10 Ago 17

Neymar posa para fotos em apresentação no Paris Saint-Germain

 

Os 222 milhões de euros pagos pelo Paris Saint-Germain (nome de santo ironicamente patrocinado por um país islâmico) para desviar Neymar do Barcelona cavam ainda mais fundo o fosso que separa o futebol enquanto actividade económica da genuína competição desportiva: deixaram de ser mundos complementares para se tornarem realidades antagónicas.
Este inédito montante adultera os princípios de transparência do mercado desportivo cotado em bolsa e transforma os jogadores em mera mercadoria à mercê dos capitães da fortuna fácil. Desde logo, parece colidir com as normas da concorrência vigentes na União Europeia e as regras de fair play financeiro da UEFA: qualquer resquício de equidade evapora-se de vez quando os Estados começam a investir em força nos clubes - neste caso o do Catar, com base nos seus lucros petrolíferos. E provoca um sério choque inflacionário na indústria do futebol: os preços vão disparar, a espiral da dívida aumentará em flecha, avizinham-se as mais desvairadas loucuras financeiras no horizonte.
Convém entretanto seguir em pormenor a origem e o rasto desta verba astronómica, que faz subir para 700 milhões de euros o orçamento anual do PSG para o futebol. À atenção das autoridades jurisdicionais - do desporto e não só.
Finalmente, está por demonstrar que um único jogador - e desde logo Neymar, com desempenho em campo inferior a Cristiano Ronaldo ou Messi - justifique estas cifras galácticas. O dinheiro pago por ele para o transformar em emblema de um clube sem tradição na alta-roda do futebol duplica o seu justo valor, nada tendo a ver com genuínos "preços de mercado". 
Ao dar este passo, o futebol de alta competição transforma-se num jogo de fortuna e azar - uma espécie de roleta russa para usufruto de caprichos milionários. O desporto, digam o que disserem, nada tem a ver com isto.

 

Publicado originalmente aqui


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01 Set 16
Uf!
Edmundo Gonçalves

Terminou.

Agora e durante os próximos quatro meses, pelo menos, podem andar de cabeça limpa.

Desejamos que a procura continue a ser grande, sinal de que a equipa e cada um deles individualmente, estará a fazer um belo campeonato.

Neste defeso tiveram pela primeira vez, provavelmente e de forma clara, contacto com um novo Sporting, aquele que dita as regras no que pode controlar, tão diferente do Sporting de "ontem", que pedia desculpa por existir. Em janeiro, eles próprios irão encarar de outra forma eventuais abordagens, sabendo quais as regras e a fronteira que não podem, nem devem, ultrapassar. 

Foi, para além duma fase de grandes negócios, coisa nunca vista neste Clube, um tempo de aprendizagem.

Que lhes sirva de lição.

E aos paizinhos deles, também.

 


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03 Set 14

«Uma das maiores fraudes do ano é o Mónaco e há um português envolvido e enganado. Leonardo Jardim livrou-se de Bruno de Carvalho porque o presidente do Sporting o queria obrigar a lutar pelo título não tendo ele equipa para isso e aterra no Mónaco onde, por este andar, o clube lutará por não descer de divisão. De candidato a destronar o Paris St. Germain e a fazer uma grande carreira na Champions, o Mónaco não só não se reforçou, como vendeu (a bom preço) James Rodríguez e agora cedeu ao preço da chuva a sua grande estrela - Falcão. Eis um caso claro de total ausência de política desportiva e onde o dinheiro e os nebulosos caprichos de ocasião ditam regras.»

Nuno Santos, no Record de ontem


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12 Ago 14
O polvo
Pedro Correia

Leio na imprensa desta manhã: Mangala, transferido para o Manchester City, rendeu doze vezes mais do que a venda de Garay ao Zenit. O francês, suplente no Mundial do Brasil, permite aos portistas encaixar 30,5 milhões de euros, correspondentes a 56,7% dos direitos económicos do jogador. Enquanto o argentino, que foi titular da selecção que se sagrou vice-campeã mundial, apenas rendeu 2,4 milhões aos cofres encarnados.

