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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Lost in translation (Jesus não entendeu o manuel machadês)

Em terra de Cónegos, Jesus não ordenou o plano de jogo correcto, falhando em toda a linha na abordagem (estratégia) a este desafio.

A coisa explica-se em 3 penadas:

1) Bruno Fernandes só pode jogar num meio-campo a 2 se tiver Battaglia nas suas costas. William é excelente com a bola nos pés, mas não tem a intensidade sobre a bola e a rapidez que lhe permitam estancar as vagas de ataque dos adversários, sem uma "muleta" do tipo Adrien ou Battaglia por perto a auxiliá-lo. A dado momento, vimo-lo a correr ao lado de Ruben Lima durante 50 metros, movimento que fez lembrar duas rectas paralelas que, como se sabe, só se encontram no infinito (ou no caso, no fundo das redes de Rui Patricio, se Piccini não tivesse intervido);

2) Ao tentar encaixar o adinâmico Alan Ruiz, em vez de Bruno Fernandes naquela posição, num jogo com estas condicionantes - relva em mau estado e campo mais estreito da 1ª Liga - Jesus entregou logo a rainha antes de começar a mover as suas peças no tabuleiro de xadrez verde-e-branco moreirense;

3) Acuña, um jogador raçudo, que luta por cada palmo de terreno, característica que seria ideal para esta partida, foi preterido em razão de uma pretensa gestão física quando deveria, isso sim, ter sido poupado na pretérita terça-feira contra o Maritimo, para a Taça da Liga. Também em gestão, mas psíquica, acabámos por ficar todos nós, adeptos, após o abalo emocional que a estratégia de Jesus nos provocou (menos mal que, depois deste inesperado desaire, não devemos vêr tão cedo um número humorístico protagonizado pelo presidente).

 

Assim, a equipa jogou sempre muito estendida no campo, abrindo crateras entrelinhas para as penetrações dos médios moreirenses, com os defesas completamente desprotegidos e à mercê de sucessivos contra-ataques originados por constantes perdas de bola de Alan Ruiz. Por outro lado, Manuel Machado teve a inteligência de não recuar linhas e de pressionar a saída de bola leonina, aproveitando a superioridade numérica no meio-campo, dificultando ainda mais a criação do nosso jogo.

 

Os jogadores:

 

Rui Patricio - Ainda a TV nos mostrava repetições do golo do Sporting e já Patricio se via obrigado a mais uma grande defesa. Sem ele em campo, a desgraça teria sido maior, reflexo de ter sido o único a efectivamente pisar o relvado do Comendador Joaquim de Almeida Freitas. Nesse contexto, pareceu fazer sentido que os 10 hologramas arranjados para lhe fazerem companhia tivessem sido pintados com cores berrantes, numa tentativa vã de encandear os adversários. As referências em braille é que pareceram desnecessárias pois ninguém conseguiu "ler" a equipa em campo. Já meritório foi o código Morse introduzido, o qual desta vez conteve uma única mensagem: SOS!

Nota: Sol

 

Piccini - Continua a padecer do estranho mal que consiste em autoflagelar-se, tentando introduzir a bola nas próprias redes. Tem mais ao menos a média de uma tentativa por jogo e ontem cumpriu com essa estatística. Mesmo em terra de Cónegos, não foi possível encontrar um exorcista que o libertasse desse desígnio. Paralelamente, na única vez que conseguiu encontrar a linha de fundo do adversário motivou um canto de onde resultaria o único golo leonino, aliás um autogolo, o que não deixa de ser irónico.

Nota:

 

Coates - Provoca diversos AVCs nos espectadores com aquele seu jeito de conduzir a bola, meio competente meio desplicente, em que a liberta exactamente um centésimo de segundo antes de ser desarmado, quando não existe ninguém a separá-lo das redes de Patricio. Na pré-época, contra o Guimarães, falhou essa fracção de tempo e acabaria expulso, facto que não se esquece tão facilmente e que nos faz subir a pressão arterial quando o vemos a recrear-se em excesso com a bola.

Nota:

 

Mathieu - Não ficou mal na fotografia pelo simples facto de que não ficou na fotografia. Confuso? Por vezes, a invisibilidade é uma arte e o gaulês pareceu dominá-la ontem em Moreira de Cónegos, conseguindo não ficar ligado a nenhum momento relevante do jogo.

