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És a nossa Fé!

Entre Marcelo e o Barbas

Para o fanatismo lampiónico, o facto de Portugal ter conquistado o Campeonato da Europa e qualificar-se para a Taça das Confederações - tudo pela primeira vez na história mais que centenária do nosso futebol - é uma "novela". Basta consultar as caixas de comentários deste blogue para se confirmar isso.
Estes lampiões mal conseguem esconder a azia, que aliás se compreende: viram a selecção nacional subir ao pódio europeu, a 10 de Julho, sem um só jogador encarnado no onze titular...
Por aqui se vê o "portuguesismo" desta gente. Cega pela clubite, põe a agremiação à frente do País. Entre o Barbas e o Presidente da República, representante máximo dos portugueses, eles preferem abraçar o Barbas.

Fazer a diferença também nisto

Uma diferença que não vi ser muito acentuada no jogo que disputámos sábado passado: de um lado, o do Sporting, a equipa entrou em campo com sete titulares portugueses; do outro, o da equipa insular, o onze inicial incluía sete brasileiros. Até no comando técnico das duas equipas esta diferença era notória: treinador português no Sporting e brasileiro no Marítimo.

A revolução tranquila que tem vindo a processar-se no Sporting também passa por isto: prioridade ao mérito e à competência dos profissionais portugueses. Tanto a treinar como a jogar. Porque é possível e desejável, também no futebol, confiar nos valores nacionais. Queremos fazer a diferença igualmente neste plano. Não por acaso, fomos o clube que contribuiu com mais profissionais dos seus quadros para a conquista do recente campeonato que inscreveu o nome de Portugal na nobre galeria dos campeões da Europa.

Os trunfos da guerra psicológica

Desculpem insistir, mas, quanto mais penso na noite mágica de 10 de Julho de 2016, mais fico convencida de que muito daquele jogo se jogou fora do campo.

 

A final do Euro 2016 teve dois momentos decisivos, que Portugal, com uma perspicácia incrível, soube aproveitar em seu favor. O primeiro foi a entrada dura de Payet, que lesionou Ronaldo, um rude golpe para a equipa e para todos nós, que tanto sonhávamos com o triunfo. E, ironia do destino, foi mesmo aí que ele começou! Fernando Santos e Ronaldo souberam virar o feitiço contra o feiticeiro. A partir do momento em que o nosso capitão deixou o campo numa maca, desfeito em lágrimas, Portugal tomou conta do estádio de Saint Denis. Uma nuvem de mau agoiro passou a pairar em cima dos franceses, muitos se devem ter perguntando se tinham ido longe demais, naquela estratégia combinada de antemão (talvez com o árbitro). E tiveram mais dificuldades em superar o sentimento de culpa, do que os portugueses em compensar o golpe.

 

Quem pode imaginar o que se passou nos balneários portugueses, durante o intervalo? Não sou mosca, nem tenho qualidades de vidente, mas arrisco dizer o seguinte:

Ronaldo não estava, afinal, seriamente lesionado. Não seria lógico que ele assistisse à segunda parte do encontro no banco dos suplentes? Não o fez! Porquê? Porque, em conjunto com Fernando Santos, disse aos colegas: segurem o jogo, o mais importante é não sofrer golos, enquanto se desgastam os franceses e se força o prolongamento; nessa altura, Ronaldo aparecerá.

 

Durante a segunda parte, todos se perguntavam onde estaria Ronaldo, imaginando os cenários mais pessimistas. Sim, o comentador alemão da ARD, que nunca morreu de amores por ele, perguntava-se onde estaria, se já teria ido para o hospital… E lamentava não ter informações.

 

Quase no final dos regulamentares 90 minutos, aquela bola ao poste dos franceses dançou sobre a linha, mas não entrou - a confirmação de que, desta vez, a sorte estava do nosso lado. E, acabado o jogo, Ronaldo fez a sua entrada triunfal, de joelho ligado, mas pelo próprio pé!

 

A fénix renascia das cinzas, o segundo momento decisivo da noite! Nunca me esquecerei da surpresa que senti, quando as câmaras o mostraram. Ele e Fernando Santos davam o segundo golpe naquela guerra psicológica. E os franceses acabaram por capitular. Na segunda parte do prolongamento, foram eles que começaram a rezar pelos penáltis, não nós! Éder, o herói, teve sangue-frio, teve pontaria… Depois de ludibriar a defesa abananada de uma equipa de rastos.

