06 Mai 16

 

Golo de JOÃO MÁRIO

V. Setúbal 0 - 6 Sporting

6 de Janeiro de 2016, Estádio do Bonfim

 

Não só porque se trata de um grande golo, de um grande executante, que sem dúvida ficará na história como um dos melhores que formámos, mas também por ter sido marcado contra o nosso próximo adversário, numa das melhores exibições que realizámos esta época, aqui deixo mais um video.

Sei que é complicado garantir que um jogador com tamanha qualidade e inteligência permaneça por cá muito tempo. Sei também que, por toda a classe que tem, quando partir vai deixar muitas saudades.

Trata-se claramente de um atleta que por tudo o que já fez, como alguns dos seus colegas e muitos outros que por Alvalade passaram, merece o maior dos sucessos desportivos, sucesso esse que se espera que comece já este ano.

O que mais posso desejar é que, com os seus rasgos de inspiração e genialidade, continue a mostrar a grandeza do Sporting e da sua formação, seja por cá, no Verão em França, ou em outro local qualquer.


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04 Mai 16

 

Golo de TELLO

FC Porto - Sporting, 0-1

17 de Março de 2007, Estádio do Dragão

 

Foi a anterior vitória do Sporting antes da que registámos sábado passado no reduto portista. Já vão decorridos nove anos, na 22ª jornada do campeonato 2006/07. Um golo monumental, obtido de livre directo bem longe da grande área da equipa de azul e branco. Autor: o internacional chileno Rodrigo Tello, que jogava na posição de lateral-esquerdo, com o nº 11 na camisola, e custara 7,5 milhões de euros aos cofres de Alvalade, onde jogou sete épocas e venceu um campeonato, duas Taças de Portugal e uma Supertaça.

Iam decorridos 71 minutos e o resultado teimava em permanecer como estava quando soou o apito inicial. O árbitro, Pedro Henriques, não teve dúvida em assinalar falta a mais de 20 metros da baliza. Encarregado de cobrá-lo, Tello cumpriu a missão de forma exemplar. Do pé esquerdo dele saiu não um remate mas um autêntico míssil incapaz de ser travado pelo guardião Helton.

Foi uma partida muito disputada e muito suada, que devia ter terminado com mais golos. Só da nossa parte, Tello já tinha tentado abrir o marcador com um excelente remate aos 44'. O mesmo sucedera com Alecsandro e Romagnoli nesse desafio em que Nani brilhou. O nosso guarda-redes, Ricardo, também fez uma boa exibição, tal como o central Polga. Do meio-campo para a frente terminámos o jogo com seis jogadores formados em Alcochete: Miguel Veloso, João Moutinho, Custódio, Pereirinha, Nani e Djaló.

Hoje com 36 anos, Tello integra a equipa do Audax Italiano, que disputa o campeonato do seu país. Lembra-se certamente muito bem daquele grande golo que marcou ao FC Porto, que comandava a Liga com nove pontos de diferença em relação a nós. Os portistas viriam a sagrar-se campeões, mas só com mais um ponto do que o Sporting, nessa segunda época com Paulo Bento ao comando da equipa. Terminámos com 68 pontos, só menos um que eles, e garantindo a qualificação directa para a Liga dos Campeões.

São tempos que já nos fazem sentir saudades. Mas há que reconhecer: o rugido do Leão não se desvaneceu - fiel à tradição de sempre.


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02 Mai 16

 

Golo de RICARDO SÁ PINTO

C.F. Os Belenenses - Sporting C.P., 0-1

8 de Dezembro de 1995, Restelo, Campeonato Nacional

 

Todos nós somos do Sporting por algum motivo.

O meu é a família. Com Avô Sportinguista e Pai Sportinguista, as tentativas da minha mãe de me levar para o lado sul da Segunda Circular saíram sempre goradas, prevalecendo o Bem.

Muito embora, por questões de vizinhança, tenha assistido a todas as finais da Taça de Portugal entre 1986 e 2008 - o Bernardo Pires de Lima e o Duarte Fonseca já aqui abordaram os golos que marcaram os primeiros títulos da minha geração, pelo que o golo que aqui nos traz é outro -, as idas a outros estádios eram pouco frequentes e geralmente sob a forma de cerimónias grupais familiares nas quais o jogo em si perdia primazia para o convivio com os demais.

Com uma rara exceção: o Belenenses-Sporting de 1995, ao qual o meu Pai em boa hora me decidiu levar.

Foi um jogo sem grande história, jogámos bem (diga-se, em abono da verdade, que nestes últimos 25 anos temos tidos jogadores absolutamente extraordinários, cujas carreiras mereciam bem mais do que o que o "sistema" permitiu), mas marcámos apenas um golo, o suficiente para trazer a vitória e os 3 pontos, cuja implementação fora uma novidade dessa época, para Alvalade.

O golo do Sá, esse, nunca mais me saiu da cabeça e aqui fica para recordação coletiva.


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26 Abr 16

Golo de OCEANO CRUZ

Sporting-Penafiel, Campeonato Nacional, jornada 29

12 de Março de 1989, Estádio José Alvalade

 

Golo 61 e homenagem a um jogador que foi projectado em 1961, Oceano nasceria em 29 de Julho de 1962.

Foi jogador do Sporting durante onze épocas tendo realizado mais de quatro centenas de jogos com o leão rampante a embelezar-lhe a camisola.

O golo que escolhi é o terceiro golo do Sporting num jogo que terminaria 4-1, curiosamente, o Sporting esteve a perder 0-1, num excelente golo de Amâncio (seria o segundo melhor marcador do campeonato atrás dum tal Vata cuja especialidade era marcar golos com a mão).

No resumo do jogo temos, ainda, a oportunidade de ver uma grande jogada de Douglas que arranca  atrás da linha que divide o campo, sempre com a bola controlada, parte em direcção à baliza e remata para uma excelente defesa do guarda-redes que viera das terras banhadas pelo Cavalum e pelo Sousa. Neste resumo (3'48") podemos ver uma jogada do mesmo género de Oceano mas que acaba em golo, um excelente golo.

Oceano que foi 4 mas, também, foi 7 um verdadeiro OCR7 (O de Oceano e CR de Cruz).

Termino com duas notas que ficarão ligadas à carreira de Oceano que não era conhecido por ser um grande goleador, foi dele o último golo no antigo estádio de Atocha num desafio em que a Real Sociedad de Oceano e Carlos Xavier derrotou o Tenerife por 3-1 tendo Oceano apontado dois golos, a partida disputou-se em 13 de Junho de 1993, depois Oceano regressou ao Sporting onde jogaria por mais quatro épocas para terminar a carreira em 1998/1999 no Toulose (França) com 35/36 anos Oceano ainda marcaria nessa época seis golos, tendo sido considerado o melhor jogador da equipa.

Oceano Andrade da Cruz, um exemplo vivo de sportinguismo.


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21 Abr 16

Golo de JARDEL

Sporting, Paços de Ferreira, 4-0

2 de Fevereiro de 2003, Estádio José Alvalade

 

Mais um do Super-Mário. Um dos melhores golos jamais marcados na principal liga portuguesa (desde que tenho memória... e tenho alguma!).

Em primeiro lugar porque é um golo do Sporting. E qualquer golo do Sporting (incluindo os auto-golos dos adversários) é sempre um grande golo.

Depois porque é um golo de elevado grau de execução técnica... concretizado por um dos avançados mais letais que passou pelo futebol nacional e pelo nosso Sporting.

Em terceiro lugar, porque Jardel era, por muitos, considerado um jogador apenas "oportunista", sem grandes qualidades técnicas (como se estar no sítio certo no momento certo não fosse sinónimo de superior capacidade de leitura do jogo).

A execução técnica deste golo desmente, categoricamente, essas interpretações. A forma como o avançado ultrapassa o defesa no "simples" gesto de dominar a bola com o peito e a segurança e intencionalidade como a coloca junto ao poste mais distante da baliza adversária, sem qualquer hipótese de defesa para o guarda-redes, é simplesmente... soberba.

Obrigado, Super-Mário!

 


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20 Abr 16

Eis os golos já seleccionados até agora na nossa série colectiva Os melhores golos do Sporting:

 

1. Diego Capel: golo no Sporting-Athletic Bilbao (Abril de 2012)

Escolha de Alexandre Poço

 

2. Iordanov: golo no Sporting-Marítimo (Junho de 1995)

Escolha de Bernardo Pires de Lima

 

3. Jordão: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1983)

Escolha de Cristina Torrão

 

4. André Cruz: golo no Salgueiros-Sporting (Maio de 2000)

Escolha de Duarte Fonseca

 

5. Mário: golo no FC Porto-Sporting (Maio de 1987)

Escolha de Edmundo Gonçalves

 

6. Miguel Garcia: golo no Alkmaar-Sporting (Maio de 2005)

Escolha de Eduardo Hilário

 

7. Balakov: golo no Sporting-Benfica (Outubro de 1992)

Escolha de Filipe Arede Nunes

 

8. Montero: golo no Sporting-Marítimo (Outubro de 2014)

Escolha de Filipe Moura

 

9. Jardel: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 2001)

Escolha de Gabriel Santos

 

10. Matías Fernández: golo no Manchester City-Sporting (Março de 2012)

Escolha de Francisco Almeida Leite

 

11. Niculae: golo no Sporting-FC Porto (Agosto de 2001)

Escolha de Francisco Melo

 

12. Pedro Barbosa: golo no FC Porto-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha de João António

 

13. Slimani: golo no Sporting-Braga (Maio de 2015)

Escolha de Frederico Dias de Jesus

 

14. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de João Caetano Dias

 

15. Yazalde: golo no Sporting-Benfica (Março de 1974)

Escolha de João Távora

 

16. Xandão: golo no Sporting-Manchester City (Março de 2012)

Escolha de José da Xã

 

17. Mário Jorge: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1982)

Escolha de José Navarro de Andrade

 

18. Acosta: golo no Sporting-FC Porto (Março de 2000)

Escolha de Luciano Amaral

 

19. Tiuí: golo no Sporting-FC Porto (Maio de 2008)

Escolha de Luís de Aguiar Fernandes

 

