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És a nossa Fé!

Parte da solução ou parte do problema?

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Em oito títulos possíveis, não mencionando a frente internacional, Jorge Jesus venceu só um enquanto técnico do Sporting - por sinal o mais irrelevante. A Supertaça, em Agosto de 2015.

Passaram duas épocas. O diagnóstico está feito, o quadro real está à frente de todos, falta apenas aplicar a terapia adequada à situação.

Ou nos conformamos com este triste e lamentável e tremido terceiro lugar, ou ambicionamos mais para o Sporting. Seja quem for o treinador.

Porque o caminho tem de ser em crescendo, como nos três anos iniciais da presidência Bruno de Carvalho. Não podemos prolongar a rota do retrocesso registada no quarto ano - por sinal o da reeleição do líder leonino.

 

Alguns vultos influentes nos bastidores têm-se movimentado nos últimos dias para defender a continuidade de Jesus, garantindo que ele faz parte da solução e não do problema.

Ignorando que a questão não é de nomes, mas de projecto.

Por outras palavras, em forma interrogativa: preferimos definir primeiro uma linha de rumo e escolher depois o treinador mais capaz de a pôr em prática ou optar pela navegação à vista em função das características do técnico, mesmo distorcendo e subvertendo o projecto?

 

De momento, o dilema está instalado.

Deve o Sporting sujeitar-se ao treinador ou este adaptar-se ao clube?

Deve o Sporting ceder aos caprichos de um técnico que exige dezena e meia de "reforços" estrangeiros para no fim aproveitar dois ou três, como sucedeu no Verão passado, ou colher os frutos de uma formação de reconhecida excelência, capaz de ombrear com a do Ajax que disputará com o Manchester United a final da Liga Europa?

 

Julgo que as coisas têm de ser postas neste plano e não em qualquer outro.

Por mim, não restam dúvidas. O projecto está acima do treinador e este só será parte da solução se o incorporar como seu. Sem reservas mentais. Sem desvirtuamentos nem distorções.

Jesus aceita-o? Que o diga com clareza ao presidente e aos sócios, sem entretantos nem entrelinhas. Só deste modo justificará uma tolerância suplementar dos adeptos, fartos de verem o Sporting triunfar apenas no campeonato da bazófia e coleccionar vistosos títulos em exclusivo nos jornais.

 

Se não for assim, invertem-se os dados da equação: o técnico passa a ser parte do problema. E só continuará em Alvalade pelo pior dos motivos: para evitar que lhe seja transferida uma indemnização milionária para as mãos.

Sacrifica-se tudo em função da racionalidade financeira. Mesmo mandando o projecto desportivo às urtigas. Mesmo ampliando a distância entre a gerência leonina e a massa adepta, cansada de ver tanta promessa desfeita no confronto com a realidade.

 

Tal como muitos outros, também eu cada vez mais me interrogo sobre os desafios da época que se avizinha. E, após tantas decepções acumuladas, sinto-me incapaz de renovar o capital de confiança que já depositei em Jesus.

Para mim, tornou-se uma solução esgotada. Porque não o vejo como intérprete do ADN leonino.

 

Precisamos de um treinador ainda jovem, dinâmico, ambicioso, de preferência com conhecimento da nossa cultura clubística e que goste de potenciar jogadores oriundos dos escalões da formação.

Precisamos de alguém com o perfil muito próximo de Leonardo Jardim - a primeira escolha de Bruno de Carvalho e que se prepara para festejar o título de campeão em França como timoneiro do Mónaco, batendo o milionário Paris Saint-Germain, que todos apontavam como favorito.

Jogo(s) de loucos

O Manchester City vs Mónaco de ontem à noite (que terminou com a vitória do City por 5-3) foi um daqueles jogos que dificilmente nos sairão da memória.

Houve de tudo, desde grandes golos a grandes frangalhadas e até à defesa/falhanço de um penalti. Memorável!

Entusiasmado com o desenrolar do marcador, Leonardo Jardim não terá pensado exclusivamente no resultado e tentou sentenciar ali a eliminatória.