Nota:

 

Fábio Coentrão - Em condições de pressão e temperatura constantes, Coentrão é um jogador importante. Vai daí, Jesus coloca-o durante a semana numa redoma, algo que se torna difícil de replicar num terreno de jogo e que leva o treinador a permanentemente equacionar "queimar" uma substituição, mandando aquecer Jonathan desde cedo. O Dr. Varandas é obrigado assim a dividir-se entre a câmara hiperbárica do caxineiro, a máscara de oxigénio do argentino e o desfibrilhador para acudir os adeptos em stress com esta situação. Terminado o jogo, permaneceu imóvel, deitado no terreno, permanecendo a dúvida se o INEM terá sido chamado ou se apenas estava a regularizar o sono (treino invisível).

Nota:

 

William - Jesus conseguiu expor todas as suas fraquezas ao deixá-lo praticamente sozinho no meio-campo. A dado momento pareceu fascinado com as dinâmicas no relvado, constituindo-se mais como um observador do que como um elemento actuante. Fez alguns esforços vãos de tentar organizar o que não tinha organização possível, pois a táctica de Jesus fez jus ao título desta rubrica. Providencial no golo de carambola do Sporting, o que lhe melhora a nota.

Nota:

 

Bruno Fernandes - Quando um jogador que vem dando sinais de cansaço é lançado num meio-campo a 2, com William por detrás, num campo pesado, com uma relva deficiente e adversários que correm muito, está tudo dito sobre a forma como Jesus preparou ente encontro. Quase marcou, na execução competente de um livre directo. 

Nota: Mi

 

Gelson - Pareceu, desde o início, tocado, não sei se fisicamente ou se psicologicamente, dada a táctica que Jesus lhe reservou. Nunca ganhou a linha de fundo e as constantes mudanças de flanco também não ajudaram o seu jogo, nem o da equipa, a qual necessitava mais de um jogador que executasse cruzamentos para a área à procura dos dois pontas-de-lança. Desinspirado, voltou a acertar na barra, especialidade onde ainda se vai doutorar no futuro.

Nota: Mi

 

Bruno César - O seu duelo com o pequeno Koffi (Annan?) foi uma recriação pós-moderna de "a lebre e a tartaruga", em que nem a tartaruga, nem a lebre chegam à meta. A lebre, coitada, saiu de pista desossada e cheia de dores. A tartaruga (Bruno) foi substituida por um miúdo a "atirar aos cágados", não lhe valendo de nada a desistência do seu contendor. Relevante no passe para William donde resultaria o golo.

Nota: Mi

 

Alan Ruiz - Destacou-se por ter prejudicado inúmeros lances de ataque leonino permitindo transições perigosas aos moreirenses. Quando não desarmado, optou por fazer faltas sobre os adversários. Uma nulidade! Mostrou-se tão deslocado no campo como Coco Chanel a passear na Brandoa. Num terreno onde era preciso lutar muito, quem tem a culpa de escalar de início este jogador que continua a equipar de saltos-altos?

Nota: Dó menor

 

Bas Dost - Tentou ganhar bolas pelos ares, nunca virando a cara à luta. Quando teve oportunidades de visar a baliza preferiu altruisticamente assistir Doumbia (especialidade que começou a desenvolver aquando da visita do Vitória sadino), mas o entendimento entre os dois é neste momento semelhante ao que existe entre o azeite e a água. Eu, sinceramente, prefiro o Bas que "dosta" egoisticamente e que nos dá vitórias com os seus golos.

Nota: Mi

 

Doumbia - Não foi ponta-de-lança, nem médio. Pareceu não ter levado guião, ou pelo menos o guião certo, para dentro do campo. Pesado, não mostrou a sua célebre aceleração em espaços curtos, tornando-se presa fácil para os defensores locais.

Nota:

 

Battaglia - Conseguiu estabilizar aquilo que parecia não ter conserto: o meio-campo defensivo leonino, o qual voltou a mostrar músculo após a sua entrada. No entanto, recorreu demasiadamente à falta, o que não ajudou à fluência do nosso jogo. Acabou a central, no "tudo ao molho" com que Jesus terminou a partida, em coerência aliás com o que foi a sua estratégia para todo o jogo.