20. Juskowiak: golo no Sporting-Boavista (Abril de 1994)

Escolha de Marta Spínola

 

21. Pedro Barbosa: golo no Sporting-União de Leiria (Novembro de 2000)

Escolha de Francisco Chaveiro Reis

 

22. João Morais: golo no Sporting-MTK (Maio de 1964)

Escolha minha

 

23. Matías Fernández: golo no Sporting-Everton (Fevereiro de 2010)

Escolha de Pedro Oliveira

 

24. Cherbakov: golo no Sporting-Beira-Mar (Maio de 1993)

Escolha de Rui Cerdeira Branco

 

25. Niculae: golo no Sporting-Milan (Dezembro de 2001)

Escolha de Pedro Almeida Cabral

 

26. Figo: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 1993)

Escolha de Tiago Cabral

 

27. Montero: golo no Sporting-Académica (Janeiro de 2016)

Escolha de Zélia Parreira

 

28. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de António Manuel Venda

 

29. Peyroteo: golos no Sporting-Leça (Fevereiro de 1942)

Escolha de Alda Telles

 

30. Manuel Fernandes: golo no Sporting-Benfica (Dezembro de 1986)

Escolha minha

 

31. Marco Caneira: golo no Sporting-Inter (Setembro de 2006)

Escolha do Alexandre Poço

 

32. Balakov: golo no V. Setúbal-Sporting (Agosto de 1993)

Escolha do Filipe Moura

 

33. Carlos Xavier: golo no CSKA-Sporting (Outubro de 1982)

Escolha do Edmundo Gonçalves

 

34. Paíto: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha da Cristina Torrão

 

35. Nani: golo no Sporting-Gil Vicente (Fevereiro de 2015)

Escolha do José da Xã

 

36. Pinilla: golo no Sporting-Moreirense (Novembro de 2004)

Escolha do Francisco Chaveiro Reis

 

37. Vukcevic: golo no Sporting-Benfica (Abril de 2008)

Escolha do Gabriel Santos

 

38. Paulo Torres: golo no V. Guimarães-Sporting (Maio de 1993)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

39. António Oliveira: golo no Sporting-Dìnamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Pedro Boucherie Mendes

 

40. Ricardo Sá Pinto: golo no Gil Vicente-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha do Bernardo Pires de Lima

 

41. Liedson: golo no Sporting-Nacional (Fevereiro de 2007)

Escolha do Tiago Cabral

 

42. António Oliveira: golo no Sporting-Dínamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Luciano Amaral

 

43. André Cruz: golo no Beira-Mar-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha do João António

 

44. Osvaldo Silva: golo no Sporting-Manchester United (Março de 1964)

Escolha minha

 

45. Jorge Cadete: golo no Beira-Mar-Sporting (Novembro de 1992)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

46. Tanaka: golo no Braga-Sporting (Janeiro de 2015)

Escolha minha

 

47. Izmailov: golo no FC Porto-Sporting (Agosto de 2007)

Escolha do Francisco Melo

 

48. Cristiano Ronaldo: golo no Sporting-Moreirense (Outubro de 2002)

Escolha minha

 

49. Ricardo Sá Pinto: golo no Sporting-V. Guimarães (Janeiro de 1995)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

50. Rochemback: golo no Sporting-Newcastle (Abril de 2005)

Escolha do Luís de Aguiar Fernandes

 

51. Abel Ferreira: golo no Manchester United-Sporting (Novembro de 2007)

Escolha do Frederico Dias de Jesus

 

52. Ricardo Quaresma: golo no Salgueiros-Sporting (Novembro de 2001)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

53. Jardel: golo no Sporting-V. Setúbal (Dezembro de 2001)

Escolha do Francisco Vasconcelos

 

54. Ronny: golo no Naval-Sporting (Novembro de 2006)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

55. Delfim: golo no Sporting-V. Guimarães (Abril de 1999)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

56. Pinilla: golo no Sporting-Alkmaar (Abril de 2005)

Escolha do Francisco Vasconcelos

 

57. Nani: golo no Sporting-Maribor (Novembro de 2014)

Escolha do José da Xã

 

58. Jordão: golo no Southampton-Sporting (Outubro de 1981)

Escolha do Edmundo Gonçalves

 

59. Jesus Correia: golo no FC Porto-Sporting (Abril de 1947)

Escolha minha

 

Queremos chegar pelo menos às sete dezenas de golos. Agradecendo desde já os contributos que os leitores nos queiram dar.

Fica a promessa: no final elegeremos o melhor golo de sempre, contando com o vosso voto.


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16 Abr 16

 

Golo de JESUS CORREIA

FC Porto - Sporting, 2-4

20 de Abril de 1947, Estádio do Lima (Porto)

 

Qualquer cinéfilo isento reconhece: O Leão da Estrela  merece figurar entre os melhores filmes portugueses de todos os tempos. Refiro-me à longa-metragem que Arthur Duarte realizou em 1947 e se estreou a 25 de Novembro desse ano, não a uma pálida imitação que andou por aí há uns meses.

O filme original contava a história de um fervoroso sportinguista, o senhor Anastácio, que viajou com a família à Cidade Invicta só para assistir in loco ao clássico, nessa época ainda disputado no velho campo do Lima: o estádio das Antas não passava então de mera aspiração dos azuis-e-brancos.

António Silva, que interpreta o papel de Anastácio, tem neste filme algumas das melhores falas da sua longa carreira como actor e de todo o cinema português. Eis uma delas, logo no início da película: "O Peyroteo remata no Terreiro do Paço e mete golo no Estádio do Lima!" Outra, na sala da sua casa, perante um candidato a seu genro, também fervoroso Leão: "Canário recebe a bola e passa a Travassos, Travassos dribla Guilhar e passa a Vasques, Vasques recebe e passa a Albano. Albano passa a Jesus Correia. Jesus Correia centra e Peyroteo corre para a área e mete GOLO!"

Dá um violento pontapé na mesa, que se vira. A loiça quebra-se, a mulher acorre aflita, questionando o que se passa. Responde o visitante: "Foi o senhor Anastácio a meter um golo."

 

O filme alterna cenas rodadas nos estúdios da Tobis com imagens reais do FCP-Sporting da temporada 1946/47 em que o Sporting se sagrou bicampeão. A nossa equipa, treinada pelo técnico inglês Robert Kelly, assumiu a liderança à quarta jornada e não viria a largá-la. Foi um campeonato célebre por ter reunido pela primeira vez os famosos Cinco Violinos com a chegada de Travassos e Vasques, que se juntaram ao trio formado por Albano, Peyroteo e Jesus Correia.

Na longa-metragem - que tem o jogo de futebol como elemento central, entre os minutos 42 e 53 - o Sporting derrota o Porto por 2-1. Mas na realidade o triunfo foi mais amplo: derrotámos os tripeiros por 4-2, com golos de Jesus Correia (2), Albano e Peyroteo, consolidando a trajectória rumo ao título nacional. É precisamente um dos golos do jovem Jesus Correia (tinha 23 anos) que vemos num fugaz excerto - um dos raros registos filmados dessa equipa leonina que durante uma década manteve a hegemonia no futebol português.

Ignoro o motivo que levou Arthur Duarte a mudar os números do robusto triunfo do Sporting no relvado do Lima. E também desconheço por que razão o golo que vemos na imagem é atribuído a Travassos - precisamente o único dos "Violinos" que não marcou nesta partida. Importante é o fascínio intemporal que O Leão da Estrela continua a exercer nos espectadores. Refiro-me ao produto genuíno, não à imitação sem graça.

 

Já o vi inúmeras vezes. E continuo a rir com várias cenas. Como aquela em que, consumado o golo do triunfo, o grande António Silva - tão Leão na vida real como era na tela - mira o lugar vazio do seu vizinho de bancada, o portuense Barata que entretanto se pusera a milhas: "Desapareceu, o camaradinha? Raspou-se. Ainda bem. Morreu com o tiro do Travassos."

Aposto que Jesus Correia, autor do verdadeiro "tiro", terá rido tanto com esta cena como eu.


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15 Abr 16

Golo de JORDÃO

Southampton - Sporting, 2-4

21 de Outubro de 1981, Southampton, Taça UEFA

 

Um golo à Jordão, num belo mergulho, colocando a cabeça onde o defesa tem os pés, na sequência de um belo centro de Oliveira.

Há ainda dois belos golos de Manuel Fernandes, que poderiam figurar nesta colectânea dos melhores do Sporting.

Algumas curiosidades sobre este jogo:

A distância entre o público e os guarda-redes era tão escassa, que até deu para Meszaros trocar uns piropos com os ingleses que queriam que se despachasse a repor a bola. Ainda no que aos guarda-redes diz respeito, estes ainda podiam receber a bola do pé do companheiro e segurá-la com as mãos e alternar entre mãos e pés.

A obtenção do segundo golo dos ingleses veio demonstrar que Jesus muitos anos mais tarde tem toda a razão ao afirmar que "o fair-play é uma treta", já que um dos nossos está há imenso tempo no chão, lesionado, dentro da grande área e os homens do país precisamente do fair-play fazem tábua rasa da coisa e vai de continuar a jogada até conseguirem o golo.

A maior curiosidade é a de que este é o primeiro jogo em que uma equipa portuguesa vence em Inglaterra para as competições da UEFA. Na segunda mão em Lisboa o resultado seria um empate a zero, com o Sporting a controlar o jogo.

 

 


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14 Abr 16

Golo de NANI

Sporting-Maribor, 3-1

25 de Novembro de 2014, Estádio José de Alvalade

 

Trago aqui mais um golo de Nani. Este aos 35 minutos da primeira parte e que deixou meio estádio (nomeadamente os que estavam na parte norte) quase em estado de choque... e depois em delírio.

Após um livre marcado do lado direito por Cédric para Carlos Mané, este flectiu para a sua esquerda e vendo Nani desmarcado endossou-lhe a bola.

E é neste nosso atleta que tudo começa... e acaba!

Recordem então este belo momento.