Porém, para além de "ter" falhado um penalti, "sofreu" um peru de todo o tamanho. Teve azar, não lhe sairam bem os intentos, mas acho que fez bem. Com esta postura ganharam o futebol e os adeptos. Elogio enorme a Jardim, um dos nossos.

 

Agora aqui p'ra nós, que ninguém nos ouve, se lá no banco do Mónaco estivesse JJ e o resultado fosse o mesmo?...

Também nisto vão atrás de nós

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Que melhor homenagem ao critério de Bruno de Carvalho do que a imprensa desportiva e toda a comunicação social andarem há vários dias a dizer que Marco Silva e Leonardo Jardim são os treinadores que Pinto da Costa prefere no FC Porto?

Só falta acrescentarem o terceiro técnico da era Bruno. Esse mesmo, Jorge Jesus. Que - ninguém duvida - os do Dragão também gostariam de ver lá.

Leonardo Jardim soma e segue

Geoffrey Kondogbia goal vs. Arsenal

 

Terminei o dia desportivo da melhor maneira: a ver em directo a excelente vitória do Mónaco ao Arsenal, em Londres, por 3-1. Um resultado que praticamente resolve a eliminatória, colocando a equipa do principado - onde jogam, entre outros, João Moutinho, Ricardo Carvalho e Bernardo Silva - já com um pé na próxima eliminatória da Liga dos Campeões.

O Mónaco venceu e convenceu. Confirmando o mérito do seu treinador, o nosso Leonardo Jardim. Que está de parabéns, sem qualquer dúvida.

2014 em balanço (6)

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DESPEDIDA DO ANO: LEONARDO JARDIM

Em Maio, confirmava-se a notícia que muitos receavam: Leonardo Jardim, o treinador que Bruno de Carvalho escolheu para reabilitar o débil futebol do Sporting, após a pior temporada de sempre, deixava o clube, dando lugar a Marco Silva. Partia, após ter passado apenas uma época em Alvalade, mas com a sensação do dever cumprido: deixava a equipa em segundo lugar no campeonato, com acesso automático à Liga dos Campeões, e à frente do FC Porto. Partia deixando um plantel valioso, muito valorizado pela sua intervenção.

O treinador madeirense, que nunca escondeu a ligação afectiva ao Sporting, iniciou no Verão um percurso internacional, assinando contrato com o Mónaco. Os cofres leoninos acabaram por ganhar com esta transferência: cerca de três milhões de euros. Números inéditos na história do nosso clube: nunca a saída de um treinador rendera algo semelhante.

No principado, e apesar de ter encontrado um plantel desfalcado em relação às promessas que lhe haviam feito, sem contar com Falcão e James Rodríguez, Leonardo Jardim não virou a cara ao desafio. E tem revelado sucesso. Não só no campeonato francês, onde segue em quinto lugar, com quatro vitórias consecutivas a fechar 2014, mas também na Liga dos Campeões, onde conquistou acesso aos oitavos de final, ao contrário do que sucedeu com o Zenit e o Benfica.

Mesmo à distância, mantém a popularidade incólume entre os sportinguistas. Já perto do fim do ano, deu uma extensa entrevista ao Record em que deixou palavras de grande elegância e notório respeito pelo Sporting e o presidente que o contratou.

Enfim, um técnico muito competente que deixou saudades. E um cavalheiro, como vai havendo poucos no futebol.

 

Despedida do ano em 2012: Polga

Despedida do ano em 2013: Wolfswinkel

Palavras sensatas de Leonardo Jardim

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E de repente, no meio da turbulência, ouvimos palavras de enorme sensatez. Que deitam água na fervura em vez de lançarem gasolina na fogueira. Palavras proferidas por Leonardo Jardim, que é também sportinguista do coração, numa boa entrevista conduzida por António Bernardino e hoje publicada no Record - fazendo uma enorme diferença em relação à mediocridade das peças jornalísticas dominantes.

 

O que diz o antecessor de Marco Silva, confrontado com a pergunta «Bruno de Carvalho é um presidente difícil de trabalhar»?