Nota:

 

Iuri - Entre o medo cénico que entrar em campo com a camisola do Sporting lhe cria e os ares de grande vedeta, o açoriano parece estar a passar ao lado de uma grande carreira. Não consegue mostrar em campo o que lhe víramos em Arouca, no Moreirense ou no Bessa, aparentando não ter estofo psicológico para tão árduo desafio. Estragou todas as jogadas promissoras pelo seu flanco, particularmente três em profusão, o que deixou os adeptos à beira de uma ataque de nervos.

Nota: Dó menor

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patricio

 

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Hoje giro eu - A doutrina de Jesus

Jorge Jesus pode ter alguns defeitos, mas a verdade é que doutrina entre os treinadores portugueses. Andava Rui Vitória desesperado - na indefinição entre o 4-3-3, modelo táctico que lhe tinha dado bons resultados em Guimarães, e o 4-4-2 com alas bem abertos, legado e fórmula de sucesso de JJ nos dois anos anteriores - quando decidiu adoptar (chamemos-lhe assim) a inovação que, entretanto, Jorge Jesus introduzira no Sporting: João Mário na ala, partindo daí para movimentos interiores, criando superioridade numérica no meio-campo. Estávamos em 2015 e o recurso a Pizzi, jogando no corredor direito, viria a valer um campeonato. Antes, colocara Guedes e Gaitán nas alas, na Luz contra o Sporting (Pizzi a "8"), e o resultado tinha sido desastroso...

Ontem, em jogo da Taça da Liga frente ao Braga, Rui Vitória experimentou pela primeira vez este ano o 4-3-3 (os entendidos dirão que é um 4-2-3-1), com Krovinovic a fazer de Bruno Fernandes, mais uma vez replicando tardiamente (em 15/16 ainda foi a tempo) o que JJ vem fazendo desde o início da época. Este detalhe é importante porque RV tinha Gabigol disponível para fazer de Jonas e preferiu metê-lo numa ala. Não será tão fácil, no entanto, este modelo vingar e por uma simples razão: Jonas, o segundo avançado no modelo 4-4-2, é só o melhor jogador do Benfica e por uma larga margem. Assim sendo, como coabitar Jonas neste sistema? A única solução seria abdicar do ponta-de-lança puro (Seferovic ou Jimenez) e deixar Jonas solto na frente, jogando com um meio-campo a 3 formado por Fejsa, Pizzi e Krovinovic, apoiados nas alas por Sálvio e Cervi (ou Zivkovic). Esta solução tem prós e contras. A favor, a idade de Jonas e a necessidade de poupá-lo a uma excessiva deriva por caminhos extenuantes longe da baliza; contra, o facto bem provável de o brasileiro render mais quando não é uma referência fixa na frente. Apesar de tudo, não me admirava nada que Rui Vitória testásse este modelo em Basileia.

Uma coisa é certa: com melhores ou piores resultados, Jesus doutrina. Que continue, mas desta vez de olhos bem abertos, sem soberbas e a dar o devido mérito aos seus jogadores (algo que tem sido uma realidade este ano).

 

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De Senhor, meu caro Jorge Jesus

Passámos um jogo que nos andava "entalado". Nas duas últimas temporadas perdemos pontos em casa com o Tondela. Não é, de longe, o melhor clube da Primeira Liga, mas era uma espécie de malapata que nos estava atravessada. É bom relembrar que bastaria uma vitória há dois anos ao Tondela e o tão ambicionado título teria acontecido. 

Mas, mais do que vencer o Tondela, mais do que finalmente vencer um jogo pós-Liga dos Campeões, o que mais saliento é o discurso de Jorge Jesus após o jogo. Ponderado, sereno e com os pés na terra. É fundamental manter o registo. O Sporting não pode embandeirar em arco quando faltam tantas jornadas e tantos problemas pela frente. E é preciso perceber de uma vez que o nosso foco é só um: o Sporting Clube de Portugal. Focados no nosso trabalho, nos nossos jogadores e no muito que temos que fazer. 

Vamos a isso Mister. Seguimos #Juntos. 

 

Jorge Jesus dixit

«Somos realistas. Ganhar a Champions é para quatro ou cinco

 

Pois bem, aqui fica o meu palpite para esses quatro ou cinco:

1 - Nós, Sporting, obviamente.

 

depois, a alguma distância...

2 - Real Madrid;

3 - Bayern Munique;

4 - Barcelona

 

e como ele disse «ou cinco»

5 - PSG.

 

Porém, como ele, por vezes, se embrulha com as palavras, talvez quisesse dizer:

Somos realistas. Ganhar a Champions é por quatro ou cinco, em todos os jogos.