 

 


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11 Abr 16

 

Golo de MAURÍCIO PINILLA

Sporting - AZ Alkmaar (2-1)

28 de Abril de 2005, Estádio José Alvalade

 

Empolgante para uns, desesperante para outros, é dificil ficar-se indiferente a Maurício Pinilla. Uma coisa me parece certa: o chileno é um dos muitos jogadores que deixa a ideia de que podia ter alcançado mais.

 

Atualmente com 32 anos, aproxima-se do final de uma carreira, que à excepção de uma Copa América acaba por ser algo modesta. Mas no início desta prometeu muito, com golos como o segundo do Sporting, na vitória sobre os holandeses do AZ Alkmaar, no jogo da 1ª mão das meias-finais da Liga Europa, na época 2004/2005 (ver 00:35).

 

Numa eliminatória que fica na história, num ano que a equipa treinada por José Peseiro presenteou todos com o que Ruud Gullitt apelidou de "sexy football", apesar do desfecho, houve muitos bons momentos. Aqui fica um deles. Para lembrar sempre.


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08 Abr 16

Golo de DELFIM

Sporting-V. Guimarães, 3-0

3 de Abril de 1999, Estádio José de Alvalade

 

Mais um grande golo de um jogador que ficou conhecido pelo seu potente pontapé: Delfim.

Jogador português - chegou a ser internacional - Delfim jogava a trinco (na altura ao jogador da posição 6 chamava-se trinco) e era dos bons! A sua grande mais-valia estava no poderoso pé direito e no remate à baliza. Infelizmente, depois de sair campeão do Sporting, foi para o Marselha e lesionou-se gravemente tendo ficado afastado dos relvados mais de dois anos. Nunca mais voltou a ser o mesmo jogador.

O golo é fantástico. Um pontapé impressionante, de primeira, a mais de trinta metros da baliza colocado ao canto superior esquerdo. Ficou para sempre na minha memória!

 

 


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05 Abr 16

Golo de RONNY

Naval-Sporting, 0-1

26 de Novembro de 2006, Municipal José Bento Pessoa

 

Quem não se lembra de Ronny, aka, o pé-canhão? Jogador canhoto, passou brevemente pelo Sporting (felizmente!) andando, presentemente, a espalhar magia pelos relvados da bundesliga.

O golo que aqui trazemos é fruto da imagem de marca do jogador, conhecido, sobretudo pela potência do seu pontapé. O jogo, contra o Naval (como é possível que equipas como aquela tenham passado pela 1.ª divisão?!), ficou marcado por um golo monstruoso de Ronny sendo que, na altura, muito se escreveu sobre o mesmo, nomeadamente sobre a velocidade a que a bola pode ter entrado na baliza. Há quem fale em mais de 200 km/h (mais precisamente 222 km/h) embora não existam meios capazes de determinar com rigor se assim foi ou não.

Para a história ficou o grande golo que o jogador brasileiro marcou e os três pontos que garantiu já bem perto do final do jogo!

 

 


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04 Abr 16

 

Golo de MÁRIO JARDEL

Sporting - V. Setúbal (1-0)

22 de Dezembro de 2001 Estádio José de Alvalade

 

Quando se adivinha mais um jogo que, por vários motivos, pode ser complicado, para ajudar a ganhar confiança e dar inspiração, fui buscar ao baú das recordações um golo de belo efeito da autoria do brasileiro Mário Jardel.

Se foi do guaraná ou de outra coisa não sei, mas que este tento é de uma execução brilhante não há dúvida. É por lances destes que deixa saudades e ficamos com pena de ver o que se tornou um goleador referência do futebol português.

Porque acredito que o desfecho no final da época pode ser o mesmo, aqui deixo um dos 42 golos que Jardel marcou no ano em que fomos campeões pela última vez. 


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01 Abr 16

Golo de RICARDO QUARESMA

Salgueiros-Sporting, 1-4

5 de Novembro de 2001, Engenheiro Vidal Pinheiro

 

Ricardo Quaresma foi, nas últimas décadas, um dos grandes jogadores formados pelo Sporting. O seu talento inebriante e a velocidade alucinante do drible faziam deste um verdadeiro Mustang!

Quaresma tem feito uma carreira de grande nível mas muitos (onde me incluo) pensaram possível, pelo menos em determinada altura, que talvez o antigo jogador leonino pudesse aspirar a algo mais, quem sabe se não mesmo a uma Bola de Ouro. Faltou-lhe, penso, a capacidade de trabalho que caracteriza jogadores capazes de alcançar o Olimpo, porque o resto ele, indubitavelmente, tinha!

A imagem de marca do seu enorme talento é a trivela mas o golo que marcou ao Salgueiros em Novembro de 2001 (a ver a partir do minuto 2:00) foi ligeiramente diferente. Desmarcado a partir de um passe da defesa, apanha a bola no meio campo e corre com ela, velozmente e entre os defesas encarnados, e, já depois de entrar na área da equipa salgueirista, desfere um potente remate ao canto superior esquerdo da baliza. Golo de levantar o estádio e um dos primeiros que marcou com a camisola verde e branca.

 

 


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30 Mar 16

Eis os golos já seleccionados até agora na nossa série colectiva Os melhores golos do Sporting:

 

1. Diego Capel: golo no Sporting-Athletic Bilbao (Abril de 2012)

Escolha de Alexandre Poço

 

2. Iordanov: golo no Sporting-Marítimo (Junho de 1995)

Escolha de Bernardo Pires de Lima

 

3. Jordão: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1983)

Escolha de Cristina Torrão

 

4. André Cruz: golo no Salgueiros-Sporting (Maio de 2000)

Escolha de Duarte Fonseca

 

5. Mário: golo no FC Porto-Sporting (Maio de 1987)

Escolha de Edmundo Gonçalves

 

6. Miguel Garcia: golo no Alkmaar-Sporting (Maio de 2005)

Escolha de Eduardo Hilário

 

7. Balakov: golo no Sporting-Benfica (Outubro de 1992)

Escolha de Filipe Arede Nunes

 

8. Montero: golo no Sporting-Marítimo (Outubro de 2014)

Escolha de Filipe Moura

 

9. Jardel: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 2001)

Escolha de Gabriel Santos

 

10. Matías Fernández: golo no Manchester City-Sporting (Março de 2012)

Escolha de Francisco Almeida Leite

 

11. Niculae: golo no Sporting-FC Porto (Agosto de 2001)

Escolha de Francisco Melo

 

12. Pedro Barbosa: golo no FC Porto-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha de João António

 

13. Slimani: golo no Sporting-Braga (Maio de 2015)

Escolha de Frederico Dias de Jesus

 

14. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de João Caetano Dias

 

15. Yazalde: golo no Sporting-Benfica (Março de 1974)

Escolha de João Távora

 

16. Xandão: golo no Sporting-Manchester City (Março de 2012)

Escolha de José da Xã

 

17. Mário Jorge: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1982)

Escolha de José Navarro de Andrade

 

18. Acosta: golo no Sporting-FC Porto (Março de 2000)

Escolha de Luciano Amaral

 

19. Tiuí: golo no Sporting-FC Porto (Maio de 2008)

Escolha de Luís de Aguiar Fernandes

 

20. Juskowiak: golo no Sporting-Boavista (Abril de 1994)

Escolha de Marta Spínola

 

21. Pedro Barbosa: golo no Sporting-União de Leiria (Novembro de 2000)

Escolha de Francisco Chaveiro Reis

 

22. João Morais: golo no Sporting-MTK (Maio de 1964)

Escolha minha

 

23. Matías Fernández: golo no Sporting-Everton (Fevereiro de 2010)

Escolha de Pedro Oliveira

 

24. Cherbakov: golo no Sporting-Beira-Mar (Maio de 1993)

Escolha de Rui Cerdeira Branco

 

25. Niculae: golo no Sporting-Milan (Dezembro de 2001)

Escolha de Pedro Almeida Cabral

 

26. Figo: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 1993)

Escolha de Tiago Cabral

 

27. Montero: golo no Sporting-Académica (Janeiro de 2016)

Escolha de Zélia Parreira

 

28. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de António Manuel Venda

 

29. Peyroteo: golos no Sporting-Leça (Fevereiro de 1942)

Escolha de Alda Telles

 

30. Manuel Fernandes: golo no Sporting-Benfica (Dezembro de 1986)

Escolha minha

 

31. Marco Caneira: golo no Sporting-Inter (Setembro de 2006)

Escolha do Alexandre Poço

 

32. Balakov: golo no V. Setúbal-Sporting (Agosto de 1993)

Escolha do Filipe Moura

 

33. Carlos Xavier: golo no CSKA-Sporting (Outubro de 1982)

Escolha do Edmundo Gonçalves

 

34. Paíto: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha da Cristina Torrão

 

35. Nani: golo no Sporting-Gil Vicente (Fevereiro de 2015)

Escolha do José da Xã

 

36. Pinilla: golo no Sporting-Moreirense (Novembro de 2004)

Escolha do Francisco Chaveiro Reis

 

37. Vukcevic: golo no Sporting-Benfica (Abril de 2008)

Escolha do Gabriel Santos

 

38. Paulo Torres: golo no V. Guimarães-Sporting (Maio de 1993)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

39. António Oliveira: golo no Sporting-Dìnamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Pedro Boucherie Mendes

 

40. Ricardo Sá Pinto: golo no Gil Vicente-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha do Bernardo Pires de Lima

 

41. Liedson: golo no Sporting-Nacional (Fevereiro de 2007)

Escolha do Tiago Cabral

 

42. António Oliveira: golo no Sporting-Dínamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Luciano Amaral

 

43. André Cruz: golo no Beira-Mar-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha do João António

 

44. Osvaldo Silva: golo no Sporting-Manchester United (Março de 1964)

Escolha minha

 

45. Jorge Cadete: golo no Beira-Mar-Sporting (Novembro de 1992)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

46. Tanaka: golo no Braga-Sporting (Janeiro de 2015)

Escolha minha

 

47. Izmailov: golo no FC Porto-Sporting (Agosto de 2007)

Escolha do Francisco Melo

 

48. Cristiano Ronaldo: golo no Sporting-Moreirense (Outubro de 2002)

Escolha minha

 

49. Ricardo Sá Pinto: golo no Sporting-V. Guimarães (Janeiro de 1995)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

50. Rochemback: golo no Sporting-Newcastle (Abril de 2005)

Escolha do Luís de Aguiar Fernandes

 

51. Abel Ferreira: golo no Manchester United-Sporting (Novembro de 2007)

Escolha do Frederico Dias de Jesus

 

Vamos chegar pelo menos às seis dezenas de golos. Agradecendo desde já os contributos que os leitores nos queiram dar.

