Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

A ver o Europeu (7)

euro_2016_logo_detail[1].jpg

Tudo está bem quando acaba bem. Num jogo que começou da pior maneira para nós, com a Polónia a marcar logo aos 2', e a equipa das quinas mergulhada numa confrangedora confusão táctica durante a meia-hora inicial, o sofrimento manteve-se apesar do golo do empate, iam decorridos 33'. E não parou até ao fim do tempo regulamentar nem durante o prolongamento. A selecção comandada por Fernando Santos concedia espaço excessivo ao adversário na fase de construção, abdicava de atacar a bola no meio-campo polaco, errava passes e perdia sucessivos ressaltos.

Cristiano Ronaldo, muito apagado durante a partida disputada em Marselha, só pode queixar-se dele próprio: desta vez até foi servido em duas ocasiões - primeiro por João Moutinho, talvez no melhor lance individual do jogo, depois por Eliseu. Mas estava em dia não: nada lhe saía bem. Valha a verdade que foi carregado em falta aos 30' na grande área da Polónia: um penálti flagrante ao qual o árbitro fez vista grossa.

 

Portugal podia ter resolvido o jogo na segunda parte, sem se sujeitar ao desgaste físico provocado por meia-hora suplementar nem ao desgaste emocional que a marcação de penáltis finais sempre suscita. Mas faltou intensidade e ousadia. Faltou também frescura muscular: era notório que alguns jogadores já actuavam em esforço. O mesmo sucedia aos polacos, o que afectou a qualidade do espectáculo.

Vale a pena fazer destaques individuais. Desde logo Pepe, que voltou a ser o melhor em campo: defendeu tudo quanto havia para defender de modo irrepreensível e lançou sempre a equipa com qualidade na fase inicial de construção. Depois William, incansável a recuperar bolas no meio-campo defensivo e a distribuí-las com a qualidade de passe a que já nos habituou. Finalmente Renato Sanches, pela primeira vez titular no Europeu e também pela primeira vez a marcar na fase final de uma grande competição: foi dele o golo do empate, com um pontapé muito bem colocado, desferido com o pé esquerdo, correspondendo da melhor maneira a uma vistosa assistência de calcanhar feita por Nani.

 

O melhor estava para vir. E veio no fim. Os nossos cinco jogadores chamados a converter as grandes penalidades cumpriram a missão com brilhantismo. Primeiro o capitão, Cristiano Ronaldo. Depois Renato. Seguiram-se Moutinho, Nani e Quaresma. É fundamental assinalar também a extraordinária defesa de Rui Patrício, que evitou a conversão do quarto penálti polaco, a cargo de Kuba, num voo rasante só ao nível dos guarda-redes de inegável categoria.

Missão comprida, missão cumprida. Estamos nas meias-finais do Campeonato da Europa, o que nos acontece pela quinta vez. Vamos defrontar a Bélgica ou o País de Gales, falta saber qual destas selecções teremos pela frente no próximo desafio, marcado para quarta-feira às 20 horas.

Mas isso pode esperar. Vamos agora festejar a ultrapassagem deste obstáculo chamado Polónia. Devagar se vai ao longe.

 

Portugal, 1 - Polónia, 1 (5-3,no desempate por penáltis)

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Atento, sempre seguro entre os postes. Acabou por não ter tanto trabalho como se antevia, mas correspondeu quando necessário. Boa defesa aos 69'. Sem hipótese no golo. O seu melhor momento foi a defesa do penálti marcado por Kuba. Totalmente decisivo.

 

Cédric - Cometeu um erro infantil logo no segundo minuto de jogo ao falhar o tempo de salto em zona proibida, o que permitiu que a Polónia se adiantasse no marcador, com golo de Lewandowski. Redimiu-se ao longo da partida, ganhando quase todos os duelos individuais no seu flanco.

 

Pepe - Voltou a ser o melhor português pelo segundo jogo consecutivo. Agigantou-se em todos os lances que disputou, desviando o que havia para desviar sem necessidade de recorrer a faltas. Recuperou uma bola aos 81' e lançou um contra-ataque rapidíssimo, pondo os polacos em sentido. Exibição de luxo. 