Hoje giro eu - Hora H

Jorge Jesus é o líder da equipa de futebol do Sporting. Um líder é, primeiramente, um gestor de recursos humanos. No Sporting, estes significam um custo anual superior a 60 milhões de euros.

Hesitei em escrever esta peça hoje. Amo o meu Sporting, quero o melhor para o meu clube, acredito que os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting são os melhores do mundo, mas, por um lado, tenho receio da jornada dupla que se inicia amanhã, por outro que as minhas palavras sejam mal interpretadas.

Já disse inúmeras vezes que seria incapaz de escrever com uma agenda secreta - considero isso profundamente desonesto intelectualmente -, que apoiei anonimamente, como tantos, Bruno de Carvalho desde a primeira hora, quando nenhum dos meus amigos estava com ele, e que não conheço nem pessoalmente, nem institucionalmente (nem tinha de conhecer) qualquer membro da direcção/administração do clube/SAD.

Não tenho, por isso, qualquer informação privilegiada pelo que aceito o risco de as minhas reflexões, que convosco partilharei, poderem vir a ser consideradas especulativas. Ainda assim, farei uma interpretação baseada naquilo que resulta de informações que, aqui e ali, vão saindo na imprensa e que são do conhecimento geral.

Depois de uma extraordinária época de 15/16, o que é que correu mal no ano passado e quais os meus receios para esta temporada? 

Antes do fecho do mercado de Agosto, foi noticiado, até pelo próprio, o interesse de Adrien em aceitar o convite do Leicester. Sendo o 1º capitão, julgo que este episódio teve algum impacto na equipa. Mas, o pior estava para vir: no rescaldo da infeliz derrota em Madrid, epíteto que só pode ser atribuido devido à surpreendente e superior exibição conseguida (mérito de Jesus), o treinador, que no decorrer do jogo havia sido expulso, produziu a afirmação de que "com ele na zona técnica, a equipa não teria perdido". 

Um líder deve estabelecer uma linha de comando e deve descentralizar poderes. Assim, na sua ausência e mesmo na sua presença, deve dar "empowerment", em primeiro lugar, aos seus adjuntos. Ao transmitir que com ele não teríamos perdido transmitiu um sinal muito negativo sobre a competência da sua equipa técnica, a sua primeira linha de condução do grupo de trabalho.

A segunda linha de comando é a do balneário. Os capitães e os jogadores com mais protagonismo na equipa são os naturais líderes, os quais tanto podem ser uma grande ajuda para o treinador como constituir-se como uma enorme dor de cabeça. A dado momento e referindo-se a Slimani, o treinador afirmaria que a sua opinião (dele, argelino) valeria "bola", a dele (Jesus) é que seria importante. Estes excessos de Jesus merecem aqui um aparte: ser autoconfiante é ter a convicção de que, com mais ou menos trabalho, com dispêndio de mais ou menos massa cinzenta, eu, perante um problema, vou conseguir encontrar a solução. Outra coisa completamente diferente é ser arrogante, prepotente ou autoritário e tratar assim um dos jogadores mais importantes. É evidente que os jogadores não gostam de ver isso, como certamente não gostarão e, admito, não perceberão porque é que três jogadores titulares da época passada se encontram a treinar à parte. Refiro-me concretamente aos casos de Bryan Ruiz, Schelotto e Zeegelaar.

Quando a imprensa nos diz que todos os capitães de equipa pediram para saír ficamos sem saber se isso obedece a legitimas (desde que respeitem o clube) aspirações de darem mais um passo na carreira (afirmação que a mim me faz confusão estando eles no melhor clube do mundo) ou se existe um ambiente de crispação com Jesus, o que por vezes transparece nos jornais, embora não saibamos se essas noticias não são encomendas dos nossos concorrentes.

De uma maneira ou de outra, aqui, julgo eu, reside o maior problema. Se os restantes jogadores da equipa se apercebem que os colegas com maior autoridade querem saír, quem controla a exigência para com o clube e quem garante a integração dos novos recrutas e o saudável ambiente no balneário?