Fica a promessa: no final elegeremos o melhor golo de sempre, contando com o vosso voto.


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29 Mar 16
Os melhores golos do Sporting (51)
Frederico Dias de Jesus

Golo de ABEL FERREIRA

Manchester United - Sporting, 2-1

27 de Novembro de 2007, Old Trafford.

 

Abel Ferreira. Foi daqueles jogadores de quem podemos dizer: "cumpriu". Nunca foi um lateral virtuoso, de técnica elevada e rasgos de genialidade. Mas era um jogador que cumpria. Na minha modesta opinião, tinha uma boa noção do terreno de jogo, da sua posição, assim como uma óptima noção táctica. As equipas são feitas também de jogadores como este. E neste caso... a história dos melhores golos do Sporting.


As derrotas muitas vezes traduzem-se por fraco desempenho da equipa, por vezes erros, superioridade da outra equipa  (e, em casos mais estranhos à nossa percepção Sportinguista do jogo, por condicionalismos externos.) Neste jogo, claramente o Manchester United tinha melhor equipa, tanto que foi o vencedor da competição. E a juntar à festa tinham um produto nosso na sua falange ofensiva, Cristiano Ronaldo. Portanto não há vergonha nenhuma.

Contudo este jogo tinha algo guardado, ou pelo menos algo que guardei na memória. Tinham corrido os primeiros minutos do jogo. O Sporting tentava-se adaptar às marcações, fazer o seu jogo e tentar tirar um bom resultado. Eis que aos 20 minutos da primeira parte há uma abertura na lateral-direita da equipa da casa, e Abel galga uns quantos metros a partir do meio-campo, sem freios na sua corrida, recebendo a bola vinda da esquerda, domina com o pé direito sem particamente nunca abrandar, levanta a cabeça, olha, respira e dispara um tiraço fenomenal para dentro da baliza do Manchester United. A beleza deste golo, para além da distância, é a dificuldade de colocar a bola onde ela entrou, um ângulo fechadíssimo e um efeito monumental que o esférico fez. A minha memória guardou-o, e hoje quando penso em golos lembro-me deste. Podíamos ter ampliado a vitória, o Liedson marcou um golo que o árbitro invalidou, mas mal na minha opinião. Os Reds só viraram o jogo no final, com um golaço do nosso Cristiano Ronaldo. 

O futebol é isto. Ganhamos, perdemos, empatamos. Mas acima de tudo vibramos com os momentos de magia que o nosso Sporting nos proporciona. Momentos em que sonhamos. O Abel sonhou e conseguiu um golo que para mim faz parte da Arte do Golo da nossa equipa, e no local próprio: o Teatro dos Sonhos.

Houve ainda quem pensasse que tinha sido um engano. Vê-se claramente a intenção neste golo. E que grande golo foi!

 


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25 Mar 16
Os melhores golos do Sporting (50)
Luís de Aguiar Fernandes

Golo de ROCHEMBACK

Sporting - Newcastle, 4-1

14 de Abril de 2005, Estádio José de Alvalade

 

Fábio Rochemback é um jogador que nem sempre é fácil perceber. Veio para Alvalade em 2003, chegado do Barcelona, e ficou duas épocas em que foi dos médios com mais classe, força, inteligência, tudo o que quiserem, que vi em Alvalade. Ficou duas épocas e pouco mais. Depois, voltou em 2008, para uma época que nos deixou a imagem de um jogador pesado, sem metade da garra e vontade que lhe conhecíamos.

 

Este golo é de 2005, num dos melhores jogos que já vi o Sporting fazer. Perdemos 1-0 em Inglaterra, contra um forte Newcastle (nada a ver com o que está a ser este ano), e começámos a perder também em Alvalade. Mas o Sporting jogava muito à bola, nesse ano, e foi preciso uma reviravolta das antigas para nos pôr nas meias-finais da UEFA.

 

Escolho este golo porque demonstra tudo o que disse acima do Rochemback. Vejam a inteligência de quem vê uma oportunidade, a garra com que acelera (aos 90 minutos!) para ir recuperar a bola, a classe com que a pica por cima do defesa, a força com que aguenta a pressão de dois jogadores e a calma com que desvia do guarda-redes. Tudo bem feito.

 

Foi o golo da tranquilidade (que tão raras vezes um sportinguista tem) e o golo que me fez acreditar que íamos limpar a UEFA nesse ano. Isso não aconteceu, mas ficou para sempre este grande jogo, e este grande golo. 

 

 (é ver a partir do minuto 1:23)


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23 Mar 16

Golo de RICARDO SÁ PINTO

Sporting - Vitória de Guimarães, 2-0

15 de Janeiro de 1995, Estádio José de Alvalade

 

Ricardo "Coração de Leão" Sá Pinto foi um dos grandes ídolos que tive no futebol, e o seu nome foi o único que tive gravado numa camisola do leão rampante. Como jogador de futebol, Sá Pinto era um epítome da raça, da dedicação, do esforço e do orgulho pela camisola que vestia. Era impetuoso, ardente e de um talento enorme. A bravura que demonstrava em cada jogada ficará para sempre marcada na memória dos sportinguistas que o viram jogar. Como treinador o temperamento era igual e por isso todos se recordarão da canção que era entoada pela Curva Sul: Aperta com eles, Sá Pinto!

A ligação de Sá Pinto com os adeptos leoninos sempre foi tremenda. Durante o seu exílio em Espanha era frequente encontrar sportinguistas no Anoeta para o apoiar, pelo que o seu regresso a casa foi saudado por todos os adeptos leoninos.

O golo de Sá Pinto contra o Vitória de Guimarães é uma obra de arte. A jogada inicia-se com um arranque em velocidade de Balakov que, de pé direito, atira à baliza de Nuno. O remate do búlgaro é defendido para a frente e Sá Pinto, oportuno, de costas para a baliza, de calcanhar, faz um pequeno chapéu a um defesa e ao guarda-redes que se encontravam prostrados no relvado. A execução técnica é extraordinária e o golo (a ver a partir do minuto 6:07) é de classe internacional, de levantar o estádio!

 

 


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22 Mar 16

Golo de CRISTIANO RONALDO

Sporting - Moreirense, 3-0

7 de Outubro de 2002, Estádio José Alvalade

 

O melhor jogador do mundo, formado na academia leonina, começou com pé direito a sua extraordinária carreira como profissional do futebol. De verde e branco. Muitos de nós ainda nos lembramos de testemunhar ao vivo este fantástico golo do jovem atacante, então com apenas 17 anos.

O astro madeirense era ainda júnior de primeiro ano quando se estreou como titular da equipa principal à sexta jornada do campeonato 2002/03, disputada no histórico Estádio José Alvalade. O Sporting, campeão em título, derrotou o Moreirense neste encontro, em que Ronaldo marcou dois golos.

O primeiro tornou-se inesquecível. Para ele e para nós. O futuro Bola de Ouro recebeu a redondinha a meio-campo, com um passe de calcanhar de Toñito, e correu com ela, caminhando para a glória. Deixou três adversários pelo caminho e fuzilou o guarda-redes forasteiro, desencadeando calorosos aplausos e entusiásticas expressões de euforia em todo o estádio. Era o prenúncio de um dos mais brilhantes destinos já registados no desporto-rei. Com a nossa marca de origem.

"Minha Nossa Senhora! Que golo magistral de Cristiano Ronaldo!", exclamou o narrador do jogo, em vibrante e espontânea homenagem à capacidade técnica do jovem funchalense, que não escondia a pressa em tornar-se monarca coroado do reino do futebol.

"Quem viu, viu; quem não viu, visse!": podemos dizer isto hoje, ao recordar este golo, parafraseando António Oliveira. No final da temporada, despedimo-nos do velho estádio, que viria a ser demolido, e de Ronaldo, que rumou a Manchester. Por uma quantia tão ridícula que devia envergonhar quem tratou desse negócio: só 8,2 milhões de euros chegaram aos cofres leoninos, como depois se saberia.

Mas essa é uma história triste, que não me apetece aprofundar agora. Fiquemo-nos pela feliz memória daquele golo inicial do adolescente de raízes modestas que não tardaria a ser conhecido nos mais recônditos recantos do globo.

 


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20 Mar 16

Golo de IZMAILOV

FC Porto - Sporting, 0-1

11 de Agosto de 2007, Estádio Municipal de Leiria

 

Não tenho a memória prodigiosa de um Rui Tovar ou de um Fernando Correia para conseguir lembrar com pormenor e exactidão um resultado, os marcadores ou o recorte técnico do golo marcado de um jogo do Sporting ocorrido há 5 ou mais anos. Afinal de contas, são quase 50 jogos por ano a seguir o nosso clube, fora outras partidas com interesse.

No entanto, há jogos de que nos recordamos perfeitamente, como se tivessem acontecido ontem, ainda que já levem alguns aninhos. O que é que faz, pois, com que um jogo específico de há 5 anos perdure na memória do adepto e uma partida da época passada não?

Basta ler alguns testemunhos nesta rubrica para encontrar a resposta: a espectacularidade do golo.

Podemos já não recordar o jogo e as suas incidências na totalidade, mas o golo, esse, continua bem vivo dentro de nós.

Hoje quero partilhar convosco um golo extraordinário que vi marcar com a camisola verde e branca, golo que ainda por cima valeu um troféu.

Falo da bomba de Marat Izmailov que fuzilou as redes de Helton na final da supertaça relativa à época 2006/2007, jogada em Leiria contra o Porto.

Do jogo propriamente dito recordo-me que foi uma típica partida de início de época. Muita transpiração, pouca inspiração.