 

Na sua guerra psicológica, Fernando Santos e Ronaldo correram muitos riscos. Mas o que tinham a perder?

 

Jogaram os trunfos certos, nos momentos certos. Tudo é psicologia, nesta vida.

Felizmente, há sempre quem tenha a cabeça no lugar...

Como os colaboradores e os leitores deste blogue já sabem, este Euro não tem sido fácil para mim, em terras germânicas. Uma campanha contra Portugal, por parte dos media alemães, que quase se pode apelidar de difamatória, cai como faísca em seara seca num país que, apesar de adorar as praias portuguesas, nunca gostou de Ronaldo, vá-se lá saber porquê.

 

Por isso mesmo, é com muito gosto que venho hoje aqui afirmar que há quem reme contra a maré. Porque, afinal, e como também já disse, eu gosto de viver na Alemanha.

 

Através de uma nossa colega de blogue, a Helena Ferro de Gouveia, tomei contacto com dois artigos do site da Stern que, para utilizar uma expressão alemã (adaptada a Português), "expuseram aquilo que me vai na alma".

 

Num deles, assinado por Tim Sohr, e mais focado na prestação da nossa equipa, rebate-se a ideia de que o futebol português carece de qualidade, elogiando as diferentes táticas: contra a Croácia, desgastar o adversário com uma defesa eficiente e dar o golpe perto do final; contra a Polónia, aguentar-se até à marcação de penáltis e ganhar; contra Gales, fazer valer a receita centro-cabeçada-golo. Mais simples e eficiente não há.

 

Tim Sohr acrescenta ainda que o 3-3 contra a Hungria, ainda na fase de grupos, persiste, até ao momento, como o jogo mais espetacular deste Euro.

 

Um outro artigo, de autoria de Finn Rütten, centra-se em Ronaldo, não encontrando razão para tanta má-língua. Aliás, Finn Rütten mostra-se apreensivo com o ódio que encontra nas redes sociais, perguntando: como se pode dizer odiar alguém, sem nunca sequer se ter falado com essa pessoa? E afinal, qual é o problema com Ronaldo? Com três golos e duas assistências, ele é, sem dúvida, um dos melhores jogadores deste Euro.

 

Finn Rütten chama ainda a atenção para as qualidades humanitárias do nosso melhor jogador (dando alguns exemplos, como o de dar sangue regularmente, ou pagar operações a crianças necessitadas) e, se admite que Ronaldo seja vaidoso, ou mesmo convencido, com gestos escusados em campo, pergunta porque é que os alemães, por outro lado, acham tanta piada ao sueco Zlatan Ibrahimovitch, que se deve ter banhado num pote de vaidade quando era criança.

 

Na Alemanha, como em todo o lado, há gente estúpida e gente inteligente; gente que vê e gente que não quer ver.

Assustador continua o facto de ser tão fácil manipular a opinião pública...

A final

Confesso que nunca pensei que Portugal estivesse em Saint-Denis este domingo, a disputar o título europeu, pela segunda vez, em doze anos. Mas está e a felicidade dos adeptos portugueses já está garantida. Temos ambição de conquistar mais do que o segundo lugar. Ambição aumentada pela pressão que os franceses fazem nos seus media (Pepe e Ronaldo atores ou o futebol nojento) e pelo seu chauvinismo (a vitória estará garantida).

 

A França é uma boa equipa, jogou bom futebol nos últimos dois jogos (não esquecer jogos maus com Roménia, Albânia, Suíça e Rep. Irlanda, potências muito superiores a Islândia, Austria, Hungria ou Croácia) e não tendo nenhum Zidane tem no seu seio bons jogadores como Pogba, Matuidi, Payet ou Griezmann (sabiam que tem um avô português - Amaro Lopes - que jogou no Paços de Ferreira?). Dito isto, não me parece que seja impossível de vencer. Vejamos o possível onze.

 

LLoris (Tottenham) mostrou ontem os seus predicados com defesas que pareciam impossíveis. É um guarda-redes maduro e de grande classe. Na defesa, Sagna (City) e Evra (Juventus) são veteranos mas têm, até aqui, mostrado muita resistência física e grande qualidade de jogo, sendo dos melhores franceses na prova. Ainda assim, o pouco descanso das meias para a final pode se decisivo. No centro, onde já não estavam Mathieu (Barcelona), Zouma (Chelsea) e Varane (Real Madrid) antes do Euro, deixou de estar Rami (Sevilha). A dupla tem sido Umtiti (Lyon, já prometido ao Barcelona) e Koscielny (Arsenal), pilar do setor. Ronaldo poderá aproveitar a pouca experiencia de Umtiti que apesar da qualidade vai apenas a caminho da terceira internacionalização.