Jesus esteve quase a ganhar o campeonato. Se o tivesse conseguido seria hoje, provavelmente, um deus em Alvalade e estas situações seriam relativizadas, até porque os jogadores trocariam na sua cabeça o autoritarismo do técnico pela autoridade de lhe reconhecerem mérito e competência no "título"- porque Jesus pode ter poder, que lhe é conferido pela administração, mas autoridade é outra coisa, é quando os que lideramos nos reconhecem e eu não estou certo que isso, neste momento, seja real - mas, como tantas vezes no meu querido Sporting, a sorte foi-nos madrasta e Jesus não soube adaptar-se à má fortuna. mantendo o seu estilo habitual de quero, posso e mando.

Está tudo perdido? Não. Então, o que é que eu penso que deve ser urgentemente feito?

Jesus tem de começar por reestabelecer o elo emocional da equipa. A gestão é feita de erros, não há mal nenhum, nem constitui perda de autoridade, reconhecer algumas más decisões no seio do grupo. Jesus já terá percebido que, sem os jogadores, não vai lá. Bem pode trazer 11 ou 12 todas as épocas que os jogadores passam a palavra, trocam informações, pelo que o sentimento se manterá. Além disso, sempre que Jesus adia o que deve ser feito, apertando os laços do grupo, e pede mais um jogador ganha mais um "inimigo", o jogador que sente que o "newcomer" lhe vai tirar o lugar.

Assim, Jesus deveria terminar de pedinchar mais jogadores e concentrar-se, isso sim, naquilo que tem de melhor: o desenvolvimento unipessoal de cada uma das individualidades do plantel. Só o "upgrade" destes jogadores ajudará o clube a ser sustentável. Sem resolver os problemas atrás descritos, bem pode trazer uma legião de craques que alguns problemas graves continuarão por resolver.

Dirijo-me agora a si, Jesus. Por favor, mude. O Sporting este ano não pode falhar. Tem o plantel mais caro da sua história, mas precisa de formar uma equipa coesa, em que todos sejam vencedores, todos sejam importantes. A ausência do título aumentará para três anos o seu insucesso em Alvalade e para 16 anos a nossa infelicidade. Mais, a nossa (eventual) não presença na fase de grupos da Champions terá como consequência quase inevitável a necessidade de promover receitas extraordinárias, ou seja, a perda das nossas pérolas da formação, independentemente da boa gestão desta direcção/administração que já terá receitas mais substanciais na próxima temporada devido ao acordo (óptimo) conseguido com a NOS.

Jesus, está tudo nas suas mãos. Abrande um pouco a sua soberba (os nossos pontos fracos nunca conseguimos de todo irradicá-los, mas podemos disfarçá-los), toque a reunir, (re)afirme a sua humanidade, restaure a cultura táctica que me mostrou a equipa (de 15/16) que jogou o melhor futebol que me recordo nos 43 anos que tenho de idas ao estádio e faça cumprir o seu sonho, o sonho de seu pai, o meu sonho enquanto pai que quer que os seus filhos vivam um título, o sonho do meu amigo António Miguel que há pelo menos 30 anos me acompanha nestas lides e que comigo chorou "baba e ranho" quando um golo fortuito de Roberto nos eliminou injustamente perante o Barcelona, o sonho de todos NÓS, os melhores adeptos do mundo, o de fazer este clube, mais que um clube, uma grei, uma nação, um clã, finalmente CAMPEÕES. 

Eu vou estar lá!!!

Ligar o jogo

Pedro Azevedo, o Edmundo Gonçalves e o Pedro Correia já fizeram, e bem, a análise ao paupérrimo jogo de ontem frente a um adversário cujo nível não pode sequer ser comparado ao que Sporting, com o plantel que tem, deveria apresentar. O Francisco Vasconcelos fez um balanço dos três primeiros jogos oficiais.

 

Os principais problemas identificados por cada um deles têm bastantes semelhanças, o que apenas significa que estamos todos a ver o mesmo.

 

Da minha parte, proponho-me acrescentar aquela que é para mim a principal razão para as dificuldades apresentadas pelo Sporting neste início de época (e que é o mesmo de toda a época passada): ligação do jogo interior.

 

No primeiro ano de Jesus havia um senhor chamado João Mário que, apesar de jogar descaído para a direita, era o cérebro do jogo ofensivo da equipa e era ele que garantia a capacidade de jogo interior. Bem acompanhado, em metade da época, por um Teo Gutiérrez que foi o último avançado da era Jesus a conseguir ligar o jogo ofensivo, descendo para jogar com os médios. Mas essencialmente era João Mário que assegurava a qualidade interior e com essa forma de jogar praticamente garantia um meio-campo a 3. Era ele o criativo, o líder de jogo.