O jogo valeu pelo golo de Izmailov, que seguramente justificou o preço pago por cada adepto que se deslocou a Leiria.

Atrevo-me a dizer que no futuro museu do Sporting, numa ala multimédia qualquer, o vídeo deste golo fará, obrigatoriamente, parte do elenco de golos históricos marcados pelo Sporting a passarem pelos ecrãs.


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19 Mar 16

 

Golo de TANAKA

Braga - Sporting, 0-1

11 de Janeiro de 2015, estádio do Braga

 

Há jogadores a quem basta um golo para se tornarem ídolos de multidões. Aconteceu no Sporting, durante a breve passagem do japonês Junya Tanaka pelas hostes leoninas. Ia complicada a nossa travessia na Liga 2014/15, afectada por um conflito larvar entre o presidente e o treinador, estava aferrolhado o nosso desafio em Braga, com um persistente empate a zero para além do tempo regulamentar, quando o artilheiro nipónico dispôs de um pontapé de livre, alguns metros fora da área, na banda direita do corredor central.

Decorria o terceiro minuto do tempo extra, aquele seria o último lance da partida. Tanaka tomou algum balanço, disparou com força e precisão, a bola descreveu um ligeiro arco e foi anichar-se ao fundo da baliza bracarense. Um remate indefensável, candidato a melhor golo de bola parada de todo o campeonato e um dos nossos mais vibrantes golos dos últimos anos. Perante a euforia dos jogadores em campo, perante a euforia de milhões de adeptos que acompanhavam a transmissão televisiva - tantos já descrentes da possibilidade de o Sporting trazer três pontos da Cidade dos Arcebispos.

Mas trouxemos mesmo. Graças a Tanaka, que foi o herói daquele dia e viria a figurar nas manchetes da manhã seguinte. Efémero herói que aguentaria cerca de um ano mais em Alvalade, sem nunca ter conseguido uma verdadeira oportunidade de ingressar como titular na equipa. Em 35 partidas de Leão ao peito, participando apenas em 13 jogos completos, o japonês marcou sete golos e fez seis assistências. Um registo que, aliado ao profissionalismo sempre revelado nos treinos, fez dele um jogador sempre simpático aos olhos dos sportinguistas enquanto permaneceu sob a fugaz orientação técnica de Marco Silva e Jorge Jesus.


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17 Mar 16

Golo de JORGE CADETE

Beira-Mar - Sporting, 1-1

22 de Novembro de 1992, Estádio Mário Duarte

 

Jorge Cadete foi um dos bons avançados portugueses da década de noventa. No Sporting fez muitos golos tendo mesmo chegado a vencer o troféu de melhor marcador do campeonato na época de 1992/1993 (18 golos). Cadete era, segundo me recordo, um jogador elegante e de talento mas também bastante lutador.

No Sporting jogou bastante e marcou perto de setenta golos mas foi numa das épocas que fez no Celtic que se destacou no futebol europeu, tendo-se sagrado, na época de 1996/1997, o melhor marcador do campeonato escocês com 33 golos.

O jogo de Aveiro, cujo resumo vi, talvez, no famoso Domingo Desportivo da RTP, não terá sido grande coisa mas o golo (a ver a partir do minuto 2:09) de Jorge Cadete, de calcanhar, ficou-me na memória. O lance, de uma execução técnica brilhante e de um sentido de colocação fantástico, é daqueles que fazem levantar um estádio. Para mim, tantos anos depois de ter começado a ver futebol, continua a ser um dos mais belos que vi.

 

 


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16 Mar 16

Eis os golos já seleccionados até agora na nossa série colectiva Os melhores golos do Sporting:

 

1. Diego Capel: golo no Sporting-Athletic Bilbao (Abril de 2012)

Escolha de Alexandre Poço

 

2. Iordanov: golo no Sporting-Marítimo (Junho de 1995)

Escolha de Bernardo Pires de Lima

 

3. Jordão: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1983)

Escolha de Cristina Torrão

 

4. André Cruz: golo no Salgueiros-Sporting (Maio de 2000)

Escolha de Duarte Fonseca

 

5. Mário: golo no FC Porto-Sporting (Maio de 1987)

Escolha de Edmundo Gonçalves

 

6. Miguel Garcia: golo no Alkmaar-Sporting (Maio de 2005)

Escolha de Eduardo Hilário

 

7. Balakov: golo no Sporting-Benfica (Outubro de 1992)

Escolha de Filipe Arede Nunes

 

8. Montero: golo no Sporting-Marítimo (Outubro de 2014)

Escolha de Filipe Moura

 

9. Jardel: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 2001)

Escolha de Gabriel Santos

 

10. Matías Fernández: golo no Manchester City-Sporting (Março de 2012)

Escolha de Francisco Almeida Leite

 

11. Niculae: golo no Sporting-FC Porto (Agosto de 2001)

Escolha de Francisco Melo

 

12. Pedro Barbosa: golo no FC Porto-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha de João António

 

13. Slimani: golo no Sporting-Braga (Maio de 2015)

Escolha de Frederico Dias de Jesus

 

14. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de João Caetano Dias

 

15. Yazalde: golo no Sporting-Benfica (Março de 1974)

Escolha de João Távora

 

16. Xandão: golo no Sporting-Manchester City (Março de 2012)

Escolha de José da Xã

 

17. Mário Jorge: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1982)

Escolha de José Navarro de Andrade

 

18. Acosta: golo no Sporting-FC Porto (Março de 2000)

Escolha de Luciano Amaral

 

19. Tiuí: golo no Sporting-FC Porto (Maio de 2008)

Escolha de Luís de Aguiar Fernandes

 

20. Juskowiak: golo no Sporting-Boavista (Abril de 1994)

Escolha de Marta Spínola

 

21. Pedro Barbosa: golo no Sporting-União de Leiria (Novembro de 2000)

Escolha de Francisco Chaveiro Reis

 

22. João Morais: golo no Sporting-MTK (Maio de 1964)

Escolha minha

 

23. Matías Fernández: golo no Sporting-Everton (Fevereiro de 2010)

Escolha de Pedro Oliveira

 

24. Cherbakov: golo no Sporting-Beira-Mar (Maio de 1993)

Escolha de Rui Cerdeira Branco

 

25. Niculae: golo no Sporting-Milan (Dezembro de 2001)

Escolha de Pedro Almeida Cabral

 

26. Figo: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 1993)

Escolha de Tiago Cabral

 

27. Montero: golo no Sporting-Académica (Janeiro de 2016)

Escolha de Zélia Parreira

 

28. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de António Manuel Venda

 

29. Peyroteo: golos no Sporting-Leça (Fevereiro de 1942)

Escolha de Alda Telles

 

30. Manuel Fernandes: golo no Sporting-Benfica (Dezembro de 1986)

Escolha minha

 

31. Marco Caneira: golo no Sporting-Inter (Setembro de 2006)

Escolha do Alexandre Poço

 

32. Balakov: golo no V. Setúbal-Sporting (Agosto de 1993)

Escolha do Filipe Moura

 

33. Carlos Xavier: golo no CSKA-Sporting (Outubro de 1982)

Escolha do Edmundo Gonçalves

 

34. Paíto: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha da Cristina Torrão

 

35. Nani: golo no Sporting-Gil Vicente (Fevereiro de 2015)

Escolha do José da Xã

 

36. Pinilla: golo no Sporting-Moreirense (Novembro de 2004)

Escolha do Francisco Chaveiro Reis

 

37. Vukcevic: golo no Sporting-Benfica (Abril de 2008)

Escolha do Gabriel Santos

 

38. Paulo Torres: golo no V. Guimarães-Sporting (Maio de 1993)

Escolha do Filipe Arede Nunes

 

39. António Oliveira: golo no Sporting-Dìnamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Pedro Boucherie Mendes

 

40. Ricardo Sá Pinto: golo no Gil Vicente-Sporting (Janeiro de 2005)

Escolha do Bernardo Pires de Lima

 

41. Liedson: golo no Sporting-Nacional (Fevereiro de 2007)

Escolha do Tiago Cabral

 

42. António Oliveira: golo no Sporting-Dínamo de Zagreb (Setembro de 1982)

Escolha do Luciano Amaral

 

43. André Cruz: golo no Beira-Mar-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha do João António

 

44. Osvaldo Silva: golo no Sporting-Manchester United (Março de 1964)

Escolha minha

 

Vamos chegar pelo menos à meia centena de golos. Agradecendo desde já o contributo que os leitores nos queiram dar.

Fica a promessa: no final elegeremos o melhor golo de sempre, contando com o vosso voto.


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14 Mar 16

 

Golo de OSVALDO SILVA

Sporting, 5 - Manchester United, 0

18 de Março de 1964, Estádio José Alvalade

 

Já que nenhum dos meus colegas de blogue se chega à frente para prosseguir esta série, avanço eu de novo. Para aqui deixar uma das lembranças mais gratas de todos os sportinguistas - mesmo daqueles que não a viveram excepto nas histórias do jogo que ouviram narrar a pais e avós.

Refiro-me aos épicos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças da época 1963/64, que viríamos a vencer merecidamente frente ao MTK de Budapeste. Mas para lá chegar foi preciso derrubar aquele que já então era um dos maiores pilares do futebol do Velho Continente: o poderoso Manchester United, que quatro épocas depois viria a sagrar-se campeão europeu. O célebre United onde alinhavam craques como Bobby Charlton (estrela do Mundial de 1966, em que subiu ao pódio), Dennis Law (Bola de Ouro em 1965) e George Best.

Em Old Trafford, na primeira mão, tínhamos sofrido uma derrota copiosa: 4-1. Eram poucos a acreditar na reviravolta. Mas ela ocorreu mesmo, num jogo de sonho em que cilindrámos tão poderosos adversários. A nossa goleada começou a ser construída logo aos 2 minutos numa grande penalidade convertida por Osvaldo Silva, que viria a marcar mais dois golos. Os restantes foram convertidos por Geo e João Morais.

É o quinto e último golo que aqui vos trago. O golo da confirmação da reviravolta leonina na eliminatória, concretizado aos 54 minutos. Um míssil disparado a 30 metros da baliza adversária por Osvaldo Silva, brasileiro que tão boas recordações deixou em Alvalade.