Vale a pena transcrever parte da longa resposta do nosso ex-treinador, actual responsável técnico do Mónaco:

«Tenho uma boa relação com ele. Trata-se de alguém que vive o Sporting com intensidade, foi necessário no processo de mudança do clube. É um facto que tem uma personalidade diferente da minha. Ele tinha as opiniões dele publicamente e em termos de futebol eu dava a estabilidade que eu entendia que o grupo necessitava. A sua forma de ser por vezes é difícil, realmente, se não estiver em consonância com aquilo que estamos a fazer, mas entre nós houve sempre respeito. Ao longo da época eu e Bruno de Carvalho tivemos algumas opiniões diferentes, mas as nossas decisões foram sempre em prol do êxito do Sporting. As opiniões entre um treinador e um presidente nem sempre convergem, pois um presidente defende o clube e o treinador o grupo, mas há que levar sempre em consideração a estrutura. A sua presença no banco? Quando estou no jogo nem sinto a presença do presidente ou de qualquer outro factor extra-jogo. A mim não me cria qualquer problema uma realidade dessas. Nunca senti que o presidente tentasse interferir no que quer que seja. Aliás, nem me lembro de conversar com as pessoas durante o jogo.»

E sobre a hipotética saída de Marco Silva?

«Os projectos devem ser sempre do clube e não dos treinadores. Contudo, também não acho nada positiva a alteração de um técnico que eventualmente poderia estar melhor na Liga, mas que nas outras provas está a fazer um bom trajecto. Não vejo motivo ou razão para existir uma ruptura, para despedir Marco Silva, mas estou só a falar em termos desportivos.»

 

(Os sublinhados a negro, naturalmente, são meus.)

Jogar como um grande

Quem quer comparar o futebol que joga o Sporting de Marco Silva com o de Leonardo Jardim, tem que perceber que está a comparar uma equipa que joga como um grande com uma equipa que joga para o resultado.

 

Com todos os problemas e virtudes que as duas posturas têm e mesmo com um plantel que não assegura qualidade em posições chave, eu prefiro jogar como um grande e ter menos 6 pontos, porque estruturalmente é muito mais importante.

Parabéns, Leonardo Jardim

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Com uma equipa de segunda linha, goradas as promessas de craques que lhe foram feitas no início da temporada, Leonardo Jardim inverteu o paradigma de Otto Glória: ao contrário do que dizia o técnico brasileiro que levou a selecção portuguesa ao Mundial de 1966, é possível fazer omeletes sem ovos. O ex-treinador do Sporting acaba de demonstrar isso mesmo: conduziu a equipa monegasca ao primeiro lugar do Grupo C na Liga dos Campeões, qualificando-a para os oitavos-de-final. À frente do Bayer Leverkusen (que também se qualificou), Zenit (que ruma à Liga Europa) e Benfica (que fica fora das competições europeias).

Parabéns, Mónaco.

Parabéns, Leonardo Jardim.

It's all about money

Na essência, o que distingue a tão pouco criticada saída de Leonardo Jardim da tão criticada saída de jovens jogadores como Dier, Ilori e Bruma?

Nada.

Pode-se discutir a forma como agiram, a integridade das declarações, os comportamentos mais ou menos adequados, e afins, mas no fim de contas, todos sairam pelo mesmo motivo. Dinheiro!

Inclusivamento considero que qualquer um dos três jogadores referidos tomou uma melhor opção de carreira que Leonardo Jardim (que neste momento treina um plantel de qualidade inferior ao do Sporting). Se foi enganado só tem que se demitir.

Nebulosos caprichos de ocasião

«Uma das maiores fraudes do ano é o Mónaco e há um português envolvido e enganado. Leonardo Jardim livrou-se de Bruno de Carvalho porque o presidente do Sporting o queria obrigar a lutar pelo título não tendo ele equipa para isso e aterra no Mónaco onde, por este andar, o clube lutará por não descer de divisão. De candidato a destronar o Paris St. Germain e a fazer uma grande carreira na Champions, o Mónaco não só não se reforçou, como vendeu (a bom preço) James Rodríguez e agora cedeu ao preço da chuva a sua grande estrela - Falcão. Eis um caso claro de total ausência de política desportiva e onde o dinheiro e os nebulosos caprichos de ocasião ditam regras.»