 

José Fonte - Completou bem as tarefas defensivas de Pepe: até parece que jogam juntos há anos. Acorreu à dobra quando Eliseu era ultrapassado, revelando segurança e maturidade. Bom cabeceamento aos 78', mas a bola saiu à figura do guardião polaco.

 

Eliseu - Voluntarioso e combativo, sobra-lhe em força anímica o que já lhe val faltando em pernas. O seu melhor momento foi um cruzamento milimétrico aos 92' que Ronaldo desperdiçou: esse lance podia ter arrumado o encontro. Mas vários outros passes não lhe saíram bem.

 

William Carvalho - Um poço de energia enquanto esteve em campo. Não lhe bastou ser o maior tampão contra as investidas polacas, recuperando inúmeras bolas: sabia sempre recolocá-las em jogo, desmarcando os colegas. Saiu aos 96', já esgotado de tanto correr e um cartão amarelo que o exclui da meia-final.

 

Adrien - Combinou da melhor maneira com William, aproveitando as rotinas que ambos já criaram no Sporting, destacando-se igualmente na recuperação de bolas. Aos 66' fez um dos melhores passes para Ronaldo, infelizmente desaproveitado. Saiu aos 74', já "amarelado".

 

Renato Sanches - Entrou finalmente como titular e demonstrou ao seleccionador que valeu a pena apostar nele. Marcou o nosso golo solitário e imprimiu dinâmica de vitória à equipa. No final, voltou a ser decisivo ao marcar o penálti que lhe competia. Falta-lhe só mais rigor no processo defensivo.

 

João Mário - Fez talvez o seu jogo mais apagado deste Europeu, em parte por parecer sempre deslocado da sua posição ideal: Fernando Santos mandou-o encostar à linha esquerda, auxiliando Eliseu na tentativa de impedir a progressão polaca. Nem sempre se entendeu com Ronaldo. Saiu aos 80'.

 

Nani - Teve dois momentos altos durante a partida. O primeiro aos 28', ao servir muito bem Ronaldo num lance em que o capitão é carregado em falta, o segundo aos 33', com uma soberba assistência de calcanhar para o golo de Renato. Voltou a destacar-se ao marcar um dos penáltis finais. 

 

Cristiano Ronaldo - Devia ser ele a fazer a diferença para uma grande exibição portuguesa, mas ainda não foi desta que isso sucedeu. Sem contornar as marcações, falhando por sistema o tempo de intervenção, perdendo até vários confrontos individuais, quase passou ao lado do jogo. Valeu o penálti marcado no fim: a ronda vitoriosa começou nele.

 

João Moutinho - Rendeu Adrien aos 74'. Parece ter-lhe feito bem o descanso no jogo anterior, por acaso o único que conseguimos vencer até agora nesta fase final do Europeu. Aos 86', foi dele o melhor lance individual da partida ao picar a bola que sobrevoou toda a defesa polaca e foi anichar-se nos pés de Ronaldo, que a dominou mal.  

 

Quaresma - Substituiu João Mário aos 80' para dar frescura e dinamismo à equipa, numa fase em que os polacos pareciam já ter desistido de chegar à nossa grande área. Tentou servir Ronaldo, desta vez sem sucesso. Mas voltou a ser o talismã da selecção: o golo de penálti que nos pôs nas meias-finais foi dele.

 

Danilo - Entrou aos 96', substituindo William Carvalho, voltando a demonstrar que continua a faltar-lhe a qualildade de passe do colega. Com ele em campo a selecção recua 20 metros. Mas era mesmo essa, pelos vistos, a missão que Fernando Santos lhe pedia.