Vale a pena lembrar o onze leonino nesta partida: Carvalho; Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos, Hilário; Fernando Mendes, Geo; Osvaldo Silva, Figueiredo, Mascarenhas e Morais. Heróis de uma saga que nunca se apagará da nossa memória colectiva. Vários deles ainda se encontram por cá. E merecem sem dúvida a perpétua homenagem dos sportinguistas de todas as gerações.


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13 Mar 16

Golo de ANDRÉ CRUZ

Beira-Mar, 1 - Sporting, 2

5 de Janeiro de 2002

 

A minha segunda escolha recaiu em André Cruz, um dos melhores defesas que passaram no nosso clube.

Um jogador como não temos e que tanta falta nos fazia esta época. O André resolvia o que estava complicado com o seu pé esquerdo e que nos fazia pensar que qualquer livre do meio do meio campo para a frente era como um elementar penalty. Como aconteceu neste jogo em Aveiro em que marcou dois golos, recordados aqui.

 


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12 Mar 16

Golo de ANTÓNIO OLIVEIRA

Sporting-Dínamo Zagreb, 3-0

Estádio José Alvalade, 29 de Setembro de 1982

 

Na primeira ronda do ciclo, já tinha mencionado um golo para além daquele que escolhi: o segundo do hat-trick de António Oliveira ao Dínamo Zagreb, a 29 de Setembro de 1982. Soube agora que outro companheiro de blog também o escolheu para esta segunda ronda. Não faz mal. Cada um dos golos de Oliveira nesse jogo é sensacional. Por isso, reformulo e fico-me pelo primeiro (mas até podia ser o terceiro). Oliveira era um génio dentro de campo (fora de campo é outra história) e jogou no Sporting no auge das suas capacidades, que também logo a seguir se desvaneceram. Quando digo génio, penso mesmo num jogador de classe mundial, prejudicado pelo facto de, naquele tempo, o futebol não ser a mesma indústria que é hoje.

 

Como também já disse, a equipa de 1981-82 foi a melhor que vi vestindo a camisola do Sporting. Ainda sou do tempo do Yazalde, mas era uma criança. No princípio dos anos 80, era um adolescente, ainda suficientemente ingénuo para continuar a ter uma relação quase infantil com o jogo mas já suficientemente adulto para apreciar subtilezas técnicas e tácticas. É nessa medida que digo que esta foi a melhor equipa do Sporting que vi jogar: Mezsaros, Inácio, Eurico, José Eduardo, Carlos Xavier, Mário Jorge, Oliveira, Jordão, Manuel Fernandes e outros. Treinados por Malcom Allison, tinham sido campeões em 1981-82. Desfalcados, sem Allison e com Oliveira no papel de treinador-jogador, desfizeram-se em 1982-1983. Mesmo assim, ainda foi possível ver um último recital, justamente esta vitória em Alvalade por 3-0 para a Taça dos Campeões Europeus.

 

Oliveira arrancou uma exibição inacreditável, de que resultaram três golos, todos espectaculares. Diz-se que, no fim, Oliveira proferiu a famosa sentença: "quem viu, viu, quem não viu, tivesse visto".

 


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11 Mar 16

Golo de LIEDSON

Sporting, 5 - Nacional, 1

7 de Fevereiro de 2007, Estádio José Alvalade

 

Estávamos em plena época de Paulo Bento, com exibições assim-assim quase coiso. Em Fevereiro de 2007 recebemos o Nacional. O resultado de 5-1 é como as papas e bolos, para enganar tolos. Foi um jogo sofrido, começamos, claro, a perder e assim estivemos até aos 75 minutos. A partir do primeiro golo foi um vendaval que se apoderou da nossa equipa, onde militava um avançado, Bueno de seu nome, que neste jogo fez um poker. Na sua passagem pelo nosso clube totalizou sete remates certeiros, podemos dizer que foi um jogador que focou a sua produção apenas num jogo.

 

Mas quem tem Liedson espera sempre o melhor, e se esse tal Bueno fez neste jogo quatro golos, o último diga-se também um belo golo, o que no estádio me marcou, a mim e ao Avalos, central sul americano que passou pelo nosso futebol, foi o 3-1 da autoria do nosso 31. O levezinho aplicou um toque de calcanhar ainda no meio-campo e depois foi como uma flecha directo à baliza para fazer o que fazia melhor, marcar.

É ver e admirar

 


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10 Mar 16

 

Golo de RICARDO SÁ PINTO

Gil Vicente-Sporting (0-3)

23 de Janeiro de 2005, estádio Cidade de Barcelos

 

Depois de Iordanov, Ricardo Sá Pinto. Nem podia ser outra a sequência, ou não fossem os meus dois grandes ídolos de juventude, dois grandes capitães, dois lutadores incansáveis pela nossa camisola. O Sá até tinha algo mais com que me identifico particularmente: mau feitio nas derrotas, dureza em cada lance e uma outra raiva incontida quando marcava.

Não quero dar publicidade a quem levou com ela, até porque de repente vêm-me à memória momentos muito mais inesquecíveis com o Sá Pinto no centro. A vitória na Taça contra o Marítimo, o banho de bola em Paris na Supertaça contra o Porto, o triplete que veio ganhar depois dos anos em Espanha, ou a celebração em frente à nossa Juve quando demos três ao Beitar Jerusalém e nos apurámos pela primeira vez para a fase de grupos da Champions. O Sá já não era jogador do Sporting mas não deixava de ser nosso.

E assim continua. Por isso a minha escolha nesta série vai para um golo dele. Não é um golo qualquer, mas uma resposta ao infortúnio das lesões, aos que o queriam enterrado para o futebol, os que já não acreditavam nas alegrias que ainda nos podia dar. Barcelos, 23 de Janeiro de 2005. Sá Pinto renasce depois de um par de anos com lesões graves. Quase na linha de fundo faz um chapéu ao guarda-redes aos 61 min. Era o seu segundo nesse jogo, depois de um tiro fora da área aos 29 min. Tudo com muita classe, altivez, orgulho, paixão e talento, tudo num só jogo, tudo num só golo. Aquele festejo num misto de alegria e cerrar de dentes, o punho fechado e o braço levantado de raiva.

Tínhamos acabado de passar para primeiro à condição, ainda à espera do resultado do Porto. No final dessa época chegámos à final da UEFA com uma grande campanha do Ricardo Coração de Leão. É verdade, perdêmo-la e todos chorámos nesse dia. Ele de certeza que também. Acontece que o Sá Pinto nunca perdia, só às vezes é que não ganhava. Tal e qual como o Sporting.


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09 Mar 16

 

Golo de ANTÓNIO OLIVEIRA

Sporting-Dínamo de Zagreb, Taça dos Campeões Europeus (3-0)

29 de Setembro de 1982, Estádio José Alvalade

 

No dia 29 de setembro de 1982 eu já tinha doze anos e vi o jogador que mais gostei de ver com a nossa camisola a marcar três golos ao Dínamo de Zagreb, numa das mais memoráveis noites europeias da história do Sporting.
No dia em que o seu pai morreu, António Oliveira, nosso jogador e também treinador (!) mete três na baliza do Dínamo. Na baliza estava o nosso futuro guarda-redes Ivcovic, mas essa é a parte que menos importa nesta minha história.
Nós íamos pouco ao futebol, porque era caro e longe e dava pouco jeito, mas a este jogo fomos. As equipas da Cortina de Ferro metiam medo, porque os julgávamos fortes como super homens e era sempre duvidoso que a nossa habilidade latina fosse suficiente. Eram tempos em que o jogador português de 1,80 era considerado um gigante e em que as equipas portuguesas tinham uma preparação física baseada em corridas no pinhal que durava metade de meia época.
O meu pai era da Beira Alta e por alguma razão dizia Uliveira. Nós aqui em Lisboa dizemos Óliveira, mas o meu pai dizia Uliveira, e fazia-o de forma que me divertia, recordo agora.
E gostávamos todos dele, do nosso Oliveira, que vimos a estrear a nossa camisola le Coq Sportif contra o Belenenses de Artur Jorge numa primeira jornada cheia de nevoeiro e frio, naquela época de 81/82, em que fomos campeões. A partir daí, o Uliveira (com Manuel Fernandes e Jordão) passou a ser o nosso jogador favorito.
Um golo do Sporting é uma explosão no coração. Três golos a uma equipa destas, pelo mesmo jogador e esse jogador ser o Uliveira/Oliveira foi inesquecível. Tanto que o escrevo aqui e até me surpreendo que ninguém o tenha feito ainda.
António Oliveira foi um jogador brilhante, um Figo-melhor-que-o-Figo, com feitio complicado e carácter marcado. Estes três golos são todos bons, embora o segundo seja o melhor. Ele avança pelo meio, faz uma tabela, tira um central da frente e remata mesmo antes do guarda-redes chegar a ele. Foi neste jogo que a frase “por cada leão que cair, outro se levantará” nasceu e este texto do Rui Tovar júnior explica isso melhor http://ionline.pt/413551?source=social.

Por falar nisso, há pouco tempo também descobri que é Rui Tuvar e não Rui Tóvar como creio que toda a gente diz. E aproveito para perguntar, afinal será Oliveira ou Uliveira?


Não sei, sei que o pai de António Oliveira morreu naquele dia e o meu morreria menos de dez anos depois. E que o pai do Rui, um grande sportinguista que aqui homenageio, também já se foi. Fica a nota e fica o golo, porque a vida só faz sentido com gratidão. Gratidão ao meu pai por ter feito sportinguista e, claro, aos grandes golos que me levou a ver com a camisola do Sporting, como estes três. E ao Oliveira - já agora, um nome que os meus filhos têm porque a mãe não lhes deu só a teimosia e o cabelo forte.

 

p.s. a placa com a frase que está no nosso estádio é de Maio (e reporta-se a algo que Oliveira disse a propósito de estar lesionado) e este jogo, lembro, foi em Setembro. Há muito poucas ocasiões em que a ficção faz mais sentido que a realidade. Esta é uma delas.