 

O maior beneficiado desta realidade foi Adrien, como referi aqui. Tinha sempre opções perto e não tinha que assumir o papel de criação.

 

Quando João Mário saiu, o seu substituto foi Gelson Martins. Um craque. Mas muito diferente na forma de jogar, muito mais vertical e explosivo, apesar de ter capacidade para jogar por dentro, mas ainda com pouca pausa e a criar pouco jogo interior. Aliás, quando o faz é quando o Sporting cria mais perigo e não com os cruzamentos laterais e/ou com as fintas para a linha.

 

A juntar a isto, Jesus não conseguiu durante toda a época passada encontrar um avançado que fizesse a ligação com os médios, com excepção de um período da época em que Alan Ruiz conseguiu, ainda que apenas a espaços, fazê-lo.

 

Com esta conjugação de factores, o maior prejudicado tem sido Adrien. Porque cada vez que tem a bola tem muito menos opções por perto (Gelson está mais longe que João Mário e não tem um Teo para tabelar), o que o obriga a arriscar mais passes, a ter que conduzir mais, o que invariavelmente resulta em piores decisões com bola, a mais passes errados, a mais recuperações em esforço e a mais transições defensivas. Porque Adrien não tem criatividade suficiente para jogar num meio-campo a 2. Foi assim durante toda a época passada e está a manter-se assim este ano.

 

Jesus sabe-o e é por isso que aposta em Podence (veremos até quando) porque é o único do plantel com a capacidade de ligar ofensivamente o jogo. Mas para que o jogo interior do Sporting melhore, Acuña tem que jogar mais dentro (para isso acontecer, o lateral esquerdo tem que dar mais garantias de fazer todo o corredor) e juntamente com Adrien terão que jogar muito mais com Podence (ainda ontem, o único lance de verdadeiro perigo resulta de um passe de Podence a rasgar a defesa e a colocar Acuña isolado). Gelson terá mais espaço para o jogo exterior (não vejo Piccini a dar profundidade suficiente) e para dar variabilidade entre jogo interior e exterior.

 

Se isto acontecer, não tenho dúvidas que o jogo do Sporting melhorará bastante. Tenho para mim que é isto que Jesus está a trabalhar, mas as condições físicas e cognitivas (sobre o modelo de Jesus) de alguns elementos ainda não estão no ponto. Espero que não demorem muito a alcançá-las, caso contrário será mais uma época perdida.

 

Doumbia, em condições normais, será uma alternativa directa a Bas Dost. Ou jogando os dois quando for necessário um jogo mais directo (caso do jogo com o Setúbal). Não o vejo com capacidade para ligar o jogo e ser o parceiro de Bas Dost. Mas acredito que fará muitos jogos no lugar do holandês, porque Bas Dost quando não marca é menos um em campo. Não sabe fazer um passe a mais de 2 metros e a sua forma de jogar (e os golos que marca, claro) propiciam a equipa para um jogo mais directo, tornando-se assim muito mais fácil a missão dos nosso adversários. É isso que está a acontecer actualmente com o Sporting e aconteceu na última época.

 

Cabe a Jorge Jesus inverter a situação e acelerar o processo de melhoria do jogo interior ofensivo.

Hoje giro eu - o Rei vai nu (e não há "roupa" que lhe sirva)

 

Jesus herdou um orçamento de 25 milhões de euros em custos com pessoal. Rapidamente, ajudou a ampliar este número para 48,8 milhões de euros (temporada de 15/16) e (uma estimativa) entre 60 e 64 milhões de euros, na época 2016/2017 (48,4 milhões de euros de custos acumulados no final do 3º Trimestre).

Onze contratações depois e um aumento exponencial do custo com o plantel, Jesus continua a pedir mais jogadores. A ideia que transparece é a de que o treinador parece não ter soluções, não consegue montar uma equipa minimamente competitiva e, nesse transe, vai levando o clube às costas para um perigoso abismo.

O Sporting é mais antigo e tem mais história do que o seu treinador. O clube tem um passado futebolistico de 22 títulos nacionais, um legado de figuras como "Os cinco violinos", Azevedo, Canário, "Os heróis de Antuérpia", Yazalde, Damas, Manuel Fernandes, Jordão, enfim, um sem número de ídolos que ajudaram a que o Sporting fosse reconhecido como um Grande do futebol português. Mas, não somos só isso, somos o clube eclético por excelência, o grei de Carlos Lopes, Mamede, Livramento, Chana... Já Jesus, apresenta no seu currículo três títulos nacionais pelo Benfica.

