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És a nossa Fé!

Bilhete a Bruno de Carvalho

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«E por que tudo enfim vos notifique,
Chama-se a pequena ilha Moçambique.»
Os Lusíadas, I-54

 

Caro presidente:

Sei que considera Moçambique - onde aliás nasceu, ainda sob a administração portuguesa - o seu segundo país. Uma pátria também do coração.

Sei do apreço e do afecto que sente pelo povo moçambicano em especial. Não por acaso, vários moçambicanos prestigiaram durante décadas o futebol do Sporting - basta referir Mário Wilson, Júlio Cernadas Pereira (Juca) e Hilário da Conceição, por exemplo. Todos campeões nacionais vestidos de verde e branco. Hilário, felizmente ainda entre nós, foi há dias alvo de uma justa homenagem por iniciativa da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique. Mais uma. São todas merecidas.

Sei que conhece bem o carácter único da Ilha de Moçambique, cantada por Camões, e a sua importância enquanto marco da história e da cultura de expressão lusíada - classificada desde 1991 como Património Mundial da Humanidade.

Venho portanto reiterar-lhe a sugestão - já aqui feita pelo meu colega de blogue JPT, outro moçambicano do coração - para a sua intervenção, enquanto presidente da instituição que nos irmana no fervor leonino, na recuperação da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique, fundado há largas décadas como nossa filial n.º 59. Qualquer contributo, estou certo disso, será decisivo para a reabilitação de um edifício que se vai degradando com a erosão do tempo e alguma incúria humana.

 

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 Aspecto original da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique

 

Seria uma obra importante, não pelo custo monetário, estou certo disso, mas pelo seu significado enquanto testemunho vivo desta marca sem fronteiras físicas que é o nosso Sporting Clube de Portugal. Uma marca espalhada pelos mais diversos recantos do planeta, enquanto traço de união entre povos diferentes mas capazes de perfilhar valores comuns.

Aqui fica igualmente o meu apelo, com a firme convicção de que seremos escutados. A Ilha de Moçambique merece, os sportinguistas de lá agradecerão qualquer ajuda e o presidente terá mais um motivo para sentir justificado orgulho nas funções que exerce. Contribuir para reabilitar filiais e delegações, enquanto espaços físicos depositários de memórias desportivas e que funcionem como trampolim para a concretização de novos sonhos, é também uma forma de servir o Sporting.

Sporting da Ilha de Moçambique

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A Ilha de Moçambique foi considerada há cerca de 25 anos cidade património cultural pela UNESCO. Está, como em vários momentos da sua história, muito arruinada, ainda que venha recebendo alguma reabilitação. Na sua zona nobre existe a ruína da sede do Sporting Clube da Ilha de Moçambique. Não é um edifício classificado, e a sua recuperação nunca teria grandes custos. Visitei a Ilha inúmeras vezes, quase 30, desde os anos 1990s. Sobre este assunto escrevi para Alvalade, bloguei, resmunguei, ironizei - nunca tive qualquer eco. E tão simbólico seria dinamizar um pequeno apoio para que o edifício viesse a ser recuperado, e utilizado pelo clube, filial do nosso Sporting Clube de Portugal. Os custos não seriam grandes, o bonito que seria ter a sede de um clube leonino - que continuou a funcionar nas zonas "populares", o chamado "macuti", casas de bloco ou pau-e-pique - no centro de uma cidade património mundial, a olhar o Índico. Ainda para mais onde desde há uma década o estado português estabeleceu um dos seus pólos de cooperação, o que teria facilitado alguma pequena intervenção. 

 

Agora voltei à Ilha, à qual não ia desde 2012. O edifício está mais arruinado. E dos vários símbolos antes existentes já só este sobrevive. É um requiem pelo Sporting Clube da Ilha de Moçambique? Talvez nem tanto. Mas é o fim de uma oportunidade bonita do sportinguismo. Pois há sempre quem prefira discutir a bola na barra num qualquer jogo dos sub-não-sei-quantos.

Visto de Maputo

 

Tenho estado por estes dias em Maputo, Moçambique, onde o derby do próximo domingo já mexe. Não há conversa de salão, taberna ou balcão onde não se fale de dois temas em matéria de futebol: o jogo da Luz e o regresso de Nani. Sim, o regresso de Nani. Por aqui o luso-cabo-verdiano é considerado uma estrela maior e não se dão ouvidos aos comentadores de bancada que o arrasaram e nos apoucaram só porque o camisola 77 falhou um penalty no seu regresso a Alvalade. Aqui o Nani é craque, dão-lhe muito valor e miúdos e graúdos não falam de outra coisa quando o tema é o futebol português.