Nuno Santos, no Record de ontem

A diferença

Acabou - a título definitivo, todos esperamos - o período em que o Sporting era conhecido por ser "cemitério de treinadores". Um período tristemente imortalizado pela expressão "Paulo Bento forever" pronunciada pelo então presidente pouco antes de despedir o actual seleccionador nacional.

Agora é diferente.

Mudou o treinador no fim da época, é certo, mas sai pelo seu pé e valorizado ao ponto de ir receber cerca de dez vezes mais no Mónaco mesmo sem ter ganho qualquer troféu em Portugal. O que diz muito do prestígio do Sporting.

Mudou o treinador no fim da época mas sai com elegância, sem guerras verbais e com um abraço ao presidente que foi mais do que uma expressão de cortesia. Leonardo Jardim sabe que deve a Bruno de Carvalho a oportunidade de concretizar esta experiência além-fronteiras, num clube aparentemente milionário, mantendo abertas as portas do clube que sempre disse ser do seu coração desde criança.

De cemitério de treinadores a trampolim para a valorização de treinadores no mercado internacional do futebol. Eis a diferença. E não é pouca.

Fui enganado

"O rei está morto. Viva o rei!"

 

Escrevi lá mais para trás sobre a renovação de Leonardo Jardim, fiado numa notícia d'A Borla (eu sei, a gente deve dar um grande desconto às "notícias" dos desportivos, mas a vontade enorme de que a "notícia" fosse verdadeira levou-me a extravazar os meus sentimentos, pronto...).

Fui enganado, no entanto não retiro nada ao que escrevi, que até nem foi extenso, mas dizia muito.

Continuo a achar que Leonardo Jardim foi a melhor aposta naquela altura e que fez um trabalho extraordinário. Uma estrutura directiva sólida permitiu-lhe trabalhar sem pressão e aplicar as suas ideias numa equipa completamente renovada e recheada de gente "imberbe". É um facto indesmentível que ultrapassou todas as previsões, até as mais optimistas. E aqui é que bate o ponto! Custa-me um pouco entender que alguém que (com mérito, é certo) chegou à sua "cadeira de sonho" e com um projecto a meio, o abandone por dinheiro. Sim, eu sei que a diferença entre o que lhe pagava o Sporting e o que lhe irá pagar o Mónaco ou outro qualquer não é dispicienda, mas caramba, imaginemos que lhe (nos) corria bem a próxima época! Não estaria ainda mais valorizado? Sim, estou a abrir mão de 3M de Euros, mas qual de nós não trocaria esses "trocos" por um título de campeão?!

Não quero sequer pensar que a saída de Leonardo Jardim tenha a ver com outra coisa, que não seja dinheiro. E assim sendo, a sua saída não abona muito em seu favor, lamento dizê-lo. Que não quisesse renovar já, ou que o não quisesse fazer pura e simplesmente, estaria no seu direito! E partir no final do contrato, com missão cumprida, dava-lhe uma margem enorme de crédito junto do Clube, para um dia voltar pela porta grande. Lamento dizê-lo, mas apesar de tudo o que de bom fez, a sua saída prematura talvez lhe tenha fechado as portas a um eventual regresso. A ver vamos... Mas, por tudo isto, senti-me enganado também por Jardim.

 

Agora o escolhido foi Marco Silva. Era expectável. Não sei se recusou ou não o Porto, não sei se foi abordado pelo benfica, sei que aceitou vir para o Sporting. E sei o que ouvi ontem na apresentação e gostei. Gostei muito! Se as palavras forem espelhadas em resultados, temos homem, teremos equipa e alcançaremos resultados e MS demonstrou já que sabe da poda; não esqueço o último jogo deste campeonato que agora terminou e da única equipa que jogou à bola, bem como da excelente campanha que fez com o Estoril, que ao longo pelo menos dos dois últimos anos apresentou um "fio de jogo" muito bom, fluente, de troca de bola, acutilante e venenoso para os adversários.

Gostei da duração do contrato, demonstração da confiança que tem a  direcção no seu projecto e que os sócios o reconhecerão em próximas eleições, sendo também um recado óbvio, para alguns que ainda teimam em ser "marretas", de que o Sporting caminha em direcção ao futuro e nada nem ninguém o vai parar!