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08 Mar 16

Golo de PAULO TORRES

Vitória de Guimarães-Sporting, 2-3

1 de Maio de 1993, Estádio D. Afonso Henriques

 

Não me lembro de ter visto em este jogo mas sei que foi transmitido na televisão. No entanto, não sabendo bem porquê, o golo de Paulo Torres nunca me saiu da cabeça.

Paulo Torres ficou conhecido no universo do futebol como o "pé canhão". Jogador canhoto, actuava, normalmente, como lateral esquerdo, foi campeão do Mundo sub-20 (fez parte da chamada "geração de ouro" que despontou na transição da década de oitenta para a década de noventa) e teve uma passagem breve pelo Sporting.

Embora tenha sido fugaz o período em que vestiu a camisola verde e branca o golo (ver a partir do minuto 5:50) que marcou ao Vitória de Guimarães em Maio de 1993 (livre directo descaído para a esquerda da grande área), de uma execução técnica e de uma violência impressionante, é dos mais incríveis de que me lembro. O guarda-redes do Vitória (Madureira), embora tenha tentado a defesa, foi incapaz de travar a brutalidade do pontapé de Paulo Torres.

Este é, para mim, entre os muitos de que me recordo, um dos melhores golos de sempre do Sporting!

 

 


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07 Mar 16

 

Golo de VUKCEVIC

Sporting 5 - Benfica 3

16 de Abril de 2008

 

Decorria a época 2007-2008, o Sporting era treinado por Paulo Bento e estava praticamente arredado do título nacional. Depois de ter "ultrapassado" o Estrela da Amadora nos quartos de final, a turma de Alvalade defrontava o Benfica em casa. Para ambas as equipas era um jogo de "tudo ou nada" de quase "vida ou de morte", uma questão de salvar a época desportiva.

Lembro-me deste jogo num tempo em que estudava em Aveiro. Habitualmente ia ver os grandes jogos com o meu saudoso Tio e grande Amigo Souto, juntamente com os seus companheiros e grandes artistas da pública e reconhecida associação, a Aveiroarte. Nesse dia, escolheram o restaurante do Hotel Imperial, bem no centro histórico da cidade, para assistir ao jogo e degustar um magnífico manjar.

Lembro-me bem que não ia muito confiante quanto ao resultado do jogo e muito menos ao intervalo, quando o Benfica já ganhava por 0-2. Na segunda parte, foi o que se viu... uma reviravolta de leão que culminou num grande golo de levantar o estádio, marcado por Vukcevic. E o nosso amado Clube a vencer, no fim, por 5 a 3!


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06 Mar 16
Os melhores golos do Sporting (36)
Francisco Chaveiro Reis

 

Golo de PINILLA

Sporting 4 Moreirense 1

28 de novembro de 2004

 

Mauricio Pinilla fez 32 anos no mês passado. É um avançado chileno, cheio de tatuagens e ginga, que tem uma carreira modesta passada em Itália (Atalanta, Cagliari, Génova, Palermo, Grosseto, Chievo e Inter); Espanha (Celta e Racing); Escócia (Hearts); Chipre (Apollon) e, claro, Chile (Universidad do Chile, por duas vezes). O seu maior feito foi ter vencido a Copa América em 2015. O seu segundo maior feito foi quase ter eliminado o Brasil do “seu” Mundial, atirando uma bola à barra de Júlio César.

 

Quando tinha 20 anos e só tinha marcado dois golos na Europa, chegou a Alvalade. Corria o ano de 2004 e o jovem chileno pôs-se ao dispor do Mister Peseiro, envergando a camisa 87. No ataque, tinha a concorrência de Niculae, Sá Pinto, Douala, Danny (iria para a Rússia a meio da época), Liedson, Saleiro e Mota. Não vingou, tendo ficado apenas tempo suficiente para marcar 7 golos em 28 partidas. Lembro-me bem de ter marcado ao AZ (Co Adriaanse ficou lixado) e de ter feito um hat-trick ao Braga.

 

Mas o golo que aqui destaco foi marcado ao Moreirense. Numa noite fria de novembro, fez o 1-0. Carlos Martins, Hugo Viana e Liedson fariam os outros três da equipa da casa e Afonso Martins (sete anos de leão ao peito) reduziu. Aos 8 minutos de jogo o chileno recebe com o peito e mesmo parecendo atrapalhado, vira-se, deixa dois defesas para trás e quando tem já quatro homens à sua volta, remata para um golão. Indefensável para angolano João Ricardo. Pini, Pini, Pinigol!

 

 


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05 Mar 16

Golo de NANI

Sporting, 2 - Gil Vicente, 0

22 de Fevereiro de 2015, Estádio José Alvalade

 

Lembro-me do Nani muito antes de ser futebolista, da escola do meu filho mais novo onde foram colegas de turma. Ele e outro jovem que depois não vingou no futebol.

Mas Nani é um daqueles jogadores que nunca enganou. Era um diamante puro, desejoso de ser devidamente lapidado. E a sua partida para o Manchester United só confirmou o que se sabia dele: era um atleta fantástico.

Andou alguns anos por terras de Sua Majestade até que o nosso presidente Bruno de Carvalho o foi "resgatar" à cidade do "Teatro dos Sonhos" para jogar uma época no nosso (e dele!) Sporting.

O golo que aqui trago será para mim um dos melhores deste jogador. A anteceder o jogo lembro-me que se falou muito de uma eventual lesão, de declarações nas redes sociais, um ror de não-notícias que tinham a intenção de desestabilizar a equipa.

O relógio da "SportTV" marca 68 minutos e o vídeo é curto, apenas 8 segundos, mas suficientes para percebermos o lançamento de linha lateral de Miguel Lopes que vê Nani a correr e endereça-lhe a bola que este toca com a cabeça para a frente e desfere um remate portentoso com o pé esquerdo que levantou o estádio.

Um golo que fez chorar o jogador e emocionou toda a nação leonina.

 

 


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04 Mar 16

Golo de PAÍTO

Benfica 7, Sporting 6 (gp) - oitavos-de-final Taça de Portugal

26 de Janeiro de 2005, Estádio do Sport Lisboa e Benfica

 

Apesar de Hector Yazalde já ter sido homenageado nesta série pelo João Távora, era minha intenção tornar a fazê-lo, pois o argentino foi dos melhores goleadores que já passaram pelo Sporting. Ganhou duas Bolas de Prata e uma Bota de Ouro, estabelecendo um recorde europeu, com 46 golos em 30 jogos, nessa época memorável de 1973/74. Yazalde chegou a marcar seis num jogo, contra o Montijo, tendo sido o autor de nove golos contra o Oriental (distribuídos pelos dois jogos - cinco num e quatro noutro), e marcando três num jogo contra o Barreirense e outros tantos contra a CUF (informações daqui).

 

Infelizmente, nem todos os golos de Yazalde se encontram disponíveis em vídeo e os que encontrei apresentam uma qualidade tão fraca, que decidi homenagear aqui outro golo, sugerido pelo nosso leitor/comentador Guilherme Rosado, neste post de Gabriel Santos.

 

O golo do moçambicano Paíto, nos oitavos de final da Taça de Portugal 2004/05 contra o Benfica, chega a ser considerado o melhor golo de sempre do Sporting, em comentários pela internet. De facto, eu nem tenho palavras para o classificar, é do género de golos como talvez só o Maradona, na sua fase áurea, conseguisse marcar.

 

Deixo-vos então com a arte de Paíto:


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03 Mar 16

Golo de CARLOS XAVIER

CSKA-Sporting, Taça dos Campeões Europeus (2-2)

20 de Outubro de 1982, estádio Vasil Levski (Sófia)

 

Este estava guardado na memória e foi um daqueles em que pensei para início do meu contributo nesta série.

A esta distância é irrelevante o resultado, inclusive desta eliminatória (da Taça dos Campeões Europeus), ganha pelo Sporting. Começámos a competição eliminando o Dínamo de Zagreb, com um acumulado de 3-1 e haveríamos de cair na eliminatória seguinte, os quartos, frente à Real Sociedad, com vitória em Alvalade por 1-0 e derrota em San Sebastián por 0-2.

Com uma cajadada só poderemos assistir a dois belos golos do Sporting: o do grande Manuel Fernandes e o golaço de Carlos Xavier.

 

 


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02 Mar 16
 

Golo de BALAKOV

V. Setúbal-Sporting, 2-3

29 de Agosto de 1993, Estádio do Bonfim

 

O Sporting formou o Figo e o Cristiano Ronaldo, mas que eu me recorde o jogador que mais classe demonstrou com a camisola verde e branca foi provavelmente Krassimir Balakov. Eu estava de férias, assisti a este difícil e bem disputado Vitória de Setúbal-Sporting da época de 1993/94 diretamente na TV e nunca me esquecerei do primeiro golo do Sporting, que podemos rever neste vídeo a partir dos 2 min 15 s.

No dia seguinte, o título do jornal: "Quem tem Balakov tem tudo". Bem, o Balakov não era tudo: o Sporting também tinha um grande treinador (Bobby Robson) e outros grandes jogadores (como o Cherbakov). Refiro o Cherbakov porque nem o Cherbakov nem o Bobby Robson acabariam a época no Sporting, como é bem sabido: Cherbakov por um infortúnio, e Robson pela decisão mais estúpida que um presidente do Sporting tomou.

Ficam aqui os golos deste jogo como recordação de uma equipa que bem merecia ter sido campeã, com destaque para o primeiro, pelo grande maestro.

 


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01 Mar 16

Golo de MARCO CANEIRA

Sporting-Inter de Milão, 1-0

12 de Setembro de 2006, Estádio José Alvalade

 

Esta grande série colectiva volta ao início para recordar uma das grandes noites europeias do nosso clube, uma de várias que já assistimos no Estádio José de Alvalade. 1ª jornada do Grupo B da edição 2006/2007 da Liga dos Campeões. Sporting com um grupo nada fácil - Inter de Milão, Spartak de Moscovo e Bayern de Munique.