Há qualquer coisa que me escapa nestes cifrões do futebol. E que não augura nada de bom enquanto vemos milionários oriundos de paragens longínquas tomar posse de históricos clubes europeus e empresários especializados em olear circuitos de transferências de profissionais do futebol engordarem cada vez mais as respectivas contas bancárias.

Os tentáculos desse gigantesco polvo em que se tornou o futebol-negócio vão-se ampliando na proporção inversa da dimensão hoje reservada ao futebol-desporto, confinando-a a uma memória cada vez mais difusa de tempos passados. Há aqui uma enorme borbulha em potência que, quando estoirar, não deixará de provocar muitas vítimas inocentes.


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23 Jul 14
... e o BES?
Jose Manuel Barroso

As ondas de choque sobre as empresas 'protegidas' pelo BES vão ter que repercussão no nosso clube? É certo, fizemos uma excelente negociação, a qual parece blindada (o próprio Ricciardi disse, num jantar dos Stromp, ter sido difícil para o banco e surpreendente para o BES, dada a posição de negociador forte do SCP de Bruno de Carvalho). Mas algumas «facilidades» ao clube parecem mais difíceis agora, com a nova administração de um banco cada vez menos verde.


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08 Set 13

Afinal o marroquino Zakaria Labyad representou um investimento pesado para o Sporting no momento em que foi contratado. Aos 900 mil euros já conhecidos, pagos ao PSV Eindhoven, acresceram 2,610 milhões. Este último valor, de acordo com o relatório e contas enviado sábado à CMVM, "deve-se a gastos inerentes à aquisição do jogador".

Os leões, que ficaram na altura com 70'% do passe do jovem, de 20 anos, venderam praticamente no imediato 35% à Doyen Sports, por 1,5 milhões de euros, ficando o Sporting com igual percentagem. - Record


O custo anunciado em agosto de 2011 foi de 8,85 milhões de euros, um recorde na história do Sporting. Agora, o total de encargos reconhecido pela SAD ascende a 11,15 milhões de euros, ou seja mais 2,3 milhões do que há dois anos. Uma discrepância que ficará a dever-se a rubricas como serviços de intermediação ou prémios de assinatura.

Neste mesmo contexto, o investimento em Pranjic foi afinal de 1,08 milhões de euros. - Record


Já se podem chamar os bois pelos nomes e dizer... CRIMINOSOS CULPADOS DE GESTÃO DANOSA E FRAUDULENTA?

Se calhar ainda não... falta sair mais lixo debaixo do tapete, aguardemos então!





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22 Jun 13
Les uns...et les autres...
Pedro Quartin Graça

Ou como as opiniões, afinal, mudam, no tempo e no espaço, quando toca a certos negócios...


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25 Mai 13

Começou agora a campanha de certa comunicação social para tentar convencer os sportinguistas de que o negócio do João Moutinho foi bom ou, pelo menos, "não foi mau", através de artigos como este de Hugo Daniel Sousa: "Financeiramente, Moutinho rendeu mais ao Sporting do que ao FC Porto". Espero que os sportinguistas saibam ver o que está em causa, já que o sr. Hugo Daniel não sabe: a transferência do Moutinho para o Mónaco não pode ser vista isoladamente, e tem que ser analisada em conjunto com o negócio do James. Se o Porto fez tudo para desvalorizar o Moutinho (só faltava tê-lo vendido por 11 milhões e o James por 59), é lógico que se chegue a resultados como o que o sr. Hugo Daniel anuncia. Só que isso não tem significado nenhum nem invalida a aldrabice que foi feita.

Hugo Daniel Sousa também afirmou recentemente que este campeonato, ganho pelo Porto e o pior de sempre do Sporting, "deixa saudades". Significativo.


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07 Dez 12
Fut€bol vs. Sporting - 3
José Navarro de Andrade

Há entre a Liga de Futebol portuguesa e o detentor dos direitos televisivos a SportV um conflito permanente. A Liga está condicionada por duas forças, chamemos-lhes “reacionárias”, lesivas da SportV.