Por mim, tenho certeza absoluta (no que o futebol pode deixar ser absoluto) que os títulos aparecerão, já que resultados excelentes os vamos conseguindo quase diariamente. E os títulos serão consequência desses resultados, que inevitavelmente tornarão o Sporting cada vez mais forte para enfrentar os seus inimigos, já que aos adversários muito em breve ultrapassaremos inexoravelmente.

Sem ter qualquer relevância para o caso, diz-se que Marco Silva é adepto dos encarnados. Também se diz que Jesus é dos nossos, e é vê-lo a trabalhar honestamente em prol de quem lhe paga. Não será por aí!

Seria até interessante que Marco Silva tivesse longa vida em Alvalade. Seria bom sinal!

 

O rei está morto. Viva o Rei!

Orgulho e pena

Considerando o notável trabalho desenvolvido por Leonardo Jardim, e o seu sportinguismo, sinto muita pena por o ver sair: considero-o um dos nossos. Mas temos que ver as coisas por outra perspetiva. Nos últimos 30 anos, que treinadores dos três grandes saíram mesmo por cima? No Benfica, só Sven-Goran Eriksson; no FC Porto, Artur Jorge, Bobby Robson (que "já era" Bobby Robson antes de treinar o FC Porto), José Mourinho e André Villas Boas. No Sporting, só Paulo Bento poderá ter saído por cima, mas não como Jardim. Os restantes ou cumpriam os seus contratos, que não eram renovados (caso raro no Sporting, mas normal, por exemplo, no FC Porto), ou eram despedidos precipitadamente (algo muito frequente no Sporting), ou eram despedidos por efetivos maus resultados e impossibilidade de melhoria (algo infelizmente frequente nas épocas mais recentes). Tudo isto junto, o Sporting tinha ganho, justamente, a reputação de "cemitério de treinadores". E é um clube com esta reputação, e que há pouco mais de um ano parecia à deriva, que agora pela primeira vez tem lucro graças a um treinador de futebol: recebe dinheiro por ele (a prática era exatamente o oposto). E isto só é possível graças ao excelente trabalho que foi desenvolvido, por esse treinador e pela estrutura diretiva. Por este facto só podemos sentir orgulho.

Desejo a melhor sorte a Leonardo Jardim, que senti que era o "meu" treinador como há alguns anos não sentia em relação a um treinador do Sporting, e espero que volte um dia para conquistar os títulos que não conseguiu nesta primeira passagem. Entretanto, a vida continua e obviamente o Sporting também. E devo acrescentar que considero que Leonardo Jardim não poderia ter sido melhor substituído. Mais uma razão para dar os parabéns à estrutura do futebol do Sporting.

Rei morto, rei posto

 

Tal como aconteceu no ano passado, o Sporting apresentou o seu novo treinador no dia a seguir ao anúncio da saída do anterior. Rei morto, rei posto. Aguardei esse anúncio oficial para falar da saída de Leonardo Jardim (mais para o final do post perceber-se-á porquê). 

 

Um ano após ter assumido a equipa, Leonardo Jardim parte com o registo de trabalho bem feito e como rosto da recuperação desportiva de um clube moribundo que acabara a época anterior num penoso 7º lugar. Este facto, associado a anos desastrosos, fez com que muitos sportinguistas, perante a sua saída, revelassem uma característica demasiado vista em ocasiões anteriores: o catastrofismo. A última vez que tal tinha acontecido fora precisamente por causa de um treinador. Na época passada, por esta altura, não faltava quem adivinhasse o caos no futuro do Sporting porque o clube abrira mão de Jesualdo Ferreira, treinador que, numa época catastrófica, nos tinha feito passar um pouco menos de vergonha. Não quero comparar a qualidade e o trabalho de Jardim com o de Jesualdo - a saída de Jardim justifica mil vezes mais as angústias e as preocupações dos sportinguistas do que a saída do professor medíocre - mas o mesmo complexo do homem providencial e da inevitabilidade do caos perante a mudança está lá.