 

No meio, Deschamps apostou primeiramente num trio – Kanté (Leiscester), Matuidi (PSG) e Pogba (Juventus) mas nas últimas duas partidas retirou o primeiro e colocou Sissoko (Newcastle) defende bem (era médio defensivo no Toulouse) mas também ataca (tornou-se num quase extremo na Premier League).

 

Na frente está o perigo maior. Giroud (Arsenal) não é nenhum Benzema mas cumpre perfeitamente (a França foi campeã do mundo tendo “cepos” bem piores como Guivarc´h ou Dugarry). Nas alas, Payet, que explodiu para o futebol mundial no West Ham este ano, aos 28 anos e é um perigo na marcação de livres e pela sua velocidade e, claro, Griezmann, o pequeno avançado móvel do Atlético de Madrid que começou mal a prova (suplente no segundo jogo), leva já seis golos e está a dar sequencia à grande época que fez em França. Com Martial (United) encostado pelo selecionador, Coman (Bayern) e Gignac (Tigres) são as armas atacantes que podem sair do banco.

 

Do nosso lado, aposta na continuidade. Patrício na baliza. Cédric, Pepe (espera-se), Fonte e Raphael na defesa. No meio, Danilo esteve muito bem mas William deve regressar. João Mário, Adrien Silva e João Moutinho devem ser o meio-campo (acredito que Sanches não será titular, devendo Santos apostar numa opção mais conservadora num jogo de tantos nervos). Nani e Ronaldo, não avançados que levam três golos cada um, serão os titulares. Sanches e Quaresma são as armas prontas a entrar em campo.

A vaca do Fernando

Soa por aí à boca cheia que Fernando Santos levou uma vaca para França.

Suja, apelidaram-na logo os franceses, chauvinistas como só eles.

Hoje demos conta da existência de outra, que já se tinha insinuado até, a que Deschamps tem trazido pela trela.

Ao contrário da vaca de Fernando Santos, esta vaca, para disfarçar o cheiro a bosta, vem embalada em Chanel, n.º 5.

Vaca, mas bem cheirosa.

Puta fina!

À laia de comparação

Não sou perita em futebol, por isso, costumo deixar as análises para os meus colegas de blogue que entendem muito mais disso. Porém, gostava de deixar aqui algumas notas sobre o percurso da nossa seleção neste Euro, fazendo ainda uma pequena comparação com os alemães (que, neste caso, ainda me estão atravessados).

 

Sim, a fase de grupos não foi famosa. Mas as regras eram claras: um terceiro lugar dava boas hipóteses de passar aos oitavos. Vencer todos os jogos, alcançando o número máximo de pontos, era mais bonito? Era. Mas não levávamos nenhuma taça para casa por tal proeza.

 

Tivemos de ir ao prolongamento no jogo contra a Croácia e passámos aos quartos sem ter ganho um único jogo nos regulamentares 90 minutos. E depois? O Quaresma marcou um verdadeiro "Golden Goal", já perto do fim, não dando à Croácia hipótese de conseguir o empate. É preciso mais eficácia?

 

Contra a Polónia, mais um empate que até teve de ser clarificado por penaltis. Pelo menos, não precisámos mais do que os cinco regulamentares, todos os jogadores escalados para os marcarem cumpriram a sua missão. Ao contrário dos alemães! Contra a Itália, houve três prestigiados jogadores alemães que falharam a sua grande penalidade: Müller, Schweinsteger e Özil. Ninguém fala disso, neste país. E, no entanto, quando o Ronaldo falhou o penalti contra a Áustria, todos se riram dele!

 

Estamos na final. Sem medo, por favor, seja qual for o adversário!

 

Força Portugal!

Meias

De empate em empate já estamos nas meias-finais. Pela frente não está nenhum gigante mas sim o estreante País de Gales, que tão bom futebol tem jogado. Temos boas hipóteses de regressar a uma final mas não são favas contadas, afinal, do outro lado moram Bale, Kanu, Vokes ou Williams. Felizmente, Ben Davies e Ramsey ficarão de fora. Olhemos então para o adversário de Lyon.

