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És a nossa Fé!

Visto de Maputo

 

Tenho estado por estes dias em Maputo, Moçambique, onde o derby do próximo domingo já mexe. Não há conversa de salão, taberna ou balcão onde não se fale de dois temas em matéria de futebol: o jogo da Luz e o regresso de Nani. Sim, o regresso de Nani. Por aqui o luso-cabo-verdiano é considerado uma estrela maior e não se dão ouvidos aos comentadores de bancada que o arrasaram e nos apoucaram só porque o camisola 77 falhou um penalty no seu regresso a Alvalade. Aqui o Nani é craque, dão-lhe muito valor e miúdos e graúdos não falam de outra coisa quando o tema é o futebol português.

 

Ilustro esta pequena nota de Maputo com uma fotografia de 1960 do Sporting de Lourenço Marques, onde alinhava na altura um jovem chamado Eusébio. Lembrei-me disto porque ontem, ao regressar de Marracuene, onde participei numa feira de atividades económicas, deparei-me com uma conversa típica de portugueses fora de casa. Os meus companheiros de viagem estavam todos divertidos a tentar convencer o nosso motorista, de seu nome Eusébio, a mudar do "outro clube" para o Sporting, em troca de uma camisola oficial verde e branca. Tentado, o jovem acabou por ceder e parece que, mesmo sendo maior e vacinado, vai mudar de clube. Nem que seja por uns dias, enquanto a comitiva cá está. A "estória" vale o que vale e não é sequer motivo para falar muito mais do passado. Só serve para termos a noção de que aqui, como em todo o lado, somos tão grandes ou maiores do que o "outro clube". Não precisamos de conquistar os fracos de espírito, precisamos de vitórias e de ter sempre em mente este lema: "Esforço, Devoção e Glória, eis o Sporting Clube de Portugal".

A Dois Passos de Bucareste e a Três do Mónaco

Enquanto em Portugal as vozes se fatigam a falar da influência real dos comentadores jornalísticos e televisivos no desenrolar dos jogos de futebol (como é normal num povo sob as trevas da superstição, subordinado à crença nos feitiços) as gentes mais racionalistas de Maputo preocupam-se com a economia. E também nós, no Núcleo Sportinguista de Moçambique. O crescimento da riqueza, o actual galopante progresso económico trouxe alterações. E ficámos desprovidos da nossa e confortável sede, devido ao exponencial empolamento das rendas. As notícias são boas, os nossos industriosos dirigentes (que não são antigos sipaios, sabe-se-lá-como enriquecidos) estão prestes a anunciar um novo, e até icónico, local. Entretanto, para amanhã, as hostes sportinguistas a sul do rio Save congregar-se-ão em múltiplos locais. Mas parte substancial estará aqui, na belíssima estação dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique, na baixa de Maputo. A dois passos de Bucareste e a três do Mónaco ...

 

Por isso mesmo comer-se-á, beber-se-á, sofrer-se-á. Em comunhão. E quanto a conversas, que muitas as haverá, serão de bola, futebol... Não da tralha que lhe querem associar e que a tantos distrai. Lá longe.

Jantar Sportinguista em Maputo

Bruno Carvalho, sócio que se candidatou a presidente do clube, está em Maputo. Hoje, sábado às 20 horas, o Núcleo Sportinguista de Moçambique acolhe o visitante organizando um jantar de sportinguistas no conhecido restaurante Escorpião (na Feira Popular), ele próprio propriedade de renhidos adeptos. O cardápio não será oposicionista, com toda a certeza. Mas falar-se-á do clube, suas venturas e desventuras. Eu proponho uma entrada: a necessidade do clube ter uma política mais activa relativamente às transmissões televisivas dos seus jogos europeus para os países africanos. Pois é inaceitável que os jogos do Sporting, tanto os (saudosos) da Liga dos Campeões como os da Liga Europa sejam sistematicamente preteridos nas retransmissões em África, nos canais de cabo e nos abertos.

 

E já nem falo da possibilidade de retransmissão pela RTP-África (com sinal fechado para Portugal) dos jogos do campeonato nacional, algo possível, e bem mais importante do que os pequenos interesses africanos das ZONS e similares.

 

Uma velha questão que não tem colhido eco nas várias direcções do clube. Distraídas quanto às possibilidades de crescimento das simpatias clubísticas neste universo, em enorme expansão. Como se excêntricas à globalização do adeptismo. Pode ser que Bruno Carvalho se deixe avisar e ecoe em Portugal essa "linha de trabalho".

O Sporting da Ilha de Moçambique

 

Cada vez que vou à Ilha, a mítica Omuhipiti, de lá trago um novo registo da arruinada sede do Sporting da Ilha, ainda que assim casa sem adversários naquela cidade Património. Nisto é já década e meia que vou acompanhando o lento esvair do verde daqueles leões, mas que sempre insistem em resistir às intempéries e à partida dos que os instalaram. E por isso mesmo protegendo aqueles que ali insistem em jogar à Sporting. De quando em vez, no campo mesmo ao lado. Esta pálida grandeza, quase como intemporal, é de agora mesmo, o primeiro de Janeiro deste ano.

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