A primeira é o binómio Porto/Benfica, liderado por Pinto da Costa. Estes dois clubes querem dividir o bolo entre si, opondo, na verdade, os seus interesses particulares aos interesses do mercado. Como a economia é frágil, é imperioso ganhar o Campeonato, pelo que quanto menos competição houver, melhor. Ora um campeonato a dois é um descalabro para as audiências de TV, sobretudo se decidido muito cedo, por volta de Fevereiro. Manietado pela estratégia do FCP, o Benfica corre atrás dela, enredou-se numa situação de curto prazo, tem que ser campeão hoje mesmo para justificar e ver ressarcido o investimento louco que tem feito, que se lixe a sustentabilidade do negócio, “tomorrow is another day”. Donde ambos conspirarem activa e evidentemente para a liquidação do Sporting. Isto é uma desgraça para a TV, de tal modo que este ano não houve quem comprasse os direitos para canal aberto. Donde, ainda, a pretensão do Benfica em recuperar para si esses direitos – quer competir sozinho, bom proveito.

A segunda força reacionária é o triângulo, exposto por Maria José Morgado, clube-autarquia-construção civil. Exemplo supremo foram o Boavista e o Leiria (ouviste, Braga?). Clubes incapazes de encher o seu próprio estádio, porque nem nas suas terras têm popularidade, vão parar à primeira divisão com a fatia que lhe cabe da SportV, com um mecenas especulador (vejam o bairro de torres construído ao lado do campo do Alverca, onde estava planeada uma cidade desportiva – quem o terá feito?) e com autarcas coniventes ou submissos (o exemplar caso da Madeira). Como esta escória tem poder na Federação através das Associações, acaba por atravancar a Liga com a sua inamovível presença. Para isto contribuiu também a outra estratégia de Pinto da Costa que consistiu em levar o poder do futebol para o norte constituindo uma rede de interesses e bases locais a seu favor. Ora o detentor dos direitos tem que pagar muito mais por um MoreirenseXBeira Mar do que o seu real valor comercial, que é pouco mais do que nulo. A lei da Liga obriga teoricamente à sustentabilidade dos clubes, alguém a cumpre? Porque razão uma Académica, por exemplo, único clube primodivisionário das Beiras, um clube histórico, implantado numa cidade com 150 mil habitantes, nunca consegue, encher, vá lá, ¾ do seu estádio, com os seus adeptos? Não há explicação, porque dá-la seria insultar os interesses manhosos que se instalaram no futebol português.

Ora esta canalha ajuda a empurrar o desamparado Sporting para baixo, porque com menos um grande, mais espaço haverá para os acotovelados pequenos na repartição do bolo da SportTV. Poder-se-á argumentar que o Sporting leva muita gente aos estádios menores, mas, como se viu, isso são peanuts para quem ganha na margem do negócio.

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Fut€bol vs. Sporting - 2
José Navarro de Andrade

Finalmente, acerca dos direitos televisivos:

Terá sido o sr. Murdoch fundador e dono da Sky o primeiro a perceber o valor televisivo do futebol - ficou milionáriol.

Com o nascimento das televisões privadas aumentaram desmesuradamente as necessidades de conteúdos – muitas horas de programação para preencher, muita competição entre canais pelas audiências. O futebol oferecia uma solução forte. Criar eventos regulares, de desfecho imprevisto (suspense), com grande competitividade (drama) entre marcas estabelecidas (público cativo).

Os clubes defenderam-se e aproveitaram, criaram ligas para vender os direitos por atacado. Em certos países (na maior parte) até ao 5º jogo mais interessante da jornada há potencial de audiências. Em Portugal, o drama: só 3 jogos são interessantes, embora muito desequilibrados. A favor funciona o facto de sermos um dos poucos países com clubes de penetração nacional; contra, o facto de o público estar muito segmentado: os espectadores só vêem o seu clube.