 

Na baliza estará Hennessey (Crystal Palace). É um bom guarda-redes que se prepara para ser suplente de Mandanda (ex-Marselha) no seu clube. Na defesa, três homens. Williams (Swansea), corpulento e viril é o esteio. Com o seu tamanho, é no entanto, lento. Chester (WBA) e Collins (West Ham) devem completar o trio, uma vez que Davies (Tottenham) está impedido de jogar.

 

A fazer o flanco todo, teremos de um lado Taylor (Swansea) e do outro, Gunter (Reading), velocistas e jogadores de raça mas nada mais do que isso. No centro costuma estar o ouro. Sem Ramsey (Arsenal) aposto que jogará King (Leicester) não sendo de estranhar a opção por um homem mais defensivo como Edwards do Wolverhampton. Allen (Liverpool) e Ledley (Crystal Palace) serão indiscutíveis. Na frente, dois homens. Bale (Real Madrid), que é o perigo número um e dispensa apresentações e Robson-Kanu, sem clube, que brilhou na última partida. Gostava de ver Quaresma e Rafa em campo no segundo tempo.

 

Acredito que Santos mude muito pouco, apostando em Patrício, Cédric, Pepe, Fonte e Raphael; Mário, Danilo (William está castigado), Moutinho (acredito que deixará Adrien de fora) e Sanches (tem estado bem e não merece o banco); Nani e Ronaldo. Será uma batalha de meio campo. Temos tudo para vence-la se não formos snobes.

Coisas que não se compreendem

É a custo que escrevo este texto, pois gosto de viver na Alemanha, país onde me sinto bem há 24 anos. Além disso, dei, durante algum tempo, aulas de Português a alemães, em Hamburgo, sempre constatando que os germânicos adoram Portugal. Por isso, é-me muito difícil compreender a atitude dos comentadores futebolísticos alemães em relação à seleção portuguesa, neste Europeu.

 

aqui tive ocasião de referir que os alemães não gostam de Cristiano Ronaldo, acham-no convencido, possuidor de um ego descomunal e irremediavelmente sobrevalorizado. Mas os comentários sobre a seleção portuguesa ultrapassam, desta vez, os limites. Evito ao máximo criticar outros modos de ver, influenciados por culturas e mentalidades diferentes, mas não vejo razão para tanto exagero.

 

Os comentadores chegaram ao ponto de dizer que não se compreendia que uma equipa, que ainda não ganhou um jogo no tempo regulamentar de 90 minutos tivesse chegado às meias-finais (como se prolongamentos não fizessem parte de torneios deste género)! A reboque, aproveitam para criticar esta nova modalidade do Campeonato Europeu, que permite que tantos terceiros lugares sobrevivam à fase de grupos e que equipas do calibre da Espanha, Itália e Alemanha se defrontem a partir dos oitavos-de-final!

 

Arrasaram por completo o jogo entre Portugal e a Polónia, monótono, indigno de uns quartos-de-final, insinuando que uma equipa que se preze resolve as eliminatórias nos regulamentares 90 minutos (!) e desdenhando completamente da passagem à fase seguinte por penaltis!

 

Pois bem, ontem à noite, foi o que se viu…

 

Concordo plenamente com a análise do jogo feita pelo Pedro Correia. Porém, se tinha esperanças de que os alemães caíssem em si, elas dissiparam-se perante incrível golpe de rins. Não foi um jogo monótono, dizem eles, foi «futebol tático ao mais alto nível»! Os momentos dos penaltis? Foi um autêntico «policial futebolístico», de um «suspense de arrasar os nervos»!

 

Não estava à espera de tanta subjetividade por parte de comentadores e jornalistas germânicos. Mas, enfim, estamos sempre a aprender...

Humildade lusa

"Mind game" humilde, é a minha sugestão.

 

Valerá a pena continuar a apelar à humildade lusa? Domigos Amaral criticou a «bazófia» de Fernando Santos, por ele ter dito, depois do empate com a Áustria, "já avisei a família de que só volto para casa no dia 11 de Julho". O selecionador seria com certeza duramente castigado, pois, o futebol, todos o sabemos, costuma ser muito cruel com os cagões e os bazófias

 

Enfim, eu não sei se Fernando Santos só vai regressar no dia 11, mas regressa seguramente mais tarde do que muitos pensavam!