 

Este estado de espírito até poderia fazer sentido num Sporting recente em que as boas opções eram mais excepção do que regra e em que as boas decisões pareciam tomadas por sorte. Mas agora é diferente. Porque se houve coisa que ficou provada na época que agora terminou para além da qualidade de Leonardo Jardim, foi a mudança na forma de funcionar do clube. Goste-se mais ou goste-se menos dos protagonistas, concorde-se ou não com os métodos, é inegável que o Sporting tem um rumo, uma estratégia e demonstra coerência no seu cumprimento.

 

Por isso, há um ano atrás, mais do que assumir a equipa do Sporting, Leonardo Jardim passou a integrar uma estrutura organizada e funcional. E, ao contrário dos sportinguistas catastrofistas, eu prefiro considerar que o sucesso desportivo da equipa, mais do que dever-se a um homem providencial, deveu-se à estrutura da qual o treinador fez parte, e na qual se destacam também Inácio e o Presidente. Leonardo Jardim foi mais uma peça dessa engrenagem que fez o Sporting funcionar como há muito não se via. Não quero com isto desvalorizar o papel de Jardim e considerá-lo uma peça fácil de substituir. Nada disso. Jardim tem valor e provou-o e não há muitos como ele. Apenas quero evidenciar que é muito mais fácil antever sucesso das mudanças feitas dentro de uma estrutura que funciona, do que num clube onde ela nem sequer existe.

 

Por isso, acredito que a substituição de uma peça tão importante como Jardim por um treinador competente e capaz será a garantia de que a engrenagem continuará em funcionamento. Marco Silva é esse treinador. Não o digo apenas porque não tenho outro remédio senão ter esta esperança, agora que se confirma que ele é o escolhido. Afirmo-o porque vejo nele há já algum tempo o próximo caso sério do futebol português. Mais até do que Jardim. É feeling, é fé, é o que quiserem. Mas é o que sinto e o que sinto levou-me a dois momentos de angústia durante a época que agora terminou: aquele em que ele foi dado como quase certo no fcporto e aquele em que ele foi dado como quase certo no benfica. A conclusão é a melhor de todas. Vai treinar o meu clube e fazer-me feliz.

A nossa fé

Ando há para aí uma década no negócio do comentário político e económico e, até ao ano passado, nunca senti necessidade de falar sobre futebol e o Sporting (excepto um ou outro artigo neutral sobre o Mundial). Sempre me pareceu (e ainda parece) que há gente que sabe muito mais do que eu e que tem muito mais a dizer sobre o assunto do que eu, um adepto vulgar. O ano passado, no entanto, não aguentei tamanha desgraça (que continuava uma série já de si deprimente) e comecei a falar sobre o Sporting mais como catarse do que outra coisa qualquer: em vez de chorar no ombro de alguém, chorava no blogue. Enfim, valeu o convite para vir para aqui, graças ao olho de leão do Pedro Correia, cuja atenção e paciência lhe davam para seguir o meu obscuro pardieiro.

Isto para dizer que o ano passado fui pela permanência do Jesualdo e disse-o publicamente. Não por grande amor que lhe tivesse, mas por não estar a ver ninguém muito melhor para o substituir. Na altura, até comparei com aquele que vai ser o nosso treinador para o ano (porque era dele que se falava mais), dizendo que não via vantagem na substituiçâo. Sobretudo preocupava-me (e ainda preocupa) a questão do cemitério de treinadores: lagarto escaldado do novo treinador tem medo. Correu tudo espectacularmente e contra a minha opinião. Estou-me nas tintas para me enganar desde que seja em benefício do Sporting.

Este ano, pelas mesmas razões, preferia que Leonardo ficasse. Não fica, por um prato de lentilhas. O prato é muito grande, eu sei, mas, para um lagarto com 39 anos, não dava para ficar mais um aninho? Não importa. Acabou, acabou. Vem aí o Marco. É ele agora a nossa fé. Diz que é lampião. Espero que, depois de uns anos em Alvalade cheios de sucesso, veja a Luz e acabe Leão do coração.

O senhor que se segue!