Polacos em Portugal

juskowiak_sporting_1992.jpg

Em dia de jogo contra a Polónia, lembremos o grande Andrzej Juskowiak que fez 74 jogos pelo Sporting e marcou 25 golos, como este. Em termos de polacos em Portugal, lembremos ainda Jozef Mlynarczyk, antigo guarda-redes do FCP e provavelmente o polaco que maior sucesso alcançou na nossa liga. Pelos azuis e brancos jogaram, nos anos 90, o avançado Grzegorz Mielcarski e o guarda-redes Andrzej Wozniak. Sem grande sucessoo. Mais recentemente, o Boavista de 2006, contou com Przemyslaw Kazmierczak (chegaria ao FCP e passaria por Setúbal) e Rafał Grzelak. Em Guimarães, morou Marek Saganowski, deixando 16 golos e muitas saudades. Rumou ao Troyes antes de rumar a Inglaterra. Da equipa B do Benfica, joga o jovem Paweł Dawidowicz. Esqueci-me de alguém?

Quartos

Sem vitórias nos noventa minutos e sem um futebol bonito, Portugal está nos quartos-de-final e joga quinta-feira em Marselha (no estádio mais bonito do Euro 2016), contra a Polónia, pior do que a Suíça mas vencedora do confronto de sábado passado. Olhemos para o plantel polaco. Na baliza, mora Fabianski que, após anos a marcar passo no Arsenal, brilha no Swansea. Na defesa, Piszczek (Dortmund) é craque e faz o lado direito. Jedrzejczyk (Légia Varsóvia) é mais lento e limitado e joga pela esquerda. É um lado a explorar. No centro, tal como na Croácia, há dois pilares: Pazdan (Légia Varsóivia) e Glik (Torino). São fortes fisicamente e jogam simples mas de forma lenta. Outro ponto a explorar. No meio campo, quatro homens. Na direita há Kuba, a jogar em Itália (Fioretina) após uma vida no Dortmund. Parece ter perdido algum gás nos últimos anos mas continua cheio de garra. No centro, joga o operário Maczynski (Wisla Cracóvia) e o criativo Krychowiak, em trânsito do Sevilha para o PSG por cerca de quarenta milhões de euros. Não fosse a presença de Lewandowski e seria a estrela da companhia. Na esquerda, fecha Grosicki (Rennes) extremo à antiga, rápido mas algo limitado. Será facilmente anulado por um Cédric em forma. Na frente, o perigo maior. Milik (Ajax) fez grande época na Holanda (24 golos) e Lewandowski (Bayern) é um dos melhores avançados do mundo. Não acredito nos rumores da sua lesão. O onze não deve fugir disto, nem há grande matéria para mais. Nota apenas para Linetty (Lech Poznan), médio centro de futuro; Zielinski, titular do Empoli e médio de futuro e para Kapustka (Cracovia Krakow), médio ofensivo que é a grande esperança do futebol polaco.

 

Do nosso lado, nada de baixar os braços. A Croácia era, em teoria, melhor do que a Polónia mas nada de confianças exacerbadas. Só uma seleção altamente combativa e concentrada pode eliminar a Polónia. Na baliza, continua Patrício. Nas alas, Raphael, um dos melhores da equipa na competição, mantém-se e espero que Cédric também. O lateral ex-Sporting ataca e defende melhor, podendo segurar Grosicki e embaraçar Jedrzejczyk. No centro, não me espantaria que continuassem Pepe (imperial na última partida) e Fonte (simples e seguro). Carvalho, aos 38 anos, precisa de descanso e se tudo correr bem, ainda pode fazer dois jogos. No meio-campo, o alinhamento é óbvio: Mário, Wiliam, Adrien e Sanches. O trio do Sporting respondeu à chamada e Sanches mexeu com o jogo. Gostava depois de ver Rafa na esquerda a aproveitar com a sua velocidade (Quaresma também pode descansar, e o bracarense tem rotina de 4-4-2) o cansaço polaco. Esperemos que não dê um ataque de teimosia a Santos e que Gomes e Moutinho fiquem pelo banco. Nani e Ronaldo são a dupla esperada para chegar ao golo. Éder, fetiche de Santos, poderia também ser utilizado para arrastar os centrais. Todos sabemos que não é um matador mas que é trabalhador, é. E, sem um minuto jogado, está fresco. O futebol bonito nunca nos trouxe resultados mas se for possível jogar um pouco mais "à bola", agradecemos. Como é lembrado bastas vezes, não somos a Grécia.

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D