 

Se somos cagões? Por vezes, sim; desta vez, não me parece. Em três, (Portugal) não conseguiu ganhar um único jogo - mas também não perdeu nenhum. A Croácia só perdeu um: o essencial. E o primeiro jogo que Portugal ganhou, pô-lo nos quartos de final. É preciso mais eficácia?

 

Quanto a «bazófia», a seleção alemã tem para dar e vender; deve ser por isso que é tão frequentemente castigada...

 

Ao colocar a fasquia tão alta, Fernando Santos atirou uma pressão insuportável para cima dos jogadores, que não lidaram bem com a situação. Pressão insuportável? Não se trata de meninos de coro, mas de futebolistas de alto nível, todos eles com contratos milionários! A que altura se deve colocar a fasquia, se nos achamos capazes de vencer o torneio? Com a típica atitude lusa: ah, a gente só veio aqui ver como param as modas, não queremos chatear ninguém, longe de nós pretender estragar a festa dos outros, coisa & tal, não se vai a lado nenhum!

 

Chega de humildades lusas! É preciso provocar, desafiar, ousar, enfrentar, acreditar!

Acreditar, sempre!
Força Portugal!

Velhos do Restelo vs. Velhos de Carnide

Este bem podia ser um texto sobre os efeitos da nata dos pastéis de Belém à bulha com os efeitos da farinha dos lados de carnide. Mas é mais uma reflexão sobre o adepto português e vá... ser lampião. O velho do Restelo é uma personagem popular, presente n'Os Lusíadas. Este velho não acredita na fortuna dos navegadores portugueses, acha que vão falhar. Não vão conseguir. Talvez no seu pensamento afundassem a uns escassos metros da costa. Contudo, olho este personagem de uma perspectiva diferente. Uma coisa é o que diz, e outra o que pensa. Tão certo no português, como o Camões ser cego de um olho. E esta é uma bela comparação. Acabamos por não ver bem a realidade onde vivemos. O olho bom faz-nos achar que isto vai ser a bela de uma desgraça. O olho da pala é aquele que nos permite imaginar, o que representa o sonho que todos temos: o sucesso de Portugal e dos portugueses. A derradeira conquista da grandiosidade. Seja como nação, seja na selecção. A taça de um Europeu ou de um Mundial não é mais do que a revelação do V Império no futebol. A união de todos os povos num plano espiritual que os aproxima - transmutando isto para "futebolês" - a união do mundo do futebol em torno do virtuosismo tão bem patente na alma lusa. É tudo muito bonito, mas duvido que o Camões, o Padre António Vieira, o Pessoa ou o Agostinho da Silva legitimassem esta comparação. Mas a verdade, mutatis mutandis, podemos fazê-la para esta finalidade. Sendo assim, os velhos do Restelo continuam tão actuais sendo necessários no futebol e no quotidiano. São eles que alertam, duvidam, mas no fim esperam conformar-se, dizer que estavam enganados e festejar a glória lusitana. Seja pela conquista d'Além mar, seja pelo excesso de bagagem de um caneco na mala.

E perguntam-se, "que raio tem isto que ver com os velhos de Carnide?". E perguntam bem! Velhos de Carnide é uma figura que arranjei de forma a categorizar o adepto da Selecção com origem e natureza lampiã. Parece doença. Há doutrina que a considera. Eu dou o benefício da dúvida, dado que a minha cor é o verde. Ora o velho de Carnide, sendo adepto lampião, é um tipo eufórico. Acha que ganha tudo antes de jogar. Acha que tem os melhores de sempre. Acha que tudo está conta eles, mesmo quando andam todos a favor. Acha que tem um Deus lá no meio do campo, e como é omnipresente e omnipotente está na calha. Gosta de cantar os primeiros dez minutos e com sorte lá pelo 70 (desculpem, ri-me), ou no final do jogo se estiver a ganhar. Acha que não existe equipa nenhuma comparável à sua. Mas aqui reside o problema. É que isto ocorre constantemente antes de começar uma competição. Assim que se inicia - perdendo ou empatando uns jogos - a euforia dá lugar à depressão, os cânticos aos apupos, os elogios à culpabilização, as manchetes dos jornais a linchamentos em horário nobre. E se é assim no clube, e sendo o clube com mais adeptos, a conclusão é lógica: é assim com a equipa das Quinas. Com algumas nuances, é certo. Porque o ódio torna-se ainda mais visceral quando o Sporting não só é a casa-mãe do melhor jogador do mundo (Cristiano Ronaldo, para os mais esquecidos), como é igualmente responsável pela formação de quase metade da equipa. Eles ficam na bolha deles. Deitam culpas a todos, pensando que faltava o Deus deles a jogar e tudo seria diferente, uma vez que os Deuses dos outros não valem chavo.