 

Ilustro esta pequena nota de Maputo com uma fotografia de 1960 do Sporting de Lourenço Marques, onde alinhava na altura um jovem chamado Eusébio. Lembrei-me disto porque ontem, ao regressar de Marracuene, onde participei numa feira de atividades económicas, deparei-me com uma conversa típica de portugueses fora de casa. Os meus companheiros de viagem estavam todos divertidos a tentar convencer o nosso motorista, de seu nome Eusébio, a mudar do "outro clube" para o Sporting, em troca de uma camisola oficial verde e branca. Tentado, o jovem acabou por ceder e parece que, mesmo sendo maior e vacinado, vai mudar de clube. Nem que seja por uns dias, enquanto a comitiva cá está. A "estória" vale o que vale e não é sequer motivo para falar muito mais do passado. Só serve para termos a noção de que aqui, como em todo o lado, somos tão grandes ou maiores do que o "outro clube". Não precisamos de conquistar os fracos de espírito, precisamos de vitórias e de ter sempre em mente este lema: "Esforço, Devoção e Glória, eis o Sporting Clube de Portugal".

A Dois Passos de Bucareste e a Três do Mónaco

Enquanto em Portugal as vozes se fatigam a falar da influência real dos comentadores jornalísticos e televisivos no desenrolar dos jogos de futebol (como é normal num povo sob as trevas da superstição, subordinado à crença nos feitiços) as gentes mais racionalistas de Maputo preocupam-se com a economia. E também nós, no Núcleo Sportinguista de Moçambique. O crescimento da riqueza, o actual galopante progresso económico trouxe alterações. E ficámos desprovidos da nossa e confortável sede, devido ao exponencial empolamento das rendas. As notícias são boas, os nossos industriosos dirigentes (que não são antigos sipaios, sabe-se-lá-como enriquecidos) estão prestes a anunciar um novo, e até icónico, local. Entretanto, para amanhã, as hostes sportinguistas a sul do rio Save congregar-se-ão em múltiplos locais. Mas parte substancial estará aqui, na belíssima estação dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique, na baixa de Maputo. A dois passos de Bucareste e a três do Mónaco ...

 

Por isso mesmo comer-se-á, beber-se-á, sofrer-se-á. Em comunhão. E quanto a conversas, que muitas as haverá, serão de bola, futebol... Não da tralha que lhe querem associar e que a tantos distrai. Lá longe.

Jantar Sportinguista em Maputo

Bruno Carvalho, sócio que se candidatou a presidente do clube, está em Maputo. Hoje, sábado às 20 horas, o Núcleo Sportinguista de Moçambique acolhe o visitante organizando um jantar de sportinguistas no conhecido restaurante Escorpião (na Feira Popular), ele próprio propriedade de renhidos adeptos. O cardápio não será oposicionista, com toda a certeza. Mas falar-se-á do clube, suas venturas e desventuras. Eu proponho uma entrada: a necessidade do clube ter uma política mais activa relativamente às transmissões televisivas dos seus jogos europeus para os países africanos. Pois é inaceitável que os jogos do Sporting, tanto os (saudosos) da Liga dos Campeões como os da Liga Europa sejam sistematicamente preteridos nas retransmissões em África, nos canais de cabo e nos abertos.

 

E já nem falo da possibilidade de retransmissão pela RTP-África (com sinal fechado para Portugal) dos jogos do campeonato nacional, algo possível, e bem mais importante do que os pequenos interesses africanos das ZONS e similares.

 

Uma velha questão que não tem colhido eco nas várias direcções do clube. Distraídas quanto às possibilidades de crescimento das simpatias clubísticas neste universo, em enorme expansão. Como se excêntricas à globalização do adeptismo. Pode ser que Bruno Carvalho se deixe avisar e ecoe em Portugal essa "linha de trabalho".

O Sporting da Ilha de Moçambique

 

Cada vez que vou à Ilha, a mítica Omuhipiti, de lá trago um novo registo da arruinada sede do Sporting da Ilha, ainda que assim casa sem adversários naquela cidade Património. Nisto é já década e meia que vou acompanhando o lento esvair do verde daqueles leões, mas que sempre insistem em resistir às intempéries e à partida dos que os instalaram. E por isso mesmo protegendo aqueles que ali insistem em jogar à Sporting. De quando em vez, no campo mesmo ao lado. Esta pálida grandeza, quase como intemporal, é de agora mesmo, o primeiro de Janeiro deste ano.

{ Blog fundado em 2012. }

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