Estas condições são críticas do ponto de vista da programação televisiva. Um canal paga uma pipa de massa por um jogo, pelo que tem que colocá-lo na grelha onde ele for mais valioso. Sporting, Porto e Benfica têm que preencher 3 prime-times para a operação começar a ser rentável – o que valem 50 mil espectadores no estádio comprados com 1milhão em casa que ainda por cima consomem mais durante o jogo?

O campeonato português é particularmente desinteressante, sobretudo para um mercado curto como o nosso. O que vale um soporífero Guimarães X Marítimo, para não falar de um escabroso Rio Ave X Olhanense? E no entanto vieram no pacote.

A tendência é para que o futebol comece a cobrir todos os dias da semana. Porque razão a Champions dividiu este ano as jornadas por duas semanas? Além de já ter os jogos espalhados por 3 dias numa semana? Porque motivo as partidas da Champions e da UEFA tendem a não coincidir, havendo jogos internacionais de terça a quinta? Porque acham que em Inglaterra há futebol ao fim-de-semana e à quarta? Resposta: porque os clubes não abdicaram de jogar em simultâneo ao Sábado, como manda a tradição. Mas como os clubes são de índole local a transmissão pode ser segmentada conforme a região, por exemplo; a Sky1 dá o ManUnited para Manchester, a 2 o Liverpool, e a 3 o Arsenal, à mesma hora. No período seguinte dá o Aston Villa (Birmingham), os Spurs (Londres), e o ManCity. Às quartas o carrossel volta a andar à roda. Em Portugal dada a miserável implantação dos clubes locais esta tática é impossível.

A seguir: porque querem acabar com o Sporting?

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Fut€bol vs. Sporting - 1
José Navarro de Andrade

A propósito dos jogos à segunda-feira, ou gememos ou entendemos o que está em causa. A ver se é possível esclarecer o assunto (embora muito pela rama).

O futebol é um espectáculo. Como tal, tornou-se um negócio que, como todos os negócios tem as suas regras.

Na década de 80, com o incremento de uma classe média nos países do sul e com a privatização das televisões por essa Europa fora, concluiu-se que o negócio do futebol poderia ser muito interessante. Foi então que o futebol se “gentrificou”, deixando de ser um espectáculo ordinário, inseguro e popularucho para ser uma “coisa gira” e familiar. Pelo que teve que se tornar atraente, ou seja: estádios confortáveis, equipas competitivas, “star power”.

Estas características exigiam e proporcionavam (são assim os ciclos virtuosos) investimento.

O futebol tem, assim, quatro fontes de rendimento, por ordem de grandeza:

1) As transferências de jogadores. O “star power” leva a que as estrelas se vejam compelidas a rodar constantemente de clube. Deste modo produzem-se mais-valias para: os detentores dos seus direitos (investidores, clubes, os donos dos passes) e os intermediários, facilitadores, negociadores, ou seja, os agentes. Se o Cristiano Ronaldo não mudar de clube enquanto tiver um grande valor de mercado, o capital não circula, não há mais-valias.

O Sporting esteve cerca de 3 anos fora do mercado sem comprar nem vender. Do ponto de vista das finanças do clube foi uma opção pertinente, do ponto de vista do mercado foi péssima e virou-o contar ele. O sistema está a cobrar essa factura ao Sporting.

2) Os direitos televisivos. Como este é o tema do post fica aqui.

3) O marketing e o merchandising. É a primeira fonte de receitas em que o clube depende inteiramente das suas opções de plantel. Os clubes são marcas que vivem das suas estrelas. Sem estrelas não há venda de camisolas, só assim a dita “mística” do clube gera receita.

4) Os bilhetes de ingresso no estádio. Um estádio cheio é óptimo para a marca/clube, porque o torna mais atraente. Um estádio às moscas é mau para o espectáculo televisivo, para o merchandising, para o valor global da marca/clube. O dinheiro dos ingressos é interessante, sobretudo se for garantido à cabeça – donde os bilhetes de época. Permite também chashflow em contado o que é bom para a tesouraria. Mas de todas a fontes de receita é a menos crítica.

Já a seguir: os direitos televisivos.

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