Revela-se assim o velho de Carnide - o verdadeiro radical da descrença. O puro adepto bipolar que povoa grande parte de Portugal. Infelizmente é este o retrato da nossa realidade. Engraçado será ver, se formos à final ou caso vençamos o Euro, que estes vão ser os primeiros a encher praças, quando antes andaram a encher-nos os ouvidos de baboseiras. É esta a dualidade permanente em que vivemos. De um lado os velhos do Restelo, talvez a expressão da prudência que nos falta à coragem da aventura. Do outro os velhos de Carnide como expressão da falta de prudência existente e do euforismo acéfalo. Enquanto assim for andaremos entre o céu e o inferno. Faltando "cumprir-se Portugal".

Breve resumo do europeu

Começa hoje a participação da selecção portuguesa no europeu. Desde 2004 que existe à volta da selecção portuguesa um delírio por vezes, a maioria das vezes, inexplicável. São os já tradicionais e inenarráveis programas nocturnos a encher chouriços sobre Cristiano Ronaldo, a que se juntam os programas de entretenimento matinal. Confesso que ainda isto não começou e já não teho paciência para tanta coisa à volta da selecção. 

A ver se acaba depresa. Com Portugal campeão é claro. (este é para os mais sensíveis)

Dia 27 Junho começa a pré época do Sporting.

Os nossos, os deles

os nossos.jpg

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Sexta-feira, 27 de Março de 2015, o destino levou-me a almoçar ao concelho da Amadora mas bastante próximo dumas Portas com nome de clube de bairro, Portas de Benfica.

Enquanto brigava com umas lulas grelhadas, tentando afogá-las num branco, impecavelmente, fresco, chegam-me as seguintes palavras, trazidas da mesa do lado:

"Domingo, domingo quero que se fo**m, aquilo é só lagartada, quero é que ganhem os nossos, que ganhem ca*a*ho! o nosso Matic, o nosso Markovic, o nosso Durossic (tradução: Djuricic)"

Os companheiros de mesa riram, alarvemente, mostrando o bolo alimentar e umas bocas com poucos dentes.

Confesso que as lulas se me enrolaram no estomâgo...

Acabei o vinho (que não tinha culpa nenhuma) e pedi a conta, o café seria tomado num sítio mais civilizado.

Levantei-me e atirei com um:

"Boa sorte para os vossos e vamos lá a ver se desta vez o vosso estádio não acaba de cair e não acabam todos à porrada no campo como é vosso costume."

Virei costas e saí.

Não me apetecia escrever este "post" mas ao ler " A Bola" de hoje, percebi que aqueles involuntários companheiros do meu almoço, provavelmente, são jornalistas, escrevem no pasquim da Travessa da Queimada. O que terá uma eventual vitória da Sérvia hoje a ver com o hipotético título do Benfica? 

"Vitória da Sérvia, título do Benfica" diz-nos um Matic vestido cor de papoila saltitante; noutra página um Patrício vestido de verde, defende a baliza de Portugal.

Para muitos neste país (jornalistas incluídos) é o Sporting Clube de Portugal que vai jogar fora, mais logo, no estádio da Sérvia/Benfica.

Que vençam os nossos (o Sporting) e que percam os deles, ca*a*ho! (como diria o almoçante de sexta-feira).

 

Viveiro de talentos

Desculpem lá se me repito, mas é para mim um motivo de enorme orgulho termos seis jogadores chamados à selecção nacional de futebol: Adrien, Cédric, João Mário, Nani, Rui Patrício e William Carvalho. E comprovar que o Sporting se destaca claramente nesta matéria na comparação com outros clubes. O FCP, por exemplo, regista apenas a convocação de Quaresma (formado em Alvalade) e o SLB nem um tem para amostra.

Eis o reconhecimento - uma vez mais - que o Sporting é um viveiro de talentos. Com reflexos que ultrapassam largamente as fronteiras leoninas, contribuindo para a projecção internacional do nosso país e beneficiando em larga medida o desporto português.

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