A sustentabilidade de um clube não pode assentar numa "cava" num treinador, qualquer que ele seja. Jesus pesa no nosso orçamento não só pelo salário que aufere (6/7 milhões de euros), mas também pelas suas exigências junto da Administração, numa catarse de pedidos de jogadores que parece não ter fim.

Apesar do mau tratamento que dá à lingua portuguesa, Jesus é bastante sagaz e vende bem o "seu peixinho". A sua "descontrolada" verborreia destina-se a sustentar uma pose altiva e arrogante, uma imagem de exigência e de autoridade, que reforcem uma percepção de desenvolvimento de jogadores e uma ilusão de habilidade táctica. Até acredito na sua auto-confiança, agora "spin" de comunicação como o de ontem, a transmitir que o Steaua era uma equipa do nosso nível, isso não, não nos tomem por tolos...

Entre a realidade e a percepção que Jesus quer que tenhamos dela há todo um abismo. Na realidade, o treinador parece ter perdido a equipa e os jogadores desde a trágica derrota em Madrid, contra o Real. Nunca mais o Sporting teve a consistência que tão brilhantemente alardeou em 15/16. O ego de um treinador não se pode sobrepor ao da equipa. Os jogadores são as verdadeiras estrelas e a eles deve ser atribuido o mérito das vitórias. O treinador deve aparecer como líder de um grupo, dando a cara no momento das derrotas. Ora, em Madrid, Jesus afirmou que nunca teríamos perdido o jogo com ele no banco. Para além dessa afirmação não poder ser provada, houve episódios no seu passado (Golos de Kelvin ou do Chelsea) que mereceriam outra contenção da sua parte; por outro lado, foi com Jesus no banco que saiu Gelson (o pesadelo de Marcelo) para entrar Markovic ou saiu Adrien (patrão do meio-campo) para entrar Elias...

Para além de parecer que a mensagem do treinador já não chega aos jogadores, a fluência de jogo do Sporting está em perda desde o final do seu primeiro ano. As saídas de João Mário e de Teo não foram devidamente colmatadas e o jogo interior da equipa ressente-se. Gelson, óptimo jogador, é demasiadamente rápido para a restante equipa e daí resulta que quando chega à linha só tem Dost na área para finalizar, e este está geralmente acompanhado por quatro adversários. Faz falta pensar mais o jogo, maior contemporização e exploração do jogador que joga atrás do ponta-de-lança. Bryan Ruiz trazia isso à equipa, mas estranhamente (ou talvez não, haverá causas profundas?) eclipsou-se na época passada. Desde Teo, o Sporting não voltou a ter um jogador com a capacidade de arrastar marcações, a inteligência táctica do colombiano. Alan Ruiz não é esse tipo de jogador, é mais médio do que avançado, joga melhor de frente para a baliza. Bruno Fernandes, idem. Podence poderia ser mais útil na ala esquerda como alternativa a Acuña. Doumbia poderia ser esse jogador que a equipa necessita, mas o treinador parece remetê-lo ao banco ou vê-lo como alternativa a Bas Dost. Entretanto, Gelson Dala parece ter sido ignorado, não figurando nas convocatórias. É aqui que deveria aparecer a fama de bom criador de jogadores que é atribuida a Jesus, mas não temos visto isso em Alvalade. É sempre mais fácil pedir mais um jogador ao presidente do que apostar naquilo que se tem. 

Contra o Steaua de Bucareste vários equívocos emergiram. A velha rábula dos laterais, desta vez protagonizada por Piccini - que não parece fazer a diferença face a Schelotto - e Coentrão, este último que o treinador pretendia substituir por Jonathan a 10 minutos do fim. Os médios centro bloqueados pela sagacidade do treinador romeno que plantou dois "policias de giro" nessa zona do terreno. Gelson, que deveria receber a bola no último terço e com a equipa toda posicionada de forma atacante, a sprintar desde o seu meio campo e a não encontrar ninguém para receber os seus passes, Podence perdido entre o médio de cobertura e um dos centrais romenos, Acuña sem apoio do lateral, tudo isto a contribuir para um jogo mastigado, engasgado, de vez em quando abanado pela vertigem quasi-suicida de Gelson, o que, imagine-se, ainda pioraria nos segundos 45 minutos.