No passado dia 16 de Dezembro escrevi este texto, onde temia a eventual saída de Leonardo Jardim no final da época. Com a rescisão esta tarde/noite anunciada por Bruno de Carvalho, quase ao mesmo tempo que um dos responsáveis do Mónaco comunicava o fim do contrato com Cláudio Ranieri, é (quase?) certo que o madeirense irá rumar a terras gaulesas durante as próximas temporadas.

 

O que eu receava aconteceu!!

 

Certamente que era impossível, nesta altura do “campeonato financeiro”, o Sporting lutar contra um qualquer clube milionário, ao mesmo tempo que não se podia nem devia cortar as hipóteses a Leonardo de abraçar um projecto, se não mais ambicioso, pelo menos mais apelativo, financeiramente falando.

 

Ao contrário de outros treinadores L.J. ficará na história do Sporting por ter feito “mais com menos”, enquanto outros fizeram “menos com mais”.

É a hora de outro técnico dirigir as hostes leoninas a um patamar de excelência donde nunca deviam ter saído. Marco Silva é para mim o preferido! Mas Manuel Machado ou até o Pedro Martins poderiam ser outrossim boas escolhas.

 

O senhor que se segue tem não só a responsabilidade de gerir os recursos humanos postos ao seu dispor mas manter a qualidade e excelência que LJ nos apresentou e habituou. Não será um trabalho fácil, mas alguém disse que o seria?

Obrigado Leonardo Jardim

Além de lhe agradecer pelo trabalho feito, desejo os melhores sucessos desportivos ao nosso Leonardo Jardim. Tendo em conta o anunciado, o seu sucesso futuro significará mais receita para o Sporting. Já agora, esta não é melhor venda de treinador alguma vez feita (termos monetários) em Alvalade? 

Faz hoje um ano

 

O FC Porto sagrava-se campeão nacional. Mas o benfiquista Rui Gomes da Silva, no programa em que participa como comentador residente na SIC Notícias, recusou felicitar o clube rival. «Vão dar banho ao cão!»: foi a elegante expressão com que brindou os telespectadores nessa tribuna, dando assim um notável contributo para o incremento do fair play no futebol português.

«Acredito que o Benfica não perdeu o título com o Estoril, nem sequer com os festejos precoces no Funchal, mas sim na vitória manhosa frente ao Sporting. Aquele jogo em que viram perdoados três penáltis e outras tantas expulsões pelo apitador João Capela, o que convenceu os encarnados de que seriam campeões by all means necessary», escreveu, a propósito, o Leonardo Ralha. Com o Adelino Cunha a deixar bem claro: «Eu acuso João Capela de ter prejudicado conscientemente o Sporting. Eu acuso João Capela de ter aprofundado a crise do Sporting. Eu acuso João Capela de ter travado a ascensão do Sporting. Eu acuso João Capela de ter provocado danos no plantel do Sporting. Eu acuso João Capela.»

 

 

No Sporting a notícia era a apresentação aos sócios do novo treinador, Leonardo Jardim. O Tiago Loureiro dizia o essencial numa só palavra: «Bem-vindo.»

Entrava Leonardo, saía Jesualdo. «Foi bonito, digno e boa imagem do nosso clube o anúncio da saída de Jesualdo. Bruno de Carvalho e Jesualdo Ferreira merecem os parabéns", anotava o José Manuel Barroso nesse dia 20 de Maio de 2013.

«Jesualdo Ferreira está de partida. Resta-nos agradecer. Ponto. Sem drama, nem novela pois já vivemos muito nestes últimos anos. Colocou a equipa a jogar melhor? Como é óbvio, depois da anedota Vercaurteren, só poderia ter colocado», observava por sua vez o Diogo Agostinho. Enquanto o Filipe Moura concluía: «Não foi por culpa de Jesualdo Ferreira que o Sporting fez a pior temporada da sua história e não se qualificou para as competições europeias.»

Nessa hora de viragem, também fiz o meu balanço. Nestes termos: «Queremos melhorar, a partir de agora. E vamos melhorar, tenho a certeza. Mas com os pés no chão. Sabendo que não há milagres. Como cantava o sportinguista Sérgio Godinho nos idos da revolução, "só quer a vida cheia quem teve a vida parada". Como quem diz: não gritem agora exigências que nem ousaram sussurrar no passado.»

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