batalha de La Lys, de má memória para os pontas de lança portugueses na Flandres - as "competições" europeias daquela época. Menos de dois meses volvidos, este título merece figurar nos anais não como exemplo de clarividência mas como comovente manifestação de fé em Jesus. O Osservatore Romano não faria melhor.


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