Para finalizar, o Sporting não deve ceder mais aos caprichos de Jesus. Nem Gabigols, nem centrais, agarre-se aos recursos que tem, ainda assim muito mais e melhores do que aqueles que Jardim, por exemplo, teve ao seu dispor, e faça uma equipa. Cada vez que o treinador pede mais um jogador, diminui a confiança no balneário, pelo menos a dos jogadores para essa posição. Será que não vê isso? Um líder deve antecipar cenários, motivar, montar uma estratégia e fazer cumprir objectivos. E Jesus?

Sportinguistas, desculpem-me o desabafo, mas o meu coração verde está dilacerado, ontem vivemos mais uma

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humilhação pública como se os orçamentos dos dois clubes fossem comparáveis. Alguma coisa se tem de fazer e com a máxima urgência. a fim de não comprometer uma obra meritória. Assim não...

Ganhámos um jogo de treino

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É no mínimo preocupante quando uma equipa que tem ambições de vencer o campeonato faz mais de metade do seu primeiro jogo com um adversário que almeja a manutenção, empastelado no meio campo com baixíssima produção atacante, perdida numa experiência de última hora. O Bruno Fernandes no lugar de Podence, desaparecido nos mesmos terrenos de Adrien, foi um enorme equivoco que nos podia ter custado o empate na primeira parte. Com a equipa assim encolhida o futebol leonino claramente só desemperrou já na segunda parte com Podence à solta no último terço do terreno – o miúdo traz velocidade e rebeldia fundamental naquela zona do campo. É preocupante que Jorge Jesus teime em fazer experiências como se não estivesse em competição, mas está-lhe na massa do sangue protagonizar “surpresas” para mostrar que existe, que é ele que manda. Não havia necessidade - está claro para todos que é ele que manda - e podia ter corrido muito mal. 

À parte dessa inquietação, e para além de não termos sofrido golos, é de destacar o extremo esquerdo Acuña, que exibe uma generosidade excepcional a defender, umas ganas bestiais a atacar e um faro de golo raro. Temos Leão para atacar o título. Só espero que não percamos o Gelson Martins.

Inventar ou não

Depois de inventar uma defesa, JJ vai ter a tentação de inventar uma linha de ataque. E uma linha de meio campo, pior ainda caso se confirme a saída de William Carvalho a curto prazo.

Porta giratória

Sai Paulo Oliveira, Adrien parece já uma carta fora do baralho, Domingos Duarte volta a ser dispensado. O mesmo deverá acontecer a Tobias Figueiredo, João Palhinha, Matheus Pereira, Francisco Geraldes e Iuri Medeiros.

Hão-de vir ainda um extremo-esquerdo, um novo defesa central, um lateral direito, um novo médio defensivo e talvez outro avançado. Quase meia equipa, o que torna este estágio na Suíça pouco menos que inútil para criar automatismos e fomentar espírito de grupo.

Eis o Sporting neste início do terceiro ano do reinado de Jorge Jesus.

Quatro más escolhas de Jesus

Ficámos anteontem a saber que o treinador do Sporting, neste recomeço dos trabalhos da equipa principal de futebol, decidiu afastar do plantel quatro jogadores: Douglas, Marvin, Petrovic e Schelotto.

Todos eles foram muito criticados, ao longo da época, no És a Nossa Fé. Douglas, um pinheiro sem mobilidade no eixo da defesa; Petrovic, médio defensivo curto de ideias e curto de passe; Marvin Zeegelaar e Schelotto, laterais mais-que-imperfeitos a defender, responsáveis por muitos golos sofridos pela nossa equipa na época que terminou.

Não esqueçamos, no entanto, que o responsável pela vinda destes jogadores para Alvalade foi Jorge Jesus - o mesmo que acaba de os remeter à proveniência. Por vezes certos factos merecem ser lembrados. E nós, por cá, felizmente não sofremos de amnésia.

Dois de quatro

Instalou-se a guerra sem quartel entre Benfica e FC Porto. Salvo melhor opinião, o Sporting deve assistir institucionalmente à refrega sem intervir na praça pública, evitando conspurcar-se com lama alheia. E muito menos deve advogar a retirada compulsiva dos quatro mais recentes campeonatos ao SLB. Pelo simples motivo de dois deles terem sido ganhos com o actual treinador leonino ao leme encarnado.

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