 

Quis o destino que o primeiro jogo fosse em casa com os transalpinos. Hoje, o Inter não assustaria tanto como então, visto que nessa noite quente de fim de Verão a equipa de Milão apresentava no seu onze, entre outros, Toldo, Córdoba, Stankovic, Patrick Vieira, Walter Samuel, Ibrahimovic e o "nosso" Luís Figo. Era um gigante europeu com uma equipa recheada de craques. Um adversário à altura do Sporting. 

 

Do nosso lado estavam Ricardo, Polga, Marco Caneira, Tonel, Abel, Nani, Miguel Veloso, João Moutinho, Romagnoli, Djaló e o levezinho Liedson. Oito portugueses, alguns deles craques da formação de Alcochete, contra as estrelas do Inter. Um David contra um Golias. 

 

Mas nesse jogo, onde Ricardo e a nossa defesa foram várias vezes testados, a magia percorria o meio-campo leonino e o avançado contrava com dois quebra-cabeças, Djaló nos movimentos e Liedson nas finalizações. Jogo vibrante, com várias oportunidades para cada lado, teve um herói mais-ou-menos-improvável. Menos, porque nestes jogos apontamos sempre como prováveis marcadores os extremos endiabrados, os médios criativos ou os avançados temíveis. Mais, porque Caneira, nas épocas que fez de Leão ao peito, várias vezes foi chamado para bater os livres (embora sem muito sucesso, diga-se).

 

Nessa noite, os astros alinharam-se e um excelente passe longo de Tonel foi directo à peitaça de Marco Caneira, libertou-se de Maicon e atirou à baliza um remate bem colocado, que ao fugir do enorme Francesco Toldo beijou a trave e morreu nas redes defendidas pelos italianos. Alvalade explodiu, estávamos a vencer ao todo-poderoso Inter de Milão. Aguentámos e no fim os 3 pontos ficaram em Lisboa. Uma noite de glória europeia com um golaço inesquecível do lateral Marco Caneira.

 


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29 Fev 16

 

Golo de MANUEL FERNANDES

Sporting, 7 - Benfica, 1

14 de Dezembro de 1986, Estádio José Alvalade

 

Já passaram quase 30 anos mas os ecos deste jogo não se apagaram da memória leonina. Foi uma das partidas épicas do Sporting Clube de Portugal, que culminou na nossa maior goleada frente ao Benfica.

Vale a pena recordar quem alinhou neste clássico lisboeta. O Sporting entrou em campo com Damas, Gabriel, Pedro Venâncio, Virgílio, Fernando Mendes, Oceano, Zinho, Litos, Mário Jorge, Manuel Fernandes e Ralph Meade. Aos 78 minutos, Duílio substituiu Fernando Mendes e Litos deu lugar a Silvinho.

Do onze inicial do Benfica constavam Silvino Louro, Veloso, Dito, Oliveira, Álvaro Magalhães, Shéu Han, Carlos Manuel, Diamantino Miranda, Vando, Chiquinho e Rui Águas. Shéu e Diamantino seriam rendidos na segunda parte por Nunes e César Brito.

 

Parecia um dérbi igual a vários outros, com natural ascendente da nossa equipa, que jogava em casa. Vencíamos ao intervalo, mas por margem escassa: apenas 1-0, com golo de Mário Jorge.

Tudo mudou no segundo tempo - e de que maneira: mais seis golos do Sporting, quatro dos quais marcados pelo nosso capitão, Manuel Fernandes. Com uma exibição digna de antologia do colectivo leonino, que fez ajoelhar a turma encarnada. Quando o árbitro Vítor Correia apitou, dando o jogo por concluído, as reacções nas bancadas não podiam ser mais antagónicas: ondas de júbilo da nossa massa adepta e raiva incontida dos benfiquistas, que queimaram cartões de sócio e bandeiras encarnadas.

 

Eu vivia então longe do País: assisti ao desafio a 14 mil quilómetros de distância, pela televisão, com oito fusos horários de diferença, já na madrugada de 15 de Dezembro de 1986. Mas lembro-me como se fosse hoje da exibição portentosa daqueles jogadores, que se tornaram heróis do panteão leonino. Lembro-me sobretudo do nosso "Manel", que parecia apostado em rebentar a escala, superar todos os obstáculos, ver inscrito o seu nome em Alvalade com letras de ouro a título vitalício.

É um dos golos dele que quero aqui destacar. O nosso quinto - o mais belo do lote. Que começa com uma jogada de insistência desenhada por Litos no flanco esquerdo, levando ao tapete a ala encarnada e assistindo o capitão. Manuel Fernandes, com perfeita leitura de jogo, domina o corredor central e mergulha em direcção à bola, cabeceando-a com intensidade e colocação, bem enquadrado com a baliza de Silvino. Reparem bem nas imagens do resumo que aqui trago: vale a pena ver e rever toda a jogada.

Registou-se uma explosão de alegria na equipa comandada por Manuel José, com réplicas em todas as bancadas do saudoso estádio José Alvalade - excepto no sector confinado aos benfiquistas, que começaram a fazer uso imoderado dos isqueiros.

 

Volto ao resumo deste jogo, aqui com locução de Gabriel Alves e Rui Tovar, sempre que a equipa do Sporting atravessa ocasionais crises de inspiração. O vídeo integral da segunda parte devia aliás constar das sessões de treino motivacional em Alcochete: é quanto basta para recarregar baterias.

E lembro-me também sempre deste jogo quando vejo Diamantino dar largas ao seu imenso fel contra o Sporting em todas as intervenções que faz na pantalha, onde agora é comentador de futebol. Sou incapaz de dissociá-lo desta monumental derrota do SLB. E consigo entender a amarga penitência que ele continua a cumprir quase trinta anos depois.


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25 Fev 16

Chegou ao fim a primeira volta da nossa série colectiva Os melhores golos do Sporting. Eis o balanço:

 

1. Diego Capel: golo no Sporting-Athletic Bilbao (Abril de 2012)

Escolha de Alexandre Poço

 

2. Iordanov: golo no Sporting-Marítimo (Junho de 1995)

Escolha de Bernardo Pires de Lima

 

3. Jordão: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1983)

Escolha de Cristina Torrão

 

4. André Cruz: golo no Salgueiros-Sporting (Maio de 2000)

Escolha de Duarte Fonseca

 

5. Mário: golo no FC Porto-Sporting (Maio de 1987)

Escolha de Edmundo Gonçalves

 

6. Miguel Garcia: golo no Alkmaar-Sporting (Maio de 2005)

Escolha de Eduardo Hilário

 

7. Balakov: golo no Sporting-Benfica (Outubro de 1992)

Escolha de Filipe Arede Nunes

 

8. Montero: golo no Sporting-Marítimo (Outubro de 2014)

Escolha de Filipe Moura

 

9. Jardel: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 2001)

Escolha de Gabriel Santos

 

10. Matías Fernández: golo no Manchester City-Sporting (Março de 2012)

Escolha de Francisco Almeida Leite

 

11. Niculae: golo no Sporting-FC Porto (Agosto de 2001)

Escolha de Francisco Melo

 

12. Pedro Barbosa: golo no FC Porto-Sporting (Janeiro de 2002)

Escolha de João António

 

13. Slimani: golo no Sporting-Braga (Maio de 2015)

Escolha de Frederico Dias de Jesus

 

14. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de João Caetano Dias

 

15. Yazalde: golo no Sporting-Benfica (Março de 1974)

Escolha de João Távora

 

16. Xandão: golo no Sporting-Manchester City (Março de 2012)

Escolha de José da Xã

 

17. Mário Jorge: golo no Sporting-FC Porto (Janeiro de 1982)

Escolha de José Navarro de Andrade

 

18. Acosta: golo no Sporting-FC Porto (Março de 2000)

Escolha de Luciano Amaral

 

19. Tiuí: golo no Sporting-FC Porto (Maio de 2008)

Escolha de Luís de Aguiar Fernandes

 

20. Juskowiak: golo no Sporting-Boavista (Abril de 1994)

Escolha de Marta Spínola

 

21. Pedro Barbosa: golo no Sporting-União de Leiria (Novembro de 2000)

Escolha de Francisco Chaveiro Reis

 

22. João Morais: golo no Sporting-MTK (Maio de 1964)

Escolha minha

 

23. Matías Fernández: golo no Sporting-Everton (Fevereiro de 2010)

Escolha de Pedro Oliveira

 

24. Cherbakov: golo no Sporting-Beira-Mar (Maio de 1993)

Escolha de Rui Cerdeira Branco

 

25. Niculae: golo no Sporting-Milan (Dezembro de 2001)

Escolha de Pedro Almeida Cabral

 

26. Figo: golo no Benfica-Sporting (Dezembro de 1993)

Escolha de Tiago Cabral

 

27. Montero: golo no Sporting-Académica (Janeiro de 2016)

Escolha de Zélia Parreira

 

28. Liedson: golo no Benfica-Sporting (Janeiro de 2006)

Escolha de António Manuel Venda

 

29. Peyroteo: golos no Sporting-Leça (Fevereiro de 1942)

Escolha de Alda Telles

 

 

Vamos iniciar a segunda volta - com o pontapé de saída a ser dado novamente pelo Alexandre Poço, autor da ideia. Fica a promessa: no final elegeremos o melhor golo de sempre, contando com o contributo de todos vós.


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22 Fev 16

Golos de PEYROTEO

Sporting, 14 - Leça, 0

22 de Fevereiro de 1942

 

Esta série não podia ignorar o maior goleador português de todos os tempos.

Aproveitando a efeméride, fica aqui o registo do memorável Sporting-Leça de 22 de Fevereiro de 1942.

O Sporting venceu por um incrível 14-0, em que 9 desses golos são do nosso Stradivarius, quatro marcados na primeira parte, cinco na segunda.

Um festival de bola, a maior goleada de sempre no campeonato português, um feito único que nunca mais se repetiu em Portugal.

E tantas, tantas outras goleadas de Peyroteo se poderiam incluir nesta série. Por exemplo, o 4-1 do Sporting-Benfica de 25 de Abril de 1948, todos golos do nosso génio que nos deram, in extremis, o campeonato nesse ano.

 

peyroteo.JPG

 


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